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Terceiro mundo?

por João André, em 21.01.13

Portugal foi assolado pela tempestade e o caos apareceu. Pelas redes sociais notei que muitos começaram a dizer que era um país do terceiro mundo, que bastam umas chuvas e um vento mais forte e a infraestrutura vai abaixo. Discordei sempre que vi essas opiniões. Qualquer país sofreria com mau tempo extremo. Há uns anos caiu aqui na Holanda um nevão forte seguido de um degelo parcial e de novo congelamento e neve. Devido a isso ficaram algumas localidades sem água, luz e gás. Terceiro mundo? Não, apenas clima.

 

Aquilo que foi do terceiro mundo, no entanto, foi a informação. Se houver corte de luz, telecomunicações ou outra coisa qualquer, posso ir à página da net da empresa e ver qual é o problema e quais são as previsões para a resolução do mesmo. Em Portugal nada disso estava disponível. Estive desde sexta-feira à noite até ontem às 23:00 sem nada saber da família. Nem deles nem das previsões. A EDP, REN ou a ERSE nada diziam. A TMN, Vodafone ou PT estavam mudas. Procurar informações nas páginas dos jornais, rádios ou televisões era esforço em vão. A única fonte de informação foi um jornal regional ou as informações de amigos que se iam ligando à internet a espaços usando os telemóveis.

 

Não, Portugal não é um país do terceiro mundo. Mas os responsáveis de muitas das suas empresas bem para lá podiam ir.

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Do absurdo

por Leonor Barros, em 19.01.13

"Quem admite casamento "gay" pode aceitar uniões entre irmãos." Há quem conduza alcoolizado e há quem aparentemente não alcoolizado nos deixe a desejar que antes estivesse. Pelo menos havia razão para uma afirmação deste calibre.

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Simbolismos

por Leonor Barros, em 05.10.12

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Este país não é para crianças

por Leonor Barros, em 19.07.12

Um texto breve. Uma resposta curta. Uma ou duas frases e teriam respondido ao que era pedido. Quando adolescentes entre os 15 e 17 anos foram questionados sobre como gostariam que os pais agissem perante eles, correram rios de tinta e as respostas alongaram-se em lamentos, aspirações e confissões. Embora conviva numa base diária com adolescentes dessa idade e sinta que muitos deles o que desejam ardentemente são minutos de atenção exclusiva, alguém que se sente ao lado deles e ali fique, explicando, ouvindo, ali apenas para eles numa súplica velada de atenção, os textos apanharam-me de surpresa. Eram sinceros, sentidos e um grito de desespero por aquilo a que todas as crianças e jovens devem ter direito: alguém que os ouça, um ombro, alguém que os faça sentir menos sós na selva contemporânea de umbiguismo, obsessão pelo sucesso profissional e horários desumanos que retiram tempo ao que nos deve ser verdadeiramente importante com todo o valor do mundo mas sem custo que se lhe possa atribuir.

E vem esta conversa a propósito desta proposta do FMI. Ao que parece, 'os dados mostram que Portugal já é o País onde as mães mais trabalham a tempo inteiro e também o que tem mais casais com filhos empregados'. A natalidade está a decrescer e os apoios a quem tem filhos são praticamente nulos. Tendo em conta a situação actual, configura-se que para muitas mães esta possibilidade de ter contrapartidas para regressar ao mercado de trabalho antes do tempo consagrado na lei não seja sequer uma opção mas uma inevitabilidade. Se as crianças clamam por atenção, imagine-se com uma medida deste calibre. O melhor é deixá-las logo na maternidade, se ainda restar alguma por aí, e regressar no dia seguinte, dois dias depois talvez, ao trabalho. E livrem-se de ter partos complicados e outros contratempos. Que maçada essas coisas de mulheres. Tirem as vossas conclusões quanto ao trabalho destes senhores sobre o nosso país.

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Seja solidário. Ajude o Dias Loureiro

por Leonor Barros, em 17.07.12

Tens razão, Rui, Frau Merkel não prima pela criatividade na indumentária. Muda-se a cor e está feito. Quem sabe não mandará tingir os seus casacos no alfaiate da esquina, se os houvesse, para não esbanjar. Honra lhe seja feita que, a adivinhar pela simplicidade da farpela, não gasta o salário do marido em faustosas fatiotas como acontece cá no burgo. Fiquei cheia de pena do Dias Loureiro. Trabalhar para sustentar as farpelas femininas deve ser muito difícil. Vida dura, a de alguns dos nossos políticos. Sabe-se lá a fominha que terá passado por uns Louboutin.

