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Supremacia

por Luís Naves, em 02.06.17

Donald Trump decidiu retirar os Estados Unidos do acordo de Paris sobre alterações climáticas e segundo uma das críticas mais comuns, o presidente americano está a abdicar da hegemonia da superpotência e a dar de barato à China a supremacia mundial. As pessoas estiveram mesmo muito distraídas durante a campanha: Trump cumpriu uma das promessas centrais que fez aos americanos e esta administração será isolacionista, ou seja, o presidente quer mesmo reduzir a exposição do seu país aos assuntos globais, escolhendo apenas as lutas que lhe interessam e não entrando em todas. Isto é uma estratégia, não é um efeito secundário.

Um dos maiores problemas dos impérios do passado foi a sobre-extensão, ou seja, o envolvimento em demasiados conflitos ao mesmo tempo, com a respectiva dispersão de recursos e constante aumento dos custos imperiais. Provavelmente, Trump ponderou uma divisão de tarefas com a Rússia, mas este prolongamento de Ialta é hoje politicamente impossível, pois os democratas no Congresso entram em histeria com tudo o que envolva Moscovo, o que certamente terá efeitos para além desta administração.

É preciso reler O Choque de Civilizações, de Samuel Huntington. A China não estará interessada em ter um papel global e os europeus parecem ter entrado em pânico com os primeiros sinais do isolacionismo, que foi sempre uma das tendências da política americana, embora raramente dominante na Casa Branca. A saída do acordo de Paris é um erro que deve ser criticado pelo efeito desastroso que pode ter na segurança de centenas de milhões de futuras vítimas de secas e tempestades. A América também se arrisca a perder a liderança no abandono da economia do carbono, mas a tese da loucura não é satisfatória: as promessas de Trump foram no sentido de aumentar o isolamento dos EUA, reduzir a extensão imperial e manter alianças suficientes para garantir a supremacia. Ao mesmo tempo que abandona acordos multilaterais, a Casa Branca reforça o investimento nas forças armadas. E tudo isto foi a votos.

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28 comentários

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De hyu a 02.06.2017 às 13:43

"A saída do acordo de Paris é um erro que deve ser criticado pelo efeito desastroso que pode ter na segurança de centenas de milhões de futuras vítimas de secas e tempestades."

Agradecia me enviasse o conjunto de equações que demonstra a origem humana das alterações climáticas (assim como há para demonstrar que a água ferve aos 100ºC em condições normais de pressão e temperatura).
Ou estamos a falar de bocas, de superstições?
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De Luís Naves a 02.06.2017 às 17:34

Escusa de vir para aqui com este tipo de comentário, sabendo que não há equações sobre isto. Infelizmente o fenómeno existe, a única controvérsia é sobre a dimensão: o efeito de estufa já era matéria de estudo na minha faculdade quando por lá passei, não me misture com o obscurantismo...
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De lucklucky a 03.06.2017 às 22:40

"não me misture com o obscurantismo..."

O seu problema é o Cientismo e excesso de dependência da socialização.

Resultado:
Falta de pensar e de perceber os limites do conhecimento.
Pode começar por aplicar o que lhe ensinaram muito antes de chegar às tretas da faculdade onde esteve sobre método científico.
Se aplicar verá que não há prova de coisa alguma. É impossível obtê-la com o nosso parco conhecimento sobre o que é o clima.

"A saída do acordo de Paris é um erro que deve ser criticado pelo efeito desastroso que pode ter na segurança de centenas de milhões de futuras vítimas de secas e tempestades."

