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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 20.05.17

«As claques da bola - essas louvabilíssimas associações de beneficência, cultoras da mais fina educação e elegância de modos - há muito mereciam o reconhecimento académico da importantíssima actividade que desenvolvem e da excelência da sua liderança. Eis, ainda que tardio, um primeiro passo de elementar justiça.

A vasta extensão e subida erudição da tese apresentada, meticulosamente organizada e elegantemente vertida, abordando tema crucial para o bem comum e em tão boa hora suscitado e resgatado de tão sinistras trevas, demonstram exuberantemente esse merecimento.
Louve-se o mestre. E, com ele, o estabelecimento de ensino superior que, em tão desinteressado serviço ao Saber, soube acolher o intelecto e a magna questão sobre que ele tão brilhantemente se debruçaria.

Quanto ao resto: o tempo em que a dignidade de grau universitário - da Universidade, enfim - não era conferida ao alegado estudo de qualquer assunto (e perante isto certo mestrado em gestão de campos de golfe - se bem recordo - que deu que falar há uns anos, adquire densidade incontestável); o tempo em que um mestrado significava mais alguns semestres de estudo, depois de uma licenciatura em regra de cinco anos (ou mais) e em que a avaliação contínua não dispensava os exames (os escritos, pelo menos), e uma nota de muito bom era impensável sem exames orais; o tempo em que, fosse a coisa em "letras" fosse em "ciências", se terminava o ensino liceal sabendo de facto ler e escrever - conhecimento que na verdade se adquiria bem antes na vida escolar -, tudo isso é passado irrelevante, bizantinice reaccionária, nestes anos de Bolonha e da geração "mais bem preparada de sempre".»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste texto do Rui Rocha.

 

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«Ena, tanto educador do Povo junto!
Nestas alturas faço meu o manguito do Zé Povinho. Ide-vos fxxxr. Deixai o Povo ter as crendices que quer, gostar do Fado (então não andaram todos a promovê-lo a património da Humanidade?) e de futebol. Como eu os compreendo, já que nunca achei graça ao ténis nem ao críquete.

Os padres que não gostam de Fátima são aqueles que se enfurecem porque Nossa Senhora tem o mau costume de não lhes pedir autorização para nada e muito menos para aparecer quando, onde e a quem entende, o que numa mente machista como a deles, e de alguns comentadores daqui, é insuportável.

Não consigo entender quem crê na transubstanciação e acha Fátima uma crendice.

Gosto de Fado na taberna (não em concerto), Futebol na TV e de Fátima e de Romarias. E prefiro todo o mau gosto das nossas aldeias ao bom gosto de Brasília e de todo o urbanismo modernista que abomino.

Olhem, tomem um manguito do Zé.»

 

Do nosso leitor Xico. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 13.05.17

«Talvez a culpa e os interditos tenham de fazer parte da nossa cultura, ou da humanidade. Há deuses que caem e que são substituídos, isto também em matéria de costumes.

Já posso comer peixe às sextas-feiras, não posso é comer gorduras saturadas. Já posso citar o nome de deus em vão, não posso é fazer piropos. Já posso acumular riquezas e fazer usura, tenho é de ser ecologicamente sustentável.

Há também, faz parte da natureza humana, uma tendência para aumentar o volume das contrariedades em relação ao resto. As sanções modernas são muito mais ligeiras do que foram as sanções aos pecados antigos, convém não esquecer.

Está a crescer uma mentalidade de estado sitiado que é na maioria das vezes absurda. Menosprezamos o que acontece de mal aos outros e tomamos grandes dores para nós. Não existe nenhum ataque digno desse nome ao Ocidente. Os países cristãos e ocidentais detêm a maioria das armas do planeta, e as mais poderosas, e servem-se delas amiúde. Imaginemos um afegão, por exemplo, que tem tido exércitos da Rússia e da Nato a invadir o país há mais de 30 anos. O que pensará ele quando lhe disserem que Londres está em guerra porque um desvairado resolveu atropelar três pessoas a esmo?

Pôr no mesmo pé invasões e bombardeamentos sistemáticos com actos de lunáticos isolados só se justifica se quisermos atenuar a nossa culpa provocada pelas invasões. Não digo que o terrorismo não é uma coisa grave que tem de ser combatida. É um crime organizado e tem de ser combatido. Provoca menos mortos que a violência doméstica ou o tráfico de drogas, mas é uma ameaça séria.»

 

Do nosso leitor Jo. A propósito deste texto do Rui Rocha.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 06.05.17

«Pompidou foi um grande presidente da França, teve que reerguer o país dos escombros do Maio de 68. Infelizmente morreu prematuramente e deixou o Eliseu ao maior bluff politico da V República: Valéry Giscard d' Estaing.

Nem Chirac nem Hollande foram bluffs porque toda a gente sabia o que eles valiam, que era poucochinho. "La Cinquième c'est foutu", diziam no genial L'Aventure C'est L'Aventure, do Lelouch, enquanto falavam na revolucionária "clareza na confusão".

É a França dos nossos dias: "c'est foutu" e a confusão não podia ser mais clara!»

 

Do nosso leitor Alexandre Policarpo. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.04.17

«Parece-me que já comentei um post seu, não sei se neste blogue, em que emitia uma opinião neste mesmo sentido, tendo eu tecido algumas observações sobre o que, quanto a mim, é a relação entre as opções a que se refere e o regime jurídico vigente em matéria de direito de autor e direitos conexos. Correndo o risco de me repetir, permito-me, em todo o caso, salientar que este regime prevê que as traduções sejam comparadas a originais, sendo a protecção daí decorrente extensível aos títulos.

Não é o momento de entrar em fastidiosas divagações ou elucubrações jurídicas, mas a situação é fácil de compreender se atentarmos no comentário do leitor João Espinho, quando afirma que "... a tradução é, também, recriação."

Também o Pedro se pronuncia no mesmo sentido: "Quem diz que um bom tradutor não pode criar?"

 

São exactamente esta dimensão intelectual e este esforço criativo que justificam uma tal disciplina. Um bom exemplo: a nota de pé-de-página constante da página 89 da 1.ª edição de O Caso Kurílov, de Irène Némirowsky, excelente tradução de Aníbal Fernandes para a Sistema Solar (já agora, as transliterações do título e nome da autora não merecerão alguma discussão?) refere duas traduções da sentença latina (Séneca?) "Juvenile consilium, lates odium, privatum odium, bhoec tria ominia regna perdiderunt".

Uma, de Adília Lopes, sigo a nota mencionada, "Juízo imaturo, ódio latente, ódio privado, três presságios que fazem perder reinos."

A segunda de Mário Rui de Oliveira, continuo a seguir a nota, "Três coisas levam à ruína todos os reinos: o comando nas mãos dos jovens, as guerras intestinas, a procura do interesse próprio. Mas todas se equivalem".

Independentemente do juízo que especialistas possam fazer sobre o valor destas traduções, o que me parece indiscutível é que ambas procedem a uma recriação, como lhe chama o leitor a que acima me referi, digna de protecção jurídica. E tanto assim é que a protecção se mantém quando a obra que dá origem à tradução tiver caído no domínio público.

Qualquer tradução de, por exemplo, Stendhal, será protegida dentro do período legalmente fixado, sendo certo que as obras do autor original já não o estão, em razão do decurso do prazo previsto para o efeito.

 

Longe de mim contestar muitos dos exemplos que o Pedro refere no post. O que quero fazer sobressair é a possibilidade de, também, em muitos casos, os autores (das traduções) não estarem interessados em conceder as autorizações necessárias para a utilização das suas criações. Não tenho, obviamente, a certeza, mas estou convencido de que estará aqui a razão para, depois de O Monte dos Vendavais, depararmos com O Monte dos Ventos Uivantes.

Se não for o caso, muitos haverá, certamente, em que o regime jurídico que aflorei terá fundamentado aparentes desmandos.»

 

Do nosso leitor João Paulo Palha. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 15.04.17

«Ele [António Mexia] dirá e fará o necessário para agradar ao accionista. Accionista que, não será exagero acreditar, tem o estado português (tem-nos a nós) tranquilamente nas mãos. De modo que é decerto muito natural que o despudor e a arrogância imperem paulatinamente. Desde os crimes ecológicos e paisagísticos que se conhecem, perpetrados em nome dessa diabólica divindade chamada construção civil e obras públicas, e demonstradamente sem outra utilidade efectiva que não a de servi-la, até à extraordinária desfaçatez revelada nessa frase.

Uma coisa, todavia, parece ser verdade: a habitação por cá tende a ser gelada de Inverno e um forno no Verão. Num país com um clima tão repetidamente gabado pela sua geral doçura (resta saber se merecidamente), cabe perguntar se as técnicas e materiais de construção não têm peso nisso.

