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O casamento em anos de cão

por Patrícia Reis, em 30.03.14

O amor não é o dos romances, as senhoras não têm veias azuis e desmaiam, caem à cama com doenças do foro pulmonar.

Os homens não andam de chapéu, não frequentam uma tertúlia, não se levantam quando uma senhora entra na sala.

Alguns mantêm amantes. As mulheres também os têm.

Dito tudo isto, na verdade um pouco banal, podemos concluir que nos dias correm, um ano de casamento equivale a um ano de vida de cão.

Isto quer dizer que, apesar dos meus 43, tenho quase 70 de casada. Uma raridade? Sim.

Há dias, um miúdo dizia, no recreio, que o fulano X era bestial, "já foi meu pai". O outro miúdo pareceu aliviado.As segundas e terceiras famílias são outra banalidade.

A crise financeira implica connosco, com o tudo que existe nas suas vidas. A crise emocional é provocada por nós e por esta permanente vertigem em que vivemos: ligados ao telemóvel, ao site, ao blogue, ao facebook, ao twitter.

Um casal jantava, há uns dias, sozinho, num restaurante dito "da moda". Ambos de telemóvel na mão.

Pensei: bom, devem estar à espera da comida. O repasto chegou. A animação com os telemóveis continuou.

Lembrei-me então do livro de Luísa Costa Gomes, Ilusão ou o que lhe queiram chamar (D. Quixote). O protagonista tem duas famílias, sendo que uma é avatar, ou seja, vive num jogo chamado Second Life. Triste?

Não sei se a maioria das pessoas o sente com tristeza, tenho a certeza de que é um belo livro, isso tenho.

Estar casado e manter um casamento é exigente e mais difícil do que conseguir um emprego ou promoção (isto se quisermos entender por emprego qualquer tipo de emprego, claro está). Todos os dias temos de escolher amar aquela pessoa, mesmo que já não a possamos nem ver? Não, nada de tão dramático. O casamento que dura é aquele em que as duas pessoas não se abandonam. Virar costas é simples. Ficar é que é mais implicado.

Tem dias, se quiserem.

Dizia-me uma poetisa que tudo isto é uma consequência evidente da libertação das mulheres e ainda bem. Que os casamentos arranjados, que os casamentos de 50 anos com manadas de sapos por engolir já não existem. Não respondi. Os casamentos brancos, com manadas de sapos e outras espécies, ainda existem. A taxa de divórcio diiminuiu. Por causa da crise. Há mais queixas de abusos.

Há mais silêncios. Silêncios maus.

O bom silêncio? É para aqueles que não se esquecem de dizer tudo.

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Questões democráticas e jurídicas

por João André, em 27.06.13

Antes de mais o meu aviso: entendo que os casamentos entre pessoas do mesmo sexo devem ser tratados exactamente da mesma forma que os casamentos entre pessoas de sexo oposto. Motivos para isto podem ser discutidos noutra altura. Neste momento quero apenas levantar uma questão em relação à decisão do Supremo Tribunal dos EUA.

 

Ora se bem entendo, o Supremo Tribunal declarou que, nos estados onde o casamento homossexual já existe, é inconstitucional remover esse direito. A decisão, mais uma vez de acordo com o que entendi, não declara o casamento homossexual como legal a nível federal, antes devolve qualquer decisão sobre o mesmo aos órgãos legislativos estaduais.

 

Aquilo que me faz confusão é o facto de o Supremo tribunal declarar que uma decisão na direcção de aceitar o casamento homossexual já não é reversível, mesmo que seja essa a vontade dos eleitores (como no caso da Proposta 8 na Califórnia). Pelo que entendo, a Constituição é um documento tão poderoso no sistema legal americano que se sobrepõe (desde que os seus guardiões - o Supremo tribunal - assim o entendam) a qualquer vontade democrática.

 

Longe de mim querer que o casamento homossexual deixe de ser legal, mas por outro lado preocupa-me (pouco, mas ainda assim alguma coisa) que a principal democracia do mundo tenha um texto por tão sagrado que se sobrepõe ao sistema político que consagra. Alguém é capaz de me explicar esta - aparente para mim - contradição?

