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Quando o cão morde no homem

por Pedro Correia, em 26.04.17

Cada vez me convenço mais que o país e o mundo que povoam o tempo de antena dos doutos tudólogos acampados noite após noite nas pantalhas nada tem a ver com o mesmo país e o mesmo mundo reflectidos nos telediários das estações que lhes dão guarida.

Voltei a perceber isso ontem à noite quando o Jornal da Noite da SIC foi incapaz de narrar algo mais relevante aos seus telespectadores do que o facto de uma menina ter sido mordida por um cão.

Sempre me garantiram que notícia era o homem abocanhar o animal e não o contrário. Afinal eu e muitos andávamos iludidos. Qualquer irrelevância ascende hoje à dignidade de foco central de um bloco informativo.

E se ainda me sobrassem dúvidas, teriam ficado desfeitas ao ouvir este destaque noticioso logo após a já mencionada peça de abertura: "Julia Roberts foi a Madrid e emocionou-se ao conhecer Cristiano Ronaldo."

Senti por isso que ontem, à sua maneira insólita, os estúdios de Carnaxide produziram uma espécie de 25 de Abril jornalístico. Cruzando uma linha fronteiriça sem retorno. Nada voltará a ser como já foi.

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25 de Abril

por João André, em 25.04.17

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O sectário-geral

por Pedro Correia, em 25.04.16

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 Foto: Lisa Soares/Global Imagens

 

Por uma vez, a cortesia institucional cumpriu-se. O final do discurso de hoje do Presidente da República no Parlamento foi sublinhado com aplausos vindos de quase todo o hemiciclo. PSD, PS e CDS aplaudiram de pé, enquanto a generalidade dos deputados bloquistas e comunistas bateram palmas sentados nos respectivos lugares - incluindo Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. O mesmo sucedeu em relação aos convidados - com destaque para os capitães de Abril (Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho, Sousa e Castro e Martins Guerreiro, entre outros), o conselheiro de Estado Francisco Louçã e o eurodeputado Marinho e Pinto.

Todos? Todos não. Numa das galerias alguém decidiu permanecer sentado no final do discurso, enquanto todos se levantavam em seu redor. Alguém que permaneceu com cara de chumbo, sem o menor respeito pelo Presidente de todos os portugueses eleito ainda há bem pouco pela maioria dos eleitores que se deslocaram às urnas - incluindo largos milhares com as quotas sindicais em dia.

Refiro-me a Arménio Carlos. Secretário-geral da CGTP. Sectário-geral. Hoje mais que nunca.

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Bafio

por José António Abreu, em 25.04.16

Alexandre Homem Cristo tem razão. Quarenta e dois anos depois, o 25 de Abril corporiza a resistência à mudança. Transformado em dogma, não apenas constitui pecado mortal equacionar hipóteses que lhe possam diminuir o simbolismo – p. ex., que parte das conquistas obtidas desde então se devem a factores apenas indirectamente com ele relacionados: o acesso aos fundos europeus possibilitado pela adesão à UE, a irresponsabilidade orçamental permitida pela adesão ao euro – mas, acima de tudo, evoca-se para defender o status quo. Os portugueses podem estar mais viajados e ter acesso aos mesmos livros e às mesmas séries que se lêem e vêem no exterior mas, tirando meia dúzia de jovens – especialmente empresários –, o Portugal de hoje permanece o Portugal de 1973: conservador, assustado, fechado à realidade e à mudança. Um país onde se trocaram ilusões de grandeza imperial por ilusões de riqueza imediata e sem esforço. Um país que (à imagem da época pós-Marquês de Pombal) trocou a falta de democracia pela falta de rigor. (Como é possível que apenas sob dois déspotas Portugal tenha crescido de forma sustentada?) As grandes diferenças entre 1973 e 2016 não se encontram pois na mentalidade. Encontram-se no número – hoje muito superior – dos que se alimentam do poder ainda e sempre sufocante do Estado (agradeçam-no aos fundos comunitários e à dívida) e na identidade dos respectivos parceiros ideológicos: antes, uma direita bafienta; hoje, uma esquerda que – apesar de todas as «causas fracturantes» – não o é menos.

Dir-me-ão que posso escrever textos como este. Sim, resta a liberdade. É a liberdade que eu agradeço ao 25 de Abril. Ciente de que muitos dos que o fizeram – ou dele se apropriaram – não a tinham como objectivo. Ciente de que, assentes no poder da captação e alocação dos recursos e das noções do politicamente correcto – como antes o Estado Novo se servia da Igreja, da noção de moral e do conceito de Pátria –, os seus descendentes agem para que seja cada vez mais difícil escrevê-los.

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Quarenta anos depois

por Pedro Correia, em 25.04.16

Faz hoje 40 anos, também num 25 de Abril, os portugueses - exercendo enfim o direito ao sufrágio universal, irrestrito, secreto e livre - acorreram às assembleias de voto, num marco inapagável da nossa democracia participativa e representativa. Elegendo os deputados da primeira legislatura.

Assim se cumpriu na íntegra aquele "dia inicial, inteiro e limpo" a que aludiu Sophia de Mello Breyner Andresen num dos mais belos versos da língua portuguesa.

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À espera da bordoada

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.04.16

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Passaram 42 anos sobre o 25 de Abril de 1974. E tirando o facto de hoje em dia a defesa do direito à liberdade de expressão de José Sócrates ser feita por Pedro Passos Coelho, de alguns "licenciados" terem obtido equivalência a "ex-licenciados" depois de lutas duríssimas, dos descamisados serem hoje empresários influentes que agilizam processos e frequentam fora de portas os restaurantes do Chef Umberto Bombana, o País mantém os seus vícios e anseia por saber, perante a derrocada da União Europeia, qual será o próximo campeão nacional de futebol.

Assinale-se, todavia, que internamente onde a luta está mais acesa é na discussão sobre as formas de tratamento. Foi para aqui que se transferiu a luta de classes. À direita, o deputado Paulo Rangel quer acabar com os títulos, avançando com uma proposta, em nome da mobilidade social, que colocará um fim aos "doutores" e aos "engenheiros". Suspeita-se que por detrás dessa proposta – dizem as más línguas que soprada por um ex-ministro – esteja a qualificação dos desqualificados que ficaram sem os títulos que arduamente conquistaram nas secretarias do ensino privado. Mas à esquerda, na linha daquilo a que nos habituámos, o proletariado em luta não está pelos ajustes. É por isso mesmo um descanso saber que ainda há quem cite de cor o Presidente Mao. E que os camaradas mais idosos passaram a ter direito ao título de "Dr." no Comité Central do MRPP.

Esta última é uma conquista que dá sentido a tantos anos de luta. Uma evolução histórica que confirma o triunfo da revolução, a irreversibilidade das suas conquistas mais patuscas perante a derrocada do Estado social e o agravamento do problema demográfico. Tesos, pelintras e doutores já são hoje mais do que os bebés que nascem, pelo que é de admitir que a bordoada seguirá dentro de momentos. Da grossa e na sala de um hotel no Panamá. Até ao último dólar.

