Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Na morte de Jerry Lewis

por Pedro Correia, em 20.08.17

jerry-lewis-today-170820-tease-02_d842bfb90a9420b8

 

Certos actores são inimitáveis: Jerry Lewis era um deles. Vi-o, como qualquer de nós, em dezenas de filmes. Mas também o vi uma vez em palco, já ele andava nos 70 anos. Ninguém diria que tinha essa idade: cantava, dançava, cabriolava com uma energia inesgotável no musical Damn Yankees, de George Abbott, Douglass Wakllop (letra), Richard Adler e Jerry Ross (música), nas tábuas do Golden Gate Theater, em Market Street, no centro de São Francisco.
Ainda hesitei em aguardar por ele à saída, para lhe caçar um autógrafo, ao princípio dessa noite de Setembro de 1996: afinal, Jerry Lewis foi um dos ídolos da minha infância.
 
Mal surgia no ecrã, despertava um festival de gargalhadas nas suas comédias de início de carreira em parceria com Dean Martin. O último filme que rodaram juntos – Pintores e Raparigas, de Frank Tashlin, película de 1955, o mesmo ano em que Damn Yankees estreou na Broadway – é uma obra-prima do género, com a vantagem acrescida de incluir uma esplendorosa Shirley MacLaine, então a dar os primeiros passos no cinema.
Dez anos depois, sempre em registo de comédia, o actor nascido com o nome de Joseph Levitch a 16 de Março de 1926, em Newark, Nova Jérsia, protagonizou um dos raros filmes que me fizeram rir até às lágrimas: Boeing, Boeing, hilariante longa-metragem sobre troca de identidades realizada por John Rich em que Jerry se revelava no auge das suas magníficas capacidades como comediante.
Mas talvez o seu melhor filme tenha sido afinal um drama: O Rei da Comédia, de Martin Scorsese (1983), ao lado de Robert de Niro. A Academia de Hollywood podia e devia ter-lhe dado um Óscar por esse trabalho que desmontava com implacável lucidez os frágeis mecanismos do sucesso televisivo. Nada feito: os académicos costumam torcer o nariz a actores oriundos do reino da comédia, esse género que teimam em considerar menor. Pelo mesmíssimo motivo, nem um gigante como Chaplin conseguiu uma estatueta com clássicos como Luzes da Cidade ou O Grande Ditador.
 
Naquele dia, acabei por trocar o autógrafo de Jerry Lewis pelo de Suzanne Vega, que actuava a curta distância, na Virgin, também em Market Street. Improvisando um recital com uma simples viola na mão e um ar doce, quase tímido, como se pedisse desculpa pela súbita fama de que gozava.
Confesso: gosto de ver o meu nome escrito por ela na dedicatória que me deixou no disco Nine Objects of Desire, que tem uma canção deliciosa: World Before Columbus, com uma letra que rapidamente memorizei: "If your love were taken from me / Every color would be black and white / It would be as flat as the world before Columbus / That's the day that I lose half my sight // If your life were taken from me/ All the trees would freeze in this cold ground / It would be as cruel as the world before Columbus / Sail to the edge and I'd be there looking down."
 
Mas ainda hoje me arrependo de não ter esperado antes por Jerry Lewis à porta dos actores no Golden Gate.
 
Texto reeditado em homenagem a Jerry Lewis, hoje falecido aos 91 anos

Autoria e outros dados (tags, etc)

Groucho: o marxismo resiste

por Pedro Correia, em 19.08.17

fc,550x550,red[1].jpg

 

Groucho Marx morreu faz hoje 40 anos. Ninguém diria: o grande actor norte-americano (1890-1977) parece mais vivo que nunca. Não apenas nos seus filmes, alguns deles geniais (Os Grandes Aldrabões, Uma Noite na Ópera, Um Dia nas Corridas), mas na própria linguagem do dia-a-dia, impregnada de citações dele. Tão ou mais frequentes do que as do outro Marx, o Karl.

Todos teremos as nossas frases favoritas de Groucho. Deixo aqui as minhas dez, com a minha vénia à memória deste inconfundível protagonista da comédia cinematográfica que tantas gargalhadas me arrancou - e arranca ainda, pois revejo sempre os seus filmes como se fosse a primeira vez.

 

«Estes são os meus princípios. Se não gostarem deles, tenho outros.»

«Não quero pertencer a nenhum clube que me aceite como sócio.»

«O que quer que seja, estou contra.»

«A política é a arte de procurar problemas, encontrá-los em toda a parte, diagnosticá-los de forma incorrecta e aplicar-lhes a terapia errada.»

«Ele pode parecer um idiota e falar como um idiota, mas não te iludas: ele é mesmo um idiota.»

«Só um homem em mil lidera outros homens. Os restantes 999 vão atrás de mulheres.»

«O problema de não se fazer nada é que nunca sabemos quando se acaba.»

