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Tácticas à direita

por João André, em 10.06.16

Quem me lê sabe perfeitamente que eu sou de esquerda. Devido às minhas posições e ao contraste com os da maioria dos autores do blogue, muitos confundem o meu posicionamento político. Tento esclarecer o máximo possível as minhas posições, mas na realidade não me incomoda muito quando alguém confunde as minhas coordenadas.

 

Esta introdução, apesar de eu a considerar vã, é feita para poder esclarecer que, qualquer que seja a minha posição política, tenho sempre respeito por quem tem opiniões diferentes das minhas. Estou há muito afastado da política e não tenho interesse em a ela regressar, pelo que as minhas opiniões são minhas e, se coincidem ou não com as de outros, isso é sempre bem-vindo, desde que isso suceda por reflexões reais.

 

Comentários como o do Diogo Noivo aqui abaixo não mais é que uma "boca" gratuita, sem reflexão e com a intenção de difamar um partido. Nesses intuitos falha por várias razões. O primeiro é simples: sem definir o que é ser-se "esquerda radical", Diogo Noivo apenas pretende que se associe o Bloco de Esquerda ao epíteto de "radical" para desacreditar o partido. Se fizesse um exercício de reflexão honesto sobre o assunto, chegaria à conclusão que por muito que as posições sejam diferentes, "radical" não é algo que possa atribuir-se ao BE, a não ser que se tenha uma visão muito restrita do termo.

 

Por outro lado, tenta difamar ao associar o BE ao PCP. Dado que se trata de dois partidos com representação parlamentar e que seguem as regras da democracia portuguesa, a associação pode querer confundir os dois partidos mas para qualquer pessoa objectiva acaba por falhar o alvo - por muito que se copiassem, PCP e BE não seriam "radicais".

 

Por último, falha quando associa os dois partidos por causa de um comentário. Suponho que pela mesma lógica também associasse Donald Trump ao PCP, já que tem andado a atacar os grandes interesses económicos nos seus comentários populistas e, esses sim, violentamente radicais (sim, violentamente, é intencional e literal).

 

É um comportamento típico de todos os partidos, à esquerda e à direita, de se tornarem curiosamente míopes em relação às falhas dos próprios partidos (ou partidos próximos) quando no governo e de atacarem os outros partidos de forma cada vez mais forte e gratuita quando na oposição. No entanto, se a esquerda tem a tendência de ignorar os dados e se cingir cegamente à sua ideologia quando ataca um governo à direita, a direita opta por usar ataques cujo único propósito é conotar os governos de esquerda com algo de negativo.

 

Neste caso, o Diogo Noivo tenta meter dois partidos num único saco e dizer que são radicais, tentando assim, de uma única penada despachar os dois sem ter uma argumentação que se veja. O mesmo quando se fala na "geringonça", um termo que pegou e que é um disparate pegado, como qualquer democrata o perceberá (mas que escapará para sempre à cabecinha de Passos Coelho).

 

Mais abaixo o Luís, noutro tom, parece escolher os meios que lê ao escrever este post. Eu, que leio menos jornais que ele, já tinha percebido que a palavra "crise" andava a desaparecer dos jornais há um ano. Discordo em muito com o Luís sobre as razões e os supostos méritos do govrno de Passos Coelho, mas é um facto que o governo PS herdou um situação mais desafogada que a de há quatro anos. É por isso natural que o tom mude. E mesmo que não mudasse, que a crise estivesse apenas como antes, a simples fatiga leva os jornais a dar menos atenção. É algo que ele, como jornalista, saberá perfeitamente, mas terá esquecido no post. Por outro lado, não deixo de ler criticas constantes ao governo do PS, inclusivamente vindas da esquerda. Talvez eu tenha apenas sorte.