 

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Divagações de Domingo que adormece

por Leonor Barros, em 15.07.12

Este foi um fim-de-semana profícuo em notícias que tocaram gente bem perto de mim e que por desvarios absurdos do Ministério da Educação se encontram neste momento de casa às costas depois de vinte ou mais anos de serviço. Se os professores não fossem necessários nada a fazer. O problema é que não se devem pedir estimativas quando os processos não estão terminados e com matrículas a decorrer. E coagir os Directores a assinar declarações também não me parece muito ético nem sequer decente numa sociedade que se diz democrática. A questão de fundo prende-se, contudo, com todos nós, professores, pais e alunos que verão as suas opções cortadas e não conseguirão encontrar um lugar, arriscaria a dizer aos milhares, apenas pelo mais mesquinho economicismo. Esta situação é ainda mais estranha se repararmos que acontece no mesmo ano em que a escolaridade obrigatória se estendeu até ao 12º ano. Fechando turmas de dia e de noite fica por saber onde irão estudar os alunos e os adultos que tencionem dar seguimento sério aos seus estudos, sem equivalências da farinha amparo, deus a tenha em descanso.

E já que cortam a eito e olhando, por estes dias, as clareiras de deputados nas bancadas, pergunto-me para quando a redução destes na Assembleia da República. Se não estão lá é porque não fazem falta e, como tal, podemos dispensar alguns deles, poupar nas ajudas de custo, na água engarrafada e nos menus opíparos. Se, por outro lado, a ordem é para reduzir pessoal em todo o lado então que o façamos por igual ou existem intocáveis neste país?

 

Também  aqui.

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Esplendor no Relvas

por Leonor Barros, em 03.07.12

Passos Coelho tem-se debatido vigorosamente contra as Novas Oportunidades, menina dos olhos do governo Sócrates. Um dos mais controversos pontos diz respeito ao processo de RVCC, Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências. Neste processo, diabolizado, odiado, epitetado pelo Primeiro-Ministro como 'certificação de incompetências',  é esperado, grosso modo, que o candidato evidencie que já possui algumas competências adquiridas por vias não formais de educação. Este processo servia apenas certificação de nível Básico e Secundário mas hoje descobriu-se que, afinal, há neste país universidades que fazem exactamente o mesmo.

Ao que parece e pelo que aqui se diz Miguel Relvas inscreveu-se em 2006 na Universidade Lusófona e concluiu o curso de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade em 2007, nos termos do Processo de Bolonha através de seis semestres. Diz-se ainda que o curso foi  “encurtado por equivalências reconhecidas e homologadas pelo Conselho Científico” da Lusófona “em virtude da análise curricular a que precedeu previamente”. O que é isto se não um processo de reconhecimento, validação e certificação de competências ou de 'incompetências' se dermos ouvidos a Passos Coelho? Aguardar-se-á o encerramento da Universidade Lusófona até 31 de Agosto à semelhança do que está a acontecer aos Centros de Novas Oportunidades?

 

Também aqui.

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Ai que se me falha a memória...

por Leonor Barros, em 27.05.12
Quando foi a última vez em Portugal que um Ministro se demitiu por:

• ter traído o seu elitorado?

• ter mentido ao eleitorado?

• ter quebrado a relação de confiança com o povo que o elegeu?

• ter visto o seu nome envolvido em situações obscuras?

• ter-se envolvido em situações constrangedoras?

• ter a hombridade de assumir a sua incompetência?

• considerar que um ministro deve estar acima de qualquer suspeita e ter um nome limpo?

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Quem não deve não teme

por Leonor Barros, em 23.05.12

Há alguma razão para o PSD e o CDS terem chumbado hoje os pedidos de audição na Assembleia da República sobre a alegada, ó bela palavra, pressão de Miguel Relvas ao jornal Público? 

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Estranha forma de vida

por Leonor Barros, em 14.05.12

Este Primeiro-ministro conseguiu um feito único: ser o Primeiro-ministro mais vaiado em menos tempo de governação e digamos que em termos de comunicação difícil é pior. Alguém que o aconselhe que o rapaz anda desgovernado. Como nós, de resto. Vem isto a propósito da vaia com que foi brindado ontem na Feira do Livro. Segundo se noticia  aqui, o PM iria numa visita particular acompanhado pelo Secretário de Estado da Cultura e pelo Secretário-geral da APEL. Câmaras não faltaram para noticiar o acontecimento e depois foi-se no automóvel oficial. Estranha 'visita particular'. 

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Avestruzes e outros animais

por Leonor Barros, em 11.05.12

Segundo o que aqui se diz mais de 700 alunos desisitiram este ano do programa Erasmus por dificuldades finaceiras. Segundo esta notícia há mais alunos do Ensino Superior a desistir por causa da crise. Segundo esta no pasa nada.