«A televisão é muito educativa: sempre que alguém a liga, saio da sala e vou ler um livro.»

«Nunca me esqueço de uma cara, mas no seu caso abrirei uma excepção com todo o gosto.»

«Se não te estás a divertir é porque estás a fazer alguma coisa errada.»

 

groucho_marx_in_duck_soup[1].jpg

 Groucho Marx (1890-1977)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os patriarcas (6)

por Pedro Correia, em 01.03.17

ng1842269[1].jpg

 Rui de Carvalho como protagonista da peça O Santo e a Porca (1971)

 

Lembro-me quando o vi pela primeira vez: num folhetim televisivo, antepassado das telenovelas, exibido pela RTP no final da década de 60. Chamava-se Gente Nova, ele era o pai. O filho era o António Feio, que todo o País conhecia então por Luisinho, o nome da personagem.

Fixei-lhe o nome: Rui de Carvalho. Um senhor de voz pausada e dicção perfeita. Dois ou três anos depois, era eu ainda miúdo, vi-o ao vivo no já desaparecido Teatro Laura Alves, na baixa lisboeta. Interpretava uma peça teatral intitulada O Santo e a Porca, do dramaturgo brasileiro Ariano Suassuna.

Nunca esqueci a intensidade e a autenticidade daquele desempenho, marcas de um grande actor nos mais diversos registos – do drama à comédia, dos textos clássicos aos contemporâneos. Interpretando Molière, Shakespeare, Tennessee Williams, Bernard Shaw, Anton Tchekov, D. Francisco Manuel de Melo, Eça de Queirós, Thomas Bernhard, Friedrich Durrenmat, Natália Correa e José Cardoso Pires - alguns entre muitos nomes ilustres da literatura de todos os tempos.

 

Acompanhei, como tantos de nós, o seu papel de protagonista, incarnando o empresário agrícola Gonçalo Marques Vila na Vila Faia – primeira telenovela da RTP, que em 1982 rompeu com merecido sucesso o monopólio brasileiro no género. Ele já tinha sido pioneiro como intérprete do Monólogo do Vaqueiro, de Gil Vicente – primeira peça teatral transmitida pela televisão, a 11 de Março de 1957. Fui seguindo o seu percurso televisivo até ao recente Bem-Vindos a Beirais, também no canal público, em que compunha a figura de Viriato Montenegro, o aristocrata da aldeia.

Admirei-o em aparições no cinema, com destaque para a sua magnífica interpretação como médico do Instituto de Oncologia no filme Domingo à Tarde, realizado em 1966 por António de Macedo. Voltei a vê-lo no palco em 1998, desta vez no estúdio do Teatro Nacional, dando corpo a um inesquecível Rei Lear, marco cimeiro da arte da representação.

Conheci-o pessoalmente no final da década de 80, quando convivemos em amáveis cavaqueiras ao serão enquanto hóspedes da Pousada de Mong-Há, em Macau, numa temporada que ali passou. Acompanhado de D. Ruth, a mulher por quem se apaixonou quando ambos frequentavam o Conservatório de Lisboa, na década de 40, e com quem permaneceu casado até à morte dela, há dez anos. Formavam um daqueles raros casais em que a harmonia e a cumplicidade se detectam nos mais singelos gestos do quotidiano.

 

Parece estar connosco desde tempos imemoriais. Não admira: estreou-se no teatro profissional ainda adolescente, corria o ano de 1942, quando António Silva, Maria Matos, Beatriz Costa e Vasco Santana pontificavam nos palcos. Ele trabalhou com todos esses gigantes do teatro português. E foi mestre de três gerações de actores. Sempre sem pose de vedeta, com aquela humildade que caracteriza os verdadeiros artistas.

“Não sou um talento. Admito que tenho jeito e alguma experiência e isso dá a tal coisa parecida com talento. Mas talento genial tem a Eunice Muñoz. Eu tenho jeito. Isto é tudo efémero”, dizia numa entrevista concedida em 2010 ao Correio da Manhã.

Rui Alberto Rebelo Pires de Carvalho, que usa Ruy de Carvalho como nome artístico, é um dos escassos compatriotas que gozam do estatuto de unanimidade nacional. Merece-o. Fez por isso com muito trabalho, imensa perseverança e fervorosa dedicação ao ofício que escolheu. Sem nunca fazer batota, como todos lhe reconhecemos. Na vida do palco e no palco da vida.

 

Rui de Carvalho, nascido a 1 de Março de 1927, festeja hoje 90 anos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Kirk Douglas: e vão cem

por Pedro Correia, em 09.12.16

kirk-douglas-97-birthday-ftr[1].jpg

 

Conheço poucos actores que tenham protagonizado tantas  obras-primas dos mais variados géneros - do épico ao negro, da comédia ao drama, do western ao filme de aventuras.

