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The New Beatles?

por João Carvalho, em 05.04.12

 

Eles chamam-se Sean Lennon, James McCartney, Dhani Harrison e Zac Starkey. Por vontade do James, que tem tentado manter os restantes em contacto, já teriam feito o mesmo que os pais e, provavelmente, já estaríamos todos aqui neste momento a ouvir o primeiro álbum dos New Beatles.

 

 

Já agora, para a capa do álbum da nova banda, se ela se confirmasse, talvez nada melhor do que a recriação do criador da capa original do famoso Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, Sir Peter Blake, que fez a nova versão para celebrar os seus 80 anos com uma retrospectiva dos seus trabalhos exposta no Wayne Hemingway's Vintage Festival, em Northamptonshire (Inglaterra), razão pela qual se identifica tanta gente como J.K. Rowling, Amy Winehouse, Noel Gallagher, Elton John, Elvis Costello, Eric Clapton, David Bowie, Ian Curtis e muito mais.

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Crise ortográfica

por João Carvalho, em 15.02.12

 

Alguém sabe se "Ob-La-Di, Ob-La-Da" ainda se escreve com tracinhos?

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Liverpool & Beatlemania (13)

por João Carvalho, em 12.04.10

A 30 de Janeiro de 1969, o último show dos Beatles chamou-se Let It Be (gravado para o filme com o mesmo título) e foi no topo do edifício da Apple Records, em Londres. Liverpool e o pub The Cavern Club onde tudo começara (e onde tocaram perto de 300 vezes) tinham ficado cada vez mais distantes, à medida que o sucesso ia ultrapassando todas as expectativas ao longo dos anos 60.

Porém, Let It Be já não era um documentário (que teve 28 horas de gravação) sobre a vida musical dos Fab Four, para passar a ser um filme de 90 minutos sobre o final da banda. Os conflitos entre eles somavam-se e cresciam: ficaram gravadas muitas discussões que acabavam sempre mal.

De Abril a Agosto de 1969, gravaram o álbum Abbey Road (o 12.º e último que gravaram), lançado em Setembro. Estiveram juntos no mesmo estúdio pela última vez a 20 de Agosto e John Lennon anunciou o seu abandono a 20 de Setembro. Foi decidido não dar conhecimento público sobre o fim da banda até que estivessem resolvidos alguns problemas jurídicos, mas os primeiros rumores começaram rapidamente a tomar a forma da verdade que há muito se adivinhava e viria a confirmar-se.

O último álbum a chegar ao mercado já não reuniu o quarteto nas gravações: Let It Be foi gravado aos pedaços e muito material teve de ser repetido e misturado em estúdio; iniciado naquele Janeiro de 1969, foi interrompido após o show no prédio da Apple Records e apenas retomado em Janeiro de 1970, ficou pronto em Março e foi lançado em Maio.

Logo a seguir ao lançamento do Let It Be (o 13.º e último álbum lançado e cujas gravações tinham começado antes do Abbey Road), Paul McCartney declarou publicamente a dissolução dos Beatles. Foi a 10 de Abril de 1970, exactamente há 40 anos.

Em 1971, McCartney abriu um processo judicial para regularizar as relações comerciais com o grupo e assegurar os respectivos direitos de autor, que só foi concluído em 1975. Até à separação legal então decretada pelo tribunal, os quatro foram utilizando a Apple Records para o que produziam a solo, a qual também editou e lançou, nesses anos, nomes como Yoko Ono, Billy Preston, James Taylor e outros.

A banda mais famosa do mundo terminou com o seu 13.º álbum (e esta série atingiu o 13.º post). Cabe dizer que Liverpool deixou de ser uma cidade velha e triste de marinheiros para se tornar a capital da Beatlemania. John morreu assassinado a 8 de Dezembro de 1980 (v. Liverpool & Beatlemania – 7) e George morreu de cancro de pulmão a 29 de Novembro de 2001. Nem eles, nem Paul, nem Ringo reencontraram Liverpool. A cidade nunca mais os viu (excepto em alguma visita solitária e furtiva), mas lavou a cara, preserva e explora as memórias dos Beatles e voltou a estar no mapa. Continua a atrair gente de todos os continentes.

