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Coisas Que Vemos Por Aí

por Francisca Prieto, em 02.02.16

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Foto tirada de dentro do carro, defronte do Cinema Ideal.

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Apneia

por jpt, em 21.04.13

Só hoje vejo este "O Barão", de Edgar Pêra. Se eu pensasse que o Pêra, que é um tipo que eu não encontro para aí há 20 anos, serve para representar algum colectivo que me seja mais ou menos vizinho, ou dele emane, este filme seria a forma de me reconciliar com essa qualquer entidade, com a qual a amargura dos anos passados talvez me tenha azedado o amor. Mas não penso isso, até porque me vão dizendo que o homem não mudou muito e nisso não se terá amarfanhado, e ainda bem que assim é. Porque o filme é sumptuoso, iluminado. E dele. E arrebata-me. Uma apneia, avassaladora. Não sobre a qualquer coisa que me dizem os ecos escritos, mas sobre a vida, o poder. E, acima de tudo, a paixão. Fico, agora, já depois, exausto. Da tal apneia. Reconciliado com qualquer coisa. Com o cinema, talvez. Com a grandeza humana, com toda a certeza, essa que produz coisas destas.

(Nuno Melo, extraordinário)

 

(Leonor Keil, diva)

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A vida que não mudou

por José Navarro de Andrade, em 30.12.12

 

A dada altura de “Mudar de Vida” de Paulo Rocha, eis a figura compostíssima da Dra. Maria Barroso descalça, com um molho de lenha à cabeça, sofismada pela boca a fazer biquinho por via da boa dicção aprendida na escola do Teatro Nacional de Amélia Rey Colaço.

Esta imagem poderá resumir todos os equívocos do Cinema Novo português.

Também Portugal, nos anos 50, teve o seu cinéma de papa, só que em vez de ser enfatuado e burguês como o da França modelar, era enfatuado e neo-realista como a Seara Nova. A isto queriam os moços formados no IDHEC obstar com desassossego cinéfilo, e desembraçarem-se do naturalismo a favor do realismo, da pompa cultural em benefício do ar da rua, das peripécias do enredo pelo rigor subjectivo dos factos (uma frase que só é paradoxal para quem não viu “À Bout de Souffle”).

A história é de quem a vence e tão retumbante foi a vitória do Cinema Novo que ainda hoje, passado meio século, o cinema português vai-se fazendo e pensando em torno do seu eixo programático. Ficou assim para o cânone que “Belarmino” (1964) de Fernando Lopes e “Os Verdes Anos” (1963) de Paulo Rocha, constituem pedras basilares e inamovíveis da cinematografia nacional. Mas se o primeiro parece ainda hoje perfeito e consonante com o que dele se pedia, já em “Os Verdes Anos”, se o conseguirmos ver sem a gravidade sacerdotal em que o velaram, há ali qualquer coisa que não bate certo – o quê?

O que é, revela-se então em “Mudar de Vida” (1966) e mais cabalmente na cena acima referida. Não é a inverosimilhança, porque em cinema isso é um dom e não um pecado, mas é a impressão de uma realidade não experimentada, abstracta e consumada como um arquétipo, em suma: desvitalizada. Fica-lhe um mérito nada pequeno, que ter a mais bela banda sonora de sempre feita em Portugal, dedilhada por Carlos Paredes.

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