 

Seja como for, e seja lá quem for que esteja envolvido, irrita-me imenso quando a direita tenta lençar nuvens de poeira sobre o desempenho de um governo, olimpicamente ignorando factos quando lhe convém (hábito à esquerda e à direita) e, pior, tentando difamação por associação. Melhor seria ler posts como este da Ana, altamente justificado e fundamentado e o qual subscrevo.

 

Há muito por onde se pegar para qualquer ataque aos governos, é escusado andar a inventar nuvens negras.

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17 comentários

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De Vento a 10.06.2016 às 23:16

João, há quem veja radicalidade em tudo quando mexe à sua esquerda. Para esses a única radicalidade benigna é aquela em que se sentam numa prancha de surf e deixam-se ir na onda. É a mais fácil, pois é a onda que carrega com o peso e morre na praia. Foi isto que aconteceu a este país/povo sob a board da direita.

No entanto, a Mariana meteu água com a historieta dos aumentos para os gestores públicos. Dá-me a sensação que a rapariga deve andar em congressos do capitalismo bildeberguiano. Parece-me, pela atitude da Mariana, também que os trabalhadores do privado devem ser uma espécie de sucedâneo da sociedade.
Para estes não existem 35 horas. Não existem aumentos e não há maneira de legislar para que os privados moralizem o sistema em matéria de disparidades salariais entre os gestores e os demais trabalhadores.

Quanto ao post da Ana. Não comento. Parece-me que num investimento de 15 milhões deve existir alguma contrapartida ainda não divulgada que justifique o negócio. Aguardo por mais informações para me pronunciar. Cultura, para mim, também é edificar a memória. E isto parece-me que a Visabeira irá fazer com a injecção de tal montante para a construção de um hotel. Certamente que haverá recuperação do património.

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De Ana Vidal a 11.06.2016 às 21:12

Caro Vento, respondo só à parte que me diz respeito. Espero sinceramente que tenha razão, que haja uma contrapartida digna desse nome para o Estado português que justifique uma renda anual de 5.000 € (que só posso classificar como ridícula), já que o lucro que decorrerá do investimento de 15 milhões, durante meio século reverterá inteiramente para a Visabeira. Se não existir essa tal contrapartida misteriosa, daqui a 50 anos Alcobaça e todos nós teremos nas mãos um hotel provavelmente démodé e não sei em que estado a que teremos de dar destino. Estranho é que ela não tenha sido ainda divulgada, pondo facilmente cobro ao coro de críticas que este negócio levantou, e compreensivelmente.
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De Vento a 12.06.2016 às 11:30

Como disse, Ana, aguardo por mais notícias em torno deste negócio. É habitual nos negócios entre privados e público a existência de contrapartidas. Geralmente as mesmas beneficiam as autarquias, isto é, as populações. É com base nesta tradição que me pronunciei.
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De Ana Vidal a 12.06.2016 às 12:31

Deus o ouça. Ou os monges de Cister. :-)
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De João André a 13.06.2016 às 08:55

Em relação às posições de Mariana Mortágua, não as comentei porque não as li. Comentei directamente a reacção do Diogo Noivo ao tweet de Catarina Martins e só mesmo isso.

Já agora: o Estado não tem que se imiscuir no privado. Tem que colocar regras gerais para os trabalhadores e o privado tem que as cumprir. Deve também deixar o privado operar com o máximo de liberdade possível para não0 lhes complicar a vida. Fora isso, se o público quer dar horários de trabalho de 35 horas, deve poder fazê-lo. Os eleitores e contribuintes podem (e devem, se assim o entenderem) manifestar-se sobre o assunto. Da mesma forma que se podem manifestar contra semelhante iniciativa de um privado, embora não possam mudar muito se não tiverem investimentos na empresa.
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De Diogo Noivo a 10.06.2016 às 23:49

É "bem-vindo", João.
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De João André a 13.06.2016 às 08:51

Obrigado Diogo. Matutei nesta e acabou a sair asneira. Estou cada vez mais "emigra", mesmo que o tente evitar...
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De T a 11.06.2016 às 00:27