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Liverpool & Beatlemania (12)

por João Carvalho, em 21.02.10

Esta foto de 1957 deve ser pouco mais do que desconhecida e foi tirada em finais do ano, seguramente. Vejamos. John e Paul conheceram-se no Verão desse ano (a 6 de Julho, um sábado), ainda John fazia parte do sexteto The Quarrymen (v. Liverpool & Beatlemania – 6), que Paul começou a acompanhar (na foto a preto-e-branco, os Quarrymen na tarde desse sábado em que os dois foram apresentados, durante a festa ao ar livre do centro social da Igreja de S. Pedro).

George tinha conseguido comprar a sua primeira guitarra em 1954 e acabara de conhecer Paul no Liverpool Institute High School for Boys (uma escola comercial e industrial que veio a incorporar o ensino musical e passou a ser escola de artes, na foto abaixo). Embora um ano mais novo, George ligou-se a Paul pelo manifesto gosto de ambos em tocar guitarra. Curiosamente, também os dois eram católicos, ao contrário da maioria.

Em 1957, depois de conhecer John e de começar a acompanhar os Quarrymen, Paul falou a John em George, contando-lhe que este tocava muito bem. Sugeriu que George podia acompanhá-los e apresentou-os, mas John disse-lhe que o achava muito novo para se juntar a eles. Ainda assim, Paul insistiu, John percebeu que George tinha qualidade e este acabou por tocar com eles, o que levou ao abandono do elemento que fazia o mesmo lugar no grupo e que não tinha sido avisado antes.

Já em 1960, depois de várias alterações no grupo e de terem adoptado outros tantos nomes, assentam como The Beatles, mas ainda um quinteto. As pequenas diferenças de idade que são notórias na adolescência tinham-se esbatido e George já está de-pedra-e-cal com John e Paul, além de Pete Best na bateria e de Stuart Sutcliffe, o viola-baixo que os acompanhou pouco mais de um ano até sair em 1961 para se dedicar à pintura.

Nesse mesmo ano de 1961, Pete teve de ser substituído algumas vezes e a escolha recaiu em Ringo Starr. Finalmente, em 1962, as dificuldades observadas em Pete durante as gravações e a sua pouca disponibilidade para deslocações levaram à substituição definitiva por Ringo. Estava por fim encontrada a formação dos Beatles.

Por isso, em 1957, aquela foto (no topo) ainda estava longe de contemplar Ringo. Mas este apontamento pode ser fechado com outra foto dos Fab Four não mais conhecida do que aquela do trio pré-Ringo. É muito possível que esta seja de 1962.

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Liverpool & Beatlemania (11)

por João Carvalho, em 07.02.10

Há um célebre Rolls-Royce Phantom V, de 1965, que foi despachado a 3 de Junho desse mesmo ano para John Lennon e que, como tal, chegou a circular pelas ruas de Liverpool.

Uma dúvida parece estar ainda por esclarecer: Lennon teve um ou dois Rolls? Para uns, o carro começou por ser preto e passou a branco pouco tempo depois. Para outros, era branco de origem. Para alguns, foram dois carros: o que teve a matrícula FJB111C (originalmente preto ou branco, ou preto e depois branco) e um que foi matriculado como EUC1000 (o Pantom V branco que aparece repetidamente neste vídeo dos Beatles Ballad of John and Yoko).

Branco (ou já branco), o Rolls FJB111C recebeu um rádio-telefone Sterno ainda em Dezembro do primeiro ano e, em 1966, um equipamento de som com microfone e amplificador, um televisor Sony, um telefone e uma caixa frigorífica, ao mesmo tempo que o assento traseiro era modificado para poder converter-se em cama dupla.

Por essa altura, o motorista e o carro foram para Espanha, onde Lennon participava na filmagem de How I Won the War (de Richard Lester), e há quem garanta que o Rolls estava pintado de preto baço, grelha e restantes cromados incluídos. Estaria? O certo é que o luxuoso Phantom V estava para ser alterado profundamente. Os Beatles estavam a braços com um trabalho de fôlego (o Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, logo seguido do Magical Mystery Tour) e John deixava-se contagiar pela pop art da época que também marcava a imagem musical dos Fab Four: que tal o carro ser psicadélico?