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Faraway, so close

por José António Abreu, em 14.03.13

Quero dizer que ele não a amava? De maneira menhuma. Ele amava-a; de certa forma era-lhe devotado. Mas não conseguia alcançá-la, e sucedia o mesmo do lado dela. Era como se tivessem bebido uma qualquer poção fatal que os manteria afastados para sempre, apesar de viverem na mesma casa, comerem à mesma mesa, dormirem na mesma cama.

Como seria – sentir desejo, ansiar por alguém que está ali mesmo em frente aos olhos, dia após dia? Nunca o saberei.

Margaret Atwood, The Blind Assassin. Tradução minha.

 

Seria um casamento normal, daqueles que não evoluem para o ódio, apenas para a incapacidade de comunicar, na sequência do desvanecimento dos (ilusórios, de resto) interesses em comum.

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Dezembro (2) casamenteiro (39)

por João Carvalho, em 08.12.11

Bolo de casamento "Merkozy II"

Idêntico ao "Merkozy" anterior, mas menos doce.

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Dezembro (1) casamenteiro (38)

por João Carvalho, em 06.12.11

Bolo de casamento "Merkozy".

Trata-se de um bolo destinado a casamentos em que os noivos não contam com muitos convidados para a boda. Tem a particularidade de retratar um enlace em que há um que manda no outro, mas não necessariamente segundo a hierarquia conservadora.

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Agosto (1) casamenteiro (37)

por João Carvalho, em 01.08.11

Bolo de casamento "Animação na Crise".

Este bolo é próprio para casamentos em que os noivos deitam contas à crise e não querem investir numa grande boda, mas querem garantir uma festa animada. Basta assegurar uma distribuição permanente de espumoso nacional e deixar andar. A única dificuldade a resolver é o transporte à saída, porque os convidados não hão-de estar em condições de conduzir e os transportes públicos em crise passaram a estar pela hora da morte.

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Dezembro (3) casamenteiro (36)

por João Carvalho, em 31.12.10

Bolo de casamento "Ensitel".

Este bolo é especialmente dedicado a noivos que recebam prendas compradas na Ensitel. Se os produtos não funcionarem adequadamente, façam como faria a Ana Gomes: agarrem-se às canelas da Ensitel.

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Dezembro (2) casamenteiro (35)

por João Carvalho, em 03.12.10

  

Bolos de casamento "O Feitiço".

Estes bolos são destinados a noivos que leram a história ao contrário: o beijo não quebrou o feitiço, mas antes o ampliou. Claro que, apesar da versão deturpada, isso não impediu que vivessem felizes. Não para sempre, mas até ao dia em que atravessaram a SCUT.

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Dezembro (1) casamenteiro (34)

por João Carvalho, em 02.12.10

Bolo de casamento "Primeiro Está o Jogo".

Ora aqui está um bolo próprio para noivas sempre dispostas a esperar, porque os noivos têm ocupações que duram tempos imprevisíveis. «Deve ter havido prolongamento» — pensa ela com o ar mais paciente do mundo.

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Novembro (4) casamenteiro (33)

por João Carvalho, em 30.11.10

Bolo de casamento "Azores".

Eis o bolo certo para noivos que acreditam que "casamento molhado, casamento abençoado". Isto a fazer fé nas previsões meteorológicas para os Açores, o que é muito duvidoso.

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Novembro (3) casamenteiro (32)

por João Carvalho, em 28.11.10

Bolo de casamento "My Name Is Bond".

Este é o bolo ideal para os noivos que não tencionam tolerar qualquer intromissão de estranhos na vida conjugal.

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Novembro (2) casamenteiro (31)

por João Carvalho, em 17.11.10

 

Bolos de casamento "Ora Deixa-me Cá Ver".

Estes dois bolos de casamento foram concebidos para enlaces em que as palavras dos votos são desnecessárias. O gesto é tudo.

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Novembro (1) casamenteiro (30)

por João Carvalho, em 09.11.10

Bolo de casamento "Os-apressadinhos-do-sado-maso".

Este bolo parece indicado para apreciadores de técnicas sado-masoquistas que estão cheios de urgência? Puro engano: as aparências iludem e o nome que lhe deram é apenas uma maldade. Trata-se da criação saudosista de um pasteleiro que conheceu a noiva muito antes do noivo e sabe que ela é sonâmbula.

