Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Um gesto de amor

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.12.15

Os portugueses vão hoje aplaudir mais um gesto natalício do senhor Presidente da República. Vai ser mais uma jornada de grande elevação e concórdia nacional.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma campanha alegre (3).

por Luís Menezes Leitão, em 18.07.15

A campanha presidencial de Alberto João Jardim vai de vento em popa. Como não podia deixar de ser, um dos principais pontos do programa de Jardim, caso venha a ser eleito Presidente da República, é o de estabelecer um referendo à Constituição. A solução tem precedentes históricos interessantes. O primeiro é o de Louis Bonaparte, o sobrinho de Napoleão, que depois de ser eleito presidente da república francesa, decidiu em 1851 abolir a constituição, recorrendo ao referendo, primeiro para estender o seu mandato presidencial e depois para se fazer coroar imperador, tendo reinado com o cognome de Napoleão III. Victor Hugo deu a essa iniciativa uma qualificação célebre, dizendo que depois de Napoleão I, o Grande, a França tinha passado a ter como imperador Napoleão III, o Pequeno. Em Portugal, Sá Carneiro também chegou a defender a possibilidade de uma revisão constitucional por referendo, mas nessa altura não se vivia numa democracia consolidada, uma vez que o país ainda estava sujeito à tutela militar do Conselho da Revolução. Hoje é expressamente previsto no art. 115º, nº4, d) da Constituição que não é admissível sujeitar a referendo alterações à Constituição. Por isso, o que Jardim está a anunciar na sua campanha presidencial é que promoverá um golpe de Estado se for eleito presidente. Mas a esse golpe de Estado assenta que nem uma luva, a análise de Karl Marx, precisamente no início da obra Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte (O 18 de Brumário de Louis Bonaparte): "Hegel observa em determinado lugar que todos os factos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. Esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa". Sobre esta campanha, há portanto que perguntar uma coisa. Será que algum dos candidatos faz a mínima ideia de quais são as funções presidenciais e qual o conteúdo do cargo a que se candidatam? É que é suposto que uma campanha presidencial sirva para algo diferente de provocar a hilaridade geral.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma campanha alegre (2).

por Luís Menezes Leitão, em 15.07.15

 

Já tinha dito aqui que não consigo resistir ao bom humor que me provoca a candidatura presidencial de Sampaio da Nóvoa. Este, porém, ultimamente tem andado a perder a graça, especialmente desde que António Costa lhe tirou o tapete. Já perdi a conta à enésima vez que nos apresenta a sua comissão de honra, composta pelos três ex-presidentes da república, a que agora procura juntar algumas personalidades do PS, a ver se consegue disfarçar o abandono a que foi votado por parte deste partido. Não conseguiu, no entanto, levar Basílio Horta a apoiá-lo, o que não espanta. Basílio Horta conseguiu fazer um percurso extraordinário, tendo passado de candidato presidencial do CDS contra Mário Soares a compagnon de route do PS. Pedir-lhe, no entanto, que apoie Nóvoa já representa um sacrifício superior a tudo o que ele pode suportar.

 

Mas hoje a alegria da campanha vem do anúncio da candidatura de Alberto João Jardim à presidência. O anúncio é tão absurdo que me pergunto se não será mais uma manobra de Marcelo Rebelo de Sousa para travar o avanço de Rui Rio. Na verdade, Marcelo já recorreu a este golpe uma vez, quando quis travar a candidatura de Mota Amaral à presidência da república em 1985. Percebendo o risco de o PSD apoiar Mota Amaral, Marcelo convenceu Jardim de que ele poderia ser candidato presidencial e que o iria apoiar. E de facto, quando o Congresso estava a discutir a candidatura de Mota Amaral, Marcelo vai ao palanque e anuncia que lhe parecia que Mota Amaral era um candidato fraco e que, a optar por um líder regional, o PSD deveria escolher antes um candidato populista, como Alberto João Jardim. Para surpresa de Jardim, os congressistas desataram a rir às gargalhadas, e assim morreu a candidatura de Mota Amaral.