Da ideia à realidade foi um passo. Em 1967, uma limousine de prestígio transformava-se neste brinquedo de ricos. Os ingleses não acharam graça ao resultado e Lennon, magalómano e sempre a dar nas vistas, foi afrontado por uma Lady de tradição na Baixa londrina, segundo se conta, que esmurrou o carro ao atirar-lhe um guarda-chuva, revoltada por aquele atentado a um símbolo britânico: «You swine! You swine! How dare you do this to a Rolls-Royce!?»

Nesse ano de 1967, John tinha apresentado a ideia à firma J.P. Fallon, que se dedicava à transformação de carroçarias e que levou por diante o desenho de Steve Weaver e a habilidade de Marijke Koger (conhecido como "O Louco", homem de origem cigana da Holanda e pintor de motivos psicadélicos). O trabalho custou duas mil libras para uns e 290 libras para os outros – a pintura ficou a cargo dos ciganos artistas.

Os Beatles utilizaram o carro no seu período de maior popularidade, entre 1966 e 1969. Em 1970, John e Yoko embarcaram-no para os EUA. Após várias peripécias, foi doado ao Cooper-Hewitt Museum, que que só o expôs algum tempo pelo elevado custo do seguro.

Já em 1985, o museu nova-iorquino decidiu leiloá-lo através da Sotheby's, que apontava para 200 mil ou 300 dólares e que viu o carro sair por 2,299 milhões de dólares para Jim Pattison, o patrão da Ripley International Inc. e fundador do Ripley’s "Believe It Or Not" Museum, que conseguiu registá-lo na Carolina do Sul com a matrícula LENNON e o juntou à colecção de insólitos.

Emprestado para a Expo'86 em Vancouver, o Rolls foi transferido para a participada canadiana Jim Pattison Industries, após o que foi para o Transportation Museum of British Columbia e, finalmente, para o Royal British Columbia Museum, em Victoria, onde foi restaurado e é mantido sob alçada do Canadian Conservation Institute.

Liverpool nunca mais viu a limo psicadélica. Mas foi pior nunca mais ter visto Lennon.

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Liverpool & Beatlemania (10)

por João Carvalho, em 31.01.10

 

Junto à margem do Rio Mersey, Liverpool tem hoje as suas "docas", uma vasta área dedicada à cultura, lazer, restaurantes e bares, comércio, etc.: é a Albert Dock, reconversão de um antigo conjunto de edifícios associados às lides portuárias, actividade na qual a velha urbe foi um marco histórico que a Grã-Bretanha tem bem presente.

Por essas bandas, ao fundo de um relvado amplo que dá pelo nome de Chevasse Park, lá está o monumento mais inesperado de Liverpool: o Yellow Submarine.

 

Executado em metal, o obelisco pesa 20 toneladas e foi uma das estrelas do International Garden Festival, a partir de 1984, no Otterspool Park, o qual se estendeu até 1997. Ficou depois abandonado e começou a mostrar sinais de corrosão galopante.

Um dia, as autoridades da cidade decidiram aproveitá-lo, dar-lhe a mão, restaurá-lo e levá-lo para um lugar novo. É onde está, desde 24 de Agosto de 2000 – em cima da relva, à boa maneira hippie. De um lado, uma avantajada placa colorida condizente lembra a canção dos Beatles e conta esta curta história do monumento inspirado na célebre longa-metragem musical em desenhos animados.

"In the town

where I was born..."

 

... so began the imortal opening lines in the Beatles 1966 song
"Yellow Submarine".

 

The hit record and film inspired fans of all ages - including
apprentices at the world famous Cammell Laird
Shipbuilding yard, on the River Mersey.

 

From a design by Graham Burgess, the apprentices
built this 20-ton submarine, which is 51 feet long and
made from plate metal, for the Liverpool International
Garden Festival in 1984.