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Outubro (6) casamenteiro (29)

por João Carvalho, em 30.10.10

Bolo de casamento "Vamos-Voltar-à-Mesa-das-Negociações".

É um bolo que representa os termos inegociáveis e finais do enlace pretendidos pela noiva e que o noivo considera inaceitáveis. Felizmente, a noiva está disposta a negociar as suas condições irredutíveis e derradeiras.

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Outubro (5) casamenteiro (28)

por João Carvalho, em 29.10.10

Bolo de casamento "Foste Bem Pescado".

Eis aqui a receita para as noivas que têm um sentido prático da vida: em tempos de crise, há que saber lançar o anzol para onde estiver um bom orçamento.

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Outubro (4) casamenteiro (27)

por João Carvalho, em 24.10.10

Bolo de casamento "Corta-mais-aqui".

Como se percebe, trata-se de um bolo cuja cobertura só pode ser acabada depois de escolhido o vestido da noiva e entregue o modelo ao pasteleiro. A opção por este bolo é tomada por noivos à antiga, daqueles em que tudo há-de acontecer apenas no dia (ou noite) do enlace. Por isso, durante a boda vão ensaiando: corta um pedaço aqui, rasga mais acolá, tira daquele lado...

(A meias com a Ana Vidal)

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Outubro (3) casamenteiro (26)

por João Carvalho, em 12.10.10

Bolo de casamento "A Grande Despedida".

Este bolo é preferido pelos noivos que não fizeram, cada um por si, a tradicional despedida de solteiro. Chegada a hora do enlace, fazem uma despedida conjunta, assegurada pela zurrapa que a cor das garrafas sugere. Ao fim de umas horas, com a dor de cabeça da recuperação e com a despedida culminada num adeus, esquecidos dos votos e de tudo o que aconteceu, cada um parte para seu lado e vivem felizes para sempre.

(A meias com a Ana Vidal)

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Outubro (2) casamenteiro (25)

por João Carvalho, em 11.10.10

Bolo de casamento "A Armadilha".

Segundo a tradição, se o bolo dos noivos tiver uma armadilha disfarçada ninguém há-de pensar que era para apanhar um alce ou uma rena (nem sequer como metáfora, pois ainda nenhum dos dois teve tempo de os pôr ao outro). Portanto, ou foi o pasteleiro que quis poupar na massa e manter a aparência, o que faz pouco sentido por ser o fim do negócio, ou um deles preparou-a para o outro, o que é mais provável. Assim sendo, está descoberto o autor no momento em que se ouvir a pergunta fatídica: «Onde é que te meteste?" De qualquer maneira, com ou sem crime, é normal um casamento ser um acto armadilhado.

(A meias com a Ana Vidal)

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Outubro (1) casamenteiro (24)

por João Carvalho, em 09.10.10

Bolo de casamento "Game Over".

Este é o bolo típico em que a noiva não perde tempo a explicar ao noivo que acabou o bem-bom do jogo de sedução alimentado até ao dia do contrato. Serve como uma luva para os ingénuos, que ainda os há que alimentam ilusões.

(A meias com a Ana Vidal)

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Setembro (8) casamenteiro (23)

por João Carvalho, em 08.09.10

Bolo de casamento "Confessa Lá Que Foi Por Interesse".

Reza a lenda que um bolo que celebra simultaneamente o casamento e o divórcio também deve marcar um período de descanso do pasteleiro, que alcança assim o direito a folgar e que passa a trabalhar com interrupções.

(A meias com a Ana Vidal)

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Setembro (7) casamenteiro (22)

por João Carvalho, em 07.09.10

Bolo de casamento "Smart Aliens Forever".

Eis um bolo que é muito usado em casamentos entre políticos e outros extraterrestres, daqueles que olham em volta e estão a ver outro planeta, achando que somos uma cambada de terráqueos atrasados mentais. Claro que o aspecto só pode ser estranho: a cobertura é uma camada de chocolight, espécie de chocolate negro sem gordura produzido fora da Via Láctea, que a velha tradição marciana diz que ilumina a inteligência dos noivos, tradição essa que entrou nos anais da ficção científica para sempre.

(A meias com o João Campos. Who else?)

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Setembro (6) casamenteiro (21)

por João Carvalho, em 06.09.10

Bolo de casamento "O Regresso dos Mortos-Vivos".

