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Frase internacional de 2016

por Pedro Correia, em 18.01.17

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«Vim aqui enterrar os restos da Guerra Fria nas Américas.»

Barack Obama, 22 de Março

 

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Frase internacional de 2013: «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.» 

(Malala Yousafzai)

Frase internacional de 2014: «Somos todos americanos.»

(Barack Obama)

Frase internacional de 2015: «Je suis Charlie.»

(Lema parisiense, e mundial, após os atentados de Janeiro em Paris)

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Frase nacional de 2016

por Pedro Correia, em 08.01.17

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«Já avisei a família que só volto no dia 11 [de Julho] e vou ser recebido em festa.»

Fernando Santos, 19 de Junho

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceram destaque estas frases:

 

«Temos de perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro.»
Mariana Mortágua (Setembro)
 

«Desiludam-se aqueles que pensam que o Presidente da República vai dar um passo sequer para provocar instabilidade neste ciclo que vai até às autárquicas.»

Marcelo Rebelo de Sousa (Maio)

 

«Até as vacas podem voar.»

António Costa (Maio)

 
«O António Costa é um líder em formação.»

José Sócrates (Outubro)

 

«É impossível não olhar já para as eleições de 2017 em França e na Alemanha como próximas etapas prováveis desta corrida para o abismo.»

Jorge Sampaio (Novembro)

 

«Era só o que faltava que o Tribunal Constitucional fosse o único órgão de soberania que estivesse acima do escrutínio e da crítica pública.»

Marisa Matias (Janeiro)

 

.................................................................. 

 

Frase nacional de 2010: «O povo tem de sofrer as crises como o governo as sofre.»

(Almeida Santos)

Frase nacional de 2011: «Estou-me marimbando para os nossos credores.»

(Pedro Nuno Santos)

Frase nacional de 2013: «Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.»

(Paulo Portas)

Frase nacional de 2014: «Sinto-me mais livre que nunca.»

(José Sócrates)

Frase nacional de 2015: «Temos os cofres cheios.»

(Maria Luís Albuquerque)

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Facto internacional de 2016

por Pedro Correia, em 07.01.17
 

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BREXIT

Os acontecimentos a nível internacional, tão voláteis e condicionados pelas mais recentes manchetes da imprensa, nem sempre tornam fácil seleccionar um facto que seja capaz de dominar o ano. Talvez isto explique que acontecimentos como a inédita visita de Barack Obama a Cuba ocorrida em Março - a primeira de um Chefe do Estado norte-americano ali desde 1928 - que demoliu a penúltima fronteira da Guerra Fria (a última é a do conflito coreano, ainda sem solução à vista) não tivesse sido mencionada na generalidade dos balanços de 2016.

Outra omissão espantosa é a do processo que conduziu à impugnação e destituição da primeira mulher que ascendeu à presidência do Brasil. Dilma Rousseff, acusada de abuso do poder no exercício das funções, foi alvo de votações na Câmara dos Deputados e no Senado que em Maio a forçaram a renunciar ao cargo, tendo o seu vice-presidente - Michel Temer, com quem estava de relações cortadas há bastante tempo - assumido a presidência. Foi já ele a inaugurar em Agosto os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que motivaram muitos protestos.

Nos três primeiros trimestres de 2016, o Brasil foi sacudido por manifestações, anti-Dilma e anti-Temer. Passados escassos meses, tudo isto parece ter sucedido há uma eternidade. O que reflecte a intensidade noticiosa a que somos sujeitos no nosso quotidiano.

 

Apesar disso, nem tudo se dissolve em espuma. É o caso do Brexit - o referendo ocorrido a 23 de Junho nas ilhas britânicas que determinou, embora por escassa margem (51,8% contra 48,2%), a saída do Reino Unido da União Europeia, 43 anos após ter ingressado no que então se chamava Comunidade Económica Europeia. Este foi o Facto Internacional de 2016, eleito pela maioria dos autores do DELITO DE OPINIÃO (27 participámos neste escrutínio, em que podíamos eleger mais de um acontecimento, os restantes quatro não se pronunciaram). Um facto tão importante que não deixará de ter sérias repercussões em 2017.

