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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 15.10.17

 

«O orgasmo também dura segundos independentemente da duração da cópula. Mas uma cópula sem orgasmo é como um ensopado sem borrego.»

 

Do nosso leitor Vlad, o Emborcador. A propósito deste postal do Rui Herbon.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 08.10.17

«A população portuguesa tem menos de 5% de sangue de sarracenos — isso está estudado por cientistas — mas há quem tenha de vender peixe estragado para condizer com a política e os complexos de culpa. Os visigodos foram um povo culto, e deixaram muito mais manifestações artísticas e culturais do que qualquer outro povo que tenha passado por aqui.

Aliás, foi durante os reinados visigodos que se estabeleceu um regime legal evoluído (O Lex Visigothorum) e são em parte responsáveis pela existência das línguas romances como o Galaico-Português que incorporaram o latim dos visigodos no velho léxico dos povos peninsulares — que era insuficiente para o mundo urbano (tal como aconteceu com o gaélico, que mais tarde teve de incorporar palavras latinas e gregas porque era essencialmente uma língua de camponeses).

Os muçulmanos deixaram uns burros amarrados a uma nora, a mania pirosa de pôr tijoleira no chão e deixaram também o Boaventura Sousa Santos — facto que por si só demonstra como os sarracenos eram toldados pela estultícia e com os dois olhos virados para o abismo.»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 01.10.17

«Sempre me pareceu que a distinção correcta para os géneros é:

Literatura Fantástica: — que deriva do romantismo alemão/gótico. Tipos como Maupassant (o Horla — o real que contém revelações assombrosas), Poe (onde o extraordinário Gordon Pym é compulsão para contar uma história que contém um mistério ou uma revelação paradoxal ou de ontogénese, que aparece na Rima do marinheiro de Coleridge), Stevenson (Jekyll & Hyde), Oscar Wilde e até mesmo Henry James com The Turn of the Screw onde o próprio título e as primeiras palavras, "The story had held us", são a explicação do género e de novo aparece a pulsão primária para contar uma história misteriosa (que seria a essência da grande literatura). Também Borges, que até fez a colecção com o universo de escritores mais ou menos "realistas" que abraçaram o género;

Fantasia: Tolkien e mundos medievalistas com dragões, etc, etc. Vejo muitas vezes colocar autores deste género como Eddings, Donaldson, etc, no campo do fantástico mas Fantasia parece-me a classificação mais adequada (e palavra de honra: sem qualquer desprimor e sem querer implicar que é um género menor);

Ficção científica — acho que este se explica bem a si próprio, sem confusões.»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste texto do João Campos.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.09.17

«Para um país cuja principal receita é o turismo, ser-se xenófobo em relação aos turistas é um contra-senso.
Para quem vive quase exclusivamente do turismo, a palavra é formação, que ainda é uma palavra pouco familiar para a larga maioria das empresas que trabalha directamente com o turismo. Apesar de ser obrigatória, a formação (regra geral) é uma chatice e a abstenção às sessões semestrais das diversas formações só não ultrapassa os 50% por saberem os funcionários da sua obrigatoriedade e sequente penalização.
Se assim se passa ao nível de pequenas, médias e grandes empresas, muito pior em termos de preparação está o País, porque todos os individuais formam um colectivo que funciona mal. Nunca estivemos estruturalmente preparados para receber muita gente, por isso que dizer do boom dos últimos anos?
Muitos hotéis, muitos restaurantes, muitas agências, muitos tours. Pessoal sem formação, preços exorbitantes, falta de manutenção nos lugares públicos com interesse turístico... por enquanto estamos na moda, mas as modas passam e qualquer dia voltamos a ver-nos a braços com mais oferta do que procura como há anos aconteceu no Algarve, que infelizmente está a voltar aos (maus) hábitos antigos.
Com profissionalismo, competência, manutenção e organização, respeitando os usos e costumes com um twist moderno, respeitando a nossa identidade, podemos oferecer qualidade e receber de volta, por parte de quem nos visita, o respeito que nós é devido e não tem sido devidamente reconhecido.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 17.09.17

«Sobre a chamada abstenção, repescagem de 2014: anulei o voto desenhando no boletim um campo para abstenção escrevendo essa palavra e aí colocando a respectiva cruz (X)

 

Que alguém me esclareça sobre um tema que tenho entalado na caixa dos pirolitos e que não vejo debatido onde quer que seja. Cá para mim a ausência nas mesas de voto não tem nada a ver com abstenção mas sim com absentismo, seja qual for o motivo da não comparência, e podem ser muitos. Precisa-se uma explicação para a razão pela qual não é criado um campo para abstenção em cada boletim de modo a ser considerado voto validamente expresso.

Não sei porque não, mas se calhar até sei. Se não obtiver nenhum esclarecimento continuarei a pensar que confundir propositadamente absentismo com abstenção não passa de uma grosseira fraude descaradamente repetida.

Se o dicionário não é suficientemente esclarecedor no estabelecimento da diferença altere-se o dicionário.

Tão simples como isto: Absentismo=Ausência Abstenção=Acto presencial.

 

Politicamente basta pensar nos nossos deputados, que para se abster têm que estar presentes e se não põem lá os pés tem falta justificada ou não. Note-se que esta posição não pretende defender de modo nenhum o voto obrigatório

Campanhas eleitorais, uma inutilidade para comer papalvos. Uma única frase servia para todos se apresentarem: olhem para o que eu fiz e meçam bem como faço ou o que seria capaz de fazer se me dessem rédeas.

Sai uma proposta: que o parlamento europeu funcione com delegações dos parlamentos nacionais (de forma continuada ou não) na proporção dos votos recolhidos por cada agremiação política nas legislativas caseiras. Eleições específicas para o parlamento europeu não passam de um mono inútil e bem pago.»

 

Do nosso leitor Rão Marques. A propósito deste texto da Helena Sacadura Cabral.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 10.09.17

«A nossa sociedade passou a confundir o direito à procura da felicidade com o direito a ser feliz - e daí rapidamente se deu o pulo para a obrigatoriedade de o ser. O seu texto recorda-me outra situação que, pelo menos a mim, causa especial repulsa: a ideia que pessoas com doenças muito graves (nomeadamente cancros) têm de ser "positivas" e "lutadoras", com toda a carga de obrigação que isso traz. O motivo é o mesmo: os outros são o reflexo de nós mesmos e nos dias de hoje causa-nos horror tudo o que seja obstáculo - temos de ser todos (como cantavam os Radiohead) "fitter, healthier and more productive" e, acrescentaria, happier.»

 

Do nosso leitor Carlos Duarte. A propósito deste texto da Cátia Madeira

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 02.09.17

«Qualquer dia escolhem-nos os livros para ler. Os livros para comprar. Até tenho medo se saber quais serão, quando as palavras são lidas de forma tão literal, quando a mensagem principal é atropelada, quando livros como Mataram a Cotovia são desaconselhados por conterem uma palavra que, no contexto, denuncia o racismo. Quando um livro de Valter Hugo Mãe é alvo de polémica por uma página ou duas.
Assusta-me que se recomende a subtracção de livros, mas arrepia-me a quantidade de pessoas que, sob a alçada da liberdade de expressão, abertamente concorda.

E, lá está, nem vamos falar de cores. Qualquer diz dizem-me que, por ser mulher, não posso preferir o rosa ao azul.»

