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Cartão amarelo para Medina

por Pedro Correia, em 03.10.17

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Fernando Medina apareceu, já a horas tardias, na noite eleitoral com o sorriso que costuma ostentar em todas as estações do ano. Apesar de beneficiar da bem oleada máquina socialista e de ter contado na campanha com inesperados brindes propagantísticos da  Standard's & Poor e do Fórum Económico Mundial, o alcaide alfacinha (nado e criado no Porto) tinha muito menos motivos para sorrir do que Rui Moreira, que sem aparelhos partidários dignos de nota revalidou o mandato na Câmara Municipal do Porto, conseguindo desta vez maioria absoluta.

Com Medina foi ao contrário: o actual autarca herdou o cadeirão presidencial na Praça do Município dispondo de uma confortável maioria absoluta, obtida por António Costa em 2013, e acaba de dizer-lhe adeus: perdeu três vereadores e cerca de 10 mil votos neste escrutínio. Herdou 11, restam-lhe oito.

Passa a depender de outras forças políticas para gerir a câmara, perdendo terreno à esquerda e à direita: o CDS conquistou-lhe dois mandatos no executivo municipal e o Bloco de Esquerda - que apresentou um bom candidato, Ricardo Robles - ganhou o terceiro, passando enfim a ter representação na mais emblemática edilidade do País.

O eleitorado de Lisboa revelou-se sábio nestas escolhas. O cartão amarelo a Medina foi bem merecido. Porque tem gerido a capital muito mais em função de quem nos visita do que em função de quem cá vive ou aqui trabalha, deixando a pressão turística condicionar por inteiro o mercado imobiliário, sem correcções nem ajustamentos.

Sempre considerei que o actual presidente da câmara merecia ser desafiado por um adversário com sérias hipóteses de o derrotar nas urnas. Um adversário que o questionasse sobre o trânsito caótico, as obras intermináveis, os transportes entupidos, as derrocadas de prédios degradados, o parque habitacional caríssimo e cada vez mais inacessível para os lisboetas, a quantidade infindável de taxas e taxinhas.

O PSD, no entanto, abdicou de lhe dar luta, rendendo-se antes do confronto. Se houve algo imperdoável nestas autárquicas, por bandas do maior partido da oposição, foi precisamente isto.

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A nova muleta do PCP em Loures

por Pedro Correia, em 02.10.17

 

Até ontem, o PSD era o terceiro partido em Loures, atrás da CDU (que venceu as autárquicas de 2013 sem maioria absoluta) e do PS. Nestes quatro anos os sociais-democratas aceitaram ser muleta dos comunistas na vereação municipal, onde dispunham de dois vereadores.

 

A partir de hoje, o PSD mantém-se como terceiro partido em Loures, embora com três vereadores. Atrás da CDU (que continua sem maioria absoluta) e do PS.

 

No essencial, ali fica tudo na mesma. Apesar de um candidato ter sido levado ao colo por certos meios de comunicação, que quase o sagraram como vencedor antecipado. Rui Ramos exagerou, portanto, ao eleger esse candidato como «herói de cidadãos fartos do concurso de misses do “politicamente correcto”.»

 

Na melhor das hipóteses, o tal "herói" acabará como a próxima muleta do PCP em Loures.

 

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Notas sobre as autárquicas

por Rui Herbon, em 02.10.17

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O Partido Socialista consegue um resultado histórico e domina nas grandes cidades do país, para além de ser a força política com uma distribuição territorial mais homogénea. No entanto, este resultado é bem capaz de alterar a macieza que os partidos à sua esquerda têm mostrado até agora, que, a dois anos das legislativas, estarão já a ver uma maioria absoluta do PS como altamente provável, o que não lhes interessa de todo. Acredito que tanto a nível parlamentar como a nível de agitação sindical as coisas para o PS se tornarão mais complicadas.

 

Por oposição, o Partido Social Democrata sofre uma hecatombe eleitoral. Para além da conjuntura nacional desfavorável, a total displicência na escolha de candidatos, de alianças, de apresentar campanhas dignas desse nome, levaram a este mais que expectável resultado. A humilhação em Lisboa devia ser de per se suficiente para que Pedro Passos Coelho se demitisse. Mas também é possível supor que quanto pior o resultado do partido mais hipóteses PPC tem de continuar como secretário-geral, já que nos partidos de poder (PSD e PS) nenhum líder resiste muito tempo na oposição. E, tendo em conta estes resultados e a conjuntura, é esse o provável destino do líder do PSD, seja Passos ou outro qualquer.

 

O Bloco de Esquerda tem um resultado ligeiramente acima do suficiente. Se por um lado sobe, por outro continua a ser praticamente irrelevante a nível autárquico, tirando um ou outro mandato de vereador nas grandes cidades. Mas parece que o único caminho é para cima e isso será mais uma preocupação para a CDU.

 

O CDS-PP é o outro vencedor da noite. Toda a estratégia fez sentido e teve resultados: além da brilhante prestação de Cristas em Lisboa (arriscou e colheu, legitimando a sua liderança), pode também reclamar a vitória no Porto ao apoiar Rui Moreira. Mais nenhum partido consegue a dobradinha. Pela primeira vez se vislumbra a possibilidade de o CDS deixar de ser o parente pobre da direita portuguesa.

 

A Coligação Democrática Unitária, como é seu timbre, vê sempre os resultados como positivos, mas o número de câmaras perdidas, tanto para PS como para "independentes" saídos das hostes, e em alguns casos em bastiões comunistas (destaque para Almada), só é amortecido pelo facto de os focos estarem na derrocada do PSD. Mas uma coisa é o que se diz e outra o que se faz, e certamente o comité central extrairá outras conclusões e haverá um endurecimento na relação política e sindical com o governo PS.

 

Sobre as candidaturas independentes, convirá não esquecer que muito poucas o são de facto; na maior parte dos casos tratam-se de movimentos originados por desavenças dentro dos partidos. Há duas que, contudo, merecem destaque. Rui Moreira, no Porto, não soube ser magnânimo, e se por um lado desancou o PS, por outro fez ataques pessoais a dirigentes do PSD. É feio bater em quem já está no chão. Reagiu como um qualquer político de carreira com maus fígados. Ao ouvi-lo, não por acaso, veio-me à ideia o pior Cavaco. Já em Oeiras, como infelizmente se esperava, ganhou Isaltino Morais. Um dos concelhos com melhor nível de vida e de instrução escolheu ser liderado por um delinquente, condenado por crimes relacionados com a sua anterior gestão do município. A única coisa positiva desse resultado é provar a distribuição homogénea da estupidez dos eleitores. Há uns anos a elite política e jornalística da capital desdenhava da parolada que reelegia Avelinos Ferreira Torres, Valentins Loureiro e Narcisos Miranda (os dois últimos ontem derrotados nos municípios onde se notabilizaram). Hoje podemos falar dos parolos de Oeiras. 

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Fim da linha

por Pedro Correia, em 02.10.17

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Passos Coelho perdeu ontem nas urnas - o PSD registou o pior resultado de sempre. E perdeu também uma excelente oportunidade, aliás a única, de reagir em tempo útil ao terramoto eleitoral do seu partido. Devia ter anunciado de imediato a resignação ao cargo de presidente dos sociais-democratas ou, no mínimo, que não voltará a apresentar-se a votos no congresso que aí vem.