Aliás, o próprio substantivo Brexit (neologismo formado a partir de Britain, Grã-Bretanha no idioma original, e exit, que significa saída em inglês) figurou entre as palavras do ano em Portugal, após geringonça, vocábulo que permanecia envolto em poeira e foi desenterrado desde que o actual Executivo socialista iniciou funções.

 

O polémico referendo britânico mereceu 14 votos nossos, superando outros acontecimentos no plano internacional, como a guerra na Síria, que se arrasta desde 2011 e já foi Facto do Ano em 2013 no nosso blogue (seis votos), as eleições nos Estados Unidos da América (três votos), os acordos de paz na Colômbia de algum modo postos em causa pelo  referendo ocorrido em Outubro, a crise dos refugiados, que havíamos elegido em 2015, o putinismo em ascensão e a controversa atribuição do Nobel da Literatura a Bob Dylan.

Para o ano há mais.

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

Facto internacional de 2014: o terror do "Estado Islâmico"

Facto internacional de 2015: a crise dos refugiados 

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Facto nacional de 2016

por Pedro Correia, em 06.01.17

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PORTUGAL CONQUISTA EUROPEU DE FUTEBOL

Tínhamos tudo contra nós. Jogávamos em casa da selecção adversária, perante um público maioritariamente hostil e tradicionalmente muito arrogante. Éramos apontados como “patinho feio” em todas as casas de apostas desportivas. Para cúmulo, vimos o nosso melhor jogador – e melhor jogador do mundo – inutilizado a partir do minuto 8 por falta que o árbitro entendeu não assinalar.

Mas soubemos resistir a todas as adversidades. Abdicámos do tradicional futebol-espectáculo que durante décadas nada mais nos propiciou senão umas quantas “vitórias morais” e trouxemos para Portugal  o mais cobiçado troféu até hoje conquistado pelo futebol português: o Campeonato da Europa ao nível de selecções seniores, arrebatado na épica final do Parque dos Príncipes, em Paris.

A conquista do Euro-2016 foi considerada o Facto Nacional do Ano pelo DELITO DE OPINIÃO, numa votação que congregou 27 dos 31 membros deste blogue e em que era possível eleger mais de um tema, como é costume entre nós, ano após ano.

 

Não faltaram desde o início os profetas da desgraça ao nível do comentário desportivo, prontos a vaticinar o desaire da equipa das quinas em geral e do seleccionador Fernando Santos em particular.

Indiferente às aves agoirentas, a selecção trilhou a sua rota ascendente, passo a passo, com persistência, sem nunca perder: 1-1 com a Islândia, 0-0 com a Áustria, 3-3 com a Hungria, 1-0 com a Croácia, 1-1 com a Polónia (vitória no desempate por penáltis), 2-0 com o País de Gales e 1-0 na final de 10 de Julho frente à anfitriã, França.

Cristiano Ronaldo (3), Nani (3), Renato Sanches, Quaresma e Éder marcaram os golos portugueses. Rui Patrício foi designado melhor guarda-redes deste torneio que nos encheu de orgulho e júbilo.

Motivos redobrados para todos festejarmos o maior título de sempre do futebol português. Mesmo aqueles que não costumam ser grandes apreciadores de futebol.

 

Aos 14 votos que recaíram no Euro-2016 seguiram-se cinco nas trapalhadas da Caixa Geral de Depósitos, nas suas diversas versões, que se sucederam ao longo do ano e ainda não terminaram.

O terceiro facto nacional mais mencionado - com quatro votos - foi o sucesso da geringonça, contrariando muitos prognósticos.

Houve ainda referências ao aumento do turismo em Portugal (dois votos), ao processo de "reversões e crescimento" capitaneado pelo Governo, à generalização da oferta da Uber em Lisboa e ao facto de a Câmara Municipal de Mafra ter enterrado a antiga polémica com José Saramago, falecido em 2010.

