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Ao Rui

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.03.17

 

La cigarette sans cravate
Qu'on fume à l'aube démocrate
Et le remords des cous-de-jatte
Avec la peur qui tend la patte
Le ministère de ce prêtre
Et la pitié à la fenêtre
Et le client qui n'a peut-être
Ni Dieu ni maître

Le fardeau blême qu'on emballe
Comme un paquet vers les étoiles
Qui tombent froides sur la dalle
Et cette rose sans pétales
Cet avocat à la serviette
Cette aube qui met la voilette
Pour des larmes qui n'ont peut-être
Ni Dieu ni maître

Ces bois que l'on dit de justice
Et qui poussent dans les supplices
Et pour meubler le sacrifice
Avec le sapin de service
Cette procédure qui guette
Ceux que la société rejette
Sous prétexte qu'ils n'ont peut-être
Ni Dieu ni maître

Cette parole d'Evangile
Qui fait plier les imbéciles
Et qui met dans l'horreur civile
De la noblesse et puis du style
Ce cri qui n'a pas la rosette
Cette parole de prophète
Je la revendique et vous souhaite
Ni Dieu ni maître

 

On se retrouvera. Obrigado, meu amigo.

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O André da Fernanda

por Francisca Prieto, em 06.09.16

Foi-se embora o André da Fernanda. E eu vou lendo mensagens e artigos intercontinentais, escritos por gente séria, impressos em publicações de prestígio a falarem do André da Fernanda. Da sua intransigência enquanto editor. Da sua espada alçada contra o moinho da literatura menor. Da forma como nunca colocou interesses comerciais à frente de boa poesia ou, ainda mais difícil, de grande dramaturgia.

Hoje, por exemplo, o Bernardo Carvalho escreveu um artigo na Folha de S. Paulo que gostaria de ter sido eu a escrever, não só porque acredito que se não existissem editoras como a Cotovia, a oferta de literatura em Portugal seria dolorosamente parca, mas sobretudo, porque gostaria de ter privado mais com ele.

Só o conheci como o André da Fernanda, com o respeito, a admiração e o amor que a Fernanda tinha por ele. Com as suas idiossincrasias e teimosias. Com o seu sentido de humor singular e a sua vontade de fazer o que lhe desse na real gana.

Uma vez resolvemos organizar um sarau de poesia. A Fernanda ofereceu a casa e nós, ingénuas, sugerimos que convidasse o André para participar. Horrorizada, respondeu-nos que era melhor deixá-lo ir jantar fora, que era homem para, ao primeiro verso que falasse de mirtilos, sair porta fora dizendo que era só o que lhe faltava aturar uma coisa daquelas.

Têm uma sintonia, aqueles dois. Mesmo agora. Vêem coisas que nós não vemos e guardam retalhos do quotidiano para trocar à desgarrada, com aquela souplesse que vive inerente à mais fina ironia.

Ficaram-lhes as saudades. Um do outro. E aposto que continuam a coleccionar frases deliciosas para se oferecerem um dia, quando se encontrarem na eternidade.

 

André Jorge.jpg

 

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Tão longe e tão perto, Zé Paulo

por Pedro Correia, em 13.04.16

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Sentimos que começamos a envelhecer quando cada vez mais gente à nossa volta nos trata por você em vez de tratar por tu. Na segunda-feira despedi-me de uma pessoa que me tratava por tu há 33 anos - outra pessoa que parte cedo de mais, outra pessoa com quem ficaram tantas conversas por partilhar. Foi o José Paulo Canelas, um grande profissional do jornalismo, um amigo de décadas.

 

Éramos absurdamente novos, absolutamente infatigáveis, ingenuamente crentes de que seríamos capazes de tornar realidade todos os sonhos. Eu editava na altura o segundo caderno do semanário Tempo, um dos jornais com maior tiragem à época, e havia decidido remodelá-lo alterando-lhe o grafismo e até o nome - passou a chamar-se Fim de Semana. Obtive luz verde da direcção para contratar novos colaboradores e colunistas - de uma geração mais jovem e com uma linguagem mais arejada e dinâmica.

