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Não pode valer tudo

por Pedro Correia, em 19.07.17

Felicito Assunção Cristas, que acaba de dar uma lição de dignidade cívica ao PSD: em política, mesmo nestes tempos de populismo à solta e demagogia desenfreada, não pode  valer tudo para qualquer chico-esperto conseguir notoriedade e sacar votos, enquanto o partido arrecada os salutares princípios da tolerância e da moderação num armário fechado a sete chaves.

Francisco Sá Carneiro, o fundador do PPD-PSD, não teria agido de modo diferente: o primeiro dever de um político é evitar dar palco a escroques.

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Zangas de comadres.

por Luís Menezes Leitão, em 05.05.17

Não me espantou nada o apoio do PS a Rui Moreira na Câmara do Porto, uma vez que sempre me pareceu evidente que Rui Moreira estava a fazer no Porto uma gestão integralmente socialista. O que sempre estranhei foi que o CDS continuasse a apoiá-lo. Encarei por isso com muita naturalidade o facto de Ana Catarina Mendes dizer que a vitória de Rui Moreira no Porto será a vitória do PS. Isso é evidente para qualquer observador minimamente atento. Azeredo Lopes e Matos Fernandes, respectivamente chefe de gabinete do presidente da câmara do Porto e presidente das Águas do Porto na gestão de Rui Moreira, não são hoje ministros de António Costa?

 

Mas Rui Moreira, pelos vistos tem um ego do tamanho do mundo, pelo que acha que a vitória será exclusivamente sua e decidiu agora rejeitar o apoio do PS, embora estranhamente não tenha reclamado a restituição dos seus ministros a António Costa. Pelo caminho poderia igualmente rejeitar o apoio do CDS que nunca lhe fez falta alguma na gestão da Câmara.

 

Isto só demonstra que os partidos erram profundamente quando apoiam candidaturas pretensamente independentes. Se não têm nenhum militante para apresentar como candidato, mais vale irem pastar para outras paragens. E sinceramente um independente, que consegue simultaneamente receber o apoio do PS e do CDS é alguém que eu não quereria a gerir a minha cidade. Felizmente que não moro no Porto. Alguém nesta história andará seguramente enganado. Em qualquer caso os eleitores bem podiam ser poupados a estas zangas de comadres.

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A Primavera está à porta

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.03.17

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As declarações de Assunção Cristas e o silêncio do PSD deixam muito pouco espaço para outras interpretações. O Conselho de Ministros do anterior Governo nunca discutiu as questões da banca, nem sequer às quintas-feiras. Discutir a banca para quê? Artistas, marialvas e fadistas tinham mais que fazer. Enquanto os portugueses sofriam cortes nos vencimentos, viam os impostos subir, apertavam o cinto e emigravam, havia quem pusesse o dinheiro em bom recato com os vistos do companheiro Núncio. E os ministros reuniam-se para tomar chá, combinar privatizações, almoçaradas e jantares e alegremente trocarem tachos e panelas. Os Conselhos de Ministros do Governo de Passos Coelho, ficámos agora todos a saber pela voz de uma das protagonistas, eram uma espécie de reuniões da tupperware.

Despachado o Melo para Bruxelas, em Lisboa ficaram coelhinhos, melros e andorinhas.

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Distracções

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.02.17

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 (foto Daniel Rocha/Público)

O País arranjou mais um motivo para se entreter, para se perder em discussões estéreis e, provavelmente, arranjar mais uma comissão para não concluir coisa alguma.

É normal que em Portugal os dirigentes se desresponsabilizem de cada vez que há problemas nas áreas sob a sua responsabilidade ou que as suas receitas não dêem os resultados esperados. E tanto faz que sejam membros do Governo, actuais ou passados, autarcas, administradores de empresas ou responsáveis partidários. As excepções são raras e contam-se pelos dedos de uma mão.

Todavia, não existe nada de mais reprovável num dirigente do que não só desresponsabilizar-se como ainda aproveitar para atirar responsabilidades para os inferiores hierárquicos. Como se eles, dirigentes, não estivessem lá para exercerem o poder, para mandarem, para tomarem decisões, para assumirem os riscos do mando, para usufruírem dos respectivos benefícios e cumprirem as obrigações que se esperam de um dirigente, das quais uma das menos olvidável será a do legado e do exemplo que deixem para os seus subordinados, embora sejam poucos os que se preocupam com a imagem que transmitem para dentro e para fora da organização a que pertencem.

Os maus exemplos têm-se multiplicado, alguns começando mesmo na Presidência da República e na Gomes Teixeira. De S. Bento, e do papel de alguns deputados, há muito que deixou de fazer sentido falar-se do que a maioria por ali faz, pois são poucos, em especial nos maiores partidos, os que produzem algo de útil e fazem mais do que levantar o braço ou carregar num botão nos momentos das votações, funcionalizada como está, a todos os níveis, a política e o exercício da função de deputado. São deputados mas se estivessem a picar o ponto num qualquer serviço da administração pública ou numa fábrica ninguém notaria a sua falta. 

O que neste momento se repete com a saga das "offshores", com as estatísticas que ficaram por divulgar, com os 10 mil milhões que voaram nas barbas do fisco, do ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e dos titulares das Finanças, corresponde ao padrão habitual (e repare-se que não estou a discutir se era devido o pagamento de quaisquer impostos ou não). Uma vergonha que é a imagem de uma boa parte da nossa elite dirigente, daquilo que temos à disposição nos partidos e nos Governos e um exemplo da forma como os responsáveis são os primeiros a se desqualificarem, protegendo os partidos essa recorrente desresponsabilização.

Sempre pensei que responsáveis políticos, administrativos e empresariais que se limitam a colocar "vistos" nas informações e propostas que lhes chegam remetidas pelos subalternos dariam excelentes amanuenses, servindo para tudo menos para dirigir o que quer que fosse. Como se essa gente não fosse paga para dirigir, orientar e decidir.

Atirar para a Autoridade Tributária a responsabilidade pelas consequências dos seus próprios "vistos" (o que é que um tipo faz com um "visto"?), bem como a ausência de resposta às propostas que lhe foram enviadas para a divulgação das estatísticas, não está ao nível do que se espera de um secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, mas sim ao nível de um cabo de esquadra.

Não admira, pois, que à medida que se vai sabendo mais alguma coisa sobre o que foi o descalabro da gestão de Núncio e do CDS-PP nos Assuntos Fiscais, um cidadão normal fique preocupado ao recordar-se de ouvir o "atira-culpas" dizer que "quando os socialistas gastarem o dinheiro que ainda resta e a festa acabar, o CDS tem de estar preparado para exercer uma vez mais o exercício do poder e a sua acção governativa". 

Como já se viu que latosa é coisa que não lhe falta, calculo que para Núncio o dinheiro que os socialistas andam a gastar será aquele que resta, ou seja, aquele que ele e os seus pares no Governo não conseguiram que saísse do país com os tais 10 mil milhões, já que só assim se compreende a desfaçatez com que o afirma.

Mas esse é um problema do visado e do partido que lhe dá guarida.

o modo como tudo isto é visto pela direcção do partido a que Paulo Núncio pertence, que se permite afirmar "que sobre o combate à fraude e à evasão fiscal, nós estamos muito tranquilos, porque sabemos muito bem o que fizemos no anterior Governo" (vê-se), é um problema dos seus militantes, dos seus eleitores e de todos nós. Como também foi, e ainda é um problema de todos nós, só para referir alguns exemplos, o que aconteceu com José Sócrates ou com as PPP, com o desempenho presidencial de Cavaco Silva, com a CGD, com a PT ou com o modo como as nossas autoridades judiciárias continuam a investigar e a julgar.

Seria por isso bom que os portugueses não se distraíssem com os núncios e as freiras que por aí arengam, nem com os seus números de feira, perdendo de vista o essencial.

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Contra os populismos radicais

por Rui Rocha, em 23.11.16

Gosto de pensar nas reuniões do CDS como uma espécie de homilías em que a líder apresenta a estratégia e os militantes respondem "o amor de Cristas nos uniu".

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Está a ser bonita a festa, pá

por Sérgio de Almeida Correia, em 19.08.16

Apesar do deputado Hélder Amaral estar "à espera de um “discurso mais empolgado” (eu também), ainda assim pode-se dizer que o brilho conferido pela presença do CDS/PP ao Congresso do MPLA está a ser um sucesso:

 

"Entre os convidados estavam também os bispo da Igreja Tocoísta, D. Afonso Nunes, profetiza Suzeth João, da Igreja Teosófica Espírita, Miraldina Jamba, da UNITA, e Quintino de Moreira, presidente da Aliança Patriótica Nacional, e membros do Corpo Diplomático acreditado em Angola.
Oriundos do estrangeiro estavam 21 convidados, em representação de partidos, com destaque para Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC, e o político português Paulo Portas. Representantes do Partido Comunista da China, Partido do Trabalho da Coreia do Norte, Frelimo, Partido Congolês do Trabalho, Swapo, PGD da Guiné Conacry, Partido Chama Cha Mapinduzi, da Tanzânia, PDP, do Botswana, delegações da RDC, do Partido Revolucionário da Etiópia, da União do Povo da Guiné Conacry, da Organização da Libertação da Palestina (OLP) também marcaram presença. De Portugal apenas o CDS/PP marcou presença na cerimónia de abertura. Até ao fecho desta edição eram aguardados os representantes do Partido Comunista Português, do Partido Social Democrata e do Partido Socialista
."

 

Lamentando o atraso dos restantes partidos portugueses à sessão de abertura do congresso, pese embora a mensagem que o PCP enviou, vê-se que o CDS-PP é o único partido português que continua a fazer "justiça aos retornados do Ultramar" e a pugnar "pela dignificação dos antigos Combatentes no Ultramar".

Espera-se, agora, que depois do congresso a camarada Assunção Cristas agende um bailarico no Caldas com a malta do kuduro e da kizomba, para que se proceda na ocasião ao pagamento das compensações devidas aos espoliados do Ultramar, o qual será feito, em resultado dos mais recentes esforços da diplomacia económica do partido, com o carregamento de t-shirts e bandeirinhas do MPLA que o camarada Amaral vai trazer de Angola. O discurso de abertura será feito pelo camarada Telmo Correia.

A luta continua. O reaccionário do Águalusa que se vá banhar no Cunene.

