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Frase internacional de 2017

por Pedro Correia, em 12.01.18

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«Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em copos e mulheres e depois ir ter consigo a pedir-lhe ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu.»

Jeroen Dijsselbloem, 20 de Março

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceram destaque estas frases:

 

«Porque é que Kim Jong-un me insulta chamando-me "velho", quando eu nunca lhe chamei "pequeno" e "gordo"?»
Donald Trump (Novembro)
 

«O que é que se passou com o pernil? Sabotaram-nos! Sabotaram-nos! E posso apontar um país: Portugal.»

Nicolás Maduro (Dezembro)

  

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Frase internacional de 2013: «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.» 

(Malala Yousafzai)

Frase internacional de 2014: «Somos todos americanos.»

(Barack Obama)

Frase internacional de 2015: «Je suis Charlie.»

(Lema parisiense, e mundial, após os atentados de Janeiro em Paris)

Frase internacional de 2016: «Vim aqui enterrar os restos da Guerra Fria nas Américas.»

(Barack Obama)

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Frase nacional de 2017

por Pedro Correia, em 10.01.18

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«Este ano foi um ano particularmente saboroso para Portugal.»

António Costa, 13 de Dezembro

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceram destaque estas frases:

 

«O Governo fez a maior revolução que a floresta conheceu desde os tempos de D. Dinis.»
Capoulas Santos (Agosto)
 

«O PS nunca mais vai precisar da direita para governar.»

Pedro Nuno Santos (Janeiro)

 

«A electricidade não é cara, as casas é que estão mal construídas»

António Mexia (Abril)

 

«Bardamerda para todos aqueles que não são do Sporting Clube de Portugal!»

Bruno de Carvalho (Março)

 

«No limite, pode não ter havido furto nenhum.»

Azeredo Lopes (Setembro)

 

«Sócrates usou um domingo para a licenciatura e um Domingos para o mestrado.»

João Miguel Tavares (Novembro)

 

«É claro que é um grande romance, fui eu que o escrevi.»

António Lobo Antunes (Novembro)

 

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Frase nacional de 2010: «O povo tem de sofrer as crises como o governo as sofre.»

(Almeida Santos)

Frase nacional de 2011: «Estou-me marimbando para os nossos credores.»

(Pedro Nuno Santos)

Frase nacional de 2013: «Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.»

(Paulo Portas)

Frase nacional de 2014: «Sinto-me mais livre que nunca.»

(José Sócrates)

Frase nacional de 2015: «Temos os cofres cheios.»

(Maria Luís Albuquerque)

Frase nacional de 2016: «Já avisei a famíia que só volto no dia 11 [de Julho] e vou ser recebido em festa.»

(Fernando Santos)

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Facto internacional de 2017

por Pedro Correia, em 09.01.18

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CRISE SEPARATISTA NA CATALUNHA

Catalunha dominou grande parte do ano informativo em termos internacionais, sobretudo a partir de Setembro, quando o Parlamento autonómico catalão aprovou a "lei da desconexão", com os votos favoráveis das forças separatistas regionais, num arco ideológico que ia da direita nacionalista à extrema-esquerda anticapitalista, apenas unidas na necessidade de acelerar o corte dos laços políticos com Madrid.

O processo desembocou na convocação de um referendo ilegal para validar o processo de independência unilateral, convocado pelos separatistas à margem da Constituição e contra o parecer expresso de todas as instituições do Estado espanhol - Rei, Governo, Senado, Câmara dos Deputados, Tribunal Constitucional e tribunal comuns. Realizada a 1 de Outubro, sem campanha eleitoral, sem cadernos eleitorais credíveis e sem mecanismos independentes de verificação dos resultados, a consulta não foi reconhecida pela comunidade internacional.

As semanas que se seguiram foram alucinantes: declaração unilateral da independência em Barcelona (10 de Outubro), logo seguida da suspensão dos efeitos do acto separatista, aprovação por ampla maioria no Senado espanhol do artigo 155.º da Constituição que revogou a autonomia, convocação de eleições antecipadas na Catalunha para 21 de Dezembro, fuga para Bruxelas do presidente cessante do Governo regional, Carlos Puigdemont, acusado - tal como outros ex-membros do executivo - de rebelião, sedição e peculato pela justiça espanhola.

As eleições de Dezembro deram pela primeira vez a vitória a uma força não-nacionalista, o Cidadãos. Os separatistas, sem maioria do voto popular, mantiveram no entanto a maioria dos lugares no Parlamento autonómico. Mas nenhum dos seus dirigentes máximos tem condições para formar Governo: Puigdemont, líder do Juntos Pela Catalunha, permanece refugiado na Bélgica e Oriol Junqueras, líder da Esquerda Republica, encontra-se detido às ordens da justiça espanhola.

 

A crise catalã, muito longe de estar resolvida, foi o acontecimento do ano para o DELITO DE OPINIÃO, merecendo 11 dos 21 votos referentes ao Facto Internacional de 2017.

Em segundo lugar, com seis votos, ficou o início da presidência Trump, outro dos factos mais relevantes do ano que passou em termos internacionais.

Registaram-se ainda votos isolados na fundação do movimento #metoo, no êxodo forçado do povo roínguia na Birmânia, no puritanismo macartista travestido de "progresso" e nos sinais de esperança na luta contra a corrupção, o nepotismo e o branqueamento de capitais.

Perspectivas plurais num mundo sempre turbulento.

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

Facto internacional de 2014: o terror do "Estado Islâmico"

Facto internacional de 2015: a crise dos refugiados

Facto internacional de 2016: Brexit 

 

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Facto nacional de 2017

por Pedro Correia, em 08.01.18

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PORTUGAL A ARDER DE JUNHO A OUTUBRO

 

Não há memória de um incêndio tão mortífero. Os portugueses não esquecerão a tragédia de Pedrógão Grande, com as chamas a devorarem árvores, mato, casas, carros e lamentavelmente também pessoas a 17 de Junho. O balanço deste fogo florestal - que alastrou aos concelhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera - foi dantesco: 66 pessoas mortas, 254 feridas (muitas em estado grave), 150  famílias desalojadas e quase 50 mil hectares de floresta reduzidos a cinzas.

Portugal continuou em chamas. Em Julho já tinham ardido 118 mil hectares de área florestal e agrícola. Em zonas tão diferentes como  Alijó e MaçãoMértola e AbrantesCoimbra e Sertã. Uma situação de calamidade nacional, entre críticas generalizadas de falhas das comunicações e da protecção civil.

Os incêndios prosseguiram a sua acção devastadora no mês seguinte, confirmando 2017 como um dos piores de sempre em matéria de fogos florestais. Registaram-se 268 fogos num só dia, a 12 de Agosto. E este máximo foi superado no dia 20, quando houve 304 incêndios simultâneos.

Ainda traumatizado pelo drama de Pedrógão, o País viu-se confrontado com outra enorme tragédia, a 15 de Outubro, quando a área florestal de dezenas de concelhos do interior e até do litoral foi total ou parcialmente destruída pelas chamas. Viseu, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Braga, Aveiro e Guarda foram os distritos mais afectados pelos incêndios, que provocaram a morte de 45 pessoas, arrasaram empresas, pastos e áeas de cultivo, inutilizaram aldeias, cercaram cidades, calcinaram o pinhal de Leiria e deixaram um rasto de devastação com prejuízos ainda difíceis de contabilizar. Com ecos noticiosos em toda a imprensa internacional, até às mais recônditas regiões do globo.

No plano político, os fogos de Outubro levaram à tardia  demissão da ministra da Administração Interna e a um reajustamento no elenco governamental.

No total do ano, morreram 125 portugueses vítimas dos incêndios. Este foi, infelizmente, o Facto Nacional do Ano para o DELITO DE OPINIÃO, numa votação que congregou 22 dos 30 membros deste blogue.

 

Só três votos destoaram da linha dominante.

Um deles recaiu na Operação Marquês, enfim concluída a parte investigatória com acusações deduzidas ao ex-primeiro-ministro José Sócrates, ao antigo banqueiro Ricardo Salgado e aos gestores Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, entre vários outros arguidos.

Outro voto realçou o facto de Portugal ter conseguido em 2017 o défice mais baixo em democracia, excedendo as previsões da Comissão Europeia e do próprio Governo.

Houve, finalmente, ainda um voto isolado na degradação do regime e das suas instituições. "Notório em tudo o que aconteceu na Administração Interna, na Protecção Civil, na Saúde, na Defesa, na Assembleia da República, nos factos constantes da Operação Marquês, nas nomeações para as empresas onde o Estado tem uma palavra a dizer, nalgumas sentenças e acórdãos judiciais, no desporto."

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

Facto nacional de 2015: acordos parlamentares à esquerda

Facto nacional de 2016: Portugal conquista Europeu de Futebol

 

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Figura internacional de 2017

por Pedro Correia, em 04.01.18

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DONALD TRUMP 

É a chamada figura incontornável. Pelo segundo ano consecutivo, o magnata nova-iorquino foi eleito Figura Internacional do Ano. Em 2016, o destaque deveu-se ao facto de ter sido eleito para a Casa Branca, derrotando a favorita, Hillary Clinton, e surpreendendo a grande maioria dos analistas políticos. Desta vez justifica-se por ter iniciado o mandato, a 20 de Janeiro.

Um mandato muito polémico desde o primeiro dia, marcado por um cortejo de demissões de figuras relevantes na administração Trump. A 21 de Julho demitiu-se o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer. Dez dias depois, saía o recém-entrado director de comunicação, Anthony Scaramucci. O anterior, Mike Dubke, abandonara funções em Maio. Também em Julho, o Presidente perdeu o seu chefe de gabinete, Reince Priebus, e viu partir o director do gabinete de ética, Walter Shaub. Em Fevereiro, exonerara o conselheiro de segurança, Michael Flynn, que só esteve um mês em funções. Outro conselheiro, Ezra Cohen-Watnick, foi demitido em Agosto. O secretário da Saúde, Tom Price, viu-se forçado a resignar em Setembro. No fim do ano, anunciava-se a saída de Omarosa Manigault-Newman, directora de comunicação com o público da Casa Branca e a mais destacada afro-americana do Executivo.

Também na frente legislativa Trump encontrou dificuldades. Só em Dezembro conseguiu a primeira vitória no Congresso, apesar de contar com maioria republicana nas duas câmaras do Capitólio, ao ver aprovada a prometida reforma tributária - primeira em 30 anos. Mas enfrentou oposição firme à reversão da reforma sanitária realizada pelo antecessor, Barack Obama. Em compensação, a economia continuou na rota do crescimento: 3,2%, no terceiro trimestre de 2017, com o desemprego a registar os números mais baixos em 17 anos.

Na frente externa, Trump desencadeou coros de críticas ao anunciar o fim da vinculação dos EUA ao acordo de Paris sobre as alterações climáticas, acentuou o isolacionismo da sua administração ao retirar o país da Unesco e enfureceu o mundo árabe ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel, em flagrante colisão nesta matéria com os parceiros europeus de Washington e os restantes membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, Rússia e China.

