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Alguns álbuns de 2015: "In Colour", de Jamie XX

por José António Abreu, em 24.01.16

E pronto. Vinte e cinco álbuns depois (não necessariamente os melhores de 2015; ouvi uma ínfima parte dos que mereceriam atenção e deixei de fora não apenas vários que poderia ter incluído como todos aqueles que já salientara ao longo do ano), acabemos isto com uma obra representativa dos aspectos negativos e positivos de tanto já ter sucedido na música pop/rock, não obstante as suas poucas décadas de existência.

O uso intensivo de samplers pode ser visto como um modo de fugir às dificuldades de criar algo verdadeiramente novo mas é também uma forma de admitir, questionar, comentar e reinventar o passado. Digamos que Jamie XX, como a banda de que faz parte (os XX), produz metamúsica. A qual, num mês não particularmente simpático para os fãs da pop, até me permite terminar com uma nota de optimismo:

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Alguns álbuns de 2015: "Short Movie", de Laura Marling

por José António Abreu, em 23.01.16

Da depressão resultam excelentes obras de arte. Once I Was An Eagle, o álbum anterior de Laura Marling, era um trabalho minimalista de auto-análise dorida e raivosa, que suscitou elogios unânimes. Short Movies é menos intenso - porque Marling terá recuperado estabilidade emocional (felizmente: sofrer pela arte é um conceito bonito mas convém fazer pausas) e porque só podia ser, após quatro trabalhos (antes dos 24 anos de idade*) em contínua ascendência qualitativa. Não se trata de um álbum pacífico ou estagnado: apresenta laivos de electricidade (foi composto na Gibson ES-335 do pai) e inclui toda a inquietação habitual em Marling, particularmente no que respeita às relações amorosas (a necessidade, a desilusão, a ameaça à autonomia). Mas revela uma certa falta de coesão (talvez até de propósito) e, acima de tudo, teve o azar de suceder a um álbum sublime.

 

* Fica a informação de que agora tem 25 e fará 26 no próximo dia 1. Só para o caso de estarem interessados em enviar-lhe uma mensagem de parabéns. Ou, sei lá, um pastel de nata.

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Alguns álbuns de 2015: "Me", de Empress Of

por José António Abreu, em 22.01.16

Se Florence exorciza o final de uma relação amorosa através de música por vezes bombástica mas sempre melodiosa, a norte-americana de ascendência hondurenha Lorelei Rodriguez, movendo-se na mesma área (digamos pop dançável baseada em sintetizadores), aposta na estranheza e na fragilidade para examinar a relação estagnada (bem como as dificuldades económicas) de uma imigrante em Nova Iorque. Dona de uma voz menos adequada a hinos grandiosos do que Florence, Lorelei assenta a maioria dos temas em letras cruas («Nothing comes between us/ But a piece of latex/ When you tear my clothes off/ Like I was a paycheck») e numa sonoridade sincopada, menos imediata. Todavia, Me vai mais além: inclui um par de canções nas quais, lírica e musicalmente, ela promete parar de olhar tanto para dentro e para trás («our memories are a threat», garante) e começar a olhar mais para fora e para diante. Afinal, depois de se tornar imperatriz dela mesma, resta-lhe partir à conquista dos outros. Dos fãs de Florence, por exemplo.

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O primeiro álbum foi uma surpresa e uma desbunda que não possibilitava nem merecia questões mesquinhas. O segundo forçou-as. O terceiro trouxe respostas contraditórias: a várias letras letras mais confessionais, de alguém que procura sentido para o fim de uma relação amorosa (sim, em grande medida trata-se de outro break up album), contrapõe-se uma sonoridade grandiosa, de música pronta para encher estádios. Mas talvez Florence esteja certa. Talvez esta esquizofrenia devesse estar presente em qualquer final de relação: o lamento submergido não apenas por uma fúria regeneradora mas por uma imensa e quase deslocada crença nas próprias capacidades. Aguardemos pelo quarto.

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Rickie Lee Jones não lançava um álbum de originais há uma dezena de anos. Conseguiu o dinheiro para produzir The Other Side of Desire através de uma campanha de crowdfunding e da venda de material de palco. O resultado não foge muito ao que seria de esperar mas, neste caso, a formulação deve ser considerada elogio. Trata-se de uma mistura de rock e de blues, com Nova Orleães - a morada mais recente de Jones - em pano de fundo.

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Alguns álbuns de 2015: "Currents", de Tame Impala

por José António Abreu, em 19.01.16

Estou longe de ser um grande apreciador de disco sound. Prefiro não apenas ver Travolta dançar em Pulp Fiction a vê-lo dançar em Saturday Night Fever como - e principalmente - escutar a música ao som da qual ele dança: o falsetto de Barry Gibbs deixa-me capaz de magoar gatinhos indefesos. As recorrentes sonoridades disco do último álbum dos Tame Impala podiam assim ser-me tão agradáveis como uma visita ao dentista. Acrescente-se a histeria que tomou de assalto os críticos por alturas da saída de Currents (dir-se-ia que, à la Mars Attack, Kevin Parker acabara de salvar o universo recorrendo a um loop de sintetizador) e a minha boa vontade encontrava-se em parte incerta aquando das primeiras sessões auditivas.

Mas Currents (que afinal raras publicações elegeram como álbum do ano) merece elogios. Trata-se de um cocktail psicadélico mas de um psicadelismo íntimo, assente não apenas em sonoridades condizentes (dizem-me) com trips induzidas pelo consumo de alucinogénios (situação em que vai-se a ver e até a voz de Barry Gibbs soa bem) mas nas fragilidades de um ser humano que, como tantos outros, voga entre o desejo da solidão e do contacto humano; entre a auto-análise da música assente em palavras que expõem a alma e a desbunda entorpecedora da música de dança.

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Alguns álbuns de 2015: "Ones and Sixes", dos Low

por José António Abreu, em 18.01.16

Não obstante terem iniciado a carreira em 1993, os Low (o casal Mimi Parker e Alan Sparhawk, de Duluth, no Minnesota, apoiados pelo baixista Steve Garrington) parecem continuar um segredo reservado a uma mão-cheia de fiéis. Evidentemente, a sonoridade intensa mas dolente da música que fazem nunca lhes permitirá atingir as posições cimeiras das tabelas de vendas ou de streaming. Mas uma voz tão singular merecia mais. E Ones and Sixes até consegue ser um dos seus álbuns mais acessíveis.

(O vídeo acima - do primeiro single - é bem representativo da sonoridade deles. Mas não resisto a mostrá-los num tema mais animado, também do último álbum.)

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Não haverá muitas bandas que mantenham uma evolução consistente do primeiro ao quarto álbum. Os Maccabees conseguiram-no. Marks to Prove It tem uma sonoridade tipicamente britânica, com ecos da década de 1980 (U2, Echo & the Bunnymen, The Cure), e inclui um conjunto de temas nos quais a faceta épica amplia desencantos (por exemplo, com a gentrificação da zona de Londres onde os elementos da banda cresceram) em vez de servir como sinal de optimismo.

