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Feliz Ano Novo

por Helena Sacadura Cabral, em 28.12.16

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A todos os que pacientemente me leram durante o ano que agora finda, eu desejo que 2017 traga a cada um a sua dose de felicidade!

 

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E então...

por Rui Rocha, em 02.01.16

Já se sabe quais são as medidas de resolução de Ano Novo do Banco de Portugal?

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E pronto

por Rui Rocha, em 01.01.16

Também não se preocupem muito se não conseguiram entrar com o pé direito. De uma forma ou de outra, depois aparece o Costa e põe o esquerdo à frente.

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Feliz Ano Novo

por Teresa Ribeiro, em 31.12.15

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Não me quero meter num 31. Se o Natal é quando um homem quiser também o ano novo nasce quando muito bem entender. Ainda há dois dias ouvi um curioso discurso contra as 12 passas e os 12 desejos (não desgosto de passas, mas também prefiro m&m's). Os 12 desejos são, de facto, um exagero. Uma clara invenção da sociedade de consumo, que como sabemos tem na venda de desejos o seu grande negócio. Eu gosto de dizer "não" ao desperdício. Além de que não me tenta apresentar um tão extenso caderno de encargos ao destino. No que toca ao meu destino sou supersticiosa. Acho que o melhor é deixá-lo estar, distraído de mim, não vá o diabo tecê-las. De modo que não lhe vou pedir nada.

Gosto daquela máxima que diz: "Não peças nada, espera pouco e deseja tudo". Desejar tudo é só uma questão de princípio. Ninguém deseja tudo esperando que tal se concretize, por isso estou de mala aviada para 2016 sem grandes expectativas. Apenas com uma ideia de pragmatismo que me agrada, que é a de fazer o que estiver ao meu alcance para me sentir bem. Se for competente, haverá consequências para quem estiver próximo e até longe de mim. Quantos mais, melhor, porque o efeito multiplicador é muito importante.

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Conto de Ano Novo

por José António Abreu, em 31.12.15

As dores começaram a sério na manhã do dia 31 de Dezembro. Para Susana, não constituíram uma surpresa. Há meses que as esperava a qualquer instante. Sentira-as até muitas vezes, em parte reais, em parte por antecipação. Fez uma tentativa débil para se convencer de que ainda não seria agora, de que não passava de um falso alarme, mas desistiu de imediato. Para quê fingir optimismo nesta fase?

Vítor estava a trabalhar. Pensou telefonar-lhe mas desistiu também dessa ideia. Fá-lo-ia mais tarde. Ou não. Os esforços que ele fazia para lidar com a situação deviam agradar-lhe (sabia-o perfeitamente) mas, em vez disso, irritavam-na.

Deitou-se no sofá da sala e recordou os dias do diagnóstico. A preocupação do médico, cuja confiança profissional se esvaiu ao perceber o grau do pessimismo dela. «Precisa de ânimo. Uma visão positiva é essencial.» As garantias de Vítor de que tudo correria bem: «Não há verdadeiras razões para ficares assim. As taxas de sobrevivência são altíssimas, hoje em dia.» (Evitava sempre dizer «taxas de mortalidade», em mais uma demonstração de tacto que a irritava profundamente.)

Ela sabia que era verdade. Mas também conhecia os factores de risco, que, honra lhe fosse feita, o médico nunca suavizara. E, acima de tudo, conhecia a história da sua família. Pesquisara. Por entre um mar de imprecisões e contradições, os familiares mais idosos recordavam pelo menos cinco mortes, todas pelo mesmo motivo. A penúltima, claro, fora a da mãe dela. A última, a de uma tia, irmã da mãe. Era a única de que Susana se lembrava, embora vagamente. Tinha seis anos. Haviam-na poupado ao funeral mas recordava a viagem até à Guarda, onde a tia residia com o marido. No final da década de 1970, as viagens ainda eram difíceis e, talvez por isso, memoráveis.

