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O regresso do corredor de fundo

por Pedro Correia, em 12.03.16

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Foto Manuel de Almeida/Lusa

 

António José Seguro fez ontem anos. Mas recebeu a prenda de aniversário na véspera, com uma enchente na sessão de apresentação do seu livro que ultrapassou certamente as melhores expectativas, tanto do autor como dos responsáveis da sua editora, a Quetzal.

Cheguei à Universidade Autonoma à hora assinalada, 18.30. Já não consegui entrar no duplo auditório, cheio até à porta. Outro auditório, em que foi instalado um plasma destinado a acompanhar a sessão, encheu também. E o corredor e vestíbulo anexos transbordavam de gente à procura do livro e de uma oportunidade para rever o ex-líder socialista.

Muitos não conseguiram. À hora aprazada os exemplares postos à disposição do público pela editora já se tinham esgotado. Veio outra remessa, que voou igualmente em poucos minutos. E teve de vir uma terceira para muitos enfim adquirirem a obra, aguardando um autógrafo.

Bem à portuguesa, não tardaram as piadas. "Ao menos este livro tem compradores reais, ao contrário do que sucedeu com outro", dizia alguém, logo suscitando gargalhadas em redor. O ambiente era de confraternização e bonomia. "Isto vale mais do que uma sondagem", anotava um ex-deputado socialista.

 

Não havia apenas gente do PS. Apareceram o ex-Presidente da República António Ramalho Eanes, apontado por Seguro como figura exemplar da democracia portuguesa. E sociais-democratas como Pedro Santana Lopes, Aguiar-Branco, José Matos Correia, Duarte Pacheco. E democratas-cristãos como Mota Soares, Diogo Feio, Nuno Magalhães. Comunistas no activo, como António Filipe, que tive o prazer de cumprimentar. E ex-comunistas, como Cipriano Justo. E Luís Fazenda, do Bloco de Esquerda. Além de vários independentes, como António Bagão Félix, Luís Moita, Henrique Monteiro, João Bilhim e Viriato Soromenho-Marques, um dos apresentadores do livro.

Mas, claro, a grande maioria dos presentes vinha das fileiras socialistas - políticos no activo ou antigos deputados e ex-dirigentes federativos: não via muitos deles há anos, falei com vários como se nos tivéssemos encontrado de véspera. Francisco Assis, Jorge Coelho, Alberto Martins, Álvaro Beleza, Carlos Zorrinho, José Magalhães, Manuel Machado, Vítor Baptista, António Braga, Ricardo Gonçalves, Fernando Jesus, Jamila Madeira, António Galamba, Óscar Gaspar, Manuel dos Santos. Ferro Rodrigues não faltou. Do Governo estavam os ministros João Soares e Manuel Caldeira Cabral, e os secretários de Estado José Luís Carneiro e Jorge Seguro.

Revi amigos de longa data, como o Aloísio Fonseca e o Carlos Pires. E cumprimentei também com gosto o Luís Bernardo, um dos maiores experts portugueses em comunicação: raras pessoas conhecem tão bem o PS por dentro como ele.

 

Entre a multidão nem consegui falar ao editor. Mas o meu amigo Francisco José Viegas só podia estar satisfeito. Vou a muitas sessões de lançamento de livros e garanto-vos que não é vulgar haver uma atmosfera como esta - em número e diversidade de pessoas, e em genuíno interesse pela obra, que condensa o essencial da tese de mestrado do ex-secretário-geral socialista na Autónoma, sob o título A Reforma do Parlamento Português.

Seguro mereceu esta prenda de aniversário antecipada: corredor de fundo em vez de velocista, é um dos políticos com mais qualidades humanas que conheço. O abraço que por falta de tempo não pude dar-lhe nesse início de noite de quinta-feira segue agora aqui.

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Recordar é viver

por Rui Herbon, em 05.10.15

Ao contrário de Sua Excelência o Sr. Presidente da República, que nunca se engana e raramente tem dúvidas, eu tenho sempre muitas dúvidas mas raramente me engano. Escrevi aqui, em 02.04.2014:

 

Esquecem-se que as eleições se ganham ao centro, e descobrirão, por certo com grande espanto e após uma vitória mínima nas europeias e uma derrota nas legislativas, que boa parte do eleitorado que pode votar socialista, cá como em França, não o é de facto.

 

O líder era então António José Seguro e, ao contrário da maioria, sempre acreditei que Costa, com a tralha socrática e os garotos irresponsáveis atrás (lembram-se do pateta que queria fazer tremer os banqueiros franceses e alemães ameaçando não pagar a dívida, quando a maior parte desta estava nas mãos de bancos portugueses e espanhóis?), radicalizaria o partido e teria um resultado ainda pior. Voilá!

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Adivinhem quem veio para jantar

por Rui Herbon, em 05.10.15

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Como o PS mudou

por Pedro Correia, em 04.10.15

Com António José Seguro, os socialistas ganhavam poucochinho. Com António Costa, perdem muitinho.

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Fizeram-lhe bem as punhaladas.

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Where have you gone, Seguro?

por Pedro Correia, em 25.09.15

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Maio de 2014: As eleições para o Parlamento Europeu deram uma vitória indiscutível ao PS, a segunda depois de ter conquistado, nas últimas autárquicas, a liderança em 150 municípios.

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O último a rir.

por Luís Menezes Leitão, em 19.06.15

 

Em oito meses, o PS de Costa é apanhado pela coligação.

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Avançar às arrecuas

por Pedro Correia, em 17.04.15

António Costa tem-se esforçado. E os resultados estão à vista. Quase um ano depois, o PS praticamente iguala as sondagens que obtinha no tempo do líder anterior, António José Seguro. Falta apenas meio ponto percentual para atingir os 38% de Seguro em Maio de 2014, o mês em que Costa anunciou que pretendia derrubar o antecessor. Tudo porque a vitória do partido nas europeias, com 3,7% de avanço sobre a coligação PSD/CDS, lhe tinha "sabido a pouco".

Lamentavelmente, esse avanço encolheu entretanto: de acordo com o barómetro da Eurosondagem, o PS só reúne hoje mais 2,8% do que a soma dos partidos da actual coligação (26,7%+8%). Uma diferença que, aliás, se insere na margem de erro da sondagem.

Saberá a pouco? O melhor desta vez é fazer a pergunta a Seguro. Para variar.

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Com Seguro o PS não cresce

por Pedro Correia, em 16.01.15

Ouvíamos há um ano a frase que pus em título a propósito do anterior secretário-geral socialista, proferida com insistência por uma multidão de sábios comentadores políticos.

Finalmente Seguro abandonou o Largo do Rato e agora tudo mudou.

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A viola no saco

por Pedro Correia, em 25.11.14

Todos aqueles que ainda há ainda bem pouco criticavam duramente António José Seguro por pretender romper com o "legado" de José Sócrates no Partido Socialista metem a partir de hoje, oficialmente, a viola no saco. Incluindo Ferro Rodrigues, que há escassas três semanas tributou um rasgado elogio a Sócrates no plenário da Assembleia da República. Incluindo Ascenso Simões, que há menos de um mês exigia ver a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo a reluzir na lapela do ex-primeiro-ministro.

Seguro só cometeu um pecado, fatal em política: teve razão antes do tempo.

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Motivo de orgulho

por Pedro Correia, em 08.10.14

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 Foto Daniel Rocha/Público

 

António José Seguro Seguro renunciou hoje ao lugar de deputado na Assembleia da República depois de ter decidido sair do Conselho de Estado. Tudo em consequência da recente eleição interna em que saiu derrotado.

