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Divagações de praia 2

por Teresa Ribeiro, em 29.08.15

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O meu pai era um homem de hábitos. As suas rotinas eram cultivadas com cuidados de jardineiro e nem as férias lhe alteravam o seu modo de vida circular, feito de perpétuos regressos. De manhã, praia, à tarde mata, à noite a esplanada no centro da vila. Parava no mesmo café, de preferência sentado à mesma mesa, para ser atendido pelo empregado do costume e sempre, sempre na Caparica, a praia da sua vida, que conheceu eram os dois tão novos. Ele ainda com a barba mal semeada, ela também uma mocinha púbere, de beleza selvagem, com dunas a perder de vista e uma mata cerrada onde consta que os foragidos da cadeia da Trafaria se iam esconder para nunca mais serem vistos.

O seu conservadorismo extremo exasperava-me, o amor pela rotina confundia-me. Mas como tantas vezes acontece com os filhos, nem sequer tentava percebê-lo. Gostava de coleccionar tudo: moedas, selos, canetas, isqueiros, agendas, cinzeiros, búzios, caixas de fósforos, canivetes, porta-chaves, canecas, miniaturas de monumentos, postais. Sim, era um exagero. Aquele prazer em ter revelava um Tio Patinhas obcecado não por dinheiro, mas pelo acto de colectar em si mesmo. Como se tivesse medo que algo lhe fugisse, que as coisas lhe fugissem.

Infantilizou-me. Em vez de me emendar, esforçava-se para que eu perpetuasse os disparates que dizia em pequena. Fez o mesmo com os netos. Era uma forma de nos reter, de iludir a passagem do tempo para continuar a ter-nos como só se têm as crianças.

Quando eu viajava, sofria. E se o avião caísse? E se o mundo me tragasse? Não percebia a minha paixão por viagens. Dizia que para viajar bastava-lhe passar os olhos pela colecção de postais. Numa ocasião regressou mais cedo de uma viagem de serviço a Paris, que não conhecia, só porque estava de chuva e não tinha levado chapéu. Um excêntrico, o meu pai.

Tinha cinco anos quando o meteram num navio. Fez Luanda-Lisboa na companhia de uma estranha. Nesse tempo não se tentava explicar nada às crianças. Deixou para trás os pais, os irmãos e a terra onde nascera sem perceber o que se estava a passar. Havia uma razão plausível, mas não a conheceu em tempo útil.

Foi esta a sua viagem inaugural. Dos cafezais a perder de vista para um apartamento do bairro das colónias, em Lisboa. Só voltaria a ver os pais aos 18 anos e Angola muito mais tarde, já adulto. 

Nunca me falou, nunca falava disto, soube-o pela minha mãe. Há cinco anos, quando um avc lhe fez as malas e lhe deu uma guia de marcha para não mais voltar, na consulta da urgência, quando lhe perguntaram "onde mora?", respondeu: "No Uíge".

Faria este mês 87 anos.

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Divagações de praia

por Teresa Ribeiro, em 08.08.15

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Na infância o tempo, se formos a ver, é bem preenchido. Há muitas coisas, todas novas ou pelo menos não suficientemente velhas, que nos distraiem. Quando somos pequenos o vagar sente-se, mas não incomoda, ao passo que na adolescência, se os planetas não se alinham segundo as nossas expectativas pode ser uma tragédia quando sobra demasiado tempo para pensar.

Desperdicei-o tanto na adolescência. Eu agora tão ciosa dele e nessa época como eu o esbanjava, a sonhar acordada. Mão na mão de artistas de cinema, a treinar beijos fogosos na curva dos cotovelos, a esconder-me do mundo, amuada, quando um amor não me correspondia. Ao contrário dos dias intermináveis da infância, passados serenamente num andar de Lisboa sem vista para o Tejo, os da adolescência consumiam-me de impaciência. Queria tanto e tudo e tão depressa, que era um sofrimento ter de esperar daquela maneira pela vida.

Passei metade da adolescência nos cafés a armar, de SG Filtro nos dedos e bica escaldada  na mesa, a antecipar cenas de filmes que não vinham. Sitiada por miúdos borbulhentos que ainda se entretinham a fazer concursos de arrotos, ou gente demasiado adulta para me compreender, fui a princesa da torre, desdenhosa e chata - uma "desinfeliz", como dizia a minha mãe, só para me arreliar - até ao dia em que finalmente percebi que o tempo era um bem escasso.

Foi então que decidi. Da janela deitei a longa trança que entretecera durante esses anos perdidos de tertúlias parvas, planos fugazes, consumições gratuitas e foi por ela mesmo que desci. Descobri pouco depois que, não sendo uma estrada de tijolo amarelo, a realidade tinha a grande virtude de poder ser vivida e que afinal melhor que beijar Warren Beatty ou o não menos distante galã do meu bairro, era trocar de pastilha elástica com o Chico. Mas só eu sei o que andei para aí chegar!

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Rainha por um dia

por Ana Vidal, em 06.08.14

 

Hoje fui tomar um café à Vila, para espairecer e andar um bocado. Nesta altura do ano Sintra é dos turistas, um formigueiro deles a perguntar-nos tudo, a fotografar-nos à porta de casa como se nós, indígenas, fôssemos assim uma espécie de hobbits a sair dos nossos cogumelos com telhas. Mas uma destas, juro, nunca me tinha acontecido. No largo do palácio, entre mil outros turistas, vejo um casal com um filho adolescente, todos de ar ansioso e olhar fixo na escadaria da porta principal. Quando me aproximo, perguntam-me (num castelhano com sotaque) a que horas saem... os reis de Portugal! Ok, estão a brincar, claro... entro na onda e respondo, com o mesmo ar sério, que só aos sábados os reis saem à rua para cumprimentar os seus súbditos. Aproveito e pergunto de onde são: Manizales, Colômbia. Insistem, estão ali à espera para tirar "una foto con los reyes" para levar para casa e mostrar aos pais respectivos, a quem prometeram a façanha. De repente, perante os olhares desolados, percebo que estão a falar a sério. Explico-lhes que tenho imensa pena mas Portugal já não é uma monarquia há mais de um século. E é então que a mulher, mais espevitada e recusando render-se à evidência (temos sempre uma solução de recurso, nós...), pede-me que tire uma fotografia com eles como se fosse... a rainha. Olhem, não sei se me comoveu a delicadeza de não quererem decepcionar dois casais de velhotes lá na Colômbia, ou se me aterrorizou a ideia de represálias (sei lá se eles pertencem a algum cartel de Medellin), só sei que alinhei no disparate: fiz a minha melhor pose aristocrática - queixo levantado, um sorriso meio condescendente e uma mão magnânima sobre o ombro do rapazinho - e lá foram eles com o seu recuerdo real, todos contentes. Voltei para casa com um passo mais elegante, evitando a custo acenar aos passantes e pensando com os meus botões que Luísa de Gusmão tinha toda a razão: mais vale ser rainha por um dia que duquesa toda a vida.