Esta é a frase tipo para se continuar a ser convidado em certos sítios. Sem seguir a religião népias.
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De Luís Naves a 04.06.2017 às 12:25

O que isso do 'cientismo'?
Gosto muito das opiniões de cada um, mas julgo também que o disparate devia pagar imposto.
Diz que não há provas, mas é claro que há provas científicas (e numerosas) sobre alterações climáticas e o efeito humano no clima do planeta. O que não existe é um consenso sobre a dimensão do fenómeno. Andar por aí com teorias da conspiração é o mesmo que cuspir contra o vento.
O post não é sobre alterações climáticas, mas sobre a saída dos EUA de um acordo político que, por sinal, nem ia resolver o problema.
Pode ter a certeza de que a humanidade vai sofrer fenómenos climáticos extremos nas próximas décadas, com numerosas vítimas.
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De lucklucky a 04.06.2017 às 18:08

Cientismo é alguém acreditar em tudo o que um cientista diz ou escreve sem pensar pela própria cabeça mesmo em casos óbvios como o Clima onde é impossível saber o que quer que seja de significativo e ainda de medir ou atribuir "culpas" - Basta ler qualquer texto antigo, perceber que não há nenhum estudo sério sobre nuvens, vento, como se relacionam com a temperatura, sobre o movimento do cosmos e sobre muitas outras coisas que afectam a atmosfera e a energia que chega à terra e é produzida por ela e qual dela pode afectar o clima.
Não há nenhum meio de sabermos a energia do sistema, de quantificar onde vem essa energia - incluindo vulcanologia submarina.

"Culpas" é a mais importante e a única razão para existir "aquecimento global" obviamente logo transformado pela mais desonesta profissão do mundo em "alterações climáticas" quando coisas como esta deixaram de fazer sentido:

https://wattsupwiththat.com/2015/11/12/one-of-the-longest-running-climate-prediction-blunders-has-disappeared-from-the-internet/

Alterações Climáticas é uma expressão Orwelliana pois não há possibilidade de a contestar sempre existiram alterações climáticas ao longo da História. E por isso é empregue pelos jornalistas.
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De lucklucky a 04.06.2017 às 18:58

"Pode ter a certeza de que a humanidade vai sofrer fenómenos climáticos extremos nas próximas décadas, com numerosas vítimas."

Temos mais Orwell, desde quando a terra não sofreu fenómenos climáticos extremos?
Há sempre o cuidado de nunca dizer o que que significa e como é contabilizado.

Grote Mandrenke foi extremo? Se fosse hoje o que diria?
Vamos ter mais fenómenos extremos que em no Séc XIII por exemplo?
Claro que não pode responder porque não pode saber. E aí começa uma parte da mentira.

As marcas de cheias em muitas cidades portuguesas com datas de 1800's foram fenómenos climáticos extremos?
A destruição pelo grande ciclone ao longo da zona costeira de Portugal em Fevereiro de 1941 foi um fenómeno climático extremo?

http://www.mapfre.com/mapfrere/docs/html/revistas/trebol/n56/articulo1En.html

http://www.uc.pt/fluc/depgeo/Cadernos_Geografia/Numeros_publicados/CadGeo30_31/Eixo1_2

Se fosse hoje você e 99% do jornalismo diria que foi por causa do "aquecimento global".
A narrativa está já construída para o complexo jornalista-político aproveitar para criar mais leis para fingir que "faz" ao mesmo tempo que tira poder à pessoa humana.
E o Costa , o Passos ou qualquer outro teria uma data de leis feitas a seguir à catástrofe.

Isto é um evento extremo em 1935?
http://trove.nla.gov.au/newspaper/article/46677243

WINTER HEAT WAVE IN BRITAIN
(Special to "The Miner")
LONDON, January 3.—The winter
heat wave continues in London with
the temperature early this morning
only four degrees below that of June.
Roses are blooming in Wales, daffodils
in the south of England, and spring
flowers are plentiful in parts of Scot-
land, usually snow covered at this
time of the year. Even on high hills
there is not a speck of snow.



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De JS a 05.06.2017 às 15:44

Boa LL. Pensar fora caixa não é para todos, não senhor. Greetings.
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De Luís Naves a 05.06.2017 às 17:38

Não, não é boa, são apenas ideias erradas, ligações mal feitas, isto não tem nada a ver com pensar fora da caixa, isto é não entender minimamente as alterações climáticas e o que elas implicam na frequência e violência dos fenómenos climáticos extremos.