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Alguns álbuns de 2015: "Return to the Moon", dos El Vy

por José António Abreu, em 16.01.16

El Vy é um projecto de Matt Berninger, dos The National, em colaboração com Brent Knopf (Ramona Falls, Menomena). O álbum de estreia inclui temas que soam bastante a The National e temas que soam menos a The National. Os primeiros são bons mas fazem-me desejar um novo álbum dos The National. Os segundos dividem-se entre supimpas e assim-assim, sendo que mesmo os assim-assim são interessantes (digam lá isto em voz alta sem cecear) pelo que revelam da vontade de Berninger em fugir por momentos à grandiosidade aconchegantemente depressiva dos The National e abraçar uma vertente mais ligeira e auto-irónica: afinal, o homem de I'm the Man to Be (no vídeo) é uma estrela rock que obtém 8,4 em críticas que recusa ler, gozando uma paz duvidosa num quarto de hotel onde recebe prostitutas e mantém o dick apanhando luz do Sol (como toda a gente sabe, ter o pénis bronzeado é sinal de verdadeiro sucesso); isto, claro, se a sugestão de auto-asfixia erótica não for para levar a sério.

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Alguns álbuns de 2015: "Quarto Crescente", de Márcia

por José António Abreu, em 15.01.16

Cresci noutros tempos. Sou um ouvinte de álbuns. Não faço playlists e raramente uso funções de escolha aleatória. Nos dias que correm, até rádio evito - excepto as estações noticiosas, numa tendência masoquista que mereceria análise psiquiátrica. Ainda assim, há álbuns que me são excessivos. É-me difícil ouvir algumas obras de fado de uma só vez, por exemplo. O excesso de fatalismo - e, embora contrariado, sou fatalista - incomoda-me.

Algo similar ocorre quando escuto a música de Márcia. Tomadas individualmente, acho as canções deste último álbum magníficas. Ouvidas em sequência, começam a cansar-me. Encontro-lhes uma faceta ligeiramente lamurienta que me força a uma pausa. O trabalho é óptimo: sólido, coerente, pleno de bom gosto. Mas ainda um dia gostava de ouvir Márcia arriscar um pouco mais. Arriscar um grito. Uma bofetada. Um gemido verdadeiramente raivoso.

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Vencedor do Mercury Prize, o álbum de estreia de Clementine (inglês do norte de Londres, leitor da Bíblia e da poesia de William Blake enquanto adolescente, fã da música de Antony & the Johnsons e de Erik Satie sensivelmente pela mesma altura, vagabundo das ruas de Paris no início da idade adulta) voga entre a pop, o jazz e - empurrado pelo timbre de voz como que para um destino - o classicismo crooner.

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Alguns álbuns de 2015: "Art Angels", de Grimes

por José António Abreu, em 13.01.16

outro concentrado de sonoridades do ano, impossível de apreender num único tema (talvez por isso o vídeo oficial inclua dois). Grimes (a canadiana Claire Boucher) faz apenas pop mas é pop que mistura e reinventa todas as regras. Ao contrário do que sucedia no álbum anterior (Visions, de 2012), nem sequer evita pisar os terrenos do kitsch.

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Fraco conhecedor do universo do Jazz, remeto os fãs para um texto recente do José Navarro de Andrade. Contudo, não posso deixar de assinalar o lançamento do melhor álbum de Cassandra Wilson em mais de uma década. Com a ajuda do produtor Nick Launay (PiL, Kate Bush por alturas de The Dreaming, Nick Cave and the Bad Seeds e mais uma data de gente talentosa), Wilson elaborou um tributo a Billie Holliday que é ao mesmo tempo sólido e etéreo, escuro e iluminador, rouco e deliciosamente suave.

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Alguns álbuns de 2015: "Sprinter", de Torres

por José António Abreu, em 11.01.16

Torres chama-se na verdade Mackenzie Scott. Num bom exemplo da geografia móvel de tantos norte-americanos, nasceu em Brooklyn (em Janeiro de 1991), cresceu em Macon, na Georgia, e mudou-se para Nashville após o ensino secundário. A música do seu (já) segundo álbum funciona num permanente jogo de tensões (medos, raivas, desejos, arrependimentos) que remete para algumas cantoras surgidas na década de 1990 - e, mais especificamente, para P. J. Harvey. Resta esperar que, saída da fase de pós-adolescência, Mackenzie (o nome «Torres» faz-me pensar num tipo alto e com bigode, ligado ao futebol) seja capaz de construir um percurso tão consistente e relevante como o da britânica.

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Alguns álbuns de 2015: "Carbono", de Lenine

por José António Abreu, em 10.01.16

Há um conceito por trás do álbum, uma tentativa de transferir para o plano humano a alotropia (capacidade de um elemento químico apresentar formas e propriedades distintas) do carbono. Ele pode encontrar-se na mistura de sonoridades (que vão da tradição sertaneja ao rock mais desbragado) e no cariz humanista das letras (preocupadas com o equilíbrio ecológico mas, de forma quase geral, louvavelmente desprovidas de declarações grandiosas ou de proclamações políticas). No entanto, como tantas vezes sucede em casos similares, é perfeitamente possível apreciar-se este lote de canções sem o conhecer.

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Alguns álbuns de 2015: "Natalie Prass", de Natalie Prass

por José António Abreu, em 09.01.16

O primeiro álbum de Natalie Prass, gravado em 2012 e deixado a marinar até 2015, encontra-se repleto de canções delicadas assentes em orquestrações ambiciosas. Na Pitchfork escreveram que se destacou dos restantes trabalhos de música de autêntica raiz americana (definida em pinceladas largas como uma mistura de soul, country e sonoridade dos musicais da Broadway) não pela sua genuinidade (disso há aos montes, aparentemente) mas pela sua artificialidade. Talvez tenham razão. Há no trabalho um lado cerebral, polido, meticuloso, que poderia revelar-se excessivo e afastar o ouvinte. Em vez disso, mantém-no envolvido e expectante.

 

(Numa análise rápida, é possível que este vídeo também pareça demasiado artificial e, acima de tudo, demasiado colorido para o Inverno; e, todavia - desculpem-me desde já mas ao sábado permito-me o ocasional excesso -, um raio de Sol por entre a chuva gera quase sempre um arco-íris.) 

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Depois de um par de magníficos álbuns intimistas, Julia Holter soltou-se e realizou o que, forçado a escolher sob ameaça de um leitor de CDs carregado com um disco de Tony Carreira, eu provavelmente designaria álbum do ano.

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Alguns álbuns de 2015: "Arqueologia", de Balla

por José António Abreu, em 07.01.16

Armando Teixeira (aka Balla) continua a fazer alguma da melhor pop nacional. E ou fui eu que me habituei à sua voz ou canta hoje muito melhor do que no início da carreira.

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Frase internacional de 2015

por Pedro Correia, em 07.01.16

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«Je suis Charlie.»

Palavra de ordem em Paris após os atentados de 7 de Janeiro

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceu destaque esta frase:

«Se o Papa continua a falar assim, um dia destes vou recomeçar a rezar e regressarei à Igreja Católica.»

Raúl Castro, ao Papa Francisco

 

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Frase internacional de 2013: «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.» 

Frase internacional de 2014: «Somos todos americanos.»

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Alguns álbuns de 2015: "The Abyss", de Chelsea Wolfe

por José António Abreu, em 06.01.16

Na música como noutras artes, o niilismo tem uma vertente reconfortante: existe afinal alguém com quem partilhar raiva e desencanto. Nos álbuns anteriores, as canções da californiana Chelsea Wolfe (intituladas Feral Love, Destruction Makes the World Burn Brighter ou They'll Clap When You're Gone) pareciam encontrar-se sempre à beira da explosão - mas esta nunca ocorria. Nos quatro primeiros temas de The Abyss, Wolfe permite que a sua música se expanda e entre quase no território do heavy metal. Depois acalma, como que percebendo a inutilidade do exercício.