Depois vem a carga fiscal e para-fiscal. Impostos, taxas e taxinhas (e a tal "promiscuidade", claro). Que não dará grande autoridade ao estado português (o poder de turno, entenda-se, seja ele qual for sempre insaciável) para, perante esta declaração, apontar com um mínimo de firmeza o dedo ao sr. Mexia. Admitindo - pensamento extravagante, evidentemente - que tal lhe passasse, ao estado português, pela cabeça.

O sr. Mexia diz e dirá, impante e triunfador, achando-se detentor da Verdade, o que lhe der na real gana. Porque pode fazê-lo.
A tempestade perfeita (e perene), portanto, para quem paga muito para passar frio.»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 02.04.17

«No tempo em que a rádio imperava e em que a TV tinha apenas um canal com programas criteriosamente escolhidos, ver fotos dos meninos do Biafra nos jornais liquidificava qualquer alma, por muito empedernida que fosse. O sexo era tabu e até as anedotas mais "picantes" tinham que ser subentendidas. Fora da santidade do lar não se discutia a família, tampouco a religião. Íamos ao cinema, ao teatro, fazíamos piqueniques na praia e no campo, passeava-se de norte a sul, Europa adentro, a cantar... Ler era um escape fantástico, mas apenas nos alheava da realidade. Tenho saudades de mim e da simplicidade em que ser feliz se traduzia.


Em menos de 30 anos fomos do 8 ao 80. Tirámos as ligaduras que nos cegavam de uma só vez e deixámo-nos afogar num mar de luz. A novidade. A novidade pode ser tóxica, mas que raio, é novidade ... e tornámo-nos sedentos de tudo quanto era inovação, de tudo quanto era mecânico, de tudo quanto era eléctrico, electrónico, com fios, sem fios, pequeno, grande, à distância, basta um clique.
As sociedades evoluídas deixaram de ser gregárias. Quantos não moram num prédio de 20 andares sem conhecerem sequer o nome dos rostos que com eles se cruzam nos elevadores e a quem dão o educado bom dia da praxe.


A tecnologia robotizou-nos. Fez-nos alheados e indiferentes, não pela falta de informação, mas pelo excesso da mesma. E seria necessário ser eremita para a radiação dos media não nos atingir directa ou colateralmente.
As influências de falsa pureza proliferam com a falta de propósito. E procriam como hidras numa incubadora de falsos ideais.
Já não estamos oprimidos e condicionados, mas escolhemos ser condicionados e oprimidos.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 27.03.17

«A componente de copos é exagerada. Se [o presidente do Eurogrupo, Jeroen  Dijsselbloem] mencionasse antes imobiliário upscale e resorts&safaris agregado a ladies in distress, teria algum objecto mais objectivamente fundamentado...»

 

Do nosso leitor Jorg. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 19.03.17

«Se o nome de Sá Carneiro em Pedras Rubras é de um péssimo gosto, tal como o de João Paulo II para o o aeroporto de Ponta Delgada não é muito melhor, brada aos céus ignorar-se Gago Coutinho e Sacadura Cabral para esta nova aventura aeroportuária...
Se bem que nunca entendi a razão por que o nome de Sacadura foi usado para uma discreta avenida/rua ali ao Campo Pequena, "abandonando" Gago Coutinho na larga avenida que parte do Areeiro.
Abraço amigo, aqui do aeroporto da Portela (tão tarde baptizaram isto com nome de Humberto Delgado, se bem que a acção deste fosse merecedora do gesto, pelo que fez em prol da aviação civil).»

 

Do nosso leitor Fernando Antolin. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 11.02.17

«É inegável que o ensino tem decaído substancialmente em qualidade. "Eu sou do tempo" em que no Liceu se estudava a fundo o que hoje nas universidades apenas se aflora. Em demasiadas disciplinas de muitos cursos superiores, a matéria, o conteúdo é a única preocupação dos professores (muitos deles catedráticos), com peso na atribuição de nota e sequente trânsito na disciplina. Tantas vezes o português escrito é de tal modo ilegível em caligrafia, construção, morfologia, sintaxe e conjugação verbal, que me pergunto para quando o advento do Messias que travará está geração de Doutores analfabetos.
Quanto às traduções e legendagem, já tive ocasião de manifestar o meu profundo desagrado. Antigamente qualquer escrit,a antes de publicada, passava pela revisão. Agora os Words e afins têm correctores automáticos que são de bradar aos céus...

Para o livrinho de notas do Rui Hebron:
Episódio do CSI (o único de seu nome):
Na morgue, pergunta o Nick ao Documento: "Do you know the COD?"
Traduzido alegremente: "Sabe do bacalhau?"

Lembro-me de ter reclamado, se não estou em erro para a Santa Claus. Nunca obtive qualquer resposta.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 05.02.17

«Experimentem colocar no facebook um texto mais ou menos longo com uma foto apelativa. A seguir coloquem outro texto contradizendo tudo o que antes se dizia, com outra foto apelativa. Vão ver que as pessoas que colocam likes num são as mesmas que colocaram likes no outro. São aquelas que, de lágrima ao canto do olho, põem salvamentos de gatinhos e cães e textos a apelar à irmandade entre os homens, para logo a seguir colocar outros transbordando de ódio contra Costa ou Passos.»

Do nosso leitor Xico. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 28.01.17

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«A única Odisseia que tinha era a da Europa-América, que pecava, tal como a Ilíada, pela fraca qualidade da tradução (na minha humilde opinião). Folhei a Odisseia de Frederico Lourenço há dias numa livraria e fiquei encantado, assim como o Livro Aberto e o livro Lugar Supraceleste, do mesmo autor.
Fiquei com vontade de levar tudo. A minha carteira é que não se convenceu. Vou seguir o conselho do ex-Presidente do Supremo Tribunal, "qualquer coisa" Noronha. Comprá-la-ei aos bochechos.

Há dias numa jantarada entre vários camaradas não consegui defender, eficazmente, a pertinência da utilidade da filosofia e da cultura, em geral. Eles, os meus confrades todos das ciências ditas exactas. Ocorreu-me dizer apenas que a filosofia ensina-nos o caminho da sabedoria, sendo esta o bom modo de dar uso à inteligência. De formular a pergunta acertada, onde reside, afinal, toda a Ciência (a resposta-verdade é passageira, a pergunta fica sempre).
Contudo apontaram-me para a televisão e o ar condicionado, e perguntaram-me: diga-me que obras filosóficas dão tanto consolo ao corpo como aquelas? Apeteceu-me partir os ditos aparelhos, mas preferi pegar no vinho que tinha à minha beira.

Afinal que utilidade têm as ciências ditas humanísticas no tempo de alta-tecnologia, em que o que conta é tudo o que se vê e palpa? Não teremos morto também o Espirito, quando decidimos matar Deus?
Como conseguimos convencer da maior utilidade, para a Humanidade, de uma Odisseia, uma Ilíada, um Corão, uma Bíblia, umas Cartas a Lucílio, quando comparadas com um Iphone, ou uma PS4?»

 

Do nosso leitor Borda d'Água. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 21.01.17

«Já fiz uma vez uma reclamação para a Galp dado que têm a mania de "solicite factura antes do pagamento" e alguns funcionários patetas estrebucham e recusam passar factura depois de pagar (como se eu tivesse que acatar as instruções escritas numa folha A4 ranhosa pespegada na bomba de gasolina e nem sei quem pôs aquilo ali).
Coisa que é ilegal porque as normas da casa não se podem sobrepôr à Lei. Têm que passar factura antes ou depois e acabou a conversa. Na altura não ligaram nada ao princípio em questão: queriam apenas que eu indicasse o nome do funcionário deles provavelmente para o sacrificarem. Tudo muito rasca.
Mandei-os dar uma curva, obviamente. Até lhes respondi: "Só não vos mando ir roubar para a estrada porque isso já vocês andam a fazer".»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste texto do João Campos.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 15.01.17

«Sendo estes dias de luto, tenho ficado muito impressionado com a dignidade, a um tempo solene e sóbria, com que Portugal tem estado a despedir-se de Mário Soares. Sem excessos nem insuficiências.
Até os mais empedernidos adversários políticos têm estado à altura não apenas do falecido mas também do país. Sim, porque, nesta ocasião, está em causa tanto o homem Mário Soares como o estadista e a nação que ele serviu e representou. Nesse sentido, devemos sentir-nos honrados com a presença e mensagens de tantos dignitários de países e entidades internacionais, o que atesta, em simultâneo, a dimensão pessoal de Soares e o lugar que ele ajudou a conquistar para Portugal.
De facto, é possível haver beleza e elevação mesmo em circunstâncias de tristeza.»

 

Do nosso leitor J. Gonçalves. A propósito deste meu texto.