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Afinidades

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.08.16

"O VII Congresso Ordinário do MPLA, que começou hoje no Centro de Conferência de Belas, em Luanda, não credenciou todos os meios de comunicação social que pretendiam fazer a cobertura do evento. O Rede Angola é um deles.
O processo de credenciamento começou no mês de Maio, a cerca de três meses do congresso, por iniciativa do Departamento de Informação e Propaganda (DIP) do MPLA. Depois do envio (por duas vezes) do nome dos repórteres indicados para o serviço, da entrega de duas fotografias e de uma cópia do Bilhete de Identidade e de várias deslocações à sede do partido, em Luanda, a resposta final veio em forma de silêncio.
Oficialmente, as justificações apresentadas para a falta de credenciamento em tempo útil estão relacionadas com uma eventual dificuldade dos serviços de segurança e da área técnica do partido em despachar o trabalho."

 

A notícia do Rede Angola é apenas um detalhe que, certamente, não ensombrará o fortalecimento das relações entre o CDS-PP e o MPLA, tantos são os pontos em comum que unem os dois partidos. Fico satisfeito que assim seja, pois vejo com bons olhos este convívio fraterno entre dois partidos imbuídos de uma cultura democrática acima de toda e qualquer suspeita.

Apesar disso, pode ser que um dia tenha a sorte de Paulo Portas, Assunção Cristas e Hélder Amaral me explicarem de viva voz quais os pontos em comum entre:

(i) um partido que se reclama de direita, personalista, assente nos valores éticos, sociais e democráticos do humanismo personalista de inspiração cristã, defensor de um Estado que não deve ser o regulador das liberdades sociais, em especial nos domínios da educação, da saúde e da segurança social e que acredita profundamente, entre outras coisas, num regime de liberdades pessoais e cívicas,

e um outro, que derivando directamente do marxismo-leninismo puro e duro, em tempos subserviente a Moscovo e à Cuba de Castro, com os mesmos dirigentes há décadas, a começar pelo número um, se reclama, como escreve em editorial o Jornal de Angola, "o partido dos “camaradas” que está no poder", tendo

(ii) o "Socialismo Democrático como orientação ideológica que melhor corresponde aos interesses do desenvolvimento multilateral do Povo Angolano e como ideologia que defende uma vida digna a partir da plena e racional utilização dos recursos do País", que se reclama de uma "perspectiva política de esquerda dinâmica" e quer "os principais centros de decisão nas mãos de nacionais, devendo o Estado apoiar a criação de uma base económica e empresarial efectivamente detida por angolanos".

 

Tirando o amor aos dólares, o oportunismo, a hipocrisia política, e a mesma tolerância e compreensão para com os beirões que criticam o poder, confesso que não vejo outros pontos de convergência. Mas admito, de novo, que possa estar enganado.

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Santa aliança volta a funcionar

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.05.16

"O endurecimento de penas por maus tratos a animais gerou uma rara aliança: PSD, PCP e CDS-PP mostraram-se contra as propostas feitas pelo PAN, BE e PS durante a discussão dos projectos em plenário esta quinta-feira." - Público, 13/05/2016

Espero que Carlos Carreiras não se esqueça de escrever mais um artigo no i a malhar nesses partidos oportunistas que fazem alianças com os comunas em vez de procurarem consensos ao centro.

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Oportunidade perdida

por Diogo Noivo, em 03.04.16

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A política é um jogo de percepções e de expectativas. Se bem ou mal, diz-nos o célebre secretário florentino que pouco importa. Foi assim no passado, é assim no presente e tudo indica que será assim no futuro. Por isso, foi errada a postura do PSD e do CDS quando chumbaram o voto de condenação a Angola pela prisão de 17 activistas.

O chumbo foi errado porque PSD e CDS colocaram-se assim, ainda que inadvertidamente, do lado errado do quadro de princípios. Foi errado porque, como aqui se defende, a aprovação do texto do PS não implicava grandes custos políticos. E sobretudo foi errado por ser uma oportunidade perdida. Num momento em que temos um governo apoiado por dois partidos inenarráveis – um que vê em Cuba e na Coreia do Norte regimes respeitáveis e outro que namorou a esquerda abertzale pró-etarra, entre outros movimentos igualmente pouco edificantes –, o PSD e o CDS perderam uma excelente oportunidade para se diferenciarem ainda mais e, dessa forma, adquirirem respeitabilidade extra e capital político reforçado. A continuar assim, PS e BE ainda acabarão como preceptores morais do regime, o que equivale necessariamente a remetê-lo para um lugar sinistro.

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O Congresso

por Bandeira, em 14.03.16

Imaginei que o grande Braga cobria o congresso:
"Depois de dois dias de debates ficou assentado que Portugal é um lindo país. Também se deliberou, depois de vários oradores, que estava um clima muito agradável. A palestra foi decaindo, então, para assuntos muito escabrosos – discutiu-se até política."

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A chegada da mãe adoptiva

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.03.16

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 (Estela Silva/Lusa)

Nos seus quarenta anos de existência, o CDS-PP, antes apenas CDS, talvez em breve de novo CDS, passou por diversas fases e conheceu vários presidentes (Freitas do Amaral, Francisco Lucas Pires, Adriano Moreira, Manuel Monteiro, Paulo Portas, Ribeiro e Castro, e de novo Paulo Portas). A partir de amanhã o CDS-PP terá um novo líder.

Assunção Cristas vai assumir os destinos de um partido histórico da democracia portuguesa numa altura particularmente difícil para o partido que vai dirigir e para o país. Não é normal que assim seja, mais a mais tratando-se de uma mulher. Menos ainda porque o país já foi, numa infelicidade manifesta mas que diz muito do país que somos, definido como uma “coutada do macho latino”, um país de forcados, chicos espertos e fala-barato.

O CDS-PP tem passado por momentos menos bons, outros melhores, mas conseguiu sempre resistir em fases difíceis da sua existência a acontecimentos nefastos e à pressão externa e interna (por exemplo: Palácio de Cristal, falecimento de Amaro da Costa, conflito Monteiro/Portas, lideranças de Adriano Moreira e Ribeiro e Castro), afirmando-se como um partido com indiscutível representação social, embora sujeito a um eleitorado demasiado volátil e à mercê das constantes oscilações, incertezas e ajustamentos de rota provocados pela navegação de cabotagem a que o PSD habituou os portugueses e o seu eleitorado de centro-esquerda.

Também por via disso, o CDS-PP tem oscilado entre o centrismo puro de inspiração democrata-cristã, o conservadorismo clássico, o liberalismo moderado (mais moderado do que o do seu congénere situado imediatamente à esquerda) e alguns desvarios neoliberais, com mais ou menos pozinhos populistas, numa acomodação q.b. ao regime e ao poder, através da qual procura transmitir a imagem de comprometimento enquanto está neste e as coisas correm bem, e de descomprometimento e distanciamento assim que se vê com um pé fora, estratégia em que Paulo Portas foi exímio. Os ciclos de ascensão e poder, aliás coincidentes com períodos de grande imoderação verbal e fortes apelos populistas, tensões e rivalidades, têm-se sucedido a momentos de grande incerteza, procura de afirmação da sua própria identidade e reencontro com o seu eleitorado, estes últimos servindo para manterem o partido à tona da água.

O actual momento não foge a esta incerteza. A saída de Paulo Portas marca o fim de um ciclo que foi também marcado por expulsões e defecções em massa de militantes, sublinhando o afastamento de um líder que teve tanto de eucaliptal como de carismático, para o pior e o melhor, e uma tentativa de descolagem dos últimos quatro anos, marcados pela menorização e subordinação do CDS-PP ao PSD e às contingências económicas e financeiras ditadas pela troika e a irresponsabilidade e a negligência que sublinharam o segundo mandato de José Sócrates, atirando o país — marcado pela cegueira da oligarquia dirigente e dos militantes do PS, a conivência oportunista do PSD, do então Presidente da República, dos partidos da esquerda dita radical e do próprio CDS-PP — para um crise gravíssima. O CDS-PP acabaria por ser um dos beneficiários dessa crise, mas em razão do seu tacticismo e falta de ousadia não soube tirar partido das circunstâncias ficando até ao fim agarrado ao poder, numa altura em que a sua manutenção na geringonça de Passos Coelho já não antevia nada de bom para o partido e para o país. A participação no falhado Governo dos dez dias foi o estertor do portismo (também do passismo que segue por aí moribundo de bandeirinha na lapela enquanto os seus apoios são investigados em Gaia).

A saída de Paulo Portas, colocando ponto final a um período de estagnação, centralismo e política de sacristia que envolvia a distribuição de hóstias a pedido de várias famílias e ao domicílio, abre um novo momento para o CDS-PP e a possibilidade da sua afirmação num campo eleitoral subitamente alargado pelo quase desaparecimento do PSD da cena política, cada vez mais agarrado aos seus fantasmas e às suas sombras (Pacheco Pereira tem sido exemplar na forma como tem analisado este período da vida do PSD).

Os primeiros sinais deixados por Assunção Cristas no XXVI Congresso indiciam a sua indiscutível vontade de mudar e de corrigir algumas das disfunções identificadas por Adolfo Mesquita Nunes (Visão, 7/1/2016) num texto recente e de que amiúde se queixou José Ribeiro e Castro (vd. "O “Napalm” como arte dirigente", Público, 02/01/2014; "O dia em que morreu o CDS", Público, 11/8/2015, "O “napalm” como arte dirigente 2", Público, 29/02/2016, mas em especial "Para que serve o CDS", in CDS - 40 anos ao serviço de Portugal, Prime Books, no prelo), creio que com inteira razão, designadamente quanto ao desprezo a que os militantes foram votados nos últimos anos (a este propósito leia-se também a carta de desfiliação do desencantado militante Luís Russo Pistola, publicada em 16/06/2014, na sua página do Facebook), havendo inclusivamente decisões sem qualquer suporte jurídico-estatutário tomadas pela direcção à revelia dos órgãos próprios do partido e dos seus militantes (“Comissão Política Nacional da Coligação Portugal à Frente”). Um outro sinal da vontade de imprimir uma mudança por parte de Assunção Cristas é a sua decisão de apoiar a criação de um órgão próprio de acolhimento e integração de novos militantes (decisão que vivamente saúdo e gostaria de ver replicada no meu próprio partido), imposta pela necessidade da renovação e relegitimação perante o seu eleitorado e de afirmação perante o potencial.

Também a chamada de mais mulheres aos órgãos nacionais – pese embora o anacronismo da inclusão de Cecília Meireles – e de novos dirigentes, reconduzindo os mais capazes, menos comprometidos com o passado e que mais garantias podem dar de consolidação de uma liderança (João Almeida e o ostracizado Filipe Anacoreta Correia, são exemplos) e de um projecto que necessita do apoio das suas normalmente desconfiadas bases para singrar, contribuem para essa ideia.

