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"Tem que manter isso, viu?"

por Luís Menezes Leitão, em 18.05.17

 

Há alturas em que um país entra numa deriva total, com um simples processo judicial. Aconteceu em Itália com a operação mãos limpas e agora corre o risco de acontecer no Brasil com a queda total dos actuais políticos brasileiros. Depois de Lula ter sido envolvido na Lava-Jato, e de Dilma ter sido destituída, agora surge a gravíssima acusação de compra do silêncio de Eduardo Cunha na prisão por parte do presidente Michel Temer e de Aécio Neves, sendo o Presidente apanhado a incentivar essa atitude. A reacção do Congresso Brasileiro demonstra bem um país à beira do colapso. Isto não vai acabar bem. 

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Les beaux esprits se rencontrent

por Luís Menezes Leitão, em 11.05.17

Sócrates acusa Ministério Público de "caça ao homem".

 

Lula diz-se alvo de uma "caçada jurídica".

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Carinhoso

por Patrícia Reis, em 20.04.17

 

“Carinhoso” de Pixinguinha faz cem anos. Alguns artistas, como  Zélia Duncan, Monarco, Chico Buarque, Joyce e Carminho, gravaram a canção. Aqui podem ouvir, Carinhoso de Pixinguinha, letra de Braguinha.

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O impeachment de Dilma Rousseff.

por Luís Menezes Leitão, em 31.08.16

O povo brasileiro tem uma extraordinária capacidade para reiventar a nossa língua comum. Enquanto em Portugal continuamos arreigados ao clássico impeachment, por vezes traduzido para impedimento, no Brasil as novas palavras surgem à velocidade da luz, mais rápidas do que o próprio pensamento. Segundo as notícias de hoje no Brasil, a Presidente (ou Presidenta) Dilma Rousseff foi assim "impichada". O problema é que, apesar do desastre em que tinha caído a governação de Dilma, esta decisão é completamente disparatada e, ou muito me engano, ou vai abrir um conflito social sem precedentes no Brasil.

 

A decisão do Senado foi de 61 votos contra 20. Parece um resultado esmagador mas não é. É que o que prevê o art. 52º da Constituição Brasileira é que a condenação do Presidente por crimes de responsabilidade associa à perda do cargo a inabilitação por oito anos, para o exercício da função pública. Trata-se de uma sanção pesadíssima, o que bem se compreende, pois estão em causa crimes de responsabilidade e não uma mera censura política ao Presidente. Aliás, a mesma situação é prevista noutras constituições como a portuguesa, onde o art. 130º, nº3, associa à destituição do Presidente a impossibilidade da sua reeleição. Não passa pela cabeça de ninguém permitir que o Presidente quisesse a seguir reverter nas eleições uma decisão de destituição.

 

Mas o Senado não foi capaz de condenar a Presidente na inabilitação para o exercício da função pública, já que a favor dessa decisão votaram apenas 42 senadores, o que é insuficiente para a maioria de 2/3 exigida pelo art. 52º da Constituição Brasileira.

 

Ora, se o Senado brasileiro não teve coragem de condenar a Presidente em todos os efeitos da pena prevista na Constituição para o crime de responsabilidade, isso só significa que não considerou a sua conduta como tendo a gravidade suficiente para merecer essa pena. A condenação parece ser assim apenas política, exclusivamente para a remover do cargo.

 

Só que destituir um Presidente, permitindo que ele concorra nas eleições seguintes, é abrir a caixa de Pandora. A campanha pela nova eleição de Dilma Rousseff começa hoje mesmo. E aposto que Michel Temer não vai ter um minuto de sossego. Será que no Senado brasileiro ninguém foi capaz de ver isto?

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Tem tudo para virar bagunça

por Pedro Correia, em 03.05.16

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Consumada a luz verde dada pela Câmara dos Deputados à sua impugnação, e antes que o Senado vote da mesma maneira, Dilma Rousseff quer introduzir uma nova emenda à Constituição brasileira de 1988 para permitir a realização de eleições presidenciais antecipadas - algo que, insolitamente, a lei fundamental do país não prevê.

Questiono-me, a propósito, como é que a República Federativa do Brasil tem uma Constituição destas - gigantesca, mastodôntica e sujeita a sucessivas modificações que a tornaram quase ilegível. Já foi alterada 91 vezes desde que entrou em vigor, o que diz quase tudo sobre a caótica vida política brasileira e a incompetência dos seus legisladores. Esta é aliás a quinta Constituição em pouco mais de oito décadas (as anteriores datavam de 1934, 1937, 1946 e 1967) e já sujeita a tantas mudanças que tornaram quase irreconhecível o seu texto original, como pode ser comprovado aqui.

Nós, portugueses, queixamo-nos - e com razão - da dimensão e minudência da nossa Constituição, que devia prever apenas as bases gerais da organização do Estado, do sistema político e do catálogo de direitos fundamentais. Mas que diremos então da  lei fundamental brasileira, com um número incontável de títulos, secções, capítulos, parágrafos e alíneas? Que diremos deste prolixo texto que prevê disposições sobre questões tão magnas como tribunais do trabalho, impostos dos municípios, desporto, comunicação social e "reforma agrária"? O que dizer de um texto que contém um capítulo, dois artigos e sete parágrafos sobre os índios (numa aparente violação do direito à igualdade dos cidadãos perante a lei), inclui um artigo a explicar que "o advogado é indispensável à administração da justiça" e ostenta um capítulo intitulado "Da família, da criança, do adolescente, do jovem e do idoso"?

Tem tudo para não dar certo. Tem tudo para virar bagunça. Diz-me que Constituição tens, dir-te-ei como o teu país é.

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Um bumbum trabalhador

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.04.16

"Isso tudo está acontecendo porque quem não mama, chora. O povo entende bem o que quero dizer."

 

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Blogue da semana

por Pedro Correia, em 23.04.16

Por estes dias, o país de Getúlio, Juscelino e Tancredo anda efervescente. Um ciclo aproxima-se do fim, outro começa a abrir-se - cheio de incógnitas e perplexidades. A blogosfera é um dos meios para ir acompanhando todas as movimentações desta recta final do atribulado mandato presidencial de Dilma Rousseff. Mas devemos acautelar-nos contra o excesso de trincheiras e toda a retórica que delas emana, distorcendo os factos. Um dos blogues que acompanho com mais atenção é precisamente este: o Blog do Fernando Rodrigues. De um dos mais prestigiados jornalistas de investigação do Brasil, que se distinguiu durante muitos anos ao serviço da Folha de S. Paulo. Poucos sabem tanto como ele sobre os bastidores da política brasileira.

Recomendo-o como blogue da semana.

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Brasil despedaçado

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.04.16

O título deste post pertence ao autor do artigo que a edição brasileira do El Pais deu à estampa e é de um dos mais lúcidos cronistas do Brasil. Sem meias-palavras, directo, cru, dilacerante, tal como tem sido o Brasil dos últimos meses, o Luiz Ruffato deixou o terrível retrato de um país e de uma classe dirigente. A ler. 

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Almas sensíveis descobriram nesta madrugada, com evidente proveito, a toada tropical do Parlamento brasileiro. Tinham-lhes escapado, ao que parece, outros momentos igualmente saborosos: a elevada qualidade artística e política dos discursos de Lula em geral, o episódio do antigo Presidente proposto para função governamental para se eximir a uma investigação judicial ou o dos quatro ministros exonerados para poderem participar na votação. Eu, que assisto com um interesse distanciado, digo que estão bem uns para os outros. E que provavelmente nem uns nem outros estarão bem para o Brasil. Quanto ao resto, se vi no Parlamento brasileiro coisas do arco-da-velha? Vi sim. Vi até coisas que jamais poderia ver nos parlamentos de Havana ou de Caracas.

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O descalabro de um governo (4).

por Luís Menezes Leitão, em 19.03.16

Lula pode conseguir arrebanhar multidões em todos os Estados do Brasil e encher a Avenida Paulista, que isso não serve para nada. Dizer que "não vai ter golpe" é o discurso típico dos ditadores sul-americanos quando estão sob ameaça do poder judicial, querendo impedir a acção da justiça. Faz lembrar as claques de futebol que enchem o estádio, ganhando completamente na gritaria, e depois ficam estupefactas a ver o seu clube perder estrondosamente o jogo. Assim como é no campo que se vencem os jogos de futebol, também é nos tribunais que se ganham ou perdem os processos. Se a justiça for séria e isenta é, como na sua imagem, completamente cega e surda às manifestações à sua volta.

 

E neste aspecto, Lula teve ontem uma derrota estrondosa com a decisão do Ministro (juiz) do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes que suspendeu a sua tomada de posse até que o Supremo Tribunal Federal julgue definitivamente o caso, mantendo as investigação nas mãos de Sérgio Moro. E do texto da decisão resulta claro que Dilma Rousseff também não vai ficar imune desta história. Como escreveu o juiz, "o objetivo da falsidade é claro: impedir o cumprimento da ordem de prisão de juiz de primeira instância. Uma espécie de salvo conduto emitida pela Presidente da República. Ou seja, a conduta demonstra não apenas os elementos objetivos do desvio de finalidade, mas também a intenção de fraudar".