 

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«Morei dez anos em Lisboa. Uma autêntica Cidade Estaleiro. Então só o Metro do Terreiro do Paço... Como é que tanta obra, durante décadas, pode beneficiar quem por aí vive - ruido, poluição, trânsito, etc? E depois obras com falta de planeamento. Tudo ao mesmo tempo não gerando alternativas a quem circula de automóvel/transportes. Quanto ao modo como a cidade trata os idosos, nunca conheci outra onde houvesse tanta falta de civilidade, urbanidade, educação, para com eles, ou para aqueles que visitam.

Em Lisboa alargam-se passeios, fazem-se pontes, centros culturais, e mais não sei o quê para os vindouros. Na província, por vezes, nem uma estrada decente.

Se quer um exemplo de como gerir um município sem perder a sua originalidade e qualidade, olhe para o Porto.»

 

Do nosso leitor Luís Charrua. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 01.01.17

«Queria terminar o ano com uma boa acção.
Toda a gente escreve e diz - e escreve e diz muitas vezes - "status quo".
E não é.
É "statU quo".
A palavra “status”, fazendo expressão com “quo”, tem de ir também para o ablativo, por uma questão de concordância.
Apesar de o meu portátil discordar de mim e alinhar com a maioria…»

 

Do nosso leitor João de Brito. A propósito deste texto do José António Abreu.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 25.12.16

«Há um lado de anjo nos homens. Mas depois voltam a ser homens.»

Da nossa leitora Beatriz Santos. A propósito deste texto do Fernando Sousa.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 18.12.16

«A promessa da Tecnologia era aliviar o fardo do Homem (material e espiritual). Mas este anda cada vez mais dobrado (física e animicamente).
Existe uma desadequação do nosso organismo à pressa dos tempo modernos (estar sempre disponível), evidente, hoje, na quantidade abstrusa de doenças do foro psiquiátrico - num futuro próximo os perturbados serão tantos que será tarefa homérica aos sãos provarem que o são - a definição de doença terá de ser revista.

Aproximámo-nos (contando com as deslocações), desde os finais do século XX, aos horários laborais do final do século XIX (em que se trabalhava cerca de 12 horas/dia, e com o local de trabalho mais próximo ao de residência). Paradoxalmente, ao passo que estes lutaram contra esse abuso - pois o sábado foi feito para o Homem - hoje, os contemporâneos medem-se, como homens de virtude, pelo tempo que passam no trabalho (o ócio, uma vergonha escondida; mas é pelo ócio que se formam cidadãos. Que nos formamos como "animais" políticos; não existe política sem tempo para o ócio; veja-se o que dizia Aristóteles no seu Tratado de Politica).

Hoje o homem moderno é um ser unidimensional - Marcuse - (vive no trabalho, e para o trabalho). E por essa unidimensionalidade surge a sua ignorância - somos hoje ignorantes profissionais. Espantoso é orgulharmo-nos disso. Dessa ignorância.

Contudo sinto um "mau estado geral no ar".

As pessoas sabem o que está mal, porque estão mal, mas sentem-se impotentes para mudar - entretanto vão sendo felizes, comprando - já não o sabem ser de outra forma: é feliz quem consegue comprar; hoje a felicidade é um cartão de débito.

O clima é semelhante ao vivido no prelúdio da I Guerra Mundial, em que todos ansiavam pela guerra, pois só esta tinha a capacidade de gerar a mudança. A guerra vista como uma vacina para a decadência.»

 

Do nosso leitor Conde de Tomar. A propósito deste meu texto.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 10.12.16

 

«Será que revivemos o passado como ele deveras aconteceu, ou como pensamos que ele aconteceu? Ou deveria ter acontecido? O passado como que vestido pelas mãos do presente. O passado visto pelo passado nunca parece ser tempo irrepetível.
Com o passado poderia suceder o mesmo como quando escolhemos a nossa música favorita. Foi deveras a música, a letra, que nos cativou, ou o sentimento, uma emoção, que nos acompanhava quando a ouvíamos? Um sentimento apanhado na rua que em nada se relacionava com o que escutávamos? Ou uma emoção, bem singela, como quando comemos uma fatia de bolo?»

Do nosso leitor Porfírio Tinto. A propósito deste meu texto.

 

«Tenho algures dois livros de Virginia Woolf que nunca li não sei porquê. Mas gostei da sua recensão e vou procurá-los para ver se é desta. Creio que um deles é precisamente To The Lighthouse. Mas tenho dificuldade em ler livros hoje em dia — qualquer coisa que a "net" ou o "espírito do tempo" transformaram radicalmente, já não sinto a mesma tranquilidade ou apelo. A verdade é que com os computadores passamos o dia inteiro a ler isto e aquilo e sei lá mais quê. Se calhar é disso.»

Do nosso leitor V. A propósito deste texto do José António Abreu.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 03.12.16

«Estou desiludido com o jornalismo em Portugal e a forma como deixaram adormeceram a sociedade durante estes últimos 15/20 anos.

É incrível como casos como o BES ou tudo que o está a vir a lume do caso Sócrates foram completamente ignorados durante tanto tempo.
Indigna-me que a aplicação generalizada da suspensão provisória do processo na Operação Furacão seja vista como uma vitória das finanças, que recuperaram não sei quantos milhões.
Não entendo como são abafadas notícias relativamente à economia e às empresas. Onde estão as notícias que a Mota-Engil foi multada em 13 milhões de euros e proibida de concorrer na Eslováquia ou acusada de cartel na Polónia? Uso como exemplo esta empresa de que ninguém gosta, mas é generalizado. Algumas notícias são claramente publicidade paga disfarçada.
Podia continuar mas já chega como exemplo.
Eu acredito que isto pode mudar. Por isso faço o pouco que posso, que na minha humilde opinião e' muito mais importante do que movimentos ou abaixo-assinados por uma sede: assino uma série de jornais em formato digital. Pago para ver.

P.S: Quando refiro jornalismo não me refiro somente aos jornalistas mas também e sobretudo a todo o meio que os rodeia e restringe.»

 

Do nosso leitor Daniel Marques. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 21.11.16

«"Porco machista" já levei, mas ao telefone.
Telefonema de número privado (nunca mais os atendi) a pedirem para falar com a dona da casa, eu não servia.
Perguntei qual o assunto: que não tinha nada com isso porque "é o marido mas não é dono dela" (sic).
Com alguma boa vontade tentei explicar que se fosse ao contrário a pergunta também seria feita, aqui ninguém é "dono" de ninguém.
Desligaram mas nem cheguei a sair de ao pé do telefone, a mesma pessoa volta a ligar e diz-me "é só para lhe dizer que você é um porco machista".

Ao vivo só malcriadão, de três "senhoras" com ar respeitável espetadas num passeio exíguo a conversar e toda a gente a ter que ir para a estrada, não fui nem disse nada, fiquei ali especado e mudo junto delas até "perceberem".
Lá me deixaram passar mas não imaginaram que tivesse "ouvido de tísico" com esta idade, portanto voltei atrás a pedir-lhes para o repetirem na minha cara, minha mulher divertidíssima.

No último sábado entro num dos elevadores dos "Armazéns do Chiado" que partem da Rua do Crucifixo para ir à FNAC como vou quase todos os dias.
Entra só uma "senhora" comigo, carrego para o piso 4 e pergunto delicadamente para que piso ela quer ir (só os pisos 4, 5 e 6 estão abertos ao público).

Responde-me: "Meta-se na sua vida que não tem nada a ver com isso" e, na minha frente, carrega no piso 5 (afinal tinha...).
Quando saí ainda lhe ia eu a confirmar alto e bom som que de facto "o melhor que eu devia ter feito era estar-me cagando para si" (sic).
De tal modo que um dos vigilantes (que me conhecem e me falam) veio ver o que se passava.

Eu é que sou burro pois aqui as mulheres cá da família dizem-me sempre que não vale a pena eu armar-me em cavalheiro.

Curiosamente vejo muita rapariga ali entre os 25 e os 35 anos ficar agradada, pelo que não vou desistir mas vou ser selectivo nas idades!

Uma última nota.
Há dias um sujeito pôs-se a fazer várias operações numa caixa multibanco (desta vez foi "um" e não "uma").
Ia dizendo "está quase" e nada de parar com aquilo.

Isto até que o que estava atrás de mim se identificou como "autoridade" com um cartão que não vi e lhe disse que, havendo uma fila, só podia fazer não sei quantas operações (não ouvi o número) e tinha que dar a vez ao seguinte.
Não sei se assim é nem como se poderá impor "a lei" sem levarmos um polícia connosco se assim for, mas que o outro se foi logo embora lá isso foi.

Se alguém conhecer o assunto agradeço me esclareça pois há dias que não há nada como uma boa discussão na caixa do MB para nos pôr logo bem dispostos!»