O CDS já tinha ficado órfão de pai (Freitas do Amaral) e de mãe (Adelino Amaro da Costa), sem nunca se ter depois verdadeiramente identificado com a liderança dos seus filhos biológicos (Lucas e Pires e Ribeiro e Castro). Ainda menos, com o afilhado (Manuel Monteiro) ou com o padrasto, um senhor respeitável e de dimensão intemporal ao qual o partido muito deve sem jamais o ter reconhecido em toda a sua dimensão (Adriano Moreira). Agora o CDS ficou órfão do pai adoptivo (Paulo Portas), pelo que em continuação do seu drama familiar vai agora entregar-se aos cuidados de uma mãe adoptiva. E esta poderá ser a chave do sucesso e da reafirmação e crescimento eleitoral do partido, porque uma mãe adoptiva gosta tanto dos seus filhos como uma mãe natural, com a vantagem de que tendo a noção das dificuldades e do drama pelo qual os filhos já passaram terá tendência a gerir com mais equilíbrio a distribuição de afectos, mantendo a disciplina, a participação de todos e o respeito dentro de portas para afirmação da sua própria autoridade no seio familiar, na gestão das questões escolares da rapaziada e nas actividades da sua paróquia.

Assunção Cristas tem um estilo próprio, ao mesmo tempo duro e caloroso, nada afectado e bastante prático, sendo pois de antever que funcionará assim como uma espécie de Nossa Senhora do partido, ungida pelo anterior líder, para manter a estabilidade interna enquanto afirma a sua liderança, e conduzir o CDS (aqui já sem PP), transformando-o numa espécie de CDU à portuguesa, mas mais à esquerda, com responsabilidade, preocupações sociais e cívicas, e onde um independente como Bagão Félix se poderá voltar a rever.

A chanceler Merkel veio do Leste, da ex-RDA. Assunção Cristas nasceu no pós-revolução, em dia de manifestação da infame e tenebrosa Maioria Silenciosa, e chegou de Angola com os seus pais nos conturbados tempos de 1975, integrando uma família numerosa, que passou pelas dificuldades próprias de quem sai da terra onde se formou e cresceu para sobreviver num meio politicamente crispado e hostil que vivia o PREC e os “tempos áureos” da reforma agrária. Ironia das ironias, o CDS-PP que tantas e tão repetidas vezes teve dificuldade, ao nível de algumas das suas bases mais reaccionárias e ignorantes, de conviver com a integração dos “retornados”, apesar de muitos destes com ele se identificarem, vai agora ser liderado por uma para todos os efeitos “retornada”, que felizmente para ela não viveu o desprezo e o estigma a que alguns foram outros votados e pelo qual foram perseguidos ao longo da sua adolescência e vida adulta no Portugal democrático. Cristas é senhora de um percurso académico, de uma frontalidade e uma transparência no discurso (por vezes enganadora quanto às suas reais intenções) que podem começar a fazer a diferença (também alguma mossa nos adversários) e a marcar um tão desejado tempo novo, não apenas para o CDS-PP como para todos os restantes partidos portugueses. Tempo novo, é justo referi-lo, já iniciado pela presença mais assídua e saudável de mulheres jovens e bem preparadas na direcção de um outro partido (Bloco de Esquerda) e a que o novo Presidente da República se vem diariamente associando.

Para já, a frase que Assunção Cristas proferiu no Congresso e que irá marcar os próximos tempos, porque proferida por uma dirigente de um partido tradicional e dos mais responsáveis pela situação actual do país (“porque ser política e estar na política deve-nos entusiasmar a todos e ser um motivo de orgulho para todos, não é uma actividade menor, não é uma actividade de má fama, apenas para aqueles que não conseguem fazer outra coisa na vida, tem de ser para os melhores de nós") deve ter deixado alguns dos militantes do seu partido em estado de choque. Pelo que traz de novidade ao tradicional cinzentismo, opacidade e oportunismo de alguns dos seus militantes mais poderosos, habituados a verem no partido, à semelhança do que acontece recorrentemente noutros partidos à sua esquerda e do chamado arco da governação, o subsídio de aleitamento da suas incapacidades.

Ainda que não se saiba por agora se será só uma líder transitória, embora não seja essa a minha leitura, mas pelo que pode representar de mudança e sangue novo na política, afronta ao passado recente, coragem e afirmação feminina na política, mudanças que no país do O'Neill, Sena e Cardoso Pires, que é também o meu, são sempre de saudar, estou convicto de que a assunção de Assunção vai gerar muita expectativa.

A motivação do combate político à esquerda do CDS passa por aí e pelo aparecimento à direita de lideranças fortes, preparadas e frontais, que a libertem do espírito proteiforme e moluscóide das suas lideranças das últimas décadas. Oxalá que à esquerda haja quem saiba ler os sinais, o que ficou expresso e as entrelinhas. Os comboios de alta velocidade não costumam parar em apeadeiros para apanharem os atrasados, os renitentes e os incautos.

__________________ 

P.S. (1) Vai daqui uma saudação ao Adolfo Mesquita Nunes, colega de tribuna no Delito de Opinião, desejando-lhe as maiores felicidades na vice-presidência do CDS-PP. E formulo votos de que o exercício desse cargo não seja pretexto para se afastar desse espaço. Os partidos têm de saber conviver com a liberdade de opinião dos seus dirigentes e militantes. E o debate também tem de ser feito fora de portas (literalmente) para se poder tornar mais rico e mais inclusivo.

P.S. (2) Este texto ignora a participação de Assunção Cristas nos anos de Governo de Passos Coelho. O balanço do que ali fez, com ou sem ar-condicionado, perfumado ou a cheirar a catinga, não constituía objectivo destas linhas.

(texto inicialmente publicado aqui)

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A frase que subscrevo

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.03.16
"[S]er política e estar na política deve-nos entusiasmar a todos e ser um motivo de orgulho para todos, não é uma actividade menor, não é uma actividade de má fama, apenas para aqueles que não conseguem fazer outra coisa na vida, tem de ser para os melhores de nós." - Assunção Cristas, XXVI Congresso do CDS-PP

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Obrigado, João Almeida

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.02.16

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"Estudei sempre em escolas públicas, em relação aos meus filhos, se isso for viável, também estudarão sempre em escolas públicas." – João Almeida, deputado, vice-presidente do CDS-PP

 

Vamos todos fazer para que seja sempre viável, mesmo que alguns dos companheiros dele não sejam da mesma opinião e prefiram todo o dinheiro público e mais algum a subsidiar escolas privadas.

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Logo haviam de votar na minha ausência

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.02.16

"No momento da votação, não se encontravam no hemiciclo os presidentes do PSD, Passos Coelho, e do CDS-PP, Paulo Portas."

 

Sim, eu sei que o Portas está de saída e vai ter justificação. Sobra sempre para mim. Mas essa coisa de um tipo ter de votar essas "merdices" que o Presidente devolveu e os radicais de esquerda insistem em levar à Assembleia é uma boa chatice. Ainda por cima há uns gajos no partido que votam com eles. E outros que se abstêm. Isso não é muito "social-democrata". Oxalá que quando for a votação do OE não me obriguem a ir aos cigarros. 

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O país, esse vira-casacas

por Teresa Ribeiro, em 03.02.16

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O que eu mais ouvi nestes últimos quatro anos aos passistas foi que a social-democracia estava morta e enterrada. Muito confortáveis nos seus fatinhos de corte liberal, os laranjinhas do regime sentenciavam em tom de fim de conversa que aquele era um modelo de sociedade obsoleto que só a velharia ainda recordava. E faziam-no com uma veemência tal que a simples enunciação do vocábulo era recebida, por vezes, como um anacronismo indesculpável. Pois qual não foi o meu espanto quando começo a ler nos jornais com alguma insistência que Passos vai tirar da cartola essa relíquia para gáudio dos seus apoiantes e, pasme-se, a fim de "regenerar o partido". 

A acreditar no que li, o slogan para reeleição é "Social-democracia sempre!" Já a defender-se de eventuais bicadas, o líder do PSD disse que não foi ele que mudou, mas o país. E é pelo país que o partido se vai recentrar e reabilitar a sua raiz centro-esquerda.

Perfeitamente alinhado, o CDS espera de Cristas uma aproximação ao centro, "sem purismos ideológicos". Está na hora de meterem o liberalismo na gaveta com as respectivas folhas de excel e pensarem nas... pessoas, no país, no povo, sei lá.

Sociais-democratas e democratas-cristãos forever, eles preparam-se para arrancar com uma agenda de meter inveja às criaturas que lhes fundaram os partidos em nome dos tais valores humanistas bafientos que de resto já começaram a arejar, quais cataventos mediáticos.

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Balanço de Inverno (1)

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.02.16

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 (Global Imagens/Arquivo)

Passados os dias conturbados de 2015, feitos de promessas sem amanhã, e arrumada a casa por uns tempos após a chicana eleitoral e o circo das presidenciais, o país prepara-se para voltar a confrontar-se com os problemas de sempre. O combate ao desemprego, o crescimento económico, as políticas de educação, saúde e segurança social, o combate ao défice, o aumento da produtividade, a melhoria dos salários, as inadiáveis reformas da administração pública, a que ultimamente se acrescentam as novas preocupações com os direitos humanos, a crise dos refugiados e as epidemias que se espalham à velocidade da luz, estão para durar. Enquanto isso, os partidos preparam-se para enfrentar os tempos que se avizinham, alguns para se reposicionarem e trabalharem o futuro, purificando-se para melhor se aguentarem na mudança de estação.