Abandona a cena política amargurado, certamente. Mas tem desde logo um motivo para se orgulhar: lega ao PS o mais concorrido processo de participação eleitoral de que há memória numa força política portuguesa, alargando a escolha do líder (embora erradamente, a meu ver, designada de "candidatura a primeiro-ministro") a militantes sem quotas em dia e a cidadãos sem filiação partidária.

Este processo, em que se inscreveram 150 mil pessoas, torna-se a partir de agora não apenas património do PS como do conjunto da política nacional. Algo apenas semelhante ao já ocorrido no Partido Socialista Francês nas primárias de 2011, que mobilizaram quase três milhões de eleitores e serviram de trampolim para a chegada de François Hollande ao Palácio do Eliseu um ano depois, e nas primárias de 2013 do Partido Democrático italiano, ganhas pelo actual chefe do Governo, Matteo Renzi.

Nem o Partido Socialista Operário Espanhol, na sua campanha interna do Verão passado, foi tão longe.
Bastaria isto para ficar como marca positiva do mandato de Seguro no Largo do Rato. Estou convencido, aliás, que os restantes partidos em Portugal caminharão inevitavelmente na mesma direcção: precisam de abrir-se à sociedade, não podem continuar fechados sobre si mesmos. A começar pelo PSD.

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Penso rápido (53)

por Pedro Correia, em 29.09.14

António Costa falhou o primeiro passo na construção da unidade do partido quando ontem à noite, no discurso da vitória eleitoral, ignorou o nome de António José Seguro. Esta omissão não honrou as melhores tradições do sistema democrático, onde tão importante como saber perder é saber ganhar.
O futuro secretário-geral precisará dos seguristas para construir a nova maioria que ambiciona. Inútil fazer charme para fora das fronteiras do PS enquanto não assegurar a unidade interna.
Concorde-se ou discorde-se da sua actuação e do seu estilo, Seguro liderou o partido durante mais de três anos muito difíceis, em que mais ninguém se dispôs a fazê-lo. Três anos muito difíceis devido ao estado de emergência financeira em que Portugal se encontrava. Três anos muito difíceis para o PS enquanto partido da oposição num quadro político dominado pelo memorando negociado e assinado pelos próprios socialistas quando ainda eram governo, antes do mandato de Seguro. Três anos em que, apesar disso, o PS registou três vitórias eleitorais -- nas regionais açorianas, nas autárquicas e nas europeias.
Há uma tendência crescente para a perda de memória na política portuguesa. Até por isso convém ir lembrando alguns factos essenciais. Como estes.

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A continuidade e a mudança

por Pedro Correia, em 23.09.14

 

1. Foi o terceiro. E o último. E, de longe, o pior debate dos três que opuseram os "candidatos a primeiro-ministro" nas hostes socialistas. Com António José Seguro e António Costa falando grande parte do tempo em simultâneo, em tom exaltado, sobrepondo os discursos. Não sei o que se passou convosco: eu não consegui perceber várias frases que proferiram no estúdio da RTP. João Adelino Faria, o moderador, tinha consciência disso mesmo e tentou aplacar os ânimos. Infelizmente sem sucesso.

2. Custa entender tanta animosidade pessoal num partido onde grande parte dos militantes ainda utiliza o termo "camarada": cada vez mais se conclui que as diferenças entre os candidatos são de estilo, não de fundo. Um aspecto aliás realçado pelo guarda-roupa digno de Dupond & Dupont: apresentaram-se ambos de fato cinzento escuro e gravata vermelha. Com pouca convicção, Costa tentou gracejar a propósito deste assunto, lembrando que partilham o fervor benfiquista. Nos primeiros minutos, ainda trocaram umas amenidades de salão.

3. Mas Seguro não estava para graças. Visivelmente mais tenso, e com uma linguagem corporal muito rígida, o secretário-geral socialista abriu hostilidades, procurando percorrer o trilho do frente-a-frente inaugural, em que saiu vencedor: «Há uma crise no PS provocada pelo António Costa.» Estava dado o mote para o despique verbal que preencheria o resto do debate. Com uma diferença digna de registo: desta vez Costa foi a jogo. Coube até ao autarca de Lisboa a frase mais contundente deste despique travado sob os holofotes da estação pública: «Se tu tivesses tido um décimo da agressividade que tens contra mim na oposição a este governo, este governo já tinha caído.»

4. Ficou a sensação de que Seguro se apercebeu, naquele preciso instante, que se arriscava a perder o confronto -- o que de facto viria a acontecer. Mas teria perdido só à tangente se não tivesse ensaiado então uma fuga para a frente, cometendo o erro de mencionar um episódio dificilmente perceptível pelos telespectadores relacionado com o advogado Nuno Godinho de Matos, apoiante de Costa, na frustrada tentativa de associar o rival a interesses obscuros. Saiu-lhe mal o tiro, que o fez descer ao nível do diz-que-disse próprio das conversas de barbeiro.

5. O autarca exibiu um gráfico de sondagem demonstrando a preferência que lhe dedicarão os eleitores num hipotético confronto eleitoral com Passos Coelho. Seguro contrapôs com o barómetro do Expresso que «dá ao líder do PS maior popularidade» entre os políticos portugueses (assim mesmo, falando de si próprio na terceira pessoa).

6. E lá voltou o jogo do empurra, em versão déjà vu. Seguro: «Tu só vens agora disputar a liderança do PS porque terminou o memorando. Que eu não assinei nem negociei, mas honrei. Mas tu eras o nº 2 dessa direcção que subscreveu esse memorando. Agora é fácil fazer oposição.» Costa: «Agora é que é difícil fazer oposição.» Seguro: «Consegui trazer o PS das derrotas às vitórias.» Costa: «Tu deves estar desde pequenino a sonhar ser secretário-geral do PS.»

7. Houve muito mais palavras do que ideias. Costa não deixou de levitar no reino das abstracções e Seguro agarrou-se à sua proposta de reforma eleitoral em jeito de tábua de salvação quando o País em geral e o PS em particular esperariam dele uma solução luminosa para combater alguma chaga social -- o desemprego, por exemplo. O autarca apressou-se a chamar-lhe «populista», rótulo de que se usa e abusa em Portugal. A verdade é que, em termos concretos, Seguro levou pelo menos esta proposta a debate enquanto o rival ficou em branco.

8. De resto, consonância total num pacote de pias intenções: Portugal precisa de crescimento económico; os funcionários públicos devem recuperar o rendimento perdido; reformados e pensionistas não podem continuar a ser as primeiras vítimas da austeridade. La Palisse certamente concordaria.

9. No apelo final ao voto, sem ironia, o secretário-geral sublinhou que o sufrágio do próximo domingo destinar-se-á a escolher «entre a continuidade e a mudança» no Partido Socialista. Assumindo-se -- sem ironia -- como expoente da mudança. Como se não estivesse há três anos em funções no Largo do Rato. Repto aos eleitores em jeito de quadratura do círculo: mudar para continuar ou continuar para mudar?

10. Do que consegui ouvir, não gostei. E reforço cada vez mais a convicção de que deste confronto intestino resultarão feridas difíceis de sarar no maior partido da oposição, como já aqui escrevi a 7 de Junho, chamando-lhe processo autofágico em curso. Tenho hoje razões ainda mais sólidas para pensar assim.

 

Leitura complementar: A funda e a esfinge; A janela e o cutelo.