Tudo isto num ano marcado por intensas disputas verbais entre o inquilino da Casa Branca - activíssimo no Twitter, rede social onde funciona como cabeça de cartaz à escala global - e o ditador norte-coreano, Kim Jong-un. «É melhor que a Coreia do Norte não faça mais ameaças aos EUA. Vai enfrentar fogo e fúria como o mundo nunca viu», assegurou Trump, em Agosto. Agindo cada vez mais como um elefante nessa vasta loja de porcelana que é a cena política internacional.

 

O líder norte-americano recebeu dez dos 24 votos nesta eleição do DELITO. Na segunda posição, com seis votos, ficou o Presidente francês, Emmanuel Macron, que em 2017 se impôs aos candidatos da esquerda e da direita clássicas na primeira volta da corrida ao Palácio do Eliseu, esmagando na segunda volta, a 7 de Maio, a sua opositora, Marine Le Pen, representante da Frente Nacional. Recolheu dois terços dos sufrágios nas presidenciais e não tardou a fundar um movimento, a República em Marcha, que em Junho conquistou 350 dos 577 assentos parlamentares.

O terceiro lugar do pódio, com cinco votos, coube ao Presidente chinês, Xi JInping, que em 2017 reforçou consideravelmente o seu poder, consolidando a posição da China na cena mundial.

Houve ainda votos solitários no deposto ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, no movimento feminista #metoo e na ucraniana Anna Muzychuk, que perdeu o estatuto de dupla campeã mundial de xadrez ao recusar a participação no campeonato do mundo da modalidade, disputado em 2017 na Arábia Saudita. Em nome da defesa dos direitos das mulheres, reprimidos neste país.

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura internacional de 2014: Papa Francisco

Figuras internacionais de 2015: Angela Merkel e Aung San Suu Kyi

Figura internacional de 2016: Donald Trump

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Figura nacional de 2017

por Pedro Correia, em 03.01.18

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MARCELO REBELO DE SOUSA

Podia ter sido no ano passado, quando foi eleito Presidente da República logo à primeira volta, por margem muito expressiva, mas acabou por ser apenas em 2017: Marcelo Rebelo de Sousa é a Figura Nacional do Ano, assim designado pelos autores do DELITO DE OPINIÃO no nosso já tradicional escrutínio destinado a destacar as pessoas, os acontecimentos e as frases que marcaram os 365 dias que ficaram para trás.

Na nossa opinião maioritária, Marcelo tem redefinido de forma positiva os poderes presidenciais consagrados na Constituição, como ficou patente no seu envolvimento directo com as populações em sofrimento na tragédias dos incêndios que tiveram expressão máxima a 17 de Junho, primeiro, e nos dias 15 e 16 de Outubro, depois. «Uma radical mudança de estilo no exercício do cargo em que foi investido», como sublinhou um dos 24 participantes nesta escolha, de um total de 31 potenciais votantes.

Não faltou quem lembrasse a importante comunicação ao País feita por Marcelo a 17 de Outubro, em Oliveira do Hospital - um dos cenários da tragédia dos fogos. «A melhor, se não única, forma de verdadeiramente pedir desculpa às vítimas de Junho e de Outubro, e de facto é justificável que se peça desculpa, é por um lado reconhecer com humildade que portugueses houve que não viram os poderes públicos como garante de segurança e de confiança, e por outro lado romper com o que motivou a fragilidade, ou motivou o desalento ou a descrença dos portugueses. Quem não entenda isto — humildade cívica e ruptura com o que não provou ou não convenceu — não entendeu nada do essencial que se passou no nosso país.» Palavras na altura proferidas pelo inquilino de Belém.

 

Marcelo recebeu dez votos neste escrutínio do DELITO. Em segundo lugar, com sete, ficou o ministro das Finanças: Mário Centeno foi destacado pelos bons resultados alcançados sob a sua batuta (menor défice das contas públicas em democracia, saída de Portugal do procedimento por défice excessivo, diminuição do desemprego, crescimento acima da média comunitária) e também por ter sido eleito, já no fim do ano, como presidente do Eurogrupo - função que começará a desempenhar a partir de Janeiro.

Na terceira posição, com três votos, ficou Salvador Sobral, que em 2017 passou de quase desconhecido para celebridade não apenas no plano nacional mas internacional ao conseguir a primeira vitória em língua portuguesa no Festival da Eurovisão. Mérito inteiro dele, e do tema musical composto pela irmã, Luísa Sobral: Amar Pelos Dois foi uma das canções do ano à escala internacional, cantada até por muita gente que não conhecia o nosso idioma.

Houve ainda dois votos em Cristiano Ronaldo, que pela quinta vez se sagrou melhor futebolista do mundo, novamente em acesa competição com o argentino Lionel Messi. E votos solitários no primeiro-ministro António Costa e em Nádia Piazza, a corajosa presidente da Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande, mãe de um filho de cinco anos morto nesta tragédia que enlutou o País.

 

Figura nacional de 2010: José Mourinho

Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar

Figura nacional de 2013: Rui Moreira

Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre

Figura nacional de 2015: António Costa

Figura nacional de 2016: António Guterres

 

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Provocações (18)

por Rui Herbon, em 31.12.17

 

Resumo do ano que hoje termina:

 

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Frase internacional de 2016

por Pedro Correia, em 18.01.17

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«Vim aqui enterrar os restos da Guerra Fria nas Américas.»

Barack Obama, 22 de Março

 

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Frase internacional de 2013: «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.» 

(Malala Yousafzai)

Frase internacional de 2014: «Somos todos americanos.»

(Barack Obama)

Frase internacional de 2015: «Je suis Charlie.»

(Lema parisiense, e mundial, após os atentados de Janeiro em Paris)

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Frase nacional de 2016

por Pedro Correia, em 08.01.17

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«Já avisei a família que só volto no dia 11 [de Julho] e vou ser recebido em festa.»

Fernando Santos, 19 de Junho

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceram destaque estas frases:

 

«Temos de perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro.»
Mariana Mortágua (Setembro)
 

«Desiludam-se aqueles que pensam que o Presidente da República vai dar um passo sequer para provocar instabilidade neste ciclo que vai até às autárquicas.»

Marcelo Rebelo de Sousa (Maio)

 

«Até as vacas podem voar.»

António Costa (Maio)

 
«O António Costa é um líder em formação.»

José Sócrates (Outubro)

 

«É impossível não olhar já para as eleições de 2017 em França e na Alemanha como próximas etapas prováveis desta corrida para o abismo.»

Jorge Sampaio (Novembro)

 

«Era só o que faltava que o Tribunal Constitucional fosse o único órgão de soberania que estivesse acima do escrutínio e da crítica pública.»

Marisa Matias (Janeiro)

 

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Frase nacional de 2010: «O povo tem de sofrer as crises como o governo as sofre.»

(Almeida Santos)

Frase nacional de 2011: «Estou-me marimbando para os nossos credores.»

(Pedro Nuno Santos)

Frase nacional de 2013: «Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.»

(Paulo Portas)

Frase nacional de 2014: «Sinto-me mais livre que nunca.»

(José Sócrates)

Frase nacional de 2015: «Temos os cofres cheios.»

(Maria Luís Albuquerque)

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Facto internacional de 2016

por Pedro Correia, em 07.01.17
 

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BREXIT

Os acontecimentos a nível internacional, tão voláteis e condicionados pelas mais recentes manchetes da imprensa, nem sempre tornam fácil seleccionar um facto que seja capaz de dominar o ano. Talvez isto explique que acontecimentos como a inédita visita de Barack Obama a Cuba ocorrida em Março - a primeira de um Chefe do Estado norte-americano ali desde 1928 - que demoliu a penúltima fronteira da Guerra Fria (a última é a do conflito coreano, ainda sem solução à vista) não tivesse sido mencionada na generalidade dos balanços de 2016.

Outra omissão espantosa é a do processo que conduziu à impugnação e destituição da primeira mulher que ascendeu à presidência do Brasil. Dilma Rousseff, acusada de abuso do poder no exercício das funções, foi alvo de votações na Câmara dos Deputados e no Senado que em Maio a forçaram a renunciar ao cargo, tendo o seu vice-presidente - Michel Temer, com quem estava de relações cortadas há bastante tempo - assumido a presidência. Foi já ele a inaugurar em Agosto os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que motivaram muitos protestos.

Nos três primeiros trimestres de 2016, o Brasil foi sacudido por manifestações, anti-Dilma e anti-Temer. Passados escassos meses, tudo isto parece ter sucedido há uma eternidade. O que reflecte a intensidade noticiosa a que somos sujeitos no nosso quotidiano.

 

Apesar disso, nem tudo se dissolve em espuma. É o caso do Brexit - o referendo ocorrido a 23 de Junho nas ilhas britânicas que determinou, embora por escassa margem (51,8% contra 48,2%), a saída do Reino Unido da União Europeia, 43 anos após ter ingressado no que então se chamava Comunidade Económica Europeia. Este foi o Facto Internacional de 2016, eleito pela maioria dos autores do DELITO DE OPINIÃO (27 participámos neste escrutínio, em que podíamos eleger mais de um acontecimento, os restantes quatro não se pronunciaram). Um facto tão importante que não deixará de ter sérias repercussões em 2017.

Aliás, o próprio substantivo Brexit (neologismo formado a partir de Britain, Grã-Bretanha no idioma original, e exit, que significa saída em inglês) figurou entre as palavras do ano em Portugal, após geringonça, vocábulo que permanecia envolto em poeira e foi desenterrado desde que o actual Executivo socialista iniciou funções.

 

O polémico referendo britânico mereceu 14 votos nossos, superando outros acontecimentos no plano internacional, como a guerra na Síria, que se arrasta desde 2011 e já foi Facto do Ano em 2013 no nosso blogue (seis votos), as eleições nos Estados Unidos da América (três votos), os acordos de paz na Colômbia de algum modo postos em causa pelo  referendo ocorrido em Outubro, a crise dos refugiados, que havíamos elegido em 2015, o putinismo em ascensão e a controversa atribuição do Nobel da Literatura a Bob Dylan.

Para o ano há mais.

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

Facto internacional de 2014: o terror do "Estado Islâmico"

Facto internacional de 2015: a crise dos refugiados 

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Facto nacional de 2016

por Pedro Correia, em 06.01.17

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PORTUGAL CONQUISTA EUROPEU DE FUTEBOL

Tínhamos tudo contra nós. Jogávamos em casa da selecção adversária, perante um público maioritariamente hostil e tradicionalmente muito arrogante. Éramos apontados como “patinho feio” em todas as casas de apostas desportivas. Para cúmulo, vimos o nosso melhor jogador – e melhor jogador do mundo – inutilizado a partir do minuto 8 por falta que o árbitro entendeu não assinalar.

Mas soubemos resistir a todas as adversidades. Abdicámos do tradicional futebol-espectáculo que durante décadas nada mais nos propiciou senão umas quantas “vitórias morais” e trouxemos para Portugal  o mais cobiçado troféu até hoje conquistado pelo futebol português: o Campeonato da Europa ao nível de selecções seniores, arrebatado na épica final do Parque dos Príncipes, em Paris.

A conquista do Euro-2016 foi considerada o Facto Nacional do Ano pelo DELITO DE OPINIÃO, numa votação que congregou 27 dos 31 membros deste blogue e em que era possível eleger mais de um tema, como é costume entre nós, ano após ano.