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IPO

por Ana Vidal, em 19.07.13

Olho as pessoas à minha volta e sinto-me em casa. Desta vez não é por mim que franqueio o portão, não há hesitação ou angústia que me tolham os passos. Mas será sempre por mim que voltarei. Uma estranha nostalgia faz-me correr a revalidar o cartão, expirado há anos, que comprova a pertença e me dá a ilusão de uma garantia de segurança. De salvação. Quem por cá passa ou mora algum tempo sabe do que falo: fica-se íntimo, solidário, cúmplice de uma espécie de partilha desesperada que nos une para o resto da vida, valha esse prazo o que valer. Já quase não há caras familiares mas todas as caras são demasiado familiares. É meu pai o velho rabugento que mede forças com a cadeira de rodas, zangado com o mundo. É minha irmã a mulher magra, ainda coquette, que olha furtivamente em volta e ajeita a peruca loira, na esperança de que passe por cabelo verdadeiro. É minha filha a menina de olhar triste que brinca à sombra de uma árvore, lenço de cores berrantes amarrado a cobrir a ausência dos caracóis sedosos. Também eu já caminhei sem destino por estas ruas, sufocando nas entranhas um medo irracional. O maior pesadelo não é a dor física, é o terror. Também a mim já pareceram hostis estes muros, inóspitos estes bancos de jardim. Já fui aquela mulher que vejo agora no bar, agarrada à chávena de café como ao último e supremo prazer a que tem direito. Já me aturdi com a vozearia dos lamentos nas salas de espera. Para calá-los já fui bobo da corte, com graças estafadas para exorcizar fantasmas e arrancar sorrisos a quem se sente no corredor da morte, transido pelo medo e pela dor.  Já deixei lágrimas, suspiros e sorrisos nestes corredores, primeiro sombrios, depois esperançosos, finalmente libertadores. O tempo é sábio, esbate as mágoas e deixa-nos só as boas memórias. Foi aqui que aprendi a ler nas entrelinhas, a interpretar olhares mais do que palavras, a fintar as trevas, a saber esperar. Foi aqui que encontrei a maior condensação de humanidade que alguma vez me foi dado conhecer. Foi aqui que me questionei sobre o sentido da vida, o sentido da morte, e foi aqui que olhei ambas de frente. Estas paredes puseram-me à prova e revelaram-me o melhor de mim. Como posso sentir por elas alguma coisa que não seja gratidão?

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Something tweed

por Ivone Mendes da Silva, em 05.08.12

(A silly season é o que é não adianta. Com a maioria dos leitores a banhos e uma preguiça que me faz perder algum decorum que não me fazia mal nenhum, repristino um texto em que volto às frioleiras de roupas, sapatos e afins. É o último, prometo.)



 

Quando estava, há pouco, a pendurar um casaco no armário, dei por mim a meditar sobre a predominância de casacos de tweed sobre outras peças de vestuário. É bem certo que será melhor meditar, - e então se for em francês! - sobre a guerra, o mal e fim da história, mas cada um medita sobre o que tem no armário. Dei-me conta de que os casacos de tweed me têm acompanhado sempre, tanto na solenidade de alguns momentos como na pressa das manhãs dos dias úteis. Eu gosto de me vestir para as ocasiões por mais insignificante que a ocasião seja. Quem diz vestir, diz calçar: se não estiver com uma pressa desmesurada, passo por casa para trocar de sapatos antes de uma ida inadiável ao supermercado. Andar de saltos agulha entre as promoções dos iogurtes e a prateleira dos detergentes revela, além de mau-gosto, falta de juízo. Por razões práticas, claro, pois quem já empurrou um carrinho de compras em cima de uns saltos a sério, ao fim de um dia, sabe do que falo.

Voltemos, então, ao tweed que hoje se me afigurou como um símbolo, ou, se calhar, um talismã a que me agarro volta não volta.

Isto dos símbolos em matéria de vestuário também é engraçado. Quando casei pela primeira vez, decidi que queria um vestido de noiva curto. Na altura, não tinha ainda  a minha D. Anita, a minha costureira que, há  quase 30 anos, cose tudo aquilo que eu visto. Já se sentou, pacientemente,  no sofá a meu lado a ver um Hitchcock e a tirar apontamentos sobre um casaco que eu queria e, com a minha incapacidade para desenhar, não conseguia reproduzir no papel; já costurou um longo vestido de baile em veludo vermelho que usei num dos bailes de finalistas dos meus alunos e que guardo religiosamente na esperança de o deixar de herança  a neta que saia a mim. Ora bem e recapitulando, não foi fácil encontrar o vestido de noiva que eu queria, mas lá o desencantei, de cambraia e rendas, um ar antigo, com uma saia que dançava à volta dos joelhos e um decote generoso. Eu tinha vinte e poucos anos e vivia a glória de me sentir um desafio. A minha mãe reprovou o decote e uma das minhas tias veio, pressurosa, com dois alfinetes-de-ama minúsculos, prender qualquer coisa nos ombros de modo a reduzir o espaço visível do meu colo. Durante a cerimónia, parece que o noivo, muito alto, continuava, apesar dos propósitos impeditivos da minha tia, a ter uma vista privilegiada sobre o referido colo. Eu, em quem subsiste, malgré moi, uma certa forma de pensamento mágico, cumpri o que a tradição determina: something old, something new, something borrowed, something blue. Usei umas luvas antigas, um pulseira emprestada, um lacinho azul de cetim, discretamente algures, e tudo o resto era novo.

O vestido foi-se desfazendo nas peças de teatro da escola do meu filho, para que as amiguinhas dele, acrescentados os devidos acessórios, fizessem de princesa, de fada, de senhora, e acabou, por ponderosas razões que não vêm agora ao caso, num caixote do lixo.

O casamento, esse acabou na Conservatória de um Registo Civil. Ora é aí que surge um dilema de vestuário: que deve vestir a requerente num divórcio, tanto mais que teria de ir dali directamente para  uma representação protocolar? Bem, pois foi um casaco de tweed sobre a pele, pérolas, saia e meias pretas. Quando lá cheguei, a atencioso advogado que representava o requerente elogiou-me o aprumo, mas disse que o acto não carecia de tais requisitos na indumentária. Expliquei que, saída dali, iria ouvir a oração de sapiência de uma abertura solene de aulas. Penso que estive bem vestida, tanto de um lado como de outro.

Quando casei pela segunda vez, ainda pensei em tweed mas era Abril e o tempo começava a aquecer. Usei um discreto robe-manteu, azul, que combinava bem com o casaco muito Quartier Latin do noivoE, como há coisas que são o que são e não adianta, já que o vestido era azul e novo, usei uns brincos antigos e pensei que os cartões que tinha na carteira eram, no fundo, um empréstimo do banco e que cumpriam a requisito do something borrowed. Ah, e continuei a respeitar um conselho da minha avó: "Casem com homens bonitos porque compõem muito uma cerimónia de casamento."

O vestido não foi parar ao caixote do lixo. Além de poder ser usado em ocasiões diversas, as amigas do meu filho já não fazem teatro e, mesmo que o fizessem, nem sei bem que personagem conseguiriam ser dentro dele.

Quando me abeirei do segundo divórcio, entendi que não precisaria de me preocupar com a indumentária, pois nem a ocasião nem as circunstâncias estavam imbuídas de tanto pathos como as do primeiro acto mas, pelo sim pelo não, usei um casaco comprido de tweed e uma écharpe num encarnado profundo, um rosso veneziano, porque o requerente gosta de Tintoretto e eu achei que era um gesto simpático.

E uns brincos de pérolas porque, se muitas coisas mudam em mim, outras permanecem iguais.

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Prémio Europa Nostra 2012

por Leonor Barros, em 01.06.12

 

 

O restauro dos seis órgãos da magnífica e absolutamente única Basílica do Palácio Nacional de Mafra foi galardoado com o Prémio Europa Nostra 2012. Se o orgulho matasse já me tinha dado uma coisinha. Os meus Parabéns ao mestre organeiro Dinarte Machado, por tudo e pela humildade e simplicidade em pessoa. Há tão poucos assim.

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Subsídios para uma teoria do direito ao pessimismo

por Ivone Mendes da Silva, em 23.10.11

A minha linha de pensamento é a do pessimismo moderado. Eu diria, até, bastante moderado. Acontece que uma tremenda constipação, ou gripe ou qualquer coisa do género, vem sempre acentuar, com escuro e sombra, a minha weltanschauung.

A coisa torna-se tão complicada que, em adormecendo, é fatal sonhar com Böcklin. Estão a ver aquele quadro de Arnold Böcklin, A Ilha dos Mortos? (Tenho de aprender a colocar aqui imagens). Sonho sempre com esse quadro, em qualquer uma das suas versões. E sou eu quem vai embrulhada numa mortalha pelas águas do esquecimento a caminho da morte. Provavelmente, isto terá cura, bastará ir ao médico e perceber o que me atinge quando uma constipação me atinge. Eu acho os médicos excelentes companhias para se beber um café e conversar um pouco, agora visitá-los no exercício da sua profissão já é coisa que evito. São demasiado generosos: a pessoa chega lá com uma dor e eles, solícitos, descobrem logo mais umas quantas nas zonas adjacentes. Adiante. Ontem, fui assolada numa constipação galopante.

