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Um acto de justiça e bom senso

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.12.15

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Este homem há muito que devia estar no Conselho de Estado. Português, sério, decente e de pensamento livre. Aliás, só homens com o prestígio e a craveira intelectual de um Adriano Moreira é que deviam estar no Conselho de Estado, qualquer que fosse a sua procedência ideológica. Fico satisfeito pelo escolhido, sobre quem em 2007,  2013 e 2014 escrevi uns breves apontamentos, mas mais pelos portugueses.

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Os patriarcas (3)

por Pedro Correia, em 14.09.15

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ADRIANO MOREIRA

 

Há pouco mais de dois meses, no dia 10 de Julho, um senhor vestido formalmente, de cabeços brancos e testa alta, ergueu-se da cadeira onde estava sentado, numa livraria do centro de Lisboa, e durante três quartos de hora prendeu a atenção de algumas dezenas de pessoas que o escutavam com uma notável lição de história, geografia, geopolítica - tudo a pretexto da literatura.

Eu estava entre os que tiveram o privilégio de o escutar nesse fim de tarde. E admirei a impressionante rapidez de raciocínio, a notável fluência verbal e a claridade de ideias deste homem que foi advogado e político mas cuja verdadeira vocação é o ensino. Deu aulas durante dezenas de anos e deixou um rasto de admiradores em todos os continentes: é um dos portugueses com maior vocação universalista.

A expressão francesa sagesse aplica-se por inteiro a Adriano Moreira, que nessa tarde em Lisboa discorreu sobre a "comunidade de afectos" que a CPLP é acima de tudo - e como a língua comum funciona como poderoso traço de união entre os Estados-membros. Ao contrário do que sucedeu com outras antigas potências coloniais europeias, como a Bélgica ou a Holanda, incapazes de gerar laços afectivos com os povos residentes nas paragens que tutelaram.

Adriano Moreira foi subsecretário de Estado da Administração Ultramarina (1958-61) e depois ministro do Ultramar (1961-62) com António de Oliveira Salazar, de quem chegou a ser apontado como um dos seus mais jovens e promissores delfins. Enquanto ministro, aboliu a lei do indigenato - uma das medidas de maior alcance social alguma vez decretadas nos então territórios ultramarinos.

A corte da ditadura fervilhava de intrigas contra aquele jovem governante com 40 anos recém-cumpridos que se atrevia a revelar protagonismo num regime em que tantos progrediam na penumbra. Um dia, em Dezembro de 1962, Salazar chamou-o e foi sucinto: "Nós acabamos de mudar de política." Adriano Moreira foi igualmente sucinto: "Então acaba de mudar de ministro."

Nunca mais reassumiu um posto governativo. Correu mundo, escreveu livros, (Tempo de Vésperas, O Novíssimo Príncipe), radicou-se no Brasil após o 25 de Abril, regressou a Portugal, foi deputado e presidente do CDS, retomou a sua paixão de sempre: o ensino.

"A minha mãe ensinou-me que Deus é companheiro e nunca me esqueci disso. Nunca ando sozinho, nunca ando sozinho", declarou em Maio, numa longa entrevista concedida ao jornal i que vale a pena ser relida.

Pensa bem e diz o que pensa. Gostem ou não do que ele diz. Se em Portugal existisse Senado, ele seria o nosso primeiro senador. E, dobrado o cabo dos noventa, continua a ser um sonhador. Ouvi-lo falar com tão espantosa agilidade mental é também uma lição de vida. 

 

Adriano Moreira completou 93 anos no passado dia 6.

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Isto dito por ele, e não por Soares, tem outra força

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.01.14

"E é evidente que a gestão neoliberal do Governo está a destruir o Estado Social. O Estado Social, uma conquista do ocidente, é uma convergência do socialismo democrático, da doutrina social da Igreja e até do manifesto comunista de Karl Marx. (As palavras têm uma força tremenda. Às vezes falo do poder da palavra contra a palavra do poder.) Na Constituição portuguesa o Estado Social é uma principiologia. Não é uma regra imediatamente imperativa. O que diz é: na medida da possibilidade. É estranho que se transforme uma principiologia numa rejeição. Não se devem rejeitar princípios, em especial princípios que levaram séculos a ser desenvolvidos e a ser incorporados na cultura da população. Nesse aspecto, tenho uma certa apreensão e falta de confiança no entendimento da real situação portuguesa. E não posso considerar que o Orçamento seja o elemento fundamental. Os que estão já numa situação de pobreza, juntos, têm força suficiente para dar um murro na mesa [e exigir] que os princípios da UE seja respeitados." - Adriano Moreira, aqui

 

Sem prejuízo do sublinhado ser meu, bastaria um décimo da inteligência, lucidez e boa fé deste homem para termos um bom governo.

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