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Lápis azul é coisa de meninos (2)

por Pedro Correia, em 09.09.17

«Não somos apenas o país europeu com mais área ardida, somos também o que tem a mais baixa taxa de natalidade. Deveríamos estar a discutir isso, com todas as campainhas de alarme ligadas, mas a imbecil ditadura do politicamente correcto (que até já convoca, e com êxito, a censura do Estado sobre livros de editoras privadas) prefere fazer um escândalo de tudo o que vê ou imagina ver como tentativas de os desviar do recto caminho - segundo o qual, homens, mulheres, LGBT e animais é tudo igual e assim deve ser ensinado às criancinhas. Às poucas que restam.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso (2 de Setembro)

 

«As claques nas redes sociais são o agitprop do século XXI. Mas notam-se desenvolvimentos. A tradição diz que primeiro era a ideologia, seguia-se programa e só depois o agitprop como instrumento de propaganda para disseminar a ideologia e o programa. Com as claques, começamos a ter primeiro o agitprop, talvez depois o programa, a ideologia não há. Com a esquerda, vimos isso com a recente polémica da Porto Editora. Iniciada pela sua claque nas redes sociais, a medida não faz parte de qualquer programa estruturado sobre a igualdade de género e muito menos obedece a qualquer ambição assumida e sufragada de engenharia social. Apenas agitprop virtual, do qual os partidos da esquerda e, em particular, o governo foram a reboque.»

Nuno Garoupa, no Diário de Notícias (5 de Setembro)

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Os novos censores andam aí (3)

por Pedro Correia, em 08.09.17

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A "linguagem inclusiva" chegou à medicina, já patrulhada pelos pelotões da correcção política. E nem a obstetrícia escapa. Expressões na aparência inócuas, como "futuras mães", são seriamente desaconselhadas pelo seu potencial "ofensivo" ao perpetuarem "estereótipos de género". Ao ponto de a Associação Médica Britânica, no seu mais recente manual de normas de comunicação, adoptar como padrão uma fórmula neutra: "pessoa grávida". Justificação: só assim será possível "respeitar os transexuais e transformistas." Neste folheto de 14 páginas, intitulado A Guide to Effective Communication: Inclusive Language in the Workplace,  é também desaconselhado o recurso a expressões como "nascido homem” e “nascido mulher” por serem "redutoras e simplificarem o que é complexo".

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Lápis azul é coisa de meninos

por Pedro Correia, em 05.09.17

«As redes sociais denunciaram um caderno de exercícios da Porto Editora em que as meninas são tratadas de maneira diferente dos meninos, nas cores, no imaginário e no grau de dificuldade. As redes sociais são uma espécie de amplificador de som que ninguém ousa contrariar. Nem sequer - ficámos agora a saber - o Governo, que não hesitou em abrir o mais grave precedente de que há memória no pós 25 de Abril de 1974 da censura. Em pouco mais de 24 horas, sem comparação e sem reflexão aprofundada, nem tão pouco debate, recomendou a retirada dos cadernos do mercado editorial. Como se a questão da liberdade de género se resolvesse com o regresso ao lápis azul. Eis a política da preguiça.»

Helena Teixeira da Silva, no Jornal de Notícias (27 de Agosto)

 

«Uma editora publicou um bloco de actividades em duas versões, um para meninos e outro para meninas. Foi também fortemente criticada nas redes sociais - que é um tabefe de que ninguém está livre - e a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género com um piquinho de azul no lápis, que é coisa própria de meninos, recomendou a retirada dos livros do mercado por terem estereótipos de género. A patrulha da igualdade do governo devia saber que censurar é pior do que colocar à venda versões distintas da mesma coisa.»

Fernanda Cachão, no Correio da Manhã (29 de Agosto)

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Os novos censores andam aí (2)

por Pedro Correia, em 04.09.17

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Escolas do Estado da Virgínia, nos EUA, baniram dos programas escolares o estudo do célebre romance Matar uma Cotovia (To Kill a Mockingbird), de Harper Lee - galardoado em 1961 com o Prémio Pulitzer e considerado uma obra-prima da literatura anti-racista.

Na origem da decisão esteve a denúncia de uma encarregada de educação, ofendida com a utilização do termo "preto" (nigger) e expressões coloquiais conotadas com a segregação racial em diversos trechos desta obra.