 

Da mesma forma, que na história do Moleiro de Sans-Souci, que quando Frederico II da Prússia lhe quis retirar o moinho, o avisou de que ainda havia juízes em Berlim, Lula e Dilma estão a aprender que ainda há juízes em Brasília dispostos a impedir os abusos de poder e a obstrução à justiça.

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"O que está em curso no Brasil não é um combate à corrupção, mas sim um golpe de Estado promovido pela direita e os sectores mais retrógrados do país. A corrupção existe, mas é só o pano de fundo e o pretexto que a oposição precisa para deitar abaixo um governo eleito democraticamente. Esta é, no essencial, a posição do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Comunista Português (PCP) sobre os acontecimentos mais recentes do Brasil."

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O descalabro de um governo (3).

por Luís Menezes Leitão, em 17.03.16

No post anterior escrevi que Lula ia ter uma grande desilusão. Já a está a ter. Era de prever que este esquema inventado pela Presidente do Brasil fosse acabar mal. Qualquer jurista vê nisto um caso óbvio de desvio de poder e de obstrução à justiça. E embora a nomeação de um Ministro seja um acto político, é manifesto que a mesma não pode ser usada para quebrar o princípio do juiz natural, subtraindo uma causa já atribuída ao juiz que detém o processo. Balzac percebeu isso muito bem no seu romance Splendeurs et Misères des Courtisanes quando criou a personagem do juiz de instrução Camusot, de quem se dizia que era a pessoa mais poderosa da França, uma vez que nem o Rei poderia interferir nos seus processos.

 

O que está a passar-se agora no Brasil já ocorreu nos Estados Unidos aquando da presidência de Nixon. Aí também havia uma investigação judicial que envolvia o Presidente e que este tentou obstruir. E também havia gravações de conversas do Presidente, que provavam a sua intervenção no Watergate, e que este se recusou a entregar à Justiça, apesar de demandado pelo procurador. A obstrução foi de tal ordem que o Presidente demitiu o procurador que o estava a investigar, criando uma crise constitucional sem precedentes nos Estados Unidos, o que levou a Câmara de Representantes a iniciar o processo de impeachment. O Presidente acabou por se demitir quando o Supremo Tribunal o mandou entregar todas as gravações. Ainda tentou resistir mas explicaram-lhe que se há coisa que os americanos aprenderam é que ninguém desobedece ao Supremo Tribunal. Na América não há poder político mais forte do que o poder da Lei.

 

O Brasil está neste momento numa encruzilhada. Ou adopta o exemplo dos Estados Unidos e o governo submete-se à lei, aceitando a investigação judicial, envolva quem envolver, ou passa a adoptar o sistema de governo da Venezuela de Hugo Chavez e parte para um golpe de Estado que destrói as instituições democráticas. Confesso que depois de ouvir Dilma dizer que "os golpes começam assim" fiquei a recear o pior.

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Em directo do Brasil

por Rui Herbon, em 17.03.16

 

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O descalabro de um governo (2).

por Luís Menezes Leitão, em 17.03.16

O que resulta destas escutas é pura e simplesmente um caso de obstrução à justiça, para o que se instrumentalizam as instituições. Não acredito que a "presidenta" Dilma sobreviva a isto. Como é óbvio, vai ter um impeachment e é já. E aí não há ministro que fique imune. Lula vai ter uma grande desilusão.

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O descalabro de um governo.

por Luís Menezes Leitão, em 16.03.16

O que se está a assistir no Brasil é ao descalabro total do governo de Dilma Rousseff. Não há memória de se assistir num país a tantos e tão sucessivos escândalos de corrupção, com o governo praticamente cercado pela justiça, em função das sucessivas acusações que vão surgindo.

 

Há muito que tenho defendido que os governantes com problemas com a justiça devem abandonar imediatamente os seus cargos. Não está em causa a sua presunção de inocência, mas o facto de que não podem tornar o governo refém de uma investigação judicial. A necessidade de preservar as instituições é muito mais importante do que o caso pessoal de alguém, por muito injustas que sejam as acusações.

 

No Brasil inventou-se agora uma novidade. Chamar o ex-presidente Lula ao governo, apenas para lhe dar imunidade perante a justiça. O anúncio é tão escandaloso que até foi adiado perante uma nova investigação judicial agora descoberta. Em qualquer caso, isto representa o grau zero de um regime. Colocar as instituições ao serviço pessoal dos políticos e formar um governo apenas para dificultar a acção da justiça.

 

A falta de sensatez política que isto representa é absolutamente impressionante. Não me parece que o governo de Dilma consiga sobreviver a uma jogada política desta natureza. Esperemos é que o regime democrático brasileiro não caia com ele.

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Pela boca morre o cefalópode

por Rui Herbon, em 15.03.16

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"No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a cadeia; quando um rico rouba, vira ministro.” Lula, 1988

 

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Friends will be friends

por Rui Herbon, em 15.03.16

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Ainda vamos ver Sócrates como attaché da embaixada do Brasil.

 

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Um herói que deixou de o ser

por Pedro Correia, em 08.03.16

«Hoje, vivendo acuado num prédio de escritórios do bairro paulistano do Ipiranga, com suas despesas pagas por magnatas, cercado não pela massa dos pobres que diz ter salvado, mas por negociantes de marketing, burocratas do PT, parasitas variados e uma armada de advogados que pouquíssimos brasileiros poderiam pagar, Lula está só. Do povo, nem sinal. O homem que tanto menosprezou os adversários falando de sua popularidade de 100% não pode ir a um campo de futebol - nem ao estádio do Corinthians, em Itaquera, cuja construção impôs para a Copa do Mundo de 2014, da qual não conseguiu assistir a um único jogo. Não pode ir jantar um frango com polenta em São Bernardo. Não pode ir a uma loja, comer um pastel de feira ou andar sem a proteção de um regimento de seguranças.»

 

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«Nada destruiu tanto a autoridade moral de Lula quanto seu convívio com as empreiteiras de obras brasileiras, durante e depois de seus dois mandatos. Nunca antes, em toda a história do Brasil, houve um presidente da República com tantos e tão íntimos amigos entre os empreiteiros. Alguém é capaz de citar outro? Em apenas quatro anos, de 2011 a 2014, momento em que a casa começou enfim a cair, Lula recebeu 27 milhões de reais para fazer palestras encomendas pelos gigantes da construção pesada do país.»

 

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«Os presentes não vieram apenas das empreiteiras, certo, mas isso nao melhora sua situação em nada - vieram de fontes mais sombrias ainda, como um consórcio de estaleiros que vivem de contratos com a Petrobras, o Banco BTG Pactual, um "centro de estudos" de Angola. Através da francesa GDF Suez, há traços até da inesquecível Astra Oil, que vendeu à Petrobras o ferro-velho da refinaria americana de Pasadena, algo tão parecido com uma negociata em estado puro, mas tão parecido, que até hoje não foi possível descobrir a diferença. Ganhar dinheiro fazendo palestras para essa gente está dentro da lei? Está. Está dentro da moral comum? Não está, e é aí que começa e acaba o problema. Um ex-presidente da República não pode, simplesmente não pode, aceitar dinheiro de empresas que dependem do Tesouro para sobreviver.»

 

J. R. Guzzo, na última edição da Veja

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Foi-se a Copa? Não faz mal.

Adeus chutes e sistemas.

A gente pode, afinal,

cuidar de nossos problemas.

 

Faltou inflação de pontos?

Perdura a inflação de fato.

Deixaremos de ser tontos

se chutarmos no alvo exato.

 

O povo, noutro torneio,

havendo tenacidade,

ganhará, rijo, e de cheio,

a Copa da Liberdade.

 

Publicado no Jornal do Brasil de 24 de Junho de 1978

 

Carlos Drummond de Andrade escreveu este poema em 1978. Nesse ano, na Argentina, o Brasil, depois de vencer a Itália, ficou em 3º lugar no campeonato do mundo (curiosamente, a Alemanha, na fase de grupos desse campeonato, tinha dado 6-0 ao México). Os militares que impunham um brutal regime de ditadura no país anfitrião, viram a sua selecção vencer a Holanda na final.

Os campeonatos do mundo de futebol continuarão. Quanto ao povo que, no Brasil, sentia também, em 1978, os efeitos de um regime ditatorial, está agora, felizmente, num outro patamar. Mas ganhar a "Copa da Liberdade" é ainda, por enquanto, um desejo poético demasiado ambicioso. Por outro lado, poderão os desejos poéticos ser demasiado ambiciosos?

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O princípio de Peter.

por Luís Menezes Leitão, em 09.07.14

 

Há um princípio que tem vindo a ser defendido na ciência da administração, denominado o princípio de Peter, que procura explicar porque é que as coisas correm sempre mal. Segundo o mesmo, nas organizações as pessoas vão sendo sempre promovidas até atingirem uma função para a qual são absolutamente incompetentes. A partir daí deixam de ser promovidas, pelo que normalmente passarão a vida toda nessa função, que não são manifestamente capazes de desempenhar. A menos que aconteça um descalabro que demonstre essa absoluta incompetência, caso em que terão de ser demitidas.

