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Construção de Chico Buarque

por Patrícia Reis, em 01.05.15

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague

https://youtu.be/P7mHf-UCZp0

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1º de Maio

por Rui Rocha, em 01.05.13

 

A tragédia do Bangladesh não nos deveria deixar indiferentes. Desde logo, pelas mais de 400 pessoas que morreram em condições absolutamente inaceitáveis e pelas suas famílias. E isso é, evidentemente, o aspecto mais dramático da situação. Mas, também, porque esse acontecimento representa a ponta do icebergue de um desastre de repercussões mais vastas. As centenas de milhares de desempregados portugueses e de milhões de desempregados em toda a europa são, em parte, vítimas das condições de trabalho desumanas praticadas no Bangladesh e noutras paragens. A globalização selvagem a que assistimos tem um pé apoiado na exploração da miséria no mundo em desenvolvimento e outro no desemprego assustador que se vive em várias zonas do mundo dito desenvolvido. A imagem deste 1º de Maio não pode ser outra que a de um edifício que desabou sobre 400 trabalhadores a milhares de quilómetros daqui. E a resposta não pode ser a que Matt Yglesias subscreve neste post miserável. Nem a cumplicidade das multinacionais ocidentais que condenam as condições de trabalho desumanas apenas e quando estas são praticadas pela concorrência do oriente mas que as incentivam ou admitem quando estas são postas ao serviço dos seus interesses. A resposta está na afirmação de que há valores mínimos de dignidade que são válidos em qualquer parte do mundo e para todas as pessoas. Foi também essa a mensagem de hoje do Papa Francisco. Qualquer outra posição mais não é do que a admissão da escravatura.

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Foi num primeiro de Maio e trazia uma luz

por Gui Abreu de Lima, em 01.05.13

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Sortido rico do Pingo Doce

por Rui Rocha, em 03.05.12

Diz que foi uma Mixórdia:

 

 
Mas que, em geral, o povo ficou feliz:
  
 
Houve muitos comentadores que se indignaram, mas nem todos o fizeram com despeito:
 
 
E outros lembraram, com alguma pertinência, que na Coreia do Norte o 1º de Maio não se celebra no Pingo Doce:
 

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Zombies!

por João Campos, em 02.05.12

Este post do Sérgio Lavos no Arrastão deixou-me muito triste. Não por aquilo que ele lá diz - se fôssemos levar a sério a todos os disparates que se dizem na blogosfera não fazíamos mais nada da vida - mas por aquilo que me traz à memória. Ora o Sérgio fala dos zombies que, segundo ele, ontem dispensaram a "luta" e correram a uma cadeia de supermercados para aproveitar uma super promoção e, enfim, animar um pouco mais um 1 de Maio particularmente cinzento. Mas o discurso dos zombies do Sérgio, a mim, fez-me pensar não em mercearias mas numa das três melhores séries televisivas dos últimos tempos*, cuja segunda temporada acabou há poucas semanas: The Walking Dead. Que é, basicamente, uma série sobre zombies. Ou melhor: sobre meia-dúzia de personagens que tenta sobreviver num mundo infestado de zombies, com relativo sucesso ainda que a dimensão do grupo seja sempre inconstante. Se ainda não viram, fica a sugestão.

 

 

Acontece que a série é a adaptação televisiva de uma banda desenhada muito boa, também intitulada The Walking Dead, que para não fugir à regra consegue ser ainda melhor que a versão do pequeno ecrã (apesar de esta ter alguns momentos mais bem executados). Esta banda desenhada, escrita por Robert Kirkman, e ilustrada por Tony Moore e Charlie Adlard, já conta com 15 volumes em trade paperback, contendo cada volume seis issues. Comecei no Natal a coleccionar The Walking Dead, e vou já no terceiro volume, recentemente adquirido online (a metade do preço a que se vende por cá). É uma delícia. Claro que também a recomendo - e para quem não gostar de ler em inglês, até há uma tradução portuguesa.