A meio da tarde, toca a campainha. Eram umas senhoras de uma religião qualquer. Na semana anterior tinham passado por cá a querer dar-me conta de todos os motivos que existem para a felicidade e para a esperança. Procuro sempre ser diplomática nestas questões. Disse-lhes que estava ocupada e que na próxima semana, talvez, as pudesse ouvir. Pontuais, voltaram ontem. Eu continuei ocupada, e ocupada por uma constipação que não me deixava espaço para teologias.

Final da tarde, supermercado. Precisava de fruta e queria passar pela livraria adjacente em demanda da tradução, numa edição bilingue, de poemas de Emily Dickinson feita por Jorge de Sena que já vira por lá. Pois é, só que até chegar onde pretendia, atravessei corredores e estantes cheios de livros cujos títulos queriam obrigar-me a ser optimista, a olhar a vida com olhos esperançosos, a despertar energias positivas e outras bizarrias do género.

Saio de lá e encontro uma amiga que, rapidamente, diagnostica que estou muito em baixo. Claro: eu, já no meu estado normal, não sou nada que se aproveite quanto mais de nariz fungante, olhos lacrimejantes e olheiras indisfarçáveis. Nem me deu tempo de lhe chamar a atenção para o meu estado clínico, de imediato, levantou voo numa prelecção sobre a importância do pensamento fofinho num mundo desumanizado, ou qualquer outra coisa dentro dessa linha, porque, a certa altura, deixei de a ouvir.

Consegui, finalmente, chegar junto dos dióspiros enquanto tentava encetar um raciocínio. Há uma agressão permanente, feita de forma pouco subtil, ao ser pessimista. No meu caso, enfim, há um pessimismo transitório. Um pessimismo que, quer parecer-me porque também não sei tudo a meu respeito, vive das circunstâncias, mormente da minha apetência pela exposição às correntes de ar porque o fresquinho sabe tão bem. Mas, e quem é intrinsecamente pessimista? Não terá direito à fruição da descrença e da amargura sem ser permanentemente questionado pelos teóricos do vamos-ser-todos-felizes, armados de frases feitas?

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Hóspedes

por Ivone Mendes da Silva, em 25.08.11

I don´t believe in metaphors.

I just allowed them

to keep trying

a tango with my words

to write blind steps

on my devoid floor.

 

I don't believe in metaphors,

but sometimes they stay,

well-known guests,

behaving

as the lady of the manor.

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Há dias assim...

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 07.03.10

... que terminam bem e nos deixam com uma sensação agradável, porque fizemos a aposta certa.

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Mãe Coragem

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 03.03.10

Mesmo estando de baixa há quase seis meses foi cumprir o seu dever cívico.

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Num café à beira da estrada...

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 25.02.10

Depois de ouvir  Paulo Rangel (e o seu mandatário Mário David) denegrir o nome de Portugal  no PE e depois da intervenção miserável de MFL, ontem, num almoço com a câmara de comércio luso- francesa, pergunto-me qual será a vantagem para o povo português de trocar o PS pelo PSD.
A pergunta ganha mais sentido quando falo com esta gente alentejana e estremenha, alheia ao que se vai passando na AR (com excepção da cena circense de uma t-shirt protagonizada por um tipo que gosta de escrever sobre palhaços). Para além dos problemas que vai sentindo no bolso e no estômago, o que preocupa esta gente não são as discussões sobre quem governa, mas sim se o modo como governa  lhes assegura um futuro melhor. 
Paro num café de estrada quando a noite começa a cair. Há rostos fixos no televisor, sorvendo as imagens da tragédia da Madeira. São rostos de desalento, onde está estampada a solidariedade com a dor dos madeirenses. Quando o pivot começa a falar do caso Face Oculta e das audições na AR, os homens  pedem cervejas e voltam a jogar às cartas. As  mulheres saem em debandada.  Sou agora o único atento ao televisor. Ouço alguém dizer atrás de mim. “Isto agora já só vai dar notícias para os gajos de Lisboa”.
Pois é…  a maioria dos “gajos de Lisboa” ainda não percebeu a origem e os interesses que se escondem por trás  dos  ataques ao PS e a Sócrates.
 

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Silêncios

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 19.02.10

Tanto barulho à volta de uma e tanto silêncio em torno de outra. Estou esclarecido. Há silêncios que dizem mais do que as palavras.

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Uma lição de vida

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 10.02.10

Ontem, numa dessas escolas da vida cujas portas se escancaram para quem quiser entrar, aprendi uma lição que não vou esquecer, porque sempre é melhor estar avisado para as surpresas  que podemos encontrar nas curvas apertadas que se nos deparam no caminho.
Resumindo, a lição foi esta:
Se, numa empresa, um teu colega se disfarçar de cliente e, sob a capa do anonimato, enviar uma  carta para o chefe e outros colegas a caluniar-te, isso é liberdade de expressão.

Se estiveres à conversa com um grupo de colegas, em tua casa ou à mesa do café e, com frontalidade, lhes disseres que não concordas com a estratégia  deles, isso é traição. Logo, a tua frontalidade deve ser alvo de crítica.
A gente aprende cada coisa na vida!
Na próxima semana vou a uma escola chinesa. Não vou lá para denegrir os portugueses. Espero, apenas, aprender lições sobre liberdade de expressão.
Até lá, fico com esta belíssima crónica de um Mestre. Com ele, sim, aprendi grandes lições de vida. Para ele, a democracia e a liberdade de informação nunca foram apenas um jogo de bastidores.

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Recordar é viver

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 05.02.10

Os jornais também servem para avivar a memória. Principalmente de uns quantos que a usam com filtro selectivo,  por onde apenas  passa a informação que o neurónio partidário  regista.
Noutro local onde a canalha anónima e heterónima, que à falta de argumentos recorre à difamação  e à calúnia, não entra  (não sou  tão magnânimo  como alguns companheiros do DO  e corto o pio  a quem  não se sabe comportar  e recorre sistematicamente à calúnia)  já aludira a dois dos casos que aqui são recordados. Esta crónica lembra mais uns quantos, sendo  a sua leitura especialmente  aconselhada a todos aqueles que reduzem a democracia e a liberdade de expressão a uma questiúncula futebolística.  Não creio que o seu comportamento mude, mas sempre lhes fará bem a leitura para perceberem como são ridículos.

Já agora, também podem ler o Vasco Pulido Valente


Adenda:  O maior erro de quem pretende manter o anonimato é utilizar, na escrita, frases que são a sua imagem de marca na oralidade. Outro,  é deixar vestígios que permitam seguir-lhe o rasto, até ser identificado.  

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Fábricas de estrelas

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 10.01.10

A propósito deste post da Ana, escrevi um comentário aludindo ao facto de muitas estrelas do mundo do desporto e do espectáculo terem sido sujeitas, pelos pais, a trabalhos forçados para atingirem o estrelato. Falei do caso específico do ténis feminino, onde abundam os exemplos  de pais tiranos que condicionam o futuro dos filhos em prol da sua própria vaidade. Poderia também ter feito referência aos regimes de Leste, onde o Estado fabricava estrelas – nomeadamente na ginástica, natação e atletismo.
Hoje, ao ler na “Pública” excertos da biografia deste homem, fui obrigado a reflectir sobre outras questões, que seriam pertinentes, não se desse o caso de vivermos numa sociedade onde a ideia de lucro parece tudo justificar.

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Ternura é...(10)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 05.01.10

Viver na capital de um país onde a estação dos correios do nosso bairro funciona das 9 às 18 e encerra das 12.30 às 14.30 para almoço. Deve dar imenso jeito aos reformados.

Para quem trabalha e precisa de levantar uma encomenda registada é dispensável.

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Prémios Escorpião de Ouro

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 30.12.09

Cumprindo uma tradição, que remonta a 2007, foram hoje divugados os Prémos Escorpião de Ouro.