1. O CDS/PP caminha para o seu congresso. Vai ser um congresso diferente, primaveril, não só porque marcará a despedida (até ver irrevogável) de Paulo Portas, mas em especial porque assinalará a chegada de mais uma mulher à liderança de um dos partidos com assento parlamentar. A chegada de Assunção Cristas à liderança do CDS/PP, à semelhança do que aconteceu com o Bloco de Esquerda, será um dos motivos de atracção para o acompanhamento da vida política. O dinamismo de Catarina Martins e de outras dirigentes do BE, como Marisa Matias e a incansável Mariana Mortágua, vai ser agora replicado à direita. Pessoalmente, creio que o país só tem a ganhar com a presença de mais uma mulher qualificada na política. Cristas é uma mulher com excelente formação académica, senhora das suas ideias, com uma invejável capacidade de comunicação e argumentação e que, tal como as dirigentes do BE, não padece dos defeitos de formação política numa jota, sendo certo que pelas suas características pessoais e índole humanista dispensa a elevada dose de cinismo, tacticismo e oportunismo que caracterizou algumas lideranças masculinas. E não me refiro só ao CDS/PP. Se Cristas quiser poderá mesmo renovar o discurso à direita, dar-lhe uma marca ideológica e identitária própria, que aquela há muito perdeu, e, com uma maior ou menor dose de populismo, conquistar terreno no campo desertificado e improdutivo em que actualmente se posiciona politicamente o PSD. Se há alguém em quem qualquer português confia é numa mulher simpática, com ideias claras, com uma figura desempoeirada e tranquila, que além de criar os filhos e dar ordens em casa consegue ter uma carreira académica e profissional de mérito. Se a isso for capaz de juntar a capacidade de liderança de um partido que representa uma fatia considerável de eleitores, poderão ser muitos os que desconfiem, mas creio que serão mais os forcados e marialvas que, às escondidas, estarão dispostos a apoiá-la e incentivá-la. Os outros que se cuidem.

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E aos costumes disseram nada

por Sérgio de Almeida Correia, em 02.02.16

"O salário dos gestores foi revisto em outubro pela Comissão de Vencimentos da ANAC, constituída por três elementos eleitos para essas funções: Luís Manuel Santos Pires, escolhido pela então ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque; Eduardo Miguel Vicente de Almeida Cardadeiro, escolhido pelo ministro da Economia, António Pires de Lima; e Luís António Fonseca de Almeida, escolhido pelos administradores da ANAC."

"Luís Ribeiro não poderá exercer as suas funções em razão de incompatibilidades e impedimentos. Do mesmo modo não tem experiência nas matérias internacionais e de segurança. Ou seja, corremos o risco de ter um presidente da ANAC manifestamente pouco preparado para as funções com os riscos daí inerente à aviação civil". Foram as conclusões do relatório da Comissão de Economia e Obras Públicas, apresentado e aprovado por unanimidade em julho de 2015."

"Os nomes indicados pelo anterior governo mereceram muitas reservas da Assembleia da República, mais precisamente da Comissão de Economia e Obras Públicas, que apreciou os currículos. A principal inquietação tinha que ver com o facto de Luís Ribeiro e Seruca Salgado serem quadros da ANA - Aeroportos de Portugal, organismo que é fiscalizado pela ANAC. E Ribeiro também pertencia aos quadros da Portway e foi nomeado num momento em que a ANAC seria chamada a pronunciar-se sobre a venda da TAP ao consórcio Gateway.

Já a vogal Lígia Fonseca transitou do gabinete do ex-secretário de Estado dos Transportes Sérgio Monteiro para o ainda INAC, em 2014, e foi reconduzida por este governante para a ANAC sem passar pelo crivo da Comissão de Recrutamento (Cresap)."

"Regularizar "a situação" significou aumentar os salários de 6 030,20 euros de Luís Miguel Ribeiro (o presidente) para 16 075,55; de 5 498,65 euros para 14 468,20 no caso de Seruca Salgado (vice-presidente); e de 5141,70 euros para 12 860,62 na folha de vencimentos de Lígia Fonseca, vogal da administração."

 

Está visto que o problema do défice de 2015 era a viagem do outro em executiva.

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Situação política

por Tiago Mota Saraiva, em 06.12.15

Foi particularmente interessante assistir aos debates parlamentares que decorreram durante a semana.
A maioria que sustentou o actual governo demonstra estar tranquila com a sua diversidade. Um governo do PS, uma maioria de esquerda à qual só faltará juntar um presidente de esquerda - mas esta questão fica para outros escritos.
A posição conjunta entre PS e BE, PCP e PEV é um bom ponto de partida que parece ser simpático para todos. Ainda assim, muitos desafios terão pela frente. Ao contrário do que a trupe de comentadores que se repete nas TV's, demasiado ocupados a papaguear questões financeiras, o grande engulho para a maioria parlamentar não será o orçamento ou o défice mas, muito provavelmente, as eleições autárquicas - caso não sejam preparadas em conjunto (que não quer dizer em coligação) e com tempo.
Ao invés, PSD e CDS, estão em processo de auto-flagelação. A tese da ilegitimidade e o ataque de carácter a Costa tem eco na população. O problema é que não se consegue resistir quatro anos a dizê-lo. O pico máximo de popularidade dessa tese ocorreu no dia em que foi declarada pela primeira vez. A partir daí só perde simpatizantes. Mais dia menos dia o PSD deverá ir para Congresso. Fora do poder, com um Passos Coelho radicalmente contra o governo de Costa e, muito provavelmente, com algumas das suas medidas sob investigação (política e judicial) surgirá, certamente, um candidato que procure retomar as pontes ao centro porque isso significa mais votos e muitos lugares na administração pública, mesmo com um governo do PS. Para já o CDS parece-me imprevisível. Veremos se os próximos tempos ajudarão a clarificar-se.

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(foto DN)

"Este é um Governo para um[a] legislatura e para quatro anos";

"[U]ma equipa que revela (...) uma renovação";

"Este Governo e a coligação fizeram aquilo que o povo mandatou fazer: formar uma equipa para um Governo de quatro anos";

“Este poderia perfeitamente ser um Governo de maioria absoluta” - Nuno Magalhães

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Nomeações a jacto

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.10.15

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A Vespa já tinha dado um sinal no dia da tomada de posse. Quatro anos depois há nomeações feitas de mota, outras que vão de Audi, algumas que utilizam submarinos, e um montão delas vai de jacto. Isto é, de Falcon, para não se perder tempo.

Desconheço se são estas coisas que agora se ensina na catequese, mas o que vale é que os portugueses já estão habituados a pagar para este peditório. Há quem lhe chame falte de vergonha e outros nomes que não se coadunam com a elevação deste blogue, mas o certo é que desta forma evita-se que aumentem as listas de desempregados e continua-se uma prática que vem do passado e se insere já no programa de reforma do Estado do ... próximo governo. De "eliminação de gorduras" e acrescento de "emplastros".

Embora não se saiba muito bem quando existirá um novo Governo, nem com quem, o importante é que assim a molecada do partido fica orientada para os próximos anos, com um salário jeitoso, e pode ir comungar descansada depois do cafezinho na Garrett.

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Legislativas (17)

por Pedro Correia, em 30.09.15

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PORTUGAL À FRENTE: MEDIDAS EMBLEMÁTICAS

(para ler e comentar)

 

Programa eleitoral da coligação

Título genérico: Agora Portugal Pode Mais

Número de páginas: 148

Data de apresentação: 30 de Julho de 2015

Frase-chave: «Queremos estar ao serviço dos portugueses e de Portugal.» (Pedro Passos Coelho)

 

1. Aprofundar o quociente familiar no IRS.

2. Aumentar a cobertura na rede de creches.

3. Extender aos avós o direito de gozo de licença atribuído aos pais para acompanhamento de filho menor ou doente.

4. Introduzir a reforma a tempo parcial, "por forma a estimular o envelhecimento activo".

5. Facilitar o prolongamento da vida laboral, de forma voluntária, após os 70 anos, estendendo à administração pública o regime já existente no sector privado.

6. Universalizar a oferta da educação pré-escolar, desde os 4 anos, a partir do ano lectivo 2016/17.

7. Rever o regime jurídico das instituições de ensino superior, "garantindo uma autonomia institucional adequada à melhoria do serviço público".

8. Combater a violação do direito de autor e direitos conexos.

9. Renovar o aumento das pensões mínimas, sociais e rurais.

10. Desenvolver o Portal do Cidadão, tendo em vista funcionar como uma loja do cidadão on line.

11. Lançar Programa Saber Mais, centrado em alunos com dificuldades de aprendizagem e oriundos de famílias desfavorecidas.

12. Alterar a bonificação do abono de família por deficiência.

13. Promover o voluntariado em todas as idades.

14. Garantir que cada português tenha um médico de família até final de 2017.

15. Aumentar progressivamente a liberdade de escolha, na rede pública de cuidados de saúde, para todos os utentes do SNS.

16. Atingir uma quota de três quartos de genéricos no total de medicamentos no mercado.

17. Avançar para a criação do Hospital Lisboa Oriental.

18. Prosseguir o processo de devolução dos hospitais às misericórdias.

19. Reduzir taxa geral do IVA de 21% para 20% em 2016, prosseguindo esta redução ao ritmo de um ponto percentual por ano até 17% em 2019.

20. Consolidar o processo de liberalização do mercado da energia, "simplificando o processo de mudança de comercializador".

21. Concluir o processo de privatização da TAP.

22. Aumentar o tráfego fluvial de carga no estuário do rio Tejo.

23. Liberalizar o transporte fluvial de passageiros entre as margens do Tejo.

24. Propor a partir e 2016 a revisão do acordo com a Santa Sé sobre a questão dos feriados religiosos.

25. Criar o Portal do Empreendedorismo.

26. Abolir em 2018 a Contribuição Extraordinária sobre o Sector Energético.

27. Transferir processos pendentes nos tribunais judiciais para os tribunais arbitrais.

28. Eliminar progressivamente a sobretaxa do IRS.

29. Flexibilizar o sistema de pagamento de dívidas fiscais em prestações.

30. Prosseguir a redução da taxa do IRC.

31. Promover estágios para funcionários públicos em empresas privadas, sobretudo em áreas de forte componente tecnológica.  

32. Reverter cortes salariais na administração pública, ao ritmo de 20% ao ano.

33. Dinamizar o contrato de arrendamento, atraindo população mais jovem para os centros urbanos.

34. Fomentar o mercado social de arrendamento.

35. Alargar o peso da reabilitação urbana no volume de negócios da construção, passando de 10% em 2013 para 23% em 2030.

36. Rever o regime de referendos e de iniciativa legislativa popular, simplificando procedimentos e requisitos.

37. Desenvolvimento de projectos-piloto de voto electrónico e de voto em mobilidade, especialmente para as comunidades no estrangeiro.

38. Prosseguir a política de dignificação dos antigos combatentes.

39. Reforçar o apoio ao projecto de turismo militar.

40. Aprofundar a lei da transparência no acesso à informação pública.

41. Prosseguir o reequipamento e modernização das forças de segurança.

42. Reforçar o papel do Sistema de Informações da República Portuguesa no combate às ameaças internas e externas.

43. Intensificar acções de patrulhamento policial em "zonas urbanas sensíveis".

44. Concretizar a introdução da carta de condução por pontos.

45. Aprovar o Estatuto da Força Especial de Bombeiros, conferindo-lhe estabilidade.

46. Combinar todas as formas de discriminação de género.

47. Desenvolver acções de apoio ao empreendedorismo feminino.

48. Reforçar a formação das forças e serviços de segurança e inspectores do trabalho no combate a situações de tráfico de seres humanos.