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Frase nacional de 2015

por Pedro Correia, em 05.01.16

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«Temos os cofres cheios.»

Maria Luís Albuquerque

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceram destaque estas frases:

«Isto não é política de esquerda. Isto é tudo um putedo!» 
Arnaldo Matos

«Vocês têm uma banana maior e mais saborosa.»

Cavaco Silva

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Frase nacional de 2010: «O povo tem de sofrer as crises como o governo as sofre.»

Frase nacional de 2011: «Estou-me marimbando para os nossos credores.»

Frase nacional de 2013: «Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.» 

Frase nacional de 2014: «Sinto-me mais livre que nunca.»

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Alguns álbuns de 2015: "Modern Nature", dos The Charlatans

por José António Abreu, em 05.01.16

A minha relação com os The Charlatans remonta aos tempos do Pop-Off, o mítico programa semi-pirata da RTP2, e a um minúsculo televisor a preto e branco. Depois de já ter perdido um membro devido a acidente de automóvel em 1996, a banda viu o baterista Jon Brookes sucumbir a um tumor cerebral em 2013. Modern Nature é o primeiro álbum desde então e, numa toada serena, de gente crescida (dificilmente surgiria num equivalente actual ao Pop-Off), revela-se estranhamente optimista.

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Facto internacional de 2015

por Pedro Correia, em 04.01.16

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A CRISE DOS REFUGIADOS

Mais de um milhão de desalojados de guerra ou emigrantes impulsionados pela crise económica - oriundos do continente africano, do Médio Oriente e até de paragens mais longínquas como o Bangladeche e o Afeganistão - acorreram em 2015 à Europa, procurando neste continente santuário e asilo. O país mais desejado, na rota da esmagadora maioria destas pessoas, todas contempladas com o duvidoso rótulo mediático de "migrantes", foi a Alemanha, o que tem suscitado ampla polémica no país. Com o aparecimento de movimentos como o Pégida e contestação aberta, nas próprias fileiras democratas-cristãs, à chanceler Angela Merkel, que proclamou Berlim e outras urbes germânicas como "cidades abertas" ao fluxo de refugiados.

A maioria destas pessoas foge da sangrenta guerra civil da Síria, que já provocou mais de 250 mil mortos em quatro anos e pelo menos quatro milhões de exilados, em grande parte concentrados em campos improvisados nos países limítrofes - Líbano, Jordânia e Turquia. A somar-se à guerra ocorreu em 2015 a ocupação de cerca de um terço de território sírio pelas hordas do Daesh, que ali impõem a lei do terror - que visa sobretudo a forte minoria cristã da Síria, avaliada em cerca de 10% da população.

A crise dos refugiados, presente em todos os debates políticos europeus, foi o facto internacional do ano, segundo o critério do DELITO DE OPINIÃO. Na eleição, em que participaram 23 autores deste blogue (que podiam votar em mais de um tema), este recebeu 17 votos, seguindo-se o fundamentalismo do chamado "Estado Islâmico" (já eleito facto internacional de 2014), com sete votos. 

Apenas dois outros acontecimentos de 2015 receberam votos solitários: o restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos e a possível cura contra o cancro realizada por investigadores da Universidade de Copenhaga. Boas notícias que infelizmente não bastaram para ofuscar as más.

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

Facto internacional de 2014: o terror do "Estado Islâmico"

 

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Alguns álbuns de 2015: "Vulnicura", de Björk

por José António Abreu, em 04.01.16

You fear my limitless emotions
I am bored of your apocalyptic obsessions

(...)

I am a glowing shining rocket
Returning home

As I enter the atmosphere
I burn off layer by layer

 

Intenso, complexo, honesto ao ponto de originar constrangimento, o último trabalho de Björk - um álbum de separação, até mesmo de abandono - é o melhor dela em muitos anos.

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Facto nacional de 2015

por Pedro Correia, em 03.01.16

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ACORDOS PARLAMENTARES À ESQUERDA

O facto nacional do ano - reconhecido por gente das mais diversas tendências políticas - foi a celebração de acordos entre António Costa e os líderes dos partidos situados à sua esquerda (BE, PCP e PEV) que permitiram ao PS formar Governo, empossado a 26 de Novembro.

Costa já havia referido, na campanha para as eleições legislativas de 4 de Outubro, a sua intenção de alargar o chamado "arco da governação" para incluir nele os comunistas e bloquistas, geralmente encarados apenas como militantes de partidos de protesto.

Os acordos de incidência parlamentar assinados a 10 de Novembro - em separado e sem a presença de jornalistas, numa sala fechada da Assembleia da República - permitiram a investidura de Costa como sucessor de Passos Coelho nas funções de primeiro-ministro, ainda que tivesse sido este o vencedor das legislativas, por maioria relativa. E mereceram o destaque do DELITO DE OPINIÃO, com 13 votos entre os 23 autores do nosso blogue que participaram nesta escolha (podendo cada um votar em mais que um tema).

 

O segundo acontecimento nacional mais mencionado (8 votos) foi a entrada em funções do XXI Governo Constitucional, que trouxe de regresso os socialistas ao poder, quatro anos depois.

Seguiram-se votos solitários nos seguintes factos: a polémica dos cartazes do PS durante a pré-campanha das legislativas; a "saída limpa" do programa de ajustamento financeiro; os 27 dias que marcaram a curtíssima duração do XX Governo Constitucional, liderado por Passos Coelho; a conquista do bicampeonato pelo Benfica; e a polémica transferência de Jorge Jesus para o Sporting.

 

Para o ano há mais votações. E talvez também mais transferências.

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

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Alguns álbuns de 2015: "Highway Moon", dos Best Youth

por José António Abreu, em 03.01.16

Um pouco mais denso e electrónico do que o EP de estreia, talvez apenas um tudo-nada monocórdico (também se lhe poderá chamar coerência sonora), Highway Moon encontra-se entre os melhores trabalhos do ano da música nacional.

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Figuras internacionais de 2015

por Pedro Correia, em 02.01.16

   

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ANGELA MERKEL e AUNG SAN SUU KYI

 

Duas mulheres foram eleitas Figuras Internacionais do ano pelo DELITO DE OPINIÃO: a chanceler alemã Angela Merkel (que já tinha sido escolhida em 2010 e 2011) e a Nobel da Paz birmanesa Aung San Suu Kyi.

A primeira, entre outros motivos, por ter enfrentado sectores alargados da opinião pública germânica que se opõem à entrada de refugiados no país: a Alemanha recebeu já cerca de um milhão, liderando de longe os países europeus no acolhimento aos desalojados do Médio Oriente e do Magrebe que fogem a zonas de guerra e à pobreza económica.

A segunda por ter conduzido a sua Liga Nacional para a Democracia a uma indiscutível vitória nas urnas, com 77% dos votos nas legislativas de Novembro, pondo fim a mais de meio século de ditadura militar na Birmânia. Uma luta em que se envolveu sempre por métodos pacíficos e lhe valeu mais de vinte anos em regime de prisão domiciliária.

 

Como é costume nestas votações anuais, as opiniões dividiram-se bastante. Merkel e Aung receberam cinco votos cada dos 23 participantes neste escrutínio, que podiam votar em mais de um nome.

Com três votos ficaram o ex-ministro grego das Finanças, Yannis Varoufakis (de quem muitos já mal se recordam nestes tempos tão voláteis) e Aylan Kurdi, o menino curdo de três anos que morreu por afogamento quando acompanhava o pai, entre outros refugiados oriundos da Síria, em demanda de uma praia turca. A dramática fotografia da criança morta deu a volta ao mundo.