 

O princípio de Peter explica o que se passou ontem com a selecção do Brasil. Desde o jogo inaugural com a Croácia que se percebia que a equipa do Brasil era fraquíssima, e nem o talento de Neymar permitia elidir essa conclusão óbvia. No entanto, era manifesto que o Brasil estava a ser levado ao colo pelos árbitros, como demonstrou no jogo inaugural o árbitro japonês que inventou um penalty absolutamente inexistente, levando a que os próprios brasileiros, com o humor que os caracteriza, o tivessem qualificado como o melhor jogador do Brasil em campo. E a verdade é que depois do jogo inaugural, a selecção brasileira não conseguiu convencer em jogo nenhum, ainda que tenha sempre passado à fase seguinte. Por isso, a qualquer altura poderia chegar a hora da verdade, como ocorreu ontem, com a selecção brasileira a ser absolutamente triturada pela Alemanha, sem conseguir esboçar uma única reacção que se visse. Se o Brasil não tivesse chegado tão longe, nunca teria tido um resultado tão humilhante.

 

O que é curioso é que no Brasil os resultados do futebol costumam contar para a avaliação do mandato presidencial. Dilma Rousseff anunciou há quatro dias a sua recandidatura ao mandato presidencial, mesmo no fim do prazo. Pois eu acho que ontem ela acabou de perder as eleições.

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De volta ao garimpo

por Sérgio de Almeida Correia, em 09.07.14

(Reuters)

 

Depois de ter sido elevado aos píncaros da auto-estima nacional, entre santinhos e bandeirinhas, rumou a Inglaterra, de onde foi liminarmente despachado para uns meses nas Arábias. Acabou por cometer a proeza de entrar no Guiness encaixando 7 (sete) no Mineirão. Pode ser que agora os detractores de Paulo Bento percebam com quem este aprendeu a construir equipas para jogarem futebol de praia em campos relvados. A sorte não é eterna. Os barbeiros são.   

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Agora que o CMF está para começar, quero deixar as minhas expectativas mais a sério. Não serei sistemático, escreverei apenas sobre aquilo que me apetecer e não tentarei manter uma frequência mínima. Tudo dependerá da minha disponibilidade. A única coisa que irei tentar é deixar algumas reflexões sobre a EDTN® e os seus adversários. O texto acabará longo, por isso quem quiser ler que clique aí nesse "ler mais" sff.

 

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A palavra a Mário Soares

por Rui Rocha, em 30.06.13

Mário Soares declarou-se durante a recente visita de Dilma Rousseff a Portugal “excelentemente impressionado” com a Presidente do Brasil. Afirmou ainda: “somos camaradas, ambos de esquerda, tem um pensamento muito claro sobre o que se está a passar”. Esperemos que durante a profícua reunião, Mário Soares tenha tido tempo de esclarecer Dilma sobre o seu entendimento relativamente às condições de continuidade no poder de titulares de cargos políticos legitimamente eleitos. Recorde-se que Soares tem defendido reiteradamente que um governo contestado nas ruas e impossibilitado de comparecer em locais públicos sem que se gerem protestos, perde legitimidade para permanecer em funções. Pois bem, é altura de Mário Soares se pronunciar. Uma queda de 35% nas sondagens e a decisão de última hora de não estar presente na final da Confederações para evitar uma vaia monumental parecem ser, de acordo com a doutrina Soares, motivos suficientes para Dilma dar lugar ao próximo.

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Brasil e o resto

por jpt, em 24.06.13

 

Leio agora muito menos (em) blogs do que há anos atrás. Por isso qualquer minha tentativa de metabloguismo será muito coxa. Mas ainda assim ... Este fim-de-semana usei as ligações aqui no Delito de Opinião (e também o método da "bola de neve") para procurar no bloguismo português informações e opiniões sobre a situação brasileira e também sobre a já mais recuada notícia da vasculha, muito Huxley/Orwell, que o governo americano vem realizando. Sobre o Brasil notei dois consistentes textos de Francisco José Viegas "Brasil, o princípio do fim do embuste" e "Brasil, notas avulsas, 1". E nada mais que seja relevante. 

 

Sintomático também o silêncio substantivo dos blogs portugueses mais à esquerda sobre os assuntos. Habitualmente pressurosos, e até frenéticos, no acompanhamento entusiástico de qualquer "indignismo" internacional, a enorme agitação popular no "país irmão" passa relativamente despercebida. Porque cabe mal na topologia habitual? Risca o brilho das solidariedades ou o peso das argumentações havidas? Silêncio também sobre a histriónica vigilância nos EUA. Mais sintomático ainda, pois nos últimos anos o olhar e o teclar sobre os EUA foi constante, em muito mimetizando a antítese democratas-republicanos, óbvio sinal da crise dos marxismos europeus (e também do pensamento de direita). Se o "bushismo" alastou na blogo-ala liberal (ainda que Bush não tivesse sido um liberal) o "obamismo" foi um devaneio socialista-bloquista constante. Agora o silêncio. Estou certo que se Obama não fosse mulato, apenas um branco, os blogo-bramidos ouvir-se-iam. É o racismo, "positivo", se quiserem, mas racista. Mas não só. É mesmo o poço ideológico. 

 

Conviria lembrar isto diante de tantas certezas que vão sendo apontadas sobre tantos outros assuntos, mais ou menos "indignistas". Tão encastradas costumam ser.

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A propósito do post do Luís Menezes Leitão, aqui mais abaixo, pode ler-se um artigo do El País que me parece bastante acertado e que vem ao encontro do que muitos brasileiros, entre os quais vários intelectuais, têm dito nos últimos dias.

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Os protestos no Brasil.

por Luís Menezes Leitão, em 18.06.13

 

A onda de protestos que atingiu o Brasil justifica que se pondere a insensatez de os países se candidatarem a organizar eventos desportivos de grande dimensão, com um peso gigantesco no seu orçamento. Em Portugal ainda hoje estamos a pagar a loucura de construir dez estádios totalmente inúteis para organizar o Euro 2004. Só de pensar na falta que faz esse dinheiro neste momento de crise deveria motivar declarações públicas de arrependimento por parte de todos os responsáveis pela candidatura. Mas na altura ninguém se apercebeu do disparate que constituía a organização desse evento. Pelos vistos os brasileiros aperceberam-se a tempo do que lhes vais custar a organização do Mundial de 2014, já para não falar das Olimpíadas de 2016.

 

Este tipo de eventos deveria ser sustentado exclusivamente com financiamento privado. Os Estados não devem dar apoio a estas actividades, ainda para mais quando as mesmas são altamente lucrativas. Há situações de necessidade e injustiças sociais a resolver que merecem muito mais a aplicação do dinheiro dos contribuintes.

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Morta não bota chifre...

por Pedro Correia, em 08.02.13

 

Eu sei que há sempre um certo pudor "intelectual" nos blogues em escrever sobre telenovelas, como se fosse um tema menor. Acontece que para mim não existem temas menores - existe, isso sim, escrita de qualidade ou escrita menor, seja qual for o tema, seja ou não avalizado pelos patrulheiros do gosto dominante. 

Escrevi aqui e aqui o que na altura me ocorreu sobre Gabriela - uma produção da Globo que me reconciliou com as telenovelas brasileiras - em sintonia com uma grande parte dos telespectadores portugueses, que voltaram a dar a liderança do horário nobre à SIC graças à retransmissão desta adaptação televisiva de Gabriela, Cravo e Canela, o inesquecível romance de Jorge Amado.

A qualidade dos diálogos e a excelente direcção de actores são dois aspectos em que os brasileiros continuam a destacar-se claramente na comparação com os portugueses. Convém assinalar este pormenor numa altura em que alguns - muito pouco exigentes - garantem que as produções de cá já podem ombrear com as de lá.

Não é verdade.

Reparem só nestes excertos de diálogos, oriundos precisamente de Gabriela:

 

 

D. Doroteia falando com o filho, coronel Amâncio:

- As minhas suspeitas se confirmaram. Tem mulher botando chifre no marido nesta cidade.

- Ser corno é o pior que há. Minha mulher morreu faz tempo. Às vezes até agradeço porque morta não bota chifre...

- Tem muita mulher que devia morrer por não respeitar o marido!

 

Professor Josué falando sobre Glorinha com o coronel Coriolano:

- Você está com um avião em casa que está decolando todo o minuto...

- Lá em casa é gemada todo o dia e alegria toda a noite!

 

Maria Machadão, dona do Bataclã, para Zarolha:

- Puta que se apaixona é puta burra.

 

D. Doroteia, à conversa com as maiores beatas da vila, as irmãs Dos Reis: 

- Cristo era generoso porque era Cristo. Mas nós aqui, na Terra, não somos generosos sem motivo.

 

Tonico Bastos para o pai, coronel Ramiro:

- Painho, quando uma mulher vai muito à igreja isso é ruim?

- Depende do santo para quem está rezando...

 

Mundinho Falcão, para um cliente bêbedo do bar Vesúvio:

- Ainda bem que cachaça não vota.

 

Coronel Ramiro Bastos discute com D. Doroteia:

- A senhora é uma velha fofoqueira e palpiteira. Bico calado!

- Ainda não nasceu homem para me calar!

 

Tonico, falando de sua mulher:

- Se Olga tivesse o peso em cacau valia uma fortuna.

 

Dona Arminda para Nacib:

- Homem que é homem leva mulher no cabresto!