49. Combater o terrorismo internacional, "nomeadamente o Estado Islâmico e seus aliados".

50. Incrmentar relações com a China, Indonésia, Índia, Coreia do Sul e Japão.

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Um dia isto muda

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.09.15

No dia 9 de Julho de 2015, o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, através do Louvor 340/2015, reconhecia a qualidade do desempenho do adjunto do seu gabinete, enfatizando o seu papel na reestruturação do sector da água e dos resíduos.

Menos de dois meses volvidos fiquei a saber pelo Expresso que a Águas de Portugal (AdP) aprovou para o conselho de administração de uma das suas empresas, a AdP Serviços, a entrada desse mesmo adjunto que até ao final de Junho trabalhara com Jorge Moreira da Silva na reestruturação do sector da água.

 

Para alguns, o serviço público continua a ser uma via verde, rosa, laranja, azul-bebé, a cor é indiferente, para se ser premiado e subir na vida.

Há tempos, alguém reproduziu-me uma frase que ouvira a um seu antepassado que fora ministro: "no dia em que entrei para o Ministério os meus cavalos estavam calçados a prata, quando eu saí estavam calçados a ferro". Os tempos mudaram e já ninguém exige que o serviço público seja um serviço à borla e que uma pessoa não seja devidamente compensada pelas funções que desempenha em benefício da comunidade. Um tipo não deve, não pode, ser prejudicado, mas o exercício desse serviço à comunidade não pode servir de razão para que se transformem funções banais, desempenhadas num qualquer gabinete ministerial, num tgv social e profissional. Por muito mérito que possua quem prestou esse serviço, essa é uma imagem errada que continua a ser transmitida para as futuras gerações. Qualquer que seja a cor do governo.

Aquilo que era uma vergonha - e para mim já era e continuará a ser - com os antecessores, repete-se à beira das eleições com os laranjinhas. E não há sequer a preocupação de lhes arranjar um lugar noutra área que não tivesse estado na sua dependência ou numa relação directa com o ministro de onde se saiu. Quando o lugar desejado não é soprado ou imposto, sabe-se como se faz. Dá-se o lamiré, avança-se com a sugestão, formula-se a recomendação, e rapidamente os serventes põem o comboio em marcha. O decoro, o pudor, a vergonha, a decência, tudo isso são conceitos que há muito caíram em desuso. Nas universidades e escolas de quadros estivais ensina-se hoje que tudo deve ser feito com "transparência", às claras, tal e qual como alguns outros de má memória faziam, para que ninguém seja "prejudicado" na "carreira". Tudo de janela aberta, se possível escancarada, com direito ao louvor da praxe no jornal da caserna para que ninguém duvide dos méritos do elogiado. Às vezes, se bem me recordo, os méritos resumem-se ao transporte da mulher e dos filhos de quem elogia durante o período em questão.  

Tempos houve em que a mulher de César era e fazia questão de parecer séria. Hoje em dia tudo mudou. Caiu em desuso. Nos dias que correm a mulher de César não precisa de parecer séria porque toda a gente sabe que é uma devassa das piores, uma concubina que gosta de se exibir toda descascada nos jornais, nas revistas cor-de-rosa e nas televisões populares e do regime. E não se importa de ser vista como uma devassa porque só assim garante o futuro. Os seus amantes também não se importam de partilhá-la e de vê-la publicamente partilhada porque entram invariavelmente pela porta do cavalo, são promíscuos, dependentes e poucos dados ao recato. César, esse, lá vai pagando os seus impostos, enquanto vai fazendo figura de cornudo.

No dia 4 de Outubro, César irá colocar a cruzinha nas promessas que lhe fizeram durante dois meses. Para que tudo possa continuar na paz do Senhor. Como convém a qualquer cornudo agradecido por os amantes o deixarem continuar a viver lá em casa. Na sua casa. Na terra dos cornudos agradecidos.

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Mas é preciso um parecer?

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.08.15

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A gente sabe que no afã das distribuição de prebendas e das privatizações em cima do joelho, só para cumprir calendários em fim de ciclo e contentar os amigos, há muita coisa que passa despercebida. E também sabemos, por exemplo, que em casos como o da RTP a aquisição dos direitos para a transmissão dos jogos da Liga dos Campeões foi apenas um pretexto para correr com Alberto da Ponte, pois esses mesmo jogos, entretanto, já foram apresentados como um trunfo à beira das eleições. É claro que com o futebol ninguém se chateia, mas a situação deste cavalheiro que o ex-ministro Relvas promoveu inicialmente para um instituto público ultrapassa os limites do decoro, e revela o opróbrio em que medra a reforma do Estado que a coligação PSD/CDS-PP prometeu aos portugueses quando estes correram com José Sócrates.

O problema não é a competência do presidente da PT Portugal ou a legalidade da situação, mesmo que uma "entidade externa", como muitas outras que o governo de Passos Coelho contratou por ajuste directo para não perder tempo, venha dizer que é legal.

Qualquer pessoa decente facilmente compreende que o problema é de moralidade, de ética, de coerência com aquilo que se apregoou e com a agenda que se impôs aos portugueses à revelia do seu contrato eleitoral.

Porque só num Estado doente, em fase terminal de desmantelamento, corroído pelo clientelismo, sem gente às direitas, e com primeiros-ministros e políticos sem estatuto, dependentes desse mesmo Estado, dos partidos e dos empresários que vivem à sombra de ambos, é que se fica à espera de pareceres (pagos com o dinheiro que se desviou da sua segurança social, educação e saúde) para se acabar com o deboche.

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Némesis

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.08.15

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 (Global Imagens)

Só em quatro de Outubro é que a deusa se manifestará, dando a uns o que merecem e castigando os que tiraram partido da fortuna para se arruinarem e arruinarem os seus. Assim que passe o Verão estaremos lá. Nessa altura se saberá qual a medida da punição, que a acreditar nos sinais não serão benevolentes.

Aceitar a integração do CDS/PP nas listas do PSD foi uma decisão politicamente acertada e susceptível de acautelar perdas eleitorais substanciais com inequívoco reflexo no número de deputados do CDS na composição da próxima Assembleia da República. Fazer figura de Heloísa Apolónia e ir abrilhantar a festa do Pontal, como se o CDS/PP fosse uma espécie de Verdes alaranjados, é que não me pareceu uma decisão inteligente. Com o Pontal deste ano só houve uma pessoa a ganhar: Ribeiro e Castro.

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José Ribeiro e Castro

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.07.15

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Li e reli. A entrevista de José Ribeiro e Castro ao Público. Já o tinha ouvido antes e a conclusão é sempre a mesma: o mal não está à direita, à esquerda ou ao centro. O mal é uma certa forma de fazer política que tomou conta do país e dos partidos. Quando se entregam os navios à rataria, é natural que a gente séria e limpa não se sinta bem nos camarotes que lhe destinam. Ninguém gosta de ficar limitado ao convés e ao que vê da sua escotilha.

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Uma coligação oportuna

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.04.15

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(foto JN) 

A decisão de PSD e CDS-PP de se apresentarem coligados às próximas eleições legislativas é uma decisão oportuna por várias razões.

Em primeiro lugar, porque é natural que quem governou em coligação se apresente ao eleitorado nos mesmos termos em que governou, ou seja, em coligação. Se governaram juntos, se foram parceiros nas boas e nas más decisões, se entendem que o caminho que percorreram deve continuar a ser trilhado no futuro, então a decisão é perfeitamente compreensível e, em meu entender, sensata. Essa será a melhor forma do eleitorado avaliar o desempenho do Governo de Passos Coelho e manifestar o que pensa sobre o futuro que deve ser reservado aos coligados.

Depois, é uma decisão oportuna porque introduz clareza numa área tradicionalmente confusa. A coligação é uma medida higiénica que traz transparência ao eleitorado, promove uma adequada separação de águas e mostra ao eleitorado que ao centro há, por agora, pelo menos dois caminhos. Um mais à direita, outro mais à esquerda.

Também é uma decisão oportuna porque permitirá ao PS saber com o que conta, podendo dessa forma ver facilitada a sua estratégia eleitoral e consolidar as suas propostas para o país. Os portugueses sabem que o PS não irá manobrar nos bastidores um qualquer governo de "consenso" para o país. 

Por outro lado, é ainda uma decisão oportuna porque também responsabilizará daqui para a frente o Presidente da República naquilo que disser e no que pontualmente venha a fazer quanto ao pouco, pouquíssimo, que lhe for exigido. Se Cavaco Silva pensava que ia ter um final de mandato calmo, fica agora com a certeza de que depois de todas as "asneiras" que promoveu as suas hipóteses de chegar ao fim sem mais problemas ficam ainda mais reduzidas. Essa é para ele uma recompensa merecida pelo seu desempenho até aqui.

Finalmente, a coligação que acabou de se apresentar ao país para as próximas eleições é também uma decisão oportuna porque mostra aos portugueses o pânico que grassa entre as hostes do PSD e do CDS-PP. Depois de todos os amuos, traições, sacudir da água do capote, intrigas e golpes a que o país assistiu, a coligação é uma imagem do estado a que chegaram e é a prova acabada de que só existe e só é anunciada nesta altura porque o desastre foi tão grande que nenhum dos partidos se sente à-vontade para se apresentar sozinho a eleições.

Esta é, pois, uma boa notícia para o país e que deve por isso mesmo ser devidamente saudada.

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A resposta que deve ser dada de megafone

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.04.15

"Gostava imenso que o Conselho de Finanças Públicas analisasse estas propostas e estas simulações. Teríamos todo o gosto." - Paulo Trigo Pereira, à Renascença

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Em poucas palavras

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.10.14

"O dr. Passos Coelho e os seus fiéis julgam que fizeram uma grande obra. Já se esqueceram que a troika os forçou a fazer o que fizeram. Como se esqueceram, com certeza por intervenção do Altíssimo, que não cumpriram o programa (aliás, duvidoso) a que se tinham comprometido. Aumentaram a receita do Estado, sem inteligência ou perícia; e fugiram de reformas substanciais com vigarices, com pretextos e com uma insondável indolência.
Quando o dr. Passos Coelho, lá para Outubro, for delicadamente posto na rua, o Governo seguinte com um bocado de papel e uma caneta arrasará numa hora tudo ou quase tudo o que ele deixou.
Entrou provavelmente na cabeça do primeiro-ministro a ideia perigosa de “deixar um exemplo”. E deixou. Deixou um exemplo de trapalhada, de superficialidade e de  ignorância. Ou seja, nada de original."- Vasco Pulido Valente, Público, 24/10/2014

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Pós-eleitoral (1)

por Pedro Correia, em 26.05.14

1. A perda de autonomia do CDS face ao PSD em sucessivos escrutínios eleitorais ameaça torná-lo uma espécie de Verdes do PCP. Começou nas autárquicas, prosseguiu nas europeias. Se esta tendência se prolongar nas legislativas, o parceiro menor da actual coligação governamental mergulha na irrelevância.

