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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.01.17

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Odisseia, de Homero

Tradução de Frederico Lourenço

Poema épico

(edição Cotovia, 4.ª ed, 2015)

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6 comentários

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De Borda de água a 23.01.2017 às 11:48

Tudo o que venha de Frederico Lourenço merece atenção.
A única Odisseia que tinha era a da Europa América, que pecava, tal como a Ilíada, pela fraca qualidade da tradução (na minha humilde opinião). Folhei a Odisseia de Frederico Lourenço há dias numa livraria e fiquei encantado, assim como o Livro Aberto e o livro Lugar Supraceleste, do mesmo autor.
Fiquei com vontade de levar tudo. A minha carteira é que não se convenceu. Vou seguir o conselho do ex-Presidente do Supremo Tribunal, "qualquer coisa" Noronha. Comprá-la-ei aos bochechos.

Há dias numa jantarada entre vários camaradas não consegui defender, eficazmente, a pertinência da utilidade da filosofia e da cultura, em geral. Eles, os meus confrades todos das ciências ditas exactas. Ocorreu-me dizer apenas que a filosofia ensina-nos o caminho da sabedoria, sendo esta o bom modo de dar uso à inteligência. De formular a pergunta acertada, onde reside, afinal, toda a Ciência (a resposta-verdade é passageira, a pergunta fica sempre).
Contudo apontaram-me para a televisão e o ar condicionado, e perguntaram-me: diga-me que obras filosóficas dão tanto consolo ao corpo como aquelas? Apeteceu-me partir ditos aparelhos, mas preferi pegar no vinho que tinha à minha beira.

Afinal que utilidade têm as ciências ditas humanísticas no tempo de alta-tecnologia, em que o que conta é tudo o que se vê e palpa? Não teremos morto também o Espirito, quando decidimos matar Deus?
Como conseguimos convencer da maior utilidade, para a Humanidade, de uma Odisseia, uma Ilíada, um Corão, uma Bíblia, umas Cartas a Lucílio, quando comparadas com um Iphone, ou uma PS4?

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De Pedro Correia a 27.01.2017 às 16:22

Excelente reflexão.
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De Borda de água a 23.01.2017 às 12:09

Paradoxal também o facto de embora as ciências humanísticas terem perdido a importância, neste mundo high tech, continuarmos a usar o seu desconhecimento como critério principal de classificarmos alguém como ignorante. Não nos ocorreria chamar ignorante a alguém que desconhecesse o funcionamento do pâncreas, mas não hesitaríamos em o classificarmos como tal se mostrasse desconhecimento de quem foi Cícero.

Vejo também no esquecimento destas ciências não naturais uma das causas da decadência do Oeste. E isto porque grande parte do projecto humano foi sempre uma tentativa desesperada de transformar o homem num ser não natural. Torná-lo um ser cultural, dotado de códigos morais não naturais (ninguém culpa a Águia de matar o cabrito).
O objectivo das obras do espirito foi sempre o de moldar de novo o ser humano já não do barro, mas sim fora dele. Torná-lo Pessoa, livre dos desejos e ditames naturais. Nos últimos tempos inverteu-se este projecto ao confundirmos o natural com o bem. E isso é mentira. O bem e a sua noção será sempre um projecto cultural, nunca natural (basta consultar uns livros sobre Sociobiologia, ou psicologia evolutiva para ficarmos cientes da maldade natural que carregamos dentro).
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De Alienado a 23.01.2017 às 13:25

Um desses confrades de repasto disse-me às tantas:

"Prefiro sempre o que se vê ao que não se vê"

Penso agora que lhe deveria ter respondido:

Eu, prefiro sempre aquilo que fica, ao que acaba. E o que fica é sempre imaterial. Na imaterialidade o tempo não tem qualquer poder. A lembrança de alguém morrido. O sentimento amoroso, de amizade, etc. A lembrança surge da ausência do lembrado. Da não presença do material.

A imaterialidade nasce sempre da materialidade (para pensar é obrigatório o ser pensante, um cérebro) mas uma vez gerado o imaterial vive para além do tempo. Para além do espaço. Para além da vida que o pensou. O imaterial seria assim a única forma do material concreto não ser esquecido. Talvez daí a importância que os pais dão ao apelido do filho. O apelido, imaterial, seria como que uma forma de os pais não morrerem (no apelido surge também uma carga simbólica que queremos dar ao nomeado - como uma fórmula mágica - o nome, o nomear, é dar uma essência ao nomeado. Conhecer o nome, invocá-lo é convocar o poder do nomeado (ex: Pedro - a dureza da pedra, Guilherme - a força do protector, etc). Nomear é conhecer a fórmula por detrás do fenómeno - só podemos conhecer o que é dotado de um nome, embora a realidade não se esgote no que tem nome. Muitas coisas existem apesar de inomeadas, ainda). E aqui surge o problema do espirito. Como podemos achar nome para coisas que não se acham na realidade?

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De Pedro Correia a 27.01.2017 às 16:23

Vale a pena reflectir sobre isso, seguramente.

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