 

Hoje, no entanto, Jardim preocupou-se em arranjar um programa presidencial revolucionário, não por acaso chamado "Tomada da Bastilha". Nesse programa refere que "o Presidente é o chefe do Governo", mas que "não pode ser demitido pela Assembleia da República, salvo incapacidade física comprovada". Teríamos assim uma espécie de sistema presidencial, mas ao contrário do que neste sucede, o Parlamento não teria poder legislativo, mas antes "poderes de vetar os decretos-leis do executivo nas matérias a serem constitucionalmente expressas". Eis o mundo de pernas para o ar. Em vez de ser o presidente a vetar os actos legislativos do Parlamento, é este que veta os actos legislativos daquele e só nalgumas matérias. Resta perguntar porque é que o país elegeria deputados para fazerem tão pouco. 

 

Mas, se o Parlamento perde poderes legislativos, Jardim, como fervoroso adepto da regionalização, admite dar esses poderes a nove regiões com órgãos de governo próprio em que o país seria dividido, ficando apenas na alçada do Estado algumas poucas matérias. Teríamos assim que o país passaria a ter nove sistemas jurídicos diferentes, podendo, por exemplo, o cidadão ter um Código da Estrada diferente a cada 100km.

 

Ainda vamos rir muito com estas presidenciais. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O maior apoio que Passos Coelho já recebeu?

por José António Abreu, em 05.02.15

Alberto João Jardim admite candidatura à Presidência da República mas sem apoio do PSD porque «a minha relação com Passos é inconciliável.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pobre, nem por isso; mal-agradecido, certamente

por José António Abreu, em 08.12.13

A excepção concedida aos políticos madeirenses, permitindo-lhes acumular salários e pensões, é inqualificável (como a Teresa Ribeiro já salientou). Que Alberto João Jardim retribua prometendo um reforço da luta pela autonomia é não só típico da criatura como muito bem feito para quem lhe apara os golpes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O pós-jardinismo já começou

por Pedro Correia, em 09.10.11

Alberto João Jardim vence, ainda com maioria absoluta de mandatos mas já sem maioria absoluta no voto popular. Perde oito deputados, recua 16 pontos percentuais. Ao contrário do que pretendia, o Governo de Lisboa não levou sova alguma dos eleitores da Madeira. Pelo contrário, Pedro Passos Coelho viu reforçado o seu capital politico ao ter sido o primeiro chefe do Governo português a enfrentar directamente o senhor do Funchal. Com firmeza e sem rodeios.

Hoje ainda, Jardim pode fazer estalar algum fogo de artifício. Mas prepara-se já amanhã para o inevitável choque com a realidade. De alguma forma, o pós-jardinismo já começou.

Autoria e outros dados (tags, etc)

"Sova"? Qual sova?

por Pedro Correia, em 07.10.11

 

Alberto João Jardim, com a sua habitual verborreia demagógica, definiu em mais de um comício da campanha eleitoral que hoje termina na Madeira aquele que considera o seu adversário actual: o Governo da República, a quem pretende dar "uma sova" nas urnas já este domingo. "Se dermos uma sova ao Governo e aos poderes políticos de Lisboa, eles nunca se atreverão a tentar humilhar o povo madeirense", proclamou o líder madeirense, bem fiel ao seu estilo.

Jardim equivoca-se: quem vai ser avaliado pelos eleitores madeirenses é o seu Governo e mais nenhum. Da comparação entre os 64,2% que obteve nas eleições regionais de 2007 e o resultado que obtiver agora será possível concluir se conquistou ou perdeu apoio popular numa terra que dirige ininterruptamente desde 1978 -- recorde na Europa, onde a regra é a rotação dos titulares dos órgãos políticos de natureza executiva.

Quer renove ou não a maioria de que dispõe na Assembleia Legislativa Regional, num aspecto Jardim já perdeu: ao transformar esta campanha num plebiscito implícito às medidas de austeridade impostas a Portugal pelas instituições internacionais, parte derrotado. Porque o memorando de entendimento não é referendável e os 6,3 mil milhões de euros que a Madeira mantinha como dívida oculta lhe retiram qualquer margem de manobra à mesa de negociações -- seja em Lisboa, seja em Bruxelas. A violação de normas de execução orçamental não tem apenas custos financeiros: tem também custos políticos. Alguns dos quais irreversíveis.