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A verdadeira "silly season" (revisited)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 22.12.09
 
Detesto o mês de Dezembro. Dias curtos, frios e chuvosos significam, para mim, a antítese da felicidade. Diria mesmo, a antítese da Vida...
Depois há aquela euforia da época natalícia, quando rostos com esforçados sorrisos de plástico transportam sacos a abarrotar de prendas, num frenesim patético. E há as "Festas" que tantas vezes me fazem lembrar o palhaço que procura enganar a tristeza que lhe vai na alma, com uma piada que faça sorrir uma criança.
(Continuar a ler aqui)

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Espionagem política

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 14.12.09

Creio que alguém, no governo, anda a ler  e a pôr em prática as minhas propostas. Ontem, li na imprensa que o governo vai lançar este programa, que já propusera aqui em Março.

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Noite das Bruxas

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 13.11.09

Ontem, foi a noite dos Delinquentes, como a Teresa já lembrou ali em baixo. Hoje, bem lá no Norte de Portugal, será a "Noite das Bruxas". O Delito estará presente.

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Olha que giro!

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 10.11.09

«No entanto, se era uma ditadura do proletariado,
"não era tudo preto ou branco".
Eu era feliz, e não quero esquecer
esses 35 anos da minha vida»


Estas palavras não foram proferidas por um agente da Stasi.Saíram da boca  da chanceler alemã Angela Merkel, que viveu na RDA de 1954 a 1989. ( Obrigado ao Vítor Dias,Tempo das Cerejas, por me ter lembrado).

Depois de ler tantas opiniões, tantas reportagens,  tantos posts  sobre o Muro de Berlim e constatar que a maioria das pessoas só consegue analisar as coisas, do lado de cá, estas palavras da chanceler alemã foram um autêntico bálsamo para os meus ouvidos.
Aprendi, em pequenino, que se o Criador nos deu dois olhos, foi para nos permitir ver tudo em duas perspectivas. Já adolescente, estudante de Direito, aprendi a descobrir o lado bom dos criminosos e o lado mau das suas vítimas. Uma das primeiras coisas que aprendi no jornalismo, foi que a notícia tem sempre duas faces. Infelizmente são princípios que se perderam ao longo do tempo, especialmente quando a informação passou a ver o mundo, apenas pelos olhos do ocidente.
O que ontem escrevi nas Crónicas do Rochedo e no Delito de Opinião, não era uma provocação.Pretendia, apenas, chamar a atenção para o perigo de ver o mundo apenas de um lado.  Há quatro pontos cardeais, cada um deles tem a sua razão de existir. O arco íris tem sete cores, não apenas uma. E se os períodos de 24 horas se dividem entre noite e dia, nem todos os dias está sol, nem todas as noites o céu está estrelado. Foi essa reflexão, e esse alerta  que quis deixar ontem.Porque o pensamento único e politicamente correcto, que nos querem impôr, francamente chateia-me!

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As aparências (às vezes) iludem...

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 09.11.09

Uma velhinha estava parada no passeio, junto à rua, aparentando dificuldade em atravessar. Um jovem que passava viu a oportunidade de praticar uma boa acção. Abeirou-se dela  e disse:
- Eu ajudo-a a atravessar, venha comigo!
- Não, não se incomode…
- Não custa nada, venha lá comigo…
A senhora deixou-se levar.  Quando chegaram ao outro lado da rua, o jovem perguntou:
- Quer que a leve a algum sítio?
- Não, eu só estou à espera que o meu filho me venha buscar.
- E onde é que o seu filho a vem buscar?
- Ao pé da farmácia, do outro lado da rua…


(Moral da história: nem sempre a prática de uma boa acção permite alcançar os resultados desejados)

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Direito ao bom nome

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 22.10.09

Estas restrições onomásticas, num mundo globalizado, não fazem qualquer sentido.
Quando a criança tiver seis anos e começar a frequentar o Twitter e o Facebook, vai escolher o nome que lhe apetecer, para quê tanta embirração com estes pormenores? Ainda por cima, quando ninguém pode assegurar que o Diogo, atingindo a idade adulta, não opte por se chamar Marlene.

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La mala educación *

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 22.10.09

Nesse mundo da sotaina  onde, a par de gente sem mácula, se movem pedófilos, criminosos, delatores e agiotas, tenho dois bons velhos amigos que frequentemente lamentam a perda de vocações. Ambos são figuras públicas e um deles foi meu professor de Filosofia. Tendo em consideração a idade e as dúvidas que me assaltavam nessa época, as conversas que com ele tinha ajudaram-me a fazer opções.  Extraí, com a sua ajuda, uma preciosa lição: é perfeitamente possível estar  do lado de Deus sem  estar ao lado da Igreja. O que não é possível é estar do lado de Deus sendo intolerante.
No dia em que Saramago fez aquelas declarações sobre  a Bíblia e assisti às primeiras reacções, lembrei-me desses meus amigos. Pouco depois, lia as reacções ponderadas de um deles num jornal, contrastando com um coro de vozes de batina que se indignavam, ao lado de vozes civis mas pouco civilizadas, como  Mário David.
Telefonei ao meu ex-professor de Filosofia a perguntar-lhe a opinião. Depois de me dizer que já tinha recusado fazer qualquer declaração sobre o assunto, a meia dúzia de jornalistas que o interpelaram, justificou o seu silêncio prenunciando o que se ia seguir. Manifestou o seu desejo de ver a Igreja a pôr água na fervura e lembrou-me uma reportagem que fiz em Macau (e na altura lhe enviei), quando “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” despertou a ira indignada de alguns católicos conservadores.
“Vais ver que agora se vai passar o mesmo. A comunicação social vai empolar o assunto, alguns sectores católicos mais conservadores vão reagir de forma  desabrida  e fazer o jogo de Saramago, ajudando-o a vender livros. Essa gente  em vez de ajudar a difundir a Fé, complica. Seria bem melhor se estivessem calados e não dessem importância ”. 
Esta é a forma de pensar deste meu amigo que, ao contrário de alguns fervorosos crentes, até reconhece aos ateus o direito de serem humanos. Talvez por isso ele seja respeitado e a comunicação social goste de ouvir as suas opiniões.

 

* Título de um filme de Pedro Almodóvar, que me pareceu apropriado

 

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Deixem os pássaros voar. E as tartarugas?

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 19.10.09

A minha infância teria sido bem diferente se não tivesse a casa cheia de cães e outros animais. Gostava de ter tido pássaros, mas os meus pais sempre me disseram que prender uma ave numa gaiola era criminoso. Depois de muita insistência, acabaram por me oferecer duas tartarugas. Nunca percebi se os meus pais queriam que eu estabelecesse qualquer relação entre os pássaros e as tartarugas. Da mesma forma que não percebo a razão de faltar uma pequena alínea à lei que estabelece novas regras para os animais do circo.  

 

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Metafísica de Metro

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 13.10.09

Desde a  abertura da estação Saldanha II, ligando as linhas vermelha e amarela, que ando angustiado.  A culpa é daquele  Almada Negreiros mutilado, suspenso nas paredes, que diariamente me desafia  e interroga.
Agradeço os vossos contributos  para a solução desta questão metafísica.
 

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Anúncios de Outono (1)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 07.10.09

 

Chegaram as castanhas.

Na semana passada, ainda vendia gelados. Ontem apareceu, no seu poiso habitual do Saldanha, a vender castanhas.
Como ainda não está frio para comer castanhas e já não está calor que convide àqueles gelados , os clientes têm sido poucos.
As temperaturas elevadas que se anunciam para este mês de Outubro são um aviso para os vendedores ambulantes que vendem produtos sazonais. Têm que repensar a sua oferta. É preciso encontrar um produto meia estação que alicie os fregueses. Há sugestões por aí?

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O lado positivo da gripe A

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 06.10.09

Há males que vêm por bem. A gripe A fez cair o turismo em todo o mundo, afectando  principalmente os países onde o turismo é a principal indústria (sim, indústria.) Mas é preciso ver o lado bom da coisa. Graças à gripe A foi possível reduzir  a poluição, pois  o turismo é uma das actividades mais poluidoras do planeta.

Além disso, andar nos transportes públicos pode ser menos penoso...

