Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Presidenciais (28)

por Pedro Correia, em 17.01.16

Lamento que o jornalismo abdique cada vez com mais frequência de um olhar autónomo sobre os protagonistas da cena política portuguesa. Isto tem vindo a ser patente nesta campanha eleitoral. Reparem em boa parte das peças televisivas sobre os candidatos no terreno: parecem ser feitas no mesmo molde. Tanto faz o candidato ter em torno de si cem ou dez ou cinco pessoas, o registo não foge da mais estrita banalidade: um plano fechado, com o candidato no centro e dois ou três rostos anónimos a espreitarem-lhe por cima do ombro, e o registo de inócuas declarações do visado sobre um tema qualquer em foco nas manchetes desse dia. Mesmo que esse tema nada tenha a ver com os poderes do Presidente da República definidos na Constituição.

 

Estas peças produzem efeitos miméticos: contagiam outras, acabando por tornar-se todas semelhantes, configurando um jornalismo preguiçoso e reverente, que abdica de um olhar crítico sobre os agentes políticos e a mensagem - tantas vezes desprovida de conteúdo - que estes pretendem passar.

Raras vezes assistimos ao desassombro que se impõe no discurso de um repórter: "Este candidato não atraiu ninguém"; "passou totalmente despercebido", "só havia escassos membros da máquina partidária nesta acção de campanha"; "apenas esteve no terreno enquanto havia câmaras de televisão e microfones da rádio em seu redor."

Raras vezes existe sequer um plano mudo, mostrando uma plateia vazia ou uma rua despovoada porque ninguém acorreu afinal ao encontro dos candidatos, que pretendem usar as câmara de televisão como mero veículo de propaganda.

 

Tanto se fala sobre a crise do jornalismo. Há muitos factores a explicá-la. Mas o primeiro acontece logo aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Deliciosamente invulgar

por Helena Sacadura Cabral, em 18.12.15

PalacioBelem_grd.JPG

Não sei se acontece com todos ou se é só comigo, mas a realidade é que, pela primeira vez,  ao abrir a televisão não me dou conta de que estejamos em pré campanha eleitoral.

Nada de nada. Tirando o Prof Marcelo a aparecer a dizer que é candidato, a que já nos habituámos, face à sua forte presença televisiva passada, a única entrevista com pés e cabeça de que me lembro - porque a ouvi com toda a atenção - foi a da Dra Maria de Belém Roseira, que considerei excelente. É verdade que eu aprecio a candidata como Mulher, como pessoa e como profissional. Mas a entrevista foi bastante mais do que isso, e eu congratulo-me pelo facto.
Dos restantes - uma, coitada, ficou sem papéis, levados pelo vento dos Açores - ou nada ouvi ou nada me ficou na cabeça. Também na minha idade já só conservo o importante e pelos vistos não terá sido o caso destes.
Na verdade há muito tempo que Portugal não atravessava um período pré-eleitoral tão morno. A continuarmos assim, não sei se iremos dar pela saída do Prof. Cavaco Silva. Por mim, estou como gosto, sem muito ruído. Tirando as séries político - televisivas que decorrem na Assembleia da República, pode dizer-se que atravessamos um período deliciosamente invulgar!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Frases de 2015 (41)

por Pedro Correia, em 02.10.15

«Durante a campanha a coligação deu a entender que o pior já passou, que está tudo bem. Mas não está nada tudo bem. Está tudo mal.»

Constança Cunha e Sá, às 21.35, na TVI 24

Autoria e outros dados (tags, etc)

Deixe lá, depois sai-lhe um carro no sorteio

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.09.15

800x600.jpg

 (foto: TVI)

Vá lá, não seja exagerado. Não tem nada? Tem 14 % de taxa, o senhor tem tudo muito bem descrito, o seu rendimento todo e os descontos. De que se queixa, homem? Das gorduras do Estado? Porque está triste? Não seja piegas, está tudo no recibo. Queixe-se ao CDS/PP, eles é que são "o partido dos reformados".

Autoria e outros dados (tags, etc)

Finalmente

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.09.15

Numa discussão política que tem estado ao nível mais rasteiro que se podia imaginar, e enquanto o primeiro-ministro, aproveitando a sua oferta que afinal não era bem uma oferta para liderar uma subscrição pública a favor dos lesados do BES, não promove uma petição pública para levar o assunto à Assembleia da República e desfazer as dúvidas, parece que finalmente há alguém que assume a responsabilidade pela vinda da troika. Ainda há gente responsável.

Autoria e outros dados (tags, etc)

E agora como é que eu lhes respondo?

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.09.15

20150911_155553.jpg

Hoje recebi uma carta. Vinha de Lisboa, por correio aéreo. No remetente dizia "PORTUGAL À FRENTE" e a morada para devolução era Rua Alexandre Herculano, n.º 50 - 1.º, 1250-011 Lisboa, Portugal. Trazia o meu nome completo e a minha morada. A morada com que me registei nos serviços consulares. Não fui o único a receber.

