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Só com um pano encharcado

por Teresa Ribeiro, em 13.01.18

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Sei dizer exactamente com que idade fui assediada pela primeira vez na rua. Tinha dez anos. Foi com essa idade que passei a ir sozinha para a escola, andava então na 4ª classe. No caminho tinha de passar por uma garagem e como era hora de almoço, apanhava sempre a mesma trupe a lagartear no passeio. Diariamente ouvia as piores ordinarices enquanto amedrontada apressava o passo, olhos no chão e coração a bater. Quando, décadas depois, comecei a notar que era menos assediada, estranhei. Será que afinal até gostava daquelas palavras gelatinosas que me chocavam em idade púbere? Ou das ordinarices que me enojavam quando, mais velha e expedita, já podia contabilizar anos de assédio de rua? Não. As mulheres não gostam de assédio, o que não apreciam é o que significa deixarem de ser assediadas. É da natureza humana (e não exclusivo da feminina) estabelecer associações complexas de causa-efeito. Deixar de ser assediada na rua é um dos muitos sinais que revelam a uma mulher que está a envelhecer e é isso que incomoda.

Quando, aos 12 anos, comecei a andar sozinha nos transportes públicos, a minha mãe disse-me: "Se um homem se encostar a ti, pisa-o com toda a força. É remédio santo". Também ela tinha ouvido esse conselho da minha avó e muitos anos depois foi a minha vez de o passar à minha filha (ao meu filho, como é óbvio, nunca precisei de fazer tais recomendações).

Sim, há uma corrente defensiva que se estabelece entre gerações de mulheres. Como poderia não haver, se vivemos num mundo que estigmatiza o sexo feminino? E porque são estas as circunstâncias de todas, repito, todas as mulheres (mesmo as que juram, enquanto lhes cresce o nariz, que nunca foram assediadas, na rua, no trabalho, em circunstância alguma, querendo com esse depoimento colocar-se acima de todas as outras parvas que se queixam "e que se calhar puseram-se a jeito, consentem, no íntimo gostam", mimetizando o discurso mais machista) espanta-me a pressa com que tantas correm em defesa dos homens, como se fossem eles as grandes vítimas da sociedade.

Quando se geram movimentos como o de Hollywood, logo aparecem as guardiãs do statuo quo a apontar a dedo os fundamentalismos que inevitavelmente surgem por arrasto, confundindo razões justas com folclore, conceitos como assédio e galanteio, relações sexuais consentidas com violação. Mais misóginas que os misóginos, colocam-se orgulhosamente à margem das causas femininas. E eu ao vê-las, lê-las e ouvi-las só penso no trabalho que foi para as sufragistas porem as mulheres a votar e o que custou às "fufas das líderes dos movimentos feministas" conseguir que as novas gerações de mulheres fossem tratadas como gente. Francamente, só com um pano encharcado!

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78 comentários

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De Anónimo a 13.01.2018 às 12:28

Senti-me velha quando deixei de receber piropos...

DNO
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De João Silva a 13.01.2018 às 13:06

" Ou das ordinarices que me enojavam quando, " Nunca entendi por que razão as coisas de sexo são associadas às palavras ordinarice e enjoar. É difícil perceber como uma coisa boa se associa a essas palavras mas deve haver uma explicação. Há alguma explicação racional?
"Se um homem se encostar a ti, pisa-o com toda a força" Já vi outras versões mais modernas como pica-o com uma agulha (se possível infectada com sida ou outra coisa qualquer) numa perna e até já vi nos testículos.
Se uma mulher se encostar a um homem num autocarro será muito improvável que ele reaja assim, salvo se for da opus dei ou de qualquer seita puritana e não queira pecar.
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De Anónimo a 13.01.2018 às 15:23

O João insinua erradamente que os homens querem ir para a cama com tudo o que se mexe.
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De João Silva a 13.01.2018 às 16:33

Caro anónimo das 15:23
Diria que uns querem, outros não.
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De Teresa Ribeiro a 14.01.2018 às 10:03

Encostar, caso não tenha subentendido, é um eufemismo. Se sexo e desejo são indissociáveis, naturalmente que sexo, ou a sugestão de sexo por parte de alguém que não desejamos é algo profundamente repulsivo. Não percebe isto?!
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De João Silva a 14.01.2018 às 11:55