Não fez uma coisa nem outra. Perdeu-se - como é tão frequente nele - numa floresta de palavras. Incapaz de traduzir em actos concretos o veredicto que os eleitores lhe impuseram nas urnas. Tal como há um ano se mostrara incapaz de ler os sinais internos, prenunciadores desta hecatombe que deixa o partido só à frente de duas das 15 principais cidades do País, incapaz de recuperar qualquer capital de distrito e com uma expressão quase residual em Lisboa e Porto, onde o CDS sobe à sua custa, forçando a reorganização de forças à direita.

Sairá de palco empurrado - o que é sempre a pior forma de sair.

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Estava escrito nas estrelas

por Pedro Correia, em 01.10.17

 

Que Assunção Cristas teria óbvios motivos para sorrir nesta noite eleitoral.

 

Que Passos Coelho fez muito mal ao optar por  medir forças à direita em Lisboa, em vez de apoiar a líder do CDS, que chegou muito antes ao terreno.

 

Que a derrota esmagadora do PSD na capital se tornou inevitável no próprio momento do anúncio da candidatura de Teresa Leal Coelho.

 

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A hecatombe

por Pedro Correia, em 01.10.17

 

Obviamente, nada no PSD pode ficar na mesma. Como se o partido não tivesse obtido os piores resultados de sempre em Lisboa e no Porto.

 

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Nada de novo debaixo do Sol

por Rui Rocha, em 27.09.17

Honestamente, não percebo o espanto com a possível vitória de Isaltino em Oeiras. Este não é o país em que Sócrates, depois de levar o país à bancarrota, teve mais de 90% dos votos numa eleição para secretário-geral do PS? Não é João Galamba o actual porta-voz do PS depois de ter defendido até ao extremo do rídiculo as políticas que levaram à intervenção da troika? Não é também aqui em Portugal que muitos dos actuais governantes, impávidos e a começar pelo primeiro-ministro, são os mesmos que fizeram parte de governos do bardina? Então, qual é a surpresa?

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A jogada de Azeredo Lopes

por João Pedro Pimenta, em 26.09.17

Apertado entre o caso de Tancos e o ricochete que as suas desastradas declarações provocaram, fragilizando ainda mais a sua situação, José Alberto Azeredo Lopes teve agora uma intervenção discreta mas surpreendente. Depois de ter sido o porta-voz da candidatura de Rui Moreira em 2013 e seu chefe de gabinete até ir para o Governo, o Ministro da Defesa vem agora apoiar Manuel Pizarro, recandidato do PS à câmara do Porto, com a desculpa apressada de que "algo mudou". Azeredo Lopes, nitidamente pouco à vontade, ainda esteve numa acção de campanha de Pizarro, tentando passar despercebido e sem dar mais explicações.

 

Pode parecer estranho que um Ministro sem filiação partidária, que fazia parte do núcleo duro de Moreira, que era um dos rostos da sua campanha, e que aparentemente saiu sem zangas, venha de repente, e de forma inesperada, apoiar o candidato do PS contra o actual inquilino dos Aliados, tendo ainda por cima de ouvir o adjectivo "cata-vento" atirado por forças políticas como PSD ou Bloco. Mas há uma explicação plausível: Azeredo Lopes vê a sua posição de tal forma fragilizada que se agarra agora a uma candidatura do PS para ganhar as boas graças do partido do governo e assim conquistar algum apoio. Apoiando Pizarro, pode ser que o aparelho socialista o tente segurar por mais uns tempos. Mas é uma jogada de eficácia duvidosa, e só demonstra o quanto a sua situação é delicada. Se Azeredo não resistir no cargo a seguir às autárquicas, não voltará certamente a conquistar a confiança de Moreira, e tão cedo também não será chamado pelo PS, pelo que ficará com a sua carreira política e institucional seriamente comprometida. O mais provável é ter de regressar a reger a cadeira de Direito Internacional Público e que tão cedo não saia de lá.

 

 

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Na televisão que o inventou

por Pedro Correia, em 25.09.17

Faço zappping, um pouco antes das dez da noite. Na CMTV, ouço uma voz aflautada, aos gritinhos: "É um escândalo! É um escândalo!"

Fico a perceber, pouco depois, que se trata do candidato do PSD a Loures. Mas não fala de política nem parece querer saber das autárquicas para nada. Em plena recta final da campanha eleitoral, o sujeito em causa dispõe de um tempo de antena generosíssimo para comentar futebol. Os gritinhos, fiquei também a saber depois, tinham a ver com o Sporting - alvo de estimação do cavalheiro, logo após ou imediatamente antes dos ciganos.

É intrigante que este candidato troque uma noite de campanha política, a seis dias das eleições, por um longo serão de paleio futebolístico na pantalha - o que diz quase tudo sobre o apego que sente por Loures.

Espero que no próximo domingo os eleitores deste concelho o reconduzam ao lugar que ele mais gosta. O de comentador de bola na televisão que o inventou.

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A duas semanas das eleições

por Pedro Correia, em 18.09.17

 

Standard & Poor's vota PS.

 

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O jornalismo perdeu por goleada

por Pedro Correia, em 16.09.17

Será talvez pleonástico, mas a RTP cumpriu a sua obrigação de serviço público, sem aspas. Anteontem à noite, ao juntar no mesmo estúdio os 12 candidatos à presidência da Câmara de Lisboa, num debate bem moderado por António José Teixeira. Oportunidade para ouvirmos alguns dos que actuam no chamado "campeonato dos pequenos", com aspas. Só assim denominado porque outros canais televisivos, como a  SIC e a TVI, decidiram apostar apenas nos mesmos - os do costume, os de sempre.

Critério jornalístico, dizem. Se a pauta que aplicam aos candidatos fosse aplicada pelos espectadores às televisões, nunca ambas, TVI e SIC, teriam destronado o canal público.

 

À mesma hora em que os doze de Lisboa debatiam na RTP, a TVI dava um exemplo inverso, de mau jornalismo, ao reunir num debate cinco dos sete candidatos à câmara de Loures (e porquê Loures e não Odivelas, ou Sintra, ou Matosinhos, ou Almada, ou Gaia, ou Barreiro?) apenas para dar palco ao estridente e histriónico candidato do PSD. Que foi o primeiro a falar, por amável deferência da imoderadora Judite Sousa, e também o único que falou o tempo todo, monopolizando a sessão. Tudo menos um debate, afinal.

Vendo bem, o que estava ali em jogo era uma tentativa quase desesperada da TVI de roubar por 90 minutos - o tempo que dura, em regra, um desafio de futebol - um protagonista habitual da sua concorrente CMTV, que já a ultrapassou em audiência nos canais por cabo. O cabeça de proa do PSD, travestido de Tea Party em Loures, teve o seu momentinho de glória perante a benevolente Judite e o ar acabrunhado dos figurantes neste pseudo-debate onde o melhor da política, que todos dizem ser a que se desenrola no plano autárquico, deu lugar ao pior do futebol.

 

Levado ao colo pela jornalista incapaz de arbitrar, o tipo que só quer aparecer e diz tudo o que possa dar-lhe audiência no campeonato dos cromos televisivos - incluindo injuriar sportinguistas, destratar ciganos e mandar às malvas o Código Penal - ganhou por goleada. Derrotando não os rivais que com ele surgirão nos boletins de voto mas o jornalismo sem aspas, que ainda enaltece a isenção e o pluralismo como imperativos éticos e virtudes cívicas.

As autárquicas só serviram de pretexto.

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Ano de autárquicas (6)

por Pedro Correia, em 22.08.17

 

Candidatos vão gastar 4,8 milhões em brindes

 

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Política positiva

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.08.17

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"posso não perceber muito (ou nada) de política mas, sou uma mulher do povo e sei muito bem das necessidades de quem me rodeia ....por isso aceitei este convite apenas pensando em ajudar algumas famílias trazendo lhes conforto, esperança e algumas alegrias."