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O senhor que se segue.

por Luís Menezes Leitão, em 23.09.14

O primeiro debate foi uma vitória de António José Seguro por KO, o que surpreendeu todos, incluindo a mim próprio. O segundo debate saldou-se por um empate técnico. Neste terceiro debate António Costa não deixou os seus créditos por mãos alheias e foi absolutamente arrasador, deixando Seguro sem qualquer possibilidade de defesa. Seguro nunca atirou a toalha ao chão, mas a sua situação no debate de hoje equivaleu a um KO técnico. 


A única vez em que os dois candidatos estiveram equilibrados foi quando responderam às perguntas do moderador, o que deu para perceber que defendiam exactamente a mesma coisa, mais parecendo Dupont e Dupond: "— É preciso combater o desemprego e criar riqueza. — E eu direi mais, é preciso acabar com o flagelo do desemprego e desenvolver o país". A partir daí Seguro enredou-se numa estratégia suicida. Primeiro repetiu a argumentação estratégica do primeiro debate de culpabilizar Costa pelo seu avanço mas, como seria de esperar, este estava preparado e devolveu os golpes. Depois, não percebendo que estava numa eleição interna, caiu no ridículo de comparar Costa a Passos Coelho, o que este também facilmente desmontou. A única vez em que Seguro teve algum sucesso foi quando usou um autêntico golpe baixo, ao falar dos apoiantes de Costa. Foi esta a única vez em que Costa acusou o golpe, mas depois de alguma hesitação também se desenvencilhou até com elegância. Em consequência, no momento final, Seguro parecia completamente perdido, enquanto Costa assumiu a pose de homem de Estado.


Costa esteve sempre a meu ver em vantagem nos eleitores socialistas, mesmo quando Seguro ganhou o primeiro debate. Mas depois do massacre de hoje, é evidente que Seguro já era. António Costa é o senhor que se segue no PS. E, se este assunto tiver desenvolvimentos, até é capaz de disputar as legislativas mais cedo do que pensava.

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Quatro notas rápidas

por Sérgio de Almeida Correia, em 12.09.14

1. Espero que os portugueses continuem a seguir com atenção o trajecto político de Marinho e Pinto. Admito que não seja fácil, tal a rapidez com que troca de fato e aparece num novo facto. Se há coisa que um cata-vento político mantenha é a coerência. Sempre a girar, nem dá tempo para avisar.

 

2. O Sol titula na primeira página de hoje que "Seguro prepara surpresa" e acrescenta que o secretário-geral do PS tem na manga uma "avalancha de entradas nos últimos dias". Aguardo confirmação da cartada. Oxalá que nenhum dos novos esteja já morto e que essa avalancha de entradas não seja mais um acto de homenagem dos sobrevivos. Pensava que a decisão de um indivíduo se inscrever como simpatizante ou militante de um partido era um acto solitário, uma decisão individual, eminentemente livre e racional, tomada no último reduto da solidão, no fundo da sua consciência. Tretas.

 

3. Carlos Moedas diz que lhe entregaram uma pasta "chave para o crescimento da Europa", depois do novo presidente da Comissão ter dito que as pastas chave foram entregues a mulheres. Não discuto pastas em função do sexo, matéria em que quer Junker quer Moedas estarão mais à-vontade. Penso, sim, que Moedas tem uma boa oportunidade para demonstrar que é bem melhor do que aquilo que aparentou ser no Governo de Passos Coelho. O interesse nacional obriga a que lhe seja dado o benefício da dúvida.  

 

4. O trabalho efectuado tem sido registado. A disponibilidade e vontade de melhorar idem. E pessoalmente só tenho a dizer bem de quem lá trabalha e ali me tem atendido. De qualquer modo, não deixa de ser irónico que seja o antigo chefe de gabinete de Miguel Relvas a dar conta da situação a que se chegou no Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong: menos "treze funcionários nos últimos dois anos (incluindo uma chefia)" e dificuldades "materiais – com estações de tratamento de dados biométricos continua e reiteradamente avariadas – a acrescer à questão de 2014 ser justamente o primeiro ano coincidente com a renovação obrigatória dos documentos de identificação". Fica mais claro porque renovar um cartão de cidadão ou tirar um passaporte leva vários meses. A redução de funcionários não constitui novidade. A recorrência nas avarias da estação de tratamento de dados biométricos sim. Está visto que o secretário de Estado José Cesário, apesar das constantes viagens que faz a Macau, não é o homem indicado para efectuar as reparações nos consulados. Sabe-se que o MNE vive noutro mundo, mas Passos Coelho podia já ter compreendido isso. Perceber de canos não é o mesmo que saber de circuitos de alta tecnologia. A Cesário não se lhe pode exigir mais.

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A janela e o cutelo

por Pedro Correia, em 10.09.14

 

1. O debate desta noite foi bastante diferente do de ontem. António Costa apresentou-se mais enérgico e preparado, abandonou o ar sonolento da véspera. Desta vez destacou-se no campeonato das farpas ao adversário, lançadas a um ritmo regular, com fria premeditação. Revelou perfeita consciência de ter perdido o frente-a-frente anterior e mudou a agulha. Fez bem: assim evitou nova goleada.

2. António José Seguro também mudou de estratégia. Consciente de que a mesma receita não resulta em duas noites consecutivas, evitou levar novamente o debate para o campo dos juízos de carácter do seu antagonista. Fez bem: assim evitou uma medalha adicional no campeonato da lamúria.

3. Hoje houve muito mais equilíbrio sem se perder a acutilância. Neste frente-a-frente da SIC, bem moderado por Clara de Sousa, cada candidato detalhou algumas propostas que tinham sido silenciadas no confronto da TVI. Costa deixou-se de panos quentes e reduziu a escombros a estratégia adoptada pelo PS de Seguro na oposição ao Governo PSD/CDS. Acusando-o, por exemplo, de não ter contribuído para a reforma do mapa administrativo do País: "Tu passaste o tempo a refugiar-te em questões formais, sem tomares uma posição sobre a matéria."

4. Mais contido, o secretário-geral socialista não deixou de dar réplica. E coube-lhe até uma das frases da noite: "Nestes três anos nunca deixei de andar de norte a sul. Não estive à janela do município a ver qual era a minha oportunidade." Costa esteve à beira de perder a fleuma: "Não ofendas os autarcas!" Seguro insistiu: "Eu tenho o maior respeito pelos autarcas. Estava a referir-me a ti."

5. Houve acusações mútuas de colagem ao executivo de Passos Coelho. Costa: "António José Seguro gasta mais energia na oposição aos anteriores governos do PS do que ao actual governo." Seguro: "A tua argumentação é, em parte, a do Governo português: a dívida é um problema mas não o devemos discutir agora. Foi o que fizeste quando apresentaste o teu documento [de candidatura]: sobre a dívida, zero."

6. A moderadora procurou levar a discussão para questões concretas. Nem sempre com êxito. Exemplo: é possível atingir a meta de 2,5% do défice? Nenhum deu uma resposta convincente. Outra: como tencionam financiar as medidas que propõem ("dar força às empresas" e apoiar o empreendedorismo jovem, no caso de Costa; lançar um ambicioso plano de reindustrialização do País, no caso de Seguro)? Idem, aspas. Prioridades em matéria de coligações pós-eleitorais em 2015? Tudo vago e difuso.

7. Num dos seus melhores momentos da noite, o autarca de Lisboa acusou o rival de decalcar as 80 propostas que apresenta aos militantes do programa eleitoral de José Sócrates, em 2009. "Só seis propostas e meia não constavam desse programa", ironizou. Disparando nova farpa: "O António José Seguro gosta muito de excluir o passado porque entende que tudo começou com ele." Réplica imediata do visado: "Eu não enjeito nenhum passado do PS. Mas também não trago nenhum passado de volta."