 

As dores não desapareceram. Pelo contrário, foram aumentando ao longo da manhã, como ela sabia que aconteceria. Almoçou uma maçã, voltou para o sofá. Perto do final da tarde, desistiu. Ligou para o telemóvel de Vítor. O som de chamada prolongou-se tanto que ela desligou num espasmo. Deu um par de minutos e ligou o número do médico. Dia 31 de Dezembro à tarde. Seria possível apanhá-lo? Foi. Atendeu, disse-lhe que seguiria de imediato para o hospital, profissional até na forma como escondeu a mais do que natural desilusão pela noite de passagem de ano estragada. Perguntou-lhe se tinha quem a levasse. Susana hesitou e depois respondeu que sim. «OK, encontramo-nos lá. Anime-se. Vai correr tudo bem.»

Ela sabia que as pessoas estranhavam. Que, no íntimo, a consideravam egoísta. Não era suposto reagir daquele modo. Tornava tudo mais difícil para toda a gente. Devia facilitar-lhes a vida, aceitando o desafio com estoicismo; não, com mais do que isso (estoicismo tinha ela): com ânimo, talvez mesmo entusiasmo. Era incapaz de o fazer. Percebia a inutilidade do seu comportamento, a injustiça que cometia e pela qual, se tudo acabasse mesmo por correr bem, teria de se penitenciar, mas as coisas eram como eram.

À segunda tentativa, Vítor atendeu. O tom de pânico na voz dele devia tê-la enternecido. Não o fez. Ele prometeu estar em casa em menos de um quarto de hora. Susana disse-lhe para não exagerar no trânsito. Só faltava ter um acidente. Depois de desligar, lembrou-se do comportamento dele nos primeiros tempos. De como parecia sentir mais medo do medo dela do que do risco que ela corria. Susana acabara por lhe garantir: «Sossega. Não vou fazer nada de irreflectido. Não condiz comigo.» Mas nem por isso ele ficou mais tranquilo.

Sabia que correra riscos. Perguntou-se várias vezes porquê. Um desafio à sorte? Mas então por que não conseguira assumi-lo até ao fim? Porquê o negativismo, a sensação de que o trajecto era inexorável e ela (como na viagem para a Guarda, há cerca de trinta e cinco anos) uma simples passageira?

As dores regressaram, tão fortes que a atiraram ao chão. Ao longo dos últimos meses, a sogra, especialista numa mistura de encorajamento e crítica, dissera-lhe várias vezes para rezar. Susana nem sequer sabia uma oração.

 

A filha tinha testa ampla como o pai mas os olhos eram os dela. E o nariz. Susana perguntou-se que efeitos negativos teria programado o seu pessimismo naquele corpo minúsculo. Desconhecia se, há quarenta e um anos, a mãe a chegara a ver e não conseguia decidir qual a melhor hipótese: morrer depois de verificar a sobrevivência de uma filha ou antes de confirmar a existência de um ente que se abandona no mundo. Mas Susana sobreviveria. Pelo menos isso.

O médico entrou no quarto. Já vestia roupa normal, tinha um ar cansado.

«Deu luta, hã? Mas está de parabéns. Tem uma bela rapariga. E sortuda, ainda por cima. Vai começar já a ter presentes. Foi o primeiro parto do ano aqui no hospital e provavelmente em todo o país.»

Mas logo a seguir explicou-lhe que, agora, talvez fosse mesmo preferível evitar nova gravidez. «Não estou a dizer taxativamente que não possa. Digamos que é algo a avaliar com cuidado, dependendo da evolução da situação, OK?» Tocou-lhe no braço, desejou-lhe um bom ano e saiu.

Vítor começou a falar. Dizia o que devia dizer (tudo correria bem; era cedo para ter certezas; ainda que não pudessem ter outros filhos, isso não constituiria uma tragédia) mas ela não sentia vontade de o ouvir. Olhou para a filha, que ainda nem tinha nome. Alegria e renovação do medo, pensou. Talvez a única forma adequada de entrar num ano novo.

 

(Também aqui.)

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Bom ano a todos

por Patrícia Reis, em 31.12.15

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O que vos desejo para 2016

por Rui Rocha, em 30.12.15

Saúde, amor, um amigo como o do Sócrates e, se estiverem metidos em alguma alhada, uma entrevista com o José Alberto Carvalho.