 

Coronel Manuel das Onças dialoga com Zarolha:

- Quem é que toma quenga como esposa?!

- Se eu sou só a sua quenga, coronel, prefiro continuar quenga. Teúda e manteúda, aceito não. No dia em que quiser casar, avise.

 

Beto para o pai, coronel Amâncio, referindo-se ao irmão:

- Vai passar o dinheiro todo para Juvenal? Mas ele vai casar com quenga...

- Sua avó também era quenga. Assim fica tudo em família.

 

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Diálogos inesquecíveis

por Pedro Correia, em 22.01.13

Há muito que não se registava um reencontro tão evidente entre o gosto maioritário dos telespectadores portugueses e uma produção de qualidade em sinal aberto, como agora sucedeu com Gabriela, produção brasileira da Globo retransmitida na SIC. Prova evidente de que não é necessário nenhum "acordo" pseudo-unificador para aproximar as diversas parcelas do mundo lusófono nem há que inventar qualquer varinha de condão em alternativa aos reality shows mais rasteiros para atrair público em televisão: basta investir na qualidade comprovada. Com um romance que foi êxito de vendas e de crítica a servir de base, um elenco meticulosamente escolhido, uma produção competente, uma irrepreensível direcção de actores. E, claro, um guião concebido por verdadeiros profissionais, que soube recuperar e valorizar os saborosíssimos diálogos saídos da pena de Jorge Amado que só confirmam o colorido, a riqueza vocabular e a grande plasticidade do nosso idioma.

Deixo aqui dois exemplos, que todos os que acompanharam Gabriela certamente lembrarão: vale a pena recordá-los, agora por escrito.

 

 

I

«Eu gosto de procriar é muito, seu padre»

Dona Olga, a fogosa mulher de Tonico Bastos, é ouvida em confissão pelo paciente Padre Cecílio:

- Seu padre, me perdoe, eu pequei.

- O que tanto a atormenta, Dona Olga?

- Seu padre, eu cumpro a penitência que o senhor quiser, mas não me faça contar...

- Eu não fico aqui distribuindo penitência, Dona Olga. Eu tenho por obrigação fazer os fiéis trilharem o bom caminho... Que pecado tão nefando a senhora cometeu?

- Eu tenho vontade... Ai!

- Coragem, minha filha, aos olhos de Deus todo pecado tem perdão.

- ... Eu tenho vontade de morder a bunda de meu marido.

- Deus me livre!

- Eu resisto é muito! Mas uma bunda tão redondinha, seu padre...

- Olhe a compostura, por Deus!! O acto conjugal não pode ser libidinoso! A Igreja determina que o marido deite mais a esposa apenas para procriação.

- Eu sei. Eu gosto de procriar é muito, seu padre. Não tenho mais filhos é porque Deus não mos enviou... e talvez porque eu dei uma lavadinha.

- Lavadinha, Dona Olga?! Que lavadinha?

- É, é. Água e sabão... nas partes. Sempre que Tonico me usa... Senhor padre, a Igreja proíbe a lavadinha?

- Preciso consultar o bispo. Quanto a esse desejo de morder a... o traseiro de seu marido, é proibidíssimo. Reze três terços na intenção de sua alma.

- Três terços só por desejar?! Não podem ser dois?

- Desejar não é pouco. Mas a senhora se arrependeu... Bem, vá lá: dois terços pelo desejo.

- Então ficamos assim. Dois terços só por desejar e quatro terços se morder.

 

II

 «Além de minha macheza natural, tomo uma gemada»

O professor Josué anda envolvido com Glorinha, a fogosa "teúda e manteúda" do coronel Coriolano - novidade que este ainda desconhece. Conversam ambos à mesa do bar Vesúvio.

O primeiro a falar é o coronel, muito mais velho do que o seu interlocutor:

- Que é que o senhor tem para me dizer que é tão importante?

- Eu admiro a sua disposição. Assim, nessa idade, o senhor dá conta de Glória que, com todo o respeito, é um peixão.

- Sem dúvida. Eu só dou conta por causa de minha macheza!

- Coronel, eu quero saber o teu segredo.

- Segredo?

- P'ra ser tão macho. O senhor toma alguma coisa? O senhor sabe... tenho chamego com uma mulher comprometida...

- É gulosa?

- Gulosa de mais.

- Deve ser igual a Glorinha. Glorinha é muito gulosa...

- Sem dúvida.

- Quê?!

- Eu imagino. Porque uma mulher assim, na flor da idade, há-de ser gulosa... Coronel, o senhor toma algum preparado?

- Só porque eu lhe tenho simpatia, eu vou lhe contar o meu segredo: além de minha macheza natural, eu costumo tomar todas as noites uma gemada bem forte com ovo, açúcar, canela e um dedão assim de conhaque... O senhor toma isso, o senhor vai ver: sua coisa aí vai subir que nem um rojão!

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Dia de São Sebastião no Brasil

por Patrícia Reis, em 20.01.13

Perpetuando a tradição, centenas de fiéis lotaram a Igreja de São Sebastião, mais conhecida como Igreja dos Capuchinhos, no bairro da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, para assistir às missas em louvor do santo padroeiro da cidade.
A igreja abriga a imagem de São Sebastião trazida em 1565 pelo fundador da cidade, o português Estácio de Sá, em homenagem ao então rei menino de Portugal, D. Sebastião.
O dia de Sâo Sebastião, 20 de Janeiro, feriado municipal na capital fluminense, destina-se também a assinalar a expulsão dos ocupantes franceses, no século XVI.
Foi, com efeito, no dia 20 de Janeiro de 1567, que os portugueses venceram a batalha do forte Uruçumirim, (hoje Outeiro da Glória), naquela que constituiu a primeira grande vitória sobre os invasores.
Em 1555, os franceses invadiram o Rio de Janeiro pretendendo aqui fundar uma colónia. Em 1564, os portugueses organizaram uma expedição para expulsá-los e fundar uma cidade fortificada com o objectivo de impedir para sempre outras investidas.
Estácio de Sá, sobrinho do governador Mem de Sá, chegou no dia 28 de Fevereiro de 1565 com alguns navios e soldados, desembarcando na praia entre o morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar. No dia seguinte, 1º de março de 1565, fundou oficialmente a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em homenagem ao rei menino de Portugal e escolheu o santo de mesmo nome para padroeiro.
Finalmente, no dia 20 de Janeiro de 1567, travava-se a batalha decisiva, ganha pelos portugueses.

São Sebastião também é padroeiro de numerosas outras cidades de norte a sul do Brasil:

*Estado do Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, Barra Mansa, Três Rios, Aperibé, Araruama.
*Goiás: Rio Verde.Palmeiras de Goiás
*Pará: Altamira e Parauapebas.
*Mato Grosso: Alto Garças.
*Bahia: Alcobaça, Caravelas, Itambé, Trancoso e Maraú (No sul do estado a festa também é chamada de Cavalhada).
*Ceará: Monsenhor Tabosa.
*Minas Gerais: Montes Claros,Alpinópolis, Andradas, Cruzília, Coronel Fabriciano, Leopoldina, Bom Jardim de Minas e São Sebastião do Paraíso.
*Estado de São Paulo: Cajamar, Valinhos, Ibiúna, Suzano e Ribeirão Preto.
*Pernambuco: Jataúba, Limoeiro, Cabo de Santo Agostinho, Belo Jardim e Ouricuri.
*Acre: Xapuri.
*Paraná: Paranavaí , Sengés , Jacarezinho e Andirá.
*Rio Grande do Sul: Bagé, São Sebastião do Caí e Venâncio Aires.
*Santa Catarina: Sombrio.
*Paraíba: São Sebastião de Lagoa de Roça, Picuí e São Bento.
*Rio Grande do Norte: Caraúbas, Equador, Governador Dix-Sept Rosado e Parelhas.

 

(texto do blogue da embaixada portuguesa)

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Coisas

por Ana Margarida Craveiro, em 05.12.12

 

Há uma série de piadas sobre o inferno como destino inevitável dos advogados. Quando vejo que elegem este animal selvagem como Bastonário, tendo a lembrar-me delas. E sim, estou a ser eufemística.

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O dia mais lindo

por José Navarro de Andrade, em 03.07.12

 

É uma lenda, mas é tão reconfortante nos dias de hoje e tão impossível de igualar, que só o facto de poder ter sido imaginada diz muito sobre aquele tempo e aquele lugar.

Diz-se, então, que faz hoje 50 anos que dois jovens ficaram milionários para a vida enquanto bebiam uma imperial.

Os jovens eram Tom Jobim e Vinicius (cuidado com o Vinicius, meninas) de Moraes, a imperial foi sorvida no Bar do Veloso, em Ipanema, à porta do qual, estavam eles a descansarem de não fazer nada, passava Heloísa Pinheiro, moça dos seus 1,73cm, morena de olhos verdes, a caminho da praia, crendo no poema que Moraes compôs ali mesmo num guardanapo, depois de ter murmurado “olha que coisa mais linda”, enquanto Tom tamborilava a melodia na mesa com a polpa dos dedos.

Claro que não foi nada assim. Mas este será o perfeito retrato daquele que cuido como tendo sido o mais perfeito lugar e a mais consumada hora de todo o séc. XX, o Rio de Janeiro em 1962, no Brasil de Kubitschek, o Kubitscheck que todas as semanas ia centro do mundo ver o futuro, essa Brasília erguida no meio do nada-sertão central.