Este bolo também é conhecido por "Abaixo os Penetras Que Não Foram Convidados Para a Boda" e a receita é muito simples: fogo neles.

(A meias com o João Campos)

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Setembro (5) casamenteiro (20)

por João Carvalho, em 05.09.10

Bolo de casamento "Não Te Deixarei Perder a Cabeça Por Outra".

A receita é igual à do ketchup, a que apenas se junta um bolo por baixo.

(A meias com o João Campos)

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Setembro (4) casamenteiro (19)

por João Carvalho, em 04.09.10

Bolo de casamento "Simplex", uma receita simplificada que põe de parte a burocracia.

Na verdade, a receita deste bolo é mais tradicional do que uma variante já apresentada aqui.

(A meias com a Ana Vidal)

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Setembro (3) casamenteiro (18)

por João Carvalho, em 03.09.10

Bolo de casamento "Unexpected Swing Exchange" (de uma receita em inglês técnico).

Não é invulgar haver mais do que um casamento em que os noivos partilham a mesma boda e até o mesmo bolo, mas as pessoas estão sempre a descobrir-se e às vezes faltam ideias para aqueles (des)enlaces em que despontam opções inesperadas.

(A meias com a Rita Ferro)

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Setembro (2) casamenteiro (17)

por João Carvalho, em 02.09.10

Bolo de casamento "É da Tua Livre Vontade?".

Na receita original, que tem passado de geração em geração desde tempos remotos, o tamanho do Brigadeiro pode variar.

(A meias com o João Campos)

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Setembro (1) casamenteiro (16)

por João Carvalho, em 01.09.10

Bolo de casamento "Anda Cáááááááááá".

Julgavam mesmo que eu tinha acabado com isto? E ignorava o Setembro, era? Pois desenganem-se, que eu não sou desses. Setembro é um mês tão bom como qualquer outro para casar.

(A meias com a Ana Vidal)

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Agosto casamenteiro (15)

por João Carvalho, em 31.08.10

Este é o bolo certo para um casamento à antiga, porque ninguém acredita que o noivo não bebeu para conduzir. Já o pai e, antes dele, o avô tinham feito o mesmo. Outros tempos.

 

Termina assim esta série, que percorreu a segunda metade de Agosto, um mês muito dado a casamentos pela visita dos portugueses emigrados que vêm às origens e juntam a família para formalizar os enlaces. Isto numa altura em que a nossa emigração tem andado a crescer desmesuradamente pelos piores motivos: sobrevivência, descrédito, falta de esperança, etc.

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Agosto casamenteiro (14)

por João Carvalho, em 30.08.10

Este bolo de casamento é um simplex. A proposta serve como uma luva para noivos que são contra a burocracia e que estão com pressa para mudar de vida. Ou para não mudar.

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Agosto casamenteiro (13)

por João Carvalho, em 29.08.10

O bolo de casamento aqui proposto sugere a situação muito específica em que o noivo tem a sorte de casar com a mais desejada das mulheres, a avaliar pelo número de pretendentes que chegam em cima da hora (coitado do que chega de avioneta) para tentar que o enlace não se realize. A situação pode ser ligeiramente mais complicada se o noivo não souber a história completa dela com os ex-namorados.

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Agosto casamenteiro (12)

por João Carvalho, em 28.08.10

             

As propostas de hoje para bolos de noivos são dedicadas aos enlaces que não deviam existir, mas existem. Desde o casamento em que ele ainda está na fase das serenatas ao casamento em que ela já canta vitória antes da chegada dele, não faltam situações que nada auguram de bom. Excepto comer o bolo, claro.

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Agosto casamenteiro (11)

por João Carvalho, em 27.08.10

O bolo de casamento hoje sugerido não é para todos, mas vai certamente ao encontro de globe-trotters e easy-riders. Pode o enlace nem durar muito tempo, mas há-de ser um tempo movimentado e divertido para ambos. O problema maior destas uniões em duas rodas é que ele está sempre debaixo de olho, ao passo que ela não tem as mensagens visuais controladas.