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Inglês Técnico reloaded

por Leonor Barros, em 09.05.12

Números do desemprego foram entregues aos deputados em inglês.

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1º de Maio no mundo

por Leonor Barros, em 01.05.12
Atenas
Istambul
Madrid
Moscovo
Há que primar pela diferença.

Proponho que doravante o 1º de Maio passe a ser chamado dia de S. Pingo Doce.

 

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Governo dá novas excepções salariais a institutos públicos. Vergonha não lhes falta. Lata também não. Respeito pelos portugueses é nulo. Corro o risco de me repetir ad eternum. Infelizmente.

 

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Por cá vai-se fazendo o que se pode...

por Leonor Barros, em 09.04.12

e pode-se muito bem.

imagem daqui.

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O país anda cheio de problemas. E graves. Muito mas muito graves. E que exigem mão pesada e umas bordoadas valentes, ah como gosto desta expressão! Desta vez foi o João Gobern. Comentador num programa da RTP sobre futebol e essas coisas que fazem vibrar a nação, João Gobern que, pelo que sei, é benfiqusita dos setes costados, festejou um golo do Benfica quando estava no ar. Não dizem que futebol é paixão? Diz ele que se penitencia pelo gesto e pôs o lugar à disposição depois do episódio. E o que aconteceu? Foi corrido. Ó que piadinha! Num país em que se rouba desalmadamente, os governantes mentem ao povo como se dissessem verdades insofismáveis com ar bento de honestidade de plástico, o João Gobern é dispensado da RTP por um episódio absolutamente irrelevante e justificável pela impulsividade tão comum a essas 'coisas da bola'. E se usassem esta celeridade punitiva para outras áreas da vidinha portuguesa, não seria melhor? Não. Corramos com o Gobern. Quem se mete com a RTP leva.

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Tell me lies, tell me sweet little lies

por Leonor Barros, em 01.04.12

 

Lembremo-nos de quem nos governa.

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Opções editoriais ou lá o que é

por Leonor Barros, em 23.03.12
Leio e ouço em alguns órgãos de comunicação social que ontem a polícia carregou sobre os manifestantes em Lisboa. Diz que no estangeiro, esse território mítico onde tudo corre bem excepto num país também à beira-mar plantado com quem alguns de nós não se querem paracer nem por nada deste mundo, também se falou da carga policial sobre os jornalistas, diz-se ainda que os jornalistas têm de se identificar para não levar tareia, porque o resto do povo pode levar à vontade. O Público também deve achar que foi 'diz que disse' para optar por esta eloquente primeira página.

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Desacordo ortográfico

por Pedro Correia, em 17.02.12

Já não é só o Centro Cultural de Belém -- instituição de direito privado, sem tutela pública. Ou Serralves. Ou a Casa da Música. Já não são só a generalidade dos jornais que o ignoram -- Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, i, Diário Económico e Jornal de Negócios, além da revista Sábado.

Já não só os angolanos que se demarcam, ou os moçambicanos. Ou até os macaenses. Sem excluir os próprios brasileiros.

Por cá também já se perdeu de vez o respeitinho pelo Acordo Ortográfico. Todos os dias surge a confirmação de que não existe o consenso social mínimo em torno deste assunto.

São os principais colunistas e opinadores da imprensa portuguesa. Pessoas como Anselmo Borges, António-Pedro Vasconcelos, Baptista-Bastos, Frei Bento Domingues, Eduardo Dâmaso, Helena Garrido, Inês Pedrosa, Jaime Nogueira Pinto, João Miguel Tavares, João Paulo Guerra, João Pereira Coutinho, Joel Neto, José Cutileiro, José Pacheco Pereira, Luís Filipe Borges, Manuel António Pina, Manuel S. Fonseca, Maria Filomena Mónica, Miguel Esteves Cardoso, Miguel Sousa Tavares, Nuno Rogeiro, Pedro Lomba, Pedro Mexia, Pedro Santos Guerreiro, Ricardo Araújo Pereira, Vasco Pulido Valente e Vicente Jorge Silva.

É o ex-líder socialista, Francisco Assis, que se pronuncia sem complexos contra este «notório empobrecimento da língua portuguesa».

É o encenador Ricardo Pais, sem papas na língua.

É José Gil, um dos mais prestigiados pensadores portugueses, a classificá-lo, com toda a propriedade, de «néscio e grosseiro».

É a Faculdade de Letras de Lisboa que recusa igualmente impor o acordo. Que só gera desacordo.

Um acordo que pretende fixar norma contra a etimologia, ao contrário do que sucede com a esmagadora maioria das línguas cultas. Um acordo que pretende unificar a ortografia, tornando-a afinal ainda mais díspar e confusa. Um acordo que pretende congregar mas que só divide. Um acordo que está condenado a tornar-se letra morta -- no todo ou em parte. Depende apenas de cada um de nós.