Entrou assim em cena o José Paulo, que passou a ter a seu cargo duas páginas de temas desportivos - era já então a área que preferia. Trabalhámos juntos, semana a semana, durante quase três anos: posso garantir que foi um dos raros colaboradores que não falharam um prazo. Oferecia sempre mais do que lhe era pedido em textos que me chegavam irrepreensíveis às mãos - ao contrário de outros, que precisavam de ser profundamente alterados ou mesmo refeitos de alto a baixo após julgamento sumário e condenação à guilhotina.

Finda esta experiência, reencontrámo-nos durante alguns meses na revista Nova Gente, onde fui um fugaz subchefe de Redacção. Trabalhávamos imenso mas divertíamo-nos na mesma proporção naquela indescritível cave em Queluz onde não decorria um dia sem um toque surreal. Com histórias que davam para um bom livro, garanto-vos. Ou para trechos de filmes de um Buñuel ou um Fellini.

 

Depois os nossos destinos separaram-se. Eu saí de Portugal, andei dez anos por fora, cumpri o sonho de dar a volta ao mundo. Ele seguiu a rota do jornalismo desportivo, para a qual tinha genuína vocação: passou pela Gazeta dos Desportos e pelo Record, e chegou a subdirector do diário O Jogo. Como sucede a quase todos nós, sucedeu-lhe então uma inesperada alteração de rota, especializando-se noutra área do jornalismo: chegou a director da revista TV 7 Dias e era agora subdirector da TV Guia, embora em situação de baixa há cerca de um ano.

Foi quando exercia funções directivas n' O Jogo que, estando eu de regresso ao País e sem trabalho, recebi um telefonema dele a convidar-me para editor do jornal em Lisboa. Algo que jamais esqueci, jamais esquecerei. Só quem nunca passou pelo desemprego é incapaz de avaliar a importância destes gestos.

 

Na igreja do Santo Condestável, ao princípio da tarde de segunda-feira, dizia-me o Fernando Sousa, seu primo-irmão, que o José Paulo Canelas, por mais atarefado que andasse, nunca perdia de vista os amigos e tentava sempre ajudá-los. Sou testemunha directa desta generosidade. Sempre discreta, muito à maneira tímida dele, quase como se precisasse de pedir licença para nos mostrar que tinha um coração enorme.

Naquele momento triste, reencontrando após tantos anos parte da "minha" equipa da Nova Gente, foi possível sorrirmos juntos ao lembrarmos episódios irrepetíveis em que fomos protagonistas. O espírito do Zé Paulo permanecia intacto, ali connosco.

Por breves instantes, inspirados por ele, voltámos a ser miúdos outra vez. De uma alegria contagiante, de uma energia inesgotável, com a sensação de que não há metas impossíveis e temos um tempo sem limite pela frente.

Tratamo-nos todos por tu e combinámos jantar. O Zé Paulo vai lá estar também.

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Colaborações & Cia.

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.04.16

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"O aborrecimento é o sintoma da deterioração da nossa relação com o mundo e, também, connosco próprios. O aborrecimento apenas desaparece voltando ao mundo, ou seja, aceitando o desafio. Procurando, portanto, a nossa nova identidade" — Francesco Alberoni, A Amizade, 1984 

 

Não é a primeira vez que a nossa vida pública é confrontada com um caso em que alguém é chamado a colaborar com o Estado, neste caso através do gabinete do primeiro-ministro, sendo levantadas dúvidas sobre o tipo de colaboração, a forma de vinculação e a relação existente entre convidante e convidado.

Nos dias que correm, num país e num mundo assolado por sucessivos casos de corrupção, burlas, aproveitamento ilegítimo de cargos de poder em benefício próprio, do partido, de amigos, de confrarias e até de seitas que funcionam à margem de qualquer controlo político-democrático, longe de qualquer escrutínio, onde se movimentam múltiplos e milionários interesses, alguns de origem e objectivos obscuros, é natural que muita gente se questione sobre a colaboração que tem vindo a ser dada por Diogo Lacerda Machado ao primeiro-ministro António Costa.

É natural, mas também é desejável que numa democracia tudo o que interessa aos seus destinatários e possa bulir com o interesse público seja devida e rigorosamente escrutinado. O que, evidentemente, não dá qualquer autoridade moral a quem protegeu os amigalhaços e a camarilha para vir agora dizer que "se possa confundir uma relação pessoal com uma relação institucional e contratual”. 