Não.
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De Rosa a 15.01.2018 às 19:43

Tentativa de explicação racional:
Tendo 15 anos e sabendo a respeito de sexo o que lia nas revistas brasileiras que me chegavam à mão, nomeadamente a Capricho e a Caricia (se não conhece, google), tive um gajo a perseguir-me pela baixa lisboeta (enquanto entrava em lojas e tentava despistar o enurgúmeno,mas debalde) quese apróximava quanto baste e me susurrava perolas como mordia-te o grelo (até hoje não consigo dizer a frase que acabo de escrever).
Se não consegue entender como isto, dito de forma lasciva, enjoa - e assusta - uma adolescente copinho de leite, meu caro João Silva, o senhor tem um problema.
Grave.
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De João Silva a 16.01.2018 às 19:07

"o senhor tem um problema." Eu diria mais, gravíssimo.
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De José Santos a 13.01.2018 às 13:08

"ao meu filho, como é óbvio, nunca precisei de fazer tais recomendações" Claro, se fizesse ele rir-se-ia e diria "esta romana está maluca"
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De Anónimo a 13.01.2018 às 13:23

"confundindo razões justas com folclore, conceitos como assédio e galanteio, relações sexuais consentidas com violação. " Pensemos em termos das leis que temos e não em abstracto.Suponhamos que um homem tem relações sexuais consentidas com uma mulher. Disse consentidas. Mas ela dirige-se a um hospital e apresenta queixa de violação. Alguém acredita que o homem será absolvido? Será difícil. Suponhamos que o homem é uma figura pública e vem nos jornais? Se ele for absolvido, alguém acredita que é inocente?
As leis e a maneira de ver incita à chantagem por parte das mulheres que com muita facilidade ganham a causa ou, pelo menos, ganham dinheiro (nem que seja por baixo da mesa).
Solução para os homens: não abordarem mulheres pois podem lixar-se. Metam-se só com prostitutas e, mesmo nesse caso, com muito cuidado.
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De Teresa Ribeiro a 14.01.2018 às 10:11

"As leis e a maneira de ver incita à chantagem por parte das mulheres" - portanto, acabe-se com estas leis, tão incómodas e ameaçadoras para o macho ibérico. É isto, não é?
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De Anónimo a 14.01.2018 às 11:57

Claro que é.
Já reparou que se proibissem as facas ninguém seria esfaqueado? Então por que não proibir o fabrico de facas?
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De Maria Dulce Fernandes a 13.01.2018 às 13:40

Sempre me movimentei profissionalmente num mundo de homens. Não foi pera doce. Demorou algum tempo a conseguir afirmar-me pela competência, sistematicamente desvalorizada pela minha "condição de mulher".
Neste momento lideramos equipas de homens e mulheres, em funções que não eram sequer imagináveis há alguns anos a esta parte.
Piropos de parte a parte são coisa constante e aceite. Ao assédio, que o há, fazemos por nos antecipar às situações, que são esperadas porque os leopardos não mudam de pintas, e informamos as "caloiras" do que poderão eventualmente encontrar, disponibilizando-nos para ajudar e agir no que for preciso. Aí bastaria apenas querer. 80% , podia querer mas não quer, o que é de lamentar.
Quando tinha 11 anos, andava na Escola Preparatória de Paula Vicente. A cinco minutos a pé de casa era uma maravilha. Um belo dia um "homem" não me largou durante as horas que foram aqueles cinco minutos. Cheguei em casa a tremer e lavada em lágrimas. A minha mãe foi à escola. Afinal o "homem" era um miúdo de 12 anos , maior do que o meu pai, mas muito consciente do seu tamanho e muito chato. Nunca mais andou atrás de mim, mas sempre que me via dizia para todos ouvirem " ó Dulcinha, vai chamar a mãezinha". Nunca mais quis que a minha mãe lutasse a minhas batalhas, nem mesmo quando com16 anos os porcos barbudos do COPCON me faziam parar ( a mim e a outras colegas) para nos "revistar". Inenarrável...
Ainda assim, abomino histerismos e caças às bruxas.
Como costuma dizer-se, é preciso chamar os bois pelos nomes e não generalizar.