 

Ora, aqui está alguém que garante uma política positiva ao nível das autarquias e seriedade q.b. nas decisões que vierem a ser tomadas em Castanheira de Pêra.

Naturalmente que concorrendo a um cargo de vice-presidente, tendo já ardido quase tudo, não é necessário perceber muito (ou nada) de política.

Sim, estou de acordo, convém confessá-lo desde logo. Não é necessário perceber nada de política. Nem de nada. Aliás, não se percebe por que raio há-de um candidato a autarca, que pode vir ser chamado a substituir o presidente de uma câmara, ter necessidade de conhecer o regime jurídico das autarquias locais, saber qual a diferença entre órgãos deliberativos e executivos, distinguir atribuições de competências, ter uma ideia, ainda vaga que seja, do que são poderes delegados ou do que é uma delegação de competências, perceber para que serve o regime financeiro das autarquias locais ou ter uma noção do que sejam os princípios da legalidade e da estabilidade orçamental ou uma tutela inspectiva. 

Compreendo que Assunção Cristas tenha ficado sensibilizada depois de Ágata lhe ter perguntado "se ele também te mentia". E se havia promessas que ele não tivesse cumprido. Escusado seria, pois, perguntar, obviamente, se "essas lágrimas que choras, são iguais às que eu chorei", "se o odeias, se o adoras".

Pois não há nada como uma conversa de mulher para mulher. Depois, Assunção, não haverá mais nada a fazer se os eleitores vos fizerem o mesmo que eles vos fizeram. "Não se pode viver num clima de traição, nesta mentira cortante".

 

Última hora: "Para mim, a política é zero, não existe. Pode vir a fazer parte do meu dia-a-dia porque eu preciso de entender como funciona – depois de lá estar, é diferente. Até agora, não vivo da política."

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O desfecho não podia ser outro

por Pedro Correia, em 14.08.17

Em política, as vitórias e as derrotas decidem-se nas urnas, não na secretaria. E muito menos com o jogo viciado à partida, como aqui assinalei.

É por isso com satisfação, embora sem surpresa, que acabo de saber que a lista encabeçada por Isaltino Morais vai mesmo a votos no concelho de Oeiras. E que o juiz responsável pela infelicíssima decisão inicial foi afastado do processo. Se quer fazer política, equivocou-se no palco: os tribunais são os lugares menos recomendáveis para concretizar tal desígnio.

Com satisfação porque a oportunidade de formular juízos políticos sobre Isaltino e os restantes candidatos, em competição limpa, foi devolvida aos eleitores, únicos soberanos em democracia.

Sem surpresa porque o desfecho não poderia ter sido outro.

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Fazer justiça e fazer política

por Pedro Correia, em 10.08.17

Não sinto a menor simpatia por Isaltino Morais. A verdade, porém, é que o ex-presidente da Câmara Municipal de Oeiras foi condenado, pagou com uma pena de prisão a sua dívida à sociedade e encontra-se hoje na plena posse dos direitos políticos. Se merece ou não uma segunda oportunidade enquanto autarca, só os eleitores do concelho deverão ajuizar.

Que seja excluído à partida por invalidação do processo de recolha de assinaturas dos proponentes da candidatura, aliás apresentadas em número muito superior ao que a lei prevê, já soaria a expediente para impedi-lo de ir a jogo: vencer na secretaria é sempre mais cómodo do que numa disputa leal em campo. Mas ao saber-se que essa exclusão foi determinada por alguém que é afilhado de casamento do seu principal rival - o actual presidente do município, Paulo Vistas, antigo lugar-tenente de Isaltino - estamos perante um facto que desprestigia não apenas o juiz responsável pela controversa decisão mas lança uma sombra de descrédito ao conjunto da magistratura portuguesa, que tem de estar sempre num patamar acima de qualquer suspeita.

O quadro torna-se ainda mais inaceitável ao saber-se, lendo a imprensa de hoje, que o controverso juiz de turno do Tribunal de Oeiras integrou a Comissão Política do PSD-Oeiras, na altura liderada por Vistas, e que no anterior processo autárquico, em 2013, decidiu de forma diferente ao que deliberou agora, dando razão ao actual presidente da câmara, então alvo de uma inquirição similar à de Isaltino no ano em curso.

A justiça tem o direito e até o dever de imiscuir-se na política sempre que estejam em causa atentados à legalidade. Mas não tem o direito de votar. E muito menos de substituir-se aos eleitores, únicos soberanos do processo de decisão política numa sociedade democrática.

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Aposta de alto risco.

por Luís Menezes Leitão, em 20.07.17

O PSD, que tem andado completamente à nora nas autárquicas, fez duas escolhas absolutamente contraditórias. Em Lisboa escolheu Teresa Leal Coelho, que consegue cometer gaffes até no discurso de apresentação da candidatura. Acho que a melhor solução é a candidata ficar calada até ao fim da campanha. Pelos menos assim não perde mais votos.

 

Em Loures, pelo contrário, escolheu André Ventura, um comentador televisivo afecto ao Benfica, que deve ter sido escolhido por alguém ter pensado simplisticamente que há muitos benfiquistas em Loures que poderiam dar-lhe o seu voto. André Ventura é ambicioso e, ao contrário do que pode parecer, não comete gaffes, estando habituado a cavalgar a onda das polémicas, de onde espera colher dividendos. É assim que, por ter achado que isso lhe daria votos, não hesitou em agitar as águas na sua campanha eleitoral, fazendo o que tecnicamente se chama racial profiling, ou seja, generalizar a toda uma etnia características de alguns dos seus membros. 

 

Embora a sua ligação a Loures tenha passado apenas por residir no Parque das Nações, que anteriormente pertenceu ao concelho, André Ventura sabe perfeitamente que Loures é racialmente um barril de pólvora, com ódios acumulados que a esmagadora maioria das pessoas ignora. Há uns anos quase houve uma guerra civil na Quinta da Fonte entre a comunidade africana e a comunidade cigana. O candidato apostou por isso num discurso contra os ciganos em ordem a captar os votos dos que têm queixas deles. A jogada é altamente perigosa e nunca deveria ocorrer numa campanha eleitoral, mas é evidente que vai render votos, podendo mesmo Loures vir a ser a única vitória eleitoral de relevo do PSD a 1 de Outubro.

 

O problema é que a vitória de André Ventura pode ser um terramoto nos partidos de centro-direita. Assunção Cristas fugiu a correr da coligação com o PSD em Loures, mas muitos dos seus militantes estão com André Ventura. Recorde-se que o CDS dirigiu a câmara de Ponte de Lima que em 1993 mandou pura e simplesmente expulsar os ciganos do concelho, obrigando à intervenção do Provedor de Justiça. Se Cristas nem sequer conseguir ser eleita vereadora em Lisboa, o que não é de excluir face às sondagens, dificilmente a sua liderança sobreviverá. 

 

A situação de Passos Coelho não é muito melhor. Uma vitória em Loures não minimizará uma derrota no resto do país, e pode legitimar André Ventura a concorrer à liderança do PSD, como ele próprio já assumiu. Aliás, é manifesto que André Ventura já está em tirocínio para o efeito, como se vê pelo facto de responder directamente a António Costa, de forma muito mais contundente que alguma vez Passos fez. A estratégia de Passos de desvalorizar as autárquicas, hoje claramente assumida pelo seu novo líder parlamentar Hugo Soares, não parece que possa ser do agrado dos militantes. As autárquicas significam muitos lugares para o partido, que tenderá a recompensar quem os consegue obter.