 

Da nossa leitora Cátia Madeira. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 26.08.17

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«1. É evidente que se um fogo florestal estivesse a passar da área de um concelho para outro, a "operação", como eles dizem, teria que ser coordenada a um nível superior; e quem diz entre concelhos, diz entre freguesias;


2. É certo que muitas freguesias e muitos concelhos do interior têm perdido população, mas também é verdade que são os autarcas, porque ali residentes, quem melhor conhece os terrenos, os caminhos, etc.;


3. As autarquias locais não têm os meios financeiros necessários para combater incêndios, mas deviam ter, digo eu. A propósito, a melhor maneira de "combater" os incêndios florestais é fazendo prevenção, e esse encargo estava e está em grande medida entregue às Câmaras Municipais (CM); o que me parece é que as CM pouco se têm preocupado com essa questão – os bons exemplos são meras excepções; e também me parece que as Juntas de Freguesia poderiam desempenhar, neste particular, um papel importantíssimo, sobretudo na limpeza de caminhos e aceiros;


4. Todavia, raras são as Câmaras que possuem corpos de sapadores florestais e muitas desviam os subsídios que recebem para esse efeito para gastos de outra natureza, muitas vezes supérfluos;


5. Sem desprimor para os bombeiros na generalidade, quase acho criminoso envolver bombeiros citadinos no combate aos fogos florestais, não raras vezes transformando-os em vítimas inocentes, perdendo alguns a própria vida;


6. E saiba que considero uma tontice querer apagar fogos florestais que atingem uma grande dimensão. Esses fogos apenas podem ser controlados, normalmente com recurso a equipamento pesado, e coordenados por quem sabe do ofício e não por agentes bem-avontadados, alguns meros curiosos. Neste capítulo, Portugal está a desperdiçar energias em demasia, que seriam muito melhor aplicadas na prevenção.»

 

Do nosso leitor Tiro ao Alvo. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 20.08.17

 

«Ágata Cristas. You heard it here first.»

Do nosso leitor V. A propósito deste texto do Luís Menezes Leitão.

 

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 06.08.17

«Voar é um hobby. Bem redutora afirmação. E neste caso falsa.

Aquele era um voo de instrução, um acto profissional, como tal fortemente regulado em termos humanos e de equipamento. Há muito mais do que hobbies na aviação ligeira. São várias as actividades profissionais nela praticadas, exercidas a bordo de "avionetas". Legítimas e o ganha-pão de muita gente. De onde acha que vêm, por onde acha que começaram, os pilotos dos grandes "jactos" que o levam em férias ou trabalho? Todos na aviação militar?
Critique-se a decisão tomada por aqueles dois (tomada, acredito, pelo instrutor, o piloto-comandante do voo), mas não se reduza aquilo que faziam a um hobby, coisa como tal perfeitamente secundária, inoportuna até. Hobby presumivelmente de meninos ricos e que passeavam sobre a praia decerto em profundo desprezo pelo povo que nela estava.
Nem se minimizem as circunstâncias em que houve que decidir. Em poucos segundos, em condições bem desfavoráveis, uma decisão teve que ser tomada rapidamente tornada irreversível e que, fosse qual fosse o desfecho, ficaria com eles para o resto das suas vidas. Uma decisão com uma urgência e peso como provavelmente nenhum ou bem poucos daqueles banhistas justiceiros terá alguma vez que tomar. Sabe-se agora que, perante as alternativas, não foi a melhor decisão. Da consciência dos tripulantes saberão eles. Da sua sorte saberá a justiça.

 

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Uma coisa é decerto segura: ao decidir como decidiram, não desejavam nem lhes era indiferente o desfecho que tudo aquilo teve. Não quiseram, poderá ser afirmado, aquele desfecho.

Não sei se o mesmo pode ser dito de gradas figuras da actualidade nacional, cujas acções condicionaram, condicionam, e condicionarão as nossas vidas e as dos nossos filhos e sobre as quais bem poucas - se algumas - manifestações públicas de desejo de justiça privada (desde logo nas versões de linchamento ou grande "enxerto de pancada", decerto visando aliviar justíssimas indignações) se conhecem. Fortes com os fracos, eis uma nossa inegável característica.

Respeitem-se os mortos e aqueles que lhes eram próximos. Não creio que esse respeito se engrandeça com a desconsideração liminar da actividade daqueles dois tripulantes, muito menos com fanfarronadas de heróis de vão-de-escada (actividade tão portuguesinha, aliás).»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste texto do Rui Rocha.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 30.07.17

«Dizia alguém que a mente do homem serve para esquecer.
Ora num país maravilhoso, rico, anafado, lustroso de tanta gordura, nada pior que estas mortes para estragar o espectáculo desta geringonça cada vez mais trôpega.


Tenho alguns projectos apresentados às entidades competentes para "Melhoria da resiliência da floresta", nome pomposo para a "coisa". O projecto tem um custo total de 13 mil euros, dos quais só 85% é comparticipado.
Mas nem esses 85% recebo porque não reúno as melhores condições para ser ressarcido. Porque a criação de caracóis é muuuuuuuuuito mais importante para a economia portuguesa...
O dinheiro, esse já o gastei porque não quero ver as oliveiras e os sobreiros do meu pai novamente totalmente queimados como aconteceu em 2005.
E o curioso é que fiz uma queixa por escrito à Provedoria de Justiça, por a Autoridade PRD2020 nunca ter tido o devido cuidado de me informar como andava o processo, e recebi daquela entidade uma resposta lacónica e quase a culpar-me de eu estar a tratar as terras sem a respectiva autorização.
Obviamente, levaram resposta.


Por isso em Portugal também só se morre desde que a geringonça deixe. Ninguém está autorizado a morrer assim sem mais nem menos.
Só por decreto.
Termino com uma célebre frase: "A morte de um homem é uma tragédia, a de um milhão é uma estatística".»

 

Do nosso leitor José da Xã. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 23.07.17

«64 é um número tão oficial como o comportamento conhecido por "lei da rolha" que, oficialmente, foi adoptado só mais recentemente.
Falharam? - Tudo falha, mas quando há cativações mais as falhas acontecem. A malta gosta mesmo é de mandriar e então quando apanham cativações - desde que não sejam no seu salário, porque dessas reclamam logo - ohh, é ouro sobre azul - são um óptimo incentivo para o desmazelo tomar conta do estado de prontidão e capacidade de resposta de toda a estrutura.
Não há dinheiro para isto ou para aquilo e todos os afectados pelas cativações dizem logo entre si coisas como: "assim não há condições para trabalhar!" E depois é um tal deixar arder.
Realmente é uma chatice não ter condições para trabalhar... O melhor disso é que nunca ninguém é responsabilizado e o posto de trabalho; o cargo; a pasta; enfim, o tacho estar sempre garantido e bem cheio por conta do Estado. Ou pelo FMI, como aliás já aconteceu.»

 

Do nosso leitor Manuel Sidónio. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana (extra)

por Pedro Correia, em 16.07.17

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«Como residente de Macau obviamente que tenho acompanhado com muito interesse os acontecimentos em Hong Kong.
Um comentário à hipótese que levantas, no último parágrafo, sobre a possibilidade de o regime chinês decidir encurtar o período (previsto na Declaração Conjunta Sino-britânica de 1984) durante o qual Pequim se compromete a manter basicamente inalterado o estilo de vida que existia na antiga colónia britânica antes de 1997 (data do regresso de Hong Kong à soberania chinesa).
Claro que essa é uma possibilidade sempre em aberto mas não sei se será muito prática nem se valerá a pena (do ponto de vista dos interesses de Pequim), em termos de custos e benefícios. É verdade que o Presidente Xi Jinping deixou claro, na sua recente visita a Hong Kong, que se pode discutir tudo o que se quiser menos a soberania. Portanto não se conte com qualquer tipo de cedência nesse campo.
Mas não é obrigatório que eles sintam necessidade de mexer no rule of law que tem efectivamente continuado a vigorar nas últimas duas décadas, numa Hong Kong sempre rebelde onde tem sido praticada uma efectiva liberdade de opinião, embora sem democracia plena e sem poder legitimado. Afinal, Hong Kong já está reintegrado na China desde 1997, para quê criar uma confusão para conseguir aquilo que já foi conseguido....
Parece-me que o poder central vive bastante bem com uma Hong Kong livre (aliás, devido à censura, pouca gente no Continente chinês sabe o que se passa na antiga colónia britânica, pelo que o perigo de "contágio" é muito limitado) desde que não se ponha em causa o poder soberano do Estado sobre essa região chinesa. Podem criticar o Governo local à vontade e até o Governo Central e o Partido Comunista, como efectivamente têm feito, mas a "soberania não se discute". Creio que é isso que se pode depreender das palavras de Xi Jinping.
A grande e importante novidade da presente situação é o movimento que se tem gerado, com uma consistência considerável, no sentido da defesa da independência de Hong Kong, visando a constituição de um Estado separado da China. Isso, sim, é visto como inaceitável pelo Poder chinês.
Mas repara: faltam 30 anos, o que é muito pouco tempo em termos da prática política chinesa. Se eles quisessem antecipar o marco de 1947 muito provavelmente chegariam à conclusão de que não compensaria, acabando por criar mais problemas sem conseguir resolver os já existentes.
Não sei! Na verdade nada indica que venha a haver pacificação em Hong Kong nos próximos anos e o poder central irá fazer sentir mais fortemente a sua presença, que aliás já existe, nos termos da mini-constituição da região administrativa especial. Para os que não sabem: por exemplo, é Pequim que nomeia, desde 1997, os detentores dos principais cargos políticos da região administrativa, nos termos da lei... E concordo contigo que a nova Chefe do Executivo não vai ser bem sucedida e duvido que algum dos seus sucessores o venha a consguir. Como observador fico com a ideia de que o problema de Hong Kong não é solúvel, pelo menos no curto/médio prazo.
Aguardemos para ver o que vai acontecer nos próximos dois ou três anos.»