Há pelo menos quatro versões diferentes deste romance no mercado editorial português, com outros tantos títulos: Não Matem a Cotovia (Europa-América), Mataram a Cotovia (Relógio d' Água), Matar a Cotovia (Editorial Presença) e Por Favor, Não Matem a Cotovia (Difel).

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Os novos censores andam aí (1)

por Pedro Correia, em 30.08.17

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O Cinema Orpheum, em Memphis, anunciou o cancelamento em 2018 da exibição anual do filme E Tudo o Vento Levou, galardoado com oito Óscares em 1940, interrompendo uma tradição ali existente há 34 anos, Verão após Verão. Motivo invocado: os protestos de "largos segmentos" da população daquela cidade do sul dos EUA, que nas redes sociais acusam o filme de perpetuar estereótipos raciais e contemporizar com a escravatura.

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O eterno problema

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.08.17

Quaisquer que sejam as épocas e os regimes, dentro ou fora de Portugal, "(...) o que caracteriza sempre os censores é o serem profundamente estúpidos". Pois é, Luís, mas não só os censores: as empresas de recrutamento também padecem do mesmo mal. 

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Ponham-se a pau, Eça e Camões

por Pedro Correia, em 28.08.17

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Era o que faltava à Porto Editora para se actualizar: após mais de sete décadas ao serviço da excelência do serviço público, passou a receber lições de pedagogia do poder político.

Pedagogia censória, passe o oxímoro, em nome de valores respeitáveis, como a igualdade e a liberdade. E com solene chancela oficial, que manda - utilizando o eufemismo "recomenda" - retirar duas publicações dos postos de venda. O fantasma do doutor Salazar deve emitir uns sopros irónicos lá entre os vetustos reposteiros de São Bento.

Com a diligente brigada dos bons costumes apostada em pôr multidões ordeiras e ululantes a entoar a novilíngua deste admirável mundo novo, condenando sem cuidar sequer do rigor dos factos, o vocabulário comum em democracia torna-se policiado como se vivêssemos em ditadura. E não tenhamos ilusões: esses patrulheiros não tardarão a exercer censura com carácter retrospectivo, pois só quem controla o passado é capaz de controlar o futuro. Atenção, misógino Pessoa. Toma cuidado, falocrático Eça - reles perpetuador de "estereótipos de género". Põe-te a pau, racista e islamófobo Camões.

Haja cuidadinho com as cores também. Os daltónicos, coitados, é que se tramam.

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Je suis Sun

por Pedro Correia, em 21.01.15

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Pressões feministas põem fim a uma das mais conhecidas tradições da imprensa britânica: a página 3 do tablóide The Sun, existente há 44 anos na versão "arejada"

 

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O declínio do Ocidente.

por Luís Menezes Leitão, em 20.12.14

 

Tenho vindo a falar várias vezes da guerra das civilizações que me parece cada vez mais evidente a cada dia que passa. O que, no entanto, verdadeiramente me escandaliza é o declínio do Ocidente nesta nova guerra que se avizinha. Um dos factores mais preocupantes é a fraqueza com que o Ocidente defende os seus valores, entre os quais a liberdade de expressão e de imprensa. Um dos primeiros sintomas da força do Ressurgimento Islâmico foi a forma como o Ocidente reagiu ao livro de Salman Rushdie, The satanic verses, que indignou Khomeiny, lançando uma fatwa contra o seu autor. Na altura vários países ocidentais optaram por não publicar o livro, por receio de represálias, quebrando assim uma tradição da liberdade de imprensa. 

 

Agora, no entanto, o ataque foi ainda mais sério, com a Sony Pictures a abandonar a distribuição do filme The Interview, que satirizava o líder da Coreia do Norte, filme que já levou os chineses a acusar Hollywood de "arrogância cultural absurda". Não me espanta que os chineses acusem um filme de Hollywood desses epítetos, já que tenho a certeza que os alemães à época terão dito muito pior do filme de Charles Chaplin, The Great Dictator, que ridicularizava brutalmente Hitler.

 

A questão é que em 1938 quando toda a gente olhava para o lado perante a perseguição dos judeus na Alemanha, Charles Chaplin teve a ousadia de rodar um filme contra Hitler. Mais tarde, em 1940, Hollywood não hesitou em distribuí-lo, ainda os Estados Unidos não tinham entrado na guerra. Hoje pelos vistos a Sony Pictures termina a distribuição de um filme por o mesmo desagradar ao líder da Coreia do Norte e ter receio de represálias de hackers. Se alguém tinha dúvidas sobre o declínio do Ocidente, aqui está a prova irrefutável.