 

Passos Coelho diz que está tranquilo com o apoio a André Ventura. Eu pessoalmente não estaria. O fenómeno Trump, que conseguiu engolir sozinho o partido republicano e ser eleito presidente, deveria levar os partidos políticos a compreender quais as consequências de apostar nas figuras televisivas e mediáticas como candidatos eleitorais. Quem chama a raposa para o galinheiro corre o risco de ficar sem as galinhas.

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Não pode valer tudo

por Pedro Correia, em 19.07.17

Felicito Assunção Cristas, que acaba de dar uma lição de dignidade cívica ao PSD: em política, mesmo nestes tempos de populismo à solta e demagogia desenfreada, não pode  valer tudo para qualquer chico-esperto conseguir notoriedade e sacar votos, enquanto o partido arrecada os salutares princípios da tolerância e da moderação num armário fechado a sete chaves.

Francisco Sá Carneiro, o fundador do PPD-PSD, não teria agido de modo diferente: o primeiro dever de um político é evitar dar palco a escroques.

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Morde, Paulinho, morde

por Rui Rocha, em 06.05.17

- Bom dia, Doutor Proença.
- Bom dia. Com quem estou a falar?
- Sou o Paulo Baldaia, Doutor.
- ...
- O Director do DN...
- ...
- Sou o Paulo, Doutor. Do DN. O Paulinho...
- Ah, o Paulinho! Por que é que não disseste logo? Um dia destes tenho de gravar o teu número... Então diz lá, ó Paulinho...
- Era para ver se o senhor Doutor me deixava fazer uma noticiazinha de primeira página com a situação da candidatura do Rui Moreira e do PS no Porto...
- Tás maluco, ó Paulinho? Então mandei-te despedir o Alberto Gonçalves para agora... Vais lá chamar uma bronca dessas à primeira página...
- Não foi um despedimento, Doutor. Não era jornalista e...
- Paulinho!
- Desculpe, Doutor. Mas não ficará mal o DN ser o único a não dar destaque de primeira página ao assunto? Já quando foi dos sms do Centeno passámos uma vergonha tão grande...
- Pronto, ó Paulinho, fazemos assim: não vai para primeira página mas escreves tu um artigo a cascar no PS Porto para despistar.
- Combinado, Doutor. Mas então vou mesmo morder as canelas dos gajos.
- Morde, Paulinho, morde. Assim como assim já ninguém lê as merdas que escreves.

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Lisboa: a derrota anunciada

por Pedro Correia, em 21.03.17

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Pensei que o PSD iria apresentar uma candidatura autárquica em Lisboa que pudesse derrotar o actual presidente da câmara, Fernando Medina. Enganei-me. Afinal o PSD decidiu apresentar uma candidatura destinada a derrotar não o autarca socialista mas a candidata do CDS, Assunção Cristas, que se encontra  há seis meses em campanha.

Promete ser uma refrega muito renhida neste campeonato das equipas pequenas em que aposta a direcção nacional do PSD. No campeonato a sério, Medina – que já seria um oponente difícil – adquire assim o estatuto de imbatível apesar de ter optado por um modelo de gestão em Lisboa que privilegia quem nos visita em desfavor de quem aqui vive ou trabalha.

Sempre considerei que o actual presidente da câmara merecia ser desafiado por um adversário com sérias hipóteses de o derrotar nas urnas. Um adversário que o questionasse sobre o trânsito caótico, as obras intermináveis, os transportes entupidos, as derrocadas de prédios degradados, o parque habitacional caríssimo e cada vez mais inacessível para os lisboetas, a quantidade infindável de taxas e taxinhas.

O PSD, no entanto, abdicou de lhe dar luta. Preferiu escolher como oponente  a líder do CDS, medindo forças na ala direita do tabuleiro político em vez de se concentrar nos problemas de Lisboa. Torna-se assim num aliado objectivo dos socialistas na capital – o que aliás está longe de suceder pela primeira vez.

 

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas não teriam escolhido para encabeçar a sua lista de 2017 a dirigente que já integrou a lista de 2013, na segunda posição, saldando-se essa participação no maior fracasso de sempre do partido laranja na capital.

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas não teriam optado por alguém que surge como enésima escolha após terem sido sucessivamente anunciados e desmentidos na praça pública, durante meses a fio, nomes tão diversos como os de Pedro Santana Lopes, Jorge Moreira da Silva, Nuno Morais Sarmento, José Eduardo Martins, José Eduardo Moniz, Paulo Rangel, Maria Luís Albuquerque, Carlos Barbosa, José Miguel Júdice, Pedro Reis, Sofia Galvão e Teresa Morais.

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas teriam optado por alguém disponível para se entregar em regime de dedicação exclusiva à função autárquica em vez de se distribuir pela vice-presidência do partido, a bancada parlamentar e a presidência da Comissão de Finanças, Orçamento e Modernização Administrativa em São Bento.

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas não teriam optado por anunciar para o topo da sua lista em Lisboa alguém que, enquanto membro da vereação nestes quatro anos, faltou a dois terços das reuniões do executivo municipal.

 

Há derrotas políticas honrosas – as que ocorrem após um combate duro mas leal. Das outras não reza a história – aquelas que acontecem quando se baixa os braços e se abdica de ir à luta, trocando-se o campeonato principal pela divisão secundária. Como acaba de suceder com o PSD a seis meses da ida às urnas.

O PS só poderá sentir-se grato perante tanta gentileza. Espero que Medina já tenha remetido à sede da São Caetano à Lapa um cartãozinho a agradecer.

 

Leitura complementar: O cerco.

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Ano de autárquicas (5)

por Pedro Correia, em 15.03.17

 

"Educação: Costa trava reforma curricular por causa de autárquicas"

 

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Ano de autárquicas (4)

por Pedro Correia, em 14.03.17

 

Câmaras exigem 500 milhões para reparar estradas

 

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Ano de autárquicas (3)

por Pedro Correia, em 19.01.17

Câmara de Cascais toma conta dos transportes e baixa o preço dos passes. Hoje são apresentadas reduções nos passes intermodais que chegam até aos 25%

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Ano de autárquicas (2)

por Pedro Correia, em 10.01.17

Fernando Medina paga até 700 mil euros a empreiteiros para que as obras em Lisboa acabem mais cedo do que o previsto.

Os valores oscilam entre 1% e 10% do valor total da adjudicação.

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As baboseiras do Barbosa

por Pedro Correia, em 05.01.17

Leio no Público de hoje que Carlos Barbosa é hipótese para Lisboa, a encabeçar uma putativa lista social-democrata.

Que Carlos Barbosa, senhores do PSD?

O mesmo que concorreu em número dois na lista encabeçada por Fernando Seara para as autárquicas de 2013 que ditaram o pior resultado de sempre dos sociais-democratas na capital?

O mesmo que em Julho de 2013, enquanto vice-presidente do Sporting recém-eleito na lista liderada por Godinho Lopes, anunciou com irresponsável prosápia que o clube passaria a competir daí a um ano com o Barcelona, o Ajax e o Real Madrid, sete meses antes de abandonar aquelas funções por motivos que entendeu não divulgar?

Convém não menosprezar a inteligência dos eleitores de Lisboa na desesperada tentativa de disfarçar uma ausência total de estratégia política. Que outros coelhos saltarão desta cartola? Para pior já basta assim.

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Ano de autárquicas (1)

por Pedro Correia, em 04.01.17

Câmaras vão receber 79 milhões em juros.

Governo vai transferir para as câmaras municipais os juros de mora relativos ao pagamento de IMI e IMT dos últimos 12 anos. Lisboa é a câmara que mais tem a receber.