Na tela foi Van Gogh, Ulisses, Doc Holliday, Ned Land, o general Patton. Entrou num dos melhores noirs de sempre (O Arrependido, 1947), na mais genial sátira do jornalismo (O Grande Carnaval, 1951), numa assombrosa viagem aos bastidores de Hollywood (Cativos do Mal, 1952), numa fabulosa película anti-guerra (Horizontes de Glória, 1957).

Filmou com quase todos os grandes mestres - Vincente Minnelli, Billy Wilder, Elia Kazan, John Huston, Robert Aldrich, Stanley Kubrick, William Wyler, John Sturges, Henry Hathaway, Anthony Mann, Joseph L. Mankiewicz, King Vidor, Stanley Donen, Otto Preminger.

Foi também um homem sem medo, na vida como nos filmes: rompeu com a lista negra de Hollywood que marginalizava profissionais talentosos por motivos políticos, contratando o proscrito Dalton Trumbo como argumentista de Spartacus, longa-metragem que interpretou e produziu em 1960.

Kirk Douglas, lenda viva do cinema e nosso colega da blogosfera, festeja hoje cem anos: tantas décadas depois, ainda nos concede o privilégio de permanecer connosco. Atento espectador entre milhões, daqui lhe presto uma reconhecida e grata homenagem.

 

Leitura complementar:

Kirk Douglas at 100: a one-man Hollywood Mount Rushmore, no Guardian.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tudo explicado

por Rui Rocha, em 20.09.16

toneca.jpg 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Terapia

por Francisca Prieto, em 15.02.16

Apesar de não costumar assistir a ficção portuguesa, comecei a ver na diagonal a Terapia, na RTP1, por ser amiga de uma das actrizes. Três episódios mais tarde, ainda nem se vislumbrava no ecrã um cabelo da tal amiga, e já estava rendida à série. Ao invés do registo noveleiro a que a televisão portuguesa nos tem habituado, em Terapia assistimos a um registo muito próximo do universo cinematográfico. Com a particularidade de ser um formato que exige excelência do trabalho dos actores, porque é disso que se trata: de dissecar a alma humana até ao seu fio mais descarnado. E ninguém aguentaria assistir a minutos sem fim de texto, em grande plano, se este não fosse muito bem interpretado.

No primeiro episódio, a Soraia Chaves aguenta-se bem, mas num papel ingrato: o de mulher destrambelhada que se faz valer pela sedução (já a tínhamos visto fazer isto, e bem, pelo que não nos caem os queixos).

É no segundo episódio que nos rendemos com um Alex interpretado pelo Nuno Lopes, que nos diverte, ao mesmo tempo que nos esmurra o estômago. E ao longo de todas as terças feiras, a personagem vai ganhando cada vez mais corpo, ao ponto de a dissociarmos do actor. Tão bom, mas tão bom, que é imperdível.

Depois, quando liguei a televisão na primeira quarta feira da série, dei com uma adolescente chamada Catarina Rebelo que me fez entregar os pontos. O raio da miúda é tão bem malcriada que estamos sempre à espera de ver quando é que o Virgílio Castelo perde a paciência.

A minha amiga aparece mais à frente, como mulher do Virgílio Castelo, o psiquiatra de serviço. Primeiro de mansinho, em cenas curtas, mas depois, às sextas feiras, com mais protagonismo, durante as sessões de terapia de casal com a Ana Zannati (impecavelmente igual a si própria, num desempenho tranquilíssimo).

Ora eu estava habituada a ver esta minha amiga noutro tipo de registo. Concretamente no de Manoel de Oliveira, onde fazia de senhora do Douro, ou descia dos céus feita ninfa no meio da guerra colonial, ou então era uma freira, ou até uma rapariga pobre do Raul Brandão, a falar francês pelo filme fora. Sempre tudo muito devagarinho e com olhares enigmáticos.

Sempre bem, sempre em obras de eleição, mas num universo etéreo, como se fosse fora do mundo.

Era-me muito difícil avaliar o seu trabalho de actriz porque ficava invariavelmente desconcertada. Tinha sempre a sensação de que aquela senhora era uma espécie de sósia da minha amiga a quem digo montes de disparates sem qualquer cerimónia, e isto, de alguma maneira, não fazia sentido.
Na sexta feira passada quando a vi, na Terapia, fiquei banzada. Provavelmente porque a personagem se move num universo que me é mais próximo, pela primeira vez consegui olhar para a Leonor actriz sem que fosse através de uma cortina de organza. Deparei-me com uma força extraordinária, que se movimenta pelo texto fora (e que difícil que era o raio do texto e que violenta era a tensão do momento cénico) e que derruba tudo, com uma fluidez irrepreensível e uma linguagem corporal de se lhe tirar o chapéu.

Parabéns à direcção de actores, parabéns aos actores e, se me permitem, uma grande salva de palmas à minha amiga de quem tanto me orgulho.