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Michel Giacometti e o Plano de Trabalho e Cultura - Serviço Cívico Estudantil

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Há 40 anos começou a acabar | 04. Casa para todos

por Tiago Mota Saraiva, em 26.11.15

Continuar a viver - Índios da Meia Praia de António da Cunha Telles

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Há 40 anos começou a acabar | 03. Reforma Agrária

por Tiago Mota Saraiva, em 25.11.15

Torre Bela de Thomas Harlan

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Há 40 anos começou a acabar | 01. Operações SAAL

por Tiago Mota Saraiva, em 23.11.15

Trailer do Filme AS OPERAÇÕES SAAL de João Dias 


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A senhora da foto é filha de Salgueiro Maia. Além desse facto não se lhe conhece, publicamente claro, nenhuma outra "virtude". Não só não há nenhuma relevância jornalística em eu ser filho de, pai de, marido de ou amigo de, como as qualidades e/ou defeitos de alguém não se transmitem por osmose em nenhuma dessas ligações. Mas o que quero relevar aqui é o embuste, transmitido pelos meios de comunicação sem qualquer verificação crítica dos factos que, como a seguir demonstro, estão facilmente à disposição de qualquer um. Diz Catarina Salgueiro Maia que emigrou para o Luxemburgo em 2011, «ano em que a 'troika' chegou a Portugal e "em que o primeiro-ministro aconselhou as pessoas a ganhar experiência no estrangeiro", ironizou, recordando os apelos do Governo à emigração». Não há dúvida de que a troika chegou a Portugal em 2011 (o pedido de ajuda foi feito a 6 de Abril); já o governo apenas tomou posse em 21 de Junho, e as tais declarações polémicas sobre emigração ocorreram a partir de Outubro. Ora neste vídeo, aos 30 segundos, Catarina afirma com absoluta certeza que chegou ao Luxemburgo no dia 15 de Março. Portanto, quando diz que diz que «foi "convidada" a sair de Portugal pelo primeiro-ministro Passos Coelho» está a mentir descaradamente. Se por ressabiamento ou ao serviço da sua ideologia política, isso não sei; mas sei que se queremos melhores políticos temos que ser melhores cidadãos. Não vale tudo para levar a água ao nosso moinho. E não, as qualidades (a imagem de tenho de Salgueiro Maia é a de um homem recto) não se transmitem por osmose jornalística. Nem sequer pelos genes.

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Às primeiras horas da madrugada de hoje

por José Navarro de Andrade, em 25.04.15

Ontem, ao soar da meia-noite, estralejaram foguetes em vez de badaladas, e no Largo de Santos, ruiu uma bátega que só vista. Abrigados debaixo de um beiral, oito cinquentões ergueram os cravos que traziam e soltaram-se a cantar a Grândola. Nesse instante passou por eles um grupo de miúdos demasiado jovens – não haviam de ter mais de 14 anos – de cerveja na mão e os cotas saudaram-nos com um “viva o 25 de Abril!”. Retorquiram os garotos com um esgar inibido: ter-se-ão assustado com a interpelação? Terão ficado embaraços com a figura que estavam a fazer aqueles maduros? Ter-lhes-á parecido paleolítica ou despropositada a manifestação de jovialidade?

Eu era um dos oito veteranos. Estava radiante por me encontrar vivo, porque ao fim de meio século aprende-se a não ser invulnerável; alegre por ainda estarmos ali juntos, camaradas de faculdade desde lá do fundo dos décadas; contente por poder continuar a festejar o 25 de Abril. Bem sei que é uma felicidade melancólica, aquela que se tem por aquilo que não se perdeu. Mas o que mais me tranquilizou no festejo foi a atitude dos adolescentes; para eles, que nasceram muito depois, a data é tão longínqua como o 5 de Outubro ou como o 28 de Maio eram para mim – pura História.

Confesso, por isso, algum desconforto perante o cerimonioso afã institucional, a enfatuada seriedade, ou, nos piores casos, a senatorial altivez etária (“vocês não sabem como era dantes”) nas comemorações oficiais do 25 Abril. Ainda mais entristece a versão ressentida e fracassada de um suposto 25 de Abril que não aconteceu, que transforma a data num repositório arbitrário de todos os sonhos não realizados, o 25 de Abril do que poderia ter sido, como se em vez de uma conquista – a bem dizer de uma dádiva de uns moços de 30 e poucos anos, com a pele endurecida por duas comissões de guerra – o 25 de Abril tivesse sido um malogro.

Bem andaram os miúdos de sexta à noite dos bares de Santos: a maior vitória do 25 de Abril é não ser preciso celebrá-lo – a que melhor pode aspirar a democracia senão a ser uma evidência?

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Meu Capitão

por Pedro Correia, em 25.04.15

 

Salgueiro Maia fotografado por Alfredo Cunha (Lisboa, 25 de Abril de 1974)

 

 

Um verdadeiro herói nunca se considera herói.

Cumpre o seu dever não por ser um dever

mas por urgente imperativo de consciência.

Dá o nome

a cara

o peito às balas

e se for preciso a vida

pela causa que crê ser mais justa

entre todas as causas.

 

 

Um verdadeiro herói pensa em si próprio

só depois de pensar nos outros.

Avança sem temor

com a noção exacta

de que joga tudo numa ínfima fracção de tempo:

conforto, carreira, promoções, anonimato.

Ficando a partir daí

exposto ao escárnio imbecil

de todos os cobardes

que nunca dão um passo

fora do perímetro de segurança

mas quando a poeira assenta

logo surgem muito expeditos

a julgar os outros.

A julgar aqueles como tu:

os que arriscam

os que experimentam

os que se atrevem a romper as malhas

de um quotidiano medíocre.

Os que trocam a palavra eu pela palavra nós.

Os que nunca se conformam.

 

 

Um verdadeiro herói

é aquele que deixa a sua impressão digital

nas insondáveis rotas do destino humano.

 

 

Tu ousaste mudar um país.

Não pelo sangue

não pelo ódio

não pela intriga

mas pelo gesto

pelo rasgo

pelo exemplo.

Sabendo como é ténue a fronteira

entre glória e drama

quando alguém irrompe de madrugada

pronto a desafiar os guiões da História.

 

 

Fernando Salgueiro Maia.

Foste um herói

ao comandar a patrulha da alvorada.

Voltaste a ser um herói

quando decidiste retirar-te ao pôr-do-sol

deixando outros pavonear-se sob o clarão dos holofotes.

Recusaste ficar exposto na vitrina.

Recusaste servir de bandeira.

Recusaste ser "vanguarda revolucionária".

Recusaste ser antigo combatente.

Recusaste dar pretextos para dividir.

Tu que foste um poderoso traço de união entre os portugueses

naquelas horas irrepetíveis em que tudo podia acontecer.

 

 

Saíste do palco:

aquela peça já não te dizia respeito.

 

 

E nunca a tua grandeza se revelou tão evidente

como no momento em que abandonaste a ribalta

regressando à condição de homem comum.

Indiferente a ladainhas e louvores.

Longe da multidão

que fugazmente te acenou

na mais límpida de todas as manhãs.

Sem outra medalha além desta:

eternamente graduado no posto

de capitão da liberdade.