Tal como aconteceu noutros casos, o problema que está em causa não é só de legalidade. Também é de ética, de transparência e de confiança nas instituições e nos seus agentes.

Que o primeiro-ministro, o actual ou qualquer outro, necessite de se rodear de pessoas da sua confiança para levar a cabo as tarefas que se propôs, as que são necessárias para salvaguarda dos interesses nacionais ou cumprir o programa de Governo que a Assembleia da República aprovou, não causa qualquer rebuço aceitá-lo. Como também é normal que numa democracia não baste à mulher de César ser séria e parecer séria. É também preciso que o que transpareça para a opinião pública, para além de uma mulher saudável e fisicamente atraente, seja uma relação sã, séria e salutar.

Não tenho dúvidas nenhumas, nunca as tive, quanto à honradez ou a seriedade do primeiro-ministro ou de Diogo Lacerda Machado. Conheço-os há anos suficientes para as poder atestar. Mas este facto, ou a amizade existente entre eles ou aquela que eu próprio lhes possa ter, não se confunde com a exigência de escrutínio e de transparência da nossa vida política.

Sabe-se que o Estado tem quadros cada vez menos qualificados em diversas áreas. Porque os seus técnicos são mal pagos, como o são os políticos. Só que não será por causa disso que as tarefas que se lhes impõem podem deixar de ser realizadas com seriedade e competência, sob pena de passarmos a vida, enquanto cidadãos e contribuintes, a sermos enganados por meia dúzia de burocratas ou de trapaceiros, consoante o pelouro, que vão aproveitando a sua incompetência e irresponsabilidade para se irem safando e criando as PPP’s que a todos nos enterram. As mesmas que hipotecaram o futuro de várias gerações de quadros qualificados, muitos obrigados a viverem e trabalharem no estrangeiro para poderem manter condições dignas de sobrevivência e valorização profissional e académica.

Mas é igualmente verdade que a democracia e a república não se esgotam nas leis. E é na forma como o poder é encarado, assumido e exercido, no modo como se faz a política, como as regras são ou não são cumpridas, que é possível julgar os actos de governo e as acções dos agentes políticos.

A transparência, tal como já antes o afirmei em relação a outros governos, não é uma palavra vã. E tão importante como ela é o que está acima dela e das leis: o compromisso ético. Numa democracia adulta o respeito por uma ética pessoal, política e de governo implica que seja esse o primeiro juízo a ser efectuado por quem escrutina. E é sobremaneira importante que o que tem de ser feito o seja em termos tais que seja tão transparente que até aos mais cépticos e aos mais mal intencionados não seja possível levantar-se a mais pequena dúvida sobre o que foi feito, como foi feito e com base em que pressupostos se fez. Foi isto que falhou no caso da contratação de Diogo Lacerda Machado.

Não vale a pena discutir se um tipo pode ou não trabalhar pro bono ou a receber uma quantia simbólica pelos valiosos e competentes — o Diogo merece que isto seja dito — que prestou ou pode vir a prestar. Todos sabemos que se pode trabalhar à borla, não só no voluntariado, e que nem todos são mercenários ou arrivistas ignorantes sedentos de poder e de dinheiro. A educação, o sentido de responsabilidade, a ética e a noção do dever não se compram, embora haja muitas “escolas” a vendê-las. Aquelas são coisas que se aprendem, que se cultivam e que se interiorizam porque nos são úteis ao longo de toda a vida.

Por isso mesmo, qualquer que seja a leitura que possa ser feita do passado próximo, mas também do mais distante, estiveram bem os que exigiram ver toda esta situação esclarecida. Espero que isso seja feito. Estou certo que o será rapidamente. E quero acreditar que situações de falta de transparência não se voltarão a verificar.

 

A amizade é um valor intemporal, uma projecção da alma de cada um, um pilar da vida e da confiança em nós próprios e nos que nos rodeiam. É também um valor que deve ser protegido e estimulado, mas que em matéria de assuntos de Estado deverá estar sempre abaixo deste e das sua leis e regulamentos. E todos estes devem subordinar-se a regras éticas e de transparência que são fundamentais para a confiança na democracia e nos homens que a fazem.