 

Não faltaram desde o início os profetas da desgraça ao nível do comentário desportivo, prontos a vaticinar o desaire da equipa das quinas em geral e do seleccionador Fernando Santos em particular.

Indiferente às aves agoirentas, a selecção trilhou a sua rota ascendente, passo a passo, com persistência, sem nunca perder: 1-1 com a Islândia, 0-0 com a Áustria, 3-3 com a Hungria, 1-0 com a Croácia, 1-1 com a Polónia (vitória no desempate por penáltis), 2-0 com o País de Gales e 1-0 na final de 10 de Julho frente à anfitriã, França.

Cristiano Ronaldo (3), Nani (3), Renato Sanches, Quaresma e Éder marcaram os golos portugueses. Rui Patrício foi designado melhor guarda-redes deste torneio que nos encheu de orgulho e júbilo.

Motivos redobrados para todos festejarmos o maior título de sempre do futebol português. Mesmo aqueles que não costumam ser grandes apreciadores de futebol.

 

Aos 14 votos que recaíram no Euro-2016 seguiram-se cinco nas trapalhadas da Caixa Geral de Depósitos, nas suas diversas versões, que se sucederam ao longo do ano e ainda não terminaram.

O terceiro facto nacional mais mencionado - com quatro votos - foi o sucesso da geringonça, contrariando muitos prognósticos.

Houve ainda referências ao aumento do turismo em Portugal (dois votos), ao processo de "reversões e crescimento" capitaneado pelo Governo, à generalização da oferta da Uber em Lisboa e ao facto de a Câmara Municipal de Mafra ter enterrado a antiga polémica com José Saramago, falecido em 2010.

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

Facto nacional de 2015: acordos parlamentares à esquerda

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Figura internacional de 2016

por Pedro Correia, em 05.01.17

                  

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DONALD TRUMP 

O magnata novaiorquino surpreendeu tudo e todos. Contrariou sondagens e as sofisticadas análises dos comentadores políticos - não só nos Estados Unidos mas também em Portugal, onde chegou a haver gente a escrever e publicar peças jornalísticas considerando-o antecipadamente derrotado na corrida eleitoral para a sucessão de Barack Obama como inquilino da Casa Branca.

À partida, de facto, quase ninguém dava nada por ele: anteviam-no apenas como animador da campanha com a sua atitude nada diplomática, digna de elefante em loja de porcelanas. Mas Donald Trump foi derrubando sucessivas barreiras, desde logo nas primárias republicanas, em que enfrentou grande parte do establishment do seu partido, incluindo os ex-presidentes George Bush e George W. Bush e os antigos candidatos presidenciais John McCain e Mitt Romney: todos se demarcaram dele desde o primeiro instante.

Apesar disso - ou por causa disso - acabou por emergir vitorioso nas primárias, derrotando antagonistas que comprovaram ser tigres de papel, como Jeb Bush, Marco Rubio e Ted Cruz. Com uma mensagem linear e populista, e uma utilização maciça das redes sociais, centrou o seu discurso contra a oligarquia de Washington, a imigração ilegal e o terrorismo, apelando ao proteccionismo económico e ao apaziguamento com Moscovo.

Linhas discursivas que repetiu na contenda com Hillary Clinton, sua adversária do Partido Democrata, que viria a derrotar nas urnas em Novembro. Conquistando maioria no colégio eleitoral, graças às peculiares regras vigentes nos Estados Unidos, embora tivesse menos cerca de três milhões de votos do que Hillary no voto popular.

Vai tomar posse já no próximo dia 20, entre vaticínios generalizados de uma presidência desastrosa. Paradoxalmente, este é talvez o único ponto que à partida o favorece: as expectativas iniciais para o seu mandato serem tão baixas.

Na votação do DELITO, que mobilizou 27 dos 31 autores deste blogue, o novo Presidente eleito dos EUA ganhou por maioria absoluta: teve 21 votos no escrutínio para Figura Internacional do Ano.

Os restantes seis foram distribuídos pela chanceler alemã Angela Merkel (já aqui vencedora em 2010, 2011 e 2015), com três votos, o Presidente russo Vladimir Putin, o Presidente filipino Rodrigo Duterte e o cantautor Bob Dylan, controverso galardoado com o Nobel da Literatura.

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura internacional de 2014: Papa Francisco

Figuras internacionais de 2015: Angela Merkel e Aung San Suu Kyi

 

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Figura nacional de 2016

por Pedro Correia, em 04.01.17

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ANTÓNIO GUTERRES

Nunca um político português atingiu um posto tão relevante a nível internacional: António Guterres superou as exigentes provas a que foi submetido e foi eleito secretário-geral da ONU em Dezembro, tendo prestado juramento mesmo à beira do fim do ano.

É a consagração máxima na carreira do ex-secretário-geral do Partido Socialista, que exerceu as funções de primeiro-ministro entre 1995 e 2002, e desde então só regressou ao palco da política portuguesa por breves meses, quando Marcelo Rebelo de Sousa o convidou para conselheiro de Estado.

Ironias do destino: há dois anos era ele o nome mais falado para representar o PS na corrida presidencial. Afinal quem chegou a Belém foi o seu amigo e adversário político Marcelo, enquanto ele rumou a Nova Iorque. Para ascender a secretário-geral da ONU muito contou o seu bom desempenho anterior como alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Guterres foi eleito Figura Nacional do Ano pelo DELITO DE OPINIÃO num dos nossos escrutínios mais concorridos de sempre, que contou com a participação de 27 dos 31 autores deste blogue. Como já sucedeu noutros anos, cada um de nós poderia votar em mais de uma figura ou mais de um facto.

Mesmo sendo só notícia no último trimestre de 2016, o novo dirigente máximo da ONU destacou-se como favorito nas nossas escolhas: recebeu 15 votos, relegando para um distante segundo posto Marcelo Rebelo de SousaEleito Presidente da República logo à primeira volta, a 24 de Janeiro, empossado em 9 de Março como inquilino de Belém e figura em foco durante o ano em Portugal, Marcelo só obteve sete votos.

Ainda mais distantes, ficaram duas figuras do futebol: o seleccionador nacional Fernando Santos, que entre 10 de Junho e 10 de Julho conduziu a equipa das quinas à conquista do Campeonato Europa, a maior proeza de sempre do futebol português, e o jogador Éder, que marcou o golo decisivo do nosso triunfo na final disputada em Paris frente à selecção francesa. Ambos receberam dois votos.

Cristiano Ronaldo – que também se sagrou campeão em França e recebeu a quarta Bola de Ouro da sua carreira – recebeu um voto solitário. Tal como a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins.

 

Figura nacional de 2010: José Mourinho

Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar

Figura nacional de 2013: Rui Moreira

Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre

Figura nacional de 2015: António Costa

 

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Balanço das Leituras de 2016

por Francisca Prieto, em 20.12.16

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O ano começou com Butcher’s Crossing de John Williams. Confesso que só me atirei ao livro porque me tinha rendido a Stoner uns meses antes. Stoner é um livro triste, mas lindíssimo, dos que só quem conhece os meandros do coração humano pode escrever.

Burcher’s Crossing é de uma violência atroz. Seria natural tê-lo deixado a meio pelo incómodo que me causou, mas está tão bem escrito que ficamos rendidos pelas páginas fora. É um “livro de rapazes”, à moda dos cowboys americanos, que vai ao fundo da cobiça humana e que nos destrói pelo caminho.

 

Disse-me Um Adivinho, de Ticiano Terzani, foi outra leitura improvável. Não tenho grande paciência para zodíacos, oráculos e afins. Mas foi-me tão recomendado que cedi e acabei por me render. Provavelmente porque o próprio autor era também um céptico relativamente a estas questões e, tendo mudado um ano da sua vida por causa de uma profecia, escreve sempre no fio da navalha da crença. Correspondente na Ásia de um jornal alemão, Ticiano Terzani um dia consulta um adivinho que lhe diz que em 1993 não pode voar, ou que algo de trágico lhe acontecerá. Não sendo crente, encara a profecia como um desafio para ter um ano diferente, pelo que resolve fazer todos os seus trajectos por terra. E é assim que vamos viajando por diferentes países asiáticos, dos quais ficamos a conhecer as entranhas, e entramos no misterioso mundo dos adivinhos orientais, que por vezes soam a charlatões e que, por outras, são verdadeiros magos.

 

Ham on Rye (julgo que “Pão com Fiambre” na versão portuguesa) de Bukowski foi uma das grandes leituras do ano. Já conhecia a versão adulta desbocada de Bukowski, mas nada sabia sobre a sua infância e adolescência. Ham on Rye é uma biografia dos seus verdes anos e uma peça essencial para perceber quem é o autor.

 

A Vida no Campo, de Joel Neto, foi encetado num voo para o Pico. Não podia ter escolhido melhor companhia. Trata-se de um conjunto de deliciosas crónicas de um açoriano que volta a morar nos Açores depois de vários anos em Lisboa. A visão de quem já esteve fora e consegue apreciar todas as pequenas idiossincrasias dos seus conterrâneos.

Muito bem escrito, com um pingar de ternura que não chega a ser lamechas.

 

Doce Carícia de William Boyd é o livro com os mais desadequados título e capa que já vi na vida. Quem passar por um escaparate pensará que se trata de um livro para oferecer à avó. Não sendo um Nobel, é um excelente livro de férias, que conta a história de vida de uma repórter de guerra. Às vezes até nos esquecemos que é ficção.

 

Fecho o balanço do ano com O Meu Nome É Lucy Barton de Elisabeth Strout. Há livros cuja história não consigo reproduzir porque não me fica na memória. Mas fica a sensação que me deixaram. Este é um desses casos, em que é inútil reproduzir a sinopse porque não é disso que se trata. Claro que me lembro que é a história de uma mulher que está numa cama de hospital e cuja mãe, que nunca foi particularmente afectuosa, a vai visitar. Mas nada disto faz adivinhar a ternura que nos invade ao passar de cada página e a vontade que temos de que o livro nunca acabe porque nos está a fazer uma companhia dos diabos.

 

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O homem imperfeito

por Pedro Correia, em 09.03.16

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Releio a previsão feita em 2010 por um politólogo doméstico sobre o "maior risco" de um Cavaco Silva em vias de reeleição para um segundo mandato em Belém: o reforço da componente presidencial do sistema político português. Como tantas vezes acontece, esta previsão falhou. Cavaco foi, pelo contrário, o Chefe do Estado com uma visão mais restritiva dos seus poderes, reconfigurando o imperfeito "semipresidencialismo" desenhado na Constituição. Dez anos depois de ele ter tomado posse para o primeiro mandato, o Parlamento funciona hoje como centro da nossa vida política, um pouco à semelhança do que sucedia na I República - característica que os constituintes de 1976 procuraram evitar. Com manifesto insucesso, como se comprova.

Cavaco Silva não foi cesarista nem bonapartista, como tantos temiam: nenhum dos seus defeitos rondaram por aí. A incapacidade de estender pontes para além da sua família política de origem e uma chocante insensibilidade social, tornada bem evidente na lamentável declaração que proferiu em 2012 sobre a suposta falta de recursos do casal presidencial para fazer face às despesas foram os pontos mais negativos do consulado cavaquista em Belém. Um longo período que, somado à década de permanência em São Bento como primeiro-ministro e ao ano em que foi ministro das Finanças com Sá Carneiro, tornaram Aníbal Cavaco Silva o cidadão durante mais tempo em funções em cargos políticos no actual regime.