 

Do nosso leitor RMG. A propósito deste meu texto.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 13.11.16

«É cada vez mais difícil no mundo actual, mundo "da informação instantânea", em que o que conta é a espuma dos dias, e em que as massas estão (consentem deixar-se ser e estar) bastante alienadas, "bêbadas" pela torrente de estímulos e de informação.
O que releva ainda mais quem escolhe um caminho contrário, como foi o caso de Cohen e de mais alguns (de repente, estou a lembrar-me do Léo Ferré, e, à nossa dimensão, do Carlos Paredes, a anti-estrela).
Nunca mais me esqueci de uma frase do professor e etologista Luís Sozcka, do início dos anos 80, era eu um jovem estudante universitário, mas ainda muito operativa para estabelecer paralelos, comparar situações e compreender o mundo de hoje: dizia ele que a quantidade de informação disponível era muito superior à capacidade do cérebro humano para a processar.
Dada a situação de hoje, com a galáxia Internet, compreende-se melhor a "tontice" do mundo, das pessoas, perdidas neste mar revolto de bytes e terabytes de informação (não tardando que nos sejam familiares o petabyte, o exabyte, o zettabyte e o yottabyte) .
Portanto, obrigado grande Leonard Cohen, mereces o nosso respeito e gratidão, também por teres remado com sucesso contra a maré dominante.»

 

Do nosso leitor Manuel Silva. A propósito deste meu postal.

 

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«Dois mil e dezasseis não tem sido um ano bom.
Ainda ontem estava sozinha no escuro, depois de um dia extenuante no trabalho que terminou noite entrada, sentada no chão, a ouvir Cohen e a chorar.
Pensei em tanta coisa, sobretudo na minha mortalidade, como acontece sempre que experiencio um sentimento de perda.
Leonard foi abençoado com a magia das palavras em pas de deux com compassos sonhadores. Foi daqueles artistas cuja excelência da obra tocou milhões e perdurará ad eternum.
Seria eu uma pessoa feliz se tivesse a capacidade de deixar continuidade de pensamento em meia dúzia de criaturas de Deus.

Não sei se é um adeus ou um até breve, mas o embalo da voz levou-me até de manhã.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 06.11.16

«Estudos que se têm feito recentemente mostram que as mulheres teriam mais tendência à poligamia do que os homens, se aquela lhes fosse permitida. Costumam ser as mulheres que mais depressa se cansam de sexo só com um parceiro, pode ser essa a razão por que muitas mulheres inventam mil desculpas na cama (a dor de cabeça e assim). Não se trata de não gostar de sexo, mas de não gostar de sexo sempre com o mesmo homem. Vem de tempos remotos, em que as fêmeas procuravam os melhores machos para acasalarem e a variedade assegurava melhor descendência. Isto, claro, é ainda um assunto tabu. A sociedade é machista, mas numa coisa dou-lhe razão: as mulheres cooperam (como cooperaram estas duas senhoras). Não porque gostem, mas porque assim foram educadas. Isto aplica-se igualmente às sociedades islamitas.»

 

Da nossa leitora Cristina Torrão. A propósito deste texto da Helena Sacadura Cabral.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 30.10.16

«"Temos de ser lúcidos e corajosos para derrubar este e outros mitos e construir uma outra via que, essa sim, possa condenar e combater todos estes regimes desumanos."
Creio que foi Bernard-Henri Lévy que incentivou em tempos a "malta nova" a ajudá-lo a mudar o mundo, terminando com um inesperado "ide!" (e não com o esperado "vamos!").
As pessoas gostam de dizer "temos que", muito em especial quando estão à espera que outros o façam (ou mais provavelmente não estão à espera de nada mas acham que devem dizer coisas bonitas e que lhes tragam uma boa consciência antes de ír para a cama).
Mas esta ideia é boa: cada vez que algo não me agrade passo a dizer que está mal e há que procurar uma nova via.
E se alguém me pedir sugestões disfarço o não ter a mais pequena ideia.
Não posso é fazer isto na frente dos netos, ainda me gozavam...»

 

Do nosso leitor RMG. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 25.10.16

«Os condutores que não respeitam os semáforos accionados pela velocidade esquecem que põem em perigo os peões, principalmente crianças. Será que eles não pensam, por exemplo, que não teriam tempo de travar, se uma criança lhe surja numa passadeira? É uma grande falta de respeito!
Mas mesmo não considerando o perigo, não há dúvida de que uma povoação fica bem mais aprazível e mais convidativa ao passeio a pé quando os carros andam devagar. Só isso já é razão para que se respeitem esses semáforos.»

 

Da nossa leitora Cristina Torrão. A propósito deste texto do José António Abreu.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 16.10.16

 

«E o Nobel da Medicina vai para... Bob Marley.»

Do nosso leitor Sampy. A propósito deste meu texto.

 

«Convinha que tais autores cantarolassem qualquer coisa de seu, com gaita de beiços e violão... mas sem drunfos.»

Do nosso leitor Belial. A propósito deste texto do José António Abreu.

 

«"Romance" na sua génese é uma composição poética para ser cantada. Corresponde à balada medieval. É a génese de toda a literatura. Pode ser boa ou má, mas é literatura. O primeiro registo literário da língua portuguesa é a cantiga da Ribeirinha dedicada a uma amante de D. Sancho.»

Do nosso leitor Xico. A propósito deste texto do Rui Rocha.

 

«O Gilgamesh também é outra modernice rock e daí nunca poderia nascer coisa séria. Aliás, o Homero e Hesíodo também não passaram de uns escrevinhadores de palhaçada poética transmitida oralmente; o Lucrécio idem, já para não falar da palermice oriental com os haikus e outras coisas assim em que as sílabas e a respiração e o ritmo estavam todas ligadas. Literatura mesmo e poesia a sério, sem efeitos visuais como Raban Mauro ou charadas visuais de hypnerotomachias de Polifilio e mais todo o futurismo moderno, nunca poderiam receber coisa séria como um Nobel Literário.»

Da nossa leitora Zazie. A propósito deste texto da Francisca Prieto.

 

«Vou apostar que o cidadão ostensivamente aborrecido que já escreveu três ou quatro posts e vários comentários sobre este mesmo tema aqui no DELITO DE OPINIÃO não tem em casa nenhum livro do Bob Dylan. Atrevo-me, por isso, a sugerir-lhe que compre uma das volumosas resenhas das letras do autor, publicadas em dezenas de edições e de línguas - até em português! - que sossegue, que leia (sem música, claro, e certamente sem a música do autor), que sinta e pense no que leu (como creio ser mais ou menos inevitável), e que, depois sim, escreva sobre o tema. É que, musicalmente, Bob Dylan tem demasiados altos e baixo para o nível constante da sua escrita, e a dicção dele é parecida com a minha no pico de um ataque de rinite. Claro que tem sempre a alternativa de ler a Alice Vieira.»

Do nosso leitor JPT. A propósito deste meu postal.

 

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 09.10.16

«Há razões absurdas para negarem o prémio [Nobel] a certos escritores.
Tólstoi, por exemplo. Tiveram dez anos, até à sua morte, para lho darem. Razão essa que foi explicada pelas normas deixadas pelo Sr. Nobel. Que o prémio teria que ser atribuído a quem tomasse a Literatura numa direcção ideal ou idealista.
Se pensarmos bem, as suas obras e especialmente os seus ensaios são bastante mais idealistas e continham um efeito muito mais positivo do que qualquer outro escritor do século XX.
Que o prémio tenha sido atribuído em 1907 a quem escreveu "The White Man's Burden", ao invés de quem influenciou Ghandi na sua conquista de não-violência, é no minímo irónico..»

 

Da nossa leitora Clara. A propósito deste meu texto

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 25.09.16

«Na qualidade de pessoa que tirou a carta depois dos 30 anos, trabalha e (desde que tem voto na matéria) vive no centro de Lisboa, tem passe desde os anos 80, e faz 90% das suas deslocações urbanas a pé ou transportes públicos (incluindo, claro, táxi, porque depois das 21h30 demoro mais tempo entre o Rossio e as Amoreiras de transportes do que a pé), e nunca foi ao grande Porto de automóvel, estou de acordo consigo em tudo. E, ao mesmo tempo, estou de acordo consigo em nada. A Holanda, país rico e ordenado (até os alemães gozam com a ordem na Holanda), cuja maior "montanha" é da altura de Monsanto (não a aldeia beirã, mas o monte à saída de Lisboa), não é comparável em nada com Portugal.

Não é por gosto que as pessoas gastam duas ou três horas por dia no trânsito, e, as que usam transportes urbanos (como eu) empatam meses ou anos de salário num objecto que só usam ao fim-de-semana e em férias. O facto é que os transportes públicos em Portugal (como quase tudo o que é público, em Portugal) são ineficientes, excepto para as pessoas que lá trabalham. Na Holanda o pessoal dos comboios ocupa a primeira classe e vai para lá discutir diuturnidades e subsídios de flatulência? Na Holanda os trabalhadores do metro ganham em média o triplo dos passageiros? Na Holanda os trabalhadores do metro recebem complementos vitalícios para manter a reforma igual ao salário dos colegas no activo? Na Holanda há seis greves de transportes por ano?