8. Pelo menos em matéria económica e europeia mostraram convergência. Com Seguro mais explícito na defesa de negociações imediatas com Bruxelas para a redução dos juros da nossa dívida.

9. Por alguns instantes, com o frente-a-frente quase no fim, a conversa voltou a azedar. "O PS não conseguiu dar um sinal de confiança aos 77% [de eleitores] que disseram não ao Governo nas europeias", acusou Costa. "O problema foi a crise que tu provocaste", retorquiu o rival. Mas coube ao autarca a frase mais acutilante, desferida como um cutelo: "Tu não foste capaz." Quatro palavras muito expressivas. Que tinham ficado por dizer na noite anterior.

10. Olharam-se ambos nos olhos quase todo o tempo. Com expressão fria e sem o menor traço de cordialidade, prenunciando tempos difíceis para o PS -- ganhe quem ganhar. Talvez por isso, neste debate que Costa não perdeu, o verdadeiro vencedor tenha sido alguém que não estava lá. Chama-se Pedro Passos Coelho.

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Empate técnico.

por Luís Menezes Leitão, em 10.09.14

 

António Costa julgava que os seus debates com Seguro seriam um passeio, pelo que ontem entrou displicente, tendo saído completamente esmagado. Por esse motivo, hoje percebeu que tinha que entrar ao ataque e foi o que fez, mas nunca conseguiu encostar Seguro às cordas. Costa conseguiu marcar alguns pontos, especialmente quando desvalorizou as propostas de Seguro, mas este deu-lhe o golpe mais forte da noite, quando lhe disse que Costa estava à varanda do município, tendo este ficado sem palavra. Resultado final: um empate técnico, com uma vantagem quase imperceptível para Seguro.

 

Depois da derrota estrondosa no primeiro debate, Costa precisava de ganhar o segundo e não o conseguiu, reforçando a opinião que corre de que todos os dias perde terreno. Pessoalmente acho que Seguro se apresenta nos debates mais bem preparado, sendo confrangedor ver o vazio total do discurso de António Costa. Hoje acrescentou à sua "agenda para a década" a "fisioterapia". Mas penso que os apoios que António Costa tem na comunicação social vão-lhe permitir fazer a quadratura do círculo de ganhar estas primárias, mesmo perdendo todos os debates. O PS é que de debate em debate vai perdendo as próximas eleições. No fim disto, quem vai precisar de "fisioterapia" é o PS, quando António Costa lhe apresentar "uma agenda para a década" de oposição.

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A funda e a esfinge

por Pedro Correia, em 09.09.14

 

1. Percebe-se agora melhor por que motivo António José Seguro queria o maior número de debates possível com o seu concorrente à liderança do PS, enquanto António Costa só aceitou três confrontos televisivos de 35 minutos com extrema relutância: o actual secretário-geral esteve francamente melhor no frente-a-frente de hoje da TVI.

2. Seguro mostrou acutilância, jogando quase sempre ao ataque. Dando voz à expressão popular "quem não se sente não é filho de boa gente". O rival mostrou-se abúlico, sem energia, sem expressão, com o olhar vago. Parecia ansiar pelo fim do debate, moderado por Judite Sousa.

3. Costa, que em Maio saiu a terreiro para disputar uma liderança legitimada pelo voto, tinha a obrigação política e moral de dizer com clareza o que o levou a dar tal passo, fracturando o partido. Desperdiçou uma excelente ocasião de o fazer esta noite com argumentos irrefutáveis.

4. Seguro, bastante mais emotivo, lembrou quatro vezes que o seu rival foi o número 2 da direcção política de José Sócrates. "Eu não negociei nem assinei o memorando, mas honrei-o", acentuou. É bem visível o incómodo do presidente da câmara de Lisboa nesta matéria, por mais que repita que o PS deve assumir o passado: Sócrates deixou uma pesada herança.

5. O autarca alfacinha sentiu um toque íntimo a rebate no rescaldo das autárquicas, daí ter desafiado Seguro a deixar-lhe caminho livre: "Eu trairia a minha consciência se me mantivesse numa posição cómoda." Fundamento frouxo para ter mergulhado o PS na mais séria clivagem de que há memória desde a década de 80.

6. Uma pergunta crucial de Seguro ficou sem resposta: "Porque é que não te candidataste há três anos? Aí é que devias ter sentido um imperativo de consciência."

7. Foi quase confrangedora a passividade de Costa perante um Seguro que lhe lançava palavras duríssimas como se manejasse uma funda. Manteve-se imperturbável enquanto ouvia o secretário-geral chamar-lhe de tudo um pouco: desleal, traidor, irresponsável, ziguezagueante. "Em público dizes uma coisa enquanto no partido dizes outra!" Há esfinges bastante mais expressivas.

8. De questões concretas, a pensar no futuro, falou-se pouco. Mas até neste campo Seguro arriscou um pouco mais, prometendo que se chegar a chefe do Governo baixará o IVA da restauração e não aumentará a carga fiscal. Costa refugiou-se num discurso vago, redondo e monocórdico.

9. Divergências sérias em matéria política? Ninguém se apercebeu disso: todas as diferenças são de estilo ou de retórica. Ambos apoiam a construção europeia, a moeda única, o rigor das finanças públicas, a concertação social, o tratado orçamental, a moderação política, Guterres nas presidenciais. Da reforma do Estado não se falou. Nem do combate ao desemprego. Nem do crescimento económico de que Portugal tanto carece.

10. Seguro lembrou que quando assumiu a liderança do PS, no Verão de 2011, o partido acabara de sofrer uma pesada derrota eleitoral e tinha apenas 18% nas intenções de voto. Desde então foi invertendo esta trajectória. Mas a actual crise interna começa a corroer novamente a popularidade rosa: as mais recentes sondagens, da Pitagórica e da Aximage, indicam que os socialistas caíram oito pontos percentuais em três meses e voltam a colocar o PS e o PSD (sem CDS) num quadro de virtual empate técnico. Isto anda tudo ligado.

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Vitória de Seguro por K.O.

por Luís Menezes Leitão, em 09.09.14

 

 

Com grande surpresa minha, António José Seguro esmagou completamente António Costa. Não apenas pôs a nu todas as suas contradições passadas como também demonstrou que ele não tem qualquer solução concreta para a actual crise no país. António Costa limita-se a papaguear que tem uma agenda para a década, mas não é sequer capaz de responder qual a política fiscal que defende, o que é confrangedor num candidato a primeiro-ministro. Pelo contrário, António José Seguro entrou a matar, acusando o seu adversário de traição, e mostrou-se muito mais bem preparado em todas as questões, encostando sempre o seu adversário às cordas. Acho que os debates não vão alterar a tendência existente a favor de Costa, mas é evidente que Seguro vai vender cara a derrota. Mas, ao contrário do que se pensava, o PSD até pode ficar com a vida mais facilitada com António Costa na liderança do PS do que com António José Seguro. Na verdade, se António Costa é esmagado desta forma por António José Seguro, imagine-se se o seu interlocutor no debate fosse Passos Coelho.

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Enfim, convergência no PS

por Pedro Correia, em 01.09.14

«Não estou em condições de garantir que poderei baixar os impostos.»

António José Seguro

 

«Não me comprometo com nenhuma baixa de impostos. O compromisso será assumido no momento próprio, que é o da elaboração do programa de governo.»