 

Leonor.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

Nuno Melo

por João Campos, em 09.06.15

Numa carreira muito preenchida, fez também um dos mais memoráveis e divertidos anúncios televisivos dos anos 90. Deixou-nos hoje, demasiado cedo. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os filmes da minha vida (48)

por Pedro Correia, em 26.04.15

42-52705010[1].jpg

Kay Adams (Diane Keaton) e Michael Corleone (Al Pacino) em O Padrinho (1972)

 

O MITO É O NADA QUE É TUDO:

NOS 75 ANOS DE AL PACINO

É uma das cenas mais inesquecíveis do cinema - do tempo em que o cinema ainda não havia sido destronado, como forma de expressão artística, pela excelente televisão dos nossos dias.

Ele e ela estão sentados a uma mesa. Ele acaba de vir da guerra, aparece de uniforme a conferir-lhe dimensão de herói: é Michael Corleone (Al Pacino). Ela, naquela hora irrepetível do esplendor na relva, é a noiva dele, Kay Adams (Diane Keaton).

Percebemos que o diálogo que travam terá consequências irreparáveis na vida de ambos.

 

Ela, com o sexto sentido a alertá-la para um final infeliz, despeja-lhe todo um cardápio de dúvidas - visando-o menos a ele do que ao poderoso clã familiar no qual está prestes a entrar como esposa e nora, consciente de que dará um passo do qual talvez venha a arrepender-se para sempre.

Ele, com um sopro de inocência insuflado no olhar, procura atenuar-lhe os receios com todos os recursos estilísticos de que a eloquência masculina é capaz perante uma mulher apaixonada. Assegura-lhe ser diferente dos restantes Corleones. Ilude-a ao proclamar que não foi em vão que combateu pela pátria, como o mais decente dos cidadãos faria. Faz-lhe promessas que não tardarão a ser quebradas, cumprindo um ritual atávico da velha Sicília que lhe sulca os genes.

O destino irá desmentir-lhe as palavras com precário prazo de validade, sinceras apenas no momento preciso em que são pronunciadas. Mas Kay acredita nelas. E todos nós, que assistimos àquele diálogo como testemunhas privilegiadas, acreditamos igualmente nelas. Porque a mentira em arte é verdade também.

Haja o que houver, aconteça o que acontecer, jamais esqueceremos aquele último lampejo de inocência no olhar de Michael Corleone no primeiro tomo da trilogia d' O Padrinho, realizada por Francis Ford Coppola. Um filme que vale por uma sinfonia de Beethoven, uma partitura de Brahms, um drama de Ibsen, uma tela de Goya. Do tempo em que o cinema não se envergonhava de ser arte.

 

Al Pacino é um dos raros actores que conferem genialidade interpretativa a um simples olhar. Já era assim em 1972, quando pela primeira vez deu vida e voz à figura de Michael Corleone. Sem esgares, sem truques histriónicos, sem gestos desmesurados. Aproveitando cada pausa, cada silêncio, cada momento aparentemente morto para melhor compor a personagem. Como é próprio de um grande intérprete.

E continua assim aos 75 anos, cumpridos ontem. A trabalhar. Porque um verdadeiro actor nunca se reforma. Porque um verdadeiro actor sabe melhor que ninguém como são autênticos, na pele e na carne, aqueles imortais versos de Pessoa: "O mito é o nada que é tudo".

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os vídeos são demasiado grandes para um blogue. Mas são pequenos para o tamanho do seu talento.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

José Wilker (1947-2014)

por Teresa Ribeiro, em 05.04.14

Tinha cara de safado e voz a condizer. A Portugal chegou em 1977 na pele do Dr. Mundinho, o galã da telenovela Gabriela, e foi um sucesso instantâneo. Vimo-lo depois em inúmeras novelas e a fazer no cinema um dos maridos de Dona Flor. Foi um dos melhores actores da sua geração e um dos brasileiros mais sexy do seu tempo. Hoje, aos 66 anos, ganhou asas. Se é verdade aquilo que foi constando por portas e travessas, vai de papo cheio. Ainda bem, assim só se perderam as que caíram no chão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Humano, demasiado humano

por José Navarro de Andrade, em 02.02.14

O segredo estava à vista, filme após filme, mas todos virámos a cara para o lado a fingir que não o percebíamos. Agora que morreu Philip Seymour Hoffman, talvez seja possível falar dele. Esqueçam George Clooney, é assim que queríamos ser, é assim que querem que sejamos, mas o planeta é demasiado pequeno para que na mesma geração caiba outro homem como este, capaz de vender a alma ao diabo por um café e, apesar disso, não ser esmagado por um piano.

Seja então revelado que com quem verdadeiramente nos entendíamos era com Paul Giamatti e Philip Seymour Hoffman (ambos nascidos no Verão de 1967) (os melhores actores da sua geração, duvide quem quiser...): truculentos (porque o chão que pisamos é um declive), hirsutos (a única forma de parecermos desprendidos), esgazeados (como o lobo, quando ainda julgava que iria comer o capuchinho vermelho), alarmantes (ferir antes de ser ferido) e, no fim, ter um arzinho de filho pródigo que regressa a casa (ou pelo menos tem vontade disso).