Com estas condicionantes, com os custos de pessoal inacreditáveis que têm as empresas públicas de transportes, temos de perceber e aceitar que, ao fim-de-semana, haja metros de 16 em 16 minutos, que, depois das 22h00 é normal estar 20 minutos no Marquês à espera de um autocarro para as Amoreiras, ou meia-hora em Santa Apolónia à espera de um comboio que pare em Moscavide, que, salvo para “o Barbas”, seja impossível ir às praias da Costa sem levar um carro, que, tirando para Faro, ir ao Algarve de comboio é como ir à Índia, e que qualquer emigrante tem de trazer carro (ou vir de navette) para chegar à sua aldeia beirã ou transmontana.

Em suma: é a favor da privatização de todos os transportes públicos? É a favor da automatização da rede do metro, como em Barcelona? É que enquanto os transportes públicos de Lisboa e a CP estiverem ao serviço da CGTP, não será possível “acabar a ditadura do automóvel” - enfim, só se for falindo (outra vez) o erário público ou pondo tudo a andar de bicicleta, na nossa cidade das (muito mais do que) sete colinas, e não só os lunáticos que andam por aí em sentido contrário e com fones nas orelhas, e para quem (supostamente) se edificam longas pistas rosas que só servem para carrinhos de bebé, runners, senhoras com joanetes e amigos da construção civil com pouco trabalho.»

 

Do nosso leitor JPT. A propósito deste texto do Tiago Mota Saraiva.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 18.09.16

«O País pode não estar melhor nem em vias de melhorar. É da competência do governo a função de governar, de melhorar, de impulsionar o País para cima, para fora da zona de estagnação, milímetros acima da eterna ameaça daquele hades chamado "lixo".
Um País mantém-se coeso e forte pelas escolhas dos seus governantes. Mas um País não são só políticas, orçamentos, comissões, inquéritos... um País é principalmente um conjunto de seres humanos que ocupam uma zona territorial, têm os mesmos usos e costumes (com as étnicas variações pontuais como em qualquer lado), se regem pelas mesmas leis e falam a mesma língua.
E nisto o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, nosso Presidente da República, é exímio. Poderia deixar o cargo amanhã, mas já teria marcado a sua presidência pela positiva. É que ele fala a língua do povo e quem pouco ou nada entende de política, entende muito de respeito.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 10.09.16

«As juventudes partidárias são estruturas importantes na vida política. O que não faz sentido é, como acontece no PSD, os militantes da jota serem automaticamente militantes do partido. Com direito a voto, o que faz toda a diferença. Constituem-se, com toda a facilidade, em sindicatos gigantescos de voto, o que significa mandarem nas concelhias e distritais com a maior facilidade. E isto devia ser alterado, passando os jovens a ser apenas militantes da sua estrutura própria. Com dois benefícios: deixavam de ser escola de aprendizagem do pior na política (caciquismo e venda de votos) e seriam atractivas apenas para os que gostam mesmo da política.»

Do nosso leitor José Coimbra. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 04.09.16

«O denominado Acordo Ortográfico é uma aberração que serviu interesses nada transparentes. Foi feito à pressa, por meia dúzia de intelectuais que pretenderam apoderar-se daquilo que não lhes pertence - a Língua Portuguesa.

Se há coisa que pertence a um povo é a sua língua. Porque não se fez um referendo sobre uma matéria que é da essência?

A utilização vergonhosa de Vasco Graça Moura, da forma que foi feita, é inqualificável, e de uma baixeza total. É um acto de cobardia fazer uso de alguém! Muito mais quando, infelizmente, já não está entre nós para se defender.»


Do nosso leitor Firmino Fonseca. A propósito deste meu texto.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 28.08.16

«Compreendo a sua preocupação e é razoável o seu receio de que "para o ano cá estaremos, impotentes e aflitos, a assistir a mais uma reprise do (maior) espectáculo de sempre". Assim tem sido apesar das repetidas promessas dos nossos governantes.

Mas não me parece mal a ideia de tentar melhorar a prevenção de incêndios atribuindo às Câmaras Municipais [CM] a responsabilidade para intervirem na gestão das áreas florestais, através de equipas de sapadores, limpando caminhos e cuidando da manutenção de reservas estratégicas de água para combate a incêndios e, quando necessário, procederem à limpeza de parcelas abandonadas, ressarcindo-se dessas despesas juntos dos proprietários ou pela apropriação pela via administrativa desses terrenos abandonados – há legislação que prevê algumas medidas.

Falo assim por saber que muitas CM, pela sua reduzida dimensão, não têm condições para assumirem, de imediato, responsabilidades deste género. Todavia, as que já estão habilitadas com o mínimo necessário deveriam avançar imediatamente. O pior que nos pode acontecer é, como disse, chegarmos ao próximo ano com tudo na mesma.

Concordo que o governo central pode tomar a iniciativa, começando pelo cadastro e pela transferência para os municípios dos meios financeiros indispensáveis para se operar a mudança de estratégia prometida, ou seja, o desvio de recursos hoje gastos no combate (muitos) para a prevenção.

Uma nota final: para bem se combaterem os fogos florestais não é necessário proceder à limpeza de toda a área ocupada com floresta e com matos - isso até iria contra a necessária biodiversidade. Há zonas inóspitas que só produzem matos que até devem ser periodicamente queimadas, embora de forma controlada, como faziam os pastores no antigamente. Na floresta propriamente dita, o necessário é ordená-la, escolhendo as espécies adequadas e proceder, no terreno, nos moldes adoptados pelas fábricas de celulose (nas zonas que administram) e que muito raramente ardem ou, quando ardem, os fogos nunca atingem grandes dimensões.»

 

Do nosso leitor Tiro ao Alvo. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

 

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«Se acabarem com o ordenado mínimo o valor do trabalho desce a pique quase de imediato. Se mesmo com a legislação existente as entidades patronais tentam empregar sem contratos e recorrem sistematicamente a estágios o que acha que iria acontecer se não houvesse um limite mínimo a pagar?
Se mesmo com legislação protectora do trabalhador o empregador abusa do poder, faz pressão psicológica, exige o que bem lhe apetece, o que acha que iria acontecer se pudessem despedir quando bem entendessem?
Primeiro tem de se mudar a mentalidade, caso contrário iríamos regredir anos e anos em condições laborais.
Deveriam sim existir diferenças entre sectores, isso concordo, tabelas de ordenados distintas e as empresas deveriam ser obrigadas a ter uma política de recursos humanos que estudasse e fomentasse a progressão das carreiras dos colaboradores.
Mas quando temos pessoas incompetentes, míopes e centradas apenas no lucro imediato e fácil é muito difícil que tal coisa venha a acontecer.»

 

Da nossa leitora Psicogata. A propósito deste texto do João André.

 

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«Não quero criticar os brasileiros (ou os espanhóis), mas antes a nossa postura, muita das vezes subserviente em relação aos mesmos: são os nuestros hermanos e o país irmão quando, na realidade, a maioria das vezes estão-se borrifando para nós ou, pior, somos tratados como algo de inferior - no caso do Brasil, basta ver a "cotação" do português ou do italiano.
Seria importante perceber que essas "demonstrações de afecto" são muitas vezes unilaterais ou usadas como sinal de subserviência política. Mesmo em relações de outro calibre, a posição do Reino Unido face aos Estados Unidos da América é em tudo similar e a special relationship só vale quando interessa aos segundos, em prejuízo dos primeiros - um bom exemplo será o tratado de extradição assinado entre os dois países que dá poderes quase plenipotenciários à justiça norte-americana no Reino Unido sem contra-partida em casos análogos inversos.
Isto para dizer que já é tempo de nos deixarmos de apoquentar com essas coisas e partirmos para outra. As relações bilaterais valem o que valem. Devem certamente ser exploradas, até porque é das poucas coisas que o nosso passador de império mercantil deixou, mas em situações em que somos, de facto, acarinhados. Por cada espanhol que não sabe quem é Marcelo teremos portugueses em Malaca ou no Ceilão que sabem e que, mais importante que isso, se importam e são ignorados.»

 

Do nosso leitor Carlos Duarte. A propósito deste meu texto.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 14.08.16

«Já vi as crianças crescer (e foi tão, tão rápido).
Por estes dias - por estes anos -, passo tantas coisas da gaveta dos projectos adiados para a das coisas que sei que definitivamente já não farei, ajudo os mais novos a acabar de crescer (Deus!, demora-se tanto mais tempo... e só passou uma geração) e há algum tempo já que faço tudo o que posso para ajudar os mais velhos a morrer. A ir morrendo, com a dignidade, a voz activa e o conforto possíveis.
E é estranho. Há, parece, tão pouco tempo ali estavam eles, os mais velhos, parecia que com uma energia sem fim, e eram tantos os contratempos. Com a solução garantida. Ao meu lado, à minha volta, sempre protectores, sempre presentes, sempre porto de abrigo. Agora olham-me subitamente tão frágeis, os papéis inverteram-se e às vezes, egoísta, nem lhes quero reconhecer a velhice. O passar do tempo, a minha nova responsabilidade.
Pela ordem natural das coisas, a seguir sou eu. E se tudo se passar tão depressa como me pareceu que passou...»