Com dois votos ficou o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, muito mencionado nas notícias do início de 2015 mas que foi perdendo destaque ao longo do ano.

Depois houve votos solitários dispersos por diversas figuras: o Papa Francisco (eleito pelo DELITO nos dois anos anteriores), Barack Obama, Donald Trump, Marine Le Pen, o lider nacionalista polaco Jaroslaw Kaczyński, o refugiado sírio Laith Majid (cuja imagem de lágrimas nos olhos, com o filho ao colo, também deu a volta ao mundo), Nicolas Catinat (assassinado no Bataclan, a 13 de Novembro, depois de ter servido de escudo humano numa atitude heróica) e o Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia (galardoado com o Nobel da Paz 2015).

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura internacional de 2014: Papa Francisco

 

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Começou por ser um projecto secundário do colaborador habitual de Gillian Welch mas já originou dois álbuns, nos quais ele canta e Welch serve de apoio. O mais recente saiu em Setembro e inclui sete temas, alguns de duração invulgarmente longa. Podia tornar-se aborrecido mas este duo é demasiado bom para o permitir.

(Dá-me ainda ideia que o tema e o vídeo acima encaixam bem num fim-de-semana prolongado.)

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Figura nacional de 2015

por Pedro Correia, em 01.01.16

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ANTÓNIO COSTA

Não venceu a eleição legislativa de 4 de Outubro, ganha pela coligação PSD/CDS, mas foi o triunfador indiscutível no campeonato das negociações que se seguiram ao escrutínio, marcado pela ausência de maiorias absolutas.

António Costa, que em Junho de 2014 decidira disputar a liderança de António José Seguro no PS por lhe ter parecido "poucochinho" o triunfo eleitoral dos socialistas nas europeias, aguentou-se ao leme do Largo do Rato após as legislativas, transformando uma derrota nas urnas em vitória política ao conseguir congregar o apoio do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista e dos Verdes para um Governo socialista, que acabou por tomar posse a 26 de Novembro.

Um acordo inédito na democracia portuguesa. Por isso o DELITO DE OPINIÃO escolheu Costa como Figura Nacional do Ano.

Durante semanas, o seu nome e o seu rosto foram associados ao adjectivo "histórico" por uma legião de comentadores nas televisões e nos jornais. Mas Costa, melhor que ninguém, está consciente da fragilidade da solução política que protagoniza - o que ficou bem patente no chumbo dos partidos à esquerda do PS ao orçamento rectificativo apresentado pelo Executivo, só aprovado graças à abstenção do PSD na sessão parlamentar de 23 de Dezembro. Em termos políticos, o ano que agora começa promete ser escaldante.

 

Costa obteve 14 votos entre os 23 membros do DELITO que participaram neste escrutínio (podendo cada um escolher mais que um nome). Em segundo lugar, com quatro votos, ficou Jorge Jesus, protagonista da mais polémica notícia de 2015 a nível nacional - ou pelo menos a que fez correr mais tinta nos jornais: a sua transferência do Benfica para o Sporting, anunciada em Junho. Algo semelhante ocorrera apenas uma vez, no remoto ano de 1930.

 

Os restantes votos dispersaram-se, solitários, por nomes bem conhecidos da política nacional: Cavaco Silva, Jerónimo de Sousa, Catarina Martins, Mariana Mortágua, Pedro Nuno Santos e Heloísa Apolónia. Houve igualmente um voto para o activista luso-angolano Luaty Beirão, protagonista de uma mediatíssima greve de fome em Luanda, e para Vhils (nome artístico do pintor e grafiteiro Alexandre Farto), escolhido pela Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal como personalidade do ano.

 

Figura nacional de 2010: José Mourinho

Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar

Figura nacional de 2013: Rui Moreira

Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre

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Alguns álbuns de 2015: "Divers", de Joanna Newsom

por José António Abreu, em 01.01.16

Julgo que desde Harpo Marx ninguém conseguia tanta popularidade tocando harpa. Após um hiato de cinco anos, durante o qual participou em Inherent Vice, a adaptação convenientemente alucinada, paranóica e confusa que Paul Thomas Anderson fez do livro de Thomas Pynchon, Joanna Newsom voltou aos álbuns. Divers é possivelmente o seu trabalho mais acessível mas também aquele onde mais se aproxima da sonoridade de Kate Bush. Há referências piores.

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Vamos lá ver

por Rui Rocha, em 31.12.15

Também aconteceram coisas espantosas em 2015. Por exemplo: como é que estas criaturas se meteram ali? E como é que as vamos tirar de lá?

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Alguns álbuns de 2015: "My Love is Cool", dos Wolf Alice

por José António Abreu, em 31.12.15

Não sei se o primeiro trabalho de longa duração dos britânicos Wolf Alice é o melhor álbum pop do ano mas é certamente o que ouvi mais vezes e um dos dois mais eclécticos (chegaremos ao outro). Repleto de momentos de descontracção, inclui variações de ritmo e uma pitada de introspecção e nostalgia que lhe conferem espessura. Este vídeo parece-me ainda uma boa maneira de abandonar 2015.

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A fechar o ano

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.12.15

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(Bansky) 

 

"Moving forward, Europe must rediscover a progressive sense of universal values, something that the continent’s liberals have largely abandoned, albeit in different ways. On the one hand, there is a section of the left that has combined relativism and multiculturalism, arguing that the very notion of universal values is in some sense racist. On the other, there are those, exemplified by such French assimilationists as the philosopher Bernard-Henri Lévy, who insist on upholding traditional Enlightenment values but who do so in a tribal fashion that presumes a clash of civilizations." - Kenan Malik, The Failure of Multiculturalism

 