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

Facto nacional de 2015: acordos parlamentares à esquerda

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Figura internacional de 2016

por Pedro Correia, em 05.01.17

                  

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DONALD TRUMP 

O magnata novaiorquino surpreendeu tudo e todos. Contrariou sondagens e as sofisticadas análises dos comentadores políticos - não só nos Estados Unidos mas também em Portugal, onde chegou a haver gente a escrever e publicar peças jornalísticas considerando-o antecipadamente derrotado na corrida eleitoral para a sucessão de Barack Obama como inquilino da Casa Branca.

À partida, de facto, quase ninguém dava nada por ele: anteviam-no apenas como animador da campanha com a sua atitude nada diplomática, digna de elefante em loja de porcelanas. Mas Donald Trump foi derrubando sucessivas barreiras, desde logo nas primárias republicanas, em que enfrentou grande parte do establishment do seu partido, incluindo os ex-presidentes George Bush e George W. Bush e os antigos candidatos presidenciais John McCain e Mitt Romney: todos se demarcaram dele desde o primeiro instante.

Apesar disso - ou por causa disso - acabou por emergir vitorioso nas primárias, derrotando antagonistas que comprovaram ser tigres de papel, como Jeb Bush, Marco Rubio e Ted Cruz. Com uma mensagem linear e populista, e uma utilização maciça das redes sociais, centrou o seu discurso contra a oligarquia de Washington, a imigração ilegal e o terrorismo, apelando ao proteccionismo económico e ao apaziguamento com Moscovo.

Linhas discursivas que repetiu na contenda com Hillary Clinton, sua adversária do Partido Democrata, que viria a derrotar nas urnas em Novembro. Conquistando maioria no colégio eleitoral, graças às peculiares regras vigentes nos Estados Unidos, embora tivesse menos cerca de três milhões de votos do que Hillary no voto popular.

Vai tomar posse já no próximo dia 20, entre vaticínios generalizados de uma presidência desastrosa. Paradoxalmente, este é talvez o único ponto que à partida o favorece: as expectativas iniciais para o seu mandato serem tão baixas.

Na votação do DELITO, que mobilizou 27 dos 31 autores deste blogue, o novo Presidente eleito dos EUA ganhou por maioria absoluta: teve 21 votos no escrutínio para Figura Internacional do Ano.

Os restantes seis foram distribuídos pela chanceler alemã Angela Merkel (já aqui vencedora em 2010, 2011 e 2015), com três votos, o Presidente russo Vladimir Putin, o Presidente filipino Rodrigo Duterte e o cantautor Bob Dylan, controverso galardoado com o Nobel da Literatura.

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura internacional de 2014: Papa Francisco

Figuras internacionais de 2015: Angela Merkel e Aung San Suu Kyi

 

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Figura nacional de 2016

por Pedro Correia, em 04.01.17

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ANTÓNIO GUTERRES

Nunca um político português atingiu um posto tão relevante a nível internacional: António Guterres superou as exigentes provas a que foi submetido e foi eleito secretário-geral da ONU em Dezembro, tendo prestado juramento mesmo à beira do fim do ano.

É a consagração máxima na carreira do ex-secretário-geral do Partido Socialista, que exerceu as funções de primeiro-ministro entre 1995 e 2002, e desde então só regressou ao palco da política portuguesa por breves meses, quando Marcelo Rebelo de Sousa o convidou para conselheiro de Estado.

Ironias do destino: há dois anos era ele o nome mais falado para representar o PS na corrida presidencial. Afinal quem chegou a Belém foi o seu amigo e adversário político Marcelo, enquanto ele rumou a Nova Iorque. Para ascender a secretário-geral da ONU muito contou o seu bom desempenho anterior como alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Guterres foi eleito Figura Nacional do Ano pelo DELITO DE OPINIÃO num dos nossos escrutínios mais concorridos de sempre, que contou com a participação de 27 dos 31 autores deste blogue. Como já sucedeu noutros anos, cada um de nós poderia votar em mais de uma figura ou mais de um facto.

Mesmo sendo só notícia no último trimestre de 2016, o novo dirigente máximo da ONU destacou-se como favorito nas nossas escolhas: recebeu 15 votos, relegando para um distante segundo posto Marcelo Rebelo de SousaEleito Presidente da República logo à primeira volta, a 24 de Janeiro, empossado em 9 de Março como inquilino de Belém e figura em foco durante o ano em Portugal, Marcelo só obteve sete votos.