 

Tímido, ensimesmado, sem dotes oratórios nem carisma pessoal, Cavaco nunca deixou no entanto de manter uma sólida legião de adeptos - aliás expressa nas quatro eleições que venceu por maioria absoluta, em 1987, 1991, 2006 e 2011, meta que nenhum outro político alcançou entre nós. Consequência da sua austera e esquálida figura, que tão bem caiu inicialmente no imaginário lusitano, da reputação que granjeou como especialista em finanças públicas e da associação empírica do seu mandato governamental aos anos de maior prosperidade da anémica economia nacional, em boa parte fruto da nossa adesão à Comunidade Europeia e aos 110 mil milhões de euros em fundos estruturais que ela até hoje nos proporcionou. A primeira "década cavaquista" tornou o País irreconhecível, facto que a posteridade não deixará de reconhecer.

Faltou-lhe, já como inquilino de Belém, estabelecer a ligação afectiva com os portugueses que muito esperam sempre de um Presidente, como sucedâneo dos monarcas ancestrais que deixaram bom rasto na memória colectiva. Relação ainda mais necessária em tempo de penúria financeira e crise social - aqui Cavaco faltou à chamada e muitos não lhe perdoaram a frieza e a distância que manifestamente revelou.

 

Creio no entanto que os historiadores futuros preferirão salientar, do seu duplo mandato em Belém, o facto de representar a ascensão do homem comum ao supremo patamar da hierarquia política portuguesa, devidamente mandatado pelo sufrágio universal. Cavaco Silva foi o primeiro Presidente civil não oriundo das endogâmicas famílias políticas da classe média-alta lisboeta que em regra se vão revezando nos circuitos da decisão. Homem da província, com raízes humildes, funcionou como personificação viva das virtudes e defeitos da democracia, um sistema em que o elevador social funciona e supera as delimitações territoriais dos clãs dominantes.

Neste sentido prestou um bom serviço ao regime democrático - incipiente e frágil mas superior a qualquer outro. Por definição, o regime dos  homens imperfeitos. Porque a perfeição, a que tantos aspiram, na política só existe em ditadura.

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Presidenciais (27)

por Pedro Correia, em 14.01.16

 

 

DEBATES: O MEU BALANÇO

 

Foram 21 debates televisivos a dois, em três canais. Acompanhei-os todos e nunca deixei de apontar um vencedor. Fica agora o balanço.


Paulo de Morais venceu cinco. Contra Belém, Marisa, EdgarNóvoa e Marcelo.

 

Marisa Matias venceu também cinco. Contra Nóvoa, Belém, MarceloNeto e Edgar.

 

Henrique Neto venceu outros cinco. Contra Edgar, Nóvoa, MarceloBelém e Morais.


Marcelo Rebelo de Sousa venceu três. Contra EdgarNóvoa e Belém.

 

Sampaio da Nóvoa venceu dois. Contra Edgar e Belém.

 

Edgar Silva venceu um. Contra Belém.

 

Maria de Belém não venceu nenhum.

 

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Frase internacional de 2015

por Pedro Correia, em 07.01.16

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«Je suis Charlie.»

Palavra de ordem em Paris após os atentados de 7 de Janeiro

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceu destaque esta frase:

«Se o Papa continua a falar assim, um dia destes vou recomeçar a rezar e regressarei à Igreja Católica.»

Raúl Castro, ao Papa Francisco

 

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Frase internacional de 2013: «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.» 

Frase internacional de 2014: «Somos todos americanos.»

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Frase nacional de 2015

por Pedro Correia, em 05.01.16

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«Temos os cofres cheios.»

Maria Luís Albuquerque

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceram destaque estas frases:

«Isto não é política de esquerda. Isto é tudo um putedo!» 
Arnaldo Matos

«Vocês têm uma banana maior e mais saborosa.»

Cavaco Silva

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Frase nacional de 2010: «O povo tem de sofrer as crises como o governo as sofre.»

Frase nacional de 2011: «Estou-me marimbando para os nossos credores.»

Frase nacional de 2013: «Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.» 

Frase nacional de 2014: «Sinto-me mais livre que nunca.»

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Facto internacional de 2015

por Pedro Correia, em 04.01.16

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A CRISE DOS REFUGIADOS

Mais de um milhão de desalojados de guerra ou emigrantes impulsionados pela crise económica - oriundos do continente africano, do Médio Oriente e até de paragens mais longínquas como o Bangladeche e o Afeganistão - acorreram em 2015 à Europa, procurando neste continente santuário e asilo. O país mais desejado, na rota da esmagadora maioria destas pessoas, todas contempladas com o duvidoso rótulo mediático de "migrantes", foi a Alemanha, o que tem suscitado ampla polémica no país. Com o aparecimento de movimentos como o Pégida e contestação aberta, nas próprias fileiras democratas-cristãs, à chanceler Angela Merkel, que proclamou Berlim e outras urbes germânicas como "cidades abertas" ao fluxo de refugiados.

A maioria destas pessoas foge da sangrenta guerra civil da Síria, que já provocou mais de 250 mil mortos em quatro anos e pelo menos quatro milhões de exilados, em grande parte concentrados em campos improvisados nos países limítrofes - Líbano, Jordânia e Turquia. A somar-se à guerra ocorreu em 2015 a ocupação de cerca de um terço de território sírio pelas hordas do Daesh, que ali impõem a lei do terror - que visa sobretudo a forte minoria cristã da Síria, avaliada em cerca de 10% da população.

A crise dos refugiados, presente em todos os debates políticos europeus, foi o facto internacional do ano, segundo o critério do DELITO DE OPINIÃO. Na eleição, em que participaram 23 autores deste blogue (que podiam votar em mais de um tema), este recebeu 17 votos, seguindo-se o fundamentalismo do chamado "Estado Islâmico" (já eleito facto internacional de 2014), com sete votos. 

Apenas dois outros acontecimentos de 2015 receberam votos solitários: o restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos e a possível cura contra o cancro realizada por investigadores da Universidade de Copenhaga. Boas notícias que infelizmente não bastaram para ofuscar as más.

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

Facto internacional de 2014: o terror do "Estado Islâmico"

 

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Facto nacional de 2015

por Pedro Correia, em 03.01.16

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ACORDOS PARLAMENTARES À ESQUERDA

O facto nacional do ano - reconhecido por gente das mais diversas tendências políticas - foi a celebração de acordos entre António Costa e os líderes dos partidos situados à sua esquerda (BE, PCP e PEV) que permitiram ao PS formar Governo, empossado a 26 de Novembro.

Costa já havia referido, na campanha para as eleições legislativas de 4 de Outubro, a sua intenção de alargar o chamado "arco da governação" para incluir nele os comunistas e bloquistas, geralmente encarados apenas como militantes de partidos de protesto.

Os acordos de incidência parlamentar assinados a 10 de Novembro - em separado e sem a presença de jornalistas, numa sala fechada da Assembleia da República - permitiram a investidura de Costa como sucessor de Passos Coelho nas funções de primeiro-ministro, ainda que tivesse sido este o vencedor das legislativas, por maioria relativa. E mereceram o destaque do DELITO DE OPINIÃO, com 13 votos entre os 23 autores do nosso blogue que participaram nesta escolha (podendo cada um votar em mais que um tema).

 

O segundo acontecimento nacional mais mencionado (8 votos) foi a entrada em funções do XXI Governo Constitucional, que trouxe de regresso os socialistas ao poder, quatro anos depois.

Seguiram-se votos solitários nos seguintes factos: a polémica dos cartazes do PS durante a pré-campanha das legislativas; a "saída limpa" do programa de ajustamento financeiro; os 27 dias que marcaram a curtíssima duração do XX Governo Constitucional, liderado por Passos Coelho; a conquista do bicampeonato pelo Benfica; e a polémica transferência de Jorge Jesus para o Sporting.

 

Para o ano há mais votações. E talvez também mais transferências.

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

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Figuras internacionais de 2015

por Pedro Correia, em 02.01.16

   

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ANGELA MERKEL e AUNG SAN SUU KYI

 

Duas mulheres foram eleitas Figuras Internacionais do ano pelo DELITO DE OPINIÃO: a chanceler alemã Angela Merkel (que já tinha sido escolhida em 2010 e 2011) e a Nobel da Paz birmanesa Aung San Suu Kyi.

A primeira, entre outros motivos, por ter enfrentado sectores alargados da opinião pública germânica que se opõem à entrada de refugiados no país: a Alemanha recebeu já cerca de um milhão, liderando de longe os países europeus no acolhimento aos desalojados do Médio Oriente e do Magrebe que fogem a zonas de guerra e à pobreza económica.

A segunda por ter conduzido a sua Liga Nacional para a Democracia a uma indiscutível vitória nas urnas, com 77% dos votos nas legislativas de Novembro, pondo fim a mais de meio século de ditadura militar na Birmânia. Uma luta em que se envolveu sempre por métodos pacíficos e lhe valeu mais de vinte anos em regime de prisão domiciliária.

 

Como é costume nestas votações anuais, as opiniões dividiram-se bastante. Merkel e Aung receberam cinco votos cada dos 23 participantes neste escrutínio, que podiam votar em mais de um nome.

Com três votos ficaram o ex-ministro grego das Finanças, Yannis Varoufakis (de quem muitos já mal se recordam nestes tempos tão voláteis) e Aylan Kurdi, o menino curdo de três anos que morreu por afogamento quando acompanhava o pai, entre outros refugiados oriundos da Síria, em demanda de uma praia turca. A dramática fotografia da criança morta deu a volta ao mundo.

Com dois votos ficou o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, muito mencionado nas notícias do início de 2015 mas que foi perdendo destaque ao longo do ano.

Depois houve votos solitários dispersos por diversas figuras: o Papa Francisco (eleito pelo DELITO nos dois anos anteriores), Barack Obama, Donald Trump, Marine Le Pen, o lider nacionalista polaco Jaroslaw Kaczyński, o refugiado sírio Laith Majid (cuja imagem de lágrimas nos olhos, com o filho ao colo, também deu a volta ao mundo), Nicolas Catinat (assassinado no Bataclan, a 13 de Novembro, depois de ter servido de escudo humano numa atitude heróica) e o Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia (galardoado com o Nobel da Paz 2015).

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura internacional de 2014: Papa Francisco

 

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Figura nacional de 2015

por Pedro Correia, em 01.01.16

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ANTÓNIO COSTA

Não venceu a eleição legislativa de 4 de Outubro, ganha pela coligação PSD/CDS, mas foi o triunfador indiscutível no campeonato das negociações que se seguiram ao escrutínio, marcado pela ausência de maiorias absolutas.

António Costa, que em Junho de 2014 decidira disputar a liderança de António José Seguro no PS por lhe ter parecido "poucochinho" o triunfo eleitoral dos socialistas nas europeias, aguentou-se ao leme do Largo do Rato após as legislativas, transformando uma derrota nas urnas em vitória política ao conseguir congregar o apoio do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista e dos Verdes para um Governo socialista, que acabou por tomar posse a 26 de Novembro.