Infelizmente, para pensar fora da caixa não basta ser o comentador que dispara mais rápido, convém que o tiro acerte uma vez por outra. Pensar fora da caixa nunca pode ser o abandono dos factos e o lançamento de comparações ao acaso, por exemplo, com o século XIII, sobre o qual não há tantas medições como nas últimas décadas. O que aconteceu localmente em dois séculos não interessa tanto, importante é saber que existe uma acumulação de gases com efeito de estufa sem precedentes em centenas de milhares de anos e, sobretudo, interessa compreender que esta acumulação tem um ritmo inédito: sabemos isso pelas amostras da antiga atmosfera presa no gelo, que demonstra um súbito agravamento nos teores de dióxido de carbono logo após o início da revolução industrial. Já houve teores semelhantes de CO2, mas nunca apareceram tão depressa e nunca houve uma destruição tão rápida dos respectivos depósitos, as florestas.

Pensar fora da caixa não é acreditar com fé religiosa numa teoria da conspiração. O problema é que este assunto foi estupidamente politizado, o que não nos permite perceber que o Acordo de Paris era insuficiente para reduzir o aquecimento da atmosfera e que a saída dos EUA do acordo só pode agravar ainda mais uma situação já de si potencialmente calamitosa, da qual só sairemos através de novas tecnologias. Eu até percebo que certos interesses económicos se batam pelo negacionismo climático, o que não entendo é que os leitores possam cair na teimosa aceitação de falsos argumentos ou até de não-argumentos, a começar pela irritante acusação de 'cientismo' a quem se atrever a confiar nos cientistas que estudam esta matéria.
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De Vento a 05.06.2017 às 20:50

Mais uns não-cientistas, isto é, um Nobel e dois académicos.

https://www.youtube.com/watch?v=C35pasCr6KI
https://www.youtube.com/watch?v=TCy_UOjEir0

https://www.youtube.com/watch?v=SXxHfb66ZgM

Se o suposto efeito de estufa é mau, qual a razão de usarem estufas para tornar o crescimento das plantas mais rápido e com mais produtividade?
Na Antárctida a temperatura aumentou antes do CO2 e diminiu depois do CO2, refiro-me ao aumento.

A Organização Mundial de Meteorologia define como período para aferir a variação do clima ciclos de 30 anos. E os últimos mostraram que a temperatura baixou.

Em resumo, parece-me que a Europa ficou sem mercados para impor a sua tecnologia.
O que temos a temer é a pobreza, e lutar contra ela, onde se inclui o auxílio aos migrantes que atravessam o mediterrâneo todos os dias, proporcionando-lhes o regresso a sua terra com condições habitabilidade. São estas as catástrofes que destroem a humanidade.
Da mesma forma que a catástrofe que ainda reina em Portugal em torno desta matéria; e parece que o governo resolve o assunto enviando as pessoas para cursitos de formação, e estas vão com a barriga vazia.

Eu defendo a mudança de paradigmas, mas com equilíbrios mundiais, que ofereçam boas perspectivas a todos.

O Papa Francisco tem uma boa encíclica em torno desta problemática, mas não se pode mudar com prejuízo de muitos nem com a inexistência de uma catástrofe. A sustentabilidade tem de ter em conta a ecologia social. É este meio ambiente que anda muito destratado.
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De lucklucky a 06.06.2017 às 19:38

" por exemplo, com o século XIII, sobre o qual não há tantas medições como nas últimas décadas."

Você faz uma afirmação que o deveria fazer pensar mas nada significa para si pelos vistos.

"O que aconteceu localmente em dois séculos não interessa tanto"

Em dois séculos não interessa tanto mas em décadas já é relevante e "posso ter a certeza":

"Pode ter a certeza de que a humanidade vai sofrer fenómenos climáticos extremos nas próximas décadas, com numerosas vítimas."