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25 de Abril de 2015

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.04.15

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Ainda cá estamos. Os cabrões também. Têm cartões de todas as cores, os vícios são os mesmos e não há maneira desta porra evoluir. Continuamos a resistir. Ligo-te para o ano.

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Comemorar o 25 de Abril em beleza

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.04.15

O facto de vir de fora não me aquece nem arrefece e, neste caso, o uso do argumento até deve ser visto como mais um sinal de provincianismo.

À beira de se comemorar mais um aniversário do 25 de Abril, a apresentação de um vergonhoso projecto controleiro para a comunicação social, cozinhado pelo PSD, pelo PS e pelo CDS-PP, visando a apresentação de planos prévios de cobertura, constitui mais uma acha no caixão do actual regime e a prova final da irreformabilidade do país. Em vez de se responsabilizar, que seria o correcto, prefere-se tomar conta.

A ideia de alguns jornalistas de boicotarem a cobertura da pré-campanha e da campanha eleitoral não me parece que seja errada. Seria mau para os partidos, evidentemente, mas óptimo para os eleitores que se livrariam da poluição sonora e visual em benefício do descanso e tempo de reflexão que lhes proporcionaria. Poupados às habituais patacoadas de campanha e aos espectáculos circenses que normalmente estão associados a esses períodos, essa poderia ser uma boa maneira dos portugueses começarem a pensar em fazer um 25 de Abril que não fosse tão deturpado e enxovalhado, em tão pouco tempo, pelas fossilizadas forças do regime. Bastaram 40 anos, só 40 anos, para se regressar a uma espécie de visto prévio para a imprensa.

Estarei errado? Talvez, mas assim também não há democracia que resista.

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Frases de 2014 (8)

por Pedro Correia, em 01.05.14

«Eles [Governo] a única coisa que queriam ouvir, a começar pelo Presidente da República, era gritar vivas ao 28 de Maio.»

Mário Soares, ainda em alusão ao 25 de Abril

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.04.14

 

Capitãs de Abril, de Ana Sofia Fonseca

História

(edição A Esfera dos Livros, 2014)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.04.14

 

 

O Movimento dos Capitães e o 25 de Abril, de Avelino Rodrigues, Cesário Borga e Mário Cardoso

Prefácio de Boaventura Sousa Santos

História

(reedição Planeta, 5ª ed revista e aumentada, 2014)

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Mário Soares recebe o Óscar

por Rui Rocha, em 26.04.14

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Desfile comemorativo em 25 de Abril de 2014

por Rui Rocha, em 25.04.14

Freitas do Amaral à direita. Também à frente Mário Soares. Soares a falar sempre de Mário Soares, ainda que pareça falar de outros. O coiso era meu amigo. O tal um democrata. Que passou uns dias em minha casa. E por aí adiante. Um pouco atrás Cavaco, arrastando as botas. Passos Coelho preso ao casaco de Cavaco por uma guita. Vai pronunciando frases vazias. Freitas do Amaral ao centro. Passos Coelho dizendo umas coisas sobre a iniciativa privada. Outras em murmúrio sobre o estado social. Um exército de formigas cede logo às primeiras palavras. As formigas retrocedem, desmotivadas. Alegre proclama. Alegre declama. Alegre exclama. Alegre rima: o tiroliro está la em cima. Jorge Sampaio ouve e toma notas. No próximo discurso dirá o mesmo em mais cinco mil e quatrocentas palavras. O exército de formigas acelera a marcha em sentido contrário. Sócrates tem um cartaz com a fotografia de Sócrates. Pinto Monteiro tem um cartaz com a fotografia de Sócrates. Freitas do Amaral está agora à esquerda. Já teve um cartaz com a fotografia de Sócrates. Teixeira dos Santos vai lá mais para trás. Tenta contar os participantes no desfile. E falha. Eanes foi convidado mas imperativos morais impedem-no de participar. Relvas está ao telemóvel. Vitor Gaspar ouve Alegre e toma notas. Há-de dizer dois ou três dos versos de Alegre demorando o mesmo tempo que levará Jorge Sampaio a ler o seu discurso. Seguro promete que quando chegarem ao fim da rua farão o percurso inverso. Aliás, indigna-se, deviam ter feito o desfile numa rua paralela. Freitas do Amaral está agora do seu lado direito. Perdão. Acabou de colocar-se do seu lado esquerdo. O exército de formigas já desapareceu completamente do campo de visão. Passos Coelho tem uma visão. Comprou-a ontem no quiosque. Comprou também a Caras e a Guia do Automóvel. Aguiar Branco vai de braço dado com Poiares Maduro. Otelo cumprimenta a filha de Marcello Caetano com um beijo. Jerónimo de Sousa distribui doces às criancinhas. Ajuda-se com uma bengala de cego. Nunca soube, nunca viu. O Bloco de Esquerda optou por participar na modalidade de 400 metros estafetas. Assim ficam representadas todas as tendências e sensibilidades. O desfile começou há exactamente quinze minutos. Relvas fechou três negócios e concluiu duas licenciaturas nesse período de tempo. Sócrates concluirá mais uma no próximo Domingo. Marques Mendes prevê chuva. Acerta em cheio. Freitas do Amaral abriga-se com o guarda-chuva de Vasco Lourenço que desfila em representação do Grande Oriente Lusitano. Perdão. Freitas está agora debaixo do guarda-sol de Eduardo Catroga que desfila em representação de si mesmo. César das Neves vergasta-se enquanto caminha. Mas mantém o sorriso. Compraz-se na mortificação do cilício. Isabel Jonet entrega um quilo de arroz carolino a um professor tornado indigente enquanto diz umas palavras a um repórter. Armando Vara segue às cavalitas de José Lello. Cavaco fala do mar. Soares fala da subida dos oceanos. Nomeadamente daqueles que desaguam à porta de sua casa. Passos Coelho fala de submarinos. Portas de contribuintes, agricultores, militares e pensionistas. Marcelo Rebelo de Sousa fala. Jorge Sampaio discursa. Freitas do Amaral adapta o discurso enquanto inicia um movimento em diagonal. O bispo que representa a Igreja Católica tem andado sempre atrás dele. Eanes, que por imperativo moral afinal sempre veio, cala. Guterres dialoga. Durão Barroso abandona. Santana Lopes fica. Oliveira e Costa aproveita um momento de distracção do professor indigente e abifa-se com o quilo de arroz carolino que Jonet lhe tinha dado. Desta vez, Armando Vara foi menos veloz. D. Januário é o único que desfila armado. Otelo distribui beijinhos. Jerónimo de Sousa leva uma criancinha às cavalitas. Ricardo Salgado segue com as mãos nos bolsos. A direita no de Passos Coelho. A esquerda no de Seguro. O exército de formigas recolheu há muito ao formigueiro.

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Sofrimento por antecipação

por José António Abreu, em 25.04.14

Pois, pois... É óptimo o dia 25 de Abril este ano calhar a uma sexta-feira mas isso só quer dizer que, no próximo, calhará a um sábado.

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40 anos

por Teresa Ribeiro, em 25.04.14

Os políticos ensinam-nos muito. Ensinam-nos, por exemplo, a desvalorizar a retórica e a descodificar declarações evasivas. Com o tempo também nos ajudam a separar o discurso da prática política e a identificar estratégias e tacticismos em comunicações inflamadas ou iniciativas populares. 