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Facebook devolve conta a Leslie

por Fernando Sousa, em 10.02.11

O Facebook devolveu esta manhã à chilena Leslie Power a conta que lhe cancelou por ter publicado uma foto a amamentar o filho. O escândalo foi tão grande, que a empresa de Alto Palo não teve outro remédio senão emendar a mão. Mas como se pode ler na carta que mandou à lesada, a rede social, ancorada na leitura que faz da sua Declaração de Direitos e Responsabilidades, insiste na aberração e pede à dona da conta que "não publique fotos que incluam nus, gráficos ou outros conteúdos sexuais". Isto é mesmo, mesmo doentio. Não dá para acreditar.

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Facebook volta a censurar

por Fernando Sousa, em 09.02.11

 

Uma psicóloga chilena, Leslie Power, pôs no Facebook uma foto onde aparece a dar de mamar ao bebé. Resultado: a rede social cancelou-lhe a conta por considerar a fotografia ofensiva e violadora das condições de uso da empresa. Esta é apenas a última da teia de Zuckerberg-Saverin. O escândalo está na rua. Enquanto nos fixamos nuns ditadores, outros, não menos perigosos, esfregam as mãos de contentes - quando não estão a contar dinheiro.

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Um caso de censura

por Pedro Correia, em 30.01.10

  

A censura torna os jornalistas mais hábeis. Millôr Fernandes lembrou há pouco um exemplo ocorrido no Pasquim, uma das publicações mais visadas pelos censores da ditadura militar brasileira nos anos 70 – uma censura que não se limitava aos temas políticos: exercia o domínio repressivo também no capítulo da moral e dos costumes.

Em certa edição da revista, havia que escrever sobre o romance Iracema, de José de Alencar – um clássico da literatura romântica brasileira, que entre outras expressões popularizou à época a “virgem dos lábios de mel”. Convidava à malandrice. E assim foi: o Pasquim lá se debruçou seriamente sobre o romance, numa das suas enésimas edições, tendo no entanto o cuidado de acrescentar uma palavra. Uma palavrinha apenas – no caso, um adjectivo. Grande. A virgem de Alencar passou a ter “grandes lábios de mel”.
A censura, bronca como costumam ser as censuras, nem reparou. Uma singela palavra pode fazer toda a diferença.

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Contra qualquer forma de censura

por Pedro Correia, em 08.09.09

Naturalmente, ofereço-me desde já como testemunha do Filipe. Há pessoas absolutamente incapazes de compreender o que é a liberdade de expressão. É preciso lembrar-lhes continuamente o óbvio. Pois aqui vai:

 

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.


Constituição da República Portuguesa, artigo 37.º

 

 

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Berlusconi proíbe livro de Saramago

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 30.05.09

A editora de Berlusconi censurou um livro de Saramago. Estou ansioso por ver as reacções daqueles que acusaram Chavez de ditador por, pretensamente, (digo pretensamente, porque já se provou que tudo se reduziu a uma montagem grotesca) ter proibido a entrada de Mario Vargas Llosa na Venezuela.

Povavelmente vão dizer que foi um acto normal em democracia...

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Estados-censores

por Pedro Correia, em 12.03.09

 

Hoje, Dia Mundial Contra a Censura na Internet, vale a pena sublinhar quais são os 12 países que praticam com mais determinação esta modalidade de censura:

 

Arábia Saudita

Birmânia

China

Coreia do Norte

Cuba

Egipto

Irão

Síria

Tunísia

Turquemenistão

Uzbequistão

Vietname

 

Quatro destes países, verdadeiros estados-censores, são considerados faróis do 'socialismo' pelo PCP: China, Coreia do Norte, Cuba e Vietname. Recordo o que referiam as teses apresentadas pela direcção do partido ao congresso de Novembro de 2008: "Importante realidade do quadro internacional, nomeadamente pelo seu papel de resistência à «nova ordem» imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista – Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia."

É útil anotar estes factos para reflectirmos melhor quando voltarmos a ouvir os comunistas portugueses denunciar algum atentado à liberdade. Seja em que parte do globo for.

 

(Via Der Terrorist)

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