Bem-vindo.
Política suja? Então já leu as caixas de comentários dos deputados do BE PS e PCP no Facebook? Nunca nenhum apagou os comentários, nunca nenhum veio dizer "não tolero isto ou aquilo", alguns até metem like!

deixo aqui uns exemplos
http://i.imgur.com/y2FOzsT.jpg?1
http://i.imgur.com/lmXHAtf.png?1


Já leu os cartazes do BE e PCP? Já leu as declarações dos seus representantes? As suas insinuações? Criminosos, gatunos, ladrões, mentirosos, antipatriotas, bom, é o que vxa desejar, está lá de tudo. Se há coisa que não podem acusar a "direita" é de ser intolerante com a rebaldaria e ordinarice que se prestam os representantes da esquerda. Já se esqueceu do Cabrita no parlamento? Do roubo dos gravadores? Das esganiçadas je suis charlie? Das tiradas do Louçã? O escurinho da troika? Para estes todos à sua direita deviam ir parar à fogueira.
Se quiser saber o que quer dizer radical, dou-lhe um exemplo simples, são partidos radicais aqueles que manifestam posições anti-sistema.

Depois desculpe mas isto é surreal:

"O mesmo quando se fala na "geringonça", um termo que pegou e que é um disparate pegado, como qualquer democrata o perceberá (mas que escapará para sempre à cabecinha de Passos Coelho)."

Fala em política suja e tenta alegar que o Passos Coelho não é democrata? Oh amigo, estamos conversados sobre a desfaçatez.

"Discordo em muito com o Luís sobre as razões e os supostos méritos do govrno de Passos Coelho, mas é um facto que o governo PS herdou um situação mais desafogada que a de há quatro anos."

Não tem mérito? Então isto prova o quê? Como já expliquei várias vezes, de 10% passamos para 3%, de ZERO financiamento passamos para FINANCIAMENTO, crescimento do emprego, mais exportações, menos deficit, mais investimento, até o Costa saltou do poleiro CML para vir para o Governo, e não tem mérito? Quer ver que o Costa é um herói que o país precisava em 2011 só que acordou tarde para a travessia do deserto? Santa ingenuidade.

"E mesmo que não mudasse, que a crise estivesse apenas como antes, a simples fatiga leva os jornais a dar menos atenção"

Foi preciso mudar de governo ou acha tudo uma mera coincidência? Cansaram-se todos ao mesmo tempo e de repente. Todas as reportagens sobre os dramas do país cessaram. Incrível! Santa ingenuidade.


Ah. Escreva com menos raiva, sai tudo melhor.
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De Justiniano a 11.06.2016 às 08:49

Apenas para enaltecer, aqui, o comentário do caríssimo T!!
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De João André a 13.06.2016 às 09:18

Escrever com menos raiva? Siga o seu próprio conselho, especialmente a ler.

Não acusei ninguém de tácticas sujas, apenas de atirar poeira para os olhos numa táctica organizada. Não deixei a esquerda incólume nas minhas críticas, embora o meu alvo fosse de facto a direita.

Eu acuso Passos Coelho de não ser inteligente e de não entender a democracia. Não o acusei de não ser democrata. E a acusação de falta de inteligência já a fiz muitas vezes em posts. Não é obrigado a lê-los, claro está. Fica só a informação caso queira procurar e ler.

Não leio os Facebooks de políticos ou partidos, quaisquer que sejam. Não vivendo em Portugal também não vejo os cartazes dos partidos. Poderia ir procurar aquilo de que fala mas também tenho a certeza que encontraria um pouco de tudo de todos os partidos e sinceramente tenho mais que fazer.