 

Do nosso leitor Costa. A propósito deste texto do João André.

 

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«Férias, uma das coisas, entre muitas que não tenho, como pensão de reforma, subsídios ou afins porque, cada um, deve fazer o que apregoa e, para mim, Liberdade é isso mesmo, não ser dependente de coisa nenhuma, apesar de, nos tempos que correm, a verdadeira Liberdade já não exista porque, só para sobreviver, é preciso pagar. Basta precisarmos de água e, aqui na capital, só da água e serviço prestado, por sair na nossa torneira, quem pagar 12, com os impostos, fica mais do dobro, em 28 euros. Em algum lado a Câmara tem de arranjar 3 milhões para a Mesquita... não podendo pôr a água mais cara que o champanhe, vai ter de aumentar o IMI, a todos, mas aquela de "carregar", ainda mais, a quem tenha mais sol ou melhor vista... definitivamente, a irracionalidade não tem travões... mas tenho uma prima sortuda, pode pedir desconto, tem vista para o cemitério, sempre estranhei ter comprado o andar naquele sítio, afinal, deve ter tido uma premonição...
Já houve tempos em que o meu dia começava às 5h da manhã e a única coisa que sabia fazer era trabalhar mas um dia "acordei" e vi que isto de investir e trabalhar muito só servia para pagar mais impostos e, assim, criar mais "dependentes" do dinheiro dos outros, portanto, cheguei à conclusão que, materialmente, de pouco se precisa para se ser feliz e poder dar atenção às coisas e pessoas, realmente, importantes. Só espero que quando deixar de ser responsável pela vida e escolhas de outras pessoas que me são queridas, nessa altura, ainda possa optar "por menos materialismo" e poder largar, definitivamente, o resto das "dependências", se me deixarem porque o mundo caminha para um sistema onde os humanos passarão a ser, unicamente, activos financeiros, pertencentes a Corporações que, têm de dar lucro ou serão tecnologicamente substituíveis ou, pior, definitivamente, dispensáveis.
Quando hoje li, no Diário Económico que, pela primeira vez, na Função Pública, os aposentados são mais do que os activos, não contando com os outros aposentados, desempregados e outro tipo de situações, incluindo a Dívida (incomensurável e imparável) que arranjaram aos 10 milhões de portugueses, a verdadeira crise ainda está para chegar e, com ela, Ordo Ab Chao (Ordem a partir do Caos), aquilo que, a nível global, o 1% precisa mas, desta vez, servirá para implementar "o resto" e, com isso, acabar com o resto da nossa Liberdade.
Já sei que não acredita mas, é só para ficar escrito e, nesta altura, é completamente inútil tentarem matar os mensageiros. Deviam ter dado ouvidos aos que, há décadas, não conseguiram passar a mensagem e a "sangria" continuou. Ainda não percebi como ainda existem pessoas que acreditam nas tretas de que isto vá acabar bem.
Falar de férias, para quê? Passámos a ter a silly season o ano inteiro e, há décadas, pode faltar o dinheiro mas sillies... são aos magotes.»

 

Do nosso leitor Ariam. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 07.08.16

«Um dos livros que mais me marcaram foi Se Isto é Um Homem, do escritor/químico Primo Levi. Como ninguém ele descreve o horror vivido na primeira pessoa em Auschwitz-Birkenau e mais tarde em Treblinka.
Esta parte da história sempre me fascinou, e no curso de Ciências da Religião abordei-a no sentido de como a Fé e a Esperança se mantêm num lugar de morte e horror constante e permanente.
"Descobri" que o ser humano, sendo dotado de Sopro Divino, RUAH, é capaz de aguentar todo o tipo de provações e privações.
Exemplo clamoroso é o de Raimundo Kolbe ou São Maximiliano Maria Kolbe.
Nome que diz muito a quem conhece a liturgia cristã católica.»

 

Do nosso leitor Nobre. A propósito deste texto do Alexandre Guerra.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.07.16

«Já está em estudo a criação de um guichet para recepção de comendas no Palácio de Belém. Além disso, e para maior comodidade dos laureados, serão criados postos nas Lojas do Cidadão. Bastará entregar o comprovativo do prémio alcançado e na hora, repito na hora receberá a comenda em troca. Simplex.»

Do nosso leitor José Leite. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 16.07.16

Fernando-Santos-20140923[1].jpg

 

«Penso que nós somos mais exigentes com nós próprios que com os outros, mesmo sem nos apercebermos.
Ontem estive a deitar papéis fora e descobri uns apontamentos que tinha escrito depois do Euro 2004 em que enaltecia a Grécia e os gregos:
«A Grécia é aquilo que se chama uma verdadeira equipa, não precisa de artistas nem de números de circo para lutar pela vitória e ser campeã. Os gregos são verdadeiros atletas do Olimpo, nunca viram a cara à luta e são uns dignos vencedores e fica-lhes bem a coroa de louros.»

Eu era incapaz de escrever isto sobre os portugueses e nós não fomos inferiores à equipa grega de 2004...

Embora gostasse que tivéssemos jogado melhor (principalmente nos dois primeiros jogos, que foram de facto miseráveis - tanto remate e cruzamento para nada e para ninguém, tanto passe falhado, tanta lentidão - e nunca mais saíram da memória dos críticos...), os campeonatos são de facto para ganhar.
Parece que só agora é que alguns colunistas franceses e ingleses descobriram que houve uma equipa campeã que não foi a que jogou melhor futebol no Europeu. São muitos anos a fingir que vêem futebol.

Eu gostava que tivéssemos jogado melhor, mas gostei ainda mais de termos sido campeões. E de ver que conseguimos ser mais dignos na derrota que os franceses, que pensavam que os jogos se ganhavam fora do campo de jogo...
Claro que o Manuel José vai andar a vida toda com a "pedra no sapato" de nunca ter conseguido ser seleccionador.
Muito pior foi o "Ribeirinho" dizer que o Fernando Santos tinha medo, na véspera do jogo. Ele pode ser acusado de muita coisa, mas nunca de ter medo. Disse que ia para França para ser campeão e cumpriu-o.»

 

Do nosso leitor Luís Milheiro. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 10.07.16

«Uma pequena alteração do título para
- "Em promoção!"
faria companhia aos enchidos do Continente, que a publicidade, de vez em quando, coloca em promoção.
(Continente, nada tem a ver com hipermercados, mas sim com terminologia de "os mercados" na City)
É claro, colocam-se outras hipóteses de promoção:
- na secção de "roupagem interior", com etiqueta "tanga";
- na secção de "frescos", com etiqueta "cherne";
- na secção de "massas", com etiqueta "armas de destruição em massa";
- etc...
Mas é sem dúvida muito versátil para encher chouriços.»

 

Do nosso leitor daMaia. A propósito deste texto do Luís Menezes Leitão.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 03.07.16

«Para os que acham que a decisão do Brexit se deveu a uma deficiente informação, acho que se deveriam informar melhor. Ou talvez apenas informar... afinal, o papaguear o que é passado nas novelas das 20h00, chamadas "telejornais", dificilmente pode ser considerado informação.

Deixo um excelente vídeo de propaganda, mas que toca no que todos sabemos... ou deveríamos saber:

 

É extremamente interessante o conceito democrático dos representantes, especialmente quando vimos as promessas eleitorais nos últimos 15 anos invertidas alegremente. Os casos de Durão Barroso, Sócrates e Passos Coelho parece que não serviram de nada. Hollande e Tsipras também não.
Afinal, diz o povo "ignorante" que "burro velho não aprende línguas".

Os partidos tradicionais ingleses esmagariam qualquer iniciativa de Brexit, tal como o fazem PSD e PS em Portugal, que sempre recusaram qualquer referendo. No entanto, a soma dos votos de ambos é suposto legitimar a opção.
Para os mais teimosos, este referendo inglês mostra que não é assim. Mas para os casos clínicos nunca mostrará nada.
Se a União Europeia fosse a UEFA, o jogo Inglaterra-Islândia seria repetido até anular o Brexit do Euro 2016. Que raio, os islandeses não sabem o lugar ridículo que ocupam no ranking da UEFA?
É este tipo de raciocínio de negação, digno de psiquiatria, que abunda nas mentalidades "democráticas".
Os supostos "informados citadinos" funcionam como autênticos cachorrinhos de Pavlov, reagindo ao estímulo que o telejornal da noite anterior incutiu nas suas cabecinhas.
Há os bons e os maus, e tudo se passa com num filme de cowboys, de fácil digestão mental.