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Rentrée

por Isabel Mouzinho, em 31.08.15

E pronto. Com a chegada de Setembro, vem também a rentrée em toda a sua plenitude. Tem que dizer-se assim mesmo, em francês, porque não há na língua portuguesa nenhuma palavra capaz de transmitir de forma tão forte e abrangente a infinidade de sentidos que ela encerra.

Gosto muito desta época em que tudo tem o sabor do recomeço, não com a alegria berrante e renovadora da Primavera, mas com os cheiros e as cores do Outono, na melancolia do fim de férias, misturada  com o entusiasmo do que principia outra vez e promete ser diferente, ou até talvez melhor.

Para mim, a vida toda, a rentrée significou quase sempre, acima de tudo, regressar à escola. E sempre foi em Setembro e não em Janeiro que senti que  começava mais um ano. Época de cadernos a cheirar a novo e de canetas por estrear, de novos projectos e de inconfessadas intenções, de algazarra e de esperança, da cabeça cheia de ideias para pôr em prática e da vontade de regressar a um mundo sempre igual e ao mesmo tempo sempre diverso, tão complexo quanto apaixonante.

Por variadíssimas razões, este ano traz consigo maior expectativa, e uma novidade que o torna um pouco mais novo que os outros. Por isso, desta vez, o conhecido e o incerto aliam-se  de forma ainda mais peculiar, o que me provoca um ligeiro friozinho na barriga, mescla de medo e de vontade em doses quase iguais, mil possibilidades em aberto, apesar de saber que haverá bom e mau, positivo e negativo, como sempre há em tudo, em todo o lado. Por ora, concentro-me nos dias por viver de um ano inteirinho em que espero conseguir misturar com natural simplicidade o que tem que ser feito e o prazer da sua realização, esquecendo por momentos, pelo menos, tudo o que também me limita, inquieta, preocupa. Ninguém disse que vai ser fácil. Mas acho que vai ser bom.

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Pois isso. Já passou mais de um mês e tal e coiso. Mas claro, antes de voltar ao ginásio, é preciso tratar do equipamento. Das sapatilhas, para não irmos mais longe. Que aqui o cidadão não está ainda para grandes deslocações. Neutral? Stability? Motion Control? Gel? Termoplástico? E o apoio? Será melhor sem costuras e múltiplas camadas, não? Apoio linear e lateral, bem entendido. E o sistema de torsão? A sola com reforço nas zonas de maior desgaste? O topo devia ser arejado e em malha para assegurar a máxima ventilação? Quero ou não assegurar a máxima aderência em todas as direcções? No final, depois de uma profunda reflexão, tudo ponderado, trouxe umas verdes. Queira Deus que não me tenha precipitado. 

 

Em tempo: aos caríssimos leitores que estejam em vias de enfrentar esta mesma provação peço encarecidamente que não enfiem um par de bofardos ao solícito vendedor se este calhar de perguntar se são pronadores, neutros ou supinadores. Ao contrário do que possa parecer, não se trata de vasculhar nas partes mais esconsas das nossas almas, mas apenas de saber, ao que pude apurar, que tipo de passada e que parte do pé apoiamos. Pelo visto, isso determina, entre outras coisas, o modelo que tem a caixa dos dedos mais adequada. Com tanta tecnologia, presumo, embora sem certezas, que a caixa dos dedos deve ser qualquer coisa como a caixa negra dos aviões, mas neste caso destinada a registar o nível de chulé produzido pelo esforçado aspirante a desportista. Ou isso ou o tamanho das bolhas.

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Tinha prometido começar a fumar em 2015. A verdade é que acabo de perguntar o preço do tabaco e não, não posso.