 

Em política há emoções, há sentimentos, há pessoas, há regras. Para alguns há, felizmente, ainda valores. Mas também deve haver inteligência e bom senso. A amizade, essa, coloca-se noutro patamar. Convém ter isso sempre presente porque qualquer amigo o compreende. Para que não se comprometa a amizade, para não nos comprometermos aos olhos dos que servimos comprometendo a imagem das instituições que servimos. Preservando, em especial, a confiança em quem em nós confiou. Tornando mais firme o compromisso ético a que estamos obrigados no serviço aos outros. Criando riqueza que não pode ser avaliada em acções, cotada em bolsa ou pendurada na lapela do casaco.

 

(Visto de Macau, em Cascais)

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Injustiça!

por Rui Rocha, em 19.10.15

Então o outro empresta-lhe dinheiro, não quis sequer um papel assinado, não sabe quando vai receber, foi "dentro" por causa disso e o melhor amigo é o Soares?

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O que vale a pena

por Isabel Mouzinho, em 12.08.15

Há nas amizades verdadeiras uma aura de mistério, qualquer coisa de incompreensível e de inexplicável que faz delas uma espécie de benção, que nos enche a  alma e  a vida, e nos conforta o coração em dias sombrios, ou quando tudo parece virar-se do avesso e o mundo começa a girar ao contrário.

Vivem-se em total liberdade, mas tratam-se com cuidado e carinho. Têm por base a confiança inabalável, os sentimentos genuínos e a grandiosidade do afecto e, por isso, devagar se fazem também cumplicidade e partilha, na magia que faz os amigos de há pouco poder parecer que são já de há muito, e na certeza de saber que para lá dos silêncios e dos gestos alguma coisa nos liga, um laço invisível que se nos ata ao coração e que se acredita poder perdurar para lá de tudo. Mas todas as pessoas, mesmo as que mais amamos ou admiramos, podem um dia desiludir-nos ou magoar-nos.

Perguntamo-nos, então, quanto vale uma amizade. Por que será, afinal, que nos zangamos tanto, às vezes, por coisas maiores ou mais pequenas, até com quem nos quer bem? E quantas pessoas, das que nos são queridas, não foram já ficando pelo caminho, porque a determinada altura nos afastámos sem uma razão óbvia, ou sem conseguirmos encontrar um motivo suficientemente forte, e válido, que o pudesse explicar. Fomos deixando de nos falar e pronto. Por um  amuo, um mal-entendido qualquer, que depressa dá lugar ao ressentimento, tantas vezes motivado por uma insignificância.

Já todos passámos por isto. Cada um de nós tem "o seu feitio" e eu não sou excepção, mas sou incapaz de prolongar uma zanga com as pessoas de quem gosto e que me importam. Essa é mesmo uma das minhas maiores debilidades. Sobra um incómodo, que me sufoca, e quero logo fazer as pazes. Tendo ou não razão. Se uma pessoa me ofende, prefiro dizer-lho, ainda que isso implique discutir o assunto de forma mais ou menos acalorada. É que, apesar de difícil,  tentar pôr-se no lugar do outro e percebê-lo pode ser interessante. Importante, também. E pode valer a amizade. Afinal há tanta coisa que uma boa conversa, olhos nos olhos, permite esclarecer... Mas o que fazer quando até isso nos é negado?

Enfim, a vida é demasiado curta e, no fundo, o mais importante é saber guardar os amigos verdadeiros coladinhos ao coração e levá-los connosco vida fora, para lá de todas as mágoas, de todos os silêncios e indiferenças, de todas as histórias reais, imaginadas, ou forjadas por quem nos quer mal.

E acreditar que o tempo traz sempre consigo a verdade de todas as coisas. E que ter quem acredite em nós faz a vida valer a pena...

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Da importância de ser amizade

por Patrícia Reis, em 21.07.14

A melhor forma de amor é a amizade, é quase banal dizer ou escrever, mas talvez não seja tanto assim.

Quantas vezes pensamos nós nos amigos? Quantas vezes telefonamos para saber deles e não contar a nossa vidinha?