O gás com maior efeito de estufa é o vapor água e não há maneira de o contabilizar sequer com precisão o seu efeito como qualquer outro gás na temperatura terrestre, temperatura que aliás nem hoje é medida com fiabilidade e precisão. Por isso é que os pobres diabos dos cientistas recorrem a "anomalias" e a "modelos" sempre errados. Nem sequer o efeito de estufa é compreendido.

Por exemplo a temperatura em Lisboa é qual? junto ao porto? no Observatório? na parte Oriental qualquer delas dá valores diferentes que podem ir a mais de 1 grau quando falamos "aquecimento global" de 0.x graus.

Como é que você sabe qual era florestação no Séc.XIII ? A Gronelândia chama-se Gronelândia porquê? As florestas estão a crescer desde há décadas devido a mudanças económicas e nem é certo que sirvam grande coisa para o CO2 até porque não sabemos o impacto do CO2 no clima.

Como não aplica o método científico, é mais cómodo "acreditar em cientistas" - ou melhor acreditar em cientistas promovidos por jornalistas - com previsões em que nunca acertaram nas ultimas décadas.

Para si a "ciência" está certa e definida mas notícias destas que saem em 2017 https://naturalsciences.ch/service/news/87868-sun-s-impact-on-climate-change-quantified-for-first-time

Então em 2017 pela primeira vez diz-se que foi "quantificado" o efeito do sol no "global warming" Oops! não estragar a narrativa : "climate change" mas milhares de "cientistas" diziam que já sabiam o suficiente sobre o clima há décadas. Não precisam dessa coisa menor chamada Sol.

Fantástico!

The LIttle Ice Age aconteceu porquÊ? The Medieval Warming period aconteceu porquÊ?
Não sabem, não querem saber. Porque não é esse o objectivo do jornalismo. O objectivo do jornalismo é promover a politização da sociedade. A promoção da "culpa" do "pecado oficial" da Sociedade ajuda ao propósito de tornar a Política na religião oficial.




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De José Monteiro a 02.06.2017 às 20:57

Revolução industrial-século XIX, Grâ-Bretanha.
Continuada USA-Europa-China...
Milhões automóveis, dia a dia, cidades hemisfério norte.
Oceanos contaminados-plásticos e químicos.
No efect at all?
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De Costa a 03.06.2017 às 11:48

Tudo verdade.

Mas alguma precisão é devida no caso dos automóveis. Que "automóveis"? O tão convenientemente diabolizado transporte privado, fácil bode expiatório de tudo o que é mau (mas onde, com ou sem "casos VW", se têm feito os maiores progressos na redução de emissões)? Os veículos pesados de carga e passageiros, responsáveis pela maior parte da poluição de origem rodoviária (e veja-se Portugal: uma frota envelhecida, tiranizando ruas e estradas, substituindo-se massivamente e com pesadíssimas consequências, ambientais e não só, ao caminho de ferro, que por cá foi estupidamente condenado em favor de estradas e auto-estradas para lado nenhum, numa opção pública criminosa)? Os pequenos motociclos de motor "a dois tempos" que queimam uma mistura muitíssimo poluidora?

E os automóveis eléctricos, a nova panaceia, divulga-se o custo ambiental da produção de baterias? E a energia eléctrica, de onde vem? De mais produção térmica? Vamos encher, ainda mais, a mais pequena colina de torres eólicas? Construir barragens no mais pequeno riacho?

E o resto que gera poluição, ou consumo exagerado de energia: actividade industrial, outros modos de transporte, técnicas de construção. Ignora-se e aponta-se o dedo ao condutor suburbano que com esforço compra um carro para suprir a ineficiência do transporte público e gozar de alguma autonomia (e vê o seu acesso barrado crescentemente ao centro das cidades, invocando-se a poluição gerada; o que estaria muito bem, como princípio geral, se desse impedimento não estivessem isentos, por exemplo, os envelhecidos táxis e autocarros, grandes e impunes poluidores).