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conto de fim de ano

por Patrícia Reis, em 31.12.14

Caro Manuel

Escrevo-lhe da praça do Muro das Lamentações em Jerusalém. Perdoe-me. Não estarei para a Consoada. Agradeço-lhe o convite, sabe que sim, sei que não se esquece de mim. Devo ser uma espécie de sem-abrigo afectivo na sua vida, condição altamente recomendável para um viúvo e, sabendo que não desdenho as fatias paridas e o bacalhau com couves da nossa Cecília, a verdade é que fugi dessa coisa natalícia, artificial e luzente que não compreendo. Ou já não compreendo.
Tempos houve que saía de casa para ver as luzes na avenida, espreitar as decorações, o cheiro do frio de Dezembro, a conversa das prendas e toda a organização das festas. Fazia o presépio no primeiro domingo de Dezembro. Fazia-o com cuidado, comprava musgo na florista, desvendava cada figura guardada em papel de jornal, conseguia algumas diferenças na composição de ano para ano, mas coisa pouca.
Não tenho força para nada disso, descer à arrecadação, procurar os enfeites de natal e viver esse momento, julgo ter perdido o sentido da vida, de estar e ser com os outros. Respiro apenas, meu amigo. Respiro e o coração bate sem emoção. Isto não é vida. É outra coisa. Quando comecei a ver o carro carregado com as iluminações, as gruas e os homens a preparem o natal, percebi que não conseguiria ficar indiferente.
Como uma espécie de tortura, optei por viajar e escolhi, de todos os lugares do mundo, imagine, Israel. E agora aqui estou no lugar fundador de tudo, na estranheza desse princípio que está no nosso código genético, no nosso imaginário.

Está frio, sabe, que entra nos ossos. Talvez seja apenas a velhice. Digo-lhe que isto do frio é muito limitador. Ando pelas ruas a esfregar as mãos. Fiz o percurso dos tristes, desses turistas que surgem com guias a debitar informação, guarda-chuvas erguidos como uma placa sinalizadora de presença, americanos lamentavelmente ruidosos, nipónicos sem expressão, grupos de peregrinos italianos que murmuram orações enquanto fazem a Via Sacra.
Vou, sem destino, como uma sombra na perseguição dos outros. Tenho no quarto de hotel um guia, o melhor, o American Express; páginas repletas de informações sucintas, apenas o essencial. Ainda não o abri. Penso que não quero saber. A história, as religiões monoteístas, os monumentos. Nada disso me interessa.

Ando pelas ruas há dois dias. A velha cidade de Jerusalém é maior do que a China. Parece-me diferente todos os dias, como um mar atormentado que se transfigura num espelho de acalmia para depois voltar a uma certa fúria. Do bairro judeu ao árabe, a fronteira desenha-se na pedra, nos cheiros, na arrumação que se opõe ao caos de uma espécie de souk. Fascina-me esta divisão. A ordem e limpeza dos judeus são admiráveis e, talvez não me faça compreender como gostaria, caro Manuel, mas a verdade é que é um pouco assustador.
Passei há pouco o detector de metais para chegar aqui, ao Muro das Lamentações. Descobri ontem que estou contra a minha educação, as minhas raízes. Não sinto qualquer comoção no Santo Sepulcro. Devo ser um mau cristão. Sempre suspeitei ser um pobre cristão, indigno e fatalmente obtuso para os mistérios maiores. Aqui, no Muro, sento-me numa cadeira de plástico, no lado reservado aos homens, e consigo ouvir as mulheres do outro lado, mulheres que de pé se encostam ao muro e rezam alto, como uma cantilena, um choro triste e repetido. Deus abandonou-nos. Estamos sozinhos. Ele não está no muro, na igreja, na mesquita. Escapou-nos. Há quanto tempo? Desde sempre, parece-me.  
Não o quero ofender, Manuel, sei da sua devoção. Perdoe este seu amigo. Li algures que nada mata mais do que a solidão, sobretudo se estamos mesmo sozinhos. Talvez esteja aquém da salvação, do entendimento, de uma ideia melhor. Terá Deus um propósito específico para mim? Sim, sei que devo acreditar na Sua bondade. Um dia talvez O reencontre.
Decidi agora que não lhe mandarei esta carta, meu amigo, vou deixá-la numa fresta do Muro das Lamentações, numa pequena reentrância entre pedras de outra memória, a sua carta e milhares de orações, pedidos, agradecimentos que só consigo imaginar com enorme esforço.
Desejo-lhe um Santo Natal.
Um abraço,
Eduardo

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Valsinha

por Teresa Ribeiro, em 31.12.14

C:\Documents and Settings\Admin\Ambiente de trabal

 

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar,

olhou-a displicentemente e mostrou-lhe muitas contas por pagar

e maldisse a vida tanto que nem era jeito de se lhe falar

e deixou-a só num canto e para seu grande espanto saiu para não voltar.