Por isso, seja qual for o veredicto das urnas, é garantido desde já que a Madeira iniciará dia 10 um novo ciclo. De maior dependência, de maiores restrições, de maior penúria. Nada será como até aqui.

Esta é a "sova" de que Jardim não fala. Mas nenhuma outra se divisa no horizonte.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Kolmi!

por João Carvalho, em 06.10.11

Autoria e outros dados (tags, etc)

Larguem o osso!

por José Maria Gui Pimentel, em 28.09.11

A oposição, da esquerda à direita, ciosa de uma oportunidade palpável para atacar AJJ, agarrou-se com unhas e dentes à questão do buraco financeiro. Mas fê-lo de uma maneira que – particularmente nos partidos de esquerda – não creio ser a melhor, pois dá a entender que, nos mais de 30 anos de governação, a má conduta de AJJ se resume ao sobre-endividamento do arquipélago. Com este método, não demorará muito (se é que já não acontece) até o povo adaptar o célebre adágio “aldraba mas faz”, para “endivida mas faz”. Sobretudo se, como parece ser o caso, os encargos vierem a ser partilhados com os portugueses do continente (e dos Açores, já agora).

Autoria e outros dados (tags, etc)

Lista de justificações de Jardim

por Rui Rocha, em 20.09.11
  1. É teudo menteira! (já utilizada)
  2. Omitei em legeitema defesa! (já utilizada)
  3. A queulpa é da lei megera das fenanças regionais socialeista! (já utilizada)
  4. A queulpa é da Internacional Socialeista! (já utilizada)
  5. Temos deivida, mas temos obra feita! (já utilizada)
  6. Então e as deividas dos países africanos? (já utilizada)
  7. Neunca queunfessei a oqueltação da deivida da Madaira! (já utilizada)
  8. Queunfesso neunca ter negado a oqueltação da deivida da Madaira! (a utilizar ainda hoje de manhã)
  9. Queunfesso ter oqueltado a negação de deivida da Madaira (a utilizar ainda hoje de tarde)
  10. Assobeiam-me perque sou boneito, reico e bom jegador! (a utilizar logo que lhe passar pela cabeça)

Autoria e outros dados (tags, etc)

O insulto é a arma dos fracos

por Pedro Correia, em 16.08.11

Em regra, o jornalista não deve ser notícia. Mas toda a regra tem excepção. A Marta Caires, que já fez parte da equipa do DELITO, merece uma palavra de solidariedade pela sua firmeza perante a grosseria. O insulto é sempre a arma dos fracos. Seja na Madeira, seja onde for.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Jardim socialista

por José António Abreu, em 16.08.11

Este texto de Teresa Ribeiro salientando a reacção temerosa do Ministro das Finanças às perguntas de Judite de Sousa sobre a situação da Madeira faz todo o sentido. Eu também me senti incomodado. A direita, e em especial o PSD, sempre recusou enfrentar Alberto João Jardim (excepto, até certo ponto, Cavaco, e por isso Jardim o detesta). A Madeira é o mais óbvio e escandaloso feudo existente no país. O epítome do caciquismo. Mas o poder de Jardim resulta de duas vertentes. Por um lado, temos os métodos autocráticos. O desprezo pelas opiniões adversas, a colocação de sequazes, as perseguições políticas. São inegáveis e deviam ser inaceitáveis. Quem os denuncia, da esquerda à direita, tem toda a razão em fazê-lo. Mas há outra parte da questão. As vitórias eleitorais de Alberto João Jardim resultam em grande medida do investimento público e da distribuição de benesses. Da forma como ele tem ignorado os constrangimentos da dívida pública para continuar a construir estradas e túneis. Da forma como tem usado os sistemas de subsídios públicos para fazer depender do seu governo milhares de madeirenses. Ora é neste ponto que eu não percebo a esquerda. Partido Comunista e Bloco garantem-nos que a austeridade não resulta; que é indispensável relegar défice e dívida para segundo plano e (vá-se lá saber com que dinheiro) continuar a apostar no investimento público e nas transferências sociais. Ou seja, fazer exactamente o que Jardim tem feito. Ainda que atacando estilo e métodos (mas são assim tão diferentes dos de Hugo Chávez, por exemplo?), PC e Bloco deviam antes elogiar a obra de Alberto João Jardim. Ele não faz mais do que aplicar as «soluções» que preconizam. Jardim devia ser um símbolo para a esquerda e não um embaraço para a direita.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tão inimigos que eles eram