As coisas terão que mudar, evidentemente. Mais não seja pelo esgotamento e/ou crescentes custos de obtenção de petróleo. Mas discutamo-lo com seriedade, sem demagogia fácil ou preconceitos ideológicos. Que mal se diz "poluição", logo apontam o dedo ao automóvel, como bruxa medieval a queimar perante a turba.

Costa
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De José Monteiro a 06.06.2017 às 08:44

Pois. Mas evidente é, que o 'automóvel' se aplica tal qual o diz, a toda a locomoção desse tipo. Tal como aos novos autocarros aéreos-aviação. Embora tudo de algum modo natural, nem por isso sem efeitos consideráveis. Talvez diminutos, ao pé dos efeitos da produção do que Mr Trump acaba de nos mostrar na Arábia Felix: 100 mil milhões para derreter num próximo e 'necessário' conflito milittar.
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De lucklucky a 03.06.2017 às 22:43

"Revolução industrial-século XIX, Grâ-Bretanha.
Continuada USA-Europa-China...
Milhões automóveis, dia a dia, cidades hemisfério norte.
Oceanos contaminados-plásticos e químicos.
No efect at all?"

Você só é o que vê na TV é esse o seu problema.
Vá visitar o Oceano Pacífico, e leve textos antigos sobre o clima.
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De João José Horta Nobre a 02.06.2017 às 13:52

O Eixo Moscovo-Pequim-Pyongyang é hoje o principal polo de resistência à Nova Ordem Mundial:

http://historiamaximus.blogspot.pt/2017/05/o-programa-nuclear-norte-coreano-e-o.html
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De JS a 02.06.2017 às 14:33

Políticos que comentam este gesto de Trump -retirar os EUA de um acordo nunca convenientemente ratificado pelo Senado- fazem-no colorindo de preto Trump e auto pintando-se de verde.
Ex. Macron tendo como pano de fundo o seu Eliseu com as janelas todas iluminadas ... Presunção e água benta ....

Não contra-argumentam os porquês deste gesto claramente mencionados por Trump. Não argumentam porque contra factos -um pseudo-acordo somente assinado por um muito mau PR, Obama- não há argumentos. Um pseudo-acordo que de verde natureza tem pouco e o que tem é selectivo. Menos verde dolar é afinal a real preocupação dos auto-esverdeados.

Comentadores em geral -excepto Nuno Rogeiro e pouco mais- apenas demonstraram, mais uma vez, ignorância e/ou facciozismo, antri-Trumpismo.
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De V. a 02.06.2017 às 15:10

"A saída do acordo de Paris é um erro que deve ser criticado pelo efeito desastroso que pode ter na segurança de centenas de milhões de futuras vítimas de secas e tempestades. "

Parece-me uma afirmação exagerada. Mesmo que não se duvide do impacto dos humanos no clima do planeta, podemos muito bem duvidar que este tipo de policy making tenha algum impacto na evolução científica, em investimentos gigantescos que já estão a ser feitos nas energias limpas e na própria dinâmica comercial que o consumidor e outros grupos de pressão impõem aos fabricantes que determinam os modelos de produção de energia. Quando for mais prático ter energia limpa do que energia baseada em emissões poluentes a mudança será inevitável. Os acordos, com base em premissas com algum pendor ideológico e de "justiça" que pouco tem a ver com capacidade tecnológica, procuram primeiramente um balanço de poderes que não corresponde ao potencial de inovação de cada país.