António Costa

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Jagunçada, pois claro

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.08.14

(Coronel imortalizado por Jorge Amado que espera poder votar nas primárias do PS)

 

Uma candidata às eleições da Federação Distrital de Braga, apoiada por António José Seguro, escreveu ao JN repudiando declarações publicadas neste jornal que lhe foram atribuídas, esclarecendo que nunca as proferiu. Em causa estavam as afirmações, entre aspas, de que o pagamento de quotas de militantes já falecidos por familiares seria "normal" e de que tal pagamento constituiria uma "espécie de homenagem" aos mortos. Até prova em contrário darei crédito ao desmentido de Maria José Gonçalves.

Só que, entretanto, leio que Álvaro Beleza, outro "segurista" que há um ano considerava as primárias inoportunas e que este ano, devido ao repto de António Costa, rapidamente mudou de ideias, enaltecendo um processo preparado em cima do joelho que só tem servido para o achincalhamento público do maior partido da oposição, veio pedir que o pagamento de quotas deixe de ser obrigatório. Não sei se o objectivo será acabar de vez com a militância, colocando os militantes ao nível dos simpatizantes, americanizando os partidos portugueses, ou se será apenas mais uma tirada de ocasião. De qualquer modo, Beleza, de acordo com o DN, denunciou a existência no partido de um "sistema de jagunços" que funciona "como o nordeste brasileiro no tempo dos coronéis". Apontou o dedo a Mesquita Machado que "ganhou com certeza muitas eleições internas a pagar quotas dos outros". 

Como a procissão ainda vai no adro, surge agora Miguel Laranjeiro, a desvalorizar o pagamento de quotas por terceiros, ao mesmo tempo que recusa mostrar os comprovativos dos pagamentos feitos por estes porque, imagine-se, em causa estaria o "sigilo bancário". De caminho, lá por Coimbra, está o caos instalado, aguardando-se o resultado de uma providência cautelar.

Álvaro Beleza, "com certeza", para falar como fala sabe o que está a dizer. E, se assim é, as declarações de Miguel Laranjeiro até serão normais.

Tenho pena, de facto, que a invocação do sigilo bancário sirva, neste caso, para proteger jagunços. Porque para quem apregoa a transparência, a ética e outras coisas que às vezes dão jeito, o primeiro passo seria a denúncia dos jagunços que pagaram as quotas dos falecidos e de, pelo menos, mais vinte militantes. A primeira coisa que um líder sério, cujo poder é posto em causa por um "sistema de jagunços", deveria fazer seria esclarecer essas situações e promover a instauração de processos disciplinares, visando a expulsão de quem pagou as quotas dos falecidos e dos terceiros que, ainda vivos e com voz, se queixaram. Porque é essa jagunçada que descredibiliza a política e os partidos.

Invocar procedimentos incorrectos de ontem - por parte de quem até ajudou Seguro a chegar onde está - para justificar as golpadas de hoje, desvalorizando-as, só prova, afinal, uma coisa: que o sigilo bancário protege os jagunços. E também que as eleições para as federações e as primárias do PS são pouco transparentes e controladas por quem invoca o sigilo bancário para proteger a jagunçada de que fala Álvaro Beleza. Prova de que quanto aos métodos em nada se distinguem de quem noutros partidos usou dos mesmos para chegar à cadeira do poder.

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O melhor é antecipar os calendários

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.08.14

Sabendo-se que conta com todos, com excepção daqueles que antecipadamente excluiu, espero que António José Seguro anuncie rapidamente o seu governo de coligação. E as pastas. O referendo entre militantes, para evitar "arranjinhos de poder e caprichos pessoais", parece-me uma excelente ideia. O ideal era realizá-lo já, se possível para a semana, tirando partido do início da época futebolística.

Creio é que também seria conveniente aproveitar-se a oportunidade para se perguntar aos militantes se estão de acordo com a presença dos elementos do Governo Sombra, de Jorge Jesus e dos Xutos e Pontapés nessa frente alargada. O Rojo é que teria de ficar de fora porque o Bruno de Carvalho antecipou-se. O referendo poderia então funcionar, aos olhos dos simpatizantes, como um estímulo para a maioria absoluta. E, já agora, como umas primárias antecipadas.

Se a coisa corresse bem poupava-se tempo. Quem sabe se também as primárias?

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Em resumo

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.08.14

Um tipo lê as coisas que o Tozé agora deu em dizer e no fim só pode tirar uma conclusão. Quando o rapaz estava a dissertar sobre a promiscuidade entre os negócios e a política, quando se referia à linha de fractura entre a nova e a velha política, ao clima de podridão e às meias-tintas, à mistura entre negócios, política e vida pública, afinal não estava a referir-se ao Costa, nem aos gajos da capital que olham com desdém para os que vêm da província. Mas a mandar um recado aos seus apoiantes. Com muito afecto, é claro. Apesar da senhora presidente da Comissão Parlamentar de Saúde não ver nisso qualquer incompatibilidade. Incompatibilidade, para falar verdade, também não vejo. E penso que estas coisas devem ser assumidas sem meias-tintas, de preferência usando a mesma conta bancária para se receber o salário e os bónus que aquela malta (estou a conter-me) foi distribuindo generosamente à gente simpática, educada, disponível e compreensiva do centrão. Vejo é semelhanças. Muitas. Entre o que ele e Passos Coelho dizem e fazem. Como já via com um outro figurão ou com Cavaco Silva. Sempre com o ar mais sério e generoso do mundo. É a política com "p" pequenino. Com "p" de "portugal". De "ps", de "política". E também de muitas outras palavras começadas com "p", sobejamente conhecidas do Tozé, que me abstenho de enumerar para não estragar o domingo a quem tem a bondade de me ler.

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Bonifrate

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.07.14

"Quero fazer aqui este pacto de confiança, a de que todos juntos, cada um com a sua responsabilidade, de mobilizar o maior número de portugueses para se inscreverem nas primárias e de dizerem de uma vez por todas que quem governa Portugal somos todos e não uma corte de iluminados em Lisboa, que decide e impõe a seu belo prazer aquilo que deve ser feito em Portugal"

 

Com o passar das semanas, vendo a terra fugir-lhe debaixo dos pés, mas também a sensatez, a temperança e a dignidade, já nem vê para onde dispara e acaba por acertar nele próprio. Agora que resolveu assumir o papel de Luís Filipe Menezes, de Alberto João ou de Mendes Bota do PS, é altura de também lhe perguntar por onde tem andado, há quantos anos vive em Lisboa e com quem costuma conviver quando está na capital. Será que só se dá com "expatriados"? E, já agora, que fez pela regionalização desde que está à frente do PS? Pelo Algarve, por exemplo.

No país do faz-de-conta é fácil perceber por que dava jeito a tantos que ele continuasse a fazer de conta que liderava. Como fez questão de prolongar a sangria até ao Outono ainda vamos ter mais dois meses para o ouvir subir a parada. De uma coisa já estou certo: daqui para a frente a cotação do dislate vai ser sempre a subir.

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Profetas da nossa terra (42)

por Pedro Correia, em 27.06.14

«Até ao final do ano o PS vai apresentar uma proposta de alteração da lei eleitoral para a Assembleia da República [para reduzir o número de deputados].»