Philip e Paul entravam nos filmes, não para serem vistos, mas para deixar rasto e – mal de nós – só contracenaram no pequeno "The Ides of March” (“Nos idos de Março”), realizado e protagonizado por Clooney, precisamente – tudo vai ter ao seu lugar…

Philip Seymour Hoffman era camaleónico? Era. Nunca o víamos aparecer debaixo das personagens? Nunca. A sua presença absorvia todo o ar à volta, como se não houvesse mais ninguém, nem amanhã? Sim. Mas como o seu prodígio consistia em encenar a vulgaridade (há coisa mais difícil de dramatizar do que a banalidade?) também conseguiu morrer tarde de mais para ser idolatrado (bem depois dos canónicos 27 anos) e cedo de mais para ser venerado. Tudo está mal quando acaba bem.

The Master: debaixo de cada charlatão há um ser humano

 Moneyball (o melhor filme sobre desporto de sempre): o treinador "estou-me nas tintas"

The Ides of March: a política é para cínicos?

 The Doubt: pecado é ceder à tentação, mesmo antes de cair na corrupção

Capote: parar de fingir é morrer

 Charlie Wilson's war: o anti-James Bond

Autoria e outros dados (tags, etc)

Espinha

por Ana Vidal, em 09.11.13

O actor RICARDO DARIN, entrevistado por Alejandro Fantino para o programa "Mano a Mano". Ainda há gente com espinha. 

 


Fantino: ¿Es cierto que vos rechazaste una oferta para filmar en Hollywood con Tarantino?.
Darín: Sí, claro.
F: Y ¿Por qué?.
D: Porque me ofrecieron el papel principal pero tenía que hacer de narco mexicano, y yo le pregunté a su productor por qué los mexicanos tienen que seguir haciendo de narcos si los que más consumen merca a nivel planetario son los Yankees.
F: ¿Y qué te contestó?.
D: Bueno…a ver…la respuesta que me dio me molestó tanto que afirmó que estaba en lo correcto no filmar con Tarantino. Me dijo: “Entonces es una cuestión de plata, diga cuánto más quiere que se la pagamos, usted ponga la cifra”. Es decir, no pueden llegar a ver ni comprender que hay códigos por fuera del dinero que algunos todavía portamos, ¿me explico?.
F: Mmm...no…la verdad que no.
D: ¿Cómo que no?, Ale, vos sos un tipo piola, tenés que comprender de qué te hablo.-
F: Pero podrías haber tenido más plata.
D: ¿Más plata? ¿ser millonario?...y…¿Para qué?.
F: ¿Cómo para qué?...para ser feliz!.
D: ¿Feliz con más plata?, ¿De qué me hablás?.
F: Bueno…todos quisiéramos tener más plata y ser felices.
D: Ale, yo tengo plata, tengo un auto importado de alta gama. Desayuno, ceno y almuerzo lo que quiero y puedo darme dos duchas calientes al día ¿vos tenés idea de cuánta gente del mundo puede darse dos baños calientes al día?, muy poca gente puede darse ese gusto. Y como no me considero un excelente actor, siempre digo que lo mío fue pura suerte ¿me entendés? En este mundo capitalista salvaje yo soy un tipo de muchísima suerte. Yo soy un privilegiado entre millones de personas, y además tengo la suerte de poder ver eso en mí, que me permite tener una buena cuenta bancaria y no creérmela. Yo me puedo ver desde afuera y me digo “Puta, loco, qué suerte que tuviste”.
F: Pero hubieras filmado en Hollywood…y no podés negarme que de Tarantino al Oscar hay un paso.
D: Creo no me sé explicar bien…yo ya estuve en la ceremonia de los Oscar y no me gustó, todo es de plástico dorado, hasta las relaciones entre las personas. Fui, la pasé lindo, lo disfruté…pero ese mundo no es lo mío, no es lo que yo elegí en esta vida.
F: Realmente me asombrás, Ricardo…te hacía más realista…más con los pies sobre la tierra.
D: Mirá qué casualidad !!!…yo a vos también.

 

(Aqui o link da entrevista)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os filmes da minha vida (44)

por Pedro Correia, em 17.08.13

 

YOU'RE JUST TOO GOOD TO BE TRUE

 

Cada geração tem os seus ícones. Na política, no desporto, na cultura, no espectáculo - a idolatria saudável é sinal de pertença a um tempo e um espaço partilhados por uma vasta tribo que nos irmana a milhões de seres humanos e deixa um rasto imperecível.

Também no cinema, como sucede com tanta gente, tenho os meus ídolos e heróis. Poucos, no entanto, nos deixam marcas tão profundas como aqueles que primeiro nos impressionaram no sortilégio da sala escura subitamente iluminada pelas imagens acesas na grande tela.