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A diferença: direito e dever

por João Carvalho, em 26.08.10

Há um mês (foi a 26 de Julho), numa manifestação em Indianápolis, a posição pública assumida pela National Organization for Marriage  One Man, One Woman nada teve de compreensão ou sequer de tolerância, como se percebe pela imagem. Nem se esperava que tivesse: vinda, como vinha, de uma organização que se opõe fortemente ao casamento homossexual, sabia-se de antemão que a mensagem poderia ser tudo menos pacífica. Mas também não era preciso ostentar tal radicalismo, ou ainda haverá pela frente novas versões da tenebrosa Ku Klux Klan de outros tempos, agora contra os homossexuais.

No fundo, isto tem uma explicação e não vale a pena ficar-se a pensar se a liberdade de expressão e de manifestação tem balizas, porque não é disso que se trata. O problema continua a ser o mesmo de sempre: não manter diferente aquilo que representa diferenças sociais que entroncam na moral individual e colectiva (ou cultural) costuma ter consequências. Não querer perceber a tempo e aceitar que se está perante uma fractura da sociedade, desperdiçar a criação de laços entre as duas partes e optar por acentuar essa fractura à pressa e à força não é apenas desinteligente: acarreta resultados perversos.

Invariavelmente, o fundamentalismo exacerba-se quando se passa por cima dessa regra básica que é consagrar a diferença como um direito, para que o respeito pela diferença seja um dever. Ignorar esta regra é, afinal, desafiar os outros. Escusadamente. A violência é o passo seguinte.

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Agosto casamenteiro (10)

por João Carvalho, em 26.08.10

Este bolo de casamento é o ideal para lembrar quem é que vai mandar lá em casa. Pouco importa quem usa calças, porque o segredo da relação vai ser conservar as calças limpas e bem vincadas, como se percebe pela imagem.

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Agosto casamenteiro (9)

por João Carvalho, em 25.08.10

A proposta aqui apresentada é para um bolo de casamento supostamente pouco comum. Mas tem especial simbologia nos casos em que a noiva foge com o padre. (Se reconhecerem na imagem outro culto, então é porque estou apenas a brincar.)

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Agosto casamenteiro (8)

por João Carvalho, em 24.08.10

Este bolo de casamento é para os que já sabem que a vida de um casal se faz de equilíbrios. Difíceis, muitas vezes. Cortar a primeira fatia deste bolo a duas mãos é o primeiro teste. Dispensa-se a tradicional representação do casal no topo. Só por causa das coisas, não vá começar tudo com um valente trambolhão.

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Agosto casamenteiro (7)

por João Carvalho, em 23.08.10

Este bolo de casamento é especial para noivos adolescentes. Tanto faz que os pais lhes emprestem o carro para a lua-de-mel ou não. E pouco importa se os nubentes foram ou não obrigados pelos pais a casar.

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Agosto casamenteiro (6)

por João Carvalho, em 22.08.10

Pode não parecer um bolo de casamento, mas é muito apropriado para os que preferem alimentos biológicos e para noivos radicais vegetarianos. Também aconselhável para agentes do SIS, porque não está previsto levar estatuetas dos nubentes no topo.

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Agosto casamenteiro (5)

por João Carvalho, em 21.08.10

Temos hoje um bolo de casamento colorido. Para noivos de cor, está bom de ver. Uma sugestiva proposta em cores quentes, como não podia deixar de ser.

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Agosto casamenteiro (4)

por João Carvalho, em 20.08.10

Esta é a proposta para um bolo de noivos muito condizente com o mês corrente: inspirado na prática do mergulho. Também para aqueles que já desconfiam que o enlace acabará por ir ao fundo.

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Agosto casamenteiro (3)

por João Carvalho, em 19.08.10

O bolo de casamento aqui sugerido é inspirado no arco-íris. Uma proposta que obedece aos limites (ou falta deles) consagrados na legislação em vigor sobre enlaces e afins.

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Agosto casamenteiro (2)

por João Carvalho, em 18.08.10

Eis um bolo de casamento muito apropriado a golfistas. Também serve para os matrimónios cuja festança decorra no clube de golfe da terra. O buraco 19 não é necessariamente um mau presságio.

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Agosto casamenteiro (1)

por João Carvalho, em 17.08.10

Este post da nossa Ana Margarida veio lembrar-me que o mês de Agosto é vulgarmente propício a casamentos. Com a emigração de novo a crescer, crescem também os enlaces que aproveitam a reunião da família e amigos para dar pompa ao acto e circunstância ao copo d'água (a água, no caso, é uma das melhores e mais antigas metáforas portuguesas). Assim — e porque a escolha do bolo dos noivos é sempre um quebra-cabeças — nesta segunda metade de Agosto deixarei aqui algumas ideias sugestivas. Espero que sejam felizes.