Provavelmente no dia-a-dia os políticos esquecem-se desta coisa elementar que é a influência que exercem na educação cívica e democrática das pessoas que representam. Mas a verdade é que os seus gestos continuados não se perdem no vácuo, antes configuram aquilo que se convencionou chamar em democracia "cultura democrática". E a nossa amadureceu. Sendo que amadurecer em democracia é, como se sabe, tornarmo-nos cínicos. 

Se os nossos políticos pudessem evitar este efeito perverso da acção política sobre a educação cívica das pessoas, como seria fácil meter conversa com os eleitores durante a próxima campanha eleitoral e, antes disso, falar ao povo das "conquistas de Abril" sem tropeçar no espectáculo degradante da desilusão que é o desta democracia chegada à meia idade.     

 

 

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Discursos de capitão

por José António Abreu, em 25.04.14

Agradeço aos capitães de Abril algo que vários não tinham real intenção de me dar: liberdade. Liberdade até para, fugindo de endeusamentos pró-forma, afirmar que a posição deles quanto às políticas actuais me é totalmente indiferente. Não lhes reconheço capacidade analítica bastante para emitirem outra coisa que não opiniões de treinador de bancada. (Exactamente: como as minhas.) De resto, ao longo de dezenas de anos, não lhes ouvi desejos de palanques oficiais onde pudessem criticar as políticas que conduziram o país à bancarrota (pelo contrário, pareceram sempre apoiá-las e até achá-las insuficientes). Assente este ponto, a Assembleia bem os poderia ter deixado falar. Por um lado, como no caso das declarações quase diárias de vultos do passado recente, carregados de responsabilidades mas incapazes de se remeterem ao silêncio, muito menos de efectuarem um mea culpa (Mário Soares, Jorge Sampaio, José Sócrates, Teixeira dos Santos, Bagão Félix, ...), críticas fáceis embrulhadas em lirismo de pacotilha têm eficácia limitada (mas os políticos assustam-se facilmente e, ao fazê-lo, geram quase sempre efeitos contraproducentes). Por outro, o regime actual deveria fazer questão de mostrar a cada oportunidade que é infinitamente mais aberto à crítica do que o regime desejado por alguns dos capitães teria sido.

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Meu Capitão

por Pedro Correia, em 25.04.14

 Salgueiro Maia fotografado por Alfredo Cunha (Lisboa, 25 de Abril de 1974)

 

Um verdadeiro herói nunca se considera herói. Cumpre o seu dever não por ser um dever mas por urgente imperativo de consciência. Dá o nome, a cara, o peito às balas e se for preciso a vida pela causa que crê ser mais justa entre todas as causas.

Um verdadeiro herói pensa em si próprio só depois de pensar nos outros. Avança sem temor com a noção exacta de que joga tudo numa ínfima fracção de tempo -- conforto, carreira, promoções, anonimato. Ficando a partir daí exposto ao escárnio imbecil de todos os cobardes -- aqueles que nunca dão um passo fora do perímetro de segurança mas quando a poeira assenta logo surgem muito expeditos a julgar os outros. A julgar aqueles como tu: os que arriscam, os que experimentam, os que se atrevem a romper as malhas de um quotidiano medíocre. Os que trocam a palavra eu pela palavra nós. Os que nunca se conformam.

Um verdadeiro herói é aquele que deixa a sua impressão digital nas insondáveis rotas do destino humano. Tu ousaste mudar um país. Não pelo sangue, não pelo ódio, não pela intriga -- mas pelo gesto, pelo rasgo, pelo exemplo. Sabendo como é ténue a fronteira entre glória e drama quando alguém irrompe de madrugada pronto a desafiar os guiões da História.

Foste um herói ao comandar a patrulha da alvorada, Fernando Salgueiro Maia. Voltaste a ser um herói quando decidiste retirar-te ao pôr-do-sol deixando outros pavonear-se sob o clarão dos holofotes. Recusaste ficar exposto na vitrina. Recusaste servir de bandeira. Recusaste ser "vanguarda revolucionária". Recusaste ser antigo combatente. Recusaste dar pretextos para dividir. Tu que foste um poderoso traço de união entre os portugueses naquelas horas irrepetíveis em que tudo podia acontecer.

Saíste do palco: aquela peça já não te dizia respeito.

E nunca a tua grandeza se revelou tão evidente como no momento em que abandonaste a ribalta, regressando à condição de homem comum. Indiferente a ladainhas e louvores. Longe da multidão que fugazmente te acenou na mais límpida de todas as manhãs. Sem outra medalha além desta: eternamente graduado no posto de capitão da liberdade.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.04.14

 

 

Alvorada em Abril, de Otelo Saraiva de Carvalho

Testemunho

(reedição Divina Comédia, 6ª ed, 2014)

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Depois dos submarinos e dos carros, chegou a hora do aeromodelismo

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.04.14

Já se sabia que o ministro da Defesa era um apaixonado de brinquedos, mas aqui talvez arranjassem alguma coisa mais barata onde gastar o nosso dinheiro. E que voasse, mesmo investindo no treino.

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A existência do que não existe...

por Helena Sacadura Cabral, em 10.04.14

Presidente da Assembleia da República trata reivindicações dos militares de usarem da palavra na cerimónia como algo "que não existe". Vasco Lourenço responde que, sendo assim, não estarão presentes.

Temo que se torne cada vez mais difícil entender o que a Presidente da Assembleia da República quer dizer, quando usa da palavra. A mim, parece-me que a senhora entende que os capitães de Abril devem ser convidados - e foram -, mas não quer que eles falem.

Não percebo nada destas matérias, mas julgo que haverá regras para quem fala na ocasião. Se os capitães se enquadram nessas regras devem poder falar. Se não se enquadram não falam. E explica-se, sem medos nem reservas, as razões da decisão tomada. O que se não pode é arrumar o assunto dizendo que ele não existe. Será que sou eu que estou a ficar senil?!

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As palavras, que haviam circulado apenas entre elites, ainda vagas, ainda delicadas, encorpavam e tornavam-se fáceis de entender. Nascera uma amizade entre a linguagem dos ideais e aquele mal-estar sem nome com que os pobres dormiam e acordavam.

 

Adoecer, Hélia Correia (Ed. Relógio d'Água)

As palavras serão da elite? Enquanto o povo mira o Benfica e faz previsões, sem se interrogar porque carga de água é que o cartaz da associação 25 de Abril é um ponto de interrogação, pois eu leio que nós, portugueses, somos condenados internacionalmente por falta de liberdade de expressão.

As palavras têm um imenso poder.

O que se passa hoje na comunicação social seria impensável nos anos 80 do século passado, altura em que comecei a trabalhar.

As palavras eram para ser entendidas tal e qual. Verdade era verdade e culpados eram culpados. Ponto. Agora?

Gostava imenso de saber o que se passa nos bastidores da RTP à conta do Sócrates.

Gostava muito de saber a razão pela qual tantos discursos são vagos e para as elites quando a minha avó andou a esfolar uma vida inteira para ter uma reforma de miséria. Gostava de saber muita coisa que não sei. Hoje? Sinto vergonha.