 

Do nosso leitor Luís Ortet. A propósito deste texto do Arnaldo Gonçalves.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 15.07.17

«Passo-lhe pro bono uma informação que me chegou de fonte fidedigna, um muito alto político, como se usa agora dizer. No caso dos incêndios, chegaram à conclusão, inequívoca, de que o raio nº 13 se dirigiu atrevidamente à floresta nº 69 e rachou de alto a baixo a árvore nº 17.
Já no caso de Tancos, ainda não conseguiram identificar com rigor absoluto o raio fura-redes, pois não se conhecem antecedentes e jurisprudência que ajude. Parece, no entanto, que o raio pode ter sido um primo do nº13, mas mais meigo, e provavelmente enfiou-se no buraco /malha que as redes de galinheiro têm. A questão do buraco é, aliás, relevante, pois sendo a rede alcançável da estrada, ainda nenhum jornalista o fotografou. Ou se fotografou, está-se apenas à espera de confirmar se foi um raio primo do nº 13 ou outro.»

 

Do nosso leitor António Cabral.

 

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«Atenção, Sr Ministro da Defesa (não é mentira)

Folheto do LIdl distribuído hoje:

Câmara de Vigilância
- Transmissão para receptores de TV / e guardar com entrada em vídeo (RCA)
- Função de visão noturna e Leds de infravermelhos;
- Pra zonas interiores e exteriores protegidas.
- Microfone integrado

Poupe 5 E
24,98 E

Apresse-se: Stock limitado.

...

Nota: uma vez que as armas paioladas em Tancos eram para a sucata, esta aparelhagem deve servir às mil maravilhas para a base do Alfeite, antes que levem o submarino Barracuda.
Em fase de "contenção orçamental", é de aproveitar!»

 

Do nosso leitor A. Mendes.

Ambos a propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 09.07.17

«"O PS sobe nas sondagens." Destroçar ou desertar e viva a peluda. Como se diz na minha terra: Só batendo na cangalha o burro entende.»

Do nosso leitor Rão Arques. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 02.07.17

«O IC8 foi cortado no sentido oeste-este no nó da N236-1. Primeiro foi cortado em Outão, mas à hora a que se estima ter-se dado a tragédia, era naquele nó que o IC8 estava cortado.
Todas as viaturas em causa seguiam para norte na N236-1. O nó do IC8, cortado, está a escassos 2km a sul dali.

Não há muitas alternativas. Ou todas aquelas viaturas vieram da estrada das Várzeas, ou algumas daquelas viaturas passaram pelo nó em que a GNR cortou o IC8.
Morreram 40 pessoas incineradas nos seus veículos numa EN a 2km do local onde a GNR cortou outra estrada, tudo indica, menos perigosa.
É perfeitamente legítimo perguntar o que correu mal, e esperar uma resposta minimamente esclarecedora. "O fogo atingiu esta estrada de forma totalmente inesperada, inusitada e assustadoramente repentina, surpreendendo todos", não chega, não é minimamente aceitável, é uma vergonha.
Como são uma vergonha todos os relatórios que entretanto vieram a público. Impotência, passa culpas, avaliação de esforço nunca de desempenho.»

 

Do nosso leitor Nuno. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana (2)

por Pedro Correia, em 25.06.17

 

«Cá para mim era alcatifar a mata toda. Ou pôr-lhe calçada portuguesa.»

Do nosso leitor Nebauten. A propósito deste texto da Helena Sacadura Cabral

 

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O comentário da semana (1)

por Pedro Correia, em 24.06.17

«As matas nativas [em Portugal] foram destruídas pelo menos desde o neolítico e no século X o arroteamento de terras era de tal maneira intenso que os sedimentos trazidos pelos rios foram suficientes para criar a ria de Aveiro por colmatação da imensa baía anterior, tal como aconteceu em todo o litoral entre Espinho e São Pedro de Moel.
No fim do século XIX as áreas arborizadas deveriam andar pelos 10% e hoje andam pelos 40%, portanto a teoria de que os pinheiros e eucaliptos destruíram as matas autóctones é simplesmente falsa: foi a fome das pessoas que obrigou a estrumar as terras com o mato comido pelas cabras que destruiu as matas autóctones (de qualquer maneira, sempre bastante menos que na fábula que se conta sobre o assunto).»

De Henrique Pereira dos Santos. Na caixa de comentários deste seu texto, escrito como convidado especial do DELITO.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 11.06.17

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«Faço parte de uma geração de jovens médicos que se deslocou para Beja vindos do Porto, de Coimbra e de Lisboa. Um traço comum entre os elementos desse grupo era um certo idealismo, ainda que sentido em diversas tonalidades.

Uma parte desse grupo foi ficando, passaram-se quase quatro décadas e alguns resistem. No que me diz respeito, passo a um registo pessoal. Em 1980, vinha engajado na militância de desenvolver os serviços de saúde numa perspectiva de integração e na missão pública. Apesar de ter uma vivência de centros urbanos muito maiores, não me foi difícil adaptar-me às características da cidade e da cultura dos seus habitantes.

Trilhei os primeiros vinte anos da carreira com paralelo envolvimento cívico. Contribuí com o meu trabalho para a evolução e crescimento do Hospital de Beja. Vi que a cidade crescia e as mentalidades evoluíam. A aldeia parecia estar seguramente a ficar num tempo passado.

Entrámos num novo milénio determinados a enfrentar os desafios. Parecia-me que essa era a atitude da Elite Bejense. Ilusão minha. Os anos vieram a demonstrar a descrença em si próprios que tomou conta dos bejenses. Passividade, inibição, conformismo, ausência de atrevimento criativo.

Qual o factor que determinou que esse derrotismo se instalasse nas mentes? Não sei, não avanço qualquer hipótese. Parece-me que os recursos materiais e naturais existem aqui. Mas o aproveitamento das potencialidades depende da iniciativa dos indivíduos. É este um problema educacional ou sociológico?»

 

Do nosso leitor José Frade. A propósito deste texto do João Espinho.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 04.06.17

«Não foi a Alemanha que elegeu o Trump, e não foi a Alemanha que votou o Brexit.
(...) A Alemanha descobriu, com grande consternação, aliás, que os interesses de Reino Unido e EUA não estão alinhados com os seus. E vai lutar pelos seus interesses.
Muito Trump fala de se gastar 2% em defesa. Ora se a Alemenha gastar 2% do seu PIB em defesa será para defender os seus interesses, que não passam necessariamente por comprar armas americanas e alinhar com os americanos na sua forma de abordar o conflito armado. A Alemanha (e o Japão) não tem exército que se veja porque não interessava aos vencedores que tivesse.
Idem para o Brexit: a Alemanha usará a sua influência para conseguir, o mais possível, o Brexit que lhe interessa.
Defender os seus interesses não é virar costas aos aliados. Nenhuma destas alterações foi iniciada, defendida ou promovida pela Alemanha.
Da União Europeia (e de França, Itália, Espanha, Polónia, até de Portugal) espera-se que defendam os seus interesses. Se há motivo para que não estejam alinhados com os alemães, seria bom sabê-lo.
Pedir aos santinhos que se entendam e sejam os alemães a baixar a bolinha para que isso aconteça quando, sublinho, nenhuma destas alterações foi promovida por estes, não me parece razoável.»