E, de todos esses, pela circunstância de ter interpretado em poucos anos um punhado de películas que o impulsionaram muito cedo para o Olimpo dos imprescindíveis da Sétima Arte, destaca-se Robert de Niro.

O actor por excelência.

Camaleónico, visceral, com cada gesto e cada esgar arrancados das profundezas da alma, ultrapassando os demais em excelência, capaz de transformar uma produção mediana numa obra de arte partilhada com assombro sempre renovado nas mais diversas latitudes e pelas mais diversas gerações.

 

Vi-o muito novo, quase desde o início. Já se detectavam lampejos do seu génio naquele agonizante jogador de beisebol (Toca o Tambor Devagar, John Hancock, 1973) ou encarnando o papel de Johnny Boy, um dos "cavaleiros do asfalto" de Little Italy, em Manhattan, homens que nunca foram meninos (Mean Streets, Martin Scorsese, 1973).

Brian de Palma, o primeiro cineasta que o dirigiu - em Greetings, nesse já tão distante ano de 1968 - disse dele as palavras certas: "Tem uma habilidade notável não só para se transformar na personagem que interpreta mas para alterar o seu próprio aspecto físico." Truman Capote chamava-lhe "homem fantasma" ao pressenti-lo irreconhecível de filme para filme. Um atributo só possível, neste actor formado na exigente escola de Lee Strasberg, pela entrega total e sem medida a cada papel.

Como se fosse sempre o primeiro. Ou o último.

Engordou 30 quilos para interpretar um pugilista. Aprendeu a tocar saxofone para se transfigurar em músico de uma big band da década de 40. Aprendeu o dialecto siciliano para entrar na pele de um membro da Mafia e latim para desempenhar o papel de um padre. Conduziu um táxi durante um mês nos dédalos de Nova Iorque antes de começar a rodar Taxi Driver. Passou seis semanas numa vila mineira para aperfeiçoar a personagem principal d' O Caçador.

Dele disseram ser maníaco, perfeccionista, exigente, obsessivo, excêntrico.

Estavam certos os que falavam assim, nem que fossem movidos pelo despeito e pela inveja. Sem essa sua entrega quase demencial a cada papel a história do cinema naquela década prodigiosa entre meados dos anos 70 e meados dos anos 80 não teria sido o que foi. Uma década em que ele ganhou (em 1975 e 1981) dois justíssimos Óscares destinados a premiar o seu talento interpretativo. Mas sobretudo uma década que o projectou para a galeria dos imortais com um conjunto de papéis destinados a figurar desde logo na história do cinema - e a cruzar-se com as banalíssimas histórias pessoais de anónimos espectadores como vocês e eu, que para sempre ficámos ligados às suas melhores criações no ecrã, património insubstituível da nossa memória colectiva.

 

O Vito Corleone d' O Padrinho II (Francis Ford Coppola, 1974). O Travis Bickle de Taxi Driver (Scorsese, 1976). O torturado produtor cinematográfico numa Hollywood faustosa e crepuscular (O Último Magnata, Elia Kazan, 1976). O saxofonista Jimmy Doyle - feliz na música, infeliz no amor (New York, New York, Scorsese, 1977). Michael Vronsky, O Caçador (Michael Cimino, 1978). Jake LaMotta, O Touro Enraivecido (Scorsese, 1980). Rupert Pupkin, d' O Rei da Comédia (Scorsese, 1983). O velho gangster revisitando um passado indizível (Era uma vez na América, Sergio Leone, 1984). Al Capone (Os Intocáveis, De Palma, 1987).

Fragmentos decisivos da carreira dele, fragmentos da vida de todos nós. Que se foram prolongando, com intervalos mais acentuados, em filmes como Heat (Michael Mann, 1995), Casino (Scorsese, 1995) e Ronin (John Frankenheimer, 1998).  E também num par de longas-metragens em que De Niro demonstrou não ser apenas bom a representar: é também bom a dirigir filmes. A prova está evidente nos dois títulos da sua cinematografia enquanto realizador: Um Bairro em Nova Iorque (1993) e O Bom Pastor (2006).

 

Já este ano, regressou em excelente forma ao nosso convívio num filme de que gostei muito: Guia para um Final Feliz (David O. Russell, 2012). Interpretando Pat Solitano, pai de um filho bipolar. Com a intensidade e a vibração de sempre.

Foi nomeado para um Óscar que não ganhou. Mas devolveu-nos o privilégio renovado de vermos em estreia um filme com este actor gigante no cartaz.

Robert de Niro, que hoje festeja 70 anos. You're just too good to be true.

 

 

Imagens, de cima para baixo: De Niro em O Último Magnata (1976); capa da Newsweek sobre New York, New York (1977); fotograma do filme O Toiro Enraivecido (1980)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Terríveis de tão azuis que são

por José Navarro de Andrade, em 02.02.13

 

Contrariando a prédica do Padre Américo, todos os rapazes bons um dia poderão ser maus.