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Descubra as diferenças

por André Couto, em 26.05.14

(Proposta de reflexão)
Vamos pegar, por exemplo, no Concelho de Lisboa, e comparar os resultados dos dois resultados eleitorais recentes...


É só para mim que é óbvio o que as pessoas querem transmitir, no que diz respeito ao PS?

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D. Rui, o desejado

por Teresa Ribeiro, em 01.10.13

Se fosse só o Porto que ele tem nas mãos, não seria tão ciclópica a sua tarefa. Dá-se o caso de também ter as expectativas dos que já não se revêem nestes partidos e a esperança daqueles que acreditam que é da sociedade civil que há-de sair a solução ou, pelo menos, o exemplo inspirador.

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A extinção dos dinossauros.

por Luís Menezes Leitão, em 30.09.13

 

Se as eleições autárquicas serviram para alguma coisa foi para derrotar estrondosamente a estratégia suicida de candidatar dinossauros às câmaras vizinhas numa clara fraude à lei de limitação de mandatos, escandalosamente sancionada pelo Tribunal Constitucional. De facto, com as excepções de Ribau Esteves em Aveiro e Álvaro Amaro na Guarda, as candidaturas de dinossauros autárquicos foram estrondosamente derrotadas. Seara teve um resultado humilhante em Lisboa e Luís Filipe Menezes deixou que a Câmara do Porto fosse parar às mãos de um independente sem qualquer currículo político. De Fernando Costa em Loures e Moita Flores em Oeiras nem vale a pena falar. Para a próxima é bom que os partidos aprendam a lição e saibam sobrepor ao interesse pessoal dos candidatos a concorrer eternamente às autarquias o interesse público da renovação de mandatos. Se não o fizerem nunca conseguirão ter o respeito dos eleitores.

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Quem são os parolos?

por José Navarro de Andrade, em 23.09.13

O problema deve ser meu, terei perdido o sentido de humor, mas não consigo ver onde está a piada deste cartaz que tem feito rir tanta gente.

Será porque o candidato obviamente não teve dinheiro para recorrer aos preclaros serviços de uma agência de comunicação e só conseguiu produzir um cartaz tosco?

Ou será mesmo a questão do cemitério que dá vontade de gozar? Se for este o caso, confesso-me surpreendido. Um cemitério é um espaço finito e murado, rodeado de propriedade privada por todos os lados. Em certas aldeias e vilas mais antigas, é frequente a sobrelotação dos cemitérios. Ora como eles estão a cargo das Juntas de Freguesia e estas não nadam em dinheiro, é por vezes dificílimo alargar o cemitério. Se dissessem a um lisboeta que o pai tinha de ser enterrado em Almada porque não havia lugar nos cemitérios municipais de Lisboa, não creio que a família desatasse às gargalhadas...

Que a questão dos enterros tem alguma importância, prova-o, no séc. XIX, a Maria da Fonte, uma guerra civil cuja origem deveu-se, entre outras, à introdução de normas higiénicas que acabaram com as sepulturas dentro das igrejas ou ao lado delas, e obrigaram a construção de cemitérios lá longe, no meio do campo. Isto suscitou o horror das massas campesinas, que se ergueu na Patuleia. Há quem diga que esta palavra deriva etimologicamente de "patolo" ou seja, de tolo, rústico, ou parolo como diríamos hoje, mas há quem afrme que vem de "pata-ao-léu", ou seja a populaça de pé descalço.

Ambas as versões vão dar ao mesmo e vêm ter aos nossos dias - tal como no séc. XIX a burguesia urbana da lusitânia continua a fazer pouco de aldeões e vilões. Evoluiu pouco em quase 170 anos, eu acho... 

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Cromos no DN

por Teresa Ribeiro, em 17.09.13

Gosto, para variar, de ver num jornal investigação e não a agenda do governo e dos partidos. Só de uma opinião pública forte poderá emergir uma sociedade civil influente e nada disto é possível sem a intervenção cívica dos media. Jornalismo é serviço público, por isso saúdo a iniciativa Grande Investigação que o DN lançou há vários meses e que agora retoma em força a propósito das autárquicas.

Não estou a conseguir fazer o link para a reportagem que hoje se publica neste jornal sobre o modus operandi de alguns dos nossos autarcas, suas ligações e expedientes, mas recomendo. É bom conhecermos os cromos que os partidos políticos põe ao "serviço" de todos nós e da pátria antes de decidir como votar.

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Num discurso memorável, proferido em 25 de Abril de 2013, em plena Assembleia da República, o espaçoso Amorim, esse que como se comprova na imagem nem Gaia pode parar, deixou à posteridade, para além de tudo o mais e de uma citação de Habermas bem jeitosa (ah pois é!), dois fabulosos páragrafos que incluem uma desafiante questão:

Numa imagem erradamente atribuída a Benjamin Franklin, a democracia formal é vista como uma votação em que dois lobos e um cordeiro decidem qual será o seu almoço – a fábula costuma ensinar que a liberdade consiste em dotar o cordeiro de instrumentos capazes de impedir a decisão óbvia, valorizando o papel da liberdade como meio de defesa das minorias e dos mais débeis.

Só que resta um problema a solucionar – afinal, qual será o almoço? É precisamente aí que o consenso encontra o seu papel primordial na ordem democrática. Sobretudo, em épocas de aflição coletiva como aquela em que estamos. 


Pois bem. A questão está respondida. O tal almoço era em Fátima. E, embora a notícias não esclareça, é bem provável que o prato principal tenha sido cordeiro. 

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A limitação de mandatos autárquicos.

por Luís Menezes Leitão, em 12.08.13


É evidente que o espírito da lei de limitação de mandatos é impedir que a função de Presidente de Câmara seja sistematicamente ocupada pelas mesmas pessoas, impondo por isso a substituição dos titulares. Ora, substituir os titulares significa naturalmente arranjar pessoas diferentes para esses lugares. Pôr os dinossauros autárquicos apenas a saltitar de câmara em câmara constitui uma manifesta fraude à lei, que nunca os tribunais poderiam admitir. As candidaturas autárquicas do PSD estão por isso a ser sistematicamente derrubadas nos tribunais, o que fragiliza totalmente os candidatos, que agora se limitam a esperar que o Tribunal Constitucional os salve. Mesmo que tal venha a acontecer, todos os candidatos sairão altamente fragilizados, e o resultado eleitoral será um desastre. O caso será especialmente grave em Lisboa onde o candidato proclama ter os dois pés mas simultaneamente exibe o seu rosto na campanha em Sintra. A campanha autárquica está a ser assim completamente conduzida com os pés. E a procissão ainda vai no adro.

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O que não faz sentido

por Pedro Correia, em 03.07.13

A aparente ruptura da coligação a nível nacional, por assinalável coincidência, ocorreu 24 horas depois de o Conselho Nacional do CDS ter aprovado a formação de 102 coligações com o PSD ao nível autárquico. Se houver eleições antecipadas para a Assembleia da República, eventualmente no mesmo dia das eleições locais, teremos este paradoxo instalado na direita portuguesa: de braços abertos nas autárquicas, de costas voltadas nas legislativas.

Como escreveu Fernando Pessoa, num dos seus cáusticos poemas sobre Salazar, "o que não faz sentido é o sentido que tudo isto tem".