Ainda mais distantes, ficaram duas figuras do futebol: o seleccionador nacional Fernando Santos, que entre 10 de Junho e 10 de Julho conduziu a equipa das quinas à conquista do Campeonato Europa, a maior proeza de sempre do futebol português, e o jogador Éder, que marcou o golo decisivo do nosso triunfo na final disputada em Paris frente à selecção francesa. Ambos receberam dois votos.

Cristiano Ronaldo – que também se sagrou campeão em França e recebeu a quarta Bola de Ouro da sua carreira – recebeu um voto solitário. Tal como a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins.

 

Figura nacional de 2010: José Mourinho

Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar

Figura nacional de 2013: Rui Moreira

Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre

Figura nacional de 2015: António Costa

 

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2016

por José António Abreu, em 31.12.16

A economia cresceu menos do que em 2015. O crescimento deveu-se não ao previsto aumento do consumo interno mas ao turismo e às exportações. Agora o governo diz que a aposta são o investimento e as exportações. Tudo indica que o crescimento permanecerá anémico.

A dívida pública aumentou. Apesar das medidas do BCE, as taxas de juro subiram, tanto no mercado primário como no secundário.

A operação de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos foi adiada para 2017. O processo incluiu uma tentativa governamental para contornar legislação existente. Seria mais grave noutros tempos.

Descontando operações de recapitalização de bancos, o défice público deverá baixar cerca de 0,5% em 2016 (contra uma média superior a 1,3% nos cinco anos anteriores). 0,3% dessa redução ficará a dever-se a um perdão fiscal a que o governo não gosta de chamar perdão fiscal. Além disso, as cativações permanentes subiram e os pagamentos em atraso provavelmente também.

Apesar da construção de hotéis e da abertura de espaços vocacionados para o turismo no centro de Lisboa e do Porto, o investimento caiu. Em percentagem do PIB, o investimento público caiu para níveis da década de 1950. Parece que até os socialistas entendem que é necessário apertar em algum lado. Há uns anos, quem imaginaria que o fizessem aqui?

A taxa de desemprego desceu. É uma boa notícia. Provavelmente teria descido mais com mais investimento. De preferência, privado.

Os impostos indirectos aumentaram. Em 2017 continuarão a aumentar.

Os «lesados» do BES vão ser salvos pelos contribuintes. Com um pouco de boa vontade, a Cornucópia também.

O sistema de Educação conseguiu bons resultados a nível internacional. A análise ainda não abrangeu as mudanças introduzidas pelo actual governo.

Na Concertação Social, o governo conseguiu um acordo para aumentar o salário mínimo. Logo a seguir, um ministro comparou os parceiros sociais a gado. Estes nem mugiram.

Marcelo viajou, falou e tirou selfies, viajou, falou e tirou selfies, viajou, falou e tirou selfies, viajou, falou e tirou selfies, viajou, falou e tirou selfies. Considerando que tomou posse apenas no início de Março, em 2017 deverá conseguir viajar, falar e tirar selfies ainda mais. Poderá ter problemas em manter taxas de crescimento significativas a partir de 2018.

A «geringonça» aguentou-se. Parabéns a António Costa. Bloco e PCP estão mais domados do que CDS alguma vez esteve. Como se viu no caso da TSU, até os termos dos «acordos de entendimento» já podem ser violados.

 

Mas, globalmente, parece que os portugueses andam satisfeitos. Óptimo. Sempre apreciámos o status quo. E, no fundo, estamos habituados à mediania.

Bom 2017.

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Frases de 2016 (35)

por Pedro Correia, em 03.12.16

"O PCP não está comprometido com o programa de governo."

João Oliveira, líder parlamentar do PCP (hoje, no congresso comunista)

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Centenários

por Isabel Mouzinho, em 08.01.16

Dois grandes nomes das letras portuguesas nasceram há cem anos, com cerca de seis meses de diferença. Vergílio Ferreira (um dos meus escritores portugueses favoritos) surge em grande destaque no último número do JL, que lhe dedica várias páginas com textos de Helder Godinho, Alberto da Costa e Silva, Lídia Jorge, Eduardo Lourenço e um notável artigo de Maria Alzira Seixo, intitulado "Vergílio Ferreira, cem anos de inquietação", do qual transcrevo um pequeno excerto, e que constitui razão mais que suficiente para comprar o jornal, apesar de ser quase escandaloso o preço a que é vendido.