De lá de dentro saiu um panfleto colorido com as fotografias da pandilha a avisar-me que havia uma equipa para as comunidades, mais a lengalenga habitual. Concluía informando-me de que "em breve receberá o boletim de voto pelo correio, fique atento e proceda desta forma: (...)." No final, acrescentava-se que convinha enviar o voto o mais cedo possível e ensinavam-me a pôr a cruzinha no quadradinho da coligação que me remeteu a carta.

Eu estava convencido de que os dados consulares estavam protegidos por lei e que não eram para fornecimento aos partidos políticos concorrentes ao acto eleitoral de 4 de Outubro. O José Cesário tantas vezes veio a Macau que conseguiu a minha morada. Espero que agora a Comissão Nacional de Protecção de Dados e a Comissão Nacional de Eleições me enviem a morada do Cesário. A de casa, se não se importam. Para eu, como emigrante, lhe poder responder a agradecer a gentileza de me ensinar a pôr a cruzinha e lhe enviar uma garrafinha de Licor Beirão.

Untitled.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma sobreposição que nos prejudica

por Rui Rocha, em 13.08.15

Pergunto-me se não seria possível decretar a suspensão da silly season até acabar a campanha eleitoral. É que a sobreposição tira-nos a possibilidade de usufruir plenamente dos motivos de galhofa que qualquer uma das duas nos proporciona. Ou vá. Se não for possível, fazer ao contrário: adiar a campanha eleitoral para depois de terminar a silly season.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A campanha do PS (2).

por Luís Menezes Leitão, em 08.08.15

Conforme referi abaixo, esta campanha do PS constitui um desastre político de proporções colossais, digno de figurar nos anais do disparate político. Até agora, no entanto, os cartazes tinham sido apenas motivo para riso. Neste momento, a coisa ficou muito mais séria, a ponto de o PS já ter surgido com um pedido de desculpas público. Efectivamente, é um acto de uma gravidade extrema publicar imagens de pessoas sem autorização das mesmas, e ainda mais fazendo-as referir testemunhos falsos. Não reproduzo aqui esses cartazes precisamente para não amplificar os danos que lhes foram causados. Mas, de um partido que proclama nos cartazes "respeitem as pessoas", esperar-se-ia outra atitude, que não fosse a utilização abusiva da imagem alheia.

 

Acredito que isto não tenha sido intencional, mas há uma imagem que fica desta campanha do PS. E essa imagem é a do desleixo, do amadorismo e da incompetência. Neste quadro o slogan "alternativa de confiança" parece o que se chama em Direito a protestatio facta contraria, ou seja, uma declaração contrária aos factos. É que, por muito que doa aos apoiantes desta facção do PS, o eleitorado pode justamente perguntar: quem conduz duma forma tão atabalhoada uma simples campanha eleitoral, que condições tem para assumir o governo do país?

Autoria e outros dados (tags, etc)

A campanha já começou

por Pedro Correia, em 04.07.15

unnamed[2].jpg

 Imagem O Insurgente

 

Tenho de aplaudir a nova estratégia de comunicação do PSD: espalhar pelo País cartazes com a fotografia de Sócrates. Não há propaganda mais eficaz que esta.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma campanha alegre

por José Navarro de Andrade, em 23.05.14

As reportagens chegaram-nos repletas de velhas desdentadas de bandeirinha na mão, homens de bigode, de esguelha para a câmara, a gritarem “vai trabalhar malandro” e cães a ladrar à caravana que passa – metonímias do mirífico “país real”. O repórter assinará com sarcasmo a “visão crítica” que o editor lhe pediu e uma semana depois fará figura entre os colegas (já não há camaradas nas redações…) relatando-lhes as confidências do “Paulo” e do “Francisco”.

Aos candidatos exige-se que exprimam em menos de dez segundos, para não aborrecerem, como irão resolver os magnos dilemas europeus tais como a recuperação económica, a ineficácia das instituições, a questão dos tratados da união. Para abreviarem as suas razões, uns brandem estudos, outros propostas concretas, os menos ouvidos afivelam um esgar de ironia que demonstre superioridade intelectual face à concorrência. Todos acabarão esgotados sem nunca terem sido escutados.

Os comentadores escalpelizam com fervor o que “ele quis dizer quando disse” e discutem entre si as suas taxativas opiniões – horas mal pagas nisto. Nenhum deixará de manifestar uma enorme credibilidade, a despeito desse fenómeno equívoco que é a verdade, ou dessa longínqua miragem que é a realidade.

No fim, uns cavalheiros eloquentes e apreensivos, sinais ineludíveis de prestígio, concluirão que a campanha foi muito fraca, os assuntos não foram discutidos a sério, os candidatos eram ocos e o povo é uma besta ignara. Pomposamente decretarão que é mesmo preciso haver um debate sério sobre isto.

Autoria e outros dados (tags, etc)




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D