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Maldito mês de Agosto

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 30.09.09

Este ano foram as escutas. No ano passado foi a interdição do espaço aéreo à volta da casa do Algarve. O mês de Agosto exacerba os medos do PR em relação à sua segurança?

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TROCO...

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 24.09.09

Porsche em bom estado.

Motivo: consome demais e anda de menos, deixando-se ultrapassar por uma bicicleta e por um comboio que pára em todas as estações, numa corrida entre o Campo Grande e o Rossio.
Aceita-se, em troca, um lugar sentado vitalício numa carruagem de metro. Válido em qualquer hora do dia e em todas as linhas.
A senhora não está incluída.

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Hoje lembrei-me disto...

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 14.09.09

Quando estava nos Estados Unidos, tive um professor que um dia deu um exemplo que me tem servido para a vida. Dizia o professor Lehman:
“Se um dia estiverem indecisos na escolha de um candidato para um lugar de direcção, perguntem-lhe o que faria se ocupasse esse lugar. Se ele disser que apagava tudo o que o antecessor  tinha feito, para começar  tudo de novo, livrem-se dele. Uma pessoa que não sabe aproveitar nada do que está feito, é um idiota”.

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Não o deixaram sonhar

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 11.09.09

Gostava de saber onde anda este André e qual é a sua opinião sobre a política e os partidos.

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Porquê 7, Gabriele?

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 07.09.09

 

 

 

Gabriele Pauli (na foto) é uma política alemã  do CSU - partido social-cristão da Baviera -, que ousou propôr a revisão dos contratos de casamento ao fim de sete anos e que estes se considerem caducados caso os intervenientes não manifestem interesse na sua renovação. Embora isto se passe na Alemanha, um país de ideias avançadas, não faltou quem, de imediato, a aconselhasse a consultar um psiquiatra. Estes alemães, quando se trata de tocar nas instituições não têm "fair play" e reagem logo com medidas drásticas, na tentativa de cortar o mal pela raiz...
Devo dizer que, para além de considerar inexequível esta medida em Portugal, não estou de acordo com a proposta, mas por razões diferentes.
Porquê 7 anos? Os contratos de garantia dos produtos não vão além de dois. A garantia de uma casa com defeitos de construção não ultrapassa os 10. Nos serviços (onde julgo que o contrato de casamento se deve inserir, dadas as suas características e objectivos), os contratos renovam-se anualmente. Então porquê 7? Por ser um número mítico? Está bem, mas o 3 ainda encerra mais exoterismo e é um prazo que eu considero pouco razoável para a duração de um contrato de casamento. Os contratos são para se rasgar como no futebol! Quando um jogador se liga contratualmente a um clube, jurando amor e fidelidade por 4 anos, quer isso dizer que vai manter o contrato por esse período? Claro que não... Basta um clube vizinho oferecer mais dinheiro e uma indemnização e logo o jogador se transfere, afirmando que o novo clube sempre foi o amor da sua vida. Quanto melhor for o jogador, mais amores tem e mais juras de fidelidade quebra, aumentando o seu pecúlio e o do clube de quem se desliga.
Não vejo por isso qualquer inconveniente em que se apliquem as mesmas regras aos contratos de casamento!
Além do mais, não vejo qualquer justificação para termos em Portugal essa preocupação de respeitar contratos. Veja-se, por exemplo, o caso dos funcionários públicos... Assinaram um contrato com o Estado em que se comprometiam a trabalhar durante 36 anos e, ao fim desse tempo, poderiam ir para casa e receber uma reforma. O actual governo considerou que havia cláusulas que não podia respeitar e, como qualquer bom patrão, disse “aqui mando eu, e os funcionários públicos ficam a trabalhar enquanto eu quiser e não há mais conversas”. É claro que havia alguns funcionários que estavam a um ou dois anos de cumprir o contrato e ficaram a chuchar no dedo, mas a verdade é que toda a gente achou muito bem e aplaudiu a decisão, porque considerou que um dos consortes (o funcionário público) é um canastrão e por isso deve ficar sujeito às regras que lhe são impostas pelo outro, que é sempre considerado como “pessoa de bem”. Não sei bem o que isto significa, mas penso que deve querer dizer que, se o Estado obrigar os funcionários públicos a trabalhar até à morte, como no tempo das galés, tem toda a legitimidade em fazê-lo.
Tudo isto para dizer que, sendo Portugal um país com características peculiares, onde os batoteiros abundam, o contrato de casamento tem que se adaptar a essas características.
Creio que a proposta mais justa e adequada deve apontar no sentido de o contrato de casamento ser vitalício, mas com uma “nuance”. O homem poderá a qualquer momento rescindir o contrato, caso a mulher deixe de lhe agradar por razões que não estará obrigado a especificar. A mulher pode igualmente rescindir o contrato a qualquer momento, desde que o marido autorize e esteja de acordo. À guisa de exemplo, é uma espécie de contrato como o que os comuns dos mortais fazem com os bancos e as seguradoras...
Sete anos de contrato de casamento? Francamente, isso só poderia ter saído mesmo da cabeça de uma alemã a precisar de tratamento psiquiátrico!

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É bonita a Festa, pá!

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 04.09.09

Fui  à  primeira Festa do “Avante”, em 1976,  com um grupo de amigos. Entre eles estava um dirigente do CDS que não se cansou de tecer elogios  à organização da Festa, à capacidade de mobilização dos comunistas e ao seu espírito solidário. Eu sei que os anos 70 eram outros tempos. As pessoas  ainda não se tinham enquistado nos seus redutos partidários, a política não se resumia a discussões patetas e patéticas que fazem lembrar as conversas  sobre futebol, os valores eram outros e os dirigentes políticos tinham outra qualidade e abertura. Não era a sua discordância com o Partido Comunista, que os impedia de ir até lá, usufruir e apreciar o ambiente que por lá se respirava.
Trinta anos depois, a Festa do “Avante” continua fiel ao seu espírito  e, goste-se ou não, é  uma festa incontornável no calendário de festividades lusas, sendo injusto reduzi-la à expressão de festa partidária. É certo que já teve melhores dias e agora já não é o palco privilegiado para ver e ouvir grandes nomes da música internacional, mas uma visita à Atalaia, num fim de semana quente como o que se anuncia, nunca será tempo perdido. Por lá vão passar vozes do fado como Aldina Duarte e Teresa Salgueiro, mas também David Fonseca, Maria João e Mário Laginha, ou as bandas Blind Zero e Peste & Sida.
Não perderei, certamente, a oportunidade de ver e ouvir as “Voces del Sur”, sem medo de ser “contagiado pela propaganda comunista”. Não poderei, no entanto, estar lá muito tempo, porque serei,  durante este fim de semana, o anfitrião desta FESTA do Blogobairro, para a qual estão desde já todos convidados.
 

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Não sei porquê, lembrei-me disto

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 03.09.09

"Quando a massa actua por si mesma, só o faz de um modo, porque não tem outro: lincha".

