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O massacre de sábado à noite.

por Luís Menezes Leitão, em 02.07.17

Já tinha tido a ocasião de comparar a tentativa deste governo de fuga às suas responsabilidades com o comportamento de Nixon no Watergate. Mas agora Azeredo Lopes resolveu fazer uma imitação total de Nixon, reproduzindo o episódio do massacre de sábado à noite, em que Nixon demitiu o procurador independente que o estava a investigar, levando à resignação do Attorney-General e o seu vice. Indo ainda mais longe que Nixon, Azeredo Lopes demitiu de uma assentada cinco comandantes, apenas para assegurar, imagine-se, que "as averiguações decorrerão de  forma absolutamente isenta e transparente".

 

Só há uma pergunta a fazer. O nosso querido e afectuoso presidente, que até é o comandante supremo das Forças Armadas, vai continuar a permitir esta permanente fuga às responsabilidades dos nossos governantes e este constante enxovalhar das instituições sob a sua tutela? Por muito menos que isso Jorge Sampaio dissolveu o parlamento e mandou Santana Lopes para casa. Marcelo deveria perceber rapidamente que a chefia do Estado exige algo mais do que selfies, afectos, beijinhos e abraços. Exige que o presidente tenha sentido de Estado e garanta o regular funcionamento das instituições democráticas. O que manifestamente não está a acontecer no Portugal de 2017.

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Brincar com o fogo.

por Luís Menezes Leitão, em 12.04.16

Eu também achei extremamente infelizes as declarações do Director do Colégio Militar. Mas o que deve caracterizar um Ministro é saber ter o sentido das proporções e não regar o fogo com gasolina. O Ministro achou, no entanto, que esta era a oportunidade para fazer um exercício de autoridade, expondo o seu Chefe de Estado-Maior do Exército, a quem exigiu publicamente explicações e medidas a tomar. O Chefe de Estado-Maior do Exército, que obviamente não tem estatuto para ser sujeito a este tipo de desconsiderações, apresentou a sua demissão, num gesto de grande dignidade, imediatamente secundado pelo Vice-Chefe de Estado Maior do Exército. Aí está como a habilidade do Ministro conseguiu que um caso tão transcendente como os afectos dos meninos do Colégio Militar decapitasse a cúpula do Exército português. E espanta que o Presidente da República, que é constitucionalmente o Comandante Supremo das Forças Armadas, assista a isto tudo sem qualquer intervenção, aceitando de cruz as demissões que lhe enviam. Exigir-se-ia nesta fase ao Presidente menos espectáculo e mais sentido de Estado.

 

Quanto ao Ministro da Defesa, surge agora esta fotografia mostrando-o a passar revista às tropas, de camisa aberta e com ar desleixado, perante militares aprumados. Depois de o Primeiro-Ministro ter avisado que os seus Ministros, nem à mesa do café se podiam esquecer que o eram, resta saber o que pensa de um Ministro da Defesa que vai passar revista às tropas como se estivesse numa tasca. É óbvio que este Ministro não tem quaisquer condições para continuar. Mesmo que agora arranje à pressa substitutos para os chefes do Exército, a verdade é que eles serão muito mal vistos pelos militares que devem liderar, depois da demissão dos anteriores chefes que não aceitaram ser sujeitos a desconsiderações por parte do Ministro. Os novos chefes que aceitarem o cargo darão a entender que aceitam estas desconsiderações, o que será fatal para a sua capacidade de comando.

 

Senhor Ministro: Antes de tomar qualquer atitude, pense que a sua função é liderar as Forças Armadas. Qual destas duas palavras é que não percebeu?

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