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Sobre a moção de censura

por Rui Rocha, em 24.10.17

1 - Não há melhor justificação para uma moção de censura ao governo do que a morte trágica de mais de 110 portugueses em circunstâncias em que foi evidente o compadrio na nomeação para funções de liderança da Protecção Civil, a completa desorganização de meios, a imprudência na avaliação de informação que permitiria prever e prevenir o que veio a acontecer, a ausência de qualquer intenção voluntária de confortar as vítimas e tomar medidas estruturais e a boçalidade, frieza e falta de vergonha do discurso.
2 - Medidas legislativas adoptadas há 3 anos em matéria de liberalização do eucalipto, certas ou erradas, não podem ser consideradas causa directa de nada do que aconteceu. É do mais elementar bom-senso e afirmar o contrário é demagogia barata.
3 - Em todo o caso, se tivéssemos que fazer um exercício constante de avaliação do passado para aferir a legitimidade de posições presentes, dificilmente poderíamos aceitar soluções governativas suportadas por partidos que apoiam regimes que conduziram milhões de seres humanos à morte e à miséria ou um governo de um partido que levou o país à bancarrota há seis anos.

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11 comentários

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De Luís Lavoura a 24.10.2017 às 12:44

Deixando de parte os pontos 2 e 3, que dizem respeito a outros pontos que não propriamente a moção de censura, o ponto 1 faz pouco sentido quando toda a gente que observou e analisou os fogos do passado fim de semana afirma que nenhum número de bombeiros, ou de quaisquer outros meios, teriam tido a capacidade de os combater eficazmente (e, se tivessem tentado fazê-lo, provavelmente os bombeiros teriam morrido também).
O que toda a gente tem afirmado é isso mesmo: que, por melhor que tivesse sido coordenado e levado à prática o combate, ele não teria sido eficaz, em face da violência dos fogos, da velocidade da sua propagação, e das projeções a longa distância que deles emanavam.
Em face deste facto, não faz qualquer sentido censurar o governo por o combate a estes fogos ter sido desorganizado.
(Faria sentido, isso sim, censurar o governo por o combate a outros fogos ao longo deste ano ter sido desorganizado.)
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De Anónimo a 24.10.2017 às 14:36

Não se teriam evitado os fogos; mas com uma actuação rápida e eficaz tinham-se salvado muitas, ou todas, as vidas. A falha criminosa deste governo não é pelo ataque as chamas descooordenado e débil (erro grave !) mas pela total indiferença pela sorte das pessoas. Uma protecção civil decente e um exército alerta tinham evacuado quem estva cercado. Como na guerra.
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De Luís Lavoura a 24.10.2017 às 12:48

dificilmente poderíamos aceitar soluções governativas suportadas por partidos que apoiam regimes que conduziram milhões de seres humanos à morte e à miséria ou um governo de um partido que levou o país à bancarrota há seis anos

O critério que o Rui aqui está a colocar é antidemocrático. O que o Rui está a afirmar é que, vote o povo em quem vote, certos partidos ficam excluídos da governação - e, portanto, têm também que ficar excluídos da Assembleia da República, porque se lá estiverem podem sabotar a governação. É um critério antidemocrático - a opinião do povo nada conta, porque certos partidos estão a priori excluídos do sistema.
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De Beatriz Santos a 24.10.2017 às 14:09

Não julgo que fosse caso para uma moção de censura ao governo. Mas é caso para censurar publicamente o governo na sua actuação em relação a este tema (apagar fogos ou outra calamidade em território português ou que os envolva no estrangeiro, evitar mortes e tratar de prevenir e remediar estragos não é a única função governativa).
E não concordo com o que agora se diz de que nada podia ser feito em relação aos fogos do fim de semana 15-16 de Outubro. Mais, julgo mesmo que essa conversa visa descansar os portugueses assentando apenas em causas naturais a calamidade que, aliás, já estava prevista sem que coisa alguma tivesse sido feita para minorar estragos ou poupar vidas. Portanto, essa hipótese será apenas parcialmente verdadeira - as condições eram anómalas. Por exemplo, dado o calor e a seca, julgo que faria sentido prolongar a disponibilidade aérea para combate aos fogos e manutenção activa de bombeiros - as temperaturas não desceram e a consequente seca adensou. Um governo que se interessa pelo povo serve para isso. Ou não?! De tanta lei e tanta preocupação burocrática que têm, não podem retirar um bocadinho para lidar com a realidade premente do país?! Não, provavelmente não podem. E depois, para remate, têm as atitudes que sabemos. Indesculpáveis. As calamidades são como um líquido revelador, fazem surgir as pessoas na sua nudez. Sem véus. E muita gente é feia no inside. Fede. Está humanamente morta. Mas o dever deles é mascarar a desumanidade e, já que estão no governo, serem humanos a fingir. Os portugueses agradecem.