Quanto ao resto tenho dificuldade em o levar a si a sério quando decide repetir o burgesso Arroja com a história das "esganiçadas". Note que nem levantei esse caso porque não vi esse comentário repetido por quaisquer pessoas com responsabilidades à direita (há limites para qualquer pessoa com um mínimo de educação, independentemente de táticas). Só o aconselho a ler o que escrevi e a meter explicador se não entender.
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De Vento a 11.06.2016 às 00:28

http://economico.sapo.pt/noticias/cgd-bloco-tem-discordancias-do-governo-e-quer-conhecer-as-contas-do-banco_251765.html
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De Justiniano a 11.06.2016 às 08:54

Sim, e estranha algumas coisinhas!! Eu também estranhei, hoje, ver as tílias da minha rua tão despidas. Já deviam estar em flor!!
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De Luís Naves a 11.06.2016 às 12:08

Dizer que uma opinião discordante é uma "táctica" apenas desvaloriza essa opinião, sem refutar uma vírgula. Para ti, as críticas são "nuvens de poeira sobre o desempenho de um governo", sem factos. Veremos. Espero que tenhas razão.
Acho bem o teu optimismo e defendo um discurso mais risonho, mas sem que se entre em estado de negação.
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De João André a 13.06.2016 às 09:22

Luís, apontei dois posts para exemplificar aquilo de que falo. Penso que é muito mais notória a "boca" do Diogo (que ele próprio admite que o é, explicando-se) do que as minhas explicações. Penso também que apontei razões para refutar os dois posts (inluindo o teu) que referenciei como maus exemplos. Se precisas de mais exemplos e explicações lamento, mas não tenho tempo para alimentar alguém mais à colher (já o faço em casa) nem para escrever teses de mestrado. Noto que também não fazes um levantamento exaustivo nas tuas críticas aos jornais. A diferença é que eu admito que não o faço.

Sim, sou um optimista. Talvez por viver fora de Portugal e assinar um único jornal (Economist), o qual tem uma linha editorial diferente das minhas opiniões mas que mostra (quase) sempre respeito nas suas notícias.
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De cristof a 12.06.2016 às 03:50

Sem querer inventar a roda , só teremos que esperar, quando (não é se ) vamos bater na parede dum novo resgate.
Até aposto que estou a ver os ditos esganiçados : a culpa foi da herança que o governo anterior deixou !!!
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De João André a 13.06.2016 às 09:24

Repito o comentário acima: não discuto com quem repete o termo do burgesso Arroja. Pelo menos no post.

Não o considero a si burgesso, meu caro Cristof. Apenas não aceito discutir num debate que começa inquinado quando alguém entende que aquele qualificativo é justificado.
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De cristof a 13.06.2016 às 10:37

Merece bem o meu respeito a sua posição.Sem polémica dou só uma dica (para entreabrir o porquê). Tenho idade suficiente para ter vivido como adulto todas as modificações(que usando a historia pode ter uma palida ideia)que se operaram (diariamente!) de 1975 a 1980.Vi BE .s nascerem, crescerem e morrerem como cogumelos (eu "pertenci" ao PRP).Não inventamos nada (a roda que como jovens pensavamos ter inventado já tinha milhares de anos) a democracia também , o marxismo que estavams a descobrir cheios de entusiasmo, era uma reminiscencia historica (não para nós claro). Agora 2016 as "esganiçadas" (que pode pensar uma ofensa) é apenas uma forma expedita de definir gente entusiasta, jovem, que (seguindo a lei natural) vai esbarrar com as dificuldades reais e perder fulgor, aparecendo os lirismos, realçadas as qualidades e defeitos e ser aborvidos, como o fomos nós. os da geração do PRP, UDP, LCI, MRPP, PCP(ml) PCP(R) UEDS....enfim tudo "esganiçados" que hoje , se não se tornaram dinossaurios, estão por aí a votar desde o CDS até MRPP e com todo o mérito e direito (esse sim que lhe peço encarecido que defenda acima d e tudo) de defendermos o que nos aprouver, sem complexos nem peias. Sejamos o arroja, o cristof,o andre ou a esgainaçada mais irritante. Um abraço

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