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Um quiz por dia nem sabe o bem que lhe fazia

por Leonor Barros, em 09.02.12

Teste o seu grau de patriotismo.

O povo está furioso com Martin Schulz porque:

 

a) ele é da SPD

b) ele disse mal de Portugal

c) ele proferiu a palavra proibida: ANGOLA

d) é um suino xenófobo

e) Pedro Passos Coelho ainda não chamou piegas a ninguém hoje e o povo precisa de um bode expiatório

f) meteu o nariz onde não devia

g) o povo precisa de se divertir agora que não há tolerância de ponto no Carnaval

h) sim

 

Grata pela vossa atenção.

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Enganados e mal pagos

por Leonor Barros, em 28.01.12

Acho uma certa piada à indignação que anda por aí porque Alberto João Jardim não se demitiu. Sócrates mentiu e não se demitiu, Pedro Passos Coelho mentiu e fez exactamente o que outros fizeram antes dele, não se demitiu. Não sei qual é a admiração. Neste país ninguém se demite por faltar à sua palavra e mentir vilmente aos portugueses. Deve ser o fado. Admitamos a nossa condição de enganados ou façamos como na Islândia e metamo-los dentro. Diz que o país prospera agora.

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E tu, já ajudaste o Aníbal?

por Leonor Barros, em 24.01.12

 

Se não ajudaste o Aníbal, ainda vais a tempo

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Superlativos

por Leonor Barros, em 16.01.12

Sempre me encanitou esta obsessão dos portugueses por bater records. Pais-natais, cachecóis, feijoadas, bolos-rei, paellas, narizes, sardinhadas, a lista é imensa e acredito que infindável. Portugal pode até candidatar-se para os mais peculiares ministros da Economia do mundo. O Pinho e o Álvaro são duas figuras impagáveis e não estivessem à frente do país, um tivesse estado, e ririamos desalmadamente, isto se fossem figuras dos Monty Python ou do Little Britain. No país do pastel de nata, supeita-se mais um recorde. Diz-se que este governo já fez mais nomeações do que o governo de Sócrates que, como se sabe, megalomania era 'cena que lhe assistia' e muito. E já que apelam tanto à contenção, austeridade, subtraem subsidios e feriados que o povo quer-se temente e disciplinado, não seria do mais elementar bom-senso ser mais contido também neste campo? Um bocadito de vergonha ou pejo? Respeito pelos portugueses? Ou fazem mesmo questão de inscrever o vosso nome do livro dos records? Grata pela atenção.

 

Actualização: contraditório do Governo a ler aqui.

 

Também aqui.

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Se o arrependimento matasse

por Leonor Barros, em 13.01.12

Nunca devia ter ouvido o meu pai, a minha mãe, os meus professores. Para quê queimar as pestanas? Mais vale ser motorista. Das pessoas certas, obviamente.

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Levantem-se e paguem!

por Leonor Barros, em 13.01.12

Segurança Social envia cartas a 34 mil mortos a informá-los do valor que passariam a descontar, no âmbito do novo Código Contributivo. Ninguém está a salvo neste país. Da incompetência também não.

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Notícia de última hora

por Leonor Barros, em 10.01.12

Diz que afinal não serão necessárias medidas adicionais de austeridade. Entendam-se que tenho que fazer do andar a postar e além disso este coração que às vezes vos escreve é fraco e o stress mata. Ó se mata.

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Nada como uma boa notícia para começar o ano

por Leonor Barros, em 09.01.12

Diz que afinal não é bem assim. Afinal vai haver medidas adicionais. Depois do rapinanço aos ordenados desde Janeiro do ano passado, dos subsídios de férias e de Natal, o aumento do IVA e de tudo o que é coisa que se possa comprar, não sei o que nos resta mais. O ar que respiramos talvez. Não param de me surpreender, senhores governantes, e não é pela positiva.

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Já sabemos que a esperança não mora aí. Não vale a pena enganar com essa gravata verde, muito feia, por sinal.

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Imagem indecentemente surripiada do Facebook.

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África, esse belo país da América do Sul

por Leonor Barros, em 16.10.11

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O que farei com estes 30 cêntimos?

por Leonor Barros, em 20.09.11

Ainda a saga dos manuais escolares: Para as famílias do escalão 1 do abono de família, a comparticipação sobe entre 30 e 50 cêntimos no 1.º ciclo; 1,5 euros no 2.ºciclo; dois euros no 3.º ciclo e 70 cêntimos no secundário.  Fiquei atónita com tamanha generosidade. Vejam lá, agora que estão cheios de dinheiro, não vão fazer férias para as Caraíbas.