Estes dois bolos de casamento traduzem fortemente os votos trocados na igreja: «até que a morte nos separe». Ou nem isso.

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Casamentos em flor

por Ana Margarida Craveiro, em 16.08.10

Em plena época de casamentos, dou por mim a pensar no absurdo de tudo isto. Não há-de existir muita igrejinha por esse país fora que escape aos casamentos de Verão. Noiva que é noiva tem de desfilar pela igreja fora, com uma grande cauda, e o povo todo a assistir. Noiva que é noiva tem de ter fotografias à porta da igreja, com arroz e tudo o mais. Tudo muito lindo, perfeitamente abençoado pelo Senhor. Agora vamos raspar esta superfície, e ver o que está por trás do quadro, e em muitos dos casos (sou testemunha de alguns), temos a situação mais confrangedora de todas, que é o silêncio absoluto na parte em que a assembleia deve participar, o padre a dizer - aos noivos também, claro está - quando é suposto levantar ou sentar, e a imensa multidão cá fora a fumar e tagarelar.

Há dias, uma amiga protestante escrevia no blogue dela que, nos dias de hoje, ser coerente é ser, aos olhos dos outros, fundamentalista. Ela concluía com um assertivo seja. A Igreja católica há muito que gosta de massas. É bom ter igrejas cheias, e números confortáveis de crentes (mais baptizados que crentes, mas são as estatísticas que temos). No tempo de João Paulo II, o que interessava era chegar a todo o lado, ser simpático (no sentido de criar empatia) com todos. E lentamente foi escorregando nas concessões, aceitando tudo e todos. Muito honestamente, já pensei que era esse o caminho. Aliás, tenho sobretudo dúvidas a este respeito, mas parece-me que a lógica subjacente à questão pode ser comparada à dos partidos: um catch-all (um partido centrão, estilo PS e PSD) abrange todo o centro, e ainda mais uma franja à esquerda e outra à direita. Mas, na verdade, são poucos os que militam nesse partido, e por vezes até tendem a abster-se e a ser voláteis no voto (perdoem a comparação, são defeitos de oficio). Suponho, pelo que leio, que Bento XVI tem outra abordagem: poucos, mas bons. Ou seja: podemos não ter igrejas repletas, nem casamentos a cada fim-de-semana do estio, mas o que temos é convicto, e está consciente do passo que está a dar. De novo, o que tenho mais dúvidas: alguém quereria uma igreja tipo PC?

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Discriminação sexual

por João Carvalho, em 09.06.10

Certa autora da nossa blogosfera ficou aqui em pulgas depois de ter encontrado uma notícia sobre as virtudes (?) da «homoparentalidade lésbica», seja lá o que isso for.

A menos que se trate de algum fenómeno hermafrodita, é fácil perceber como é que se faz para uma mulher ser mãe, lésbica ou não. Só receio que esteja a aproximar-se uma nova forma de discriminação sexual. É que, sem querer desiludir aquela autora, não estou a ver muito bem como poderemos chegar à "homoparentalidade masculina". E esta diferença ainda há-de dar que falar...

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Panteras ao ataque

por João Carvalho, em 07.06.10

«Neste momento, a lei da adopção é uma questão fundamental. É incrível como a nível familiar não são reconhecidas as duas mães a uma criança» – diz Sérgio Vitorino, das "Panteras Rosa", e transcreve aqui o Sérgio de Almeida Correia. Não sei quem são as "Panteras Rosa" e o Sérgio Vitorino, mas posso imaginar. E vou fazer uma coisa que não é muito meu hábito, que é ajudar o Pantera Rosa a guardar os disparates na sua privacidade.

A nível familiar – para usar as palavras do Pantera – não são reconhecidas as duas mães porque ninguém tem duas mães. Tal como foi reconhecido o casamento homossexual, até pode ser que venha a ser consagrada institucionalmente a adopção de crianças por casais do mesmo sexo. Pode ser. Mas é institucionalmente, legalmente; não é «a nível familiar», como o Rosa quer. A nível familiar, uma criança tem sempre um pai e uma mãe, perto ou longe, vivos ou mortos. E tem o supremo direito de saber quem são.