 

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar,

com um vestido decotado que comprou nos saldos sem pestanejar

e cheia de ternura e graça foi para o facebook e começou a facebookar...

 

E aí facebookou tanto que o grupo de amigos todo despertou

e foi tanta felicidade que toda a comunidade se iluminou

e foram tantos likes loucos tantos lol's roucos como não se ouvia mais...

que o mundo compreendeu e o novo ano amanheceu em paz. 

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O que vos desejo para 2015

por Rui Rocha, em 31.12.14

Saúde, amor e um amigo como aquele, o do Sócrates.

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O que fica das memórias

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.12.14

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A primeira imagem que retive quando saímos da turbulência foi a dos campos de arroz de Surabaia. Chovia com intensidade. Pouco antes, o piloto avisara-nos de que teríamos de rumar a Juanda para reabastecer a aeronave em virtude de não haver combustível suficiente para se continuar à espera de uma aberta que nos permitisse aterrar em Denpasar. Não sei porquê, mas o verde dos campos de arroz tem sobre mim um efeito estranhamente tranquilizador. Talvez porque mesmo nos dias de chuva, quando o céu está mais pesado e o seu cinzento mais carregado e com tendência a deprimir-nos, a profundidade desse verde me faça comungar da explosão de vida que dos campos irradia. Há muito que queria ver os terraços de arroz e os cumes dos vulcões, embrenhar-me na floresta e mergulhar nas águas quentes daquela ponta do Índico, cujo nome de repente se mistura com o de dezenas de mares e estreitos feitos do apelo ao desconhecido. Recordava-me de há muitos anos ter lido um artigo, amplamente ilustrado, cujo título era "Flores after the storm", e depois mais alguns outros que tinham em comum o facto de referirem que as águas indonésias ficavam mais ricas depois dos temporais. Quando a vida regressava à normalidade, quando a transparência voltava, havia mais alimento e os grandes cardumes também regressavam. Com os campos de arroz também se passará algo semelhante. Parecem mais verdes, mais puros. Por razões várias, incluindo a inexistência de relações diplomáticas entre Portugal e a Indonésia, a minha confrontação com aquelas águas e campos foi sendo adiada. Concretizou-se agora. A realização de velhos sonhos sempre traz consigo um turbilhão de emoções. Mais intenso quando há todo um conjunto de circunstâncias a rodeá-los, onde se mistura a alegria com a apreensão, com a saudade e a ausência, com a preocupação com terceiros que estão longe, carentes, e aos quais não se pode acudir num momento tão especial como o Natal. Não sou de balanços, mas não sendo insensível ao que fica para trás sou incapaz de seguir em frente sem rever o passado. Quando volto a cabeça e atiro um olhar sereno sobre o que jaz, sobre a memória que nos transportará para o momento seguinte, para o trilho de novos sonhos, vejo a minha alma soltar-se durante breves instantes, fazer a triagem e cuidadosamente recolher o que nos permitirá seguir em frente e nos acompanhará no futuro que se avizinha. Nesse exercício percorro palavras, cores, gestos, olhares, momentos de ternura, de verdadeiro afecto, num caleidoscópio que se aproxima e se afasta até parar imóvel no momento em que num rápido semi-cerrar das pálpebras me endireito, olho para o que tenho diante de mim e me preparo para o dia seguinte.

Do passado sabemos apenas que existiu. Que foi. Do futuro teremos sempre a certeza do que connosco transportamos. E o que transportamos é o que não nos trai. É isso que nos dá a felicidade. A certeza de que existimos. Uma palavra, um sorriso, um beijo, uma imagem. Por vezes, apenas o cheiro da terra húmida, o sabor a sal, a paz de um campo de arroz. O que não nos trai é o que fica das memórias.