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Castos e pobrezinhos

por Leonor Barros, em 08.09.11

Começo a ter medo de viver neste país e isto porque tudo mas tudo, rigorosamente tudo, se não foi taxado com impostos, sobretaxas e tributos solidários, poderá vir a sê-lo e tudo o que se tinha como garantido pertence ao passado. Já aumentaram tudo o que podia ser aumentado, ou quase, e quando o povo, de pé ligeiro e estômago vazio, se preparava para esquecer as agruras e descarregar o stress numa sessão tórrida de sexo ou amor, meia hora de alienação total e entrega desalmada, corpos enleados na alcova da intimidade, eis que surge esta nova medida. Voltemos a medir temperaturas, contar dias e a cuscar viscosidades várias à procura da linguagem do corpo, entreguemo-nos à prática, que se não é milenar bem podia sê-lo, do coito interrompido. Quem está a esfregar as mãos de contente é a Igreja Católica. Este Governo vai fazer mais pelos pecadores do que cem homilias na Quaresma. Se não estivéssemos tão mal até julgaria que era um incentivo à maternidade. Já que mal nos deixam comer ao menos que nos deixassem entregarmo-nos a outros verbos acabados em –er. Mas não. Além de pobre e faminto, o povo quer-se bento e casto. Muito bem. Há que pôr o povo na linha, esses badalhocos.

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Breve cogitação num país à deriva

por Leonor Barros, em 21.07.11

Enquanto o povo se esmifra para fazer render ordenados, há quem esteja tranquilamente acima destas aflições. Este país não tem jeito.

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Corria o mês de Março. Acabada de chegar de uma semana na Velha Albion com os meus alunos, o ambiente era mais uma vez de altercação entre o professorado aquém e além da sala de professores da minha escola azul-cueca. Desta vez não era a avaliação ou os titulares, ai as saudades que eu tenho de um ressabiamento à moda antiga, da malta a contar furiosamente pontos como quem os junta no cartão de grande superfície comercial. Nada disso, o povo até andava relativamente sereno quando o Ministério da Educação se lembrou de fazer acções de formação para classificadores de exames e o povo andava altercado, e muito bem, porque aparentemente teríamos de assinar um contrato de três anos, uma verborreia disparatada que se foi pelo seu próprio pé. Mas pormenores à parte e fora o dito contrato que acabou por nunca aparecer, a ideia nem me pareceu muito mal. Nunca é demais reflectir sobre essa tarefa hercúlea de classificar. O que me pareceu mesmo muito mal, mas mesmo muito mal, foi que com acções de formação em Lisboa eu tivesse sido destacada, convocada, simpaticamente obrigada para frequentar a acção como os mesmos formadores e sobre o mesmíssimo assunto em Coimbra. Não adianta fazer um exercício de lógica, aventar hipóteses, pensar e reflectir ou questionar Mas olha lá se havia uma turma em Lisboa porque é que foste parar a Coimbra? Ninguém sabe. Nem o próprio Ministério que pariu esta bela coisa. Ordeira e boa rapariga, ah como gosto de me sentir tão boazinha, lá dispus do meu fim-de-semana, do meu dinheiro, até hoje ainda ninguém se dignou a pagar as despesas da gasolina, portagens e pernoita, e rumei ao Centro. Linda menina, pois, a que frequentou uma Acção de Formação para classificadores de exames de Inglês. A mesma marmanja que hoje se dirigiu à sua escola azul-cueca, mais uma vez obediente e ordeira, para tomar conhecimento de que tinha sido convocada para classificar exames. E corria tudo bem, excepto a parte de não me pagarem que o povo é povo mas não vive do ar, quando os meus olhos aterraram num pormenor curioso. É que desengane-se quem acha que eu vou corrigir exames de Inglês, exames para os quais recebi formação paga pelo Ministério que ainda não pagou. Era lógica a mais. Vou classificar exames de Alemão. Não é lindo?

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Propostas

por Leonor Barros, em 26.05.11

Que se faça um referendo do referendo do referendo que foi a referendo a referendar do referendo que afinal não havia intenção alguma de que fosse um referendo. É que nem há mais nenhum assunto premente neste país de graçolas e engraçadinhos.