A diversos níveis, 2015 foi um ano de grande turbulência. Política e socialmente, na Europa e fora dela. O ano que se prepara para chegar ao fim foi também um ano de catástrofes naturais, de acidentes no ar, no mar, na terra, debaixo dela também, e sabe-se lá onde mais, de terrorismo, de pungentes dramas humanos, enfim, numa palavra, um ano de tragédias, um ano de excessos e radicalismos perigosos e inusitados. Sabemos hoje que se a nossa mão tem tido um papel no desenvolvimento, nos avanços técnicos e científicos que têm servido para minorar o sofrimento de muitos, a sua acção tem servido igualmente para acelerar desgraças, seja pela forma imponderada como se tem olhado para as questões do clima, cujos efeitos nefastos se fazem sentir com cada vez maior frequência, seja pela leviandade com que se mercantilizam direitos e obrigações, humanos e desumanas, ignorando-se questões essenciais para a nossa sobrevivência, para a construção de sociedades mais decentes e mais justas, e para o equilíbrio da nossa espécie e das que connosco sobrevivem e com as quais repartimos o espaço e o ar que respiramos. A falta de líderes e políticos preparados, responsáveis, sérios, interessados pelas questões que nos afectam, com estatura e pedigree não explica tudo. Nenhum de nós tem uma varinha mágica para resolver os problemas que nos afligem. Da nossa rua à nossa cidade, do nosso país ao mundo há, porém, muita coisa que pode ser feita sem custos, apenas com um pouco de esforço, olhando com olhos de ver, pensando no que merece ser pensado e discutido. Não podemos fugir de nós próprios, estamos condenados a viver e a compartilhar alegrias, dramas e sobressaltos. Há muitas maneiras de o fazermos e todas as que possam fazer-nos sair da modorra, do conformismo, da inércia, e que sejam susceptíveis de nos obrigar a agir são legítimas. Se por vezes é preciso falar das coisas a brincar, muitas vezes mesmo gozando com as situações, ironizando, satirizando, provocando, gerando desconforto, incomodidade, reacções contraditórias de amor e ódio naqueles que nos rodeiam, outras haverá em que temos de nos confrontar com o que fizemos, com o que não fizemos e com o que ficou por fazer devendo ter sido feito. Nas páginas deste e de outros blogues, nos meus textos avulsos, em redes sociais, em jornais, em debates ou em seminários e conferências, escrevendo cartas, confrontando os poderes formais e informais, por vezes sendo voluntariamente excessivo na adjectivação, contundente na farpa, incisivo na crítica, porque achei que assim devia ter sido, porque águas paradas não movem montanhas, porque é a indiferença que nos mata, que nos mói e que vai corroendo os alicerces da nossa vida colectiva, fui dando conta das minhas preocupações, muitas vezes enaltecendo posições que não são as minhas nem as que defendo apenas para obrigar os outros a reagirem. Um texto que gere a indiferença não serve para nada. É um amontoado de palavras. Até poderá ser um jogo de imagens agradáveis, bonitas, sensíveis, mas não passará disso mesmo, de uma inutilidade, de um desperdício sem consequências de maior. A sua função esgota-se com a composição e dissipa-se com a leitura. O que aqui ficou registado deve também ser visto nesta perspectiva. E como nos próximos dias muitos terão tempo - os que puderem ou tiverem pachorra - para foliar e descansar, aproveitando a circunstância do primeiro de Janeiro coincidir com uma sexta-feira, resolvi aqui deixar-vos a frase que acima transcrevi e convidar-vos a, num momento mais sossegado, perderem algum tempo a ler este texto de Kenan Malik. Penso que seria uma forma saudável de terminarem este ano antes de se atirarem ao próximo, aos encontrões, ao marisco, ao leitão, às passas, ao champanhe e a outros excessos da nossa "civilização", hoje mais dada ao insulto, à estupidez, à vacuidade e à veneração da mediocridade, apesar de excessivamente sensível para algumas coisas menores que deveriam merecer o nosso desprezo. Espero que a leitura, desta vez, não vos tenha sido indigesta, e que no próximo ano tenhamos todos direito à criminalização da imundície, de toda, e da idiotia. Entretanto, desejo-vos um ano farto. De saúde, porque sem ela nada feito, de luz e de paz, a começar pela de espírito, esperando que se continuem a indignar, criticar, exaltar, amofinar com o que por aqui vou deixando. Será sinal de que estão vivos, de que este blogue continuará o seu caminho e de que eu continuarei a ter motivos para aqui voltar quando me apetecer para exercer a minha cidadania. Quanto mais não seja para de vez em quando vos ir provocando a exercerem a vossa. De preferência num português inteligível. E a deixarem os vossos piropos, mesmo os mais ordinários, mesmo os destinados ao desprezo e à censura, com tesura. Porque a liberdade também passa por aqui.

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Viva 2015, Venha daí 2016

por Francisca Prieto, em 28.12.15

2014 tinha sido um ano horribilis, de maneira que me lancei a 2015 decidida a fazer uma pega de caras à vida, das que nos dão direito a duas voltas à arena no final do espectáculo e uma saída em ombros.

Não posso ter a pretensão de achar que cheguei efectivamente a sair pela porta grande, até porque vários acontecimentos menos felizes se foram sucedendo durante o ano que passou, mas foi um ano em que cumpri com brio um par de objectivos que estavam dentro da gaveta e que nunca pensei que viessem a ver a luz do dia.

Um deles foi a abertura de uma livraria solidária, que tem crescido a olhos vistos e que não só me dá todos os dias o prazer de estar a trabalhar para uma causa, como me fez conhecer dezenas de pessoas extraordinárias, desde os voluntários que fazem turnos, a pessoas que doam parte do seu espólio livreiro ou outros que não se importam de passar tardes a limpar o pó ou a carregar caixotes. De igual forma, adoro os clientes que já se tornaram amigos ou os que visitam pela primeira vez o espaço e que ficam maravilhados pela boa energia que dali emana. Sinto, por tudo isto, que foi um ano riquíssimo em termos de trabalho e de relacionamento humano.

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O outro grande sonho cumprido foi uma viagem ao Peru e à Bolívia, acompanhada por uma irmã e por um grupo de gente cheia de genica e de sentido de humor. Nem consigo explicar como pode ser divertido viajar com uma irmã adulta durante quase três semanas.

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É quase impossível que 2016 me traga dois acontecimentos com este nível de superlatividade. Mas se for um ano de consolidação, já me sinto muito grata. Venham então de lá esses ossos, seu 2016.

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Novembro de 2015: os meus votos

por Pedro Correia, em 22.12.15

Figura nacional do mês

É possível ser primeiro-ministro sem vencer uma eleição? É. António Costa provou-o no mês passado: derrotado nas legislativas de 4 de Outubro, ascendeu a chefe do Governo a 26 de Novembro. Com o apoio de cinco partidos: PS, BE, PCP, PEV e PAN.

 

Figura internacional do mês

Aung San Suu Kyi, Prémio Nobel da Paz de 1991, sagrou-se vencedora das primeiras eleições livres na Birmânia após mais de 20 anos em regime de detenção domiciliária ordenada pela ditadura militar que agora dá lugar a um sistema democrático.

 

Facto nacional do mês

O brevíssimo XX Governo Constitucional, presidido por Passos Coelho, não chegou a durar um mês: empossado a 30 de Outubro por Cavaco Silva, viu o seu programa chumbado a 10 de Novembro, dando lugar ao XXI Governo, de Costa, que tomou posse a 26 de Novembro.

 

Facto internacional do mês

Sexta-feira, 13, foi dia aziago para a França: diversos atentados de terroristas islâmicos em Paris e Saint-Denis provocaram 130 mortos e 368 feridos. O mais sangrento ataque ocorreu no teatro Bataclan, onde foram assassinadas 89 pessoas, deixando o mundo em choque.

 

Frase nacional do mês 

«A austeridade em Portugal chegou ao fim.» Frase proferida por Mário Centeno a 19 de Novembro, uma semana antes de tomar posse como ministro das Finanças, em entrevista ao diário digital El Español.

 

Frase internacional do mês 

«Estamos em guerra contra o terrorismo jiadista.» Declaração do Presidente francês, François Hollande, numa sessão conjunta das duas câmaras do Parlamento reunidas em sessão extraordinária no Palácio de Versalhes a 16 de Novembro.

 

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Outubro de 2015: os meus votos

por Pedro Correia, em 13.11.15

Figura nacional do mês

Os portugueses passaram a conhecer o luso-angolano Luaty Beirão, que fez uma prolongada greve de fome no hospital-prisão de São Paulo, em Luanda, contra a existência de presos políticos em Angola. Esteve 36 dias sem comer. Mas mantém-se em prisão preventiva, tal como outros jovens acusados de promover um "golpe de Estado" contra o regime angolano. Contaram todos com várias manifestações de apoio em Portugal.