 

It was transported across the Mersey to the Festival
Garden site at Otterspool where it was one of the main
attractions for millions of visitors.

 

But, in 1997, the Festival site finally closed and the
Yellow Submarine was left high and dry.

 

The tide turned when Liverpool City Council stepped in
to rescue the Fab Four's rusting sub and give it a new berth
in the city centre. The Yellow Submarine was first taken to a
council depot where it was repaired and renovated by New
Deal trainees from Liverpool Architecture and Design Trust.

 

Fully ship-shape, it was re-launched at this site on
August 24th, 2000 for a new generation of Beatles fans.

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Liverpool & Beatlemania (9)

por João Carvalho, em 23.01.10

 

Chegar a Liverpool e fazer o check-in no Hard Days Night Hotel (v. Liverpool & Beatlemania – 8) junto do busto de John Lennon na recepção, num edifício histórico recuperado que hoje ostenta na fachada estátuas dos Fab Four, gera seguramente emoções. Se essa for a intenção da visita, então vale a pena materializá-la.

 

 

Nesse caso, o passo seguinte é uma inscrição no Magical Mystery Tour, para percorrer de autocarro, um a um, todos os lugares antes percorridos pelos Beatles na velha Liverpool.

Ver as casas onde viveram, passar na Penny Lane e no Strawberry Field (o antigo orfanato do Exército de Salvação), ir aos lugares onde se encontraram e ao Cavern Pub onde actuaram, conhecer o núcleo museológico sobre o grupo e a lápide que conserva o nome da misteriosa Eleanor Rigby – tudo isso e ainda mais é deixar que as emoções tomem forma, que os sentidos materializem os sentimentos, que o tempo seja revisitado.

Muitos desses locais estão hoje classificados como património de interesse público, pelo que o tour tem a garantia das autoridades com o pelouro da cultura da cidade. 'Bora lá.

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Liverpool & Beatlemania (8)

por João Carvalho, em 17.01.10

 

O Hard Days Night Hotel (4 estrelas de cinco pisos) abriu em 1 de Fevereiro de 2008 e o seu interior é inspirado nos Beatles.

Pertence à cadeia hoteleira Classic British Hotels e a ideia do Hard Days Night nasceu nos anos 80, tendo ficado a aguardar a possibilidade de dispor de espaço entre os edifícios históricos do centro de Liverpool. no coração de Cavern Quarter. Com a remodelação e adaptação nessa zona histórica da cidade (na North John Street), o hotel ficou a funcionar a dois passos do famoso Cavern Club original, o pub onde se lançaram muitos músicos que fizeram carreira e onde, nos anos 50, actuou John Lennon, com os Quarry Men.

  

Do ambiente geral e além de uma boutique dedicada a memorabilia do quarteto, merece destaque especial o décor do lounge bar, do Bar Four e das duas suîtes, com os nomes de Lennon e de McCartney.

"All the lonely people": escultura alusiva a Eleanor Rigby

dedicada à população de Liverpool (na zona histórica)

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Liverpool & Beatlemania (7)

por João Carvalho, em 08.12.09

John Winston Lennon nasceu no Liverpool Maternity Hospital a 9 de Outubro de 1940, durante um raid aéreo alemão da II Guerra Mundial, e morreu há 29 anos, exactamente.

O seu nome próprio deve ter sido inspirado pelos acontecimentos da guerra: John do avô paterno e Winston pela admiração a Churchill. Viveu na velha cidade costeira com a mãe, Julia Stanley Lennon, em casa da família materna, no número 9 da Newcastle Road (à esquerda), até aos 5 anos.

A longa ausência do pai, Alfred Lennon, que andou embarcado, resultou em divórcio e John passou a morar com a tia materna Mary Elizabeth Stanley Smith (a tia Mimi, que era casada com George Smith e sem filhos) em Woolton, do lado sul de Liverpool, no 251 da Menlove Avenue – a vivenda Mendips (em baixo). A mãe visitava-o quase diariamente, até morrer em 1958, atropelada por um carro conduzido por um polícia embriagado, perto da porta de Mendips e após uma visita ao filho, tinha ele 17 anos.