Quarenta anos volvidos, a Revolução deu-nos muito. Sei disso. Beneficiei disso mesmo. Ser condenado ao nível jurídico por falta de liberdade de expressão? É um dos dias mais tristes. Não será o mais triste. Ainda hoje recordo a prostituta que chegou à redacção e que deu a cara, contou a história, cheia de maleitas e nódoas negras e do administrador que pediu para ver o texto. Ele disse: isso não se publica. Eu tinha 20 anos. Não se publicou o texto. 

Saudades? Tenho de O Independente, embora ciente de que fizemos muitas asneiras e abrimos precedentes a algumas invasões que não estão de acordo com o código deontológico dos jornalistas. É um facto, não vale a pena dizer que é diferente.

Em 1974, em Fevereiro, não se sabia o que iria acontecer e mudar de país era uma boa ideia para os meus pais.

Agora, estão a sair do país cem mil por ano. Não são vagos, não são só pobres, não têm uma linguagem de ideais (o que é isso nos dias que correm?), são cem mil que deixam o nosso país por não vislumbrarem futuro.

A revolução era suposto ter sido isso: uma perspectiva de futuro, de liberdade. Que liberdade? No meu gmail entram emails de pessoas, através de contas de pessoas amigas, a pedir dinheiro. O meu telefone pode estar sob escuta ou nem por isso, não valho nada, talvez me safe. Mas liberdade? Não. Não temos.

O meu filho mais novo pergunta: quer uma caixa de nugets? Diz que está a treinar para ir trabalhar para o Mac. Ok. Batatas fritas ou o menu mais barato? Nenhuma das opções é válida para mim.

Voltámos a dormir e a acordar com um imenso mal-estar, entalados entre os mercados estrangeiros e a ideia virtual de que isto é uma democracia. Existem 200 mil inscritos em partidos políticos, logo é nesses que votamos e, acresce, os independentes são poucos e cilindrados pelas máquinas dos partidos. O Porto era uma esperança. Era? Pois.

Na Europa somos como os países de que temos pena: não podemos dizer qualquer coisa, seja o que for, em especial a verdade. A verdade é apenas para os mais puros. Todos os dias mentimos e mentir, do ponto de vista social, profissional, é a nossa safa. Ironia? Comemoramos o 25 de Abril com um ponto de interrogação, uma merda de um cartaz, mas como foi feito pelo mestre Júlio Pomar e por Henrique Cayatte (pessoas de quem gosto e admiro, mas que não são, obviamente, imaculadas), por favor, reservem a Vossa opinião para outras núpcias. Se o ponto de interrogação fosse 2014 ? 2044, eu entendia. Assim não entendo. Por termos conquistado tanto em quarenta anos e estarmos a deitar tanto pela janela.

Hoje, o mundo reconhece que a nossa liberdade de expressão está em perigo. Perceberam a gravidade disto? Devem ter percebido.

O jogo? Está dois-zero.

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Outra revolução...

por Helena Sacadura Cabral, em 26.03.14
Aos 77 anos, o capitão de Abril Otelo Saraiva de Carvalho confessou à agência Lusa que já fora desafiado a concorrer à Presidência da República, mas que só aceitaria o cargo se algo de espantoso acontecesse, com "uma mudança de regime que valha a pena".
O agora coronel na reforma gostava de "participar numa qualquer mudança efectiva do país" e até já propôs a reconstituição do MFA.
O PS procurou alicia-lo várias vezes, disse. Recebeu convites de altos dirigentes para ser cabeça de lista às eleições parlamentares, mas nunca aceitou, porque nunca quis hipotecar-se a nenhum partido, recordou.

Para Otelo, "os partidos sempre constituíram grupos de poder que lutam pelo poder, não em benefício de todo o povo, salvo medidas esporádicas, mas em benefício do próprio partido".

Ora aqui está a "notícia" que estava mesmo a faltar-nos no dealbar do mês de Abril e dos quarenta anos da Revolução dos cravos. Ele há com cada marau!

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Ao trigésimo nono ano da nossa era

por José Navarro de Andrade, em 26.04.13

Jantámos a comemorar mais do que o 25 de Abril, porque ainda somos do tempo em que. Apesar das crenças, deliberei que não era bem a data da “alvorada da liberdade” o que nos juntava, mas o que vivemos mais adiante, entre 78 e 82. Se não tivesse havido 25 de Abril nunca teríamos sido o que fomos na faculdade, nem teríamos feito coisas que, decorridas estas idades, não lamentamos nem renegamos, mas as guardamos com a imensa benevolência da maturidade.

O 25 de Abril, por mais que haja quem o incomplete em lamentos, o nosso foi afinal podermos ter crescido assim, foi terem-nos sido permitidas, pela confusa tolerância dos pais e pelo desnorte de costumes subitamente descomprimidos, todas as tropelias em que alegremente nos empenhámos. Queríamos mudar o mundo, e a verdade é que contribuímos para mudá-lo, mas não assim como pensávamos, porque foi em preservá-lo tal como o habitámos que o mudámos realmente.

Mas o melhor veio depois do jantar. A Xana abespinhou-se sem razão nenhuma – foi ela que pediu mais uma garrafa de vinho quando já queríamos desbancar – e acabou por não passar a meia-noite onde tanto desejava. Divagámos então por um Bairro Alto distante do nosso dos anos 80, porque cresceu desmesuradamente e já não é o secreto esconderijo da irreverência. Um belíssimo Bairro Alto, digo eu agora, território franco, sem exigir certificado de memória nem teste de consciência, para que nele possam beber, cantar na rua, sentar-se no passeio, todos a quem apetecer fazê-lo sem limite de autenticidade. E a multidão que entupia as ruas, essa gente quase toda mesmo quase toda, embora se calhar entre ela houvesse pais e mães de família, via-se pela míngua de rugas e grisalhadas que não tinha idade para vinte cincos de abris. Dele sabiam o que ouviram dizer e dele estavam tão distantes como da batalha de Aljubarrota, porque tudo o que sucedeu antes de nascermos é pano de fundo, não é existência.

E foi essa a felicidade que me acometeu nessa noite: o 25 de Abril é de todos – juro que não haverá melhor maneira de celebrar o 25 de Abril senão a de tomá-lo como óbvio, como parte da natureza das coisas.