Um acordo inédito na democracia portuguesa. Por isso o DELITO DE OPINIÃO escolheu Costa como Figura Nacional do Ano.

Durante semanas, o seu nome e o seu rosto foram associados ao adjectivo "histórico" por uma legião de comentadores nas televisões e nos jornais. Mas Costa, melhor que ninguém, está consciente da fragilidade da solução política que protagoniza - o que ficou bem patente no chumbo dos partidos à esquerda do PS ao orçamento rectificativo apresentado pelo Executivo, só aprovado graças à abstenção do PSD na sessão parlamentar de 23 de Dezembro. Em termos políticos, o ano que agora começa promete ser escaldante.

 

Costa obteve 14 votos entre os 23 membros do DELITO que participaram neste escrutínio (podendo cada um escolher mais que um nome). Em segundo lugar, com quatro votos, ficou Jorge Jesus, protagonista da mais polémica notícia de 2015 a nível nacional - ou pelo menos a que fez correr mais tinta nos jornais: a sua transferência do Benfica para o Sporting, anunciada em Junho. Algo semelhante ocorrera apenas uma vez, no remoto ano de 1930.

 

Os restantes votos dispersaram-se, solitários, por nomes bem conhecidos da política nacional: Cavaco Silva, Jerónimo de Sousa, Catarina Martins, Mariana Mortágua, Pedro Nuno Santos e Heloísa Apolónia. Houve igualmente um voto para o activista luso-angolano Luaty Beirão, protagonista de uma mediatíssima greve de fome em Luanda, e para Vhils (nome artístico do pintor e grafiteiro Alexandre Farto), escolhido pela Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal como personalidade do ano.

 

Figura nacional de 2010: José Mourinho

Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar

Figura nacional de 2013: Rui Moreira

Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre

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Viva 2015, Venha daí 2016

por Francisca Prieto, em 28.12.15

2014 tinha sido um ano horribilis, de maneira que me lancei a 2015 decidida a fazer uma pega de caras à vida, das que nos dão direito a duas voltas à arena no final do espectáculo e uma saída em ombros.

Não posso ter a pretensão de achar que cheguei efectivamente a sair pela porta grande, até porque vários acontecimentos menos felizes se foram sucedendo durante o ano que passou, mas foi um ano em que cumpri com brio um par de objectivos que estavam dentro da gaveta e que nunca pensei que viessem a ver a luz do dia.

Um deles foi a abertura de uma livraria solidária, que tem crescido a olhos vistos e que não só me dá todos os dias o prazer de estar a trabalhar para uma causa, como me fez conhecer dezenas de pessoas extraordinárias, desde os voluntários que fazem turnos, a pessoas que doam parte do seu espólio livreiro ou outros que não se importam de passar tardes a limpar o pó ou a carregar caixotes. De igual forma, adoro os clientes que já se tornaram amigos ou os que visitam pela primeira vez o espaço e que ficam maravilhados pela boa energia que dali emana. Sinto, por tudo isto, que foi um ano riquíssimo em termos de trabalho e de relacionamento humano.

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O outro grande sonho cumprido foi uma viagem ao Peru e à Bolívia, acompanhada por uma irmã e por um grupo de gente cheia de genica e de sentido de humor. Nem consigo explicar como pode ser divertido viajar com uma irmã adulta durante quase três semanas.

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É quase impossível que 2016 me traga dois acontecimentos com este nível de superlatividade. Mas se for um ano de consolidação, já me sinto muito grata. Venham então de lá esses ossos, seu 2016.

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Frase internacional de 2014

por Pedro Correia, em 14.01.15

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«Somos todos americanos.»

Barack Obama

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceu destaque esta frase:

«Os corruptos são um perigo, já que são adoradores de si mesmos.»

Papa Francisco

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Frase nacional de 2013: «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.» 

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Frase nacional de 2014

por Pedro Correia, em 06.01.15

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«Sinto-me mais livre do que nunca.»

José Sócrates

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceram destaque estas frases:

«O BES não faliu. O BES foi forçado a desaparecer.»
Ricardo Salgado

«A vida das pessoas não está melhor mas a do País está muito melhor.»

Luís Montenegro

«Salário de 4.800 euros não permite padrões de vida muito elevados em Lisboa.»

António Marinho Pinto

«Não sou Eça de Queirós.»

Jorge Jesus

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Frase nacional de 2010: «O povo tem de sofrer as crises como o governo as sofre.»

Frase nacional de 2011: «Estou-me marimbando para os nossos credores.»

Frase nacional de 2013: «Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.» 

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Facto internacional de 2014

por Pedro Correia, em 05.01.15

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O TERROR DO "ESTADO ISLÂMICO"

Foi um ano de muitas notícias marcantes a nível mundial. Mas, na opinião dos autores do DELITO (13 votos em 26), nenhuma mereceu tanto destaque como o aparecimento de uma nova organização terrorista, autodenominada "Estado Islâmico", que numa proclamação datada de 29 de Junho de 2014 se afirmou apostada em instaurar um califado mundial. Foi, para nós, o facto internacional do ano.

Sob a bandeira do islamismo radical sunita, esta organização não tardou a espalhar o terror em vastas áreas do Médio Oriente - com destaque para Iraque e Síria - e no leste da Líbia, causando milhares de vítimas entre as minorias étnicas e religiosas A ONU acusa-a de violações sistemáticas dos direitos fundamentais. A Amnistia Internacional aponta-a como responsável de "limpezas étnicas a uma escala inédita" na região.

Durante o segundo semestre do ano, transformou a decapitação de prisioneiros num macabro cartão de visita propiciando chocantes imagens que deram a volta ao mundo, nomeadamente o assassínio dos jornalistas norte-americanos James Foley e Steven Sotloff, do activista pelos direitos humanos britânico David Haines e do guia turístico francês Hervé Gourdel.

Cerca de 60 países estão envolvidos, directa ou indirectamente, no combate a este movimento terrorista que promete causar muito mais vítimas em 2015.

 

O segundo facto internacional de 2014 mais votado foi a guerra na Ucrânia, que se arrastou desde o primeiro trimestre, com Moscovo a estimular o separatismo nas províncias orientais do país. Igual relevo mereceu o descongelamento das relações Cuba-EUA, já muito perto do fim do ano, após mais de cinco décadas de bloqueio diplomático entre Washington e Havana.

anexação da Crimeia pela Rússia foi outro facto que justificou destaque. Havendo ainda votos isolados para a explosão de gás e petróleo de xisto, o bem-sucedido processo eleitoral na Tunísia e o fenómeno dos banhos de água popularizados nas redes sociais durante o Verão.

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

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Facto nacional de 2014

por Pedro Correia, em 03.01.15

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DERROCADA DO GRUPO ESPÍRITO SANTO

O facto nacional do ano - e talvez até da década - foi, para uma clara maioria de membros do DELITO DE OPINIÃO (15 em 26), a derrocada do Grupo Espírito Santo, que tinha Ricardo Salgado como figura de referência. Um facto que representou também o fim da última dinastia familiar na área financeira em Portugal.

Formalizada a 18 de Julho de 2014, a insolvência do GES - que foi notícia um pouco por todo o mundo - abalou não só a banca portuguesa mas também grande parte do tecido empresarial do País, na medida em que o Banco Espírito Santo era o maior financiador das pequenas e médias empresas portuguesas.

O "buraco" superior a mil milhões de euros detectado nas contas do Grupo - que em 2011 havia recusado um empréstimo posto à disposição da banca portuguesa no âmbito da assistência de emergência ao País - forçou a intervenção do Banco de Portugal, que dividiu os activos financeiros do GES em "banco mau" e "banco bom", dando este origem ao Novo Banco, entretanto posto à venda perante o aparente interesse de 17 potenciais compradores.

O caso deu origem a um megaprocesso judicial e a uma comissão parlamentar de inquérito que decorrerá pelo menos ao longo do primeiro trimestre de 2015 na Assembleia da República. Nunca os portugueses acompanharam com tanto interesse um caso ligado à alta finança - na certeza de nos dizer respeito um pouco a todos nós.

 

O segundo facto mais votado do ano, embora a larga distância do primeiro (quatro votos), foi a detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates, que irá prolongar-se por 2015. Em terceiro lugar (três votos), a saída da troika e o fim do programa de assistência financeira externa a Portugal.

Houve ainda dois votos na justiça, sem especificação de casos, e votos isolados distribuídos pela mudança de secretário-geral no PS e o aparecimento do jornal digital Observador.

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

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Figura internacional de 2014

por Pedro Correia, em 01.01.15

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PAPA FRANCISCO

Pelo segundo ano consecutivo, o líder espiritual do mundo católico foi escolhido pelo DELITO DE OPINIÃO como Figura Internacional de maior destaque.

Com índices de popularidade cada vez mais elevados um pouco por todos os continentes, mesmo junto de quem não comunga da fé cristã, o Papa Francisco manteve-se em foco a propósito de vários temas. Rezou pelas vítimas da violência em Jerusalém. Orou ao lado de clérigos muçulmanos na Mesquita Azul, em Istambul. E recebeu nos Jardins do Vaticano, também para uma oração pela paz, os presidentes de Israel e da Autoridade Palestiniana.

Já perto do fim do ano, dirigiu uma mensagem crítica à Cúria Romana que mereceu repercussão universal. Nessa mensagem, denunciou as "quinze doenças" de que padece o corpo eclesiástico do Vaticano, com destaque para aquilo a que Francisco chama "Alzheimer espiritual" - a perda da memória de Deus, sacrificado à idolatria mundana.

O Sumo Pontífice teve também uma intervenção decisiva no desbloqueamento das relações entre os Estados Unidos e Cuba, congeladas desde 1960. Um facto reconhecido, em simultâneo, pelos presidentes Barack Obama e Raúl Castro, que agradeceram o esforço mediador do Papa.

 

A segunda figura internacional do ano mais votada foi o presidente russo, Vladimir Putin, que em Março esteve em foco ao anexar a península da Crimeia, que era parte integrante do território da Ucrânia desde 1954, e fomentar ao longo do ano o separatismo pró-Moscovo na faixa oriental deste país. Criticado por quase toda a comunidade internacional e alvo de severas sanções económicas, o líder russo terminou 2014 a enfrentar uma gravíssima crise do rublo, que caiu para mínimos históricos registados este século, enquanto a inflação disparava e a fuga de capitais contribuía para uma escalada recessiva no país.

Malala Yousafzai, a adolescente paquistanesa ameaçada de morte pelos talibãs, ficou em terceiro lugar na nossa votação por ter sido distinguida com o Prémio Nobel da Paz 2014, partilhado com o activista indiano Kailash Satyarthi. Com apenas 17 anos, foi a mais jovem galardoada de sempre com o Nobel.

Os restantes votos, isolados, foram distribuídos da seguinte forma: o novo Rei de Espanha, Filipe VI, entronizado em 19 de Junho; Pablo Iglesias, líder da formação política Podemos, que irrompeu com êxito na cena política espanhola, recolhendo um milhão de votos nas eleições europeias e ameaçando implodir o sistema bipartidário; o empresário e filantropo chinês Jack Ma; e a pobreza, não personalizada, à escala universal.

