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Cem anos depois no dia delas

por Sérgio de Almeida Correia, em 08.03.15

Facto

 

Tenho aprendido muito convosco, ó amigos homens,

a gostar de aventuras e, sobretudo,

mulheres ao alto, ao lado, ao fundo

e, adormecido, sonhar fora do mundo.

 

(Ruy Cinatti, 08/03/1915 -12/10/1986)

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O triunfo do espírito

por Laura Ramos, em 26.01.12


Não gosto de preconceitos.
O preconceito é uma das mais letais armadilhas da inteligência.
Dirão que é uma tarefa difícil essa de reflectir, alimentar convicções e não cair no logro da opinião apriorística, conseguindo manter a equidistância dos puros e a frescura do primeiro olhar. E no entanto é esse o verdadeiro desafio da mente: conhecer-se tão bem a si própria que não se deixe perturbar no exercício pleno que se segue, o de pensar. Pensar os outros, pensar a vida. O que é dizer, as ideias dos outros e a vida dos outros. A isto se resume tudo.
Não gosto de preconceitos.

E é por isso que não me agradam pedestais e altares em vida. Além disso, deve ser tremendo ser santo ou herói, mesmo para quem mereça a libertação da lei da morte de que falava Camões.
O que eu gosto, sim, é de justiça, aquela que se faz do reconhecimento entre iguais. E da vénia que devemos aos outros (e a nós próprios) quando apontamos o dedo a um exemplo vivo de dons de humanidade.
Maria Adelaide de Bragança é uma mulher extraordinária. É o triunfo do espírito. É a racionalidade que vence o azar de nascer numa família ostracizada e marcada pelo estigma, às mãos de um Portugal inculto, provinciano e tacanho. É a racionalidade tão sábia que procura o anonimato. É a racionalidade que faz do dever muito mais do que um destino ditado pela educação, que sempre lhe estaria reservado mas, porém, não necessariamente assim.

«Resistiu ao nazismo, que a condenou à morte por haver acolhido em sua casa muitas pessoas perseguidas pela Gestapo. Dedicou décadas à promoção da ciência e da investigação médica, antes de se consagrar, até ao limite da entrega, aos excluídos. Foi uma mãe para milhares de crianças: recolheu-as das ruas, vestiu-as, alimentou-as, educou-as; em suma, foi assistente social, foi enfermeira, foi cozinheira, foi lavadeira...»

Nunca esquecerei quando contou que não punha cortinas nas janelas: -Para quê? Só acumulam pó e eu não tenho tempo para as limpar.
A sua condecoração vai passar-nos ao lado e não vai encher os salões nem as igrejas.

- Mas qual é o espanto? Caricatos e arrogantes somos nós. E afinal não é estranho que nos seja indiferente  o caso de alguém que demonstrou um sentido extremo do dever, neste país afogado na cultura obsessiva dos direitos.

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