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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 02.11.16

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Carta a um Bom Português, de José Gomes Ferreira

Política

(Edição Livros d' Hoje, 4.ª ed, 2015)

"O autor escreve na grafia antiga"

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14 comentários

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De Costa a 02.11.2016 às 11:35

Entristece-me - suponho que já por aqui o referi - a opção por declarações como esta, em que se invoca uma "grafia antiga". É que isso parece significar a aceitação de que há uma nova e legítima, optando o autor por utilizar uma outra que reconhece obsoleta, em desuso, ultrapassada, revogada. Casos há em que essa declaração parece significar um pedido de licença, de desculpa, para e por tal facto.

Ora essa "grafia antiga", todos o sabemos (todos, até os seguidores da aberração que por aí grassa, ilegalmente imposta para lá de toda a miséria cultural e científica que encerra e propaga), é afinal a correcta.

Aprecio a referência, logo ao início de qualquer obra, ao facto dela estar redigida (ou impressa...) em português decente ou pervertido. Poupa-me o trabalho de folhear um livro procurando a palavra reveladora e que me levará a considerar a sua aquisição ou a logo o abandonar.

Mas não há que pedir licença e desculpa, ou reconhecer de forma mais ou menos implícita o uso de algo imbecilmente declarado anacrónico, ao rejeitar o crime cultural (entre outros) em que este país foi lançado.

Basta afirmar, sendo educado e sucinto, que não se segue o AO90.

Costa
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De Pedro Correia a 02.11.2016 às 11:52

Compreendo a sua objecção, caro Costa. Mas a advertência em causa acaba por inscrever-se naquilo a que chamamos mal menor. E não deixa de ser uma informação útil aos leitores.
A formulação podia ser diferente, claro. Mas a mensagem passa, como uma declaração de resistência activa, não passiva. Isso é o que importa acima de tudo.
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De Octávio dos Santos a 02.11.2016 às 13:29

Também compreendo, e até posso concordar, com a posição do comentador Costa. Porém, e de facto, neste caso, mais do que a «forma», conta o conteúdo. Cada autor é (suponho eu!) livre de indicar a sua não submissão ao AO90 da maneira que entender. E nem todos s(er)ão tão «radicais» quanto eu, que, no meu penúltimo livro, «Q - Poemas de uma Quimera», coloquei na ficha técnica o seguinte: «O autor não respeita o ilegítimo, ilegal, indigno e inútil "Acordo Ortográfico de 1990", e incentiva os leitores a fazerem o mesmo.»
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De Pedro Correia a 02.11.2016 às 16:23

Sim, cada qual tem o seu estilo. Há aqueles autores que preferem não inserir advertência alguma, outros fazem questão de a deixar de forma bem clara.
Há ainda outros que, por publicarem em editoras onde a regra é manter a regra anterior ao AO90, dispensam tal advertência por ser pleonástica nesse contexto. Acontece em editoras como a Guerra & Paz (também "minha" editora), Planeta, Alfaguara, Antígona, Gradiva, Alêtheia, Sistema Solar, Objectiva, Saída de Emergência, Cavalo de Ferro, E-Primatur, Bizâncio, Topbooks e Tinta da China, por exemplo).
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De Costa a 02.11.2016 às 17:47

Cada autor é livre de o indicar como entender, isso está rigorosamente fora de questão. Sinto apenas certa tristeza quanto à forma algo timorata como algumas dessas indicações parecem ser feitas (definitivamente não no seu caso).

Apenas isso.

Costa
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De Pedro Correia a 02.11.2016 às 18:20

Eu gosto desta fórmula seca e sintética:
"Por opção da autora, este texto não foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990."
Também aprecio a opção da editora Saída de Emergência:
"Este livro não segue as normas do novo acordo ortográfico."

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De Octávio dos Santos a 02.11.2016 às 18:45

Devo fazer (pelo menos) duas ressalvas à lista que apresentou acima, Pedro, e começando precisamente pela Saída de Emergência: esta editora «acordiza» há já alguns (talvez cinco) anos todos os livros estrangeiros que traduz e publica, e as excepções, a haver (como o do mais recente livro de António de Macedo), encontram-se entre os autores nacionais do catálogo daquela; e a Gradiva, que, devido a recentes «viagens literárias» que patrocinou ao Vaticano e a Marte e em que se procedeu - quiçá para diminuir o peso da «bagagem» - ao corte de consoantes, já não é tão exemplar neste âmbito como antes.
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De Pedro Correia a 03.11.2016 às 17:14

Pior foi o caso da Relógio d' Água, que tardou em abraçar o acordês mas parece tê-lo feito convictamente. São raros os livros desta editora agora lançados sem se submeterem à mutilação de consoantes.
Leitor fiel eu era, leitor fiel deixei de ser.
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De Octávio dos Santos a 04.11.2016 às 12:39

Quanto à RdA eu diria que o caso tem mais a ver com outra palavra começada por «c»: cobardia. À imagem e semelhança, aliás, do seu fundador e editor.
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De Pedro Correia a 04.11.2016 às 13:04

Na altura questionei FV sobre a mudança. Respondeu-me algo do género "se não podes vencê-los junta-te a eles" (a frase não foi esta mas a ideia foi).
Confesso que fiquei muito decepcionado. Por ser uma editora de que era cliente há longos anos e ter uma qualidade acima da média.
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De Carlos Faria a 02.11.2016 às 11:53

Este livro nem sabia existir...
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De Pedro Correia a 02.11.2016 às 12:08

Atraso dos correios...?
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De isabel a 02.11.2016 às 16:53

Tanta editora num País com elevado grau de analfabetismo funcional e em que muito pouco se lê (exceptuamos as sms).

De resto, e como sempre, posts úteis.
Cumprimentos.
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De Medina a 02.11.2016 às 16:56

hahahahahaahahahahahahah...
hahahaahahahahahahahahahahahahh...
hahhaahahahahhaahahahhhhahhahahahah..

obrigado.

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