 

Do nosso leitor Nuno. A propósito deste texto do Luís Naves.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 28.05.17

«Somos nós que criamos os ídolos danados em falando ad nauseam sobre as suas acções cobardes, em lhes dando inesgotável tempo de antena e voz à vergonha letal que cometeram, que não é de todo terror, é apenas um absurdo corrosivo sem nome e sem raiz, que nunca deveria ter tido história, porque esta escória alimenta-se da mediatização .
Também não acredito que não se saiba onde está e quem é que instiga a extinção da vida como palavra de um deus qualquer.
Ter medo é definhar, é esconder-se nas frestas, é não existir. É dar vitórias a sicários do vazio.
Recuso-me a ter medo. Morrer, morremos todos um dia.

Mais um louco resolveu suicidar-se e massacrar crianças inocentes em nome de um futuro brilhante no qual estará bem morto. O Massacre dos Inocentes também aconteceu e não foi terrorismo, foi política.»

 

Da nossa leitora há Maria Dulce Fernandes. A propósito deste texto da Inês Pedrosa.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 20.05.17

«As claques da bola - essas louvabilíssimas associações de beneficência, cultoras da mais fina educação e elegância de modos - há muito mereciam o reconhecimento académico da importantíssima actividade que desenvolvem e da excelência da sua liderança. Eis, ainda que tardio, um primeiro passo de elementar justiça.

A vasta extensão e subida erudição da tese apresentada, meticulosamente organizada e elegantemente vertida, abordando tema crucial para o bem comum e em tão boa hora suscitado e resgatado de tão sinistras trevas, demonstram exuberantemente esse merecimento.
Louve-se o mestre. E, com ele, o estabelecimento de ensino superior que, em tão desinteressado serviço ao Saber, soube acolher o intelecto e a magna questão sobre que ele tão brilhantemente se debruçaria.

Quanto ao resto: o tempo em que a dignidade de grau universitário - da Universidade, enfim - não era conferida ao alegado estudo de qualquer assunto (e perante isto certo mestrado em gestão de campos de golfe - se bem recordo - que deu que falar há uns anos, adquire densidade incontestável); o tempo em que um mestrado significava mais alguns semestres de estudo, depois de uma licenciatura em regra de cinco anos (ou mais) e em que a avaliação contínua não dispensava os exames (os escritos, pelo menos), e uma nota de muito bom era impensável sem exames orais; o tempo em que, fosse a coisa em "letras" fosse em "ciências", se terminava o ensino liceal sabendo de facto ler e escrever - conhecimento que na verdade se adquiria bem antes na vida escolar -, tudo isso é passado irrelevante, bizantinice reaccionária, nestes anos de Bolonha e da geração "mais bem preparada de sempre".»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste texto do Rui Rocha.

 

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«Ena, tanto educador do Povo junto!
Nestas alturas faço meu o manguito do Zé Povinho. Ide-vos fxxxr. Deixai o Povo ter as crendices que quer, gostar do Fado (então não andaram todos a promovê-lo a património da Humanidade?) e de futebol. Como eu os compreendo, já que nunca achei graça ao ténis nem ao críquete.

Os padres que não gostam de Fátima são aqueles que se enfurecem porque Nossa Senhora tem o mau costume de não lhes pedir autorização para nada e muito menos para aparecer quando, onde e a quem entende, o que numa mente machista como a deles, e de alguns comentadores daqui, é insuportável.

Não consigo entender quem crê na transubstanciação e acha Fátima uma crendice.

Gosto de Fado na taberna (não em concerto), Futebol na TV e de Fátima e de Romarias. E prefiro todo o mau gosto das nossas aldeias ao bom gosto de Brasília e de todo o urbanismo modernista que abomino.

Olhem, tomem um manguito do Zé.»

 

Do nosso leitor Xico. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 13.05.17

«Talvez a culpa e os interditos tenham de fazer parte da nossa cultura, ou da humanidade. Há deuses que caem e que são substituídos, isto também em matéria de costumes.

Já posso comer peixe às sextas-feiras, não posso é comer gorduras saturadas. Já posso citar o nome de deus em vão, não posso é fazer piropos. Já posso acumular riquezas e fazer usura, tenho é de ser ecologicamente sustentável.

Há também, faz parte da natureza humana, uma tendência para aumentar o volume das contrariedades em relação ao resto. As sanções modernas são muito mais ligeiras do que foram as sanções aos pecados antigos, convém não esquecer.

Está a crescer uma mentalidade de estado sitiado que é na maioria das vezes absurda. Menosprezamos o que acontece de mal aos outros e tomamos grandes dores para nós. Não existe nenhum ataque digno desse nome ao Ocidente. Os países cristãos e ocidentais detêm a maioria das armas do planeta, e as mais poderosas, e servem-se delas amiúde. Imaginemos um afegão, por exemplo, que tem tido exércitos da Rússia e da Nato a invadir o país há mais de 30 anos. O que pensará ele quando lhe disserem que Londres está em guerra porque um desvairado resolveu atropelar três pessoas a esmo?

Pôr no mesmo pé invasões e bombardeamentos sistemáticos com actos de lunáticos isolados só se justifica se quisermos atenuar a nossa culpa provocada pelas invasões. Não digo que o terrorismo não é uma coisa grave que tem de ser combatida. É um crime organizado e tem de ser combatido. Provoca menos mortos que a violência doméstica ou o tráfico de drogas, mas é uma ameaça séria.»

 

Do nosso leitor Jo. A propósito deste texto do Rui Rocha.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 06.05.17

«Pompidou foi um grande presidente da França, teve que reerguer o país dos escombros do Maio de 68. Infelizmente morreu prematuramente e deixou o Eliseu ao maior bluff politico da V República: Valéry Giscard d' Estaing.

Nem Chirac nem Hollande foram bluffs porque toda a gente sabia o que eles valiam, que era poucochinho. "La Cinquième c'est foutu", diziam no genial L'Aventure C'est L'Aventure, do Lelouch, enquanto falavam na revolucionária "clareza na confusão".

É a França dos nossos dias: "c'est foutu" e a confusão não podia ser mais clara!»

 

Do nosso leitor Alexandre Policarpo. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.04.17

«Parece-me que já comentei um post seu, não sei se neste blogue, em que emitia uma opinião neste mesmo sentido, tendo eu tecido algumas observações sobre o que, quanto a mim, é a relação entre as opções a que se refere e o regime jurídico vigente em matéria de direito de autor e direitos conexos. Correndo o risco de me repetir, permito-me, em todo o caso, salientar que este regime prevê que as traduções sejam comparadas a originais, sendo a protecção daí decorrente extensível aos títulos.

Não é o momento de entrar em fastidiosas divagações ou elucubrações jurídicas, mas a situação é fácil de compreender se atentarmos no comentário do leitor João Espinho, quando afirma que "... a tradução é, também, recriação."

Também o Pedro se pronuncia no mesmo sentido: "Quem diz que um bom tradutor não pode criar?"

 

São exactamente esta dimensão intelectual e este esforço criativo que justificam uma tal disciplina. Um bom exemplo: a nota de pé-de-página constante da página 89 da 1.ª edição de O Caso Kurílov, de Irène Némirowsky, excelente tradução de Aníbal Fernandes para a Sistema Solar (já agora, as transliterações do título e nome da autora não merecerão alguma discussão?) refere duas traduções da sentença latina (Séneca?) "Juvenile consilium, lates odium, privatum odium, bhoec tria ominia regna perdiderunt".

Uma, de Adília Lopes, sigo a nota mencionada, "Juízo imaturo, ódio latente, ódio privado, três presságios que fazem perder reinos."

A segunda de Mário Rui de Oliveira, continuo a seguir a nota, "Três coisas levam à ruína todos os reinos: o comando nas mãos dos jovens, as guerras intestinas, a procura do interesse próprio. Mas todas se equivalem".