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A tragédia da classe económica

por Leonor Barros, em 08.04.11

Raramente terei começado post algum com tanta vontade de escarrapachar nomes, assim uma espécie de anúncio à moda do Velho Oeste: WANTED mas hoje, ai hoje, logo hoje, passados uns meros dias sobre o anúncio fatídico da vinda desse tal FMI ou FEEF ou outra coisa qualquer que, surpreendam-se, vai ajudar a Banca, deu-me esta ímpeto. Foi logo pela fresca quando no meu mural facebookiano me anunciaram que nove dos nossos deputados europeus votaram contra uma proposta para que os voos com duração inferior a quatro horas passassem a ser em classe económica. E agora os nomes e os partidos, já agora: José Manuel Fernandes, Paulo Rangel, Regina Bastos, Carlos Coelho, Mário David, Maria do Céu Patrão Neves e Nuno Teixeira do PSD e Luís Manuel Capoulas Santos e António Fernando Correia de Campos do PS votaram contra. Numa altura em que são pedidos mais sacrifícios do que o conseguimos suportar não ficaria nada mal aos senhores doutores engenheiros arquitectos deputados, uma verdadeira realeza que não se pode sentir encunicada durante umas reles quatro horas e precisa desta afirmações bacocas de uma dignidade vã, dar o exemplo. Desengane-se quem acha que este país ainda tem viabilidade com gente desta. Não tem.

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A alternativa ou a falta dela

por Leonor Barros, em 18.02.11

Jobs for the boys. Tachos para os amigalhaços. Roubem à vontade mas não mexam nos ordenados deles.

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Renato amigo, Cantanhede está contigo!

por Leonor Barros, em 14.01.11

Já não chegavam as Presidenciais, o Sócrates, o Cavaco, o FMI, o BPN e o BPP, os juros da dívida externa, a dívida externa e tudo o que nos atormenta nas últimas décadas de dislate absoluto. Agora temos também isto. Este país não tem emenda. Nenhuma.

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Ó FMI, anda cá!

por Leonor Barros, em 30.12.10

Chefias da Segurança Social foram promovidas com retroactivos a Janeiro.

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Crisis? What crisis?

por Leonor Barros, em 30.12.10

Portugueses gastam mais dinheiro no Natal comparativamente ao período homólogo em 2009.

 

Brasil, Cabo Verde, Marrocos, Nova Iorque e Senegal esgotados há um mês para a Passagem de Ano.

 

Compra de carros sobe em Dezembro.

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O sumo da austeridade

por Leonor Barros, em 27.12.10

Numa altura em que nada se faz e se diz sem zurzir nas medidas de austeridade e antecipar de forma dramática o difícil ano da graça de 2011 há que ir para a rua e ouvir esse povo em permanente alerta meteorológico e económico ou financeiro, o mesmo que vivendo à espera de um Sebastião qualquer que o salve da miséria, tem elegido desde há três décadas a esta parte uma outra estirpe de portugueses incapazes de governar este rectângulo luso. A panóplia de estratégias de poupança não é muito grande e oscila sempre entre arremessar as crianças para o antro da escola pública, deixar de comprar tanta roupa e começar a comprar produtos de marca branca, o que, há que admiti-lo, é apenas uma questão do mais elementar bom senso. É espantoso o conceito de apertar o cinto de alguns dos portugueses. Agorinha mesmo, num dos canais de notícias que desfila à minha frente e num suposto programa de economia ou algo que o valha, uma mulher de meia-idade, alourada como convém, e com o que parecia ser o neto, afastado dela uns passos, afirmou que para poupar ia deixar de comprar sumos e arremessou à criança estacionada no passeio Olha, vais deixar de beber sumo. O que é uma pena. Tendo em conta que refrigerantes não fazem falta a ninguém e que não os beber só pode contribuir para a não ingestão de uma quantidade considerável de açúcar e corantes, a criança só pode beneficiar deste arremesso impiedoso e desta medida extrema de austeridade. Estranho conceito de poupança.

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Os velhos que paguem a crise

por Leonor Barros, em 04.10.10

Desconheço o nome da criatura. Apanhei-a pela manhã durante o pequeno-almoço, enquanto cumpria o vício e o ritual de me actualizar sobre o estado do país e do mundo. Dever-me-ei assustar com este gosto masoquista? Dizia então a criatura, e foi logo após as novas medidas do governo Sócrates, que os reformados deviam sofrer mais cortes e isto, segundo a dita comentadora, porque já não tinham encargos com a educação dos filhos e tinham uma redução de despesas. Portanto, e assim sendo, os reformados que não vivem declaradamente pobres ou no limiar da pobreza devem pagar a crise. Já que não têm filhos para alimentar nem para comprar livros nem gadgets nem roupa de marca nem saídas à noite, só têm é que pagar mais do que os restantes cidadãos. Argumento curioso, tão curioso quanto inane e injusto. Não interessa se os reformados, pensionistas ou como lhes queiram chamar, descontaram já uma vida inteira para a sua reforma, ou se já contribuíram com o melhor dos seus anos para este país. Nem todos vivem à custa de reformas chorudas de lugares ao sol por via de amigos, amiguinhos e amigalhaços. Há quem tenha trabalhado honestamente e muito, com dedicação e empenho, e cumprido a sua missão.