 

Figura internacional do mês

Justin Trudeau  tornou-se em 20 de Outubro, aos 43 anos, novo chefe do Governo do Canadá, derrotando nas urnas o primeiro-ministro conservador Stephen Harper. O liberal Trudeau, de 43 anos, é filho de um dos mais carismáticos chefes do Governo canadiano: Pierre Elliot Trudeau, que liderou o país quase ininterruptamente entre 1968 e 1984. O Partido Liberal, com cerca de 40% dos votos, obteve 184 dos 338 lugares no Parlamento.

 

Facto nacional do mês

A  4 de Outubro os portugueses elegeram o novo elenco da Assembleia da República. Vitória da coligação Portugal à Frente (PSD+CDS), com 38,5%. O PS ficou em segundo (32,4%). Seguiram-se BE (10,2%) e CDU (8,3%). O partido PAN (1,4%) elegeu pela primeira vez um deputado, André Silva. PSD e CDS, embora conquistando mais de dois milhões de votos, perderam cerca de 700 mil em comparação com as legislativas de 2011.

 

Facto internacional do mês

Uma manifestação a favor da paz, exigindo conversações entre o Governo turco e os militantes curdos do PKK, acabou num banho de sangue provocado por bombistas suicidas. Foi o maior atentado de que há memória na Turquia contemporânea: aconteceu na capital do país, Ancara, quando duas violentas explosões, na manhã de 10 de Outubro, mataram 102 pessoas e feriram mais de 400 nas imediações da estação ferroviária central da cidade.

 

Frase nacional do mês

«O Governo de Passos e Portas acabou hoje.» Declaração da porta-voz do BE, Catarina Martins, após uma reunião com o líder do PS, António Costa, deixando antever um entendimento entre as esquerdas para travar um segundo Executivo liderado por Passos Coelho. A frase foi proferida a 12 de Outubro, oito dias após as legislativas. Cavaco viria a empossar Passos no dia 30 apesar de PSD e CDS não terem maioria no Parlamento.

 

Frase internacional do mês 

«Quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa suficientes para atacar a minha honra?» Frase da Presidente brasileira, Dilma Rousseff, proferida a 13 de Outubro. A declaração reflecte bem a enorme tensão política que se vive no Brasil na sequência das revelações da imprensa sobre tráfico de influências e corrupção no país - o que já levou à detenção de destacados membros da classe política, no âmbito da Operação Lava Jato.

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Setembro de 2015: os meus votos

por Pedro Correia, em 06.10.15

Figura nacional do mês

Em mês dominado pela campanha às legislativas, a figura individual que mais deu nas vistas - literalmente - foi a candidata Joana Amaral Dias, cabeça de lista de um partido que mesmo quase sem surgir nos telediários deu um forte impulso à transparência na política.

 

Figura internacional do mês

Jeremy Corbyn, deputado de 66 anos, tornou-se líder do Partido Trabalhista a 12 de Setembro em eleições directas abertas a qualquer britânico que pagasse três libras. Apoiado só por 10% dos seus deputados, é uma espécie de Tsipras do Reino Unido.

 

Facto nacional do mês

Após mais de nove meses detido no estabelecimento prisional de Évora, José Sócrates - o ex-recluso nº 44 - foi transferido em regime de detenção domiciliária para um dos endereços que se tornaram mais célebres do País: o nº 33 da Rua Abade Faria, em Lisboa.

 

Facto internacional do mês

A imagem correu mundo: um menino de três anos afogado numa praia turca. Aylan Kurdi era um curdo sírio em fuga à guerra, como centenas de milhares de compatriotas que chegaram à Europa neste mês. A mãe e um irmão também morreram na trágica travessia.

 

Frase nacional do mês

«Morte aos traidores!» Palavra de ordem inscrita em grande parte dos cartazes e painéis eleitorais do MRPP que desencadeou polémica dentro do próprio partido durante a campanha, ao ponto de o líder Garcia Pereira ter anunciado que passariam a viver sem ela.

 

Frase internacional do mês

«Não somos gays! Não nos imponham valores!»  Assim falou, a 29 de Setembro, o velho ditador do Zimbábue, na Assembleia Geral da ONU, pronunciando-se pela enésima vez contra a "má influência" ocidental no seu país, um dos mais miseráveis do mundo.

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Agosto de 2015: os meus votos

por Pedro Correia, em 08.09.15

Figura nacional do mês

Maria de Belém Roseira  deixou bem claro, a 17 de Agosto, que concorrerá ao Palácio de Belém. Com uma declaração que não deixa lugar a dúvidas: «Apresentarei publicamente a minha candidatura após as eleições legislativas de 4 de Outubro.»

 

Figura internacional do mês

Sérgio Moro, o juiz de Curitiba que lidera as investigações do caso Lava-Jato que já conduziu à prisão diversas figuras dos meios políticos e empresariais, tem-se transformado num herói para milhões de brasileiros.

 

Facto nacional do mês

Polémica dos cartazes do PS: uma senhora lamentava estar "desempregada" há cinco anos" (quando Sócrates ainda governava). Outra dizia-se "desempregada desde 2012". Era tudo falso. E as próprias nem sabiam que tinham sido usadas na propaganda do partido. O facto levou à demissão do director da campanha socialista, Ascenso Simões.

 

Facto internacional do mês

Descoberta macabra numa auto-estrada austríaca, entre Neusiedl e Parndorf, a 27 de Agosto. Um camião vindo da Hungria transportava 71 refugiados mortos por asfixia: 59 homens, oito mulheres e quatro crianças (incluindo um bebé). Foi o episódio mais chocante, neste mês, do drama dos refugiados que têm afluído aos milhares à UE transportados por redes clandestinas. Três búlgaros e um afegão foram entretanto detidos, suspeitos deste crime.

 

Frase nacional do mês

«Bloco Central, só em condições extremas: uma ameaça de invasão de marcianos.» Assim falou António Costa numa entrevista ao semanário Sol, a 21 de Agosto, recusando liminarmente uma aliança pós-eleitoral com o PSD.

 

Frase internacional do mês

«Não pode haver tolerância para quem ponha em causa a dignidade alheia, não pode haver tolerância para quem não se dispõe a auxiliar os outros.» (Angela Merkel num vigoroso discurso contra a xenofobia pronunciado em Hidenau, na Saxónia, a 26 de Agosto)

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Julho de 2015: os meus votos

por Pedro Correia, em 10.08.15

Figura nacional do mês

Maria de Belém Roseira  movimenta-se para apresentar uma candidatura à Presidência da República, cortando assim caminho a Sampaio da Nóvoa, que sonhava desde o início do ano receber o apoio do PS para chegar a Belém.

 

Figura internacional do mês

O multimilionário  Donald Trump domina a pré-campanha presidencial do Partido Republicano nos Estados Unidos, situando-se em primeiro lugar na generalidade das sondagens.

 

Facto nacional do mês

Armando Vara - ex-ministro, ex-deputado socialista e ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos - foi detido a 9 de Julho, no âmbito das investigações da Operação Marquês, que já haviam levado José Sócrates à prisão.

 

Facto internacional do mês

Instituições europeias aprovam um terceiro resgate à Grécia, totalizando 86 mil milhões de euros, acompanhado de duríssimas medidas de austeridade. Um pacote financeiro que recebeu luz verde do Parlamento de Atenas, gerou divisões no Syriza e pôs em xeque as promessas eleitorais do primeiro-ministro Alexis Tsipras.