Independentemente do juízo que especialistas possam fazer sobre o valor destas traduções, o que me parece indiscutível é que ambas procedem a uma recriação, como lhe chama o leitor a que acima me referi, digna de protecção jurídica. E tanto assim é que a protecção se mantém quando a obra que dá origem à tradução tiver caído no domínio público.

Qualquer tradução de, por exemplo, Stendhal, será protegida dentro do período legalmente fixado, sendo certo que as obras do autor original já não o estão, em razão do decurso do prazo previsto para o efeito.

 

Longe de mim contestar muitos dos exemplos que o Pedro refere no post. O que quero fazer sobressair é a possibilidade de, também, em muitos casos, os autores (das traduções) não estarem interessados em conceder as autorizações necessárias para a utilização das suas criações. Não tenho, obviamente, a certeza, mas estou convencido de que estará aqui a razão para, depois de O Monte dos Vendavais, depararmos com O Monte dos Ventos Uivantes.

Se não for o caso, muitos haverá, certamente, em que o regime jurídico que aflorei terá fundamentado aparentes desmandos.»

 

Do nosso leitor João Paulo Palha. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 15.04.17

«Ele [António Mexia] dirá e fará o necessário para agradar ao accionista. Accionista que, não será exagero acreditar, tem o estado português (tem-nos a nós) tranquilamente nas mãos. De modo que é decerto muito natural que o despudor e a arrogância imperem paulatinamente. Desde os crimes ecológicos e paisagísticos que se conhecem, perpetrados em nome dessa diabólica divindade chamada construção civil e obras públicas, e demonstradamente sem outra utilidade efectiva que não a de servi-la, até à extraordinária desfaçatez revelada nessa frase.

Uma coisa, todavia, parece ser verdade: a habitação por cá tende a ser gelada de Inverno e um forno no Verão. Num país com um clima tão repetidamente gabado pela sua geral doçura (resta saber se merecidamente), cabe perguntar se as técnicas e materiais de construção não têm peso nisso.

Depois vem a carga fiscal e para-fiscal. Impostos, taxas e taxinhas (e a tal "promiscuidade", claro). Que não dará grande autoridade ao estado português (o poder de turno, entenda-se, seja ele qual for sempre insaciável) para, perante esta declaração, apontar com um mínimo de firmeza o dedo ao sr. Mexia. Admitindo - pensamento extravagante, evidentemente - que tal lhe passasse, ao estado português, pela cabeça.

O sr. Mexia diz e dirá, impante e triunfador, achando-se detentor da Verdade, o que lhe der na real gana. Porque pode fazê-lo.
A tempestade perfeita (e perene), portanto, para quem paga muito para passar frio.»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 02.04.17

«No tempo em que a rádio imperava e em que a TV tinha apenas um canal com programas criteriosamente escolhidos, ver fotos dos meninos do Biafra nos jornais liquidificava qualquer alma, por muito empedernida que fosse. O sexo era tabu e até as anedotas mais "picantes" tinham que ser subentendidas. Fora da santidade do lar não se discutia a família, tampouco a religião. Íamos ao cinema, ao teatro, fazíamos piqueniques na praia e no campo, passeava-se de norte a sul, Europa adentro, a cantar... Ler era um escape fantástico, mas apenas nos alheava da realidade. Tenho saudades de mim e da simplicidade em que ser feliz se traduzia.


Em menos de 30 anos fomos do 8 ao 80. Tirámos as ligaduras que nos cegavam de uma só vez e deixámo-nos afogar num mar de luz. A novidade. A novidade pode ser tóxica, mas que raio, é novidade ... e tornámo-nos sedentos de tudo quanto era inovação, de tudo quanto era mecânico, de tudo quanto era eléctrico, electrónico, com fios, sem fios, pequeno, grande, à distância, basta um clique.
As sociedades evoluídas deixaram de ser gregárias. Quantos não moram num prédio de 20 andares sem conhecerem sequer o nome dos rostos que com eles se cruzam nos elevadores e a quem dão o educado bom dia da praxe.


A tecnologia robotizou-nos. Fez-nos alheados e indiferentes, não pela falta de informação, mas pelo excesso da mesma. E seria necessário ser eremita para a radiação dos media não nos atingir directa ou colateralmente.
As influências de falsa pureza proliferam com a falta de propósito. E procriam como hidras numa incubadora de falsos ideais.
Já não estamos oprimidos e condicionados, mas escolhemos ser condicionados e oprimidos.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 27.03.17

«A componente de copos é exagerada. Se [o presidente do Eurogrupo, Jeroen  Dijsselbloem] mencionasse antes imobiliário upscale e resorts&safaris agregado a ladies in distress, teria algum objecto mais objectivamente fundamentado...»

 

Do nosso leitor Jorg. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 19.03.17

«Se o nome de Sá Carneiro em Pedras Rubras é de um péssimo gosto, tal como o de João Paulo II para o o aeroporto de Ponta Delgada não é muito melhor, brada aos céus ignorar-se Gago Coutinho e Sacadura Cabral para esta nova aventura aeroportuária...
Se bem que nunca entendi a razão por que o nome de Sacadura foi usado para uma discreta avenida/rua ali ao Campo Pequena, "abandonando" Gago Coutinho na larga avenida que parte do Areeiro.
Abraço amigo, aqui do aeroporto da Portela (tão tarde baptizaram isto com nome de Humberto Delgado, se bem que a acção deste fosse merecedora do gesto, pelo que fez em prol da aviação civil).»

 

Do nosso leitor Fernando Antolin. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 11.02.17

«É inegável que o ensino tem decaído substancialmente em qualidade. "Eu sou do tempo" em que no Liceu se estudava a fundo o que hoje nas universidades apenas se aflora. Em demasiadas disciplinas de muitos cursos superiores, a matéria, o conteúdo é a única preocupação dos professores (muitos deles catedráticos), com peso na atribuição de nota e sequente trânsito na disciplina. Tantas vezes o português escrito é de tal modo ilegível em caligrafia, construção, morfologia, sintaxe e conjugação verbal, que me pergunto para quando o advento do Messias que travará está geração de Doutores analfabetos.
Quanto às traduções e legendagem, já tive ocasião de manifestar o meu profundo desagrado. Antigamente qualquer escrit,a antes de publicada, passava pela revisão. Agora os Words e afins têm correctores automáticos que são de bradar aos céus...

Para o livrinho de notas do Rui Hebron:
Episódio do CSI (o único de seu nome):
Na morgue, pergunta o Nick ao Documento: "Do you know the COD?"
Traduzido alegremente: "Sabe do bacalhau?"

Lembro-me de ter reclamado, se não estou em erro para a Santa Claus. Nunca obtive qualquer resposta.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 05.02.17

«Experimentem colocar no facebook um texto mais ou menos longo com uma foto apelativa. A seguir coloquem outro texto contradizendo tudo o que antes se dizia, com outra foto apelativa. Vão ver que as pessoas que colocam likes num são as mesmas que colocaram likes no outro. São aquelas que, de lágrima ao canto do olho, põem salvamentos de gatinhos e cães e textos a apelar à irmandade entre os homens, para logo a seguir colocar outros transbordando de ódio contra Costa ou Passos.»

Do nosso leitor Xico. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 28.01.17

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«A única Odisseia que tinha era a da Europa-América, que pecava, tal como a Ilíada, pela fraca qualidade da tradução (na minha humilde opinião). Folhei a Odisseia de Frederico Lourenço há dias numa livraria e fiquei encantado, assim como o Livro Aberto e o livro Lugar Supraceleste, do mesmo autor.
Fiquei com vontade de levar tudo. A minha carteira é que não se convenceu. Vou seguir o conselho do ex-Presidente do Supremo Tribunal, "qualquer coisa" Noronha. Comprá-la-ei aos bochechos.