por João Carvalho, em 31.05.10

Ontem, entre Caracas e Lisboa, José Sócrates fez um stop over na Madeira. Nada de especial. Apenas saudades. Alberto João Jardim só tem olhinhos para ele, que anda tão precisado de levantar o ego.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O PSD a votos (32)

por Pedro Correia, em 27.03.10

 

 

CINCO DERROTADOS

 

1. Manuela Ferreira Leite

Sai da liderança do partido sem um rasgo de nobreza, recusando cumprimentar o novo líder, que havia sido marginalizado há seis meses das listas do PSD e agora foi sufragado por uma expressiva maioria de militantes. Perdeu as legislativas para Sócrates, não revelou um centímetro de autonomia estratégica em relação ao Presidente da República, acudiu a Sócrates no Orçamento de Estado e no PEC. Não deixa saudades.

 

2. Alberto João Jardim

Fez o número mais mediático do recente congresso de Mafra ao abandonar estrondosamente o palco para se sentar ao lado de Paulo Rangel, numa clara afronta a Passos Coelho. Confirma-se, uma vez mais, que não consegue apostar num candidato ganhador à frente do partido. Já fora assim nas mais recentes refregas eleitorais internas, quando esteve contra Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite.

 

3. Pacheco Pereira

Foi o maior guru de Manuela Ferreira Leite. Resultado: nenhum grande objectivo estratégico para o PSD foi conseguido neste mandato, que viu Paulo Portas e os partidos à esquerda do PS assumirem-se como as mais eficazes forças da oposição. Fez campanha activa contra Passos Coelho, como já fizera contra Santana e Menezes, com a habitual violência verbal de quem só consegue olhar para o mundo a branco e preto. Com isso acabou por dar votos a Passos, que tem bons motivos para lhe agradecer.

 

4. Marcelo Rebelo de Sousa

Teve tudo para poder avançar, uma vez mais. Mas o receio de perder contra Passos Coelho - receio fundamentado, diga-se - foi mais forte. O tacticismo do professor, que já o havia conduzido a uma liderança sem glória nos idos de noventa, sobrepôs-se novamente ao arrojo estratégico. Há uma semana, a nata do "jornalismo político" português ainda o levava ao colo, pretendendo fazer dele o salvador do partido. Em vão. Terá de aguardar pelas presidenciais.

 

5. Paulo Rangel

Terá valido a pena rasgar as promessas feitas de que não seria candidato à presidência do PSD? Terá valido a pena romper o bom relacionamento que mantinha com José Pedro Aguiar-Branco, de quem foi secretário de Estado no Governo Santana Lopes? Terá a ambição de que deu provas sido boa conselheira? Basta uma palavra para responder às três perguntas: não.

 

Também publicado aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Se tivesse um pingo...

por Paulo Gorjão, em 01.03.10

 ...de vergonha na cara.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O PSD a votos (2)

por Pedro Correia, em 15.02.10

Pedro Passos Coelho ganhou um trunfo inesperado para a sua candidatura: Alberto João Jardim, com a elegância habitual, escolheu o momento do regresso à Madeira, após participar no Conselho Nacional do PSD, para desferir ataques ao "indivíduo", como optou por chamar ao candidato. Percebe-se bem que Jardim está pouco ou nada habituado a ser questionado no partido. Mas Passos Coelho colocou a questão no plano certo ao reiterar, na reunião dos sociais-democratas, que neste momento de crise todas as parcelas do território nacional devem solidariedade às restantes. Não é a altura - longe disso - de a Madeira, pela voz do seu eterno governante, vir reclamar mais uma chuva de milhões. Trata-se de uma elementar questão de princípio: o PSD não pode exigir mais rigor nas contas públicas enquanto cede às contínuas chantagens de Jardim, como voltou agora a suceder na votação da Lei das Finanças Regionais na Assembleia da República.