António José Seguro, 2 de Outubro de 2012

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António Costa e os media.

por Luís Menezes Leitão, em 25.06.14

 

Ontem escrevi aqui que politicamente o avanço de António Costa era imparável e que só a blindagem dos estatutos realizada por António José Seguro o estava a conseguir travar processualmente. Uma das razões para esse avanço de Costa é a sua habitual boa imprensa e o extraordinário acesso aos media, coisa que Seguro nunca teve. Basta lembrar que, para ser entrevistado numa altura em que ganhou o congresso, Seguro teve que interromper uma entrevista de Costa, coisa que este nunca lhe perdoou e que explica bem as razões de consciência que ditaram o seu avanço nesta altura.

 

Em termos de acesso aos media, António Costa não apenas dispõe de um debate semanal na quinta-feira com dois adversários que já o reconhecem como líder natural do seu partido, como ainda ontem foi chamado pela Sic Notícias a uma entrevista à terça-feira, noticiando os media amplamente o seu percurso triunfante pelo país. Quanto a Seguro, apesar de ter apelado a debates com Costa, nenhuma televisão os organizou, nem sequer convidou Seguro para uma simples entrevista. É evidente que, nas tais absurdas "primárias" que convocou, Seguro vai ser trucidado sem ter sequer oportunidade para dizer um "ai".

 

Entretanto António Costa já começa a dizer ao que vem e é o pior que se poderia esperar. Agora veio dizer que o IMI dos lisboetas é que vai servir para pagar os prejuízos das empresas de transportes, podendo esse IMI até aumentar. Neste momento, os cidadãos já têm o IMI em valores estratosféricos, multiplicam-se as execuções fiscais, e grande parte das pessoas vai perder as suas casas por não conseguir pagar o imposto, mas isto não interessa nada. O que interessa é que a Câmara possa adquirir empresas de transportes com dívidas colossais, nem que para isso tenha que desbaratar o dinheiro dos contribuintes. Transponha-se isto para a escala nacional e ficamos a saber que um governo de António Costa pode ser ainda mais catastrófico para o país que o de Sócrates foi. Sinceramente neste momento, entre Costa e Seguro, já não sei qual dos dois é pior.

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O spray milagroso de António José Seguro

por Rui Rocha, em 15.06.14

Como é sabido, o assalto ao poder lançado por António Costa provocou grande indignação nas hostes de António José Seguro. Num primeiro momento, apanhado de surpresa, o secretário-geral do PS deu alguns sinais de desorientação. Propostas como a realização de primárias ou a solução de condução bicéfala do partido tinham propósito evidentemente dilatório. E também o objectivo de ganhar tempo. Todavia, parece ter agora chegado o momento de inverter as regras do jogo e Seguro prepara-se para retomar o controlo das operações. A este iminente volte-face não será indiferente o facto de Seguro se ter feito rodear de alguns dos mais eminentes estrategas socialistas. O Delito de Opinião sabe, por exemplo, que têm ocorrido várias reuniões secretas daquele a que no PS chamam já o trio dos 2 sábios. Que é composto por Seguro, José Junqueiro, Brilhante Dias e Álvaro Beleza. Nestas reuniões, terão sido discutidas diversas alternativas com o objectivo de afastar definitivamente António Costa da luta pelo poder. Sobre a mesa terá chegado a estar a possibilidade de usar a máquina de lavar alfaces que Junqueiro comprou no canal de tele-vendas para reciclar os opositores. Todavia, a hipótese acabou por ser afastada devido ao receio de a tatuagem com números que Isabel Moreira tem no braço esquerdo poder descorar durante a lavagem. Outra alternativa analisada terá sido a de alterar os estatutos, aprovando uma norma que fizesse depender a eleição do secretário-geral da resposta correcta à célebre pergunta do Quem Quer Ser Milionário. Fontes próximas de Seguro revelaram ao Delito de Opinião que esta solução esteve muito próxima de ser aprovada mas que, no último momento, os quatro membros do trio dos 2 sábios não conseguiram chegar a acordo sobre a resposta   certa.

                      A pergunta que permitiria escolher o secretário-geral do PS mas que não chegou a ser aprovada                       

Entretanto, estas reuniões, apesar das dificuldades e dos momentos de impasse,  não terão sido completamente infrutíferas. Terá sido o próprio António José Seguro a propor uma solução infalível para a crise interna do partido. Num momento de inspiração, alguns telodendros e dendritos do cérebro do líder socialista terão estado quase a formar uma ou mais sinapses e este terá proposto que, tal como ocorre no Mundial do Brasil, o secretário-geral passe a usar um spray que permitirá marcar um limite a partir do qual António Costa não poderá chegar-se ao poder no partido. António José Seguro faz assim jus ao elevado conceito que Álvaro Beleza tem dele. Nos momentos mais difícieis encontra sempre uma solução genial para uma situação que parecia desesperada. Na verdade, pode mesmo dizer-se que é uma espécie de Messi a quem só falta o talento. 

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Enquanto discutem se há congresso

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.06.14

Estando feito o "mal", no sentido de que a partir do momento em que foi lançado o repto só havia dois caminhos, ou aceitá-lo e discutir as suas razões de forma rápida e o mais indolor possível, ou recusar e abrir a via da discussão prolongada em praça pública, sem que daí resultassem ganhos para quem defende os seus pontos de vista, nem para quem do lado de fora assiste, assim se transformando uma discussão necessária e que devia processar-se de forma elevada numa verdadeira bagarre, gostava de aqui recordar uma máxima desenvolvida por Harold Clarke e outros autores e a que Patrick Seyd e Paul Whiteley se referem, máxima que é aplicável a qualquer partido (pela tradução respondo eu):

"Numa época em que a velocidade da resposta política é uma constante, as notícias vinte e quatro horas por dia são um traço distintivo dos media. Além disso, o debate intrapartidário e a discussão serão muitas vezes apresentados pelos media como uma guerra interna do partido. O equilíbrio entre o debate e a divisão é difícil de conseguir, e a percepção de um partido dividido pode ser eleitoralmente perniciosa. Um partido dividido é muitas vezes visto como um partido eleitoralmente inelegível" (British Party members, An Overview, in Party Politics, 2004, vol. 10, n. 4, 363). 

Ao ler os últimos títulos dos jornais, e ao ouvir as mais recentes declarações de Seguro e Costa, lembrei-me disto.

Até podem estar os dois carregados de razões para terem elevado a voz, mas de uma coisa começo a não duvidar: os portugueses nunca compreenderão a extensão do conflito, a subida de tom e o prolongamento da sangria. Como não compreenderão um processo de primárias a trouxe-mouxe ou uma proposta de redução de deputados nesta altura em que o que está em causa é a discussão da liderança e a construção de uma alternativa de governo credível.

Quando o fim é bom, nem sempre serão todos os meios para lá chegar, mesmo quando se afirme a perenidade dos princípios e das convicções. Talvez pudessem meditar nisto antes de estraçalharem o que ainda resta de confiança e de esperança na opinião pública. Os militantes são neste momento o que menos interessa. 

 

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Seguro optou pela fuga em frente

por Rui Rocha, em 07.06.14

Costa ensaia a fuga para trás.

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Frases de 2014 (17)

por Pedro Correia, em 06.06.14

«Durante três anos anulei-me muitas vezes para garantir uma certa paz dentro do PS.»