O que mais me encanitou, e se encanitou, foi, por um lado, o preconceito de que os velhos são mesmo velhos, seres a quem a força da gravidade foi lesta e os deixou de carnes dependuradas, desgraçadamente sem plásticas, e mentes toldadas pela neblina da memória embaciada, e que não têm vida própria nem o direito de, se lhes apetecer, ir a banhos para as Caraíbas ou ficar em casa a devorar os livros que não conseguiram durante a vida activa ou ainda fazer rigorosamente o que lhes der na gana. Por outro lado, esta ingerência na vida privada dos cidadãos não me deixou a mais calma das criaturas. E que temos nós a ver como e em quê os reformados gastam o dinheiro e que direito se tem de fazer inferências sobre a vida alheia apenas porque são velhos? E se não forem saudáveis e se precisarem de cuidados ou de pagar um lar? Nada disso interessa para a jovem e enxuta criatura, ainda com as carnes no lugar e a boca rápida em cuspir disparates. Neste país ser velho é igual a não ter qualquer dignidade. Pobre, destituído de tudo. Além de serem abandonados nos hospitais, vítimas de maus-tratos e de abusos têm também de pagar a crise. E por que não exterminá-los? Raio de gente.

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Sem cura

por Leonor Barros, em 02.10.10

No novíssimo Campus de Justiça, certamente inaugurado com a pompa e circunstância sem a qual o provincianismo português não pode passar, faltam salas de audiência e ao que parece vários julgamentos, mega-julgamentos, podem ser adiados porque não existem salas com as dimensões suficientes para o número avultado de arguidos e advogados envolvidos. E claro que se se continuasse na Boa Hora ou num tribunal análogo ainda se podia compreender. Inadmissível mesmo é pensar que o dito Campus foi inaugurado em 2009 e que à data terão sido destacadas “a luminosidade e a climatização”. O mesmo se passa, por exemplo, na minha escola, a ser inaugurada pomposamente no próximo dia 5 de Outubro.  Muita luminosidade, é verdade, climatização, confere. A luminosidade é tanta que incide nos olhos dos alunos logo pela manhã e como não há lugar para onde possam mudar dado o número elevado de alunos por turma, há que aguentar. E salas mais pequenas, capacidade  em número de salas de aula igual à anterior, em equipamentos informáticos estamos ainda pior, ai o meu rico manual, que seria de mim sem ele, e sala de professores onde não cabem os professores nos intervalos, gabinetes de trabalho sem mobiliário. Mas o povo é feliz e pasma-se com as obras na escola. Se estivesse com o rabinho sentado numa secretária e longe do que é dar aulas também haveria de gostar ou se passasse pelos corredores largos ou à porta da escola. Tudo lindo em azulejos brancos e azul cueca. Não há cura para o português.

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Cogitações

por Leonor Barros, em 30.09.10

Manso não é a tia do Louçã. Mansos somos todos nós que aturamos isto.

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Sem justificação

por Leonor Barros, em 26.08.10

Desde que se começou a aventar a hipótese de se fazer uma revisão ao Estatuto do Aluno, até ela ser efectivamente feita e finalmente promulgada pelo Presidente da República que não se fala de outra coisa. A bandeira principal, a pólvora, a panaceia que poria fim a todos os males do mundo, assim como uma banha da cobra que iria erradicar as enfermidades do mundo educativo estava aí, prestes a surgir e a repor a verdade do mundo e a justiça do universo: a distinção entre faltas justificadas e injustificadas. Da esquerda à direita, os líderes, sub-líderes, assessores dos líderes, amigos dos líderes e animais domésticos dos líderes políticos encheram as balofas bocas com palavras doutamente ignorantes e o povo cordato e obediente regozijou em júbilo com a mais esparvoada das mentiras. A distinção entre faltas justificadas e injustificadas existia no antigo Estatuto do Aluno. Os pais, encarregados de educação, e/ou quem os substitui, conhecem muito bem as folhinhas brancas A5, modelo do distinto Ministério da Educação onde escrevinham dias, horas, datas e causas da ausência dos seus educandos e que por vezes acompanham com atestados médicos ou declarações médicas. E para quê? Para que as faltas sejam justificadas naturalmente. E o que acontecia se assim não fosse? Acontecia que as faltas não eram justificadas e, não o sendo, os alunos teriam de realizar Prova de Recuperação quando ultrapassassem o dobro das horas semanais da disciplina a que faltou. Se as faltas fossem justificadas, apenas quando ultrapassassem o triplo teriam de se sujeitar a esse bicho burocrático e inane conhecido como Prova de Recuperação e que, convenhamos, terá ajudado muito às estatísticas socráticas que como sabemos é a sua preocupação principal. E depois da mesma mentira repetida como eco sempre que se aborda o assunto, fica claro que os nossos líderes e outros precisavam de uma Prova de Recuperação para recuperarem as aprendizagens, sim, o pleonasmo impõe-se, é para isso que serviam. Algo me diz que não recuperariam, mesmo com o Plano XPTO, para se porem ao fino. É sempre mais fácil pegar em chavões do que averiguar a verdade. O povo gosta.