  

Com os primeiros sucessos dos Beatles e já independente, John Lennon comprou e ofereceu à tia Mimi um bungalow em Poole (Dorset), onde ela passou a residir até morrer, em 1991.

Divorciado de Cynthia Powell Lennon e casado com Yoko Ono (em Gibraltar) desde 1969, John Winston Ono Lennon vivia em Nova Iorque e estava a morar desde 1973 no Central Park, em Manhattan, num luxuoso e amplo espaço que agrupava cinco apartamentos do centenário e imponente número 1 West da 72nd Street – o renascentista Dakota Building (ao fundo), de 1880, considerado elemento urbano cultural em 1972, património histórico classificado desde 1976 e habitado por muita gente famosa, no passado e no presente.

A 8 de Dezembro de 1980 – dois meses depois de ter feito 40 anos – pelas 17 horas, John autografou um exemplar do novo álbum Double Fantasy a um homem que tinha viajado de Honolulu, chamado Mark David Chapman, longe de saber que era um doente mental e fanático. O homem ficou de boca aberta, especado, e John perguntou-lhe: "Is that all you want?" Ele respondeu: "Thanks, John."

Às 22 horas e 50 desse dia, John entrava no Dakota com Yoko e ouviu: "Mr. Lennon." Quando estava a voltar-se para trás, foi baleado por Chapman, atingido nas costas por quatro de cinco disparos seguidos, e gritou: "I'm shot! I'm shot!" Não falou mais: passavam sete minutos das 23 horas quando deu entrada no serviço de urgência do Roosevelt Hospital, já morto.

 

 

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Liverpool & Beatlemania (6)

por João Carvalho, em 23.11.09

Foi nas instalações deste centro social da Igreja de S. Pedro, em Liverpool, que Lennon e McCartney se conheceram.

Num fim de tarde do Verão de 1957, antes da actuação do John com o sexteto The Quarry Men, um amigo comum, Ivan Vaughan, apresentou-lhe o Paul. Nunca mais se perderam de vista e tornaram-se amigos. Em curto tempo, partilharam projectos que chegariam, após poucos anos de experiências musicais, à criação de grandes canções e à formação da banda mais famosa do mundo: The Beatles.

Na parede, uma placa lembra esse primeiro encontro. Na base dela, de cada lado, lêem-se os nomes de Paul McCartney e de John Lennon. Em cima, um contorno em relevo ténue alude ao grupo, seguido das seguintes palavras, gravadas em maiúsculas:

IN THIS HALL ON

6th JULY 1957

JOHN & PAUL

FIRST MET

Eis os dizeres da placa:

The Quarry Men featuring, Eric Griffiths,
Colin Hanton, Rod Davies, John Lennon,
Pete Shotton and Len Garry performed on
the afternoon of 6th July 1957 at St Peters
Church Fate. In the evening before their
performance in this hall Ivan Vaughan,
who sometimes played in the group,
introduced his friend Paul McCartney to
John Lennon. As John recalled....

 

"that was the day, the day
that I met Paul, that it
started moving."

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Liverpool & Beatlemania (5)

por João Carvalho, em 14.11.09

A Penny Lane, celebrizada pela canção com o mesmo nome (produzida em Dezembro de 1966 e lançada em Fevereiro de 1967) é uma artéria numa zona comercial de Liverpool cujo nome se reporta a um antigo mercador de escravos, James Penny. A letra da canção menciona vários lugares daquela zona.

Nessa letra, por exemplo, a shelter in the middle of a roundabout refere-se ao terminal de autocarros da Penny Lane (à esquerda) situado na Smithdown Place, depois transformado em café-restaurante com os Beatles como tema do décor. Outra referência na letra é ao quartel de bombeiros (à direita) existente nos arredores da Penny Lane, no encontro da Mather Avenue com a Rose Lane.

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Liverpool & Beatlemania (4)

por João Carvalho, em 12.11.09

Algumas belas composições dos Beatles são hinos às suas memórias comuns, laços assumidos com o seu lugar de origem. Com eles, a velhinha e obscura Liverpool como que nasceu para uma nova vida.

