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Marketing de carreiras

por João André, em 09.12.14

No moderno mundo profissional vemos constantemente os conselhos para progredir na carreira. Desde os "7 hábitos de pessoas muito bem sucedidas"; aos conselhos sobre o que dizer ou perguntar e como agir em entrevistas; passando pelos inevitáveis apelos a empreendedorismo, iniciativa, destaque no meio da multidão, formas de discernir quais os maus chefes ou se estamos entalados numa determinada posição.

 

Não sou alguém que se aborreça com conselhos, bem pelo contrário, aceito-os de bom grado, mas pergunto-me onde neste mundo há espaço para as pessoas que não têm ambições especiais. Não falo daqueles que vão atingindo o seu tecto, que por força de idade, capacidades ou qualificações não se conseguem desenvolver mais. Falo apenas daqueles que, sendo capaz de se destacar, preferem não o fazer. Falo dos milhões de profissionais que gostam de facto das suas funções e não as trocariam por uma carreira de sucesso pela simples razão que... já são bem sucedidos ao serem pagos por fazer aquilo que lhes dá prazer.

 

Este é apenas mais um reflexo da cultura moderna ocidental que leoniza os profissionais muitíssimo bem sucedidos e os dá como exemplos para toda a gente. É uma cultura que também acaba por menorizar os outros, que não se desenvolveram mais simplesmente porque não era possível, não é possível a todos serem gestores. É ainda a cultura que promove encontros de antigos colegas de escola e universidade que promove confissões quando alguém é felicitado por ser um gestor sénior: «Sim, sou o gestor sénior de mim mesmo». Ou quando as boas e velhas secretárias (que continuam a ser as figuras mais influentes em muitas organizações) são promovidas a "assistentes de gestão". Não estaremos longe do momento em que o nome "Gestor de resíduos processuais administrativos" será entregue a quem despeja o cesto dos papéis.

 

Peço que não me vejam como um velho do restelo. Não quero o regresso aos tempos em que ser um manga de alpaca era o sonho promovido pelo governo ou mundo empresarial. Há no entanto um momento em que o marketing na área das carreiras deixa de ser vantajoso: esse momento chega quando deixamos de chamar os bois pelos nomes e temos que lhes dar o título de "gestores de motricidade de transportes não motorizados".

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Nobel aos 31

por António Manuel Venda, em 13.08.14

As coisas que eu escrevia em jovem poderiam facilmente ter dado para chegar ao Prémio Nobel da Literatura aos 31 anos, mas só se o meu pai tivesse sido então presidente da Comissão Europeia - que já existia quando eu tinha 31 anos - e o Comité Nobel funcionasse tipo Banco de Portugal e até dispusesse de um departamento de supervisão prudencial, fosse lá isso o que fosse em Estocolmo e inclusive tendo a denominação em sueco. Claro que para tal milagre nem eu, nem o meu pai, nem os decisores do Banco de Portugal, perdão, do Comité Nobel, nenhum de nós poderia ter coluna vertebral, como acontece a ilustres cidadãos portugueses, alguns com patente internacional ainda que da treta. Seria um escritor rico, mas ao mesmo também um escritor frustrado (aqui lembro-me do belíssimo pequeno romance do espanhol José Ángel Mañas, que se chama precisamente «Sou um Escritor Frustrado»). A vantagem é que teria de certeza evitado que o vírus dos palavrões atingisse os meus livros - a minha mãe, por exemplo, não precisaria de ter vergonha de certos parágrafos. Seria um escritor acima de tudo bem educado (não falta por aí). E teria feito estágios de Verão. E daria aulas numa universidade. E apareceria nos jornais como um inútil que sobe na vida toda gente sabe como. Além, é claro, de nunca ter abandonado o editor de barriga alongada e ares de seboso. Enfim, areia de mais para a pequena camioneta que mantenho desde os tempos de criança.

 

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