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Brandos costumes

por Leonor Barros, em 16.07.10

Só no país dos brandos costumes é que se continua pacífico com esta belíssima notícia. Com cinco milhões de pobres que não sofrerão melhorias nas suas vidas e a quem se pedem sacríficios e, espantem-se, que poupem, os funcionários do Banco de Portugal vão ser aumentados. Tudo isto debaixo dos nossos olhos com a brandura que nos caracteriza.

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Valha-nos a Santa Oposição

por Leonor Barros, em 16.07.10

Foi aprovado hoje na Assembleia o corte em 5% aos salários dos assessores de gabinete, governadores civis e autarcas. Contudo, como gosto desta adversativa, com o voto contra do Partido Socialista. O que ainda me surpreende é a total ausência de pudor da bancada socialista. Não aprendem, nem têm vergonha.

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Poupai-nos

por Leonor Barros, em 02.07.10

Portugal tem dois milhões de pobres e três milhões que vivem no limiar da pobreza. Metade dos portugueses são, portanto, pobres. Dois terços dos portugueses vão passar as férias em casa e desconfio que não será por causa dos conselhos do Presidente da República. O IVA aumentou, provocando uma subida nos preços de tudo e mais alguma coisa, ele é gás, pão, água, luz, tudo, rigorosamente tudo. Os salários sofreram uma redução anunciada, fazendo cumprir as tão elogiadas medidas de austeridade. Aproxima-se a passos largos a época do ano que os pais são extirpados de uma quantia ofensiva em manuais escolares que tão a propósito também sofreram um aumento acima da inflação. E neste cenário miserável o Ministro das Finanças vem pedir aos portugueses para pouparem. Só pode ser brincadeira. Gostava de saber como e mais concretamente em quê. Talvez se passasse um mês com o ordenado mínimo ou com os cerca de oitocentos euros que constituem o salário médio neste país, com contas para pagar, filhos em idade escolar e já agora uma vida digna para viver, entendesse a falta de respeito que o pedido encerra. E por falar em poupar, podiam dar o exemplo e poupar-nos a todos estas inanes afirmações.

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O algarvio a bolo lêvedo

por Leonor Barros, em 20.06.10

Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, Presidente de todos nós e vós, o mesmo que gosta de alardear a isenção e que se mostra incapaz de exprimir uma opinião para não ferir susceptibilidades, não esteve presente nas exéquias de José Saramago. Desconheço o sentido de Estado deste Presidente, desconheço onde parará a tão alardeada isenção. Não é preciso Cavaco Silva ter lido José Saramago, duvido até que o tenha feito, muito menos que partilhe das suas convicções políticas ou religiosas mas Saramago, quer se goste ou não, é um vulto da literatura e cultura deste país, reconhecido e lido internacionalmente, seria muito pedir ao Presidente da República que largasse a alcatra e o bolo lêvedo e estivesse presente? Não seria mas não esteve. Deve ter esgotado a quota de sacrifícios ao aprovar em nome da estabilidade, seja lá o que isso for, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Fiquei esclarecida quanto à isenção e  sentido de Estado deste senhor.

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A intangível arte de avaliar

por Leonor Barros, em 11.06.10

A avaliação de professores continua a estrebuchar. Como um mal crónico ou uma aflição recorrente, a verdade é que continua por aí a dar que falar. Depois da querela que opôs mais uma vez sindicatos e Ministério da Educação, uma vez que ambos não conseguiram chegar a acordo no que respeita ao efeito da avaliação nos concursos para o próximo ano lectivo, eis que o Ministério decidiu que a dita terá efeitos práticos nas vidas dos professores e das escolas, alunos e pais, já se sabe, ou seja, contará para os concursos. O mais insólito condensa-se nas últimas linhas da notícia que cito: ”quanto aos professores que não foram avaliados, assegurou [o Secretário de Estado] que estão “em pé de igualdade” com os avaliados”. Concluo pois que é igual ser ou não avaliado. O que eu gostava que alguém conseguisse deslindar este imbróglio.

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