Strawberry Field: inspirou Strawberry Fields Forever, de John Lennon e Paul McCartney, editada em 1967.

 

Penny Lane: inspirou Penny Lane, de Paul McCartney, editada em 1966.

 

 

 

 

A observação casual de uma mulher que visitava um jazigo no cemitério da Igreja Paroquial de S. Pedro (em Woolton, Liverpool) e a fixação de um nome constante da lápide: inspirou Eleanor Rigby, de Paul McCartney, editada em 1966.

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Liverpool & Beatlemania (3)

por João Carvalho, em 02.11.09

 

The Ballad of John and Yoko (uma edição da Apple de 1969) acaba por ser uma ironia, quando se observa o destino que estava reservado aos 'Fab Four': há 40 anos, a nova relação de John Lennon com Yoko Ono (de que resultara a ruptura entre John e Cynthia Lennon) começou a minar o relacionamento entre os quatro.

A omnipresença dela constrastava com a regra que eles tinham imposto: manter espaços totalmente reservados em torno das suas criações e respectivo trabalho. Nem as pessoas que lhes eram mais próximas, nem o próprio manager, por exemplo, invadiam os estúdios em que eles estivessem a ensaiar e a gravar. Quando Yoko passou a acompanhar John a todos os lugares, o que incluiu ensaios e gravações dos Beatles – ocasiões em que até se sentia autorizada a dar "palpites" – o incómodo tornou-se óbvio e depressa deu origem a discussões cada vez mais agudas.

Activista da paz e dos direitos humanos, Yoko Ono foi um desacato e marcou irremediavelmente o que até então ainda mantinha o quarteto. Porém, antes disso, o grupo editou a Ballad of John and Yoko – um tema que se transformou realmente numa ironia.

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Liverpool & Beatlemania (2)

por João Carvalho, em 26.09.09

File:Liverpool Town Hall.JPG

 

O lado sombrio – O edifício municipal de Liverpool data de 1754, na exígua praça que retrata a velha cidade pequena e húmida de gente do mar, com cheiros impregnados nas paredes e calçadas.

File:Liverpool John Lennon Airport.jpg

 

O lado rock – Em 2001, o Aeroporto de Liverpool passou a chamar-se Liperpool John Lennon Airport. Por ele saíram inúmeras vezes os Beatles para actuações fora de portas, logo nos anos 60.

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Liverpool & Beatlemania (1)

por João Carvalho, em 16.09.09

In a black serif font, the text "the Beatles", with small capitals for all but the letter "B". The word "The" is above the "T" of "Beatles, which extends down further than the other letters. The tops of the letters in "The" are level with the top of the letter "B".Berço dos Beatles, Liverpool é uma cidade portuária que conservou através dos tempos uma imagem triste: húmida, sem vida nocturna, sem atracções, desinteressante e com um fraco comércio.

A Beatlemania acabou por sacudir a cidade, que muita gente passou a visitar em busca das memórias dos Fab Four. Elas estão lá e vieram a ser preservadas e promovidas. Ou seja: os Beatles reconverteram definitivamente Liverpool em destino turístico, onde a marca da banda pode aparecer em cada esquina. O logótipo do T-pingado foi concebido já depois dos primeiros êxitos e apareceu pela primeira vez em 1963, pintado na face do bombo da bateria.

Ficheiro:Liverpool Pier Head.jpg

Em torno do porto está o único conjunto arquitectónico interessante, apoiado por uma praça que constitui o seu centro nevrálgico.

Ficheiro:Port of Liverpool Building.jpg

A fundação de Liverpool data de 1207. Foi Capital Europeia da Cultura nas comemorações dos seus 800 anos, em 2007.

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The Beatles: unidos já só no título

por João Carvalho, em 10.09.09

A 22 de Novembro de 1968, era lançado em Inglaterra um álbum musical que se sabia de antemão destinado ao êxito. Com o nome genérico The Beatles, também conhecido por The White Album (pela capa branca com o título destacado em relevo), era duplo (coisa pouco comum e único no percurso dos Beatles), pelo que muita gente achou que aquele não era exactamente o n.º 9 da carreira do famoso quarteto, mas sim o 9 e 10. Entender-se-á melhor se dissermos que, em 1970, quando a banda se separou, deixou para trás 12 álbuns que somavam, portanto, 13 LP's – um número aziago que estava em vias de se confirmar.