E, é claro, quem é iluminado, pelo consenso do que é bom, nem admite ouvir que o bom pode ser mau. Achar que dificilmente Trump poderá ser pior que G. W. Bush? Em que telejornal foi isso discutido? O tipo está parvo!
Dos cafés da manhã, seja numa reunião de trolhas ou de universitários, o Senhor Consenso está aí para saber o que é bom e o que é mau, e quem não percebe isso é parvo.

E como o Consensualista chama a quem expõe argumentos óbvios?
- Populista!
Populista, porque o anormal não percebe que o óbvio é complexo. E todos os papagaios repetem no café o que ouviram nas telenovelas das 20h00... uma maravilha!

Se a Alemanha, França e Inglaterra falam em nome da UE, há algo de errado? Claro que não, só quem não percebe a vantagem de uma Europa unida sob o desígnio universal dos iluminados é que pode achar que se passa algo de estranho.
Os anjinhos falam em conjunto, logo não estão a preparar uma guerra entre si. Sujeitemo-nos a esta linda pax bruxelensis.
Ufa... que a CEE é que evitou guerras na Europa! Como se sabe, os EUA e URSS contavam pouco na política mundial, nesses tempos idos. Ou será que EUA e URSS pertenciam à UE?»

 

Do nosso leitor da Maia. A propósito deste texto do João André.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 19.06.16

«Se um banco privado financia clientes (particulares ou empresas) para a privatização da Cimpor ou para o assalto ao BCP, por exemplo, avaliando mal o risco e descuidando as garantias, e depois se vê obrigado a criar provisões para crédito malparado, os seus accionistas são lesados de diversas maneiras: na distribuição de dividendos, na perda de valor das acções da instituição, em esforço financeiro adicional para acompanhar novo aumento de capital. Se um banco privado investe, directamente ou através de uma subsidiária de capital de risco, num negócio que corre mal, os seus accionistas são prejudicados, rigorosamente, nos termos acima descritos. Se se tratar de um banco público, como a Caixa Geral de Depósitos, as coisas passam-se exactamente da mesma maneira. Só que, neste caso, os accionistas são todos os contribuintes. Isto expliquei eu a um picheleiro de Santa Marta de Penaguião e ele percebeu perfeitamente. Quem tiver paciência que tente encaixar estas evidências no bestunto desse grande filho de Boliqueime e brilhantíssimo economista de seu nome Silva, o Cavaco. Eu não o 'fazerei'!»

 

Do nosso leitor Cristof. A propósito deste texto do Sérgio de Almeida Correia.

 

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 12.06.16

«Mariana Mortágua adquiriu os tiques do capitalismo no que diz respeito à comparação e resolução dos salários dos gestores públicos e privados. Para ela a questão do funcionalismo público e dos gestores públicos resolve-se com a política neoliberal dos salários dos gestores. Mas, para parecer que não é tanto assim, lá vem dizer que existe uma disparidade entre salários de gestores e trabalhadores. Será, Mariana, que a luta contra esta disparidade só diz respeito aos assalariados do público? Porra, será que o BE não tem tusa para alterar as coisas no privado? Ou será que por ter o dinheiro mais à mão, isto é, nos cofres do estado, é mais fácil resolver a questão?

Mas a questão da recapitalização tem uma outra componente, que é cumprir também os rácios de solvabilidade exigidos por Bruxelas. Sabendo que a Caixa Geral de Depósitos atravessou-se aquando da implosão do BPN, admito a necessidade desta injecção de capital. Porém, a injecção de capital não implica necessariamente que seja feita totalmente por via do estado.

"Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos. Se o povo americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão de moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no continente que os seus pais conquistaram." (Thomas Jefferson).»

 

Do nosso leitor Vento. A propósito deste texto do José António Abreu.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 05.06.16

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«Em 2002 deu-me saudade dos 'chavales' do Verão Azul e rumei em passeio a Nerja -- duma jornada do caminho já dei cá notícia.
Lá vi a traineira do Chanquete, mas a idealização formada a partir da série dos miúdos e o lugar real não se conjugam nestes veraneios; é como ler um livro e depois ver o filme...
A terra tem graça pitoresca mas a multidão de veraneantes com carros e motoretas desgraça-a; as praias ficam cheias como um ovo e é difícil pisar o cascalho sem pisar a cabeza de alguém. Julgo que isto seja uma técnica dos que arribam à praia para remover os outros e abrir uma clareira para si. Outra técnica -- mui pouco usada -- era chegar cedo o bastante, mui antes dos pisa cabezas, e fugir-lhes a meio da manhã que era quando eles engrossavam. Calhava bem pois podia almoçar-se à saída no restaurante da praia logo à hora de chegar o peixeiro. Este modo antecipava a siesta. À tardinha as praias de cascalho voltavam a ser frequentáveis por os pisa cabezas -- já tostados em rosa forte -- terem debandado para se alindarem para a ceia e juntarem à movida.
No apartamento havia uma estante com livros (sobretudo em inglês); cuidei que fossem os veraneantes que lá se alojavam que os iam deixando. Levei um livro que acabei lá e como os da estante não me interessaram fui comprar outro. Trouxe Felipe II y su Tiempo, de Manuel Fernández Álvarez, o mais grosso que havia na livraria. Imagino se alguém se interessou pelo Paço da Ribeira do Nuno Senos que lá deixei!...
Mais que isto só me lembro de coisas soltas de Nerja.
Perguntei, apontando, o nome dos pêssegos carecas numa tienda e responderam-me: nectarinas. Aprendi que Nerja é a origem do novo nome dos pêssegos carecas que vejo agora escrito nos híperes! Quem quiser diga aos dicionaristas!... A vendedeira por seu lado pediu informação e foi informada que nosostros éramos galegos!...
Outra coisa que me lembro lá é de cá a senhora pronunciar zumo (com o 'z' bem zumbido à portuguesa) e os sumos não serem piores por isso.
Nerja sofre com o calor do Verão e com os cães dos turistas. Somados [à falta de limpeza dos dejectos caninos], intensificam exponencialmente o cheiro a... -- Nem de propósito, quando no Verão a seguir contei onde estivera ao tio do Algarve, ele, ouvindo pela primeira vez o nome da terra perguntou admirado:
-- Estiveste onde?! Em merda?!...»

 

Do nosso leitor Bic LaranjaNeste texto da Francisca Prieto.

 

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 01.06.16

«"Pessoalmente não gosto de quotas." Eu também não. É um paternalismo terrível para as mulheres que eu dispenso. O pior com as quotas é que nunca se sabe se uma mulher está numa posição importante (e sublinho esta palavra porque para posições não importantes nenhuma feminista reivindica nada) devido ao mérito ou às quotas. As coisas têm de ser conquistadas por nós e não concedidas às atrasadinhas. É claro que muitas mulheres defendem as quotas porque isso as favorece para alcançarem certas posições.»

Da nossa leitora Antónia Cunha. A propósito deste texto da Helena Sacadura Cabral.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 22.05.16

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«Para tratar com decência animais não é necessário constitucionalismo nem paranóia legislativa nem coisa nenhuma. Basta fazer uma lei que acabe com os maus tratos a animais: quer na criação, tratamento, transporte e abate em matadouros quer com animais de guarda e de companhia. É tão-só disso que se trata. Proibir que um cão passe a vida amarrado a um bidão como fazem aqui na aldeia ou viva à chuva dez anos na ponta de uma corrente. Respeitar o animal que abatemos para comer porque assim é necessário. Não é comparar os animais a pessoas, é tratar bem quem vive connosco. É humanismo.»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 08.05.16

«Se há coisa que gosto de fazer é revisitar a gaveta do passado, cheia de cédulas pessoais, diplomas de exames, licenças de isqueiro... fazem-me sorrir e relembrar situações e pessoas que enriqueceram os dias que já foram.
O meu pai emprestou-me a sua Sheaffer preta de aparo dourado para o exame da quarta classe; era daquelas que já se podiam encher e levava comigo um tinteiro Quink novinho em folha. Primeiro que tudo, qual artista de origami, tinha que dobrar a folha de trinta e cinco linhas de modo que a pestana do lado direito ficasse absolutamente direita e impecável. Depois pegava na folha do mata-borrão cor de rosa e colocava-a paralelamente às linhas da folha da prova, de modo a que nela pudesse apoiar a minha mão para não borrar a escrita. Começava então o desenho artístico das letras, numa caligrafia bonita e certa, que aprendera exaustivamente num caderno de duas linhas... Tive 20 valores. Deram-me beijinhos e fomos à Veneziana dos Restauradores comer cassata.
Falar de livros é emocionante e ao mesmo tempo triste. Poucos são os que exultam perante um livro novo, com cheiro a papel e a tinta de impressão. Os e-books ocupam menos espaço, não precisam de marcadores e, se se tornam chatos, chama-se a resenha.
O prazer da leitura é algo que se conhece vagamente. Há demasiada informação. Não que eu prefire que se soneguem informações, mas há que separar o trigo do joio e informação demais chega a raiar a desinformação totalitarista.
Aborrece-me ler jornais. Longe vai o tempo em que lutávamos e desordenávamos as páginas das notícias. Presentemente 50% é lixo publicitário, 20% opiniões subjectivas, 10% informações de serviço público e por fim algo legível e interessante, que se perde num apontamento ou num pequeno editorial.
Por fim, Camilo é fantástico de ler.
Com uma historiadora em casa, ler textos de Paleografia também dá um certo gozo.»