Faltaria pouco tempo para que o inferno descesse ali a sua pata, mas aquele 1962 carioca, nunca houve nada assim.

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Dilma chora, coitada...

por Helena Sacadura Cabral, em 04.03.12

 

"Dilma chora ao pedir desculpa a ministro que demitiu duas vezes". 

 

Tata-se de Luis Sérgio, que começou no governo Rousseff, no Ministério das Relações Institucionais, de onde quase sem aviso foi retirado, no ano passado, sendo substituído pela senadora Ideli Salvatt, amiga de Lula, como prémio de consolação por não ter conseguido ser eleita para o Senado.

O afastado, também à laia de prémio de consolação, foi colocado no Ministério das Pescas, que não tem importância no cenário político brasileiro, onde ficaria apenas alguns meses, para ser de novo demitido, para acomodar no governo Marcelo Crivela, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e sobrinho do líder máximo da seita, Edir Macedo. Consta que terá sido colocado no seu lugar para tentar conter a irritação dos evangélicos contra vários ministros do governo de Dilma que se haviam manifestado favoráveis ao aborto e ao casamento homossexual. Mas agora o ex-ministro foi apanhado mesmo de surpresa pela demissão, já que se encontrava de  férias.

Dilma, ao presidir à cerimónia da tomada de posse de Crivela, pediu desculpa ao amigo, militante de muitos anos do Partido dos Trabalhadores, e não conteve as lágrimas nem conseguiu evitar a voz embargada ao falar sobre o aliado que demitiu duas vezes.

Com amigos destes é melhor ter inimigos. Mesmo que não chorem...

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A fuga de cérebros...

por Helena Sacadura Cabral, em 16.01.12

“… O Governo brasileiro está a preparar uma nova lei para facilitar a concessão de vistos a profissionais estrangeiros altamente qualificados, cujo objectivo é propor um processo de imigração selectiva que incentive a "fuga de cérebros" de países europeus, onde a crise empurrou os profissionais com estudos superiores para o desemprego...".

 

Devem ter ouvido a sugestão nacional!

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Navegar é preciso

por Pedro Correia, em 20.12.11

 

Filho e neto de emigrantes, com familiares espalhados por quatro continentes, aos 25 anos eu próprio emigrei. Tinha emprego em Portugal, tinha aquilo a que hoje se chama uma "carreira" por cá. Mesmo assim, emigrei. Passei dez anos longe do País. Regressei com horizontes mais largos, novos conhecimentos, uma enriquecedora experiência profissional adquirida junto de gente com crenças, culturas e línguas diferentes. Foi uma etapa insubstituível da minha vida que jamais esquecerei. Depois, quando colegas mais jovens confrontados com desafios profissionais além-fronteiras me pediam opinião sobre a opção a tomar, sempre os incentivei a partir também. Alguns confiaram no que lhes disse, nenhum deles lamentou ter feito a mala e demandado outras paragens. A vocação universalista dos portugueses confirma-se nesta constante procura de novos horizontes: somos capazes de edificar o nosso lar em qualquer recanto do mundo.

Por tudo isto, venho acompanhando com perplexidade o debate em curso sobre o novo ciclo de emigração eventualmente aberto aos portugueses. Descendentes não dos que partiram mas dos que ficaram, muitos dos que agora se insurgem contra esta perspectiva eram os mesmos que há meia dúzia de anos recomendavam que Portugal devia receber de braços abertos imigrantes oriundos das mais diversas origens, sugerindo até que esse fluxo migratório permitiria salvaguardar a segurança social pública nacional. Alguns deles foram assistindo nos últimos anos sem um esgar de espanto à contínua partida de compatriotas para Angola, onde já residem mais de 150 mil portugueses. São os mesmos que só agora lamentam o facto de haver jovens prontos a trabalhar a milhares de quilómetros do habitual local de residência de pais e avós. Não entendo a contradição: por que motivo havemos de saudar a imigração e chorar a emigração?

Faz-me impressão esta visão paroquialista do mundo contemporâneo que pretende ver cada povo arrumado no seu reduto. Passos Coelho, por exemplo, anda a ser muito criticado por ter apontado Angola, o Brasil e Timor-Leste como possível destino de alguns portugueses. Esquecem tais críticos que estes países são o que são também porque noutras épocas, já recuadas, houve outros portugueses que lá chegaram.

De qualquer modo, hoje ficámos a saber que o primeiro-ministro só disse o que disse por ter sido questionado, numa entrevista ao Correio da Manhã, sobre um quadro de carência de professores nos países lusófonos. "Passos respondeu a uma pergunta sobre Angola precisar de 15 mil docentes. Confirmou contactos com José Eduardo dos Santos e adiantou que Dilma também falou da necessidade de professores no Brasil. Para quem precisa de emprego, é uma oportunidade, não uma ordem de emigração", esclareceu Armando Esteves Pereira, director-adjunto do CM e um dos autores da entrevista.

Nada mais óbvio: os países lusófonos são um destino natural para qualquer cidadão deste vasto espaço cultural alicerçado no idioma que nos é comum. Porque haveria isso de ser motivo de controvérsia pública? Situar as questões no seu contexto é um dos requisitos básicos para um debate político civilizado e construtivo. O resto é ruído.

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Brasil 5 estrelas

por Ana Vidal, em 06.09.11
Para além dos "monstros sagrados" da geração de ouro da MPB, entre criadores e intérpretes - Jobim, Vinicius, Caetano, Buarque, Bethânia, Gal, Simone, Gil (para citar apenas alguns) - e dos actuais e estrondosos sucessos de vendas e de bilheteiras, sobejamente conhecidos e aclamados por todo o lado, existe uma outra música no Brasil que Portugal conhece ainda muito pouco. É uma linha urbana, culta e sofisticada, que absorveu o que de melhor fizeram os seus antecessores e inovou com mestria e bom gosto em composições que honram, sem uma beliscadura, a brilhante tradição musical a que o Brasil sempre nos habituou. Casando novas tecnologias e tendências melódicas com os mais profundos e sólidos alicerces da chamada "tropicália", continua a provar que o código genético do povo brasileiro se escreve em pautas de música. Soubessemos nós, portugueses, integrar assim, harmoniosamente e sem complexos, as nossas raízes. Curiosamente (ou talvez não) uma boa parte desta nova onda de músicos chega-nos da cidade de São Paulo, contrariando a regra tradicional da hegemonia baiana. É urgente que estes nomes e as suas obras passem a ser familiares aos ouvidos portugueses, porque nem só de êxitos comerciais vive a actual música brasileira e este novo Brasil também merece o nosso aplauso.
Aqui deixo o meu contributo para a sua divulgação: Zé Miguel Wisnik, um desses nomes praticamente desconhecidos entre nós e um cantor/compositor/pianista de qualidade ímpar, num dueto com a bela voz de Ná Ozzetti, simultaneamente delicada e forte. A canção que escolhi pertence ao disco "Pérolas aos poucos" (todo ele é excelente, vale a pena ouvir) e chama-se Sem receita. A música é de Wisnik para um delicioso poema da grande poeta e letrista (e querida amiga minha), Alice Ruiz. Deliciem-se.
SEM RECEITA

Primeiro, lenta e precisamente,
arranca-se a pele
esse limite com a matéria.
Mas a das asas melhor deixar
pois se agarra à carne
como se ainda fossem voar.
As coxas, soltas e firmes,
devem ser abertas
e abertas vão estar
e o peito nu
com sua carne branca
nem lembrar
a proximidade do coração.
Esse não.
Quem pode saber
como se tempera um coração?

Limpa-se as vísceras,
reserva-se os miúdos
para acompanhar.
Escolhe-se as ervas,
espalha-se o sal,
acende-se o fogo,
marca-se o tempo
e, por fim, de recheio,
a inocente maçã,
que tão doce, úmida e eleita
nos tirou do paraíso
e nos fez assim:
sem receita.

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Politologuês

por Pedro Correia, em 08.08.11

As tribunas televisivas são tomadas, à vez, por revoadas profissionais. Houve o tempo dos sociólogos, que pareciam ocupar mais tempo de antena do que a Júlia Pinheiro. Seguiu-se a fase dos psicólogos - acompanhados pela subespécie dos pedopsicólogos - em antena até à náusea. Quando também estes passaram de moda, avançaram os economistas: um batalhão quotidiano na pantalha, cada qual revelando as receitas mais infalíveis para salvar a pátria. Vários deles, curiosamente, ocuparam a pasta das Finanças sem porem em prática as tais receitas milagrosas no exercício de tão relevantes funções. Paciência: ninguém é perfeito.

Agora chegou a vez dos politólogos: todas as semanas é revelado ao País um novo talento televisivo nesta área. Acabo de escutar mais um, que não conhecia de parte nenhuma, pronunciando-se vigorosamente contra as medidas "assistencialistas" contidas no Plano de Emergência Social anunciado pelo ministro da Solidariedade. "Era importante que não houvesse assistencialismo. Estas medidas não seriam necessárias se houvesse crescimento económico", proclama o politólogo, com vigor.