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

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Figura nacional de 2014

por Pedro Correia, em 31.12.14

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CARLOS ALEXANDRE

O juiz que está no centro de todas as atenções, à frente dos mais mediáticos processos de instrução criminal, foi a personalidade eleita como Figura Nacional do Ano pelo DELITO DE OPINIÃO, destacando-se claramente das restantes.

Poucos se lembrarão de uma entrevista dada por este discreto magistrado que tem 53 anos e nasceu em Mação. Mas não é possível ignorar o papel que desempenhou em processos que fizeram e continuam a fazer manchetes, com destaque para o dos vistos dourados - que o levou a deter diversos altos funcionários, incluindo o director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e a secretária-geral do Ministério da Justiça - e o do ex-primeiro-ministro José Sócrates, que conduziu à detenção do antigo chefe do Governo, também por decisão de Carlos Alexandre.

Estes casos surgidos em 2014 deram-lhe particular notoriedade. Mas também lhe trouxeram declarados inimigos. Proença de Carvalho, talvez o mais poderoso advogado português, acusou-o de ser o "herói dos tablóides" e de procurar protagonismo pessoal através do mediatismo dos processos em que intervém. Mário Soares não se coibiu de o criticar abertamente após uma visita a Sócrates no estabelecimento prisional de Évora ao proferir a já célebre frase: «Todo o PS está contra esta bandalheira!»

Com vaias ou aplausos, fica como um dos rostos de uma visível mudança na justiça em Portugal.

 

A segunda figura mais votada pelos 26 autores do DELITO que participaram neste escrutínio foi o banqueiro Ricardo Salgado, que em 2014 deixou de ser o dono disto tudo, como antes lhe chamavam: o grupo empresarial de que era o lider indiscutido ruiu com estrondo este Verão. Em terceiro ficou José Sócrates, que nunca deixou de ser notícia ao longo do ano.

Na quarta posição, ex-aequo, ficaram Cristiano Ronaldo, vencedor da Bota de Ouro e novamente considerado o melhor futebolista do mundo, e Carlos do Carmo, galardoado com um Emmy em 2014.

Houve ainda votos isolados no novo secretário-geral do PS, António Costa, na procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, e no advogado António Marinho Pinto, que emergiu como líder político ao ser eleito deputado europeu, em Maio, fundando mais tarde o Partido Democrático Republicano.

Também o povo português ("que se lixa como o mexilhão") e a figura do corrupto, sem estar personalizada, receberam um voto cada.

 

Figura nacional de 2010: José Mourinho

Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar

Figura nacional de 2013: Rui Moreira

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O que valeu a pena ver em 2014 - 3/3

por José Navarro de Andrade, em 31.12.14

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Ida antes de ouvir John Coltrane

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 Ida ouvindo John Coltrane

 

Polónia, anos 60, catolicismo (a protagonista é freira), culpa (a tia da protagonista, ex-juíza, condenou inimigos do estado à morte nas purgas vermelhas de 50) e John Coltrane. Se não fosse o último item tudo em “Ida” seria demasiado óbvio à partida, mesmo que à chegada acabássemos por sentir a espada fria do desalento – haverá verões na Polónia? – que corta todo o filme. Planos longos e muito quedos (e tensos), enquadramentos esvaziados de quinquilharia cenográfica e ritmo pouco atribulado, não são meras marcas de estilo – do estilo que se espera das cinematografias outrora “do leste”, hoje da “europa central” – mas uma necessidade dramática. Não havia outra maneira de mostrar nem de transmitir isto. “Isto”, posto em filme contemporâneo, é um formidável ajuste de contas da Polónia com o seu presente, fingindo que se mostra o passado. O tema “Naima” de John Coltrane (“Giant steps”- 1959), posto aqui e posto assim, é o rasgão de luz efémera que por momentos cintila em “Ida”, capaz de alinhar todas as peças no seu lugar e virar o tabuleiro ao contrário – um golpe de génio, tão comedido como a narrativa do filme. Noutras cinematografias prefere-se a auto-punição ou o género sempre-em-festa, ambas formas de não olhar, nem sequer para o umbigo. Chama-se Pawel Pawlikoswski o autor desta pérola.

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Estreou-se neste ano de 2014 mais um troço da extensíssima perquirição de Frederick Wiseman (84 anos de idade) às instituições públicas contemporâneas, que já tem 43 peças. Por junto Wiseman oferece-nos a mais formidável memória futura da nossa civilização – se um dia ela desaparecesse, bastariam os seus filmes para entendê-la. Desta vez escalpela a National Gallery de Londres de maneira mais breve que o habitual, só durante 180 minutos. Se o tivesse visto seria decerto um dos filmes do ano.

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O que valeu a pena ver em 2014 - 2/3

por José Navarro de Andrade, em 30.12.14

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O Washington, o Jefferson e o Franklin da revolução televisiva

 

É possível que o actual apogeu da ficção televisiva constitua o preâmbulo da inexorável falência da indústria audiovisual tal como ela hoje opera, ou seja, segundo o modelo de negócio vigente. Para onde se vai ninguém sabe, onde se está só alguns entendem, aqueles que tomam decisões, quase todas em função de dilemas instantes. Olhando na direcção certa não é difícil verificar que constelação de influências deu azo a que hoje, na(lguma) televisão, se possam ver as mais inquietantes, refinadas e sagazes narrativas, com génio e têmpera de meter o cinema no sapato. Averiguando as audiências televisivas dos EUA (porque as respostas hão-de ser avistadas no terreiro dos mercados, lugar onde estas coisas se tramam, e não nas nuvens institucionais, no seu melhor limitadas a diagnosticar resultados), constata-se que os canais de cabo pago (HBO, Showtime, etc.) lograram uma massa crítica de assinantes que lhes propiciou orçamentos de produção ao nível das estações generalistas. Estribados nesta fartura, irreproduzível noutros territórios, nomeadamente europeus, demandaram à conquista dos segmentos de audiência mais sofisticados, por hábito resilientes à televisão e à sua corrente oferta ficcional. Significa isto que uma sequência de séries impossíveis em canal aberto, como “Sopranos”, “Dexter” Californication”, “The wire” “Generation Kill”, “Six feet under”, “Big love”, “True blood”, “Deadwood”, “Weeds”, “Boardwalk empire” e “Breaking bad”, teve o poder e a virtude de recolher ao redil da televisão espectadores desavindos, que nelas surpreenderam um desafogo de inteligência, irreverência e originalidade, assim alargando a base de clientes de tão selectos canais. Estamos elucidados quanto à “criação de novos públicos”, um mantra muito recitado e pouco acertado – it’s economics, stupid...

Ainda não houve neste século, nem na literatura nem no cinema, personagem com a dimensão comparável à de Walter White (o definitivo Bryan Cranston) de “Breaking Bad” (“Ruptura total”) quer lhe peguemos pela tragédia quer pela farsa. Com a temeridade própria dos desesperados, Walter White arrasta o seu cancro terminal ao longo de 62 horas, perverte toda a ordem estabelecida, seja a familiar, seja a legal, seja a criminal (porque no crime há uma ordem muito estrita) no passo em que eleva o sarcasmo, o farisaísmo e um sentido utilitário dos escrúpulos a patamares inéditos, sobretudo porque nunca resvala para fora das baias do quotidiano e não incorre na fastidiosa panóplia de tons épico, melodramático ou lírico, que habitualmente se usa para enlear o sentimento do espectador.

Tendo Walter White recebido ceptro & coroa de Tony Soprano, quem lhe terá sucedido no trono após a sua esplêndida morte? Ouso denominar Will McAvoy, o anchorman, ou pivô, em português de gema, de “The newsroom” – há condições para afirmar que Jeff Daniels era um actor persistentemente desinteressante até dar a pele por esta personagem.

“The newsroom” é apresentado como “uma criação” de Aaron Sorkin. Estamos assim em face de um ordenamento industrial em que argumentistas (uma bateria deles), realizadores (todos com crédito seguro, nenhum com cartel de auteur), produtores executivos e demais artistas ou colaboradores, subsumem a sua participação criativa à batuta abrangente de Sorkin. Sendo a ficção de cinema americana essencialmente politizada – fenómeno que tanto irrita as facções mais reacionárias dos Republicanos quanto é desapercebida pelos olhares europeus – Sorkin é aquele que melhor converteu a política pura e dura em ficção, com paralelo histórico talvez em I.A.L. Diamond e poucos mais. Do seu palmarés como argumentista avultam “A few good man” (“Uma questão de honra”) obsequiando Jack Nicholson com o melhor momento da sua carreira ao recitar um dos discursos mais ambíguos, desassombrados e desconfortáveis da história do cinema (perfeito anti-Capra); “Charlie Wilson’s war” (“Jogos de poder”), “Moneyball” (“Jogada de risco”), que devia ser de visão obrigatória para qualquer decision maker (pardon my french…) e a série de TV que lhe trouxe popularidade “West wing”. O que singularizar e sublima “The newsroom” será o abandono de qualquer pretensão naturalista, ideia prodigiosa sendo o jornalismo a matéria da série. Sorkin dispensa ostensivamente a credibilidade para ambicionar alguma verdade, pois essa coisa da “credibilidade”, tão diligenciada nas indústrias emparelhadas da informação e da ficção, é erário de burlões, sem o qual seriam incapazes de cultivar a sua arte. Cada episódio constitui-se, assim, num pequeno debate sobre ética, desde os processos de trabalho às relações afectivas. E este plano invejável e impossível de comportamentos revela-se por diálogos e frases de supina perspicácia e gramática; ninguém fala assim, com réplicas súbitas e argutas, com tamanha agilidade verbal e tanta intuição imediata das questões; ninguém discute desta maneira, tão mental e emotiva, sem, no entanto, descair na mesquinhez, na sua típica forma de insulto pessoal; ninguém em “The newsroom” pergunta que horas são ou se o café está quente, todas as palavras são usadas para exprimir estados de alma estratosféricos. “The newsroom” não imita a realidade, mostra-nos o que na realidade deveria passar no íntimo das cabeças jornalísticas em plena posse das suas faculdades. Que o faça de maneira amável com o espectador, sem lhe dar lições de moral nem fazer com ele chantagens emocionais, e de forma delicada com as personagens, permitindo-lhes a dúvida e a incerteza, que é a maneira de não as ajuizar, faz de “The newsroom” um prodígio de escrita e de narrativa, só ao alcance de talentos e recursos incomparáveis.

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O que valeu a pena ver em 2014 - 1/3

por José Navarro de Andrade, em 29.12.14

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Scorsese na cama com os actores

 

Como estreou em 4 de Janeiro deste ano, começo logo por deturpar as regras protocolares do “filme do ano” elegendo “O lobo de Wall Street”, um original de 2013, entre os meus predilectos. Um Scorsese premium sem dúvida.

Tal como os grandes jogadores que sabem envelhecer em campo, Scorsese já não corre como outrora mas continua a imprimir velocidade no jogo. Os movimentos de câmara são agora menos ofegantes, a montagem é menos brusca, apostando não tanto no contraste (aquele espécie de “montagem de atrações” em que cada plano seria a antítese do anterior) como num constante incremento: o que vem a seguir precipita a potência do que ficou para trás; e toda a continuidade do filme já não tem a forma da típica montanha russa de Scorsese, mas faz-se numa espécie de “queda para cima”, em que o clímax coincide com o momento em que tudo e todos se estatelam. A duração das cenas permite entender “O lobo de Wall Street” como um filme de actores – em memória do confuso cinema dos sixties – com as alterosas dificuldades inerentes ao conflito entre uma ampla latitude de planos para especificarem as personagens mas sem qualquer margem para apontamentos digressivos e especulações histriónicas.