Sobre partidos ou gente que no passado, recente ou não recente, perpetrou assassínios...não julgo que tenhamos assassinos dentro dos partidos ou do governo. Parece-me anti democrático, anti ético e até com toque de racismo exigir a estruturas criadas pelos homens que se mantenham incólumes e perfeitas ao longo dos tempos. Ninguém é perfeito. Mas culpar um partido pelos erros cometidos noutro país - ou países - ou mesmo neste, é perverso. Os tribunais existem para julgar. E julgam pessoas e organizações específicas em situações também específicas. E eu espero com muita força que o poder judicial seja independente de qualquer outro. Ou ainda os portugueses, sobretudo os mais pobres, se vão sentir mais desamparados.
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De Anónimo a 24.10.2017 às 15:42

O que Rui Rocha está a fazer é idêntico ao que faz Assunção Cristas. Isso é claro. Mas não acho mal. Quando dizem que é uma manobra política, costuma responder que é de esperar que os partidos políticos façam manobras políticas. Discordo de Assunção Cristas mas não é por ela fazer manobras políticas.
"O critério que o Rui aqui está a colocar é antidemocrático" Sem dúvida, isto significa que não se deve seguir o voto dos eleitores mas antes a opinião das pessoas muito inteligentes. Aliás a União Europeia tem feito isso várias vezes, por exemplo quando anulou ou repetiu referendos que não tiveram o resultado que os muito inteligentes achavam que deveria ter.
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De Luís Lavoura a 24.10.2017 às 16:06

É claro que há critérios antidemocráticos mesmo em países que se dizem democráticos. Por exemplo, em Portugal (e em muitos outros países europeus) são proibidos partidos fascistas. Em Portugal, ademais, são também proibidos partidos regionalistas e são proibidos partidos ligados a religiões. Todos esses critérios são antidemocráticos.
O Rui quer, pelos vistos, introduzir mais alguns critérios antidemocráticos: que sejam proibidos partidos comunistas e que sejam proibidos partidos que levaram o país à falência. (Ou, pelo menos, que tais partidos sejam proibidos de apoiar ou formar um governo.)
Há muito quem concorde com a existência de critérios antidemocráticos. Eu por mim, acho que quantos menos, melhor.
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De Anónimo a 24.10.2017 às 17:56

"que sejam proibidos partidos que levaram o país à falência." Que levaram à falência na opinião dele, Rui Rocha. Eu suponho que é muito discutível que tenha sido o governo do PS a levar o país à falência. Já ouvi diversas opiniões a economistas (eu não sou). Em última análise parece que o critério seria a opinião de Rui Rocha ( e seus correligionários).
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De Luís Lavoura a 25.10.2017 às 09:45

Que levaram à falência na opinião dele, Rui Rocha.

Pois, já nem discuto isso.
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De jerry khan a 24.10.2017 às 17:14

antónio das mortes continua a não perceber que é um falhado
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De am a 24.10.2017 às 17:51

Dêem as voltas que derem, para os gerinçosos avençados a culpa será sempre dos eucaliptos de Cristas...

Felizmente, graças à maior revolução florestal capoliana desde D. Diniz..., salvou-se a floresta e o pinhal do nosso rei: - o Lavrador ...
Os mortos não contam!
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De am a 24.10.2017 às 18:09

Noticiário :

"Deflagrou um incêndio muito perto da Assembleia da República"

Foi emocionante ver os deputados a auxiliarem os bombeiros: -" Deputada Isabel Moreira a "amandar" baldes d'água , Galamba com a agulheta na mão apontada às chamas... Os deputados da geringonça conseguiram dominar o fogo... salvando, assim, o país de mais uma tragédia... Parabéns

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