Mais adiante, iriam aparecer ainda Yellow Submarine, Abbey Road e Let It Be. Em 1968, ainda ninguém adivinhava as desavenças que já se faziam sentir entre os quatro, mas não tardou que o ano seguinte revelasse conflitos de relacionamento que se agravavam e que saltaram rapidamente das revistas habituais para a imprensa generalista. Afinal, o fim da banda estava apenas a cerca de ano e meio.

O certo é que The Beatles foi o primeiro disco lançado depois da morte do manager Brian Epstein, que tinha grande influência no grupo. Os quatro acabavam de passar uma temporada na Índia dedicada a "meditação transcendental", na Primavera de 1968, onde nasceram várias composições, mas que deu para o torto. Nem todos respeitaram as regras do guru que os orientava. Ringo fartou-se daquela apatia e desistiu, seguido por Paul pouco tempo depois.

Quando John e George regressaram a Inglaterra, também antes do tempo, Ringo chegou a separar-se da banda por um período curto e Paul teve de conciliar a bateria com a viola-baixo numa parte dos temas que estavam a preparar para o álbum. Nos estúdios da Apple, gravaram separadamente muitas vezes e os problemas agudizaram-se quando John levou até lá a nova namorada, Yoko Ono, que nunca mais os deixou sós, ao contrário do que sempre tinha acontecido.

Ainda assim, o álbum lá foi sendo gravado, de 30 de Maio a 14 de Outubro. Esteve para se chamar A Doll's House, mas ficou sem título por já haver um nome semelhante no meio musical. A sua apresentação foi precedida pelo lançamento da composição Hey Jude, em single, gravada durante a preparação do álbum.

A ideia de unidade sugerida pelo "não-nome" The Beatles de pouco serviu, mas o duplo álbum (o primeiro lançado pela Apple Records e o único em que os quatro não aparecem na capa) saltou logo para o topo da tabela de vendas no Reino Unido: n.º 1 durante sete semanas e nos top ten 24 semanas.

Nos EUA, entrou em 11.º lugar, subiu para 2.º e foi 1.º na terceira semana, onde ficou nove semanas (foi 19 vezes disco de platina e o décimo mais vendido de todos os tempos). Já em 1997, a Music of Millennium também o considerou o décimo melhor disco de sempre e, em 2000, a revista Rolling Stone igualmente o colocou em décimo lugar.

Das 30 composições, algumas das quais gravadas em single a seguir, Ob-La-Di, Ob-La-Da foi a que mais rapidamente se popularizou, mas nenhuma sofisticação se descobre nela, que é apenas alegre (além de ter provocado sérias discussões, pela trabalheira que deu em dezenas de gravações até ficar pronta).

Porém, creio que merece especial destaque uma das mais conseguidas canções dolentes de sempre (a par de The Long And Winding Road, posteriormente) dos Beatles: While My Guitar Gently Weeps, composta por George Harrison e que inclui um solo de viola de Eric Clapton, convidado para o efeito.

The White Album tem ainda a seu favor o facto de ser o mais eclético de todos. Quem não descobrir nele uma só canção que o prenda, definitivamente não aprecia os Beatles. O que não é pecado, mas é estranho.

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Quatro rapazes de Liverpool

por Pedro Correia, em 09.09.09

Tal como o crítico teatral que na estreia de Humphrey Bogart na Broadway vaticinou que aquele actor nunca iria longe, Mike Smith, responsável pela descoberta de novos talentos musicais na editora Decca, certamente se arrependeu mil vezes da péssima opção que assumiu no 1º de Janeiro de 1962. Foi o dia da estreia de quatro rapazes de Liverpool em estúdio: gravaram 15 canções numa sessão de uma hora - entre elas a balada 'Till There Was You', do musical The Music Man - e foram despedidos com frases de circunstância. "Obrigado por terem vindo. Depois dizemos qualquer coisa", disse-lhes Smith após a sessão, que não o deixou entusiasmado. Dick Rowe, director de gravações da Decca, vaticinou que os grupos de guitarras estavam a "sair de moda" nesse início dos anos 60, a década de todas as transformações.