Há dias numa jantarada entre vários camaradas não consegui defender, eficazmente, a pertinência da utilidade da filosofia e da cultura, em geral. Eles, os meus confrades todos das ciências ditas exactas. Ocorreu-me dizer apenas que a filosofia ensina-nos o caminho da sabedoria, sendo esta o bom modo de dar uso à inteligência. De formular a pergunta acertada, onde reside, afinal, toda a Ciência (a resposta-verdade é passageira, a pergunta fica sempre).
Contudo apontaram-me para a televisão e o ar condicionado, e perguntaram-me: diga-me que obras filosóficas dão tanto consolo ao corpo como aquelas? Apeteceu-me partir os ditos aparelhos, mas preferi pegar no vinho que tinha à minha beira.

Afinal que utilidade têm as ciências ditas humanísticas no tempo de alta-tecnologia, em que o que conta é tudo o que se vê e palpa? Não teremos morto também o Espirito, quando decidimos matar Deus?
Como conseguimos convencer da maior utilidade, para a Humanidade, de uma Odisseia, uma Ilíada, um Corão, uma Bíblia, umas Cartas a Lucílio, quando comparadas com um Iphone, ou uma PS4?»

 

Do nosso leitor Borda d'Água. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 21.01.17

«Já fiz uma vez uma reclamação para a Galp dado que têm a mania de "solicite factura antes do pagamento" e alguns funcionários patetas estrebucham e recusam passar factura depois de pagar (como se eu tivesse que acatar as instruções escritas numa folha A4 ranhosa pespegada na bomba de gasolina e nem sei quem pôs aquilo ali).
Coisa que é ilegal porque as normas da casa não se podem sobrepôr à Lei. Têm que passar factura antes ou depois e acabou a conversa. Na altura não ligaram nada ao princípio em questão: queriam apenas que eu indicasse o nome do funcionário deles provavelmente para o sacrificarem. Tudo muito rasca.
Mandei-os dar uma curva, obviamente. Até lhes respondi: "Só não vos mando ir roubar para a estrada porque isso já vocês andam a fazer".»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste texto do João Campos.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 15.01.17

«Sendo estes dias de luto, tenho ficado muito impressionado com a dignidade, a um tempo solene e sóbria, com que Portugal tem estado a despedir-se de Mário Soares. Sem excessos nem insuficiências.
Até os mais empedernidos adversários políticos têm estado à altura não apenas do falecido mas também do país. Sim, porque, nesta ocasião, está em causa tanto o homem Mário Soares como o estadista e a nação que ele serviu e representou. Nesse sentido, devemos sentir-nos honrados com a presença e mensagens de tantos dignitários de países e entidades internacionais, o que atesta, em simultâneo, a dimensão pessoal de Soares e o lugar que ele ajudou a conquistar para Portugal.
De facto, é possível haver beleza e elevação mesmo em circunstâncias de tristeza.»

 

Do nosso leitor J. Gonçalves. A propósito deste meu texto.

 

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«Morei dez anos em Lisboa. Uma autêntica Cidade Estaleiro. Então só o Metro do Terreiro do Paço... Como é que tanta obra, durante décadas, pode beneficiar quem por aí vive - ruido, poluição, trânsito, etc? E depois obras com falta de planeamento. Tudo ao mesmo tempo não gerando alternativas a quem circula de automóvel/transportes. Quanto ao modo como a cidade trata os idosos, nunca conheci outra onde houvesse tanta falta de civilidade, urbanidade, educação, para com eles, ou para aqueles que visitam.

Em Lisboa alargam-se passeios, fazem-se pontes, centros culturais, e mais não sei o quê para os vindouros. Na província, por vezes, nem uma estrada decente.

Se quer um exemplo de como gerir um município sem perder a sua originalidade e qualidade, olhe para o Porto.»

 

Do nosso leitor Luís Charrua. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 01.01.17

«Queria terminar o ano com uma boa acção.
Toda a gente escreve e diz - e escreve e diz muitas vezes - "status quo".
E não é.
É "statU quo".
A palavra “status”, fazendo expressão com “quo”, tem de ir também para o ablativo, por uma questão de concordância.
Apesar de o meu portátil discordar de mim e alinhar com a maioria…»

 

Do nosso leitor João de Brito. A propósito deste texto do José António Abreu.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 25.12.16

«Há um lado de anjo nos homens. Mas depois voltam a ser homens.»

Da nossa leitora Beatriz Santos. A propósito deste texto do Fernando Sousa.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 18.12.16

«A promessa da Tecnologia era aliviar o fardo do Homem (material e espiritual). Mas este anda cada vez mais dobrado (física e animicamente).
Existe uma desadequação do nosso organismo à pressa dos tempo modernos (estar sempre disponível), evidente, hoje, na quantidade abstrusa de doenças do foro psiquiátrico - num futuro próximo os perturbados serão tantos que será tarefa homérica aos sãos provarem que o são - a definição de doença terá de ser revista.

Aproximámo-nos (contando com as deslocações), desde os finais do século XX, aos horários laborais do final do século XIX (em que se trabalhava cerca de 12 horas/dia, e com o local de trabalho mais próximo ao de residência). Paradoxalmente, ao passo que estes lutaram contra esse abuso - pois o sábado foi feito para o Homem - hoje, os contemporâneos medem-se, como homens de virtude, pelo tempo que passam no trabalho (o ócio, uma vergonha escondida; mas é pelo ócio que se formam cidadãos. Que nos formamos como "animais" políticos; não existe política sem tempo para o ócio; veja-se o que dizia Aristóteles no seu Tratado de Politica).

Hoje o homem moderno é um ser unidimensional - Marcuse - (vive no trabalho, e para o trabalho). E por essa unidimensionalidade surge a sua ignorância - somos hoje ignorantes profissionais. Espantoso é orgulharmo-nos disso. Dessa ignorância.

Contudo sinto um "mau estado geral no ar".

As pessoas sabem o que está mal, porque estão mal, mas sentem-se impotentes para mudar - entretanto vão sendo felizes, comprando - já não o sabem ser de outra forma: é feliz quem consegue comprar; hoje a felicidade é um cartão de débito.

O clima é semelhante ao vivido no prelúdio da I Guerra Mundial, em que todos ansiavam pela guerra, pois só esta tinha a capacidade de gerar a mudança. A guerra vista como uma vacina para a decadência.»

 

Do nosso leitor Conde de Tomar. A propósito deste meu texto.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 10.12.16

 

«Será que revivemos o passado como ele deveras aconteceu, ou como pensamos que ele aconteceu? Ou deveria ter acontecido? O passado como que vestido pelas mãos do presente. O passado visto pelo passado nunca parece ser tempo irrepetível.
Com o passado poderia suceder o mesmo como quando escolhemos a nossa música favorita. Foi deveras a música, a letra, que nos cativou, ou o sentimento, uma emoção, que nos acompanhava quando a ouvíamos? Um sentimento apanhado na rua que em nada se relacionava com o que escutávamos? Ou uma emoção, bem singela, como quando comemos uma fatia de bolo?»

Do nosso leitor Porfírio Tinto. A propósito deste meu texto.

 

«Tenho algures dois livros de Virginia Woolf que nunca li não sei porquê. Mas gostei da sua recensão e vou procurá-los para ver se é desta. Creio que um deles é precisamente To The Lighthouse. Mas tenho dificuldade em ler livros hoje em dia — qualquer coisa que a "net" ou o "espírito do tempo" transformaram radicalmente, já não sinto a mesma tranquilidade ou apelo. A verdade é que com os computadores passamos o dia inteiro a ler isto e aquilo e sei lá mais quê. Se calhar é disso.»

Do nosso leitor V. A propósito deste texto do José António Abreu.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 03.12.16

«Estou desiludido com o jornalismo em Portugal e a forma como deixaram adormeceram a sociedade durante estes últimos 15/20 anos.

É incrível como casos como o BES ou tudo que o está a vir a lume do caso Sócrates foram completamente ignorados durante tanto tempo.
Indigna-me que a aplicação generalizada da suspensão provisória do processo na Operação Furacão seja vista como uma vitória das finanças, que recuperaram não sei quantos milhões.
Não entendo como são abafadas notícias relativamente à economia e às empresas. Onde estão as notícias que a Mota-Engil foi multada em 13 milhões de euros e proibida de concorrer na Eslováquia ou acusada de cartel na Polónia? Uso como exemplo esta empresa de que ninguém gosta, mas é generalizado. Algumas notícias são claramente publicidade paga disfarçada.
Podia continuar mas já chega como exemplo.
Eu acredito que isto pode mudar. Por isso faço o pouco que posso, que na minha humilde opinião e' muito mais importante do que movimentos ou abaixo-assinados por uma sede: assino uma série de jornais em formato digital. Pago para ver.