Pessoalmente tenho a impressão de que a mudança forçada para transportes eléctricos é mais uma teimosia de políticos europeus, perfeitamente indiferentes ao facto de os carros eléctricos no formato actual não serem nem mais baratos (que poderia ser um factor decisivo) nem nada práticos para a maioria dos habitantes das cidades europeias. Para habitações e tecido urbano é outra história, mas para veículos e transportes não me parece que se venha a tornar um sucesso absoluto. E não me importaria nada de estar redondamente enganado, note-se.
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De Einstürzende Neubauten a 02.06.2017 às 18:23

"o presidente quer mesmo reduzir a exposição do seu país aos assuntos globais, escolhendo apenas as lutas que lhe interessam e não entrando em todas."

Luís, permita-me. As alterações climáticas não batem à porta para entrar, nem na fronteira mostram os papeis. Ninguém terráqueo consegue fugir delas. Das alterações climáticas.
Existe um principio em ciência, que os mais familiares com estes assuntos conhecem bem. Chama-se Principio de Precaução.

O princípio da precaução é um princípio moral e político que determina que se uma acção pode originar um dano irreversível público ou ambiental, na ausência de consenso cientifico irrefutável, o ônus da prova encontra-se do lado de quem pretende praticar o acto ou acção que pode vir a causar o dano.

O resto é maluqueira, na senda dos criacionistas.
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De lucklucky a 03.06.2017 às 22:45

É você EN que quer praticar o acto.

Mas se julgam que são os outros pode começar por não ligar o computador.
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De V. a 02.06.2017 às 20:16

E mais do que o pensa ou deixa de pensar um Presidente, quem vai determinar a mudança são os consumidores — a consciência ecológica também é um dado geracional portanto é natural que a preferência crescente de consumidores informados seja um factor mais determinante do que um "acordos internacionais" cujos contornos são bastante indefinidos e correspondem a agendas contra as quais, essas sim, muitos reagem. Funcionam mais para blindar o discurso, como fazem por cá.

http://climatecommunication.yale.edu/visualizations-data/ycom-us-2016/
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De Einzturzende nebauten a 02.06.2017 às 20:29

Os democratas entram em histeria, quando ouvem falar de Moscovo e Putin. Bom, talvez os homens tenham razão. Entre assassinatos a jornalistas, opositores ao regime, políticos ucranianos pró ocidentais, Putin tem-se revelado um Soldado Universal. Curiso tambem Putin ver no aquecimento global uma oportunidade. O degelo do Ártico torna mais fácil a extração de petróleo naquelas paragens. Tá tudo lelé da tola.
Quanto aos votos, bom, o Luís também sabe aquilo que eu sei que o Luís sabe.
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De xico a 02.06.2017 às 23:15

O mundo prepara-se para as novas tecnologias com base em energias renováveis. Com ou sem aquecimento global. Trump desiste dessa corrida. Isso não é isolacionismo, é preparar a América para ficar dependente do comércio externo para essas tecnologias. Repito, com ou sem aquecimento global. A industria americana já percebeu e deixou Trump a falar sozinho. Isso sim é isolacionismo. Duvido é que seja o isolacionismo que Trump deseja.
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De Vento a 03.06.2017 às 10:28

Não vejo que a histeria reinante em torno deste fenómeno do efeito de estufa altere o caminho de Trump.
Existem uns personagens, gajos e gajas, que abominam as religiões ditas abraâmicas; e contrapõe-se a elas com os seus fundamentalismos pseudocientíficos e culturais, para alcançar seus propósitos nos exactos termos e condições que atribuem a essas outras.
A ciência tem-se revelado uma religião esquizofrénica e histérica, procurando contrapor às realidades presentes uma ideia de paraíso terrestre onde o homem novo, o "cientologista" ou cientista, podará todas as árvores da vida com excepção daquela que reservou só para si. O deus ciência abomina o conhecimento e impõe-se como único manipulador da árvore do bem e do mal. Em resumo, é um moralista que se autodenomina de cientista para encapotar a moral.
Abraão responderia com a espada, mas um cristão dá outra resposta: Pai, perdoa-lhes a ignorância. Eles não sabem o que fazem. Abba, não os leves a mal, pois ainda são somente cientistas e feministas. Dá-lhes tempo. Envia-lhes o Teu prometido.