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Ontem, 25 de Abril

por jpt, em 26.04.13

 

Já é noite, avançada até, oito e tal, subo os corredores da faculdade para a última aula do dia. Vou como vou, a gripe voltou, a telha mantém-se, longa, ríspida, como sempre o é, neste amarfanhar do trapo. Pior, serão pormenores mas tanto moem, reparo agora que tenho uma enorme mancha na camisa, café decerto, mas não tenho tempo para me mudar, vou assim aparecer diante dos alunos, qual ogre abatido. Cruzo uma colega, saúda-me, arranjo alento - esse que falta quando só - para umas palavras sorridentes. Simpática, felicita-me pelo dia, "25 de Abril", lamenta-me, companheira, por não gozar o meu feriado, mas para logo mudar, como se até arrependida, "bem, mas para ti o 25 de Abril não é nada! tu não és disso!", qualquer coisa assim .... Fico gelado, transido, balbucio qualquer coisa como "então ...?", ou nem mesmo isso, e sigo trôpego para a sala, maçar quem me espera com qualquer coisa tão distante, umas quaisquer ideias de XIX, e antes de lá chegar ainda penso "que terei eu dito?, algum dia?, para ouvir isto?".
Depois regresso a casa, o jantar tardio das quintas-feiras d'agora. Enquanto os tachos reaquecem espreito o fb no portátil, muito 25 de Abril nos meus "amigos" dali. Entre o imenso "memeísmo" que dominou tudo aquilo, lá surge uma foto real das comemorações na minha Lisboa, impante lá está o bombista e assaltante, anos preso pelas malevolências e assassinato cometidos, para depois ser "amnistiado" por via de uma "absolvição", esta brotada daquele necessário irenismo reconciliatório dos anos 80s. Todo ele, gordo, encanecido, está ali qual também símbolo do 25 de Abril, e quem o ladeia enche blogs de democráticas aspirações. A este assassino os colegas não lhe questionam a democracia, que o folclore se globalizou, resmungo para mim.

Vou-me ao peixe, trago-o no tabuleiro e vejo um pouco as notícias portuguesas. Mais comemorações. Os jornalistas questionam os "populares" sobre o significado da data, e também algumas criancinhas, aperaltadas, vestidas a rigor, cheias de símbolos (a data é simpática, mas ninguém percebe o tétrico que é adornar as crianças para este tipo de situações, quais "anjinhos da democracia"?). Todos eles respondem da mesma forma, até os bem industriados petizes, o 25 de Abril representou a liberdade.

Sorrio. Nem um desses "donos" (e filhos de "donos") da data, da democracia, se lembra de falar na paz. Que a data significa a paz. A história pátria foi bem limpa ... Apetece-me enviar um sms à minha colega, mas ela não compreenderia. Nem o teor, nem a minha irritação. Que nem é com ela.

Depois surge um "não-popular", o cantor Carlos Mendes. Opina. Que  "o que se está a passar no país é indecente". E como tal é necessário um novo 25 de Abril! Isso mesmo: temos seis colónias, cheias de barreiras raciais (mesmo que os luso-tropicais afiancem que não, e nunca desistam de o lembrar); três guerras e dezenas de milhares de tipos a fazê-las, na esmagadora maioria sem perceberem para quê. Nelas, e também na metrópole (onde Carlos Mendes continua a cantar e vai opinando, sabe Deus com que coragem) temos as prisões cheias por delitos de opinião, mais a merda da censura. Temos o povo analfabetizado, pobre como o caraças, e mais no campo ainda, onde quase metade de nós se vai arrastando entre machambeiros, malteses e ratinhos, e nem falar da liberdade de associação, seja ela qual for, e mesmo a de culto, enfim esta com muito cuidadinho - nem de dessassociação, já agora, que nada de divórcio legal, não vá a gente meter-se com ideias. Eleições está visto, vota quem está nas listas, e depois no fim ainda vai tudo à "contagem". O Presidente, não o do Conselho, falo do da República, é fascista e da pide, dizem-me ainda no fb, e vários o fazem também com grande coragem. Tem razão o Carlos Mendes, e espero que o cante. A tropa tem que se revoltar, e o povo deve segui-la, a acabarem com este estado de coisas.

Passo de canal, para o Fenerbahce-Benfica, o Magdeburgo-Sporting de hoje.

Deve ter razão a minha colega. O meu feriado não é o mesmo deste cantor. Nem o do chefe das Brigate Rosse lusas. Fico mais sossegado e, imagine-se, desirrito-me. Pois a cada um o seu folclore.

É essa a democracia. O meu feriado. Ou, melhor, o meu folclore. 

 

(também colocado no ma-schamba)

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Frases de 2013 (15)

por Pedro Correia, em 25.04.13

«É necessário uma nova revolução, pá.»

Otelo Saraiva de Carvalho

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A chama e o incêndio

por Laura Ramos, em 25.04.13

 

Nesse dia de Abril de 1974, ao 1º tempo, na aula de Latim, discutia-se se a revolta era de esquerda ou de direita. À época, estudava-se muito no liceu… mas não se pense que éramos parvos.
Aprendemos imenso.

Tempos antes, numa viagem a Lisboa com a professora de História, íamos rumo à Gulbenkian para a uma exposição de pintura sobre expressionismo alemão. Constará decerto dos anais, que eu eternizei numa série de fotos com a máquina do meu pai, de uma marca alemã (pfff...) com uma incómoda caixa acoplada de voluptuoso couro, coisa mais demodée.

A meio, decidimos parar, ignorantes, para um café na base da Ota, nesse tempo uma paragem normal. Aproximaram-se uns militares que, em vez de nos ralharem por estarmos a fumar - a consciência pesada devorava-nos por quase tudo, nesse tempo! - aconselharam-nos a voltar a casa, por obscuros motivos.

Viemos a saber, convenientemente depois, que era o 16 de Março. Mas fomos à exposição. A professora era durona e nós adorávamo-la.
Aprendemos imenso.


Na Páscoa anterior, durante a tradicional viagem de finalistas do '7ºano', para além da costumeira monumentália e do novíssimo 'Corte Inglés', ainda dera tempo para o meu grupo (que delicioso conceito…) abdicar com proveito de uma ida às cuevas do flamenco, à noite. E conviver com uns guapisimos muchachos no foyer do hotel, em Sevilha. Com quem falámos de política, madrugada dentro e cinzanos a esmo: Salazar, Franco, Marcelo e os americanos. Para nós, pura teoria...
Aprendemos imenso.

No liceu, a professora de Organização Política e Administrativa da Nação (OPAN) era um assombro. Margarida RC dava-nos a matéria num único período (canja). E, de Janeiro em diante, conversávamos sobre cultura, autores, mundo e liberdade de expressão. Todos sabíamos que ela fora interrogada pela PIDE variadíssimas vezes. E que era socialista.

Por isso, logo no dia 26, na sua aula, desafiou-nos a lançar os livros de OPAN ao cesto, passando o nosso manual, mediante proposta aceite por unanimidade, a ser o 'Expresso'. Semana a semana, aula após aula. Até ao verão.
Aprendemos imenso.

Entretanto, a professora de Latim, ao 1º tempo do dia vinte cinco do quatro, hesitava entre as duas respostas possíveis à nossa inquietação. - Esquerda? Direita? - Endurecimento? Libertação? Abstracções puras para nós, mas o que é que, de sério, não é abstracto nesta idade?
Mal o toque soou, corremos em polvorosa rumo ao gabinete da Reitora. Tínhamos 16-17 anos e éramos 'seniores', respeitáveis pré-universitárias. A brincar à idade adulta, boas alunas, muitas de nós inscritas no mal-amado 'quadro de honra'. Disgusting...

Só que, por isso mesmo, davam-nos desconto em questões de disciplina. E algumas liberalidades.
Mulher inteligente, essa Reitora… Não mudou o seu estilo num centímetro, mas deu-nos as chaves para entrar no carro dela e, sob o olhar festivo-vigilante da contínua, sintonizar a BBC.
A chama deflagrara.