(Ortega y Gassett in "A Rebelião das Massas")

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Férias na Jamaica

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 25.08.09

 

 

- Então que tal as tuas férias na Jamaica?
- Ai, querida, foram óptimas! Uma semana fantástica, longe daqui, desta pasmaceira
- Não apanhaste o tufão?
- Oh querida, ali não há tufões! Só furacões como nos Estados Unidos!
- Está bem, mas não estavas na Jamaica quando passou lá um furacão?
- Estava, estava. O Dean por acaso foi um bocado chato...
- ?....
- Imagina tu que no dia a seguir a lá chegarmos estávamos cansados da viagem e só estivemos para aí meia hora na piscina. Depois, no dia seguinte, estava um dia óptimo e tomámos uns banhos que nem imaginas (ai aquelas águas!) que maravilha. E à noite o “reggae”? Oh querida só visto! Aquilo é Bob Marleys por toda a parte...
- Não estás muito queimada, acho que andaste mais nas noites do “reggae” do que a gozar a praia.
- Pois... logo no terceiro dia disseram-nos que vinha um furacão e já nem pudemos ir à praia porque nos avisaram que a qualquer momento nos iam transportar para um hotel mais seguro. Só deu mesmo para comprar umas bugigangas numas tendinhas ao pé do hotel, porque à tarde levaram-nos para outro. Fantástico, minha querida, nem te passa pela cabeça aquela loucura. Só piscinas eram quatro e restaurantes contei pelo menos sete.
- Bem, pelo menos gozaste as piscinas, deixa lá...
- Não... não pudemos ir à piscina por causa do tempo. Estivemos dois dias quase sem sair do quarto e no dia em que o Dean passou por lá só comemos umas rações que os hotéis lá já estão habituados a preparar para os turistas em dias assim. No dia seguinte voltámos de manhã para o nosso hotel, mas o tempo ainda estava muito mau e o hotel tinha ficado muito afectado. E ao fim da tarde do outro dia viemos embora. Olha lá e tu onde passaste as férias ?
- Bem, eu não saí de Lisboa. Fui um dia ou outro com os miúdos até à praia, mas esteve sempre bastante vento...
- Ó querida, coitada! Ficar em Lisboa de férias com este tempo horrível que tem estado. Não consegues convencer o teu marido a oferecer-te umas férias decentes, num país com bom tempo e praias maravilhosas?

- Num país com esse tempo maravilhoso como estava na Jamaica, é?

 

( Em jeito de homenagem à fabulosa prestação dos jamaicanos nos Mundiais de Atletismo e a todos os que, como eu, ficaram por Lisboa em Agosto. Post repescado daqui)

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Volta a Portugal em bicicleta

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 07.08.09

Cândido Barbosa conquistou a camisola amarela na 1ª etapa da Volta a Portugal, mas perdeu-a logo no dia seguinte.

Disse-me uma joaninha que não foi por demérito do ciclista. Acontece é que, depois de dar várias entrevistas às televisões, recebeu um SMS da ERC lembrando que, sendo candidato em lugar elegível, pelo PSD, à Câmara de Paredes, estava abrangido pela directiva da entidade reguladora, que impede a participação dos candidatos em programas que lhe possam dar notoriedade.

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(Sittin' on) The Dock of the Bay

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 16.07.09

“Sittin' in the mornin' sun
I'll be sittin' when the evenin' come
Watching the ships roll in
And then I watch 'em roll away again…”
(Otis Redding, 1967)

 

 

Estou sentado no meu Rochedo, desfrutando desta magnífica paisagem de mar imenso que o Guincho oferece. Já peguei em vários  jornais e revistas de leituras atrasadas. As notícias provocam-me um ligeiro frémito. Rejeito–as com um esgar de enfado. Sinto algum desconforto. Olho outra vez o mar à minha frente. Penso no país de maravilhosas paisagens que está nas minhas costas. O sempiterno Gerês. O Douro beijando as margens do meu amado Porto onde nasci, espreguiçando-se em direcção à Foz, depois de um percurso que o trouxe das profundezas de  Sória, atravessando a agreste paisagem transmontana. Recordo as  paisagens suaves da planície alentejana.  Dou um mergulho no Vale do Tejo. Imagino a costa oeste, nublada e ventosa,  oferecendo-se, luminosa,  à câmara de Nick Knight.  Hesito entre desfrutar o momento presente e o regresso a dias atrás.
Um chiar de travões desperta a minha atenção. Um táxi acaba de evitar, “in extremis”, um atropelamento em cima de uma passadeira. Esta manhã, quando saí de casa para gastar quase 50 euros em notícias que só me trazem desânimo, desgosto, revolta, quase fui atropelado. Atravessei a passadeira com o sinal verde, depois de dois carros terem desrespeitado o sinal encarnado que os mandava parar. Não sabia, mas ainda havia um terceiro  transgressor. Um taxista. Provavelmente daqueles que exibem no vidro traseiro auto-colantes do Correio da Manhã e se alinham em manifestações contra o governo gritando “slogans” de estiva.

Mas neste país não vivem apenas taxistas trogloditas e  transgressores. Há também camionistas e condutores tresloucados. E empresários gananciosos, trabalhadores desmotivados, classes sócio-profissionais eivadas de corporativismo, olhando apenas para o seu umbigo, juízes que trocam a sua função pelo calor dos holofotes, políticos que se julgam deuses infalíveis e outros que se apresentam como salvadores, brigadas anti-aborto, gente indignada com as coligações à esquerda e vice-versa, e uma comunicação social que se demitiu do seu papel.
Portugal é um país maravilhoso mas, por algum desígnio sobrenatural, foi escolhido para residência da Besta. É a Besta que nos governa (pelo menos  desde o tempo do Estado Novo), que põe e dispõe, adormecendo-nos com uma parafernália de bens de consumo com que nos entretemos, na ilusão de que decidimos os nossos destinos.

Admirados com um ministro a fazer corninhos no Parlamento? É talvez a encarnação da Besta, o Sebastião que todos aguardamos, sentados, e abúlicos, à espera que o milagre aconteça. No fundo, os portugueses gostam da Besta e vivem com ela no coração. Por isso olham com nostalgia para o Estado Novo e lamentam o que perderam com a democracia. Os portugueses gostam de “sol na eira e chuva no nabal”, mas isso não é possível, porque a Besta não faz milagres….
Volto a pegar nos jornais. Leio agora que um jardim qualquer quer a Constituição a proibir o comunismo. Desde quando é que os jardins falam? São certamente jardins de papoilas... mas é preciso ter cuidado com os alucinogéneos, por causa dos contágios. Ou será que este país é mesmo um conto de fadas?
Rejeito mais uma vez os jornais  e pego num livro de Chatwin. Tal como ele, pergunto-me “O que faço aqui”?
A brisa serena leva-me até paragens distantes, no hemisfério sul, onde me aguarda o descanso final, junto ao Parque Nacional de Los Alerces, em convívio com as lendas de Butch Cassidy. Encarno a personagem de José Mauro de Vasconcellos em  “Meu Pé de Laranja Lima”. Aí reside a minha esperança. Um dia destes, recebem um post meu a dizer: “Adeus, vou para a Patagónia”. Chatwin fez isso e não se deu mal…
Chegou o momento de regressar à vida de Méthèque.

 

Nota: este post foi escrito (quase) em estereofonia com o Rochedo.

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Pergunto ao vento que passa...