P.S: Quando refiro jornalismo não me refiro somente aos jornalistas mas também e sobretudo a todo o meio que os rodeia e restringe.»

 

Do nosso leitor Daniel Marques. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 21.11.16

«"Porco machista" já levei, mas ao telefone.
Telefonema de número privado (nunca mais os atendi) a pedirem para falar com a dona da casa, eu não servia.
Perguntei qual o assunto: que não tinha nada com isso porque "é o marido mas não é dono dela" (sic).
Com alguma boa vontade tentei explicar que se fosse ao contrário a pergunta também seria feita, aqui ninguém é "dono" de ninguém.
Desligaram mas nem cheguei a sair de ao pé do telefone, a mesma pessoa volta a ligar e diz-me "é só para lhe dizer que você é um porco machista".

Ao vivo só malcriadão, de três "senhoras" com ar respeitável espetadas num passeio exíguo a conversar e toda a gente a ter que ir para a estrada, não fui nem disse nada, fiquei ali especado e mudo junto delas até "perceberem".
Lá me deixaram passar mas não imaginaram que tivesse "ouvido de tísico" com esta idade, portanto voltei atrás a pedir-lhes para o repetirem na minha cara, minha mulher divertidíssima.

No último sábado entro num dos elevadores dos "Armazéns do Chiado" que partem da Rua do Crucifixo para ir à FNAC como vou quase todos os dias.
Entra só uma "senhora" comigo, carrego para o piso 4 e pergunto delicadamente para que piso ela quer ir (só os pisos 4, 5 e 6 estão abertos ao público).

Responde-me: "Meta-se na sua vida que não tem nada a ver com isso" e, na minha frente, carrega no piso 5 (afinal tinha...).
Quando saí ainda lhe ia eu a confirmar alto e bom som que de facto "o melhor que eu devia ter feito era estar-me cagando para si" (sic).
De tal modo que um dos vigilantes (que me conhecem e me falam) veio ver o que se passava.

Eu é que sou burro pois aqui as mulheres cá da família dizem-me sempre que não vale a pena eu armar-me em cavalheiro.

Curiosamente vejo muita rapariga ali entre os 25 e os 35 anos ficar agradada, pelo que não vou desistir mas vou ser selectivo nas idades!

Uma última nota.
Há dias um sujeito pôs-se a fazer várias operações numa caixa multibanco (desta vez foi "um" e não "uma").
Ia dizendo "está quase" e nada de parar com aquilo.

Isto até que o que estava atrás de mim se identificou como "autoridade" com um cartão que não vi e lhe disse que, havendo uma fila, só podia fazer não sei quantas operações (não ouvi o número) e tinha que dar a vez ao seguinte.
Não sei se assim é nem como se poderá impor "a lei" sem levarmos um polícia connosco se assim for, mas que o outro se foi logo embora lá isso foi.

Se alguém conhecer o assunto agradeço me esclareça pois há dias que não há nada como uma boa discussão na caixa do MB para nos pôr logo bem dispostos!»

 

Do nosso leitor RMG. A propósito deste meu texto.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 13.11.16

«É cada vez mais difícil no mundo actual, mundo "da informação instantânea", em que o que conta é a espuma dos dias, e em que as massas estão (consentem deixar-se ser e estar) bastante alienadas, "bêbadas" pela torrente de estímulos e de informação.
O que releva ainda mais quem escolhe um caminho contrário, como foi o caso de Cohen e de mais alguns (de repente, estou a lembrar-me do Léo Ferré, e, à nossa dimensão, do Carlos Paredes, a anti-estrela).
Nunca mais me esqueci de uma frase do professor e etologista Luís Sozcka, do início dos anos 80, era eu um jovem estudante universitário, mas ainda muito operativa para estabelecer paralelos, comparar situações e compreender o mundo de hoje: dizia ele que a quantidade de informação disponível era muito superior à capacidade do cérebro humano para a processar.
Dada a situação de hoje, com a galáxia Internet, compreende-se melhor a "tontice" do mundo, das pessoas, perdidas neste mar revolto de bytes e terabytes de informação (não tardando que nos sejam familiares o petabyte, o exabyte, o zettabyte e o yottabyte) .
Portanto, obrigado grande Leonard Cohen, mereces o nosso respeito e gratidão, também por teres remado com sucesso contra a maré dominante.»

 

Do nosso leitor Manuel Silva. A propósito deste meu postal.

 

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«Dois mil e dezasseis não tem sido um ano bom.
Ainda ontem estava sozinha no escuro, depois de um dia extenuante no trabalho que terminou noite entrada, sentada no chão, a ouvir Cohen e a chorar.
Pensei em tanta coisa, sobretudo na minha mortalidade, como acontece sempre que experiencio um sentimento de perda.
Leonard foi abençoado com a magia das palavras em pas de deux com compassos sonhadores. Foi daqueles artistas cuja excelência da obra tocou milhões e perdurará ad eternum.
Seria eu uma pessoa feliz se tivesse a capacidade de deixar continuidade de pensamento em meia dúzia de criaturas de Deus.

Não sei se é um adeus ou um até breve, mas o embalo da voz levou-me até de manhã.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 06.11.16

«Estudos que se têm feito recentemente mostram que as mulheres teriam mais tendência à poligamia do que os homens, se aquela lhes fosse permitida. Costumam ser as mulheres que mais depressa se cansam de sexo só com um parceiro, pode ser essa a razão por que muitas mulheres inventam mil desculpas na cama (a dor de cabeça e assim). Não se trata de não gostar de sexo, mas de não gostar de sexo sempre com o mesmo homem. Vem de tempos remotos, em que as fêmeas procuravam os melhores machos para acasalarem e a variedade assegurava melhor descendência. Isto, claro, é ainda um assunto tabu. A sociedade é machista, mas numa coisa dou-lhe razão: as mulheres cooperam (como cooperaram estas duas senhoras). Não porque gostem, mas porque assim foram educadas. Isto aplica-se igualmente às sociedades islamitas.»

 

Da nossa leitora Cristina Torrão. A propósito deste texto da Helena Sacadura Cabral.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 30.10.16

«"Temos de ser lúcidos e corajosos para derrubar este e outros mitos e construir uma outra via que, essa sim, possa condenar e combater todos estes regimes desumanos."
Creio que foi Bernard-Henri Lévy que incentivou em tempos a "malta nova" a ajudá-lo a mudar o mundo, terminando com um inesperado "ide!" (e não com o esperado "vamos!").
As pessoas gostam de dizer "temos que", muito em especial quando estão à espera que outros o façam (ou mais provavelmente não estão à espera de nada mas acham que devem dizer coisas bonitas e que lhes tragam uma boa consciência antes de ír para a cama).
Mas esta ideia é boa: cada vez que algo não me agrade passo a dizer que está mal e há que procurar uma nova via.
E se alguém me pedir sugestões disfarço o não ter a mais pequena ideia.
Não posso é fazer isto na frente dos netos, ainda me gozavam...»

 

Do nosso leitor RMG. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 25.10.16

«Os condutores que não respeitam os semáforos accionados pela velocidade esquecem que põem em perigo os peões, principalmente crianças. Será que eles não pensam, por exemplo, que não teriam tempo de travar, se uma criança lhe surja numa passadeira? É uma grande falta de respeito!
Mas mesmo não considerando o perigo, não há dúvida de que uma povoação fica bem mais aprazível e mais convidativa ao passeio a pé quando os carros andam devagar. Só isso já é razão para que se respeitem esses semáforos.»

 

Da nossa leitora Cristina Torrão. A propósito deste texto do José António Abreu.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 16.10.16

 

«E o Nobel da Medicina vai para... Bob Marley.»

Do nosso leitor Sampy. A propósito deste meu texto.