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Um desastre anunciado.

por Luís Menezes Leitão, em 28.06.13

 

Sempre achei que a restrição da lei de limitação de mandatos era relativa à função e não ao território. Mas, mesmo que esta interpretação seja contestável, perante uma lei duvidosa a atitude mais prudente é considerar que vai vigorar a interpretação da lei mais contrária aos nossos interesses. É uma atitude que os práticos do direito costumam chamar de "jurisprudência das cautelas". Infelizmente o PSD não quis seguir essa prudência elementar e decidiu embarcar na aventura de candidatar às principais autarquias do país pessoas que se arriscavam a ver a sua candidatura rejeitada pelos Tribunais. Como seria de esperar, alguns Tribunais rejeitaram essas candidaturas, e declararam em providências cautelares Fernando Seara e Luís Filipe Menezes impedidos de concorrer. Esses autarcas, no entanto, insistiram em manter as suas campanhas, confiando que o Tribunal Constitucional os viesse salvar, posição que aliás alguns Tribunais também defenderam, considerando-se incompetentes para julgar a questão e remetendo a decisão para o Tribunal Constitucional.

 

Só que o Tribunal Constitucional acaba de lançar um balde de água fria sobre esta posição. Uma vez que não está em causa uma questão de constitucionalidade, mas de mera interpretação de uma lei, acaba de se declarar incompetente para decidir sobre o assunto, rejeitando o recurso que foi interposto. Fernando Seara e Luís Filipe Menezes perdem assim a esperança de ver revogadas as providências cautelares que os abrangeram e vêem as suas candidaturas naufragar ainda antes de se terem iniciado. Quanto aos outros candidatos, mesmo que não sejam abrangidos por providências, correm o risco de verem as suas candidaturas rejeitadas aquando da sua apresentação, podendo qualquer Tribunal decidir como entender, já que o Tribunal Constitucional não irá uniformizar a questão.

 

Tudo isto era mais que previsível e foi previsto pelo PS que, perante uma lei dúbia, não recandidatou nenhum autarca nessas condições. Continuo sem perceber que teimosia levou o PSD a embarcar numa aventura de que sairia sempre mal. Será mais importante atender aos interesses de recandidatura dos dinossauros autárquicos ou aos interesses de todo o partido em vencer as eleições autárquicas?

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 22.06.13

«O poder político teve a maior responsabilidade por não clarificar atempadamente a lei [de limitação de mandatos autárquicos]. Depois os tribunais vão tomando decisões contraditórias, gerando o caos sobre o tema. Pessoalmente, acho que impedir os autarcas de se candidatarem noutras autarquias se traduz numa limitação excessiva dos direitos políticos de que todos devemos gozar. Portanto, o que penso é que o parlamento devia rapidamente esclarecer a lei. O que, a não ser feito, tem como resultado o desprestígio de todos: dos políticos e dos tribunais.»

Daniel Proença de Carvalho, em entrevista ao i

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Uma questão de direitos fundamentais

por Pedro Correia, em 21.06.13

As eleições autárquicas deste ano estão a ser dominadas não pela política mas pelos tribunais, forçados a substituir-se à Assembleia da República na interpretação da lei que estabelece um limite de três mandatos consecutivos aos presidentes das câmaras municipais.

Na falta de uma definição exacta da lei, o que constitui um sinal de evidente descrédito do Parlamento, cada juiz vem decidindo à sua maneira. Em Lisboa e no Porto entende-se a proibição como irrestrita: quem exerceu funções em Gaia não pode candidatar-se na outra margem do Douro, quem foi autarca em Sintra não poderá sê-lo na capital. Muito diferente é o critério dos tribunais de Évora, Guarda, Loures e Tavira: aqui os juízes fazem uma interpretação restritiva da lei, considerando que só pode abranger o município onde já foi desempenhada a função autárquica. É este, de resto, o entendimento da maioria dos partidos representados na AR: só o Bloco de Esquerda defende a tese oposta.

 

Um dos vícios deste debate é travá-lo em função dos protagonistas concretos, transformando-o em discussão política. Mas importa que não seja desviado do seu terreno, que é o dos direitos. Sabendo-se que nenhum direito é absoluto, a sua restrição deve porém ser entendida sempre como excepção e não como regra.

Havendo dúvidas na interpretação da lei, custa-me entender que em matéria de direitos os juízes decidam fazer interpretações extensivas - ou seja, vendo nelas o que não vem lá expressamente mencionado.

Se a moda pega, à luz destas interpretações, começamos hoje por restringir o direito dos partidos a apresentar candidaturas e amanhã veremos também tribunais comuns a comprimir os direitos de reunião, de expressão e de manifestação, a liberdade de imprensa e o exercício do direito à greve. Nestas coisas sabe-se sempre como se começa mas nunca como se acaba...

 

Por tudo isto, revejo-me naturalmente nas decisões dos tribunais de Évora, Guarda, Loures e Tavira. E considero, pelo contrário, que as decisões dos juízes em Lisboa e no Porto, dando provimento às participações do Movimento Revolução Branca, são uma preocupante compressão de direitos políticos que a lei não prevê e a jurisprudência não pode consagrar. Sob pena de, daqui para a frente, tudo passar a ser revisto, numa óptica restritiva, em matéria de direitos, liberdades e garantias.

Tenho a certeza que será este mesmo o entendimento do Tribunal Constitucional, na linha da argumentação já expressa por Vital Moreira. Sejam quem forem os protagonistas das candidaturas autárquicas. Porque esta é uma questão de direitos fundamentais.

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Uma campanha triste.

por Luís Menezes Leitão, em 21.06.13

 

 

Mais uma vez um tribunal, desta vez o Tribunal da Relação, confirmou a clara ilegalidade da candidatura aos municípios vizinhos de autarcas que ultrapassaram o limite de mandatos. Mas, contrariando tudo o que prometeu, Fernando Seara vai desrespeitar as decisões judiciais e iniciar uma campanha que foi impedido de conduzir. Acho espantosa a teimosia com que o PSD se decidiu meter neste enredo de onde era evidente que não poderia sair bem. Mesmo que o Tribunal Constitucional decida, contra todos os outros tribunais, salvar a sua candidatura, é óbvio que o mal está feito, já que ninguém em Lisboa acredita neste momento que Seara possa levar a água ao seu moinho.

 

Esta situação é dramática para os lisboetas que se verão impedidos de ter uma candidatura que possa derrotar a pior gestão da Câmara de Lisboa desde tempos imemoriais. Isto já para não falar do descrédito total da classe política, vista pela opinião pública como absolutamente incapaz de respeitar os tribunais e acatar as suas decisões, mesmo quando se trata de aplicar uma lei que foram os próprios políticos a fazer.

 

Mas há uma coisa boa que resulta desta campanha triste em Lisboa. Enquanto que nos concelhos vizinhos se multiplicam os cartazes de propaganda, com enorme impacto visual nas cidades, a nossa linda cidade tem sido poupada a isso, não tendo até agora aparecido um único cartaz de propaganda. Era bom que todas as campanhas eleitorais fossem assim.