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 15.07.09

Estive fora de Portugal mais de três semanas. Durante 24 dias procurei não ler jornais, não ver televisão, não ligar a Internet, nem saber notícias de Portugal. Durante a primeira semana, na Suécia, o meu distanciamento foi tão grande que nem me apercebi que lá  estava a decorrer um Europeu de futebol de sub-21. A única notícia a que não consegui escapar foi a realização da Volvo Race, já que se realizava bem no coração de Estocolmo.
No dia em que cheguei a Copenhague, enquanto esperava que o semáforo me deixasse atravessar a Hans Christian Andersen, vi no placard luminoso do Politiken a notícia da morte de Michael Jackson. Ou melhor: deduzi, pelo que li em dinamarquês (bastante parecido com o sueco – de que ainda guardo algumas reminiscências) que provavelmente Michael Jackson teria morrido nessa manhã. Confirmei que não estava enganado quando, depois do jantar, tentei atravessar a praça principal de Copenhague e uma multidão compacta cantava e dançava ao ritmo de músicas do autor de “Thriller”.
Nunca fui admirador de MJ. Irritam-me os tipos que se metem em banhos de lixívia para ficarem mais brancos… De qualquer modo fiquei curioso e, quando cheguei ao hotel, liguei a BBC. Ao fim de 10 minutos já estava cansado de notícias especulativas e mudei  para a CNN, onde também só se falava de MJ. Desliguei e fui dormir.
No entanto, a partir daquele dia, sempre que chegava ao hotel, ligava a televisão. Foi assim que fiquei a saber do golpe nas Honduras (sobre o qual a CNN fez uma excelente cobertura) e, dois dias depois, decidi ir à internet para ver o que os blogs portugueses diziam sobre o assunto. Curiosamente, o assunto parece não ter merecido comentários por cá. Contrastando com a preocupação de uma possível fraude eleitoral no Irão, o golpe das Honduras que derrubou um presidente democraticamente eleito não mereceu uma única linha da maioria dos blogs que costumo ler. Pensei que a notícia nem tivesse chegado a Portugal mas, quando consultei os jornais on line, lá consegui ler umas pequenas notícias.
Estar distante de Portugal permite-nos fazer melhor algumas comparações entre a nossa imprensa e a imprensa estrangeira. Bastava ler os jornais espanhóis, franceses e ingleses para perceber a diferença de tratamento que era dada à golpada, com o inevitável apoio da Igreja Católica local que, na América Latina, está sempre do lado dos bandidos e dos que desprezam os pobres ou as vítimas de ditadores sanguinários.
Adiante…
Sobre Portugal, apenas soube três notícias em 24 dias. Duas sobre Cristiano Ronaldo e uma sobre um ministro que terá ofendido o Parlamento, exibindo uns inapropriados chifrinhos que terão irritado até o Presidente da República, sempre tão compreensivo e condescendente com os dislates de Alberto João Jardim.
Durante a cimeira dos G-8, ainda pensei que o meu orgulho nacional seria despertado com as múltiplas referências ao nosso Eusébio da política, o subserviente Durão Barroso. Oh, tristeza! Oh, injustiça! Oh, ignomínia! Não é que nem a BBC, nem a CNN, nem a Sky News fizeram uma única referência a Durão Barroso?
O panorama melhorou um bocadinho quando cheguei a Espanha. Cristiano Ronaldo a toda a hora, em todos os noticiários e nas primeiras capas dos jornais. Presumo que por cá os nossos canais televisivos também tenham gasto horas em “prime time” com CR9 – e eventualmente com MJ - e não tenham poupado loas ao importante papel desempenhado por Durão Barroso na cimeira do G-8.
Voltei a dar uma espreitadela a alguns blogs. O panorama do país parece não se ter alterado muito durante estes 24 dias. Despertou-me, porém, especial atenção a nova postura ambientalista de MFL, que finalmente aderiu à política dos 3R. No entanto, em vez de Reduzir, Reutilizar, Reciclar, parece que o lema de MFL é Rasgar, Repudiar, Romper. Vou pensar no assunto…
Hoje, quando vi os telejornais, pensei que tinha passado apenas uma noite fora do país: Constâncio na AR, o caso Freeport, os 70 anos de Cavaco, as ameaças de Alegre, Costa e Lopes na corrida a Lisboa, a dupla candidatura de Elisa Ferreira e Ana Gomes e, novidade, o ar humilérrimo de Sócrates.
Bem, ainda não li jornais, mas já ali estão à minha espera. Pode ser que tenha alguma surpresa. Amanhã eu conto. 

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À conversa com Saramago

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 15.06.09

Há dias estive, com mais onze jornalistas de vários países europeus, à conversa com Saramago na sede da sua Fundação. Foi uma conversa deveras interessante, que me permitiu confirmar aquilo que vinha pensando há muito tempo. Embora continue a discordar de algumas posições de Saramago, identifico-me cada vez mais com a análise que faz sobre o mundo em geral e as questões sociais em particular. Contrariando a opinião de muitos, as suas ideias  não são correntes de transmissão do Partido Comunista.  São opiniões de um homem de cultura, que conhece bem o mundo  e tem o privilégio de o interpretar com base em valores que hoje estão esquecidos, mas serviram de base à ascensão de muitos líderes que hoje governam a Europa. 
Falou-se sobre muita coisa. De literatura, jornalismo, cultura, política, relações humanas, globalização e, claro, de  Berlusconi… e da Europa.
A determinada altura, Saramago fez uma afirmação em jeito de pergunta:
- Que se pode esperar de uma Europa constituída por países como a República Checa, que rejeitam os princípios da União Europeia?
Curiosamente, nessa manhã, tinha recebido por mail um vídeo (que a minha incompetência blogueira não permite colocar aqui) onde se vê o PM checo a agredir um ministro,  a quem acusou de ser responsável pela derrota eleitoral.
O ministro levantou-se e fez menção de abandonar a sala mas, antes de chegar à porta, voltou atrás, aproximou-se do microfone e chamou cobarde ao PM, envolvendo-se de seguida os dois numa cena de pugilato.
A cena passou-se durante uma conferência de imprensa, despertando a ávida cobiça dos repórteres de imagem.
Exemplos destes são tão desprestigiantes para a Europa como as orgias organizadas por Berlusconi. Bem vistas as coisas (dada a idade de algumas das jovens), as festas do novo “Duce”  são ainda mais degradantes do que a cena de pugilato entre dois membros do governo.
Alguém perguntou a Saramago como explicava que os italianos continuassem a votar em Berlusconi. A resposta pareceu-me óbvia: metade dos italianos vive à custa do império empresarial de Berlusconi e a outra metade aspira  ser como ele.
No fundo - como escrevi há uns tempos - é também isso que se passa em Portugal e um pouco por toda a Europa. Uma crise de valores  de uma geração que se traiu a ela própria e aos seus descendentes, como explico aqui .

 

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A Leste, nada de novo...

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 27.05.09

O caso Alexandra, que abordei aqui e aqui, tem-me apaixonado pelas diferentes componentes que o envolve e não se esgotam na  vertente humana - sem dúvida a de maiores consequências para os envolvidos, mas com pouca relevância no foro jurídico.
As decisões contraditórias dos juízes de Barcelos e Guimarães evidenciam uma vez mais que a justiça portuguesa é uma roleta russa onde a vida dos cidadãos é decidida de acordo com o juiz que lhe cai em sorte.
Como dizia ontem uma amiga advogada, à maioria dos juízes apenas interessa o aspecto processual, ignorando outras vertentes que mereceriam análise.
O tratamento jornalístico do caso em Portugal e na Rússia também me suscita especial atenção. Penso estamos perante um caso que irá permitir uma análise ainda mais rica do que o caso Maddie, em que a manipulação noticiosa da imprensa britânica era demasiado visível. Será também uma boa oportunidade para perceber em que nível está a liberdade de imprensa na Rússia
Temos, depois, a análise do comportamento social e cívico. Os imigrantes russos podiam ter ficado calados, mas decidiram sair em defesa da família portuguesa e ponderam organizar uma manifestação para o demonstrar aos portugueses, mas também às autoridades russas. De registar, para memória futura.
Finalmente, temos a vertente política. Se já havia sinais de que o caso Alexandra se poderia transformar num caso político, a recusa do visto à família portuguesa, para participar no programa de televisão onde se ia encontrar com Alexandra, vem retirar quaisquer dúvidas.
A partir de agora, o caso joga-se em mais um tabuleiro e convém estar atento ao desenvolvimento das jogadas.
Adivinho, a breve prazo, a abertura de uma outra frente. Na cabeça de alguns guionistas (atenção, Moita Flores!) já anda certamente a bailar a hipótese de fazer um filme ou uma novela sobre o assunto. Em breve, aparecerá um livro (pelo menos) onde toda a história será relatada.
Alguma imprensa irá explorar o assunto à exaustão. Tal como Maddie, também Alexandra irá permitir a alguns a obtenção de bons lucros. Esperemos é que as histórias que surjam sejam bem contadas.
Entretanto, é bom não esquecer, estamos a cinco dias do Dia Mundial da Criança. Espero que este caso seja lembrado nessa data. Como caso exemplar de violação dos seus direitos.

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Vampiros - 2

por João Carvalho, em 17.05.09

Sobre o post abaixo, acho que o Carlos Barbosa de Oliveira discorre com seriedade. Acontece, porém, que Lopes da Mota, se bem percebi as notícias mais recentes, já deu uma inesperada resposta a uma pergunta que creio que ninguém lhe fez: afinal, invocou os nomes de José Sócrates e Alberto Costa. Indevidamente, conforme disse.
Aumentaram as suspeitas sobre o papel do magistrado que preside ao Eurojust nesta história ainda tão mal contada? É evidente que aumentaram. Com a agravante de permitir mais um chorrilho de interpretações, especulativas ou não. E as impressões pessoais de Ana Gomes sobre Lopes da Mota não vêm ao caso — só me espanta que ela misture a toda esta lamentável história aquele costume popularucho tipo "é bom rapaz".