 

«Convinha que tais autores cantarolassem qualquer coisa de seu, com gaita de beiços e violão... mas sem drunfos.»

Do nosso leitor Belial. A propósito deste texto do José António Abreu.

 

«"Romance" na sua génese é uma composição poética para ser cantada. Corresponde à balada medieval. É a génese de toda a literatura. Pode ser boa ou má, mas é literatura. O primeiro registo literário da língua portuguesa é a cantiga da Ribeirinha dedicada a uma amante de D. Sancho.»

Do nosso leitor Xico. A propósito deste texto do Rui Rocha.

 

«O Gilgamesh também é outra modernice rock e daí nunca poderia nascer coisa séria. Aliás, o Homero e Hesíodo também não passaram de uns escrevinhadores de palhaçada poética transmitida oralmente; o Lucrécio idem, já para não falar da palermice oriental com os haikus e outras coisas assim em que as sílabas e a respiração e o ritmo estavam todas ligadas. Literatura mesmo e poesia a sério, sem efeitos visuais como Raban Mauro ou charadas visuais de hypnerotomachias de Polifilio e mais todo o futurismo moderno, nunca poderiam receber coisa séria como um Nobel Literário.»

Da nossa leitora Zazie. A propósito deste texto da Francisca Prieto.

 

«Vou apostar que o cidadão ostensivamente aborrecido que já escreveu três ou quatro posts e vários comentários sobre este mesmo tema aqui no DELITO DE OPINIÃO não tem em casa nenhum livro do Bob Dylan. Atrevo-me, por isso, a sugerir-lhe que compre uma das volumosas resenhas das letras do autor, publicadas em dezenas de edições e de línguas - até em português! - que sossegue, que leia (sem música, claro, e certamente sem a música do autor), que sinta e pense no que leu (como creio ser mais ou menos inevitável), e que, depois sim, escreva sobre o tema. É que, musicalmente, Bob Dylan tem demasiados altos e baixo para o nível constante da sua escrita, e a dicção dele é parecida com a minha no pico de um ataque de rinite. Claro que tem sempre a alternativa de ler a Alice Vieira.»

Do nosso leitor JPT. A propósito deste meu postal.

 

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 09.10.16

«Há razões absurdas para negarem o prémio [Nobel] a certos escritores.
Tólstoi, por exemplo. Tiveram dez anos, até à sua morte, para lho darem. Razão essa que foi explicada pelas normas deixadas pelo Sr. Nobel. Que o prémio teria que ser atribuído a quem tomasse a Literatura numa direcção ideal ou idealista.
Se pensarmos bem, as suas obras e especialmente os seus ensaios são bastante mais idealistas e continham um efeito muito mais positivo do que qualquer outro escritor do século XX.
Que o prémio tenha sido atribuído em 1907 a quem escreveu "The White Man's Burden", ao invés de quem influenciou Ghandi na sua conquista de não-violência, é no minímo irónico..»

 

Da nossa leitora Clara. A propósito deste meu texto

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 25.09.16

«Na qualidade de pessoa que tirou a carta depois dos 30 anos, trabalha e (desde que tem voto na matéria) vive no centro de Lisboa, tem passe desde os anos 80, e faz 90% das suas deslocações urbanas a pé ou transportes públicos (incluindo, claro, táxi, porque depois das 21h30 demoro mais tempo entre o Rossio e as Amoreiras de transportes do que a pé), e nunca foi ao grande Porto de automóvel, estou de acordo consigo em tudo. E, ao mesmo tempo, estou de acordo consigo em nada. A Holanda, país rico e ordenado (até os alemães gozam com a ordem na Holanda), cuja maior "montanha" é da altura de Monsanto (não a aldeia beirã, mas o monte à saída de Lisboa), não é comparável em nada com Portugal.

Não é por gosto que as pessoas gastam duas ou três horas por dia no trânsito, e, as que usam transportes urbanos (como eu) empatam meses ou anos de salário num objecto que só usam ao fim-de-semana e em férias. O facto é que os transportes públicos em Portugal (como quase tudo o que é público, em Portugal) são ineficientes, excepto para as pessoas que lá trabalham. Na Holanda o pessoal dos comboios ocupa a primeira classe e vai para lá discutir diuturnidades e subsídios de flatulência? Na Holanda os trabalhadores do metro ganham em média o triplo dos passageiros? Na Holanda os trabalhadores do metro recebem complementos vitalícios para manter a reforma igual ao salário dos colegas no activo? Na Holanda há seis greves de transportes por ano?

Com estas condicionantes, com os custos de pessoal inacreditáveis que têm as empresas públicas de transportes, temos de perceber e aceitar que, ao fim-de-semana, haja metros de 16 em 16 minutos, que, depois das 22h00 é normal estar 20 minutos no Marquês à espera de um autocarro para as Amoreiras, ou meia-hora em Santa Apolónia à espera de um comboio que pare em Moscavide, que, salvo para “o Barbas”, seja impossível ir às praias da Costa sem levar um carro, que, tirando para Faro, ir ao Algarve de comboio é como ir à Índia, e que qualquer emigrante tem de trazer carro (ou vir de navette) para chegar à sua aldeia beirã ou transmontana.

Em suma: é a favor da privatização de todos os transportes públicos? É a favor da automatização da rede do metro, como em Barcelona? É que enquanto os transportes públicos de Lisboa e a CP estiverem ao serviço da CGTP, não será possível “acabar a ditadura do automóvel” - enfim, só se for falindo (outra vez) o erário público ou pondo tudo a andar de bicicleta, na nossa cidade das (muito mais do que) sete colinas, e não só os lunáticos que andam por aí em sentido contrário e com fones nas orelhas, e para quem (supostamente) se edificam longas pistas rosas que só servem para carrinhos de bebé, runners, senhoras com joanetes e amigos da construção civil com pouco trabalho.»

 

Do nosso leitor JPT. A propósito deste texto do Tiago Mota Saraiva.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 18.09.16

«O País pode não estar melhor nem em vias de melhorar. É da competência do governo a função de governar, de melhorar, de impulsionar o País para cima, para fora da zona de estagnação, milímetros acima da eterna ameaça daquele hades chamado "lixo".
Um País mantém-se coeso e forte pelas escolhas dos seus governantes. Mas um País não são só políticas, orçamentos, comissões, inquéritos... um País é principalmente um conjunto de seres humanos que ocupam uma zona territorial, têm os mesmos usos e costumes (com as étnicas variações pontuais como em qualquer lado), se regem pelas mesmas leis e falam a mesma língua.
E nisto o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, nosso Presidente da República, é exímio. Poderia deixar o cargo amanhã, mas já teria marcado a sua presidência pela positiva. É que ele fala a língua do povo e quem pouco ou nada entende de política, entende muito de respeito.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 10.09.16

«As juventudes partidárias são estruturas importantes na vida política. O que não faz sentido é, como acontece no PSD, os militantes da jota serem automaticamente militantes do partido. Com direito a voto, o que faz toda a diferença. Constituem-se, com toda a facilidade, em sindicatos gigantescos de voto, o que significa mandarem nas concelhias e distritais com a maior facilidade. E isto devia ser alterado, passando os jovens a ser apenas militantes da sua estrutura própria. Com dois benefícios: deixavam de ser escola de aprendizagem do pior na política (caciquismo e venda de votos) e seriam atractivas apenas para os que gostam mesmo da política.»

Do nosso leitor José Coimbra. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 04.09.16

«O denominado Acordo Ortográfico é uma aberração que serviu interesses nada transparentes. Foi feito à pressa, por meia dúzia de intelectuais que pretenderam apoderar-se daquilo que não lhes pertence - a Língua Portuguesa.

Se há coisa que pertence a um povo é a sua língua. Porque não se fez um referendo sobre uma matéria que é da essência?

A utilização vergonhosa de Vasco Graça Moura, da forma que foi feita, é inqualificável, e de uma baixeza total. É um acto de cobardia fazer uso de alguém! Muito mais quando, infelizmente, já não está entre nós para se defender.»


Do nosso leitor Firmino Fonseca. A propósito deste meu texto.

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