Que semelhantes e fatigantes propriedades estejam a cargo de um director de 72 anos e de uma montadora, a infalível Thelmas Schoomaker, de 73 anos, é obra de se lhes tirar o chapéu.

Só na vida real ou num filme de Scorsese poderia ser verosímil a história de um grupo de compinchas de infância, nados e criados num arrabalde proletarizado (Long Island, que no seu melhor será a Costa da Caparica de Nova Iorque…), de gosto e educação duvidosos, impostores e oportunistas, que exploram a cupidez da bolsa de capitais e de caminho comprovam que, nos métodos, haverá pouca diferença entre as gravatas de seda italiana dos correctores de Wall Street e os fatos de treino com grossa corrente de ouro que eles ostentam.

Desde que o calvinista Godard decretou que "os travellings são uma questão moral" ficou óbvio que a amoralidade (bem diferente da imoralidade) é uma perspectiva virtualmente inatingível em cinema. Está nisto o supino talento de Scorsese: gerar uma permanente sensação de alarme em cada enquadramento e em todas sequências, que nos arrasta para um estado de empatia com os escroques e nos suspende o juízo a pontos de darmos connosco do lado errado da ordem pública (sequer poderemos argumentar que seríamos inocent bystanders), emocionalmente envolvidos naquelas trapalhadas. Claro que isto é devastador, para nós, que estávamos tão agarradinhos aos nossos princípios, e para os sujeitos que Scorsese manipula, demonstrados desde o início como objetos à deriva na corrente do capitalismo financeiro, peças soltas da engrenagem, que a entopem e avariam mas não desmantelam – somos todos atirados para fora de pé sem bóia nem natação.

Gosto muito de filmes que se inclinam demasiado, em vias de desabarem a qualquer momento, sempre a pisarem o risco do grotesco e do burlesco – há lá coisa mais complicada em cinema? E esta arte de Scorsese, perfeitamente comandada em “O lobo de Wall Street”, só a vejo aproximada hoje em dia por David O. Russell, realizador dos magníficos e pouco estimados “Guia para um final feliz” (arriscada paráfrase do intraduzível “Silver lining playbook”) e “Golpada Americana”.

Por mim, estou em crer que apenas um jesuíta, e dos muito estufados, seria capaz de atravessar “O lobo de Wall Street” de sobrancelha franzida.

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Frase internacional de 2013

por Pedro Correia, em 19.01.14

 

«Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.»

Malala Yousafzai

 

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

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Frase nacional de 2013

por Pedro Correia, em 19.01.14

 

«Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.»

Paulo Portas

 

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

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Facto internacional de 2013

por Pedro Correia, em 09.01.14

GUERRA CIVIL NA SÍRIA

A guerra civil na Síria, iniciada em 2011, atingiu em 2013 um marco estatístico nada invejável ao ultrapassar a barreira das cem mil vítimas mortais. No fim do ano, segundo dados fidedignos, estavam contabilizados cerca de 130 mil mortos neste conflito, incluindo quase 12 mil mulheres e crianças. Os confrontos que opõem os insurgentes sírios à ditadura do Presidente Bachar al-Assad, no poder desde 2000, causaram já também sete milhões de desalojados, de acordo com dados das Nações Unidas.

 

Este foi o facto internacional mais relevante do ano, eleito por larga margem aqui no DELITO DE OPINIÃO. A recente morte de Nelson Mandela foi o segundo mais votado, tendo a surpreendente resignação do Papa Bento XVI ficado na terceira posição. A eleição do Papa Francisco e o acordo Irão-Estados Unidos sobre energia nuclear também justificaram votos.

Em 2010 elegemos como facto do ano, a nível internacional, as revelações da Wikileaks e em 2011 a nossa escolha recaiu nas revoltas ocorridas no mundo árabe.

Foto AFP

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Facto nacional de 2013

por Pedro Correia, em 09.01.14

CRISE POLÍTICA DE JULHO

O Governo não chegou a cair, mas abanou muito. E não voltou a ser o mesmo. Aconteceu em Julho: a crise alastrou da esfera económica para a área governativa e abalou as bolsas europeias. Com dois protagonistas: Vítor Gaspar e Paulo Portas. O primeiro partiu, o segundo ameaçou fazer o mesmo mas acabou por ficar. Numa posição aparentemente reforçada.

Foi a semana mais turbulenta do ano político, que o DELITO DE OPINIÃO elegeu em votação interna - por estreita margem - o facto de 2013 em Portugal.

Inesperadamente, Passos Coelho perdeu aquele que considerava o seu número dois: o ministro de Estado e das Finanças. Vítor Gaspar bateu com a porta, tornando pública a carta de demissão.

"O nível de desemprego e desemprego jovem são muito graves [sic]. Requerem uma resposta efectiva e urgente a nível europeu e nacional. (...) Esta evolução exige credibilidade e confiança. Contributos que, infelizmente, não me encontro em condições de assegurar. O sucesso do programa de ajustamento exige que cada um assuma as suas responsabilidades. Não tenho, pois, alternativa senão assumir plenamente as responsabilidades que me cabem", escreveu o ministro demissionário nesta carta, datada de 1 de Julho.

O primeiro-ministro não tardou a designar Maria Luís Albuquerque para o lugar de Vítor Gaspar. Mas, subitamente, Paulo Portas demitiu-se. Com carácter "irrevogável", como acentuou a 2 de Julho. Seguiram-se dias de forte tensão na coligação governativa e o espectro das eleições antecipadas chegou a pairar em São Bento. Até que Portas recuou. E Passos elevou-o a vice-primeiro-ministro, no âmbito de uma remodelação governamental.

 

Num segundo lugar muito próximo, entre os factos nacionais de 2013, situou-se a enorme corrente migratória: cerca de 120 mil portugueses emigraram no ano que terminou. As vitórias eleitorais de independentes nas autárquicas de Setembro e a manifestação de polícias nas escadarias de São Bento, em Novembro, também foram votadas, havendo ainda um voto na frustrada tentativa de cantar a Grândola feita pelo ex-ministro Miguel Relvas.

Em 2010 elegemos como facto nacional do ano a crise financeira e em 2011 a chegada da troika a Portugal.

Foto Daniel Rocha/Público

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Figura internacional de 2013

por Pedro Correia, em 08.01.14

PAPA FRANCISCO

O maior consenso, na votação das figuras e factos de 2013 realizada no DELITO DE OPINIÃO, ocorreu em torno da personalidade internacional do ano. Com a grande maioria dos votos a recair no Papa Francisco, eleito em 2013 no mais inesperado conclave católico dos últimos séculos, convocado de emergência devido à renúncia do Papa Bento XVI.

Ao surgir na varanda principal da Basílica de São Pedro, ao fim da tarde de 13 de Março de 2013, Jorge Mario Bergoglio suscitou espontâneos aplausos. Desde logo ao saudar com esta frase a multidão que o aclamava: "Parece que os cardeais foram buscar-me ao fim do mundo". Uma referência ao facto de vir da Argentina, onde era cardeal de Buenos Aires.

Primeiro Papa oriundo do continente americano, primeiro em dois séculos oriundo do clero não secular, primeiro a escolher o nome Francisco em homenagem expressa a São Francisco de Assis, este jesuíta de 76 anos surpreendeu o mundo com o seu verbo fácil, o seu sorriso franco e os seus gestos inovadores que ultrapassam o plano simbólico. Recusou viver no palácio apostólico do Vaticano, iniciou uma profunda reforma da Cúria, lavou os pés a duas raparigas (uma das quais muçulmana) na semana da Páscoa, foi ao encontro de imigrantes africanos em Lampedusa e recusou limusinas na sua viagem triunfal ao Rio de Janeiro, para encerrar a Jornada Mundial da Juventude.

Em Outubro, divulgou a exortação apostólica Evangelii Gaudium, com críticas aos excessos do actual sistema financeiro dominante à escala planetária: "Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa."

 

Em segundo lugar, na nossa votação, ficou Edward Snowden, o ex-consultor da CIA que tornou públicas as actividades de espionagem ilegal feitas no âmbito da Agência Nacional de Segurança norte-americana - uma denúncia que o levou a exilar-se na Rússia.

Em terceiro ficou Malala Yousafzai, a adolescente paquistanesa que escapou por um triz a um atentado talibã e agora percorre o mundo defendendo o direito à instrução das mulheres nas sociedades ditatoriais islâmicas, tendo recebido o Prémio Sakharov de Direitos Humanos que lhe foi conferido em Novembro pelo Parlamento Europeu.

Houve ainda um voto em Angela Merkel: a chanceler alemã, que saiu vencedora das legislativas de Setembro, já tinha sido eleita pelo DELITO figura internacional em 2010 (ex-aequeo com Julian Assange) e 2011.

Foto Associated Press

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Figura nacional de 2013

por Pedro Correia, em 08.01.14

RUI MOREIRA

Pela primeira vez uma lista independente (embora com o apoio de um partido, o CDS) venceu uma eleição para uma grande cidade portuguesa, conquistando seis dos 13 mandatos em disputa. Aconteceu no Porto, nas eleições autárquicas de 29 de Setembro, quando Rui Moreira, obtendo 39% dos votos, derrotou o socialista Manuel Pizarro e o social-democrata Luís Filipe Menezes, num dos mais disputados confrontos eleitorais de que ali há memória.

Empresário e dirigente associativo, de 57 anos, Rui Moreira distinguiu-se sobretudo como presidente da Associação Comercial do Porto, sucedendo no município da Invicta ao social-democrata Rui Rio, que cumpriu três mandatos consecutivos. Rio foi, aliás, um dos protagonistas da campanha ao anunciar publicamente que não votaria em Menezes, o candidato oficial do PSD. Uma declaração que facillitou a vitória de Rui Moreira, conhecido adepto do FC Porto e ex-comentador de futebol na RTP.

Fala-se já dele para novos voos políticos, mas por enquanto o novo autarca portuense - que tomou posse a 22 de Outubro e obteve entretanto o apoio do PS para obter maioria nos processos de decisão - promete concentrar todas as energias no trabalho camarário do Porto, a que chamou "cidade livre". Um dos seus primeiros actos como autarca foi normalizar as relações entre o município e o FCP, interrompidas no início do mandato de Rio.

 

Rui Moreira foi considerado a figura nacional de 2013 em votação interna do DELITO DE OPINIÃO, sucedendo a José Mourinho (figura nacional de 2010) e Vítor Gaspar (figura nacional de 2011).

Logo a seguir nesta votação ficou o povo português, no seu conjunto, pelos sacrifícios que enfrenta e a forma como os tem suportado. Em terceiro lugar, o presidente do Tribunal Constitucional, Joaquim Sousa Ribeiro. Seguiu-se Vítor Gaspar, que se demitiu de ministro das Finanças no início de Julho.

Houve ainda votos isolados em Rodrigo Leão, Cristiano Ronaldo, Paulo Valente Gomes e Bruno de Carvalho.