Quantas vezes é que somos mesmo amigos: sentados à mesa, a partilhar uma refeição, a rir, perdidos no tempo, sem noção das horas, petiscando pedaços de pão (ou, muito melhor, pedras de Santiago)?

Este sábado, com o miúdo-quase-homem, uma amiga e apenas nós, o meu marido e eu, corremos tudo: política, sexualidade, direitos e deveres, histórias mal contadas, acontecimentos de vida marcantes.

E, quando a nossa amiga falou da avó Joana, os olhos ficaram do tom mais profundo do mar e o nosso coração encolheu, viemos à superfície e sobrevivemos na conversa. Por amor. Por amizade. Por estarmos todos com os telemóveis desligados. Sem preocupações de monta. Das oito da noite até quase às quatro conversámos.

Caramba, uma conversa é tão importante!

E tudo foi recíproco. Nada foi dito a medo, com formalidade.

Quando é assim, posso garantir, é um privilégio.

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da fragilidade da amizade

por Patrícia Reis, em 17.12.13

Há uma amiga que se fará à estrada, rumo a Faro, para se "despedir do homem que foi a grande referência da sua vida".

O pai.

Estou tão longe, o céu está carregado de nuvens, não se vêem os morros, as favelas parecem presépios e a ideia está tão gasta que me mete pena só de a escrever.

Ser amigo é cuidar. É estar. É ouvir. Ser amigo é saber ser amigo. É perceber a fragilidade do outro e dizer-lhe que é uma rocha. É mostrar-lhe as brechas quando se sente uma rocha. Ser amigo é difícil, a mais complexa forma de amor. A melhor.

A minha amiga vai perder o pai.

No ano passado, perdi o meu avô. Outros perderam amigos, familiares, filhos, vizinhos. É a vida, dizem.

É pena que a vida seja isto.

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E viva a monarquia!...

por Fernando Sousa, em 07.11.13

Bom dia, princesa, Mem-Martins

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A última viagem do José Alberto

por Pedro Correia, em 26.05.13

 

Julgo que foi o único colega de profissão com quem estive em cinco continentes. Desde logo em Lisboa, onde chegou a ser um dos profissionais mais qualificados da RTP. Os nossos caminhos profissionais cruzaram-se depois em Macau, onde dirigiu os canais de rádio e televisão da TDM. Mais tarde, reencontrei o José Alberto de Sousa em Nova Iorque, onde desempenhava as funções de conselheiro da missão permanente de Portugal junto das Nações Unidas e vivia do outro lado do estuário do Hudson, já em Nova Jérsia. Encontrámo-nos de novo em Cabo Verde, quando ele ali chefiava a delegação da RTP África, e em Díli, onde era assessor da administração da Rádio e Televisão de Timor-Leste.

Era um gentleman, capaz de estabelecer os consensos mais improváveis, sem nunca sentir a necessidade de levantar a voz. Um excelente pivot televisivo, aparentemente imperturbável mesmo nas situações de maior stress. Um homem com uma curiosidade insaciável, sempre disponível para conhecer diferentes lugares e diferentes culturas, e que mesmo quando exerceu cargos directivos nunca se fechava na redoma dos gabinetes.  Um bon vivant, que sabia aproveitar como poucos o lado solar da vida. Um boémio à moda antiga, capaz de cultivar a conversa à mesa como forma de arte. Um daqueles, cada vez mais raros, para quem a amizade era um posto. Por isso há hoje inúmeros amigos, nos mais diversos locais, a lamentar a sua morte - tão precoce e para mim, que nem o sabia doente, tão inesperada.

Despeço-me dele, como tenho a certeza de que gostaria, com esta morna na voz do Ildo Lobo que escutámos num dos nossos jantares na cidade da Praia. Quando havia muitos amanhãs no horizonte e a Morte era uma dama distante a que nenhum de nós sonhava passar cartão.

 

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Amigos sem idade

por Patrícia Reis, em 22.07.12

O Luis é uma figura pública. O meu filho mais novo não se importa com isso e tão pouco o que significa o chavão. São amigos. Conversam sem idade ou preconceito e abraçam-se com força, de forma prolongada. A amizade comove-me sempre.

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