Portanto, se é duvidoso chamar "casamento" à união de duas pessoas do mesmo sexo, é muito mais melindroso educar uma criança, cujos direitos devem merecer protecção especial, no erro impossível de que tem duas mães ou dois pais, deixando-a descobrir mais tarde que andou a ser enganada «a nível familiar».

É imperdoável centrar o assunto deste modo, é inacreditável vir à praça pública declará-lo e é inaceitável manifestar tanto egoísmo, quando o foco de todas as atenções tem de continuar a estar nas crianças. Felizmente, com abordagens como a do Rosa, o debate destas coisas mantém-se longe do fim. Por isso é que eu digo ao Sérgio Vitorino, seja ele quem for:

— Ó Pantera, um passo de cada vez, sim? Até porque pode ser conveniente dar um passo atrás, de vez em quando.

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Avanços e avanços

por João Carvalho, em 17.05.10

Acabo de ouvir o ex-porta-voz do PS Vitalino Canas dizer repetidamente, com o ar mais feliz do mundo, que a promulgação do diploma sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um «imenso avanço civilizacional». Não estou certo, mas isso não vem ao caso — o PS achou que era uma medida fundamental nos tempos que correm, dividiu opiniões e sensibilidades e ganhou a sua.

Do que estou certo é que, entre os imensos avanços civilizacionais, o bem-estar dos cidadãos, com tudo o que isso implica (educação, progresso, segurança, justiça, trabalho, saúde, etc.), é claramente prioritário. Prioritário ao ponto de facilitar o casamento e os nascimentos entre os heterossexuais através da esperança de uma vida decente sem sair do país.

Vitalino Canas, no seu esgar de alegria, não foi capaz de captar o essencial e o PS continua sistematicamente a esquecer-se do que são os imensos avanços civilizacionais aos quais lhe competia abrir caminho. Foi mais uma imagem tristíssima, aquela a que acabei de assistir.

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Iguais e diferentes

por João Carvalho, em 10.01.10

Há quem diga que os casamentos homossexuais são diferentes e que não deviam ser tratados como iguais. Estive a meditar. Esqueçam isso. Um casamento homossexual é o mais igual de todos. Desde logo no sexo dos cônjuges. Os outros é que são diferentes.

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Vidas

por João Carvalho, em 08.01.10

Portugal é o sexto país europeu e o oitavo do mundo a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não me lembro de termos sido tão lestos desde a abolição da pena de morte.

O fim da pena de morte salvou a vida a grandes criminosos. Espera-se que o casamento homossexual possa salvar alguém de qualquer coisa, já que o resto do país continua sem ilusões de vida.

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Incoerências por incoerências

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 28.12.09

Há dias, dizia-me uma amiga que se o casamento entre pessoas do mesmo sexo fosse aprovado, teria de ir a um casamento não tarda muito. E que, provavelmente, até teria de ser madrinha. Não sei se da noiva, se do noivo, se. Encolhi os ombros - já estou por tudo. Pedi-lhe, apenas, que não se lembrasse de me convidar para a acompanhar no eventual evento. Do mesmo modo que já garanti que, como advogado, recusaria patrocinar qualquer parte num divórcio homossexual, também não me sinto preparado para entrar numa festa dessas. Tal como o Papa, acho que o casamento que é casamento, é entre pessoas de sexos diferentes. Tudo isto não invalida que respeite a orientação sexual de quem quer que seja. Ou que ostracize os homossexuais, desde que não sejam daqueles que, virilmente, impõem o seu incomodativo «orgulho». Ou que não respeitem a minha diferença.

Tenho visto, curiosamente, que os mais acérrimos defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo são aqueles que mais estremecem quando se lhes pergunta: «Como reagiria se o seu filho chegasse a casa e lhe apresentasse o namorado?».

Pois bem. Incoerência por incoerência, o único casamento homossexual em que admitiria participar seria o de um filho meu. Ou de um amigo muito próximo. Não iria muito feliz. Mas iria compassivo. E talvez até conseguisse esboçar um sorriso. Quanto ao mais, que o diabo seja cego, surdo e mudo. E paralítico.

 

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