 

Ora o post do Sérgio Lavos deixou-me triste precisamente por causa de The Walking Dead - tanto a série televisiva como a banda desenhada. A terceira e muito promissora temporada só regressa lá para o Outono, por alturas do Halloween; e, de momento, não me dá muito jeito comprar o quarto volume dos trade paperbacks para continuar a seguir esta excelente história com zombies, e a curiosidade é muita, até porque o terceiro álbum acabou com um cliffhanging brutal. Dito de outra forma: tenho muito que esperar. Logo agora que eu estava a tentar não pensar em zombies para ser um consumidor consciente e não cair na tentação de dar um salto à BD Mania, vem o Sérgio e zás! traz os zombies para a ribalta. Não se faz, Sérgio. Não se faz.

 

 

*As outras duas grandes séries do momento, já agora, são Homeland - também a aguardar nova temporada - e Game of Thrones.

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Wal Marx

por Rui Rocha, em 02.05.12

Uma alternativa de esquerda à grande (re)distribuição protagonizada pelo Pingo Doce. Zombie não entra:

 

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Dia Internacional...

por João Carvalho, em 02.05.12

 

... do Trabalhador

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As promoções do Pingo Doce

por José Gomes André, em 02.05.12

O timing das promoções foi oportunista e provocador (o que se esperava depois da guerra nos últimos dias entre supermercados e sindicatos). Mas tirando isto, o que justificou tanta algazarra nos media, tanta indignação (São José Almeida falou mesmo em "atentados à dignidade humana"), tantas "manifestações de pesar"? O Pingo Doce ganhou (pelas vendas e pela publicidade). As pessoas ganharam, poupando dezenas de euros. O Estado ganhou milhares de euros em impostos. Os trabalhadores ganharam um dia de salário a triplicar, o direito a gozar uma folga e desconto de 50% em compras. Caramba, até os jornalistas ganharam tema de reportagem num dia soporífero.

 

O resto é folclore. Folclore da Esquerda-católica, que gosta de apregoar a sua "preocupação pelas pessoas", mas prefere falar do "dumping" e dos atentados a não-sei-o-quê, quando na verdade milhares de pessoas (na maior parte desfavorecidas) tiveram um dia em cheio, com efectivo impacto nas suas difíceis contas. Folclore da Esquerda-caviar, que manda umas bocas ao Pingo Doce e aos coitadinhos manipulados pelo grande capital, porque lhe sobra dinheiro para comprar o que bem entende, ao preço que calhar, no Corte Inglés e nas lojas gourmet. E folclore da Esquerda-socialista, que suplica por políticas de crescimento e desenvolvimento, mas quando vê iniciativas bem-sucedidas com origem em empresas privadas, a que as pessoas aderem por sua livre escolha (e interesse), entra de imediato em pânico, face à necessidade de repensar os seus estereótipos intelectuais.

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Não me parece que o Pingo Doce tenha conseguido uma vitória estrondosa sobre os sindicatos. É certo que as lojas da Jerónimo Martins estiveram a abarrotar. Mas, para isso, o Pingo Doce teve que dar promoções de 50% aos clientes. Os sindicatos, por seu lado, já promoveram manifestações com centenas de milhares de trabalhadores. E todos sabemos que não dão nada a ninguém.

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1º de Maio no mundo

por Leonor Barros, em 01.05.12
Atenas
Istambul
Madrid
Moscovo
Há que primar pela diferença.

Proponho que doravante o 1º de Maio passe a ser chamado dia de S. Pingo Doce.

 

Também aqui

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Porque falhou a União Soviética

por José Navarro de Andrade, em 01.05.12

O primeiro 1º de Maio, Chicago 1886:

trabalhadores em luta pelas 8 horas diárias de trabalho, 6 dias por semana

 