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Sondagens para as autárquicas

por Rui Rocha, em 02.06.13

A Norte, as próximas eleições autárquicas prometem ter alguma piada. Em Braga, onde voto, o delfim de Mesquita Machado pode afogar-se. De momento não há esquina da cidade, acto público ou notícia do pasquim do PS em que Vítor Sousa, o escolhido do dinossauro bracarense, não apareça em pose de nababo. Só falta termos a fotografia do dito nos autocarros dos TUB (Transportes Urbanos de Braga) mas algo me diz que esse risco não corremos. Apesar de todo o investimento na imagem de Vítor Sousa (e meu Deus, como ele precisa) é capaz de não ser suficiente. Oxalá. Ricardo Rio, que se candidata pela 3ª vez pelo PSD, parece ser um tipo em quem se pode votar sem necessidade de recorrer às reservas de Alka Seltzer.  No Porto, Menezes, essa espécie de Sócrates regional do PSD, não tem vitória assegurada. O PS, honra lhe seja feita, contribui como pode para que Rui Moreira tenha algumas hipóteses, apresentando um candidato em forma de nulidade. Em Gaia, o nórdico Carlos Abreu Amorim parece ter o bilhete de regresso a lugar nenhum, onde mais ou menos se encontrava, razoavelmente assegurado. Mais tarde ou mais cedo, com os dotes que se lhe vão conhecendo, acabará por colocar o cabelo louro e os olhos azuis ao serviço da comunidade, substituindo Manuel Serrão num programa de análise de incidências futebolisticas. A propósito de futebol, o Fernando Moreira de Sá que não tem profissionalmente, como se sabe, nada a ver com tudo isto, acordou hoje mais cedo para reflectir sobre sondagens, estabelecendo um magistral paralelismo entre as previsões que surgiram para Porto e Gaia e as que foram apresentadas para as  eleições no Sporting. As guerras são assim  e quando um tipo está no campo de batalha acorda à hora a que for preciso. No que a isto diz respeito, recolhamo-nos em silêncio que há por aqui gente a lutar pelo seu modo de vida. E esperemos, entretanto, pelo evoluir da situação. A política não é o lugar ideal para darmos consolo ao nosso sentido de justiça. Mas, por uma vez, nas autarquias que, por um motivo ou por outro, me são mais próximas, as coisas não parecem estar completamente desencaminhadas.

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Vamos lá, rapaziada

por Rui Rocha, em 14.05.13

Momento 1:

 

Publicação no TAF da seguinte nota:

 

Leio hoje no Público"Em vésperas de extinção Gaianima faz ajustes directos de 130 mil euros." "Os contratos foram feitos com as empresas NextPower Comunicação Lda e com a Boston Media Comunicação Imagem SA".

Conheço relativamente pouco as máquinas partidárias, mesmo a do PSD, mas nesta notícia (além do relato preocupante de um ajuste directo numa empresa municipal) o nome da empresa "NextPower" soou-me familiar e fui investigar. Confirmou-se. Segundo o seu perfil do LinkedInFernando Moreira de Sá (julgo que militante do PSD), um activo apoiante de Luís Filipe Menezes e de Carlos Abreu Amorim, é CEO da NextPower e de outra empresa chamada Comunicatessen. Constatei também que os domínios oficiais na Internet das campanhas para o Porto e para Gaia foram registados em nome da Comunicatessen. Daí que surja naturalmente a pergunta: é afinal a Gaianima (empresa municipal de Gaia presidida por Ricardo Almeida, também presidente da Concelhia do PSD/Porto) que está a pagar as campanhas de Menezes e de Amorim?

 

Momento 2:

 

Miguel Noronha faz eco no Insurgente da nota publicada no TAF.

 

Momento 3:

 

Fernando Moreira de Sá responde no post de Miguel Noronha.

 

Com especial interesse, sublinhem-se

 

3. A Nextpower não trabalha a campanha de Carlos Amorim que, aliás, nem tem nenhuma empresa de comunicação a trabalhar com ele mas sim um assessor de imprensa que nunca trabalhou em agências…

 

11. Por último, deixo uma pergunta: acham que seria assim tão estúpido para fazer tudo às claras se existisse alguma coisa a esconder? Não acham, no mínimo, estranho?

 

Extremamente interessantes são também alguns dos comentários feitos por leitores do post do Miguel Noronha. Quanto ao ponto 3 da resposta de Fernando Moreira de Sá, importa ter em conta o que se dirá no Momento 4. Já no que diz respeito ao ponto 11, devo desde já salientar que é um argumento tão imbecil que dificilmente se compreende que seja utilizado por alguém que faz da comunicação e da mensagem a sua profissão. 

 

Momento 4:

 

Leitor do post de Miguel Noronha, perante a afirmação do ponto 3 da resposta de Fernando Moreira de Sá recorda que aqui está a time-lapse final da apresentação do candidato Carlos Abreu Amorim (Gaia não pode Parar). Um trabalho que nos orgulha.” – NextPower Norte.


Momento 5:

 

Este vosso servidor tenta contribuir modestamente com a transcrição de uma passagem que encontrou por aí e que também pode ter o seu interesse no esclarecimento do ponto 3 da resposta de Fernando Moreira de Sá:

 

A equipa de comunicação digital da candidatura de Carlos Abreu Amorim/Gaia Não Pode Parar lançou a primeira time-lapse de um evento de apresentação de uma candidatura autárquica em Portugal nas redes sociais.


Publicada na página Vimeo da candidatura e mais tarde partilhada na respetiva página de facebook e twitter, este vídeo resumo em pouco mais de 30 segundos as duas horas e meia do evento realizado no passado sábado nas Caves Ferreira, em Vila Nova de Gaia.

Segundo os seus criadores, a SpinFilmes/Nextpower Norte, a mesma foi filmada com duas diferentes câmaras GoPro (GoPro Hero2 e a mais recente GoPro Hero3) colocadas em dois locais específicos do espaço.

Segundo os autores deste trabalho, "a aposta nas redes sociais permite, de forma mais económica, conseguir passar a mensagem a milhares de pessoas. Estas serão as primeiras eleições autárquicas em Portugal onde o digital e em especial as redes sociais, vão ter um papel muito especial".

A Spinfilmes/Nextpower Norte, segundo dados da empresa, está a gerir, em termos de comunicação digital, mais de uma dezena de perfis de facebook relacionados com as próximas eleições autárquicas.

 

Conclusão preliminar

 

Sim, podíamos investir o nosso tempo discorrendo longamente sobre o momento e a oportunidade em que estas coisas surgem, trazendo ao caso máximas populares sobre comadres e as suas zangas ou aproveitando para salientar que é incrível como se escreve mal em certas actividades de "comunicação". Exacerbadamente rigorosos que fôssemos e até bateríamos no peito com indignação arengando sobre a utilização do dinheiro dos nossos impostos, as funções sociais do Estado ou a taxa de solidariedade imposta aos pensionistas. Claro que nada disto vale a pena. Resta-nos emigrar para longe desta porra toda ou ficar, fazermo-nos de parvos, e cantar com o Emanuel. Vamos lá, rapaziada:

 

 

 

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Daqui por uns milhares de anos, os arqueólogos concluirão com algum espanto que a extinção de uma certa espécie de dinossauros ficou a dever-se ao efeito dos tribunais e que o fenómeno ocorreu no final da era Menezosóica. 

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E vão dois.

por Luís Menezes Leitão, em 15.04.13

 

Depois de Fernando Seara é agora Luís Filipe Menezes que é impedido pelos tribunais de se candidatar à Câmara do Porto. Não sei sinceramente o que passou pela cabeça dos estrategas autárquicos do PSD, ao insistir nesta estratégia de recandidatar dinossauros autárquicos em câmaras distintas. Isto dá para a opinião pública uma imagem desastrosa de total incapacidade de renovação do partido, quando havia tantos jovens quadros capazes de apresentar candidaturas com hipótese de vitória. Mas ao mesmo tempo dá uma imagem de hipocrisia e de inconsistência. Costuma dizer o povo que quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele. Se o PSD queria candidatar os seus autarcas até à eternidade, nunca poderia ter aprovado uma lei de limitação de mandatos. Se a aprovou, é manifesto que depois não a poderia tornear, procurando deslocar os seus autarcas de concelho para concelho. Tal representa uma autêntica fraude à lei que muito provavelmente os tribunais não sancionariam. E em qualquer caso é uma estratégia politicamente suicida pôr os candidatos a combater os tribunais em lugar de combater os seus adversários. Só de facto quem se está a lixar para as eleições é que pode apresentar uma estratégia semelhante. Insistir nela é provocar o desastre.