Impossível discordar dele: "se houvesse crescimento económico" - isto é, se a anémica economia portuguesa funcionasse ao ritmo da alemã, ou mesmo da canadiana, já para não falar da turca - as medidas "assistencialistas" seriam dispensáveis. Infelizmente, num país com dois milhões de pobres e pelo menos 700 mil desempregados, com as finanças públicas em situação de pré-ruptura, como acorrer de outro modo às situações mais prementes de exclusão, miséria e fome?

Basta termos mais "crescimento económico", proclama o politólogo recém-estreado nas lides mediáticas. A resolução dos problemas parece sempre tão fácil nuns quantos minutos de protagonismo televisivo. Em último recurso, poder-se-ia sempre anexar Portugal ao Brasil, como recentemente referia o Financial Times, numa rara manifestação de ironia. Se há país que tem registado um espectacular crescimento económico, é precisamente o Brasil. O que não inviabilizou frequentes e emblemáticas medidas "assistencialistas" tomadas pelo presidente Lula da Silva. Um disparate, concluiria o nosso politólogo, sem dúvida metódica alguma.

Enquanto o escuto, vou-me interrogando sobre que espécie de país seria este sob um governo dos campeões da teoria política. E vem-me à memória, sei lá porquê, aquele diálogo d' Os Maias entre Carlos da Maia e João da Ega quando o primeiro, visitando a casa do segundo, descobre nesse local - sem disfarçar a surpresa - um busto do odiado imperador Bonaparte: "Para que tens tu aqui Napoleão, John?", questiona. Resposta pronta do anfitrião: "Como alvo de injúrias. Exercito-me sobre ele a falar dos tiranos..."

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Vinte cidades que jamais esquecerei (II)

por Pedro Correia, em 14.06.11
RIO DE JANEIRO
"O Rio parece dispensar toda a colaboração humana, com a sua beleza universalmente proclamada." (Le Corbusier)



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Canções brasileiras: as dez mais

por Pedro Correia, em 11.06.11
Em tempos, o Duarte Calvão mencionou aqui um disco desse génio da música universal que foi Antonio Carlos Jobim - autor de partituras tão fabulosas como as de Cole Porter ou Irving Berlin. E adiantou que Lígia, de Jobim, é talvez a canção brasileira de que mais gosta. Acontece que é também um dos meus temas favoritos de todos os tempos. Tenho-o em várias gravações, incluindo num disco de Stan Getz - o inesquecível The Lyrical Stan Getz.
Muita gente não sabe que existem duas versões de Lígia. A original, de Jobim, e uma outra, a que prefiro, com versos acrescentados por Chico Buarque, acentuando a magoada ironia das palavras.
Mas se tivesse de eleger a "minha" canção favorita, entre as brasileiras, a escolha recaía no Samba da Bênção (Baden Powell/Vinicius de Moraes). É um tema que me tem acompanhado anos fora, nas mais diversas circunstâncias. Uma espécie de banda sonora da minha vida.
Além destas duas, deixo aqui as restantes oito canções que formam o "dez mais" dos meus gostos em música brasileira. Vão por ordem alfabética, pois é-me praticamente impossível ordená-las de outra forma:
- Chega de Saudade (Jobim/Vinicius), na voz inconfundível de João Gilberto, jovem de 80 anos completados ontem
- Eu Te Amo (Jobim/Chico Buarque)
- João e Maria (Chico Buarque)
- Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá)
- Pela Luz dos Olhos Teus (Vinicius)
- Romaria (Renato Teixeira), interpretada por Elis Regina
- Valsinha (Vinicius-Chico Buarque)
- Vambora (Adriana Calcanhotto)





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IPRIS Policy Brief 6

por Paulo Gorjão, em 17.03.11

Obama's visit to Brazil: patching old wounds and pointing the way ahead

Pedro Seabra

On the eve of US President Barack Obama's visit to Brazil, the state of relations between the two countries understandably comes under renewed focus, with many policymakers and observers keen on testing the waters between the two often-strayed partners. As expected, the stakes are naturally high since this will mark Obama's first official visit to South America. The selection of Brazil as the initial stopover is therefore not without its underlined geopolitical significance. More so, if one takes into account the new tenant of the Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, and her latest indications that slight foreign policy 'nuances' are to be expected in the coming future, including when it comes to dealing with the US in the present international context.

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O Brasil de Dilma: mudar para continuar

por Rui Rocha, em 02.01.11

Um dos factos internacionais mais marcantes do início de 2011 é a passagem de testemunho de Lula da Silva a Dilma Rousseff. A ideia mais comum sobre esta transição no poder é a de continuidade de políticas. Ora, o Brasil precisa, a muitos níveis, de mudança e não de continuidade. A Presidência de Lula da Silva constituiu um marco histórico. Pela devolução da esperança a milhões de brasileiros, pela inclusão de largas faixas da população na sequência de políticas sociais e económicas de choque, pelo crescimento económico explosivo e pela conquista de um lugar de destaque no panorama internacional. Tendo sido uma tarefa meritória e gigantesca, pelo abanão que representou no statu quo, a missão de Lula afigura-se, apesar de tudo, mais fácil do que aquela que Dilma tem pela frente: a da sustentabilidade. E são muitos os perigos que a ameaçam e os desafios de que depende. Do lado dos perigos são de salientar uma mais que provável desaceleração de crescimento económico para níveis mais próximos da normalidade (5%?), a pressão inflacionista (5,6% em Novembro) e um eventual descontrolo do consumo interno (o crédito a crescer a 20% ao ano). Para além disso, agora ao nível político, a gestão das clientelas, a pressão dos esquemas de corrupção e o fantasma que estará sempre presente: o de Lula. No campo dos desafios, é preciso ter presente que, apesar de toda a evolução recente, o Brasil continua a apresentar diversos indicadores sociais e económicos próprios do terceiro mundo. E que a sociedade brasileira é, ainda, profundamente desigual. A miséria, a falta de habitação condigna, de acesso à saúde e a condições mínimas de higiene continuam a afligir milhões de brasileiros. A reforma da educação, a luta contra a burocracia que esconde uma corrupção de colarinho branco ainda entranhada, a reforma legislativa (qualquer empresário com interesses no Brasil sabe, por exemplo, que a fiscalidade é um verdadeiro quebra-cabeças) e o investimento em infra-estruturas (muitos portos e aeroportos brasileiros estão obsoletos e  a rebentar pelas costuras) são áreas que carecem em absoluto de acção estratégica. Lula teve o mérito da ruptura e para tal recorreu em muitas situações a um indispensável voluntarismo. A Dilma cabe tornar esse sonho brasileiro numa realidade consistente. Através de mudanças estruturais que estão por fazer. O avião verde e amarelo levantou voo. Agora, é preciso mantê-lo no ar. Para isso será necessário muito samba e cada vez mais trabalho.

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Um longo e lindo feriado

por Pedro Correia, em 20.11.10
Rua Nascimento Silva, 107. Este endereço é conhecido de melómanos do mundo inteiro. Foi aqui que um poeta e um compositor revolucionaram a música, alterando-a para sempre. O poeta era Vinícius de Moraes, o compositor era Antonio Carlos Jobim, o ano era 1958: desta genial parceria nasceu o disco Canção do Amor Demais, na voz de uma cantora de segunda linha chamada Elizete Cardoso. A diferença estava na qualidade das canções, que rompiam com a banalidade do samba-canção então em voga. E sobretudo em dois temas acompanhados ao violão por um tal de João Gilberto (que no disco figura apenas como instrumentista): “Outra Vez” e “Chega de Saudade”.
Nessa altura nenhum deles imaginava que estava a fazer história. Era o tempo das vozes potentes, cheias de vibrato, próprias para serem escutadas ao fundo de salões de baile – ninguém supunha que se cantasse de outra forma. Mas o baiano João Gilberto insistia em cantar “baixinho”, o que causava urticária nos especialistas do sector. Quando gravou “Chega de Saudade”, logo após a versão de Elizete, um desses especialistas, em São Paulo, partiu o disquinho de 78 rotações bradando: “Esta é a merda que o Rio nos manda!”
Como tantas vezes acontece, na música e não só, este “especialista” nada percebia do assunto. “Chega de Saudade”, com a voz e violão de João Gilberto do Prado Pereira de Oliveira, inaugurou uma era na música popular. A partir daí todos passaram a querer cantar assim. “Baixinho”, como quem sussurra ao ouvido.
Nascia a Bossa Nova. A origem da expressão permanece obscura. Noel Rosa usara a palavra bossa num samba de 1932 (“O samba, a prontidão e outras bossas / são nossas coisas, são coisas nossas”). E à entrada de um espectáculo realizado no auditório do Grupo Universitário Hebraico, ainda em 1958, uma funcionária escreveu a giz num quadro: “Hoje, Sylvinha Telles e um grupo bossa nova.” Sylvinha cantava em sintonia com João Gilberto. A expressão pegou, hoje todos a conhecem, usa-se e abusa-se dela. Mas a funcionária permaneceu anónima: se tivesse patenteado o rótulo, ganharia uma fortuna.
Estas e muitas outras histórias desfilam no delicioso livro Chega de Saudade, do brasileiro Ruy Castro. Ao longo de mais de 400 páginas, assistimos ao encontro de Vinícius e Jobim, somos apresentados a Dick Farney, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, Luís Bonfá, o malogrado Newton Mendonça, Nara Leão, Elis Regina... Descemos aos botequins da Lapa, flanamos pelos bares de Ipanema. Começamos num Brasil onde “In the Mood” e “On the Sunny Side of the Street” eram êxitos nas rádios do Rio com títulos traduzidos foneticamente – “Edmundo” e “O Sobrinho da Judite”. E acabamos num Brasil rendido à sofisticada batida da bossa nova que conquistava os maiores nomes da canção universal: Lena Horne, Sarah Vaughn, Nat King Cole, Peggy Lee, Andy Williams, Perry Como, Tony Bennett, Violeta Parra.
E até Frank Sinatra se rendeu.
Em Dezembro de 1966, quando tomava um chope no seu bar predilecto – o Veloso, onde há quem jure que nasceu a sua “Garota de Ipanema” –, Jobim recebeu uma chamada telefónica. “Ligação dos Estados Unidos”, avisou o proprietário do botequim. Era Sinatra. Convidava-o a gravar um disco com ele. Sinatra/Jobim, como viria a chamar-se o disco, mostra-nos um Sinatra muito diferente do registo habitual, cantando à maneira de João Gilberto temas imortais como “Corcovado”, “Dindi”, “Insensatez” e “O Amor em Paz”.
“A última vez que cantei tão baixo foi quando tive laringite”, gracejou o intérprete de “Strangers in the Night” após as gravações. Valeu a pena: o disco foi um monumental sucesso de público e de crítica, ganhando vários prémios Grammy.
Outras gerações foram conquistadas pela magia brasileira: Eric Clapton proclama a sua adoração incondicional por João Gilberto, Sting nunca se cansa de enaltecer Jobim, Diana Krall e Karrin Allyson incluem temas de Vinícius e Jobim nos seus novíssimos reportórios.
A era da bossa nova, num mundo marcado pela guerra fria e pelo terror nuclear, foi “um longo e lindo feriado”, na síntese feliz de Ruy Castro. Quem diria que tudo começou no fio de voz de João Gilberto que enfureceu o tal expert de São Paulo?