Trump é um homem de rupturas. Rompe para reiniciar o processo. Ele tem consciência, para evitar rupturas sociais profundas que afectariam o emprego e a tecnologia que ainda dependem em grau elevado dos combustíveis fósseis, que o processo necessita ser mais dilatado no tempo para salvaguardar uma transição suave.
Portanto, rompe para evitar rupturas e, assim, poder reiniciar o processo negocial em torno da mesma matéria.

Eu sei que deve andar por este mundo o preconceito por causa do homem, Trump, ser loiro. Uns dizem que sim, que é verdade, mas eu não acredito.
Ele não é um isolacionista. Ele vê na técnica negocial, a sua, a resposta para colocar alguma ordem no mundo e limpar também a sua casa. Vamos ver o que alcança.
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De V. a 03.06.2017 às 11:49

Isto não tem nada a ver com a religião. Não vale a pena trazer mais diabos para uma discussão que é sobretudo de tecnologia e de geopolítica. Já há pontos de discórdia suficientes e correspondem a dados mensuráveis ou a dados, simplesmente. Não duvido que Dawkins seja uma grande besta e que não percebe nada de emoções humanas e até do papel civilizador das igrejas, mas a César o que é de César, por Toutatis. Ahn? Por Toutatis? Einsturzende, meu grande pagão!
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De Vento a 03.06.2017 às 19:49

Se V. não é, parece.
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De Vento a 04.06.2017 às 11:46

Permita acrescentar mais umas achegas, agora na perspectiva de uns não cientistas e talvez não feministas, em particular a perspectiva de académicos e estudiosos sobre a matéria:

https://www.youtube.com/watch?v=NYLDDnrNlo4
https://www.youtube.com/watch?v=r-FI82SFo3g

A conversa do aquecimento global tem de ser abordada sob 2 perspectivas: a) - económica e b) - política.

À medida que as patentes foram caindo, a indústria, associada às organizações supranacionais, também criaram alternativas para aumentar, digamos, a rentabilidade. Os lobbies movem-se muito bem nos círculos onde dizem que o povo é soberano. Os cientistas chapa-branca, que trabalham para governos, são iguais ao lobbie feminista que hoje se planta um pouco por todo o mundo. Isto é, prendem os marias e as marias vão com eles para adulterar as consciências de uma nação, oferecendo-lhes a vaidade pseudo-intelectual que leva por nome "avanço civilizacional". Aliás, esta rasteira diabólica, isto é, separadora, também tem vindo a ser usada em torno do aborto.

Parece-me, é a minha convicção, que a questão política que hoje se patenteia em torno do dito "efeito de estufa" está aí por parte da Europa Ocidental para reduzir o poderio energético que vários países detêm (Rússia, EUA, Arábia Saudita, Síria, Iraque, Irão...). Como a Europa Ocidental detém capacidade científica e industrial mas não capacidade energética em termos dos recursos tradicionais, limitando o acesso a esses recursos por parte das potências que os incomodam serve os seus interesses políticos, estratégicos e económicos.
A única arma que podem usar para atingir esses propósitos é através da manipulação das consciências, e usar as estruturas supranacionais e nacionais para fazer passar sua mensagem. Reduzindo tal poderio, isto é, cortando com a capacidade económica, também limitariam tais países no desenvolvimento do seu poderio militar bem como criar-lhes-iam dependências futuras por via das fontes de financiamento que seriam sempre externas.

Portanto, quem possui ricos recursos energéticos torna-se uma incomodidade. Concluindo, é uma questão de poder.
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De campus a 03.06.2017 às 16:15

Facto: O médio Oriente exporta petróleo, é aliás a fonte de receita desses países. O que sucederá quando perderem o seu ganha pão? Só não fico muito preocupado com a invasão da Europa porque ela já começou.

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