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Vampiros

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 17.05.09

Este post da Ana Gomes é de leitura obrigatória. Essencial para perceber a utilidade e as funções de alguns conselheiros de imprensa que, como borboletas saltitantes, alternam  entre a profissão de jornalistas e de bufos, na volatilidade dos minutos. Também já fui alvo da cobardia de alguns  bufos e sei o que isso custa.

Mas a leitura do post também ajuda a perceber a minha posição face ao caso Lopes da Mota. 

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A lição de Van Gogh

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 06.05.09

 

Uma das coisas que aprendi nos meus primeiros tempos de jornalista foi que devia sempre desconfiar da verdade, mesmo quando ela parecia evidente. Não é que isso fosse novidade para mim. Sempre fui céptico em relação à verdade e sempre tentei testá-la. Por mais evidente que uma coisa me parecesse, procurava encontrar outra explicação que me parecesse menos evidente. Creio que essa postura se deve ao facto de ter começado, muito miúdo, a ler os grandes mestres  dos livros policiais.
Quando escrevo nos blogues não estou preocupado com as regras do jornalismo, como é óbvio, mas de vez em quando procuro analisar determinados assuntos pela perspectiva menos consensual. Como fiz ontem, neste post.
Nem de propósito, hoje leio no DN uma notícia sobre Van Gogh que demonstra que as verdades absolutas podem não ser assim tão definitivas.
Sempre me fez alguma espécie que Van Gogh – mesmo a caminho da loucura - se tivesse auto-mutilado e fosse  entregar a sua orelha a uma prostituta. Com que propósito o faria?
Em 2005, numa visita ao Museu Van Gogh, em Amsterdam, confidenciei a quem me acompanhava que aquilo me parecia mais uma cena de romance do que um episódio da vida real. Ouvi severas críticas que se prolongaram no regresso a  Portugal, em círculo de amigos. Um dia, farto de ser instigado a apresentar uma hipótese alternativa, respondi sem convicção, mas aliviado:
Olhem, se querem que vos diga, penso que aquilo foi dor de corno!”
Hoje,ao ler o DN, suspirei de alívio. Afinal, foi Gauguin a fazer o servicinho.

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25 de Abril Sempre!

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 25.04.09

 

Sou um daqueles portugueses que não renegou Abril e estarei, até ao fim da vida, grato aos militares que me devolveram a Liberdade.

Sou um daqueles portugueses que se indigna quando se lembra que neste país de Abril o actual PR concedeu pensões vitalícias a dois ex-PIDE, por serviços excepcionais prestados ao país, mas a viúva de Salgueiro Maia viu recusada a mesma  pretensão.

Não sou ingrato para quem me devolveu a Liberdade. Fiquei sempre do mesmo lado. Recusei vender a alma ao Diabo. Chamem-me burro, por manter a coerência, mas fiquem a saber: 

Esteja onde estiver, todos os anos celebro e recordo o dia 25 de Abril de 74, com a mesma emoção. Não me esqueço que, nesse dia, estava aqui. E quando de lá saí encontrei um país diferente.

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Fundamentalismos

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 20.04.09

Um dia destes, os fundamentalistas  anti-tabágicos ainda vão lembrar-se de exigir que  todos os trabalhadores  deixem o tabaco à porta de entrada das empresas.

O passo seguinte será multar quem se passeie na rua com um cigarro na mão e, finalmente, a polícia passará a fazer operações stop para controlar os níveis de nicotina no sangue. Em nome da higienização da democracia, claro.

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Por uma Lisboa melhor

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 05.04.09

A "Time Out"  pediu a 40 “personalidades” ideias para uma Lisboa melhor. Estes inquéritos valem o que valem, mas por vezes revelam facetas curiosas. Como é o caso da  proximidade de pontos de vista  entre Paula Bobone e Ana Drago.

Enquanto a senhora que nos quer ensinar boas maneiras pensa que Lisboa ficaria perfeita se a zona do Chiado (onde vive) fosse requalificada, Ana Drago, a deputada do Bloco de Esquerda, é de opinião que Lisboa ficaria melhor se Telheiras (o bairro onde vive) se livrasse do Estádio de Alvalade, para lhe evitar os transtornos dos dias de jogo. Parece-me curiosa esta coincidência de opiniões entre uma pessoa de direita e uma deputada do bloco de esquerda. Para ambas, basta mudar o que está mal na zona onde vivem para Lisboa ficar melhor.
Vários dos inquiridos fizeram propostas com alguma originalidade, mas escolhi como a mais original a do cozinheiro  Vítor Sobral, que propõe a instalação de um mega-confessionário  onde os lideres partidários deveriam passar meio dia por semana a ouvir as confissões do lisboetas.
A mais surpreendente é a de Diogo Infante. Para se sentir feliz em Lisboa, o actor apenas precisava de (pelo menos) uma dúzia de pontes que ligassem Lisboa à outra banda. Umas só para peões, outras só para ciclistas e as restantes, presumo, para automóveis e tudo quanto polua a cidade e torne a vida dos lisboetas ainda mais insuportável.

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Dois pesos, duas medidas!

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 02.04.09

Sinto-me injustiçado! O sr Domingos Névoa, condenado em  Fevereiro por tentativa de corrupção, foi nomeado há dias presidente da empresa intermunicipal Braval, que trata os resíduos sólidos de seis concelhos do distrito de Braga.
Eu, que já confessei aqui em Julho do ano passado que tinha sido corrompido, continuo a esmifrar-me para conseguir o sustento mensal.
Já não há justiça neste país, caramba!

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A grande dúvida

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 19.03.09

Gostava de perceber o que me faz mais comichão quando vejo José Sócrates. Será o  ar de superioridade de quem está a falar para um povo ignorante que ele vai  salvar? O ar de triunfalismo e desdém com que refuta as críticas? Ou será aquele sorriso irónico com que se afivela  na AR quando algum deputado da oposição o questiona apontando verdades incómodas?
Ajudem-me, por favor, antes que tenha de recorrer à psicanálise!
 

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A memória através dos "grafitti"

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 18.03.09

Ontem à tarde tive de me deslocar à Junta de Freguesia da Ameixoeira. Quando de lá saí, dei de caras com um grafitti onde se lia:  “Soares+ Pinto, RUA”.
Não pude evitar um sorriso e recuar ao período de 1983-85, quando um governo de coligação traçava os destinos do país. O tempo era de vacas magras, havia uma D. Branca que prometia juros elevados e acabou na cadeia, a AD tinha dado o último suspiro, PS e PSD coligavam-se para formar governo, no intuito de cumprir os objectivos que permitissem a entrada de Portugal na CEE.
Mário Soares e Mota Pinto eram alvos de fortes críticas pelas medidas restritivas que foram obrigados a tomar, sendo talvez a mais recordada a que se reflectiu no corte de 2,8% no subsídio de Natal.
Nos gabinetes ministeriais vivia-se com contenção e houve mesmo um secretário de estado que foi demitido por não cumprir as regras. O governo acabou devido à morte súbita de Mota Pinto, pretexto aproveitado pelo PSD para exigir eleições antecipadas. Foi então que Cavaco decidiu rumar à Figueira da Foz para fazer a rodagem ao Citroen. Saiu de lá candidato a PM…
Quase 30 anos depois, ao ler a mensagem  “Soares+Pinto, RUA”, sinto uma certa nostalgia. Porque era então um jovem mas, principalmente, porque não desdenharia ter dois políticos com a estatura de Mário Soares e Mota Pinto a dirigir os destinos do país.
Só de pensar na possibilidade de as eleições de Outubro virem a resultar num governo de coligação PS/PSD, com  Sócrates e Ferreira Leite ao leme, sinto um enorme calafrio.  Entristece-me  pensar como se deteriorou a qualidade dos políticos portugueses em três décadas e que os portugueses, em vez de mandarem ambos para a rua, se percam em discussões sobre qual deles será o mal menor. Irra!!!

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