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Dilma: o Brasil faz História

por Pedro Correia, em 01.11.10

 

 

Enquanto em Portugal se aposta no rotineiro e no previsível, numa corrida presidencial que volta a excluir as mulheres, aparentemente sem uma palavra de indignação das feministas de serviço, os brasileiros insistem em fazer História. Há oito anos, elegeram um operário metalúrgico e líder sindical para o Palácio do Planalto. Agora acabam de eleger uma mulher para o lugar de Lula, que abandona o poder em ombros, deixando o país com uma taxa de crescimento económico de 6,5% - o dobro da que José Sócrates prometeu para Portugal (e não cumpriu, como sabemos).

Este excelente desempenho económico brasileiro - o terceiro melhor do mundo, após o da China e o da Índia - explica os elevadíssimos índices de aprovação popular de Lula, na ordem dos 80%. O terreno fora preparado antes, pelo Plano Real de Fernando Henrique Cardoso, o melhor presidente brasileiro desde Juscelino. Mas Lula, que não percebe nada de finanças nem consta que tenha biblioteca, revelou-se exímio na arte de não estragar o melhor legado do antecessor. E fez mais: lançou a Bolsa Família, aproveitando o superavit das contas públicas para arrancar 20 milhões de brasileiros da miséria. E projectou, com mais vigor que nunca, o seu país na cena política internacional, mesmo que para isso tivesse de venerar algumas das figuras mais execráveis do planeta.

Sabe-se qual foi o reverso da medalha: o Partido dos Trabalhadores, instalado em Brasília, transformou a ética política num conceito muito relativo. Sucederam-se os escândalos de corrupção, tráfico de influências e abuso de poder no país do "jeitinho". Os dois putativos sucessores de Lula, José Dirceu e Antonio Palocci, foram devorados nestes escândalos, que também não poupou Erenice Guerra, substituta de Dilma no Executivo e ex-fiel colaboradora da nova Presidente, que terá uma longa e penosa tarefa se apostar seriamente na moralização dos costumes num país que celebrizou a frase "rouba, mas faz", alusiva ao ex-governador de São Paulo Ademar Barros.

Depois de ter cortejado as congregações religiosas - e a Igreja Católica em particular - durante a campanha, sem provocar sobressaltos de indignação nas patrulhas laicistas de turno deste lado do Atlântico, Dilma conseguiu aquilo que muitos considerarão um milagre político: sobe ao poder sem ser "esposa de", como a argentina Cristina Fernández Kirchner, ou "filha de", como a popular Michelle Bachelet, que cumpriu um excelente mandato presidencial no Chile. É certo que por detrás desta mulher há notoriamente um homem: Lula, que a designou como sucessora e herdeira política. Mas Dilma tem biografia, talento e determinação - saberá decerto dar um cunho muito próprio ao seu mandato. Com as bênçãos dos orixás e do Senhor do Bonfim.

Houve um tempo em que os brasileiros se agigantavam no futebol e se banalizavam na política. Hoje, é o contrário. Felizmente para eles. E também para nós.

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Brazil's Atlantic turf

por Paulo Gorjão, em 27.07.10

Aqui.

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Antes Wittengstein que tal sorte

por Pedro Correia, em 27.06.10

 

Fernando Henrique Cardoso foi um excelente presidente do Brasil. Mas é um dos mais entediantes sociólogos da língua portuguesa, como está bem patente no seu livro Perspectivas para uma Análise Integrada do Desenvolvimento – um título que já diz quase tudo sobre a capacidade de atracção da sua escrita.

Millôr Fernandes pegou nesta obra de 323 páginas e de lá extraiu este excerto tão esclarecedor (aviso desde já que convém tomar balanço antes de começar a ler): “Em síntese, reconhecendo a especificidade das distintas formas de comportamento, a análise sociológica trata de explicar os aparentes ‘desvios’, através da determinação das características estruturais das sociedades subdesenvolvidas e mediante um trabalho de interpretação. Não é exagerado afirmar que é necessário todo um esforço novo de análise a fim de redefinir o sentido e as funções que as classes sociais têm no contexto estrutural da situação de subdesenvolvimento e as alianças que elas estabelecem para sustentar uma estrutura de poder e gerar a dinâmica social e económica.”
De fazer perder o fôlego a qualquer um.
Millôr, humorista consumado, compara a prosa de Fernando Henrique Cardoso com a de Ludwig Wittgenstein, autor do Tractatus Logico-Philosophicus, de que Bertrand Russell certa vez disse: “Não entendi nada. Mas é genial.” Pois Millôr, na sua coluna da revista Veja, chega à conclusão que o austríaco que revolucionou a filosofia do século XX – “a que FHC chama de século vindouro” – produziu textos bem mais acessíveis do que o do ex-presidente brasileiro. E fornece um exemplo, extraído precisamente do Tractatus Logico-Philosophicus: “O sentido total do livro pode ser sintetizado nas seguintes palavras. O que pode ser dito pode ser dito claramente e aquilo sobre o que não podemos falar devemos passar por cima, silenciar.”
De regresso à prosa de Fernando Henrique Cardoso, segue nova peça de artilharia apta a fulminar qualquer leitor: “As duas dimensões do sistema económico, nos países em processo de desenvolvimento, a interna e a externa, expressam-se no plano social, onde adoptam uma estrutura que se organiza e funciona em termos de uma dupla conexão: segundo as pressões e vinculações externas e segundo o condicionamento dos factores internos que incidam sobre a estratificação social.”
Mais excertos de Perspectivas para uma Análise Integrada do Desenvolvimento? Antes Wittgenstein que tal sorte.
 
Imagem: Ludwig Wittgenstein (1889-1951)

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Sócrates e o Brasil

por Paulo Gorjão, em 27.05.10

Na entrevista que concedeu à BBC Brasil, ainda que de forma cuidadosa, José Sócrates abandonou o tradicional discurso opaco e avançou com algumas observações que merecem destaque, sobretudo quando se referiu às relações bilaterais entre Portugal e o Brasil. Dito de outra maneira, uma vez na vida, o primeiro-ministro abandonou o tradicional discurso da amizade entre os dois países e da língua em comum, e forneceu algumas pistas válidas para se perceber as dificuldades e os interesses comuns.

1. Que saiba, é a primeira vez -- ou uma das muitíssimo raras vezes -- que um alto representante político do Estado português salienta e reconhece que a ascensão do Brasil no sistema internacional é algo que Portugal encara com muito agrado, naturalmente em virtude do seu próprio interesse nacional. Nesse sentido, a"a ascensão do Brasil (...) é criticamente estratégica para Portugal", precisamente pelo efeito de arrasto que originará e que levará "Portugal (...) atrás". Esqueçam a retórica da amizade entre os dois países de língua portuguesa. Ela existe, mas por si só explica pouco. O que move, em regra, a política externa dos Estados são os seus interesses nacionais.

2. Igualmente interessante é a observação de que o Brasil tem investido pouco em Portugal. Não é o tipo de comentário que se oiça com frequência a um primeiro-ministro português. E, no entanto, simplesmente constata o óbvio.