 

Frase nacional do mês

«Estou a ponderar [se serei candidato presidencial].» (Rui Rio, putativo candidato presidencial social-democrata, aludindo pela enésima vez ao tema, desta vez a 23 de Julho, em entrevista à RTP informação)

 

Frase internacional do mês

«Assinei um acordo em que não acredito.» (Tsipras, falando no Parlamento de Atenas, a 14 de Julho)

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Junho de 2015: os meus votos

por Pedro Correia, em 07.07.15

Figura nacional do mês

Jorge Jesus surpreendeu os portugueses ao transferir-se do Benfica para o Sporting, escassas semanas após ter vencido o segundo campeonato nacional consecutivo como treinador dos encarnados.

 

Figura internacional do mês

Jeb Bush, filho de um ex-presidente dos EUA (George Herbert Walker Bush, 1989-1993) e irmão de outro ex-presidente (George W. Bush, 2001-2009), anunciou a candidatura à Casa Branca pelo Partido Republicano.

 

Facto nacional do mês

Por decisão do Conselho de Ministros, a TAP foi privatizada, tendo sido adquirida pela Gateway - um consórcio constituído pelo empresário português Humberto Pedrosa (do grupo Barraqueiro) e pelo norte-americano David Neelman, proprietário da companhia aérea brasileira Azul.

 

Facto internacional do mês

Onda de atentados em três continentes com a marca do extremismo islâmico num dia negro: 26 de Junho. Balanço trágico: 37 mortos e 36 feridos na zona balnear de Sousse (Tunísia), 25 mortos e 202 feridos numa mesquita do Koweit, 56 mortos num quartel da União Africana, na Somália, e um empresário decapitado em França.

 

Frase nacional do mês

«Apoio o PS nas próximas eleições legislativas.» (António Capucho, ex-vice-presidente e ex-secretário-geral do PSD, falando a 5 de Junho na Convenção Nacional do PS)

 

Frase internacional do mês

«Tomai as chaves da cidade e vamos governar todos juntos.» (Manuela Carmena, da esquerda radical, ao tomar posse como presidente da Câmara de Madrid no dia 13 de Junho)

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Maio de 2015: os meus votos

por Pedro Correia, em 06.06.15

Figura nacional do mês

Helder Santinhos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação Civil, liderou uma greve de dez dias na TAP. A paralisação - a que parte dos pilotos não aderiu - causou «um dano de 30 milhões de euros» à empresa, revelou o sindicalista.

 

Figuras internacionais do mês

Ada Colau, activista catalã apoiada por uma plataforma de movimentos da esquerda radical, venceu em 24 de Maio a eleição autárquica em Barcelona e prepara-se para liderar a câmara.

Nicola Sturgeon, a nova líder nacionalista escocesa, elegeu a 8 de Maio  56 dos 59 deputados na Escócia para o Parlamento britânico, relançando o debate sobre a independência.

 

Facto nacional do mês

Nos primeiros dez dias de Maio, a TAP foi abalada por uma inédita greve dos pilotos. Um facto que não travou o processo de privatização da empresa, agora em curso.

 

Facto internacional do mês

Vitória clara do Partido Conservador, que conquistou  maioria absoluta nas eleições de 8 de Maio no Reino Unido, contrariando todas as sondagens. David Cameron, no poder desde 2010, deixou de necessitar dos liberais para formar maioria.

 

Frase nacional do mês

«Esta pega, feia, gorda, invejosa, nojenta, salazarenta, cretina e complexada, acha que dizer mal dos outros no FB não tem mal nenhum.» (Sofia Fava, ex-mulher de Sócrates, escrevendo sobre a Procuradora-Geral da República no Facebook)

 

Frase internacional do mês

«Leio todos os discursos do Papa. Se continua a falar assim, um dia destes vou recomeçar a rezar e regressarei à Igreja Católica. E não estou a dizer isto a brincar.» (Raúl Castro, ditador comunista cubano, falando no Vaticano após audiência com o Papa Francisco a 10 de Maio)

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Abril de 2015: os meus votos

por Pedro Correia, em 06.05.15

Figuras nacionais do mês

Paulo de Morais (no Porto, dia 18) e  António Sampaio da Nóvoa (em Lisboa, dia 29) anunciaram candidaturas à Presidência da República.

 

Figura internacional do mês

Hillary Clinton, em jogada de antecipação face a potenciais rivais, anuncia candidatura à Presidência dos Estados Unidos.

 

Facto nacional do mês

Relatório parlamentar sobre o caso BES aprovado a 29 de Abril, em clima de raro consenso, na Assembleia da República. Redigido pelo social-democrata Pedro Saraiva, mereceu a aprovação do PSD, PS e CDS, com a abstenção do BE e apenas o voto contra do PCP. Documento aponta responsabilidades a Ricardo Salgado mas também critica o Banco de Portugal pela actuação "tardia" no processo que conduziu à derrocada do Grupo Espírito Santo.

 

Facto internacional do mês

Brutal sismo  no Nepal, a 25 de Abril, provoca mais de 7200 mortos e 14.355 feridos, destruindo grande parte do centro histórico de Catmandu, património mundial da Humanidade, e cerca de 70 mil habitações. O terramoto, que teve grau 7,9 na escala de Richter, afectou oito milhões dos 28 milhões de nepaleses.

 

Frase nacional do mês

«José Sócrates não confiava nos modos normais de circulação de fundos.» (Pedro deLille, um dos advogados de Sócrates)

 

Frase internacional do mês

«No século passado, a nossa família humana passou por três tragédias sem precedentes. A primeira, que foi largamente considerada como o primeiro genocídio do século XX, atingiu o povo arménio.» (Papa Francisco, referindo-se ao massacre de um milhão e meio de arménios em 1915 com palavras que enfureceram as autoridades turcas)

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25 de Abril de 2015

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.04.15

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Ainda cá estamos. Os cabrões também. Têm cartões de todas as cores, os vícios são os mesmos e não há maneira desta porra evoluir. Continuamos a resistir. Ligo-te para o ano.

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Comemorar o 25 de Abril em beleza

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.04.15

O facto de vir de fora não me aquece nem arrefece e, neste caso, o uso do argumento até deve ser visto como mais um sinal de provincianismo.

À beira de se comemorar mais um aniversário do 25 de Abril, a apresentação de um vergonhoso projecto controleiro para a comunicação social, cozinhado pelo PSD, pelo PS e pelo CDS-PP, visando a apresentação de planos prévios de cobertura, constitui mais uma acha no caixão do actual regime e a prova final da irreformabilidade do país. Em vez de se responsabilizar, que seria o correcto, prefere-se tomar conta.

A ideia de alguns jornalistas de boicotarem a cobertura da pré-campanha e da campanha eleitoral não me parece que seja errada. Seria mau para os partidos, evidentemente, mas óptimo para os eleitores que se livrariam da poluição sonora e visual em benefício do descanso e tempo de reflexão que lhes proporcionaria. Poupados às habituais patacoadas de campanha e aos espectáculos circenses que normalmente estão associados a esses períodos, essa poderia ser uma boa maneira dos portugueses começarem a pensar em fazer um 25 de Abril que não fosse tão deturpado e enxovalhado, em tão pouco tempo, pelas fossilizadas forças do regime. Bastaram 40 anos, só 40 anos, para se regressar a uma espécie de visto prévio para a imprensa.

Estarei errado? Talvez, mas assim também não há democracia que resista.

