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A Europa derrotada (2).

por Luís Menezes Leitão, em 28.03.16

Este post do João André demonstra bem o estado em que a Europa vive. Contra os terroristas, não se combate, informa-se. Para além disso, é preciso tomar "medidas excepcionais", que "não adianta[m] muito", para "tentar transmitir a imagem de se estar a fazer alguma coisa". Quanto ao resto, o que interessa é ir buscar razões. As razões para a explosão não são um bando de criminosos ter-se decidido pura e simplesmente fazer explodir, matando uma série de vítimas inocentes. Não. "As razões para esta explosão se encontram no nosso presente e no nosso passado. Encontram-se nos cruzados de há mil anos e nos modernos (ou pelo menos percebidos como tal) que estupidamente ignoraram o xadrez geopolítico da região. Estão na pobreza de quem sofre todos os dias e na riqueza de quem lhes dá os meios para se irem explodir. Estão em muitos mais pontos que muita gente bastante mais informada e inteligente […] já apontou". 

 

E enquanto a gente bem informada e inteligente discute, o controlo de fronteiras foi reinstituído. Não há problema, pois há sempre o Google Maps. O direito à manifestação também desapareceu. Mas quem é que poderia esperar que a polícia fosse capaz de proteger 100.000 manifestantes, quando "ainda existirão terroristas não identificados, activos e livres"? Não interessa que a população pague impostos para poder dormir descansada. O que interessa é discutir profundamente o problema do terrorismo nas suas raízes milenares. Até lá, vivamos felizes, sequestrados na nossa Europa, sem direito à deslocação ou à manifestação, devendo mesmo permanecer fechados nas nossas casas. Tout va bien dans le meilleur des mondes.

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A Europa derrotada.

por Luís Menezes Leitão, em 27.03.16

Nesta crónica, Alberto Gonçalves está cheio de razão. Neste momento, trava-se uma guerra contra a Europa e a Europa já a perdeu. O Estado Islâmico pode estar a recuar na Síria, devido ao apoio de Putin a Assad, mas mantém a Europa refém de qualquer atentado, como se viu em Paris e em Bruxelas. E os cidadãos europeus mostram-se incapazes de qualquer resistência. Mesmo uma simples marcha contra o medo em Bruxelas é proibida pelas autoridades do país, para convencer os cidadãos que devem ter é medo e esconder-se em casa. Um simples jogo de futebol, que deveria ter lugar em Bruxelas, é transferido para Leiria, talvez o sítio mais seguro que se conseguiu encontrar no continente europeu.

 

Mas perante esta captura da mais elementar liberdade dos cidadãos europeus, a resposta a que todos assistimos no espaço público é a um discurso desculpabilizador dos atentados e quase sempre culpabilizador do Ocidente. George W. Bush, o petróleo e o capitalismo são os grandes responsáveis pelo surgimento destes terroristas, que de outra forma andariam por aí a cantar loas à harmonia universal. Mas é curioso que, quando se vê os comunicados desta gente, os referenciais são muito mais antigos: há um sonho de restauração do califado e um ódio às cruzadas, que ocorreram há mil anos. Na verdade o seu objectivo é apenas fazer a Europa recuar mais de mil anos. E neste enquadramento, a resposta a que se assiste no espaço público faz lembrar as discussões bizantinas sobre o sexo dos anjos, enquanto Constantinopla era invadida.

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A Europa insegura.

por Luís Menezes Leitão, em 22.03.16

Por razões profissionais viajei para Bruxelas na quinta-feira passada, regressando na sexta-feira. O avião da TAP das 7h05m é extremamente usado por quem tem assuntos a tratar em Bruxelas e é habitual encontrarmos políticos e gente conhecida no avião. A quinta-feira passada não foi excepção. No meu avião viajavam também Passos Coelho e António Vitorino. No aeroporto de Bruxelas ainda encontrei Marinho e Pinto e tivemos tempo para uma breve conversa no aeroporto.

 

Nesse dia havia a cimeira entre a União Europeia e a Turquia e Bruxelas parecia uma cidade em estado de sítio. Logo à saída do avião fomos identificados por funcionários do aeroporto, o que foi a primeira vez que vi acontecer dentro do espaço Schengen (ainda existirá?). No aeroporto encontravam-se soldados sempre de metralhadoras empunhadas. Apanhando um táxi para o centro da cidade, o espectáculo era o mesmo: todos os edifícios públicos estavam guardados por soldados em posição de combate. Uma simples cimeira parecia afinal justificar que uma cidade se preparasse como se fosse para receber a invasão de um exército inimigo.

 

Lá consegui deslocar-me ao sítio da minha reunião de trabalho, apesar de várias ruas estarem cortadas. No regresso ao hotel, tentei apanhar um táxi, mas o motorista convenceu-me a desistir da viagem, dizendo que levaria horas com os engarrafamentos. Optei por isso por ir a pé, apesar de a distância ser enorme. À volta, a cidade parecia habituada a este sistema. As pessoas faziam as suas corridas pela rua, as esplanadas e os restaurantes estavam abertos e a cidade, com a sua magnífica Grand Place, resplandecia ao pôr-do-sol. E permanecia a habitual arrogância dos habitantes flamengos, recusando que na sua capital um estrangeiro se lhes dirigisse em francês. Mas não deixava de se sentir um medo latente nas pessoas, como que esperando um ataque a propósito da cimeira.

 

No dia seguinte à noite regressei a Lisboa, mas estava ainda no aeroporto de Bruxelas quando ouvi a notícia da prisão de Salah Abdeslan, o principal responsável pelos atentados de Paris. Apesar do tom triunfalista do anúncio, que a televisão procurava repetir, não me pareceu que as pessoas tivessem ficado minimamente tranquilas. Pelo contrário, o ambiente que se sentia era de que essa prisão poderia ser apenas um rastilho para novo ataque, como agora se verificou.

 

A principal função de um Estado é proteger e garantir a segurança da sua população. É manifesto que a Europa está a falhar rotundamente nessa função. Neste momento, necessita de pagar à Turquia para recolher os refugiados que todos os dias aqui chegam, e apesar de todos os meios de vigilância que coloca no terreno, não é minimamente capaz de proteger algo tão vital para a segurança das pessoas como o aeroporto e o metro no seu principal centro político. O que mais será preciso acontecer para que a segurança dos europeus seja protegida?

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