À tarde não houve aulas. O almoço foi de família italiana. E depois saímos, competentemente tutelados pelos irmãos mais velhos, deambulando pela Praça em grupos cada vez maiores, para acabar em frente à PIDE, entre centenas e centenas de povo unido: uns a berrar, outros a rir, outros a chorar, outros a pensar.
Entretanto, o liceu feminino perdera a virgindade. Entravam amigos a toda a hora. O Sérgio, o célebre Sérgio S. - nosso colega de ano, mas do liceu masculino, o 'D. João III' -, inflamava as hostes femininas, de giraço que era... Culto, civilizado, brilhante, inspirador. Falava magnificamente, como Che: em cima de um muro, no palco do ginásio, onde quer que fosse. Bonito, inteligente, ardente, luminoso (um cocktail fatal).

Eram as primícias do MRPP, sem que soubéssemos.

Desde então sempre alinhei com eles, atrás da chama. Não gostava nada dos malcheirosos e sebentos dos comunistas, pardos e feiosos, entre quem eu conhecia um ou outro trânsfuga. Só sabiam pregar-nos lições de moral, ou sabotar as RGA, ou chamar-nos de filhos da burguesia e de traidores, com aquelas caras de velhos de 40 anos...

 

Hoje tenho-lhes genuíno respeito, ao contrário de então... sendo certo que nos estragaram a vida para sempre (o incêndio).
Desmantelaram as faculdades. Puseram-nos um ano à espera de nada, enquanto saneavam professores, ferozmente e à toa. E no fim do black-out, em Novembro de 75, ainda lá estavam à espera de nós, caloiros. Continuando por bons anos a dominar aquilo. Greves manipuladas, desordem, boicote às aulas... até que Sottomayor Cardia chegou para eles e pôs termo ao baile.
O PC foi, francamente, um verdadeiro estorvo.


Ganhei em cidadania e humanidade, sim...
Ganhei em tantas coisas. Mas perdi uma escola superior como devia ser. E esta coisa do ensino nunca mais se endireitou.
Mesmo assim, digo eu, valeu a pena.

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Meu caro 25 de Abril

por Gui Abreu de Lima, em 25.04.13


Naquele último ano em Angola eu tinha feito uma exemplar 1ª classe. Lia todos os reclames da cidade com destreza, contava dinheiro sem dúvidas e inaugurava-me nos caminhos da Liberdade. Vagueava pelas ruas, juntava-me a uns quantos como eu, e a praia Morena era toda nossa. Eu já estava lançada e a minha família habituada, quando vossemecê apareceu todo badalado. Foi vir e ver: só desgraça, só confusão. A bem dizer, tramaste-me a vida. E não foi pouco. Estava tudo muitíssimo bem encaminhado lá em Benguela. Tudo sobre rodas, 25! A minha Liberdade acabou quando a tua começou. Isso não gostei. Não gostei mesmo, ó 25.


Foto: Carlos Pires

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25 de Abril. Agora e sempre

por João André, em 25.04.13

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Socorro!

por José Navarro de Andrade, em 26.04.12

 http://www.tvi24.iol.pt/politica/25-de-abril-deputados-ignorancia-tvi24/1343694-4072.html

 

Estas imagens são arrasadoras. O respeito que se deve à função de deputado é curto-circuitada pelo própria ignorância dos eleitos acerca do regime no qual ascenderam à condição de protagonistas. Isto não é uma questão de cultural geral, de conhecimento escolar da história - é uma questão política. Quem é que eles representam além da organização que os escolheu?

Depois é sempre a descer: a língua de pau  do rapazinho engravatado que foge à questão com ridículas generalidades; a total falta de decoro emocional (falta de educação, filha) da menina do PSD; a submissa ortodoxia da jovem do PC a dizer que foi ali parar porque o partido mandou e o relaxamento blasé do moço creio que do Bloco, o partido que tem os quadros políticos há mais tempo em actividade do espectro parlamentar. Para maior desconsolo resta-nos imaginar que a tremenda má fé desta reportagem poderia fazer ricochete se fosse atirada contra as redações que gostam tanto de apontar o dedo - diz o roto ao nu.

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Imagem que marca (8)

por André Couto, em 26.04.12



25 de Abril e o que os deputados (não) sabem. Inenarrável. Só vendo.
(Parabéns ao jovem Deputado do CDS/PP Michael Seufert.)

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A revolução dos cravos

por José Navarro de Andrade, em 25.04.12

Todas as revoluções do século XX português foram patéticas. Isto não diz tanto sobre a inépcia dos insurrectos quanto acerca do apodrecimento dos regimes desbancados.

Em 1910 bastou ao destemido Machado Santos reunir um punhado de milicianos e civis de índole rixosa, para que ao fim de uma jornada a monarquia tombasse inerme no chão. Bem andou Paiva Couceiro de quartel em quartel a supliciar pelo menos um pelotão, o suficiente para escorraçar os insurgentes da Rotunda – ninguém adiantou um tiro pelo reizinho. 

O 28 de Maio foi uma passeata a cavalo de Braga a Lisboa, com picnic em Coimbra. Sem saírem das repartições, os comandantes militares foram aderindo ao golpe por telégrafo, pelo que chegando Gomes da Costa às hortas do Campo Grande nem a Carbonária se quis sacrificar pela república.

Os generais portugueses gozam da justa fama de balofos e enfatuados. Estavam eles em 1961 a conspirar administrativamente à volta da mesa contra Salazar, já Craveiro trazia num saco a farda de gala com que iria proclamar ao país o novo governo, quando ouviram na rádio a notícia da sua demissão. Por ali se ficou a patética “abrilada”.

Teve então que ser muito por baixo, ao nível da patente de capitão, que pôde ser desmoronado o remanescente do Estado Novo, em 1974 não era mais do que uma caduca gerontocracia, tão autoritária quanto pusilânime.

Só mesmo uns rapazes com menos de 30 anos, os únicos que verdadeiramente sofreram a guerra na piolheira africana, entendiam o grotesco da situação em que Portugal se atolava. O que faziam capitães e mancebos nos pântanos da Guiné, nas florestas de Moçambique ou nos fins do mundo de Angola, terras de prodigiosa insalubridade e refractárias a qualquer progresso cívico ou económico, ninguém sabia ao certo, muito menos eles. Seguro apenas era terem que andar aos tiros contra sombras emboscadas no capim, em nome de um política incapaz de galvanizar uma ideia, uma frase que fosse, além de uma mancheia de abstrações arcaicas, doutrinadas numa retórica de sacristia e mal coladas com cuspo maurrassiano pelo misantropo de Santa Comba. “Vão p´ró mato, ó malandros!”, gritavam os Comandos, quando surtiam em missão, contra os intrépidos oficiais superiores barricados no ar condicionado dos quartéis generais.

Foram então os capitães do quadro que desceram à rua no dia 25 de Abril para vergonha de uma oposição política ao regime consumida em polémicas intestinas, conspirações de café e muitíssima indignação – uma figura de impotência que pasmava o mundo civilizado. Ao que parece só ao escritor Nuno Bragança terá ocorrido a ideia de que limpar o sebo a um ou dois pides poderia constituir um acto revolucionário mais incisivo do que greves estudantis ou soltar porcos com boné de almirante na Baixa lisboeta.