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Março de 2015: os meus votos

por Pedro Correia, em 07.04.15

Figuras nacionais do mês

Henrique Neto, primeira candidato assumido às presidenciais de 2016

Miguel Albuquerque, vencedor da eleição regional na Madeira após 37 anos de jardinismo

 

Figura internacional do mês

Nicolas Sarkozy com vitória clara nas eleições regionais em França: «A alternativa está em marcha, ninguém vai detê-la», proclama

 

Facto nacional do mês

Acórdãos do Supremo Tribunal de Justiça e do  Tribunal da Relação de Lisboa validam tese do Ministério Público, prolongando e fundamentando prisão preventiva de José Sócrates

 

Facto internacional do mês

Um avião da companhia aérea Germanwings despenha-se contra uma montanha nos Alpes com 144 passageiros e seis tripulantes. Não houve sobreviventes. O acidente foi provocado pelo próprio co-piloto da aeronave.

 

Frase nacional do mês

«Temos cofres cheios.» (Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque)

 

Frase internacional do mês

«A Grécia não pode sair do euro. Se saíssemos, a seguir sucederia o mesmo a Espanha e à Itália. E a dado momento também à Alemanha.» (Panos Kamenos, líder do partido da direita radical Gregos Independentes e ministro da Defesa no governo de coligação liderado pelo Syriza)

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Fevereiro de 2015: os meus votos

por Pedro Correia, em 12.03.15

Figura nacional do mês

Luís Figo formaliza candidatura à presidência da FIFA

 

Figura internacional do mês

Yanis Varoufakis, novo ministro grego das Finanças

 

Facto nacional do mês

INE revela que Portugal cresceu 0,9% em 2014 após o PIB nacional ter diminuído 1,4% no ano anterior

 

Facto internacional do mês

Boris Nemtsov, líder da oposição ao Presidente Putin, assassinado em Moscovo

 

Frase nacional do mês

«Portugal está numa situação bastante diferente daquela que estava há quatro anos» (António Costa, líder do PS)

 

Frase internacional do mês

«Pecámos contra a dignidade dos povos, especialmente na Grécia e em Portugal, e muitas vezes na Irlanda» (Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia)

 

Nota: por motivos pessoais, só agora pude publicar estes "votos"

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Janeiro de 2015: os meus votos

por Pedro Correia, em 31.01.15

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Figura nacional do mês

Cristiano Ronaldo, galardoado com a terceira Bola de Ouro

 

Figura internacional do mês

Alexis Tsipras, vencedor das eleições legislativas na Grécia

 

Factos nacionais do mês

Venda da Portugal Telecom aos franceses da Altice e Alberto João Jardim abandona Governo Regional da Madeira

 

Facto internacional do mês

Os atentados do dia 7 em Paris que provocaram 17 mortos

 

Frase nacional do mês

«Não há justiça em Portugal» (Mário Soares)

 

Frase internacional do mês

«Je suis Charlie» (frase entoada por milhões de pessoas em todo o mundo)

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Soltas para 2015

por João André, em 05.01.15

Os servidores da Sony foram abaixo por causa de ataques informáticos. Os EUA acusaram a Coreia do Norte e, por coincidência, todo o país ficou às e-scuras uns dias depois. Para um país sob repressão, provavelmente quase sem acesso à internet (e quem a terá será altamente controlado), não estaria mal o serviço. Talvez fosse melhor enviar os futuros engenheiros informáticos para a Coreia do Norte para aprenderem o ofício.

 

A Alemanha diz que uma grexit não seria um grande problema. Pois não. Há 2-3 anos os bancos alemães (e franceses e outros) estavam carregados de dívida grega. Agora , uns programas de "apoio" depois, já não. Hoje a WDR (estação pública de rádio do oeste da Alemanha) dizia-o claramente: um dos grandes objectivos do programa foi salvar os bancos. Agora... bom, com um novo dracma em baixo as férias até serão mais baratas.

 

Ainda a Grécia: quando a Rússia faz certos comentários sobre as eleições ou as escolhas de governo noutros países, é tentativa de desestabilização. Quando a Comissão Europeia, a Alemanha ou outros países o fazem sobre a Grécia, de que se trata?

 

Ainda com a Alemanha: o Público foi a Baden-Würtenberg para levar uma lavagem ao cérebro sobre o sistema de ensino do estado. Foi tão intensa que o pobre do jornalista (Samuel Silva) até mudou o nome à Bosch e confundiu o singular e o plurar de Land (em alemão no original). Já o sentido crítico foi a principal vítima. Para o estado faz sentido: uma viagem de avião, umas viagens dentro do estado e umas estadias em hotel e tem-se um "artigo" de jornal melhor que uma publicidade de página inteira.

 

Na Sérvia descobriu-se um esquema de prostituição de luxo. O responsável (dito proxeneta em português antigo) tinha o processo completamente organizado: dias de trabalho disponíveis para as meninas (o período estava previsto), contabilidade organizada, percentagens claramente definidas, carteira de clientes, processos de marketing, etc. Nas ruas levanta-se o clamor a pedir a sua libertação e imediata nomeação para ministro da economia.

 

Cavaco Silva continuou no seu processo de esvaziamento das funções do presidente da república. Sabe-a toda: quando houver novas eleições pode ir para lá Santana Lopes sem problemas. Ninguém dará por ele.

 

Sócrates está preso? Ouço mais falar dele agora do que quando tinha o programa de televisão.

 

Passos Coelho continua a viver no mundo da realidade virtual de Massamá. E a insultar os portugueses que sofrem todos os dias. António Costa ainda não encontrou nos bolinhos da sorte chineses um programa de governo que lhe agrade.

 

A Rússia está a caminho de causar uma guerra a sério. O mundo ainda não o percebeu. Oxalá não o faça demasiado tarde.

 

O entreposto de jogadores da Luz está em primeiro lugar. O do Dragão em segundo. A fábrica de Alvalade está em quarto mesmo sem se saber se o director de produção fica ou sai (talvez esta rapaziada nos esclareça a coisa). Valha o Guimarães para dar animação.

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Como se quiséssemos o sol todo só para nós

por Pedro Correia, em 01.01.15

 

Queremos mudar o mundo, queremos mudar o sistema, queremos mudar a sociedade. Tudo seria mais fácil se começássemos por mudar a nossa relação com os outros. Se adquiríssemos o talento de unir o que vemos fragmentado, de congregar o que está disperso. Se soubéssemos ir ao encontro de quem nos rodeia. Às vezes basta um gesto apaziguador, uma palavra amável, um sorriso que se rasga na face sempre sisuda. "Na superfície das coisas vê-se a essência das coisas", escreveu Saul Bellow em Ravelstein.

A sociedade, o sistema, o mundo não mudam se não começarmos por mudar também algo de essencial na nossa relação com os outros. Nos actos mais singelos do quotidiano.

Escrevo estas linhas enquanto o sol vem espreitar-me da janela: é quanto basta para sentir-me grato por este primeiro dia do novo ano. Penso nos que sofrem sob o mesmo sol que me aquece e me inspira e me ilumina. E questiono-me o que poderei fazer para atenuar a angústia ou aliviar a dor de alguém. Não da Humanidade em abstracto, como me sugerem os demagogos de plantão, mas de uma pessoa em concreto.

Uma palavra, um sorriso, um gesto, um abraço, um olhar. Às vezes só isto é necessário. E somos incapazes de dar esse passo. Como se quiséssemos o sol todo só para nós.

 

Texto reeditado

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É aproveitar, malandragem

por Rui Rocha, em 30.12.14

Já só vos restam mais umas horas. Depois, não há desculpas. Não queremos cá mais pieguices. O senhor primeiro-ministro já avisou que em 2015 não há nuvens negras. Os que continuarem a  queixar-se é porque lhe apanharam o vício. 

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