Smith e Rowe eram duros de ouvido. Os quatro rapazes de Liverpool - John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Peter Best - eram os Beatles, em marcha acelerada para se tornarem o grupo musical mais famoso de sempre. Em Outubro desse ano, já com Ringo Starr no lugar de Best, lançaram o primeiro disco, o single Love Me Do. O segundo, posto à venda em 11 de Janeiro de 1963, era o LP Please Please Me, com entrada directa no topo dos tops. Foi um sucesso instantâneo. With the Beatles, o segundo álbum, tinha já 250 mil pré-encomendas à partida. Nesse Natal, alcançava a cifra de um milhão de cópias.

 

Beatles - A História Secreta, de Geoffrey Giuliano e Avalon Giuliano, conta-nos estes e muitos outros episódios relacionados com a década de carreira dos Beatles, desde os tempos em que actuavam em obscuras caves de Liverpool até ao abrupto anúncio da dissolução da banda, em comunicado de McCartney difundido a 10 de Abril de 1970. Uma década vertiginosa - cheia de sexo, drogas e rock n'roll.

"As pessoas falam da separação dos Beatles como se fosse uma tragédia. Ninguém diz que é extraordinário que tenham durado tanto tempo. Para mim, é espantoso, sendo a natureza humana o que é, que eles não se tenham separado antes, sobre a pressão do superestrelato", diz George Martin, o produtor dos Beatles, citado na obra.

Estas páginas permitem-nos perceber melhor o processo criativo dos Beatles e a forma como nasceram algumas das suas mais célebres canções. When I'm Sixty Four, composta por Paul em 1961 e oferecida ao pai no Natal de 1966, quando completou 64 anos. Julia, homenagem de John à mãe, que morreu atropelada - a única canção de todo o reportório dos Beatles interpretada só por Lennon. Ob-La-Di, Ob-La-Da (que significa "a vida continua" num dialecto da Nigéria), parcialmente composta pelo percussionista nigeriano Jimmy Scott, que entraria em litígio com McCartney por direitos autorais.

Não faltam outas revelações. Be-Bob-A-Lula, de Gene Vincent, foi o primeiro disco que Paul comprou. A mãe de Lennon era admiradora incondicional de Cole Porter - e passou este gosto ao filho. Lennon "inventou no momento o memorável solo de harmónica" de Love Me Do, para dar "um ar de blues ao tema".

Quem ainda não sabia, fica a saber que houve outros Beatles, além dos quatro e do enjeitado Best: Tommy Moore, Tony Sheridan, Bill Nicol, o malogrado Stuart Sutcliffe. Mas deles (quase) não reza a história.

 

Memoráveis foram os encontros de John, Paul, George e Ringo com Bob Dylan (Nova Iorque, 28 de Agosto de 1964) e Elvis Presley (Bel Air, 27 de Agosto de 1965). Chegaram a tocar com o 'rei' de Memphis, numa improvisada sessão em casa dele que terá sido gravada. Esta gravação, a existir, será a mais valiosa da história da música moderna.

Apesar de todas as zangas, havia um elo profundo entre John e Paul - que, segundo os autores do livro, se deveu ao facto de ambos terem perdido as mães quando eram muito jovens. A última vez que se viram, em 31 de Março de 1974, foi ainda sob o signo da música. Tocaram juntos na casa de Lennon, na Califórnia, numa animada sessão que contou com as participações de Stevie Wonder e Harry Nilsson, entre outros. Uma sessão que também terá sido gravada - o registo permanece inédito.

Lucille, de Little Richard (ídolo da adolescência), foi o último tema que Lennon e McCartney tocaram juntos. Jamais voltariam a encontrar-se. Caía o pano, começava a lenda.

 

Beatles - A História Secreta. De Geoffrey Giuliano e Avalon Giuliano (Ulisseia, Lisboa, 2008)

310 páginas

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