 

2. Um pouco por toda a Europa, face à pressão dos extremismos, os resultados eleitorais potenciam soluções de bloco central. Neste sentido, o escrutínio de ontem é o primeiro capítulo da "grande coligação" destinada a concretizar-se em 2015. Dispensando os pequenos partidos, naturalmente.

 

3. Atenção aos especialistas em marketing político: os slogans eleitorais devem ser sempre avaliados em função não só da véspera mas também do dia seguinte. Aquela que parecia a melhor mensagem, a do Bloco de Esquerda, transforma-se numa das piores à luz dos resultados concretos. "De pé" anteontem, de rastos agora.

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Andam a gozar à nossa custa

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.05.14

 

Ainda não fez uma semana que a troika se despediu dos régulos que tomam conta do "Protectorado" e já um ilustre autarca se prepara para cumprir uma promessa eleitoral. Inadiável, digo eu. Sim, porque quando se considera estruturante um investimento de € 100.000,00 (cem mil euros) para construir uma "pista pedonal para cumprimento de promessas em nome de Madre Rita", quem o promove deve ter direito a fotografia na primeira página. Para que  todos os portugueses a quem são pedidos esforços e sacrifícios possa ver a cara do "pagador de promessas" e agradecer convenientemente o investimento quando com ele se cruzarem na rua ou, quem sabe, numa procissão pré-eleitoral.

Para um tipo que foi secretário de Estado do Sr. Passos Coelho, num executivo onde também estava aquele senhor a quem chamavam "doutor", que ia fazer a reforma das autarquias, da RTP e de mais um montão de coisas, para poupar dinheiro aos contribuintes, acabar com as gorduras do Estado e reduzir a despesa pública, penso que seria importante incluir este cavalheiro nas medalhas para o Dez de Junho. Oxalá que o Presidente da República não se esqueça dele.

Autarcas destes, dos que cumprem promessas e anunciam investimentos estruturantes em honra das santinhas da terra a 72 horas de um acto eleitoral, já escasseiam. Com a generosa protecção do partido ainda menos.  

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O CDS no seu labirinto.

por Luís Menezes Leitão, em 15.01.14

O episódio da Meta dos Leitões, diga-se de passagem a meu ver o melhor restaurante da Mealhada, é apenas um símbolo. Está a verificar-se na opinião pública uma rejeição brutal aos partidos do Governo, cujo principal motivo reside na falta de ética com que o Estado apregoa a liberdade de quebrar unilateralmente dos seus compromissos. É fácil depois a qualquer restaurante vir dizer que da mesma maneira que alteraram unilateralmente as pensões aos reformados, ele também se sente no direito de aumentar unilateralmente o preço das refeições que fornece a essas pessoas. Mesmo que a história não esteja bem contada, aplica-se aqui o adágio do si non é vero, é bene trovato. Mas o que parece elucidativo é isto ter ocorrido com o CDS. É que enquanto o PSD se sente mais livre para fazer estas malfeitorias, pois tem um eleitorado transversal, que até é capaz de se sentir pouco solidário com os reformados, o eleitorado do CDS é maioritariamente constituído por estas pessoas. Esta ultrapassagem das linhas vermelhas representa assim o suicídio político do partido, como fica demonstrado com esta entrevista demolidora efectuada por Mário Crespo a Assunção Cristas. Neste momento o CDS só está a olhar para a floresta, perdendo de vista as árvores que são os seus votantes. E assim enfiou-se num labirinto: Ou concorre sozinho a eleições, e será o principal castigado eleitoralmente por todas as mafeitorias feitas pelo Governo ou concorre em listas conjuntas com o PSD, sujeitando-se assim ao abraço de urso que lhe retirará a sua identidade política. O Congresso albanês do passado fim-de-semana, em que só Filipe Anacoreta Correia foi capaz de quebrar o unanimismo em torno do estado de espírito irrevogável de Paulo Portas, é bem capaz de representar por isso o dobre a finados deste partido. O que é estranho é que os seus militantes não consigam ver isto.

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Bem me parecia que o "Sarmentinho" fazia estragos

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.01.14

A minha confiança nos congressistas algarvios do CDS-PP, que tão espoliados foram na Mealhada, sai reforçada depois do episódio da "Meta dos Leitões". Percebe-se claramente, pela notícia do Jornal de Negócios, que é muito difícil cumprir o programa quando aparece alguém numa excursão, desalinhado com a direcção do partido, que ousa pedir um bife num restaurante de leitão. E se no fim ainda há quem se lembre de fazer as contas incluindo uma "gorjeta" de dois euros por cabeça (só aí foram € 30,00 que não entraram nas contas da ministra das Finanças), o caldo está mesmo entornado.

O meu conselho é que da próxima vez negoceiem antecipadamente o preço, de preferência com o IVA já incluído, que comam todos leitão (bifes é coisa para reformados ricos), não deixem gorjeta (não fica bem aos senhores congressistas andarem a fomentar a fuga ao fisco) e, em especial, não bebam o "Sarmentinho".

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Se é que me entendem

por Rui Rocha, em 14.01.14

Pelo visto, uns bravos congressistas do CDS queixam-se de lhes ter sido cobrado mais do que o que era devido na "Meta dos Leitões". Mais, afirmam ainda que, apresentada reclamação, terão obtido do responsável do restaurante a seguinte resposta: por serem do CDS e como tal apoiantes desse governo que nos rouba, então para me defender eu também os roubo a vocês. Solidário com os espoliados congressistas, só posso desejar, do fundo do coração, que a decisão da "Meta dos Leitões" seja irrevogável.

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1. É possível cantar vitória mesmo perdendo 37 mil votos, baixando 0,1% desde as últimas autárquicas e recuando 5,7% em relação às eleições legislativas de 2011? É. O CDS foi apontado como um dos vencedores desta mais recente noite eleitoral tendo por base as fraquíssimas expectativas quanto ao seu desempenho nas urnas. E, claro, também graças à conquista de cinco câmaras, juntando quatro ao antigo bastião de Ponte de Lima: Albergaria-a-Velha (Aveiro), Vale de Cambra (Aveiro), Velas (Açores) e Santana (Madeira). Fraco pecúlio para um partido que já governou as câmaras de Lisboa e Aveiro, entre várias outras. Portas, com o seu reconhecido talento para sound bites, apressou-se a falar no "penta" centrista. Mas a verdade é que o partido recua no terreno eleitoral. Um sinal de alarme deve acender-se no Largo do Caldas já a pensar nas futuras legislativas. Que podem tardar menos do que alguns imaginam.

Primeiro desafio: como travar o declínio eleitoral do CDS?

 

2. Os parceiros menores das coligações costumam ser os mais prejudicados. Assim tem sido no Reino Unido, onde muitos liberais-democratas já se questionam se fizeram bem em coligar-se com os conservadores, e assim aconteceu na Alemanha, onde a CDU de Angela Merkel corroeu dois parceiros sucessivos: primeiro os sociais-democratas, entre 2005 e 2009, e agora os liberais. Os primeiros ainda não se recompuseram, os segundos acabam de ser riscados do mapa eleitoral. Este é um risco que Portas corre ao manter-se na coligação, sobretudo em tempo de grave crise económica e o país sob intervenção externa no plano financeiro. A sua margem de manobra é muito estreita: se move um pé para a esquerda, pode ser acusado de deslealdade a Passos Coelho; se move um pé para a direita, perde a autonomia partidária. No fim da estrada, arrisca-se a não agradar a gregos nem a troianos.

Segundo desafio: como manter a autonomia do parceiro menor da coligação governamental?

 

3. Do ponto de vista estratégico, a prazo, interessa ao CDS manter uma posição quase equidistante entre as duas principais forças políticas, recuperando e actualizando uma antiga tese de Freitas do Amaral quando liderava o partido. Um PSD forte, como chegou a suceder no tempo de Cavaco Silva, sentirá sempre a tentação de engolir o CDS, considerando o eleitorado deste partido uma espécie de prolongamento natural do seu. Por outras palavras: o PS, para governar, precisará amanhã tanto do apoio parlamentar dos centristas como hoje necessita o PSD. Um primeiro teste real a esse cenário vai ocorrer na Câmara Municipal do Porto, agora presidida por Rui Moreira, que para ser eleito contou com os votos do CDS. Portas não dirá nem fará nada, daqui para a frente, que inviabilize uma futura coligação governamental PS-CDS, evitando ao mesmo tempo que essa atitude lhe suscite o ódio das hostes de Passos Coelho. Desafio difícil, a pôr à prova os dotes de equilibrista do vice-primeiro-ministro.

Terceiro desafio: como estender pontes para o PS sem perturbar as relações com o PSD?

 

4. Portas é o líder partidário há mais tempo em funções no País: dirige o CDS desde 1998, exceptuando o curto interregno protagonizado por Ribeiro e Castro no biénio 2005-2006. Cabe-lhe lançar os alicerces para um novo ciclo de vida no partido, distribuindo responsabilidades por dirigentes mais jovens. Um ciclo cuja existência depende menos da sua dimensão eleitoral (neste momento é a terceira força política mais representada no hemiciclo de São Bento) do que da sua capacidade de continuar a influenciar a acção governativa. Para tanto, há que superar um antigo problema interno de falta de quadros e a natural desmobilização das gerações mais jovens para a vida política.

Quarto desafio: como renovar o partido, tornando apelativa a sua mensagem política?

 

5. Tal como o actual primeiro-ministro, o líder do CDS está refém dos resultados da política económica do Governo. E precisa inequivocamente que os mínimos sinais de melhoria sejam evidenciados aos portugueses em tempo útil para determinar o voto. De nada valerá tentar separar as águas reclamando uma responsabiilidade menor do CDS quando destacados dirigentes deste partido ocupam as pastas da Economia e da Segurança Social, já para não falar da promoção do próprio Portas a vice-primeiro-ministro ocorrida na remodelação governamental de Julho e que amarrou ainda mais os democratas-cristãos ao destino do executivo.