António José Seguro

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PS: tanto barulho para quê?

por Pedro Correia, em 05.06.14

 

1. Há uma 'vaga de fundo' no PS que pretende usar António Costa para um projecto que jamais será o dele.

 

2. Alguns socialistas já cortaram com o PS tradicional, o PS histórico, o PS de centro-esquerda, o PS do memorando, do Tratado Orçamental, da responsabilidade financeira. Basta ver o registo das votações parlamentares: esses socialistas votaram ao lado do Bloco de Esquerda, no Parlamento, em diversos momentos cruciais ao longo da legislatura. Por outras palavras: um partido que vale hoje só 4,5% nas urnas, mesmo numa eleição que potencia o voto de protesto, lidera do ponto de vista estratégico esses socialistas que pretendem transformar o PS naquilo que nunca foi nem jamais será.

 

3. Mesmo assim, existe a intenção deliberada de moldar o maior partido da oposição portuguesa à semelhança de um Syriza ou um Partido de Esquerda francês ou um Die Linke alemão, aproveitando a recente deriva esquerdista de Mário Soares. Não por acaso, Soares recusou fazer campanha pelo PS nas europeias enquanto autorizava a difusão da sua imagem nos cartazes de propaganda eleitoral do Syriza. Dando assim caução intelectual aos expoentes daquela ala.

 

4. Tendo um certo revanchismo socrático como aliado e alguns órgãos de informação como marcos instrumentais nesta estratégia, de que são peças complementares o fragilizado BE, por um lado, e o novíssimo Livre, por outro, esses socialistas que aspiram à formação de uma frente de esquerda sob a palavra de ordem "não pagamos" e sonham queimar a efígie da "senhora Merkel" na praça pública só necessitam de uma figura de proa que os represente. Soares está excluído, pela sua avançada idade. José Sócrates é um has been. Francisco Assis pertence à ala oposta: alguns no PS até têm pesadelos só de imaginar que um dia o partido poderá vir a ser liderado por ele.

 

5. António José Seguro - que contou sempre com um grupo parlamentar profundamente hostil - serviu enquanto nada havia a fazer senão carregar tijolo após o partido ter ficado quase reduzido a escombros nas legislativas de 2011 e não havia novas eleições no horizonte.

 

6. O calendário político potenciou o ataque ao poder interno. E agora todas as armas valem, começando pelas tentativas de assassínio de carácter vindas de alguns aliados conjunturais de outrora: esta é uma das piores características da política e explica em grande parte a péssima reputação de que gozam os partidos junto dos portugueses.

 

7. Resta Costa. Essa ala socialista de matriz lisboeta e urbana chic, muito activa nas redes sociais, mobiliza-se agora contra Seguro na esperança de que o ainda presidente da câmara de Lisboa sirva de bandeira à mirífica "unidade de esquerda" sempre perseguida e nunca alcançada desde a Revolução dos Cravos.

 

8. Mas podem desenganar-se. Costa jamais será o Tsipras ou o Lafontaine ou o Mélenchon desta facção. E, até por experiência muito pessoal, está vacinado desde há muito contra a tentação de formar "frentes de esquerda", que se destinariam apenas a abrir um fosso talvez irreparável entre o PS e a generalidade dos portugueses.

 

9. Ser em 2014 o que Manuel Serra esteve a um passo de conseguir em 1974, satelizando o PS às forças situadas à sua esquerda? No way. Costa jamais cometerá tão clamoroso erro. Desde logo por saber que nunca conquistará o poder sem conquistar o centro.

 

10. Neste ponto, pelo menos, Seguro e Costa convergem. E, convenhamos, o essencial é isto. O resto são jogos florais de alguns incapazes de entender a política para além da lógica de trincheira, estribada em confrontos de personalidades. Como se as ideias não importassem. Mas importam. E o que intriga no confronto em curso no PS é este mesmo: palavras a mais, ideias a menos. Tanto barulho para quê?

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Ouremos!

por Rui Rocha, em 02.06.14

Que primárias não. Que primárias sim. Que fica como secretário-geral. Mas admite eleição do candidato a primeiro-ministro. Que a liderança fica bicéfala. Que afinal sai se perder as primárias. A imagem do ringue de boxe faz sentido. Mas, ao contrário do que refere Ferreira Fernandes, Seguro não está refugiado nas cordas a ganhar tempo. A táctica é outra. Com tanta contradição, Seguro parece querer andar às voltas no ringue, aos saltinhos, até António Costa ficar ourado.

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Quadratura do círculo (parte 3)

por Pedro Correia, em 01.06.14

Fico, mas não saio. Ou antes: saio, mas não fico. E vice-versa.

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Habituem-se!

por Helena Sacadura Cabral, em 01.06.14



“Habituem-se, que isto mudou”, afirmou António José Seguro, neste sábado, no intervalo para almoço da Comissão Nacional do PS a decorrer no Vimeiro. 

António Vitorino já disse no passado  o mesmo. Pelos vistos, nada mudou no PS e é preciso relembrar...


Em tempo: Atribui a frase de António Vitorino a Jorge Coelho. E o mais grave é que havia confirmado com um socialista... Está de ver que foi uma pequena vichyssoise...

Muito obrigada a todos aqueles que me corrigiram.

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Independentemente do desfecho que vier a ter, a gestão de António José Seguro da crise interna confirma a percepção generalizada de que o actual secretário-geral do PS é um líder fraco e politicamente mal preparado. As manobras dilatórias, a apresentação de propostas que há bem pouco tempo tinha recusado (primárias), a incoerência entre o pedido de eleições legislativas antecipadas e a invocação dos estatutos do PS para evitar a discussão interna da sua liderança são o exemplo de uma visão politiqueira do poder que não convence parte dos militantes socialistas e, por maioria de razão, será incapaz de mobilizar os portugueses. Apesar de tudo, seria um exagero afirmar que Seguro está agora politicamente morto. Para que isto fosse verdade, seria necessário que alguma vez Seguro tivesse estado politicamente vivo.

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Quadratura do círculo (parte 2)

por Pedro Correia, em 31.05.14

Dar aos militantes liberdade para escolher o candidato a primeiro-ministro em eleições apenas destinadas a eleger deputados.

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Pelo visto, António José Seguro propõe primárias para decidir qual o candidato do PS a funções de primeiro-ministro mas não aceita pôr em discussão o seu cargo de secretário-geral. Coloca assim todos os socialistas que se inclinavam para apoiar António Costa perante um terrível dilema: manterem-se fiéis às suas convicções e princípios, permanecendo ao lado de Costa a bem daquilo que consideram ser os mais altos interesses do país, mas arriscando-se a não serem elegíveis para tachos que dependem do favor do aparelho, ou abdicarem das suas convicções e princípios para aumentarem as possibilidades de acederem aos tachos. Seguro, que tem fama de conhecer o aparelho como ninguém, parece não ter dúvidas sobre qual o lado para que penderão os corações e a razão dos valorosos e patriotas militantes socialistas.

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Quadratura do círculo

por Pedro Correia, em 30.05.14

Eu sou contra mas voto a favor.

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Deve ter algum sentido

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.05.14

"O secretário-geral do PS António José Seguro decidiu não estar presente no debate da moção de censura do PCP por considerar que é um "frete ao Governo" e só estará no momento da votação, confirmou o PÚBLICO junto da assessoria deste grupo parlamentar".

 

Confesso que não atinjo, mas esta deve ser a parte menos relevante. Talvez os portugueses entendam.

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Avivar as memórias

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.05.14

"Leaders must have the vision to take their followers to a place they have never seen (in Henry Kissinger's phrase), but they must also be sure their people will follow them there - that the parade will not continue down Broadway when the leader turns onto Main Street. Party leadership is hazardous business, and mistakes can lead to electoral defeat or the choice of new leader (or both). On rare occasions, they can produce the ruination of the party" - Charles S. Mack, When Political Parties Die, Praeger, 2010

 

Qual é a dúvida?