Um Bom Ano para todos vós.

 

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É aproveitar, malandragem

por Rui Rocha, em 30.12.14

Já só vos restam mais umas horas. Depois, não há desculpas. Não queremos cá mais pieguices. O senhor primeiro-ministro já avisou que em 2015 não há nuvens negras. Os que continuarem a  queixar-se é porque lhe apanharam o vício. 

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O meu desafio para 2015

por Rui Rocha, em 29.12.14

Concluir uma volta completa ao Sol até 31 de Dezembro. É ambicioso, eu sei. Não faço por menos.

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A alegria de um novo ano

por Rui Rocha, em 02.01.14

Há, é certo, motivos para nos sentirmos rejuvenescidos e revigorados. Com o caminho que as coisas tomam, a cada novo ano que começa estamos pelo menos um ano mais longe da idade da reforma.

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Feliz 2014

por Rui Rocha, em 01.01.14

De acordo com várias opiniões, o novo ano incia-se com ligeiríssimos sinais de optimismo. Tendo a concordar. Se virmos bem, as exportações deram sinais positivos, o consumo interno apresenta alguma recuperação, os números do desemprego parecem iniciar uma lenta inversão de tendência, a espiral recessiva não se instalou e, a cada dia que passa, estamos mais perto de sermos governados pelo Tó Zé Seguro. Estou mesmo convencido que em 2014 teremos boas notícias: se precisarmos, não nos faltará sequer um guarda-chuva.

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Festas felizes.

por Bandeira, em 31.12.13

José Bandeira

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Nem no Dia de Ano Novo os portugueses terão descanso

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.12.13

Do que disse em 1 de Janeiro de 2013 não se aproveitou nada. Uma vírgula que fosse. Nem os partidos da sua coligação lhe deram ouvidos, precipitando uma crise política que custou ao País mais uns milhares de milhões de euros. Houve de tudo: demissões em barda, declarações patéticas de quem saiu empurrado pela porta dos fundos a dizer que saía pelo próprio pé, remodelações a intervalos regulares, manifestos irrevogáveis, cartas de fazer corar um santo. Enfim, aconteceu tudo o que a criatura disse que não queria que acontecesse em matéria de credibilidade externa, estabilidade e cooperação institucional, segurança interna, confiança dos mercados e equilíbrio social. Será que ele ainda acredita que tem alguma coisa de relevante para dizer? E que nós teremos de ouvi-lo? Será que os portugueses não sofreram já o suficiente para serem poupados ao seu monocordismo?

 

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E a todos...

por Helena Sacadura Cabral, em 29.12.13

E a todos - autores e comentadores - um 2014 cheio de saúde, são os meus votos pessoais!

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Se tenho um método infalível que possa partilhar? Tenho. Conto-vos um dia destes.

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Mensagem de Ano Novo de Sua Excelência

por Rui Rocha, em 01.01.13
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Esclarrrecedorrr, não?

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Bom 2013

por Patrícia Reis, em 30.12.12

O homem deve ter uns cinquenta anos.

Está na porta da igreja, ali à rua da Madalena, encostado à parede. Em cima da sua cabeça, pendurado no edifício, vê-se um telão enorme com a palavra Fé. O homem fuma um cigarro e não parece nem pobre, nem rico, nem feliz, nem infeliz.

Por momentos ponderei se não será um daqueles anjos que eu via no Saldanha. Talvez se tenha mudado comigo para a Baixa. Nunca se sabe.

O sol está frio, mas o meu marido mostra-me a cafetaria/padaria com bom ar e a loja do chinês.

Na Travessa das Pedras Negras nr.1 começa a minha vida em 2013, tudo será melhor, vivemos ciclos de sete em sete anos e há mudanças. Chegada aos 42 anos é o que me espera: um novo ciclo. Quando penso nisto só me lembro de remoinhos e pouco mais. Ou tornados. Ou espirais. Pouco importa. Dizem que o espaço não tem som. Na minha cabeça tudo se atropela e o som é fortíssimo.

O resto? O resto é a vidinha.

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