Taticamente previsível e logisticamente inepto, mandaria a lógica que o 25 de Abril se saldasse num dramático fracasso.

Salgueiro Maia cercou e conquistou o Terreiro do Paço enxotando uma coluna de blindados praticamente com a munição que trazia na câmara. O brigadeiro que se lhe opôs foi derrotado tanto pela desfaçatez do capitão quanto pela vergonha por que passou quando nem os magalas sob o seu comando obedeceram à ordem de fogo.

Durante essa manhã, o sagacíssimo Kaúlza contactou os oficiais de sua confiança com quem havia planeado o contra-golpe, para descobrir que fora ludibriado como uma donzela – eles estavam com o MFA. E era este o grande centurião do regime…

Sitiado no Carmo, Marcelo Caetano assistia atónito às manobras do diminuto coronel Ferrari as quais consistiam em telefonar para os quartéis da Guarda a saber se estavam com a situação. “Afirmativo”, asseguravam-lhe essas unidades, ao que o coronel rejubilava com tal triunfo sem que lhe passasse pela cabeça pô-las em movimento. Quando ao fim da tarde Salgueiro Maia usou a arma mais potente do dia, um megafone, unicamente Henrique Tenreiro teve presença de espírito para escapar dali, atravessando a multidão e a força militar disfarçado de ceguinho.

Tomando a lei à letra foi apenas às 7 da manhã do dia 26 que em boa verdade constitucional a revolução triunfou, quando alguém se lembrou de ir colher a sua casa o pasmado almirante Thomaz e metê-lo no avião para a Madeira onde já iam despachados uns quantos ministros que se deixaram apanhar. Devia ter sido ele, o Presidente da República, o alvo da rendição, porque era ele o detentor formal do poder de estado. 

Não nos deixemos iludir: o 25 de Abril não foi uma farsa, foi um acto de higiene, executado pelos únicos que intuíram, ao contrário das luminárias oposicionistas, que o IN se reduzia a um baralho de poltrões, inchados de bazófia – tudo bem à portuguesa.

A audácia e a leviandade são qualidades que contrariam o bom senso, é por isso muito fina a linha que separa o herói do irresponsável. Os Capitães de Abril foram heróicos porque imprudentes, demonstrando bravura à medida da insensatez. De outro modo, ainda hoje estaríamos à espera, ou alguém acredita que alguma vez tenha existido “sociedade civil” em Portugal?

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Campo do Tarrafal

por José António Abreu, em 25.04.12






A construção foi ordenada pelo Decreto-Lei 26539, com data de 23 de Abril de 1936. Destinava-se a presos políticos que tivessem de cumprir pena de desterro ou que, encontrando-se noutros estabelecimentos prisionais, se mostrassem «refractários» à disciplina. Em zona separada, poderiam também aqui ser «internadas» pessoas condenadas por crimes executados com finalidades políticas ou presos preventivos aguardando julgamento por crimes constantes do Decreto-Lei 23203, de 6 de Novembro de 1933 (vale a pena ler, em especial o artigo 2º, que tipifica os chamados «crimes de rebelião»). Entre 1937 e 1948, morreram no Tarrafal trinta e sete pessoas.

Fotografias tiradas em Novembro de 2007.

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Hoje

por Ana Vidal, em 25.04.12

 

Não, hoje não é um dia feliz. É preciso ter alegria para celebrar a liberdade e o meu país está exangue, faminto, assustado, mergulhado num profundo estado de tristeza. Bem sei que só o facto de poder dizê-lo assim, em público e sem consequências, já é prova dessa liberdade. Mas esse privilégio sabe a pouco, quase quarenta anos depois. Ontem desapareceu um homem que sempre admirei pela inteligência, integridade e capacidade de entender as razões dos outros sem ódios. Um Homem superior. Há uma Mãe que dificilmente voltará a rir com aquela alegria contagiante que sempre lhe conheci. Há dias, ouvi de uma amiga que não via há muito tempo a mais arrepiante das frases, depois de ter tido uma péssima notícia sobre a sua saúde. Tem cinquenta e poucos anos e ficou desempregada, como tantos portugueses, depois de uma vida inteira de trabalho útil e contributivo. Perdeu há pouco tempo o marido para a mesma maldita doença que agora lhe dita uma sentença impiedosa, demorou três anos de um profundo sofrimento a conseguir que uma desumana junta médica se dignasse reconhecer-lhe a terrível incapacidade física que está bem patente nas suas mãos e articulações (sofre de artrite reumatóide, diagnosticada há anos, e era educadora de infância). Tudo isto para conseguir uma miserável reforma e uma pensão de viuvez ainda mais miserável. Vendeu tudo o que tinha para sobreviver e poder tratar-se. Mas tudo já se evaporou. Teve de dobrar a espinha, engolir o orgulho e recorrer à ajuda de outros para comer. Estava tão desesperada, que a notícia de um fim mais próximo do que se supunha lhe pareceu um alívio.

 

Este é só um caso entre muitos, muitos outros. Cada dia mais. Para onde caminhamos nós? Ouço os discursos de circunstância e não me dizem nada, absolutamente nada. Guerras partidárias, política gasta e cega. Não, hoje não é um dia feliz.

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Soares, Alegre et al

por José António Abreu, em 25.04.12

O 25 de Abril também permitiu a liberdade de não ter que se estar onde não se deseja estar.

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Cravo

por Patrícia Reis, em 25.04.12

Hoje é o dia da Liberdade. Dos cravos e das canções do Zeca Afonso e da voz de Paulo de Carvalho. Hoje é o dia que não pode  ser esquecido porque, afinal, vivemos há menos tempo em democracia do que vivemos sem ela.

Liberdade tem vários sinónimos, um deles é reciprocidade, paridade, o ser para os outros na mesma medida em que são para nós. Não há gavetas e caixinhas. Liberdade são pessoas, rostos de todos os feitios e formatos, que podem conversar e sorrir.

Este dia é, todos os anos, um dia feliz. Hoje será um pouco menos porque uma mãe perdeu um filho e esse filho amava, tanto quanto a mãe, a liberdade ganha. Não está cá para a celebrar. Assim, quando for à feira do livro, logo à tarde (se São Pedro ajudar) levarei um cravo pela Helena, pelo Miguel e por todos os que não o podem trazer ao peito. Em sinal de que a memória não se apaga nunca. 

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25 de Abril de 2012

por Leonor Barros, em 25.04.12

 

(...)

Ou poderemos Abril ter perdido

O dia inicial inteiro e limpo

Que habitou nosso tempo mais concreto?

 

Será que vamos paralelamente

Relembrar e chorar como o verão ido

O país linear e transparente

 

E sua luz de prumo e de projecto?

 

in 'Lagos II', 1975

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

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25... hum... de... hum...

por João Carvalho, em 25.04.12

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Imagem que marca (6)

por André Couto, em 24.04.12

Comunicado do Posto de Comando do MFA, 25 de Abril de 1974.

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Grandeza.

por Luís M. Jorge, em 23.04.12

Mário Soares, Manuel Alegre e os militares de Abril faltarão às comemorações do dia da liberdade. Não faz mal: vai lá estar o José Manuel Fernandes.

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