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Pós-eleitoral (7)

por Pedro Correia, em 29.05.14

Helena Cristina Coelho, Diário Económico: «Continua a não surgir nada de muito novo neste PS: nem um plano, uma solução, um rumo, uma ideia. Até a corrida de António Costa está mais anunciada que a morte no livro de García Márquez.»

 

Luís Rosa, i: «Quarenta e oito horas depois do início do bullying político a António José Seguro, continuamos concentrados no acessório da marcação do congresso extraordinário sem saber o essencial: António Costa quer ser primeiro-ministro para quê?»

 

Celso Filipe, Jornal de Negócios: «Afinal, o que é que separa António Costa e António José Seguro? Olhando para as áreas económicas é difícil encontrar diferenças.»

 

Fausto Coutinho, Diário Económico: «A decisão de António Costa pode ser uma oportunidade para António José Seguro arrumar a casa socialista e afastar os fantasmas que assombram a sua liderança desde o início.»

 

Rui Ramos, Observador: «Costa encontra-se, neste momento, na mais perigosa de todas as situações. Basicamente, está nas mãos, quer de Seguro, quer dos inimigos de Seguro. António Costa apenas pode ser o António Costa de que o PS precisa se for como que aclamado no partido. Só se for consensual no PS pode aspirar a ser consensual no país.»

 

Ana Sá Lopes, i: «Houve um tempo em que António Costa defendia que quem perdia as eleições deveria continuar a liderar o PS. Aconteceu depois da derrota de Sampaio nas legislativas de 1991, quando Cavaco Silva conseguiu a segunda maioria absoluta.»

 

Fernando Sobral, Jornal de Negócios: «Depois desta decisão de António Costa, o PS nunca mais será o mesmo. Mesmo que Seguro conserve o poder.»

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Dois erros de Seguro

por Helena Sacadura Cabral, em 28.05.14


Seguro cometeu, a meu ver, dois erros lapidares. O mais recente foi prometer que iria repor pensões e não aumentar os impostos.  O segundo, há pouco menos de um ano, foi o de não aceitar a proposta de Cavaco Silva para subscrever um acordo com o PSD, que tinha como contrapartida a antecipação das legislativas para 2014. Se assim  não tivesse acontecido, António José Seguro podia estar neste momento em São Bento como primeiro-ministro. E não no Largo do Rato a viver uma dificílima crise interna.                                       

A hostilização de Cavaco só se explica pela vontade de agradar aos seus detractores no partido. Ora é precisamente esta ala interna - que teve de tolerar Seguro mas nunca, de facto, o aceitou - que, agora, julga ter chegado o momento do PS e do seu líder cumprirem o seu destino.  O primeiro, sob outra batuta, de alcançar uma maioria absoluta nas próximas legislativas. O segundo, de ir viver a sua vida!

 

Em tempo: um comentador referiu, com muita razão, o terceiro erro, mais recente ainda, que foi o discurso de Domingo, empolando a magra vitória alcançada.

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Não ter a noção do ridículo

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.05.14

Não temos condições para andar todos os dias a brincar aos congressos quando em dois anos tivemos duas vitórias que infligiram duas derrotas históricas à direita

 

Não sei o que diria se tivesse obtido uns módicos 44,53 % nas europeias, mas tenho pena que tenha sido necessário haver uma recondução em 2013 e fosse preciso esperar por "duas derrotas históricas à direita" para se ver o óbvio. A ver se desta vez não acaba tudo em águas de bacalhau, com abraços e palmadinhas nas costas. Como da última vez.

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"Queremos eleições antecipadas."

por André Couto, em 27.05.14

Aí estão elas.

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Frases de 2014 (14)

por Pedro Correia, em 26.05.14

«Este Governo acabou.»

António José Seguro, ontem à noite

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As quinze medidas de Seguro

por Helena Sacadura Cabral, em 18.05.14

Das oitenta medidas saídas da Convenção Novo Rumo, ao que lemos, Seguro comprometeu-se com as quinze que se discriminam abaixo:

1.- Acabar com a "TSU dos pensionistas".

2.- Revogar os cortes no complemento solidário para idosos:

3.- Não despedir funcionários públicos: .

4.- Acabar com a sobretaxa de IRS:

5.- Alcançar um novo acordo de concertação social.

6.- Avançar com o Plano de re-industrialização 4.0:

7.- Criar a Estação Oceânica Internacional nos Açores

8.- Pacto para o emprego:

9.- Não aumentar a carga fiscal na próxima legislatura.

10.- Separar o sector público e privado na saúde. Os profissionais recém chegados terão de trabalhar em exclusividade para o Serviço Nacional de Saúde.

11.- Reduzir a taxa de abandono escolar dos actuais 20% para 10% durante a próxima legislatura.

12.- Recusar o plafonamento das contribuições para s Segurança Social.

13.- Cumprir as metas do Tratado Orçamental, alcançando uma meta de 0,5% do défice a médio prazo e renegociação das condições da dívida pública".

14.- Promover a reforma do Estado alterando os processos e sem fazer cortes.

15.- Defender uma nova agenda europeia

Curiosamente, estas medidas que se compreenderiam numa campanha para as legislativas, aparecem extemporaneamente na campanha para as europeias...

Quanto ao conteúdo, voltaremos ao assunto, depois de eu ler as oitenta acima referidas. Uma correria, depois das 120 de Paulo Portas. Eles andam numa maratona. E nós, com eles! 

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Um episódio lamentável

por Rui Rocha, em 09.05.14

António José Seguro decidiu associar-se à campanha #bringbackourgirls, uma iniciativa de solidariedade com as famílias de 200 meninas nigerianas que foram raptadas. Não faço sobre essa decisão qualquer juízo de intenções. Terá a atitude de Seguro sido determinada por eleitoralismo, pela vontade de promover a sua própria notoriedade? Não sei, nem quero saber. E se deve existir uma certa contenção da parte dos políticos para não prejudicarem as campanhas em que se envolvem, desviando a atenção dos propósitos destas para as suas eventuais intenções, o certo é que um político, por o ser, não pode ver diminuídos os seus direitos de cidadania. Em todo o caso, o que é verdadeiramente lamentável é a reacção de alguns que, na ânsia de ridicularizam o Secretário-Geral do PS, esquecem que permanece um drama humano real que envolve duzentas crianças. É inqualificável a atitude de chacota de uns quantos a propósito de um tema destes. Um eventual aproveitamento de Seguro, que não temos razão para acreditar que exista, seria absolutamente criticável. Mas bem pior é utilizar o sofrimento das crianças para o ridicularizarem e diminuírem. Sabemos que vivemos num tempo de engraçadinhos em que o maior dislate assegura o máximo reconhecimento. Eu próprio tenho criticado e troçado abundantemente de Seguro. Mas, fazê-lo a este propósito é, falemos claro, um acto chocante de absoluta crueldade. E uma completa vergonha.

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Profetas da nossa terra (14)

por Pedro Correia, em 06.05.14

«Um segundo resgate parece inevitável.»

António José Seguro, 8 de Julho de 2013

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António José Seguro testou uma nova linha de discurso sobre o seu "plano nacional" no encerramento das jornadas parlamentares do PS. Para sustentar o seu objecto de um “novo desenvolvimento” para o país, o líder socialista avançou com a criação de clusters em sectores com elevado potencial de crescimento. (...) E interligando mesmo algumas áreas. Propôs “criar um cluster na Saúde aproveitando os recursos do nosso mar”.

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