3. Tal como reconhece aquilo que é evidente quando salienta que "o crescimento brasileiro é absolutamente essencial para as empresas portuguesas". Se se olhar para as empresas portuguesas que estão presentes no Brasil, se se souber o valor do seu volume de negócios no mercado brasileiro e o seu peso na facturação global dessas empresas percebe-se melhor o que quis dizer José Sócrates.

4. Investimento português que poderia ser ainda maior, não fosse o "mercado [brasileiro] muito protegido". Esta observação dispensa comentários adicionais. Registe-se, todavia, a disponibilidade para dar os nomes às coisas.

5. Faltou uma palavra e um enquadramento da relação bilateral de um ponto de vista político. Também nesse plano o Brasil é fundamental para Portugal. E vice-versa, embora numa escala diferente. Quanto mais cedo o Brasil começar a potenciar sinergias políticas e económicas com Portugal mais rapidamente surgirão resultados vantajosos para os dois lados. Isto dito, será sempre Portugal quem terá de trabalhar mais e de acarinhar mais a relação bilateral. As coisas são como são. É sempre o parceiro que mais tem a perder quem mais tem de fazer para evitar essas mesmas perdas. É a vida.

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Uma parceria sustentada e multidimensional

por Paulo Gorjão, em 22.05.10

Fruto das circunstâncias, em menos de 15 dias, José Sócrates e Lula da Silva encontram-se por duas vezes. O observador menos atento poderia pensar que estaria perante uma relação prioritária para os dois países. Uma leitura mais atenta, porém, revela que a retórica, que por regra valoriza muito a relação bilateral, nem sempre tem sido acompanhada pela respectiva prática política.

Apesar dos laços históricos e culturais, a verdade é que a relação política e económica está longe do que seria, porventura, expectável e possível. Caso fosse necessário, as relações entre os dois países demonstram que os elos comuns de natureza histórica e cultural, por si só, não são suficientes para criar e suster uma parceria estratégica.

Lisboa e Brasília nem sempre têm interesses políticos convergentes. Se outras razões não existissem, a mera localização e dimensão geográfica imporia a existência de interesses diferenciados. Assim, é sem surpresas que se constata que as duas capitais olham para a relação bilateral de forma diferente. Inevitavelmente, o Brasil espera menos dividendos e, logo, investe menos de um ponto de vista político. O Brasil é um membro dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e dos IBSA (Índia, Brasil e África do Sul), é candidato a um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, é um membro do G20, e é o Estado hegemónico na América do Sul. Ou seja, Brasília tem um papel – e aspira a ter um papel ainda maior – no sistema internacional, muito para além das ambições de Portugal. Logo, em circunstâncias normais, o Brasil será sempre mais importante para Portugal do que o contrário, uma vez que a relação assenta numa parceria assimétrica.

A natureza assimétrica inerente à parceria, porém, não impede que se consolide a relação bilateral. Ainda que assimétrica, a parceria oferece de qualquer forma benefícios para as duas partes. É a partir desta constatação que a agenda política e económica entre os dois países deve ser (re)construída.

 

(Versão alargada de um artigo publicado esta semana no Diário Económico.)

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Brasil: Um player à procura do seu lugar

por Paulo Gorjão, em 21.05.10

O acordo alcançado pelo Brasil e pela Turquia – players que não jogam no tabuleiro principal da política internacional – com o Irão tem efeitos práticos que não são ainda totalmente claros. O entendimento beneficia os três países envolvidos: o Irão ganha tempo e abre uma frente diplomática que condiciona a margem de manobra dos EUA; o Brasil e a Turquia assumem um papel diplomático que por regra lhes está vedado.

Ao longo dos últimos meses, os EUA seguiram com ambiguidade esta iniciativa diplomática. Se, por um lado, é possível que em teoria a intromissão do Brasil e da Turquia possa ajudar a resolver o puzzle iraniano, por outro, no curto-prazo, é inevitável que a mesma introduza efeitos desestabilizadores e com isso crie atrito adicional.

A iniciativa do Brasil e da Turquia é um desafio ocasional à hegemonia dos membros permanentes no Conselho de Segurança da ONU? Estamos a assistir ao inevitável ajustamento dos equilíbrios de poder no sistema internacional, com a ascensão de novas potências?

De momento é seguro afirmar que esta iniciativa constitui mais uma etapa no processo de afirmação internacional do Brasil. Isto dito, é pouco provável que estejamos a assistir à colocação da primeira pedra de uma nova ordem internacional.

 

(Artigo publicado hoje no Diário Económico.)

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Lula, secretário-geral da ONU?

por Paulo Gorjão, em 16.05.10

Naturalmente, por todas as razões e mais algumas, Portugal deve apoiar a candidatura de Lula da Silva ao cargo de Secretário-Geral da ONU, se essa possibilidade se materializar. Há algum tempo que se fala nessa hipótese, não sei se de forma realista. A candidatura de Lula não tem qualquer sentido se Ban Ki-moon decidir recandidatar-se. Não sendo um tema que acompanhe com especial atenção, a verdade é que até ao momento não conheço nenhuma declaração da sua parte no sentido de não querer recandidatar-se a um segundo mandato, tal como desconheço qualquer intenção de um dos cinco membros permanentes de, porventura, vetar o seu nome. Em suma, a candidatura de Lula só tem pernas para andar se Ki-moon desaparecer do mapa, o que para já não está em cima da mesa.

Isto dito, se se abrir este dossier, ao abrigo da rotação entre candidaturas de diferentes origens geográficas, em circunstâncias normais o próximo secretário-geral deveria ser europeu ou latino-americano. Porém, tal como aconteceu com Boutros-Ghali/Annan, os países do continente asiático seguramente lembrariam o precedente africano, i.e. sendo Ki-moon vetado ou não querendo recandidatar-se, o candidato seguinte deveria continuar a ser alguém de origem asiática.

É claro que estas regras, parte delas não-escritas, valem o que valem, mas convém ter os pés bem assentes no chão. Em circunstâncias normais, o vento não sopra a favor de Lula. Pelo menos em 2011...

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Lula de hoje renega Lula de ontem

por Pedro Correia, em 12.03.10

 

Luís Inácio Lula da Silva foi preso político durante a feroz ditadura militar brasileira (1964-85). Mas nem isso o tornou mais sensível, aparentemente, ao drama dos prisioneiros de consciência que permanecem no mundo - a começar pelo próprio hemisfério onde o Brasil se insere. Cuba, a última ditadura das Américas, já justificou quatro deslocações oficiais de Lula como presidente. Em nenhuma destas visitas a Havana, onde gosta de se fazer fotografar ao lado de Fidel Castro, o antigo operário metalúrgico encarcerado pelo general Ernesto Geisel se dignou receber delegações de familiares de presos políticos cubanos. A máxima desqualificação do seu próprio percurso de lutador pela liberdade sucedeu agora, com a declaração boçal que proferiu sobre os opositores que fazem greve de fome na prisão - único e último recurso ao seu alcance para chamarem a atenção do mundo, num desesperado grito pela liberdade que lhes é negada. Orlando Zapata morreu ao fim de 86 dias. Guillermo Fariñas está há 16 dias sem comer, tendo já perdido 13 quilos.

Zapata era operário, como Lula foi. E opôs-se tenazmente a uma ditadura, como Lula fez. Apesar disso - e da coincidência de ter chegado a Cuba no próprio dia da trágica morte do opositor dos Castro - o presidente brasileiro foi incapaz de pronunciar uma simples palavra de pesar. Pelo contrário, de volta ao seu país, ousou fazer uma declaração que certamente justificaria o aplauso dos tiranos - de todos os tiranos. "Greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem libertação", afirmou, confundindo deliberadamente presos políticos com delinquentes comuns. Pondo-se ao nível dos editoriais do Granma, o actual inquilino do Palácio do Planalto considera a greve de fome uma "insanidade".

Noutros tempos, Lula diria que a insanidade não está no prisioneiro de consciência, mas no regime opressor que encarcera mulheres e homens por delito de opinião. Tempos em que o próprio Lula fez greve de fome, quando esteve detido em São Paulo. Felizmente para ele e os seus compatriotas, a ditadura brasileira terminou há muito. Infelizmente para os cubanos, a ditadura dos irmãos Castro parece interminável.

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Português: o exemplo de fora

por João Carvalho, em 03.02.10

A propósito deste excerto de reportagem da revista Veja que o Pedro Correia nos trouxe, vale a pena assinalar a qualidade da escrita que nela se encontra, número após número, do editorial à última página. Serve isto para dizer que uma publicação brasileira, como todos os brasileiros com escolaridade, usa a língua portuguesa de modo fluido e esmerado.

Sem necessidade de qualquer acordo linguístico, o Brasil dá-se muito bem com o idioma que nos une. Com um ou outro reflexo a anteceder o verbo e uns quantos gerúndios a mais do que nós, salpicados por raras traduções fonéticas aportuguesadas, a Veja é um exemplo corrente de uma qualidade na escrita que nem em Portugal encontramos facilmente.

Se a agência Lusa (entre outros meios) pusesse os olhos nestes casos que nos chegam do lado de lá do Atlântico e caprichasse mais no uso da língua, depressa concluiria que não precisa de andar a perder tempo com «corretores» pró-acordo – basta-lhe escrever com esmero.

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