Quinto desafio: até que ponto poderá a situação do País ameaçar o futuro do CDS?

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Business as usual

por José Gomes André, em 10.07.13

Assistimos apenas a mais uma "jogada" no lamentável jogo de xadrez em que se transformou a política portuguesa. Sabendo à partida que o PS rejeitaria obviamente esta "solução a 3", Cavaco avançou em todo o caso, para entalar Seguro e proteger PSD e CDS. Nos próximos dias, queixando-se da "irresponsabilidade" do PS, empossará a solução governativa negociada por Passos e Portas, em nome da "estabilidade política". Até quando, ninguém sabe. O país, esse, continua a definhar às mãos de excelentes estrategas, mas péssimos servidores do bem comum.

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Frases de 2013 (20)

por Pedro Correia, em 08.07.13

«O presidente do CDS fez um golpe de Estado na coligação e é premiado. Ganha em quase toda a linha.»

Vital Moreira, há pouco, na SIC N

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O delírio político - II Acto.

por Luís Menezes Leitão, em 03.07.13

 

Ontem o líder do CDS deitou o Governo abaixo. Hoje o seu partido mandata-o para negociar a continuação do CDS no Governo e os Ministros centristas continuam nos seus cargos. Parece uma cena de ópera bufa. O CDS morreu como partido político, às mãos de Passos Coelho. Não por acaso, este avisou que vai descobrir uma nova forma de executar o Governo. Deve ser esta.

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O que não faz sentido

por Pedro Correia, em 03.07.13

A aparente ruptura da coligação a nível nacional, por assinalável coincidência, ocorreu 24 horas depois de o Conselho Nacional do CDS ter aprovado a formação de 102 coligações com o PSD ao nível autárquico. Se houver eleições antecipadas para a Assembleia da República, eventualmente no mesmo dia das eleições locais, teremos este paradoxo instalado na direita portuguesa: de braços abertos nas autárquicas, de costas voltadas nas legislativas.

Como escreveu Fernando Pessoa, num dos seus cáusticos poemas sobre Salazar, "o que não faz sentido é o sentido que tudo isto tem".

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Um país à deriva

por José Gomes André, em 02.07.13

A política portuguesa é anedótica. Até os supostos "homens de Estado" não têm sentido de Estado. A irresponsabilidade grassa como fogo ao vento. Portas limita-se a fazer jogada política, saindo de governo impopular para ingressar no próximo governo de coligação com o PS. O CDS, aliás, fica muito mal na fotografia. Sempre fez jogo duplo: ora era o baluarte da coligação, ora o maior crítico do Governo. A saída de Portas é meramente o corolário desta estratégia. Passos Coelho acaba punido pela sua manifesta impreparação, pois não definiu um claro rumo político, não reconheceu erros próprios e nunca se preocupou em manter o Governo coeso.

E o país? O país continua a ser um joguete nas mãos de políticos incompetentes, arrogantes e mesquinhos.

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O CDS caiu.

por Luís Menezes Leitão, em 13.05.13

 

Parece que o CDS, depois de ter jurado que a taxa sobre pensões era uma fronteira que não podia ser ultrapassada, afinal já permite "excepcionalmente" que as tropas estrangeiras passem a fronteira. O problema é que quando as fronteiras são atravessadas, a ocupação só termina se o ocupante quiser. O CDS passou a ser assim neste momento um partido tomado e por muito que queiram negar o óbvio, nem o talento político de Portas o tirará do sarilho em que se meteu. Todas as suas bandeiras eleitorais como o apoio aos reformados e a defesa dos contribuintes se esfumaram nesse instante. Resta-lhe continuar no Governo até ao fim, sabendo-se que agora que já nem sequer conseguirá evitar o descalabro para onde está a ser conduzido.

 

Torna-se assim claro que neste momento já nem sequer existem partidos na maioria mas apenas um grupo de seguidores da troika, chefiados pelo Ministro Vítor Gaspar, que continuará a pôr e dispor pelo menos até Junho de 2014, altura em que poderá ser seduzido por um cargo de comissário europeu. O tal Ministro "que não foi eleito coisíssima nenhuma" e que diz aos partidos da maioria que não quer saber dos "vossos eleitores", depois de presidir ao arrasar da economia portuguesa irá assistir ao arrasar do sistema partidário nacional, destruindo os partidos que suicidariamente continuam a apoiá-lo. Resta saber por que razão os militantes desses partidos continuam a aceitar isto. 

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Recuar mais para a frente

por Rui Rocha, em 12.05.13

Não, não e não. O CDS não recuou. Vejamos. Paulo Portas afirmou que havia uma linha que não podia ser ultrapassada. Isto é, no momento em que fez tal afirmação, Portas estava antes da linha. E não queria passar para além dela. Ora, se agora admite, a título absolutamente excepcional, uma vez sem exemplo, é só desta e não se fala mais nisso, é porque avançou e não porque recuou. Vamos lá. No limite dos limites, posso admitir que tenha recuado mais para a frente. Ou, eventualmente, que tenha avançado lá para trás.

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Apelo público ao CDS

por José António Abreu, em 26.11.12

Vá lá, arranjem alguém que se oponha a Luís Filipe Menezes na corrida à presidência da Câmara Municipal do Porto. Pode ser Rui Moreira (excessivamente portista para os meus gostos mas, enfim, nem eu estou isento de defeitos), pode ser outra pessoa – não caiam é na asneira de se deixarem colar a um dos símbolos da irresponsabilidade orçamental que assolou este país nos últimos (muitos, demasiados) anos.

E, aproveitando estar com a mão na massa, peço-vos que façam o mesmo em Vila Nova de Gaia se o candidato do PSD for o... o... (caramba, nem tenho adjectivos)... Marco António Costa. Evitem-me um comportamento que detesto: votar em branco.

Muito obrigado.

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Pode ser que resulte

por Rui Rocha, em 19.10.12

 

Deputados do CDS com dúvidas na forma como vão defender o orçamento.

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O verdadeiro comunicado de Paulo Portas

por Rui Rocha, em 18.10.12

Face às especulações surgidas relativamente á questão orçamental, e sem embargo da reunião com o Grupo Parlamentar que terei na próxima 6.ª feira, cumpre-me afirmar o seguinte:

 

1 – O CDS votará o Orçamento de Estado considerando que Portugal não pode ter uma crise política que agravaria, ainda mais, a situação económica e social extremamente sensível que o nosso País atravessa.

 

2 – O CDS valoriza a estabilidade num momento especialmente critico para Portugal, dado que nos encontramos sujeitos a um Programa de Assistência Económica e Financeira da comunidade internacional. O CDS tem em atenção que Portugal depende desta assistência externa, de que é exemplo o financiamento que deverá ser aprovado na próxima semana.

 

3 -  Esta mensagem destruir-se-á nos próximos 30 segundos.

 

O Presidente do CDS, Paulo Portas

 

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Venham mais cinco

por José Gomes André, em 16.10.12

O deputado do CDS Adolfo Mesquita Nunes manifestou-se contra a proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano apresentada esta segunda-feira pelo Governo. «Não esperem de mim que aceite que este Orçamento de Estado é, tal como está, inalterável. E terei oportunidade de o dizer directamente ao Ministro das Finanças».


Declarações que revelam sentido de Estado, responsabilidade, inteligência e independência. Precisamos de (mais) gente assim na política.

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Há CDS, e há CDS,

por Ana Margarida Craveiro, em 16.10.12

tal como há PSD, e PSD. O parlamento e o governo são órgãos de soberania diferentes, com diferentes funções. Bem sei que a responsabilidade se encontra invertida, com o(s) partido(s) da maioria a obedecer quase cegamente ao governo, mas não é isso que é suposto acontecer. Assim, qualquer deputado do PSD ou do CDS pode discordar do OE2013, e dizê-lo. O seu voto final dependerá depois da disciplina partidária a que está sujeito numa votação destas. Mas até Novembro, quando se dá o voto, ainda é vindima: há discussão, há sugestões, há emendas. O parlamento fiscaliza a acção do governo; por outras palavras, os deputados têm cabecinha para pensar, e não para dizer amen ao governo a todo e qualquer respeito.

Já dentro do governo, existe uma obrigação de solidariedade governamental. Se as políticas são decididas pelo conjunto do governo, há um compromisso pessoal de cada ministro para com essas mesmas políticas - e para com o primeiro-ministro, independentemente do partido a que pertencem. Se um ministro se sente desconfortável, deve sair, não quebrar votos de lealdade.  

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Encontro de alto risco

por Rui Rocha, em 20.09.12

 

O PSD propôs e o CDS respondeu positivamente ao convite para uma reunião entre as direcções dos dois partidos. Entretanto, a Polícia de Segurança Pública (P.S.P.) classificou a reunião como «encontro de alto risco». O dispositivo policial destacado para o local será adequado a esta classificação e vai integrar cerca de 500 efectivos de várias áreas: divisão policial em patrulhamento apeado, auto, à civil e equipas de intervenção rápida, divisão de trânsito, unidade metropolitana de informações, equipas de inativação de engenhos explosivos, grupo operacional cinotécnico e corpo de intervenção. A reunião deverá ocorrer ainda hoje ao final da tarde, mas a operação policial arranca de imediato para garantir que são asseguradas todas as condições de segurança.

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Um governo com duas rotundas

por Rui Rocha, em 17.09.12

Pelo visto, a convivência entre os partidos da coligação governamental não está fácil. Creio, todavia, que existem soluções para superar a crise. O que proponho não é propriamente uma inovação. Trata-se de aplicar ao governo uma medida que vi referida um dia destes, já não sei bem onde. Resumindo, um autarca, em alguma parte deste vasto mundo cujo nome não posso recordar, lembrou-se de uma solução fantástica para um grave problema de trânsito. É sabido que uma rotunda colocada estrategicamente num ponto de congestionamento pode operar milagres na sua fluidez. Pois bem, a genialidade consiste em criar não uma, mas duas rotundas. Duplica-se assim, pelo menos, o efeito facilitador. Imagino o espanto dos caríssimos leitores perante esta notícia que vos trago. Claro, não tinham pensado nisso. Não faz mal. É precisamente para isso que existem autarcas. Nós damos o trânsito. Eles dão as rotundas. Os autarcas comuns pensam em rotundas singulares. Os que aspiram à imortalidade (ou à liderança do partido político de que são militantes logo que o que lá está dê com os Zorrinhos na água) têm a singularidade de as tornarem plurais. Confesso que não tive oportunidade de confirmar se os efeitos da colocação no terreno de uma segunda rotunda foram benéficos. Em abono da verdade, devo admitir que não me preocupei muito com isso. A medida é de tal forma genial, a progressão aritmética do benefício que a sustenta é tão evidente que não tenho grandes dúvidas sobre o resultado final. Deve ter corrido bem. Por isso, digo que a solução pode ter aplicação para descongestionar as relações entre os dois partidos que suportam o governo.  Proponho, assim, um governo com duas rotundas. Os ministros do PSD, na qualidade de representantes do maior partido, circulariam na rotunda exterior, permitindo esta, no sentido ascendente, o acesso à majoração da TSU para os trabalhadores e no sentido descendente a ligação à baixa (apenas no sentido Entidades Patronais). A rotunda interior, reservada aos ministros do CDS, ligaria directamente aos Combatentes na primeira saída e aos Mártires logo na seguinte. 