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 01.05.16

«Se são cem nomes, que sejam divulgados com carácter de urgência.
Porra.
Estamos fartos de ser sugados.
Enganados.
Sem mais um euro para pagar a crise e das muitas faustosas festas cor-de-rosa, de gente que sorri forçadamente e que vive só disso.
São uns sortudos da vida.
Não sabem o que é viver com o salário mínimo e com esses míseros euros terem de pagar as contas mensais de água, electricidade, gás (tv cabo para alguns), a assinatura do telemóvel e agora o IMI), não esquecendo a educação dos filhos, a alimentação básica da casa, entre outros,
No capítulo da Cultura, o povo do salário mínimo assim não pode aceder a uma oferta cultural estrutural, que está sempre ao serviço das elites. Usar uma peça de roupa da Primark é logo um rótulo de pobreza, por contraponto a um Armani ou um Gucci, por exemplo.
O corporativismo ainda reina a seu bel-prazer no Portugal do século XXI.»

 

Do nosso leitor Fernando Torres. A propósito deste postal do Rui Rocha.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.04.16

«Santana Lopes foi um bom primeiro-ministro. Só esteve três meses no lugar mas, nesse curto espeço de tempo, preparou duas importantes reformas: a introdução de portagens nas SCUTs e uma reforma a sério da lei do arrendamento urbano.
Comparado com os primeiros-ministros anterior e posterior, ele foi muito mais activo.»

Do nosso leitor Luís Lavoura. A propósito deste texto do José António Abreu.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 17.04.16

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«Os condutores que têm este tipo de atitudes - o de tentar entrar lá à frente - forçando a uma atenção redobrada, promovendo a raiva por via do "sou mais esperto que vocês, otários", obrigando a fila/bicha a encolher e esticar, atrasando-a, são junto com os mirones e com os "gajos" que só andam na faixa do meio, o maior sintoma nacional de algo muito podre.
Esta podridão e sacanice que nos mata a todos um bocadinho não é feita por políticos, ou por tipos dos panama papers - os actuais Némesis dos portugueses: é feita pelo mesmo português que a seguir, sem problemas de consciência, vem reclamar para o FB ou para junto dos seus colegas o quão horríveis e irresponsáveis são X e Y no desempenho das suas funções e que não entende como é que Portugal não avança nem por nada.
Se nas funções mais normais em sociedade o entendimento é nulo de como uma atitude pode desencadear toda uma serie de acontecimentos terríveis, como irá entender que outros não o repliquem na mesma linha nas suas funções?
Sim, é que isso de pensar nos outros, ou nos processos e mecanismos, dá muito trabalho "e eu tenho pressa". Por isso em Portugal ninguém está disposto a ser o otário que se mete pacientemente na fila/bicha e espera pacientemente reciprocidade alheia, de modo a que tudo funcione. Não, nem pensar. Que se lixem os outros, que se lixem os portugueses

 

Do nosso leitor T. A propósito deste texto do José António Abreu.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 10.04.16

«Acho abusivo justificar o terrorismo apenas com a invasão do Iraque, que aliás, em 2010, estava em vias de pacificação.
Mas em relação aos "jovens perdidos na vida e nos subúrbios", por que raio é que isso tem de levar ao terrorismo jiadista? Também houve milhares de portugueses em bidonvilles, também há centenas de milhares de oriundos da Indochina nos subúrbios de Paris, e no entanto não consta que andem a queimar centenas de carros ou a entrar em redes extremistas.

Os subúrbios não serão grande coisa, mas se uns são de fugir, outros são relativamente normais e só se degradaram precisamente graças ao vandalismo desses "jovens". E estamos a falar de países onde o estado social atinge a sua mais alta dimensão, portanto não me venham falar de abandono por parte das entidades públicas. Seria melhor se os seus pais tivessem ficado por Argel, Bamako ou Conakry?

Mais uma vez surge a culpa de "nós, ocidentais". E porque não metem "eles" a mão na consciência e esperam que os outros resolvam todos os seus problemas?»

 

Do nosso leitor João Pedro. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 03.04.16

«A sustentabilidade do chamado estado social é um problema que nos deve fazer pensar, nomeadamente se o mesmo deve ser para todos e quase gratuito. Sempre me fez um bocado confusão falarmos de natalidade quando em Portugal paga menos em propinas um estudante no ensino superior que um bebé no colégio. Podíamos começar por aqui.

Também penso que não estão esgotadas as formas de capitalizar o estado social. Bem sei que os impostos já são muito altos, ser empresário em Portugal é um caso de filantropia ou de ladroagem na fuga aos impostos, a minha empresa tem seis anos é a quinta com mais lucros no País segundo o relatório do Banco de Portugal na sua área de negócio. Estranho não é? Mas é isto que acontece em Portugal.

Todos nós conhecemos várias pessoas que pura e simplesmente não pagam impostos e não se cansam de aparecer. A questão por exemplo do sorteio do carro para quem pede factura pode parecer um bocado parola mas o que é certo é que aumentou a receita diminuindo a fuga aos impostos. Muitas outras formas haverá certamente de melhorarmos.»

Do nosso leitor Miguel Ribeiro. A propósito deste meu texto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 20.03.16

«Não acho que, neste caso, o PSD tenha ficado particularmente bem na fotografia. A sua posição (votar contra o original, abster-se em todas as alterações) foi descaradamente manipulada pelo PS.
Infelizmente, não me parece que existisse alternativa melhor.
Votar o orçamento medida a medida, com "coerência" (como agora é moda exigir-se ao PSD), permitiria ao PS fazer da democracia portuguesa aquilo é o seu grande objectivo: governar em minoria absoluta, aprovando umas coisas à esquerda e outras à direita, mas sobretudo eternizar-se no poder e impedir quaisquer outros de governar.
Impedir o PS de governar levar-nos-ia para eleições numa situação precária, em que os resultados não seriam muito diferentes dos que temos agora.
O PS escolheu este caminho. Podia ter escolhido outro. Os eleitores (do PS) não parecem estar suficientemente incomodados com o caminho escolhido pelo PS para mudarem a sua intenção de voto. Enquanto assim for, nada mais há a fazer que deixá-los governar.»

 

Do nosso leitor Nuno. A propósito deste texto do José António Abreu.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 13.03.16

«Um sonho, um ideal , é tantas vezes quanto basta para poder mover montanhas. Tempo sofrido pela busca do sonho de liberdade, pela procura do ideal de democracia, tempo de carência, tempo de luta.
Vencer. Subir o degrau de acesso ao patamar olímpico que faz os homens grandiosos e fixa os seus nomes na memória do mundo e na boca dos outros homens.
E de repente nada vira tudo. A fome vira fartura. A impotência vira poder.
O poder corrompe. Poder tudo corrompe sempre.
Já nem interessa a luta. Para quê lutar para vencer, quando já se é invencível?
Cavalgar o meteoro que sobe veloz e ver como tudo acontece lá em baixo, onde os seres minúsculos continuam a labutar como formigas, rodeado do brilho envolvente das estrelas, tão distantes, sempre tão fantásticas e inacessíveis e agora ali, dentro do circulo de luz onde só os que podem entram.
O deslumbre, o fascínio da opulência que só o poder pode.
Os homens são apenas homens, são fracos e mortais. Que exultação poder ter, poder dar, poder enfim ser.
O poder é extravagante e pede sempre por mais e mais poder, até não poder mais.
E o ideal é uma sombra e o sonho é agora dourado demais para querer acordar dele.
A percepção da realidade pode tardar, mas nunca falha. E a violenta ressaca do acordar do sonho lindo pesa como grilhetas em brasa forjadas no reflexo do facilitismo que quem pode tem.
Perder. Equilibrar-se num limbo dúbio, preso por dourados fios de ar e incerteza.
Quisera poder voar.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Gonçalves. A propósito deste meu postal.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 06.03.16

«Pouco falta para que a classificação morfológica do género das palavras da Língua Portuguesa seja considerada discriminação em razão do sexo! São uns tristes analfabetos encartados...»

Da nossa leitora Ana Cristina Leonardo. A propósito deste texto do Rui Rocha.

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