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Sobre Carris

por José António Abreu, em 21.11.16

Na sequência da transferência da gestão da Carris para a Câmara Municipal de Lisboa e da assumpção por parte do Estado da dívida da empresa (uma bagatela de 700 milhões de euros), António Costa teve isto a dizer: «O Estado não faz nenhum favor, porque mantém-se responsável pelo que já é responsável, que é a dívida que criou.»

 

Tão bonito. Perante tamanha demonstração de sentido de responsabilidade, como não aplaudir? Permito-me cinco notas breves, tecladas com os dedos embargados de emoção:

1. O alívio que é ter sido poupado ao clamor que existiria se a assumpção das dívidas viesse na sequência da transferência da gestão para uma entidade privada;

2. O descanso que é ter a gestão ainda e sempre garantida pelos contribuintes;

3. O descanso ainda maior que é sabê-la partilhada pela CML e pela CGTP;

4. O alívio que é estarmos perante o salvamento de uma empresa de transportes e não de um banco;

5. A ternura que é ver PCP e Bloco não exigirem a reestruturação de uma dívida nem a prisão dos responsáveis pela mesma.

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14 comentários

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De jo a 21.11.2016 às 18:39

1. Parece ser um bocado diferente a transferência de propriedade entre dois organismos públicos e a transferência de propriedade para um privado. Convém não esquecer que os ativos também foram transferidos.

2. Depois dos últimos anos e das recorrentes crises financeiras só mesmo os crentes muito devotos é que acreditam que a gestão privada é melhor que a pública. A não ser que se pense que no caso da gestão pública são os contribuintes que pagam os desmandos, e no caso da gestão privada, também são os contribuintes que pagam, mas os eficientíssimos gestores e seus amigos sempre levam algum.

3. Antes esses que o GES (o tal que estava atrás da barreira de segurança, mas saltou para o lado de cá) e a Goldman Sachs.
3. Neste momento há um relatório do Banco de Portugal que diz que a principal fonte de rendimento dos bancos portugueses são as comissões que cobram aos clientes. Umas instituições muito úteis. Ao menos pode-se viajar nas empresas de transportes.

4. De pouco lhes serviu pedirem das outras vezes.
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De David a 21.11.2016 às 20:35

"Depois dos últimos anos e das recorrentes crises financeiras só mesmo os crentes muito devotos é que acreditam que a gestão privada é melhor que a pública."

Parece que gestão pública na CGD foi do melhor...

"Neste momento há um relatório do Banco de Portugal que diz que a principal fonte de rendimento dos bancos portugueses são as comissões que cobram aos clientes."

E a CGD é das que cobra mais...
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De jo a 22.11.2016 às 11:51

Vejo que compreendeu o meu ponto:

Não é por ser pública ou privada que a gestão é melhor ou pior. Tem a ver com a qualidade dos gestores e, sobretudo, com os processos de controlo.

Entre o modelo de uma CGD que é controlada por um governo que eu elejo e uma EDP que é controlada por um governo que ninguém elege, se calhar ainda prefiro o primeiro.

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De Luís Lavoura a 22.11.2016 às 11:04

Depois dos últimos anos e das recorrentes crises financeiras só mesmo os crentes muito devotos é que acreditam que a gestão privada é melhor que a pública.

Razão tem o deputado Carlos Abreu Amorim, que em tempos foi um destacado blogger no blogue (nesses tempos) liberal Blasfémias e que há uns anos disse "Eu já não sou um liberal".

De facto, depois da crise financeira de 2008, só um tontinho é que pode permanecer liberal.
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De JSC a 21.11.2016 às 19:02

Porquê só a CML?
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De Augusto a 21.11.2016 às 19:02

Se estamos a pagar o BPN-PSD , se estamos a pagar o Novo Banco-BES -Ricardo Salgado e famiglia ,se estamos a pagar o BANIF-PSD-Madeira, porque não haveríamos de pagar também a Carris e o Metro.
Numa coisa concordo consigo, é necessário saber como se chegou a esta dívida.
Saber porque é que o anterior governo PSD-CDS deixou degradar as empresas do Metro e da Carris, e que interesses obscuros estavam a servir com essa política. E também saber quem foi o ou os responsáveis dos SWAPS , que são uma das causas desta dívida.
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De Anónimo a 21.11.2016 às 21:45

Comparemos o cerimonial.
Numa transação deste tipo, pública, entre empresas privadas de algum calibre, assistimos, via um apropriado protocolo, à dignidade, à solenidade de tais momentos. Contenção, recato. Afinal alguém, PRIVADO, está a assumir pesadas responsabilidades perante acionistas, colaboradores, empresários parceiros e mesmo perante a sociedade em geral, o Estado e por vezes em nome do País ou Países envolvidos. Se depois se se vai "abotuar" ... bom, nada de novo. Deixar-se-á a justiça actuar, não é?.