(...)  Vergílio, sobretudo a partir de Aparição, 1959, prossegue uma via de criação direccionada muito própria, aureolada pela filosofia que sempre o acompanha: a meditação sobre o destino humano e modos descontínuos de o exprimir ("espantados", dir-se-ia pensando em Raul Brandão; "alarmados", é o termo próprio no léxico de Vergílio). E que ele vai, a par, desenvolvendo em escritos reflexivos, desde Do Mundo Original e Carta ao Futuro, passando por decisivos tomos de Espaço do Invisível (onde indagação filosófica e literária se interligam) e certos trechos do diário Conta-Corrente, bem como de outras obras teorizantes de que destaco o seu final Pensar, de 1992, conjunto de textos apologais, por vezes divertidos, sempre de profundo alcance. (...)

A inquietação com que se elabora a obra de Vergílio decorre da sua temática mas está patente, antes de mais, no modo como estrutura os seus romances e a sua frase, no tipo de vocabulário que selecciona, do qual certos termos passaram a reenviar, directa ou indirectamente para o seu discurso típico. É uma inquietação que toma também o leitor, o que se deixa prender pelo seu fascínio; e que dará longo e diversificado caminho a quem pecorrer a obra que nos legou. Inquietação humana também, não apenas literária, mas fortemente literária. Porque a problemática do homem, sujeito da vivência das coisas e do próprio discurso, vai nesta obra muito além do que acima sugeri: ultrapassa a questão do "eu" para o abordar em vários modos que esse "eu" manifesta.

Foi também pela mão e pela sabedoria da minha querida professora Maria Alzira Seixo que descobri em Mário Dionísio um escritor fascinante, apesar de injustamente esquecido, como outros: Abelaira, por exemplo.

Na comemoração do centenário do seu nascimento, o Projecto Sinestesia do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em colaboração com a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, o Museu do Neo-Realismo e a Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo organizam de 27 a 29 de Outubro um Congresso Internacional sobre a vida e obra deste ensaísta, crítico literário e de arte, poeta, romancista, pintor, pedagogo, dando a conhecer as múltiplas facetas de uma das personalidades mais marcantes da cultura portuguesa do século XX.

Para quem não conhece, vale a pena fazer uma visita à Casa da Achada, também designada Centro Mário Dionísio, situada na Lisboa mais típica, entre a Mouraria e o Castelo, mesmo por trás da Igreja de São Cristóvão, onde está reunido o espólio do autor, tanto de pintura como de literatura, o arquivo pessoal e a sua biblioteca privada.

De todas as actividades e celebrações previstas para 2016 a propósito destes dois centenários, destaco ainda o ciclo de conferências: "Vergílio Ferreira e Mário Dionísio: Literatura, pensamento e arte", que terá lugar no CCB já entre 15 de Fevereiro e 14 de Março, sempre às segundas, das 18 à 19h, e que certamente contribuirá para nos dar a conhecer um pouco melhor o pensamento e a obra destes dois autores e para nos fazer ver de forma ainda mais clara a importância das palavras, da literatura e da poesia; e como elas podem fazer-nos pensar, modificar-nos, mudar a nossa vida, ajudar-nos  a viver melhor. 

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2016, ano de comemorações

por Pedro Correia, em 03.01.16

2016 será um ano de grandes e gratas comemorações. Todas assinalam as quatro décadas de implantação da democracia representativa no nosso país. Com sete efemérides políticas que merecem ser recordadas:

 

2 de Abril de 1976 Aprovação da Constituição da República Portuguesa pela Assembleia Constituinte, apenas com o voto contra do CDS liderado por Diogo Freitas do Amaral.

25 de Abril de 1976 - Eleição do primeiro parlamento genuinamente representativo da população portuguesa, por voto directo, secreto e universal, com o PS e o PPD (futuro PSD) como partidos mais votados.