Foto Paulo Pimenta/Público

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O balanço do ano

por Patrícia Reis, em 14.12.13

Este ano, o atelier 004, a empresa com a qual durmo (sim, que é uma espécie de casamento) há cerca de 17 anos viveu os seus momentos maus e momentos bons. Os bons estão centrados, em especial, nas pessoas. Os maus também.

Em retrospectiva, depois de ter acreditado que estava a viver o final de um mundo que me deu tanto trabalho a construir, o atelier sobreviveu.

Melhor: ergueu-se com uma dignidade maior graças à equipa e aos apoios de amigos e família.

Não houve espaços para grandes psicoterapias de grupo, lamúrias ou considerações sobre traições, roubos, mentiras e até acusações de bruxaria. Nada disso.Foi só andar para a frente (até por saber que eu cumpro com os meus compromissos e não tenho avenças chorudas com nenhuma empresa, nunca tive, ao contrário do que se possa dizer ou pensar).

Como eu fui criada por um senhor que acreditava piamente que é urgente ensinar a bondade, ouvir o outro e sonhar com uma ilha no Pacífico, mesmo que se termine em Cacilhas, virámos o mundo ao contrário, trabalhos que nem cães, recuperámos clientes, tivemos boas ideias e até conseguimos fazer mais uma edição - a 51ª - da Egoísta.

Uma coisa é certa: se a crise existe, nada está fácil, há pessoas muito estúpidas, o avesso também anda por cá e com força tripla. Portanto, para quem esteve connosco, bem hajam. Para quem nos mandou bugiar e nos deixou numa alhada, da qual saímos rapidamente, espero que estejam a ler isto e a pensar que, afinal, sempre recebemos o que damos.

Posto isto, meus caros amigos, hoje é um dia especial, o meu tio avô faria anos e sem ele, eu seria outra pessoa.

Escapei às agruras do frio de Lisboa e cheguei à chuva do Rio de Janeiro. Volto para o Natal. Tenciono consumir o maior número possível de vitaminas de abacate:) Dizem-me que choveu desalmadamente nos últimos dias. Não me importa. Viemos em viagens que não pagámos e estamos no melhor apartamento do mundo, por termos uma amiga SENSACIONAL (obrigada, Paula!). Depois de um ano a ver como é que tudo se resolveria, é um alívio chegar aqui. Que venha 2014, estamos preparados, somos gladiadores, podemos até fazer o pino. Fazemos é o pino com imensa pinta. Se não se importam, este post é para a minha equipa. Eles, mais do que ninguém, merecem.

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'Blogger' do ano

por Pedro Correia, em 08.01.12

 

ANA CRISTINA LEONARDO

 

O blogue dela foi considerado o melhor de 2011 pelos autores do DELITO DE OPINIÃO. E, em sintonia com esta votação, também a Ana Cristina Leonardo mereceu o título de blogger do ano pelo que vai escrevendo na imprescíndível Meditação na Pastelaria. Tudo isto aconteceu após uma renhida votação (quatro votos contra três), acabando o segundo lugar por recair em Pedro Mexia, autor da Lei Seca.

As restantes opiniões cá de casa dispersaram-se em várias direcções. Com dois votos: Maria do Rosário Pedreira (blogue Horas Extraordinárias); João José Cardoso (blogue Aventar); Rui Bebiano (blogue A Terceira Noite). Com um voto: Patrícia Fonseca (blogue Blogkiosk); Francisco Mendes da Silva (blogue Contra Mundum); João Gonçalves (blogue Portugal dos Pequeninos); JCS (blogue Imprensa Falsa); Rui Tavares (blogue Rui Tavares); Samuel de Paiva Pires (blogue Estado Sentido).

Em 2010, a nossa eleita tinha sido Helena Matos.

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Blogue do ano

por Pedro Correia, em 07.01.12

 

MEDITAÇÃO NA PASTELARIA

 

Para manter a tradição, aqui no DELITO elegemos aquele que para nós foi o melhor blogue do ano que acabou. E a escolha recaiu num blogue individual: Meditação na Pastelaria, de Ana Cristina Leonardo, recolheu quatro votos.

O segundo lugar, com três votos, coube a outro blogue individual: Lei Seca, de Pedro Mexia.

Com dois votos, destacaram-se dois blogues colectivos, de pendores ideológicos muito diferentes: Aventar e Cachimbo de Magritte.

Foram igualmente mencionados, com um voto cada, mais estes: A Terceira Noite, Blasfémias, Blogkiosk, Câmara CorporativaO Insurgente, Tempo Contado, 31 da Armada e o entretanto extinto É Tudo Gente Morta.

Este último, recorde-se, havia sido o nosso eleito em 2010.

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Frase do ano

por Pedro Correia, em 05.01.12

"Estou-me marimbando para os nossos credores."

Pedro Nuno Santos (PS)

 

O antigo líder da Juventude Socialista, actual vice-presidente da bancada rosa em São Bento, ganhou projecção nacional quase no final de 2011 com esta frase que chegou a ter repercussão além-fronteiras. Foi esta a escolha maioritária dos autores do DELITO DE OPINIÃO para frase do ano, com seis seis votos. Mantém-se assim a tradição: já em 2010 a frase do ano fora de um socialista, Almeida Santos, por ter declarado: "O povo tem de sofrer as crises como o Governo as sofre."

 

Também mereceram destaque cinco outras frases:

"Portugal não precisa de ajuda externa."

José Sócrates

"As medidas são minhas, mas o défice não é meu."

Pedro Passos Coelho

"Ó senhor primeiro-ministro, você sabe lá o que é a vida."

Jerónimo de Sousa

"Os nossos políticos, se fossem treinadores, estavam pouco tempo a governar o País."

Jorge Jesus

"Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao género feminino."

Dilma Rousseff

 

Cada uma recolheu dois votos. E houve ainda votos solitários em frases de Otelo Saraiva de Carvalho, Cavaco Silva, Assunção Esteves, Lili Caneças e Fernando Nobre. Para o ano (este ano) há mais.

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Facto internacional do ano

por Pedro Correia, em 04.01.12

 

AS REVOLTAS NO MUNDO ÁRABE

Tudo começou na Tunísia, logo no início do ano. A 14 de Janeiro, caía Ben Ali, que governava ditatorialmente a Tunísia desde 1987. A 11 de Fevereiro, outro general-ditador era derrubado igualmente por um fortíssimo movimento popular: Hosni Mubarak cessava enfim as funções de presidente do Egipto, após 30 anos de poder tirânico. Quatro dias depois, começava na Líbia outra revolta que seis meses mais tarde conduziria ao fim do regime do coronel Muammar Kadhafi, iniciado em 1969. Outros países árabes, como o Iémene e a Síria, foram também varridos por gigantescas manifestações de rua contra poderes opressores. E as monarquias marroquina e jordana viram-se forçadas a fazer reformas políticas.

A democracia chega enfim ao Magrebe e ao Médio Oriente? É cedo para avaliar, embora na Tunísia tenha já ocorrido a primeira eleição democrática desde a independência do país, em 1956 -- uma eleição que ocorreu de forma transparente, pacífica e muito participada. Este movimento, que muitos analistas baptizaram de 'Primavera árabe', foi o acontecimento político internacional de 2011 segundo a maioria dos membros do DELITO DE OPINIÃO, com 15 votos. Em segundo lugar (quatro votos) ficou a crise do euro, sob o espectro do colapso financeiro da Europa que alguns prevêem e outros nem por isso. O tsunami no Japão, que causou pelo menos 15 mil vítimas mortais, foi igualmente mencionado (dois votos), tal como a designação do fado como património imaterial da humanidade (um).

Em 2010, o facto internacional do ano para nós tinham sido as revelações da WikiLeaks.

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Facto do ano nacional

por Pedro Correia, em 03.01.12

 

INTERVENÇÃO DA 'TROIKA' EM PORTUGAL

"Crise? Que crise?", perguntavam os Supertramp no título de um álbum muito escutado na década de 70. No Portugal dos nossos dias, ninguém precisa de perguntar se há crise: ela está hoje bem evidente, aos olhos de todos, mesmo daqueles que procuraram negá-la até ao último minuto. A palavra crise terá mesmo sido a mais pronunciada entre nós ao longo de 2011, sobretudo a partir do momento em que o anterior Governo, liderado por José Sócrates, solicitou assistência de emergência a um trio de entidades supranacionais: a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional. A célebre troika -- outra palavra que andou na boca de todos durante o ano passado.

Sem surpresa, a intervenção da troika em Portugal foi eleita facto do ano nacional pelos autores do DELITO DE OPINIÃO, registando-se neste caso uma rara unanimidade (embora tivesse havido uma 'menção honrosa' ao aumento das dádivas ao banco alimentar). Bastante diferente do balanço feito em 2010, já sob o signo da crise mas muito mais variado.

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Figura internacional de 2011

por Pedro Correia, em 02.01.12

 

ANGELA MERKEL

A tradição ainda é o que era: Angela Merkel repetiu em 2011 o protagonismo como figura do ano que já tivera no ano anterior, segundo o critério da equipa do DELITO DE OPINIÃO. Com uma diferença: desta vez a líder do Governo alemão venceu isoladamente (em 2010 fora designada ex-aequeo com o responsável máximo da WikiLeaks, Julian Assange).

A vitória da Senhora Europa -- como lhe chamam cada vez mais os analistas políticos, dentro e fora do Velho Continente -- foi categórica: 14 votos, mais dez do que os obtidos pelo fundador da Apple, Steve Jobs, falecido em 2011, aos 55 anos. Mereceram ainda destaque a Presidente brasileira Dilma Rousseff (três votos), primeira mulher a ocupar o Palácio do Planalto, e o jovem tunisino Mohamed Bouazizi (um voto), cuja morte -- em 4 de Janeiro de 2011 -- funcionou como detonador das revoltas árabes que varreram o Magrebe e o Médio Oriente no ano que terminou.

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Figura nacional de 2011

por Pedro Correia, em 01.01.12

 

VÍTOR GASPAR

Ilustre desconhecido da generalidade dos portugueses até há seis meses, o ministro das Finanças tornou-se uma figura dominante da cena política nacional no último semestre de 2011, suplantando todos os outros protagonistas, na opinião da maioria dos membros do DELITO DE OPINIÃO, na já tradicional votação em jeito de balanço do ano que terminou. Pelas severas medidas de austeridade que determinou em resposta à situação de emergência que levou o anterior Executivo a solicitar auxílio internacional. E também pelo seu original estilo de comunicar com os portugueses. Inconfundível, embora não inimitável.

Vítor Gaspar, com dez votos, destacou-se largamente, passando a ocupar o posto que em 2010 os autores do DELITO reservaram a José Mourinho. Em segundo lugar, com três votos, ficou a nova presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, a primeira mulher a ocupar o segundo posto mais relevante do Estado português. Dois votos recaíram no primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, vencedor das legislativas de 5 de Junho, e outros dois no ensaísta Eduardo Lourenço, galardoado em 2011 com o prestigiado Prémio Pessoa. Os restantes cinco votos foram distribuídos pelas seguintes personalidades: Eduardo Souto Moura, Henrique Medina Carreira, Isabel Jonet, José Manuel Coelho e José Sócrates.

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