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O CDS/PP.

por Luís Menezes Leitão, em 17.09.12

 

Prossigamos a nossa análise ao estado dos diversos partidos políticos, fazendo referência agora ao caso do CDS/PP, que tem estado na berlinda nos últimos dias. Trata-se talvez do partido ideologicamente mais complexo que existe em Portugal, o que explica grande parte das reviravoltas em que tem estado envolvido.

 

Podem encontrar-se no CDS três linhas políticas diferentes. A primeira é uma linha democrata-cristã, de catolicismo social, inicialmente representada por Freitas do Amaral e Amaro da Costa, e hoje claramente protagonizada por Assunção Cristas. A segunda é uma linha de liberalismo económico, inicialmente defendida por Lucas Pires, e hoje protagonizada por Pires de Lima. A terceira é uma linha nacionalista e conservadora, representada inicialmente por Adriano Moreira e Manuel Monteiro, e hoje protagonizada por Ribeiro e Castro. Este conflito torna o CDS um partido ubíquo, já que a primeira linha situa-o entre o PS e o PSD e as outras duas linhas à direita do PSD. Por isso os objectivos políticos do partido também variam de acordo com as suas linhas. A primeira linha pretendia que fosse um partido charneira, semelhante aos liberais na Alemanha, fazendo e desfazendo coligações. As outras linhas aspiravam a torná-lo uma grande partido de direita, semelhante ao PP espanhol.

 

A linha democrata-cristã corresponde à matriz inicial do partido, na altura da sua fundação. Essa linha é claramente de esquerda, salvo em matéria de costumes, devido à ligação à Igreja Católica. Por esse motivo, defende uma forte intervenção social do Estado, não se importando de aumentar impostos para obter tal fim. As posições de Freitas do Amaral a defender o aumento da tributação dos mais ricos ou a de Cristas a querer taxar ferozmente as grandes superfícies são coerentes com esse propósito. 

 

A grande contradição do CDS começa precisamente no momento em que é criado. Sendo um partido colocado ao centro, devido à proibição pelo MFA dos partidos à sua direita (como o MIRN e o PDC) acaba por receber todo o eleitorado da direita do regime. Esse eleitorado apercebia-se, no entanto, de que havia algum problema com o partido, a quem acusava de ter complexos de esquerda. Curiosamente, a melhor votação do partido (quase 16%) foi logo a seguir a ter votado contra a constituição, a única vez em que esteve de acordo com o seu eleitorado.

 

Esse eleitorado viria, no entanto, a entrar em estado de choque quando o CDS se coliga com o PS no governo. Para a linha dirigente, a coligação fazia todo o sentido. Para o eleitorado dos dois partidos era um escândalo, já que os militantes jacobinos do PS dificilmente podiam aceitar estar juntos com os saudosistas do antigo regime. O CDS entra assim numa prática que depois se lhe tornou comum: desfazer coligações. Os ministros do CDS saem do Governo e Mário Soares é demitido por Eanes.

 

O CDS ensaia então pela primeira vez a aproximação ao PSD, aceitando o convite de Sá Carneiro para formar a AD. Na AD o partido fica claramente unido, uma vez que uma coligação de direita agrada ao seu eleitorado e às linhas liberal e nacionalista. Mas Freitas do Amaral ambiciona liderar a coligação, quase o conseguindo num momento fugaz, logo após a morte de Sá Carneiro, em que no PSD órfão se chegou a admitir que a AD pudesse ser liderada por Freitas. Eleito Balsemão, o seu governo soma desastres sucessivos, o que leva Freitas a tentar novamente a liderança na AD, quando após as eleições autárquicas, exige mudanças. O PSD responde com a demissão de Balsemão e Freitas, já a sonhar com Belém e achando o partido muito pequeno para o seu ego, demite-se de todos os cargos políticos. Nova destruição de uma coligação pelo CDS.

 

O CDS é então liderado por Lucas Pires que abandona a matriz democrata-cristã para o que na altura chamou de "nacionalismo liberal". Sendo a única oposição de direita ao Bloco Central, o CDS sonha destruir o PSD nas eleições subsequentes surgindo como o grande partido de Direita, à semelhança do que em Espanha o PP tinha feito à UCD. As sondagens davam na altura ao CDS valores colossais, o que, quando Cavaco Silva chega ao poder no PSD, leva Lucas Pires a afirmar que só haveria coligação com o PSD se houvesse paridade entre os dois partidos. O eleitorado de Direita cai, porém, nos braços de Cavaco Silva, Lucas Pires é substituído por Adriano Moreira, e o CDS fica reduzido ao partido do táxi. A oposição de Direita ao cavaquismo transfere-se para o jornal O Independente de Paulo Portas.

 

Paulo Portas foi claramente o novo fundador do CDS. Inicialmente decidiu tomar o partido por intermédio de Manuel Monteiro, o que representou um triunfo claro da linha nacionalista e eurocéptica do CDS que até levou Freitas do Amaral ao Parlamento para votar a favor de Maastricht. Toda a gente percebeu, no entanto, que Manuel Monteiro era uma criação de Paulo Portas, dizendo-se que enquanto outros partidos tinham jornais, no CDS um jornal tinha um partido. Quando Manuel Monteiro rompe com Paulo Portas, ficou claro que era Manuel Monteiro que acabaria por sair. Surge assim uma cisão oficial do CDS, com a Nova Democracia que, no entanto, não tem sucesso algum. Aliás, as cisões do CDS foram muito comuns, tendo Lucas Pires ido abraçar o PSD e o movimento Humanismo e Democracia saltado para os braços do PS.

 

Paulo Portas tem um extraordinário sentido político e soube dar todas as piruetas que eram precisas para tornar o CDS um partido de poder. Passou de eurocéptico a eurocalmo e, quando Marcelo Rebelo de Sousa o quis armadilhar, trucidou-o completamente numa entrevista televisiva. Conseguiu assim fazer o CDS voltar ao Governo, após o colapso de Guterres. Quando Durão Barroso entregou o Governo a Santana Lopes, Paulo Portas viu aí a oportunidade para atingir a estratégia há muito sonhada pelo CDS de destruir o PSD. O CDS ia-se distanciando dos disparates de Santana Lopes e quando o Governo caiu às mãos de Sampaio apareceu com cartazes a dizer que o CDS era o "voto útil" da direita. O eleitorado castigou, no entanto, os dois partidos igualmente e Paulo Portas achou por bem demitir-se. Falhou, no entanto, a sua estratégia de governar o partido por intermédio de Telmo Correia, pois o partido escolheu Ribeiro e Castro. Por isso, logo a seguir Paulo Portas regressou.

 

Com as novas eleições após o colapso de Sócrates, Paulo Portas consegue um enorme peso no Governo, em face da teimosia de Passos Coelho em querer manter o Governo reduzido, e apelar a uma série de independentes. Percebendo perfeitamente que o Governo iria ser queimado no lume brando do Memorando da troika, escolheu para si o cargo em que menos probabilidades tinha de ser chamuscado: o de Ministro dos Negócios Estrangeiros. E a estratégia continua a ser ir-se distanciando cada vez mais do Governo para permitir ao CDS conseguir finalmente atingir o objectivo de ser o grande partido da Direita, reduzindo o PSD à sua expressão mais simples. É por isso que o CDS, perante o disparate do século cometido por Passos Coelho, já ontem se veio demarcar claramente. O partido passará a dizer todos os dias que é contra as medidas delirantes que Gaspar inventa e que só o PSD é por elas responsável. Como, com a estratégia que está a seguir, o PSD arrisca claramente transformar-se no PASOK português, pode ser que o CDS, pela mão de Portas, venha desta vez a realizar o objectivo que desde sempre almejou.

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Pausa na licença

por Ana Margarida Craveiro, em 03.04.12

Com a mente bastante mais ocupada por questões fundamentais como fraldas e horários de amamentação, pouco tenho ligado ao que se passa neste cantinho à beira-mar. Mas uma coisa prendeu-me a atenção nos minutos que pude dispensar à bloga. O CDS, partido em que nunca votei, deu um passo importante este fim-de-semana, provando ser um partido de gente crescida. Aparentemente, houve uma votação relacionada com as chamadas "questões fracturantes" no parlamento. O partido votou pela liberdade de voto, uma vez que as referidas questões não estão ligadas ao programa de governo, e dependem do julgamento pessoal de cada deputado. É isto que gente crescida faz: pensa pela sua própria cabeça, e toma decisões, com as quais se compromete. Parece que há quem pense que a matriz ideológica do CDS significa o militante voto contra toda e qualquer questão. Assim, acriticamente, como se não houvesse dilemas e complexidades em cada tema.

E porque é que isto me interessa? Por amiguismo puro, e não só. O Adolfo Mesquita Nunes, escriba deste blogue, tem sido violentamente atacado pelos tais puristas do CDS. Pelos verdadeiros CDS, pensam eles. Pelos vistos, um deputado não pode ser coerente com as posições públicas que sempre defendeu, quando estas não encaixam no que os puristas pensam ser o verdadeiro CDS. Ah, a beleza da tolerância, e do respeito pela escolha pessoal. Agora a parte do-e-não-só: este fim-de-semana, discretamente, o CDS demonstrou ser um partido que não se resume à política da alcova. Aliás, a política da alcova é uma escolha individual, pese embora alguma eventual indicação de voto da liderança. É assim que se passa dos 5% nas eleições, senhores e senhoras. É que nem todos vivemos obcecados com as questões fracturantes do BE e PCP. E, felizmente, nem todos no CDS pensam que um partido é um monolito eterno.

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