27 de Junho de 1976Primeira eleição presidencial por voto secreto, directo e universal da história de Portugal, com a vitória do general Ramalho Eanes (61,6%, com quase três milhões de votos).

27 de Junho de 1976 Eleição do primeiro parlamento autónomo da Madeira (com vitória do PPD), concretizando o poder legislativo regional consagrado na nova lei fundamental do País.

27 de Junho de 1976 Os açorianos foram pela primeira vez às urnas para elegerem os seus representantes no parlamento insular, consagrando assim a autonomia regional prevista na Constituição.

23 de Julho de 1976 - Tomada de posse do I Governo Constitucional, tendo Mário Soares como primeiro-ministro, na sequência das legislativas que atribuíram a vitória eleitoral ao PS (com 34,9% dos votos).

12 de Dezembro de 1976 - Primeiras eleições autárquicas em Portugal, que permitiram lançar os alicerces do poder local e a descentralização das estruturas de decisão política no País.

 

Não devemos esquecer estas datas, apesar de serem muito pouco evocadas pelos cultores de emoções fortes na política. Todas permitiram dar expressão concreta à democracia portuguesa - o pior dos sistemas, com excepção de todos os outros.

 

Texto reeditado

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E pronto

por Rui Rocha, em 01.01.16

Também não se preocupem muito se não conseguiram entrar com o pé direito. De uma forma ou de outra, depois aparece o Costa e põe o esquerdo à frente.

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O que vos desejo para 2016

por Rui Rocha, em 30.12.15

Saúde, amor, um amigo como o do Sócrates e, se estiverem metidos em alguma alhada, uma entrevista com o José Alberto Carvalho.

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2016, ano de comemorações

por Pedro Correia, em 25.11.15

Ontem alguém me disse que o ciclo comemorativo da democracia portuguesa se "esgotava" neste 25 de Novembro - o Termidor de 19 meses de processo revolucionário, selado faz hoje 40 anos no confronto do quartel da Ajuda entre os comandos vitoriosos de Jaime Neves e a Polícia Militar ultra-esquerdista encabeçada por Cuco Rosa e Mário Tomé. Com a região de Lisboa em estado de sítio, que implicou o recolher obrigatório nocturno e impediu a circulação de jornais durante vários dias.

Pelo contrário, 2016 será um ano de grandes e gratas comemorações. Todas assinalam as quatro décadas de implantação da democracia representativa no nosso país. Com sete efemérides políticas que merecem ser recordadas:

 

2 de Abril de 1976 Aprovação da Constituição da República Portuguesa pela Assembleia Constituinte, apenas com o voto contra do CDS liderado por Diogo Freitas do Amaral.

25 de Abril de 1976 - Eleição do primeiro parlamento genuinamente representativo da população portuguesa, por voto directo, secreto e universal, com o PS e o PPD (futuro PSD) como partidos mais votados.

27 de Junho de 1976Primeira eleição presidencial por voto secreto, directo e universal da história de Portugal, com a vitória do general Ramalho Eanes (61,6%, com quase três milhões de votos).

27 de Junho de 1976 Eleição do primeiro parlamento autónomo da Madeira (com vitória do PPD), concretizando o poder legislativo regional consagrado na nova lei fundamental do País.

27 de Junho de 1976 Os açorianos foram pela primeira vez às urnas para elegerem os seus representantes no parlamento insular, consagrando assim a autonomia regional prevista na Constituição.

23 de Julho de 1976 - Tomada de posse do I Governo Constitucional, tendo Mário Soares como primeiro-ministro, na sequência das legislativas que atribuíram a vitória eleitoral ao PS (com 34,9% dos votos).

12 de Dezembro de 1976 - Primeiras eleições autárquicas em Portugal, que permitiram lançar os alicerces do poder local e a descentralização das estruturas de decisão política no País.

 

Não devemos esquecer estas datas, apesar de serem muito pouco evocadas pelos cultores de emoções fortes na política. Todas permitiram dar expressão concreta à democracia portuguesa - o pior dos sistemas, com excepção de todos os outros.

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