Quem na manhã de 22 de Junho de 1951 olhasse para o portão da MGM poderia assistir a uma estranha cena. Louis B. (nunca se soube o que era este “B”) Mayer, o Júpiter de Hollywood, ali estava de pé, na beira do passeio, à espera de um táxi. Ao tentar entrar nos estúdios, foi informado pelo porteiro que estava interdito e que a MGM queria o automóvel mais o motorista de volta; este e os outros cinco Chryslers guardados lá em casa. Desta maneira infame acabava um reinado de 27 anos de glória e fortuna máximas. À frente daquela que fora a fábrica de filmes mais luxuosa e popular do cinema americano, estava agora o introspetivo Dore Schary. Mudanças iam ser feitas.

Como bom produtor moderno, Schary queria o dois em um: modernizar e poupar. Calha que estes dois propósitos são muito amigos, visto que tanto no cinema como na vida o realismo é bem mais económico do que a fantasia, mesmo quando sendo, na maior parte das vezes, menos útil à sociedade.

Por essa altura, nos franzinos Universal Studios James Stewart debitava uma corda de westerns verdadeiramente interessantes em parceira com Anthony Mann, um realizador capaz porém perfunctório, como eram todos os que não pertenciam ao pequeno punhado que ostentava the name above the title. Para provar o seu ponto Schary pediu-os emprestados só por um filme: Naked Spur.

Naked Spur (1953) é uma peça bizarra da filmografia da MGM se o pusermos entre Singin’ in the Rain (1952) e The Band Wagon (1953), ambos musicais extraordinariamente à antiga, como se neles se cantasse “ó tempo volta para trás…” Todavia, Naked Spur fará sentido se alinhado com The Asphalt Jungle (1950) o taciturno filme (literalmente) negro de John Huston e com The Bad and the Beautiful (1953) de Minnelli, um melodrama em que Hollywood se desmascara a si próprio.

O programa de Naked Spur consiste em retirar o western das catacumbas bíblicas de John Ford e sobre aquela paisagem fronteiriça, onde as conversas decorriam aos tiros, contar histórias sem heróis nem vilões, mas protagonizados por personagens tão confundidas pela vida quanto os seres humanos. Homens com “psicologia” como era dito na gíria da época.

A surpresa de Naked Spur seriam os olhos azuis de James Stewart, o bom do Stewart, agora já não do azul transparente e franco dos puros como sempre os havíamos visto, mas de um lápis lazúli carregado de frieza, remorso e rancor.

Estes olhos encontram réplica perfeita em Janet Leigh, detentora dos mais belos cabelos curtos de Hollywood. Ela ganharia aqui o carisma singular e inquietante que viria ser tão bem explorado por Orson Welles em The Touch of Evil e Hitchcock em Psycho. A sua presença passiva-agressiva (estudara psicologia antes de cair na vida de actriz) com uma tensão sexual ao mesmo tempo reprimida e à flor da pele (os avós maternos eram de origem dinamarquesa), são o combustível para a obstinação crescente e crescentemente desvairada de Stewart.

O filme não termina como deve ser, ou seja com a redenção, mas com um acomodamento: depois de todas as restantes personagens devidamente mortas e os corpos arrastados pela versão colorada do Estige abaixo, Stewart e Leigh abandonam o Oeste e partem para a Califórnia, com a esperança de que o passado não os persiga.

Mas será que os olhos de James Sewart continuarão a ser azuis de maus?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ubi bene, ibi patria

por Rui Rocha, em 07.01.13

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Na morte de Ernest Borgnine

por Pedro Correia, em 09.07.12

 

No dia 30 de Janeiro de 2011, um actor já de idade visivelmente muito avançada mas com passo ainda vigoroso subiu ao palco para receber o prémio de carreira que lhe foi atribuído em Los Angeles pelo Sindicato dos Actores norte-americanos. Muitos cinéfilos mais jovens não sabiam, mas estava ali uma lenda viva do cinema: Ernest Borgnine, então ainda em actividade após ter participado em clássicos da Sétima Arte como Até à Eternidade (1953), Johnny Guitar (1954) e A Quadrilha Selvagem (1969).

A vida de Borgnine dava um filme. Não tinha físico de galã, longe disso, nem parecia fadado para a arte de representar quando deixou de prestar serviço na marinha, após a II Guerra Mundial. Filho de imigrantes italianos, que o baptizaram como Ermes Borgnino, o primeiro filme em que entrou, aos 36 anos, não perdura na memória de ninguém. Chamava-se The Chinese Corsair – um nome que diz quase tudo.