Um ponto a favor de Passos. É bom sinal que o líder madeirense dispare impropérios contra ele.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Jardim abre 'guerra' a Passos

por Paulo Gorjão, em 14.02.10

Pedro Passos Coelho assume a posição mais correcta do ponto de vista do interesse nacional e ainda tem como bónus a 'guerra' declarada por Alberto João Jardim. De facto, Passos Coelho tem de agradecer a Jardim o empenho assumido em dar visibilidade à sua posição.

Sejamos claros. Começa a ser altura de acabar com o ciclo em que o PSD anda a reboque de Jardim. Com Passos Coelho acaba de certeza absoluta. Com o senhor que lê "jornais alemães", o homem que quer romper, afinal, o statu quo é para manter. The tail will continue to wag the dog.

[Adenda]

"É por esta e por outras..."

Autoria e outros dados (tags, etc)

Alberto João Jardim

por Jorge Assunção, em 10.09.09

Eu não diria que ir à Madeira é um crime, mas como alguém uma vez afirmou: "o PSD tem uma crise de credibilidade e uma parte desta crise deve-se ao facto de se ter permitido que alguns militantes enterrassem a imagem do partido a nível nacional, envolvendo-se em processos, em actividades ou tendo comportamentos que punham em causa a dignidade de homens políticos". Contudo, a coragem, ainda que moderada, que Marques Mendes revelou em 2005, faltou a Ferreira Leite em 2009. Não é a primeira vez que Ferreira Leite demonstra nada ter aprendido com Marques Mendes, a colocação de António Preto na lista de candidatos a deputados prova-o.

Sobre o tema, ler também este post do Carlos Abreu Amorim.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Legislativas (11)

por Pedro Correia, em 06.08.09

FALTA DE MEMÓRIA E FALTA DE VERGONHA

 

Alberto João Jardim apoia a lista de candidatos a deputados aprovada pelo Conselho Nacional do PSD e manifestou a sua solidariedade a Manuela Ferreira Leite. O mesmo Jardim que em Janeiro deste ano apontava a porta da demissão à líder do PSD se não conseguisse derrotar José Sócrates nas legislativas. E que nessa mesma altura afirmava alto e bom som que os sociais-democratas não deviam "jogar para empatar, mas para ganhar". Não sei que pressões poderão ser maiores que estas: por muito menos, Pedro Passos Coelho foi acusado de conspirar contra Ferreira Leite.

Alberto João Jardim aplaude agora as escolhas da líder, que acaba de confirmá-lo como cabeça de lista (fictício) pela Madeira. O mesmo Jardim que em Abril de 2008, enquanto apoiava Pedro Santana Lopes para presidente do PSD, salientava que Ferreira Leite “faria um grande serviço ao partido não se candidatando”. E porquê? Porque não teria "hipóteses de ganhar 2009”.

"De todas as candidaturas a que não apoio é a de Manuela Ferreira Leite. Estou claramente contra", afirmou Jardim em Abril do ano passado. Foi apenas há 16 meses mas parece ter sido há décadas, tanta é a falta de memória de uns e a falta de vergonha de outros. Em Lisboa e no Funchal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

ou dito de outra forma quer ser representante único de uma certa forma de exercer a democracia em Portugal. Como pessoa frontal que é, valha-lhe isso, veio hoje a terreiro dizer que quer proibir o comunismo na Constituição da República Portuguesa, esperando para isso contar com o apoio da direcção de Manuela Ferreira Leite. Parece-me justo. Manuela Ferreira Leite deixou bem claro há meses que também partilha daquela forma de viver a democracia, pelo que o apoio são favas contadas. Não percebo o embaraço do PSD, pensei que a reacção fosse fácil e linear.

 

 

(também no CC)

Autoria e outros dados (tags, etc)

O sono dos injustos

por João Carvalho, em 28.06.09

«A Assembleia Legislativa da Madeira tem pago pareceres jurídicos para fundamentar, ou para justificar a posteriori, iniciativas legislativas ou meros caprichos eleitoralistas» da maioria madeirense. Pagos assim pelo Orçamento, tais pareceres «custam, em média, 25 mil euros cada e, na generalidade, são encomendados por ajuste directo a juristas da área social-democrata, actuais ou ex-deputados».