Do outro lado o festim. A alegria socialista ao arrecadar mais domínio, meios e votos. Será porque agora isto vai ser tudo nosso, público, entenda-se ?. Será porque vem por aí mais dinheirinho dos indefesos contribuintes para nós (bem) administrarmos ... ?.
Tudo muito alegre e nada preocupado apesar de óbviamente virem aí mais responsabilidades. É assim. Dir-se-ia que alguém já ganhou alguma coisa.
Será o utente?.
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De Luís Lavoura a 22.11.2016 às 09:23

O descanso que é ter a gestão ainda e sempre garantida pelos contribuintes

O José António não foi a favor da privatização das empresas que tinham sido nacionalizadas, com indemnização aos seus proprietários?

É que a Carris pertencia à Câmara de Lisboa em 1974. O Estado central nacionalizou-a, sem compensação, à Câmara.

O Estado está agora apenas a devolver ao seu proprietário original aquilo que lhe tinha sido retirado, e que ele sempre reivindicou como seu.

Se se defende o retorno das propriedades que foram nacionalizadas aos seus legítimos e originais donos, então a Carris nada mais é do que um desses casos.
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De Manuel Silva a 22.11.2016 às 11:07

Lavoura:
Ainda não percebeu que a lógica para este senhor Abreu é de sentido único?
Anda muito distraído.
Para os privado: tudo, são TODOS virtuosos, da merda fazem ouro, basta por-lhe as mãos em cima.
Para os públicos: nada, do ouro fazem merda, basta por-lhe as mãos em cima.
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De Luís Lavoura a 22.11.2016 às 11:10

O descanso que é ter a gestão ainda e sempre garantida pelos contribuintes

A vantagem é que agora serão somente os contribuintes de Lisboa a arcar com os eventuais prejuízos da Carris. Não serão os contribuintes do país todo. Se a gestão da Carris decidir fazer uns precinhos baixinhos nos bilhetes, serão apenas os beneficiários desses precinhos, isto é, os cidadãos de Lisboa, a pagar (indiretamente) por eles.

Como residente no Porto, o José António deverá ficar satisfeito por este facto.

Se, pelo contrário, a Carris fosse concessionada a privados, o Estado central, isto é, os contribuintes do Porto como o José António, teria com toda a probabilidade de pagar a esses privados subsídios para os compensar pelo baixo preço dos bilhetes.
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De Justiniano a 22.11.2016 às 15:29

Está certo do que diz, caro Lavoura!?
Confesso que no meio de todas as notícias sobre o assunto ainda não consegui perceber se se trata da transferencia da propriedade das empresas para a autarquia ou apenas da gestão das mesmas!!!
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De Luís Lavoura a 22.11.2016 às 18:04

Essa é uma boa questão, à qual não sei responder.

Entendo, em todo o caso, que as dívidas que doravante a Carris venha a contrair serão da responsabilidade apenas da Câmara de Lisboa e que, portanto, não afetarão (em princípio) os contribuintes de fora de Lisboa. O que, repito, é algo com que esses contribuintes se deverão congratular.
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De Justiniano a 22.11.2016 às 15:27

Fiquei, sinceramente, de acordo com as notícias, notícias que apenas celebram, sem saber se de facto a propriedade da carris e metro passam para a CML ou apenas a administração das empresas. Tradicionalmente, os sindicatos e autarcas não pretendiam a propriedade da empresa mas tão somente a gestão. Estou em crer que se a propriedade da carris e metro (tal como tcp ou metro porto) passarem para as respectivas autarquias não haverá nos seus orçamentos capacidade para suportarem os respectivos deficits de exploração. Um outro ponto que não cheguei a perceber (alguém explicou pelo meio do fogo de artifício!?) é se a nova frota mencionada pelo Medina será da responsabilidade da autarquia ou do governo!! Questões menores, claro!!
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De Vento a 22.11.2016 às 20:42

Parece-me que ninguém aqui acreditou quando afirmei que a reestruturação da dívida Grega avançaria. É necessário manter este caminho também para Portugal.
Nenhum país endividado no mundo alguma vez pagará suas dívidas com caminho anteriormente apontado.

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