 

P.S. Faço esta apreciação independentemente da avaliação do mérito dos candidatos. Na verdade, se não existisse este problema, Seara seria um bom candidato a Lisboa. Já Menezes, pelo contrário, parece-me ser um péssimo candidato ao Porto. Como já observei aqui, achei desastroso ele ter aparecido, depois de anos de gestão equilibrada de Rui Rio, a propagandear as virtudes do despesismo autárquico, prometendo fazer três novas pontes e um túnel no Porto. Se esta decisão judicial contribuir para que surja uma candidatura com propostas mais adequadas ao momento em que vivemos, estou seguro que os portuenses agradecerão.

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Perguntar não ofende

por Rui Rocha, em 06.02.13

Se um presidente de câmara que atinge o limite de mandatos num determinado concelho pode candidatar-se a funções idênticas num concelho limítrofe, pergunto-me se não seria possível o Rui Moreira candidatar-se simultaneamente à presidência das câmaras municipais do Porto e de Gaia. Não sei, digo eu.

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Leio que anda por aí muita indignação com a deslocalização do Praça da Alegria e o corte de financiamento das actividades da Casa da Música. Pelo visto, há até quem proponha a realização de uma manifestação nos Aliados, uma espécie de 15 de Setembro com pronúncia do Norte. Tenho dificuladade em avaliar os fundamentos que levam a tais posições. Mas, de uma coisa estou certo. Se existe situação que justifica um levantamento popular, essa é a indicação pelo PSD de Menezes e de Marco António Costa como candidatos às Câmaras Municipais do Porto e de Gaia. Sejamos sinceros. Isto não se faz a ninguém, carago! 

 

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Apelo público ao CDS

por José António Abreu, em 26.11.12

Vá lá, arranjem alguém que se oponha a Luís Filipe Menezes na corrida à presidência da Câmara Municipal do Porto. Pode ser Rui Moreira (excessivamente portista para os meus gostos mas, enfim, nem eu estou isento de defeitos), pode ser outra pessoa – não caiam é na asneira de se deixarem colar a um dos símbolos da irresponsabilidade orçamental que assolou este país nos últimos (muitos, demasiados) anos.

E, aproveitando estar com a mão na massa, peço-vos que façam o mesmo em Vila Nova de Gaia se o candidato do PSD for o... o... (caramba, nem tenho adjectivos)... Marco António Costa. Evitem-me um comportamento que detesto: votar em branco.

Muito obrigado.

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A terceira via

por Rui Rocha, em 18.10.12

José Castelo Branco anuncia entrada na política.

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Menezes ameaçador

por João Carvalho, em 13.09.12

 

Durante uma intervenção na SIC-N, Luís Filipe Menezes anunciou ontem à noite que vai deixar a câmara de Gaia — que se diz ser a mais endividada do País — para se candidatar à câmara do Porto. Esta ameaça de Menezes a somar ao facto de os portuenses também serem atingidos pelo agravamento da austeridade confirmam um dito histórico que está agora a preocupar os tripeiros: um mal nunca vem só.

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Uma dúvida, uma certeza e um desejo

por Ana Lima, em 03.07.12

Ora, vejamos o que esta notícia me suscita:

 

uma dúvida: qual a faceta que lhe vai ser mais útil para suceder a Isaltino? A de inspector da Polícia Judiciária; a de comentador de casos de polícia ou a de escritor de obras de ficção?

uma certeza: não gastará tanto tempo e dinheiro em deslocações uma vez que os estúdios da SIC ficarão muito mais perto;

um desejo: que traga para Oeiras um dos meus restaurantes favoritos.

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Ainda os Independentes

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 20.10.09

Concordo com quase tudo o que o Carlos Barbosa de Oliveira diz, logo abaixo, sobre os Independentes nas candidaturas autárquicas. Até nos casos concretos que apontou, mesmo quando os visados são pessoas por quem tenho estima. Mas, tal como ainda ontem à noite referi no 'Porto Canal', quem adere voluntariamente a um partido não tem o direito de se candidatar contra ele e fazer de conta que não aconteceu nada.

Ainda assim, há que distinguir, aqui, dois planos. Em Matosinhos, nada - a não ser a obsessão de continuar a ser o "Senhor de Matosinhos" - justificava a candidatura de Narciso Miranda contra o seu sucessor e camarada e compadre Guilherme Pinto. Em Valongo a situação é outra: Maria José Azevedo foi, em 2005, a candidata do PS à Câmara de Valongo, teve um excelente resultado e um bom desempenho como vereadora da oposição. Natural seria, por isso, que as estruturas do PS lhe renovassem o voto de confiança. Creio, aliás, que se Maria José tivesse sido a candidata do PS, poderia, desta vez, ter a vitória assegurada, contra um desgastado Fernando Melo (PSD).

Se no caso de Matosinhos talvez não houvesse nada a fazer, no caso de Valongo a história é outra. As estruturas concelhia e distrital do PS denotaram manifesta inabilidade ou, então, foram determinadas por motivos que nos escapam. E que têm a ver com a lógica da "mercearia" partidária - essa coisa pérfida que inquina a democracia.

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A leal muleta

por Pedro Correia, em 14.10.09

Os Verdes, numa tentativa de provar que existem, emitiram um comunicado em que lamentam a perda para o PS de alguns municípios, como o de Beja, "nem sempre de forma democraticamente leal". Não percebo o que significa esta insinuação do leal parceiro do Partido Comunista. Eu, por mim, considero que é algo 'democraticamente desleal' um partido político nunca concorrer a uma eleição sem ser como muleta de outro.

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Autárquicas (14)

por Pedro Correia, em 13.10.09

  

MAIS DEZ EVIDÊNCIAS POLÍTICAS

 

1. Pela primeira vez, o PS obtém um triunfo autárquico global nos Açores.

 

2. Significativas vitórias do PS à CDU em Beja, Monforte, Aljustrel e Marinha Grande.

 

3. O histórico socialista Narciso Miranda, agora como independente, falhou a aposta em Matosinhos.

 

4. Moita Flores, pelo PSD, amplia a maioria em Santarém depois do corte com Manuela Ferreira Leite.

 

5. A península de Setúbal resiste como reduto da CDU. Maria das Dores Meira é agora a única autarca comunista numa sede de distrito.

 

6. Uma vitória inesperada: Inácio Ribeiro (PSD/CDS) em Felgueiras. Fátima perdeu.

 

7. Isaltino Morais, sem concorrentes à altura, desafiou os estados-maiores partidários com nova vitória, mais folgada. E desafiou a justiça com o apoio dos eleitores.

 

8. Manuel Moreira (PSD/CDS) tirou de vez Avelino Ferreira Torres do mapa político de Marco de Canaveses. Um acto de elementar higiene política.

 

9. Nomes a fixar: Jorge Botelho (PS-Tavira), Vítor Alves Mendes (CDS-Ponte de Lima), Raul Castro (PS-Leiria), Jorge Pulido Valente (PS-Beja).

 

10. Cavaco Silva fez bem em separar as eleições legislativas das locais. Para não subalternizar as campanhas autárquicas. O Bloco de Esquerda e o CDS devem agradecer: foram os principais beneficiários. O PSD e o PCP, partidos com maior vocação autárquica, foram os que mais perderam com a separação dos escrutínios: convinha-lhes que as eleições locais se tivessem realizado em simultâneo com as legislativas.

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