Ora, a apetência de Alberto João Jardim para disparar sobre tudo e todos costumava ter o contraponto dos seus pares, que corriam sempre a assinalar o exercício impoluto do presidente do governo regional e líder do PSD-M. Porém, as irregularidades sobre as viagens aéreas de Jardim, estas adjudicações directas aos amigos suportadas pelo erário público e outras escandaleiras estão a minar a auréola do desbocado todo-poderoso da Madeira.

Tudo isto parece confirmar o que há muito se sabe: por princípio, o exercício do poder por tempo indeterminado não é recomendável. Embora, também por princípio, o País e os visados continuem a dormir o sono dos justos. Injustamente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Política de Verdade: A Mentira

por André Couto, em 20.04.09

Então mas a grande virtude da Dra. Manuela Ferreira Leite não era o facto de ser séria, marcando suposta diferença em relação aos outros?

Parece que a provecta idade e o ar politicamente correcto que lhe permitem apregoar a "Política de Verdade" Portugal fora se encontram sustentados em pés de barro. Digo isto porque no (altamente insuspeito) Público de hoje, Alberto João "Jardim revela ter negociado com Ferreira Leite a renúncia de duas candidatas, deixando o nome proposto pela Madeira em condições de ser reeleito" para o Parlamento Europeu.

A Dra. fez a negociata, deixou a Madeira satisfeita apesar da despromoção de Sérgio Marques de 6º para 8º, mas esqueceu-se que o Regime vigente é orgulhoso e tem de justificar ao País tamanho insulto. E justificou. Disse que não foi um insulto, disse com naturalidade que foi uma fraude à Lei das Quotas e aos Portugueses.

Fica à vista que Alberto João Jardim é no PSD quem pratica a Política de Verdade. E quando assim é, não há muito a dizer.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Jardim ameaça e, às tantas, vem

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 13.01.09

 

 

Alberto João Jardim continua a dar sinais de que tem vontade de atravessar o Atlântico e atirar-se à liderança do PSD, mesmo antes das legislativas. Não é esta a primeira vez que AJJ sugere. De todas as outras vezes foi mal sucedido, ou porque ninguém entendeu tal vontade, ou porque poucos tiveram vontade de que assim fosse.

Por essas alturas, o PSD acreditava sempre na sua capacidade de regeneração, de dar a volta por cima, de gerar um líder onde menos se esperava. E acreditava, sobretudo, que chegar ao poder era uma questão de meses.

Mas esse PSD - o partido onde as diferentes sensibilidades coabitavam, ora predominando umas, ora predominando outras - já não existe. Com uma sucessão de lideranças falhadas, estilhaçado até ao tutano, com feridas permanentes à vista, o PSD é, hoje, um partido em desespero.

Praticamente já todos perceberam que Manuela Ferreira Leite só em caso de terramoto ganhará as eleições. E são muitos no PSD - aqueles para quem o poder é uma forma de sobrevivência - que não estão dispostos a abdicar das próximas legislativas, para começarem a preparar uma liderança segura a prazo.

Em tal desespero, não me espantava que fosse desta vez que o embaraçante AJJ conseguisse os seus objectivos. Tem notoriedade nacional, tem carisma, tem obra feita e, por isso - calculam os desesperados do PSD - é um valor seguro para ganhar mais depressa.

Poderá contrapor-se, é claro, que o Continente não é a Madeira e que, aqui, AJJ estaria condenado ao fracasso. Mas não tenho tanta certeza disso. Oeiras, Felgueiras, Gondomar, Marco de Canaveses e tantos outros concelhos desmentem o contraponto.

E, além disso, não é só o PSD que está desesperado - o país começa a ficar também. AJJ tem muitos defeitos. Mas não é tolo nenhum - mesmo quando parece. E já terá percebido que o país pode estar pronto para "agarrar" um populista. O verdadeiro populista.

Valha-nos Deus, então.

Autoria e outros dados (tags, etc)




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D