Quatro anos depois, no entanto, Borgnine tinha Hollywood, Nova Iorque e Cannes a seus pés. Graças à sua interpretação de um tímido dono de um talho em Bronx num filme de apenas 91 minutos chamado Marty que reconciliava o cinema americano – então infestado de megapelículas em scope – com a realidade quotidiana. “É um dos raros filmes americanos recentes com diálogos verosímeis”, aplaudia a exigente New Yorker. Marty – um drama de Paddy Chayefsky exibido originalmente na televisão, com Rod Steiger como protagonista – seduziu o público e convenceu a crítica. “Os argumentistas dos estúdios deviam passar mais tempo a ver televisão”, observou a Variety. Filme, realizador (Delbert Mann) e Borgnine receberam Óscares e o prémio anual da crítica nova-iorquina. Mais significativo ainda: esta foi a primeira longa-metragem americana galardoada com a Palma de Ouro em Cannes. Em 1959, outro marco: Marty tornou-se o primeiro filme produzido nos EUA a estrear em salas de cinema soviéticas após a II Guerra Mundial.

Em 60 anos de trabalho incessante no cinema, Borgnine rodou com Nicholas Ray, Fred Zinnemann, Sam Peckinpah, Robert Aldrich, Richard Brooks e John Sturges, entre outros cineastas de primeira linha. Contracenou com Gary Cooper em Vera Cruz, Spencer Tracy em A Conspiração do Silêncio e Bette Davis em The Catered Affair. E em 2011 ainda participou num filme. You just died with your boots on, Mr. Borgnine.

 

Reedição (ligeiramente adaptada) do texto aqui publicado em Fevereiro de 2011. Ernest Borgnine morreu ontem, aos 95 anos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Nossos (7)

por Helena Sacadura Cabral, em 31.03.12

 

 Paulo Pires, modelo, actor, empresário

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Nossos (4)

por Helena Sacadura Cabral, em 25.03.12

 

 Pedro Lima, homem tranquilo, foi modelo e hoje é um bom actor

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Cada vez melhores(15)

por Helena Sacadura Cabral, em 24.03.12

  

Quem não se lembra deste homem tranquilo que inspira confiança?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Cada vez melhores(14)

por Helena Sacadura Cabral, em 24.03.12
Pierce Brosnan não é um grande actor. Mas tem classe!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Cada vez melhores(13)

por Helena Sacadura Cabral, em 24.03.12

 

Anthony Hopkins sempre me fascinou 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Cada vez melhores(9)

por Helena Sacadura Cabral, em 17.03.12

 

Sean Penn é uma antiga paixão minha. É que sempre gostei, no cinema, de bad guys!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Cada vez melhores(8)

por Helena Sacadura Cabral, em 17.03.12

 

Donald Sutherland ganhou "espessura" e qualidade com a passagem dos anos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Cada vez melhores(7)

por Helena Sacadura Cabral, em 17.03.12

 Al Pacino revela bem que lhe corre nas veias sangue latino.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Cada vez melhores(3)

por Helena Sacadura Cabral, em 10.03.12

 

Richard Gere muito melhor agora do que quando era novo!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Cada vez melhores(2)

por Helena Sacadura Cabral, em 10.03.12

 

Dennis Hopper no seu melhor, na plenitude da sua vida

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Cada vez melhores(1)

por Helena Sacadura Cabral, em 10.03.12

 

Sean Connery jamais será um velho...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

E tudo o vento levou...(18)

por Helena Sacadura Cabral, em 09.03.12

  

 

Michael Douglas nunca me convenceu como artista. Mas, como homem, é outra conversa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

E tudo o vento levou...(17)

por Helena Sacadura Cabral, em 09.03.12

 

Gabriel Byrne nunca foi novo. Nunca foi alinhado. Mas é inesquecível...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

E tudo o vento levou...(16)

por Helena Sacadura Cabral, em 09.03.12

 

 Quem pode esquecer este olhar de Henry Fonda?!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

E tudo o vento levou...(12)

por Helena Sacadura Cabral, em 03.03.12

 

Paul Newman, uma sedução indefinível!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

E tudo o vento levou...(11)

por Helena Sacadura Cabral, em 03.03.12

 

 Um pedaço de mau caminho que ainda buge... 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

E tudo o vento levou...(10)

por Helena Sacadura Cabral, em 03.03.12

 

Um pecado...gostoso como quase todos os pecados! 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

E tudo o vento levou...(6)

por Helena Sacadura Cabral, em 25.02.12

 

E este Rex Harrison, alguém se lembra dele? Eu sempre. Mais outro amor perdido!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

E tudo o vento levou...(5)

por Helena Sacadura Cabral, em 25.02.12

 

Outro dos meus grandes amores platónicos. Que se mantém até agora. E que a velhice jamais apagou!

Autoria e outros dados (tags, etc)

E tudo o vento levou...(4)

por Helena Sacadura Cabral, em 25.02.12

 

Um dos meus amores de juventude. Tivemos um namoro que se prolonga até hoje. Ele lá e eu cá... 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D