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Dizem que é preciso tempo e distância e, por isso, querido segundo trimestre, adianto-me já e deixo as contas feitas que a dia 20 será tão bom quanto a 30. Não sei quantos caracteres escrevi nestes três meses, mas sei que a minha cabeça reclama. Tão-pouco sei quantos livros li, mas foram muitos, entre Julieta e Paolo Giordano, Elena Ferrante e Teresa Veiga, e Jhumpa Lahiri e se continuar a tentar recordar-me de tudo o que li talvez pensem que é mentira ou que sou uma snob de merda. De uma forma ou de outra, é-me indiferente. Percebi que já pouca coisa me afecta. As minhas pessoas são as minhas e estão perto, sempre a espreitar, mesmo que longe. Não vendo ideias aos desbarato, não faço dinheiro com o que penso, ofereço, dou. É quem eu sou. Não me magoa a indiferença dos amargos ou a presunção dos perus, para citar Tchekhov, citação indecentemente roubada ao meu querido Mário de Carvalho, de quem gosto tanto. Tudo o que optar por esquecer, querido trimestre, é apenas uma ferramenta de sobrevivência que eu, feita esperta, tenha a mania que agora posso escolher e recordar apenas o que importa recordar. Tenho um livro para colorir e até lápis de cor me foram oferecidos tão generosa e inesperadamente pela Paula. Tenho encontros marcados, para repetir os anteriores, sempre tão honestos com a Ana, ou com a outra Ana, ou com a outra Ana, ou com a outra Ana. Quem tem uma Ana... Já se sabe. Tenho esta sorte de conseguir, querido trimestre, ignorar os gestos menos felizes: lembrar alguém que um dia se amou, um amigo, dar os parabéns e ser olimpicamente ignorada; sentir que precisava de colo de um filho e saber que nada volta para trás e que a adolescência é o que é e a idade adulta, aquela que começou agora mesmo, é ainda tão ávida de vida que não tem espaço para sossego; que os projectos não são todos "os" projectos", que os clientes podem ser mal educados, porque pagam, acham eles, e por isso podem. Coisas destas. É a acidez de um mundo cão, canta-se no novo disco da Márcia, sabias? Não é só a acidez, é também uma forma de me obrigar a pensar, dentro da minha pele, como quero eu viver sem viver o que não quero. Opções. Querido trimestre, devo dizer que do ponto de vista financeiro foste uma desgraça, és quase uma Grécia infeliz no meu bolso ou conta bancária, não sei como daremos a volta, mas como damos sempre, creio que me irei ralar daqui a meia hora. Não me custa ter pouco dinheiro na conta, custa-me não conseguir fazer o preciso de fazer. E o que será isso? Talvez no próximo trimestre te possa dizer, até lá, fui.

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