 1º de Maio, Praça Vermelha, Moscovo, 1969

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O desemprego entre os jovens é uma catástrofe. Estamos em risco de perder a geração mais qualificada de sempre. Não podemos permitir que os nossos cérebros fujam para o estrangeiro. É preciso combater o emprego sem direitos. A precariedade e o desemprego são um drama social. Frases com esta são repetidas uma e outra vez. Todavia, para lá dos discursos inflamados e das afirmações de solidariedade de circunstância, o mercado de trabalho português continua a ter uma natureza dualista. Um segmento da população trabalhadora tem vínculo permanente e garantia de estabilidade alicerçada sobre a proibição do despedimento individual sem justa causa e pela previsão de indemnizações generosas em caso de despedimento. O vínculo laboral do outro segmento é precário e implica direitos mitigados. Neste cenário de excesso de protecção para uns e défice de protecção para outros, o ajustamento faz-se sempre à custa destes últimos e de forma rápida. Diz-se que a existência de indemnizações pesadas protege os trabalhadores da arbitrariedade patronal. Não é a verdade toda. Protege também esses trabalhadores dos outros que estão fora do mercado ou que são precários. O mundo do trabalho divide-se, então, entre insiders e outsiders (desempregados e precários que, nas actuais circunstâncias, são desempregados a prazo). Ora, este estado de coisas, que bloqueia o acesso dos jovens ao mercado de trabalho, não é uma fatalidade. Não há qualquer escritura sagrada que imponha a existência de um mercado de trabalho dualista. Este existe, apenas, porque essa é a vontade política (e esta é formada por partidos, sindicatos e outros actores sociais que têm também interesse no bloqueio do mercado de trabalho porque esse é o estado que mais convém aos seus militantes, filiados e clientelas). Todavia,  se aquilo que se pretende é assegurar a solidariedade intergeracional, promover o mérito e não perder a flexibilidade de ajustamento aos ciclos económicos, o sistema mais adequado é o do contrato único (reservando-se os contratos temporários para situações residuais como as substituições por doença), com indemnizações moderadamente baixas e progressivas em função da antiguidade. Note-se que o despedimento não seria demasiado facilitado, assegurando decisões ponderadas e uma protecção adequada da evolução da carreira. O primeiro passo no sentido do reequilíbrio do mercado foi dado com a diminuição das indemnizações. Falta agora acabar com o dualismo ou, o mesmo é dizer, com a existência de filhos e enteados no mercado de trabalho. Mas... claro. É muito mais fácil produzir discursos inflamados sobre a tragédia do desemprego entre os jovens. 

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1º de Maio

por João Carvalho, em 01.05.12

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O dia do trabalhador serve, naturalmente, para comemorar a luta histórica pelos direitos laborais. Mas, não estaria mal que servisse também para reflectir sobre o papel dos sindicatos. Ao longo do tempo, e socorro-me aqui de Olivier Blanchard, as organizações sindicais assumiram as funções principais de i) prover aos seus membros em caso de desemprego, ii) representar os interesses dos trabalhadores a nível nacional, iii) extrair rendas das empresas e do Estado, iv) proteger os trabalhadores da exploração empresarial. Ora, se bem virmos, há uma clara erosão do papel dos sindicatos em qualquer dessas dimensões. Na verdade, a protecção social no desemprego foi progressivamente assumida pelo Estado mesmo nas geografias em que os sindicatos tinham alguma tradição nessa matéria. A representação é também um ponto crítico na análise do movimento sindical. Desde logo, os sindicatos não representam, ou representam mal, uma parte significativa da força de trabalho. Em geral, os desempregados não encontram propostas válidas no movimento sindical. Da mesma forma, os precários também não são a sua prioridade. Em rigor, os sindicatos não representam os trabalhadores. Representam os que têm trabalho estável e, tendencialmente, os menos jovens. E, mesmo assim, com algumas limitações. Na verdade, a esmagadora maioria dos trabalhadores não está sindicalizada nem participa na eleição dos representantes. A legitimidade dos sindicatos estabelece-se de cima para baixo, muito mais por força da lei do que por um real enraizamento do movimento junto dos trabalhadores. Por outro lado, a extracção de rendas do Estado e das empresas já conheceu melhores dias. A contracção dos salários da função pública aí está a demonstrá-lo. Da mesma forma, a protecção dos trabalhadores perante a exploração empresarial foi, também ela, progressivamente assumida pelo Estado. Perante uma denúncia, a inspecção do trabalho é, em geral, muito mais eficaz e detém meios coercivos que não estão ao alcance dos sindicatos. Perante tudo isto, sobra a questão sobre o futuro dos sindicatos. É uma pergunta sem resposta evidente. Mas, é evidente que os sindicatos, se quiserem ter futuro, terão de mudar. Apesar da concorrência do Estado, a luta contra a exploração no local de trabalho parece ser a via de sobrevivência mais evidente. Mas para que seja viável, é necessário que os sindicatos e os sindicalistas regressem aos locais de trabalho e aceitem o risco de encontrar uma nova legitimidade que se estruture de baixo para cima.

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