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De Vlad, o Emborcador a 13.01.2018 às 14:35

A minha madrinha foi apalpada pelos sem pelos da PIDE (isto porque na véspera da visita de Isabel II , o meu padrinho safou, da choldra, uns colegas de trabalho, que pelo simples facto de não serem pró-regime, eram postos a ferros enquanto durasse a visita de SMAR...para não estorvarem). Mas o meu padrinho sempre foi um bom conversador e partiu as costelas a um deles com uma barra de ferro....trabalhava na CP. Depois foi para França. Outros tempos outras modas.
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De Maria Dulce Fernandes a 13.01.2018 às 16:41

...e ainda nem lhe contei da minha prima em 3º grau
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De Teresa Ribeiro a 14.01.2018 às 10:20

Pois Maria Dulce, para mim, "chamar os bois pelos nomes e não generalizar" é considerar que os "histerismos e caças às bruxas" são efeitos colaterais indesejáveis, que servem sobretudo a quem quer denegrir movimentos tão justos como o que se gerou em Hollywood.
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De Maria Dulce Fernandes a 14.01.2018 às 10:51

Acho justíssimo o movimento que se gerou em Hollywood Teresa. Alguém muito corajoso denunciou o que muita gente calou e recalcou durante anos. Foi factualmente indiscutível de modo que nem o próprio ou os que se seguiram, puderam negar.
Actualmente e sem desmerecimento para o que vindo a suceder, penso que há muito joio no meio desse trigo. E a Teresa ha-de concordar que no calor dos acontecimentos, basta um apontar de dedo para "destruir" uma pessoa ou o trabalho de uma vida inteira. É por isso que não se pode generalizar. Em qualquer grande movimento de massas por uma causa , há sempre uma boa dose de histeria colectiva e a verdade sai muitas vezes a perder, porque nem sempre é preciso sê-lo, basta dizê-lo.
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De Teresa Ribeiro a 14.01.2018 às 11:22

Claro, Maria Dulce. São os tais efeitos colaterais indesejáveis. E são indesejáveis, friso, sobretudo porque servem para desviar as atenções do que é importante. Num instante aproveitam-se deles para levar os incautos a confundir o que são críticas justas com histeria pura. Chego a pensar se esses incidentes não serão montados para descredibilizar os movimentos a que os associam..
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De maria a 13.01.2018 às 14:06

"Deixar de ser assediada na rua é um dos muitos sinais que revelam a uma mulher que está a envelhecer e é isso que incomoda".

Eu cá acho que a Teresa - permita-me que a trate assim - não está a acompanhar os tempos mais modernos, os de agora, mais concretamente, vê-se nas ruas, pelo menos da cidade de Lisboa, em muitas empresas, mulheres de 40/50/60 e por vezes até com um pouco mais de idade, que fazem rodar cabeças masculinas à sua (sua, delas) passagem. Estas são as mulheres que se cuidam, fazem exercício físico, têm uma alimentação saudável, arranjam-se, maquilham-se... sentem-se bem com elas mesmas, logo, isso reflecte-se na atitude, retira-lhe anos aos anos que realmente possuem. Cuidar-se nos dias que correm não exige ser milionário, é apenas uma questão de querer. Penso eu. A minha mãe morreu de cancro aos 58 anos de idade, e, digo-lhe, que um pouco antes de começar realmente a ficar debilitada, dificilmente alguém diria que já tinha entrado nos 50. Quando adolescente, por vezes os olhares masculinos fixavam-se muito mais nela do que em mim, é a realidade pura e dura.

Também acho que aquela frase que arrastei até aqui, a sua, aquela do incomoda deixar de ser assediada, é, no mínimo, estranha, pelos menos para mim, talvez tenha a ver com a fraca auto-estima de algumas mulheres. Quando uma mulher precisa desse tipo de assédio, piropos, ou que que quer que lhe queiram chamar, é porque é uma mulher insegura. Eu cá dispenso. Já dispensava quando adolescente, continuo a dispensar agora quando adulta. Isso não quer dizer que não existam alguns, mais simpáticos, leves, sem ordinarices pelo meio, que não me façam sorrir para dentro quando acontecem. E continuam a acontecer. quando deixar de acontecer não vou associar ao facto de estar "velha", talvez muito mais rapidamente associe ao facto de, se calhar, não estar a dar a atenção devida a determinados cuidados.

Quanto ao feminismo, bom, existem muitas mulheres que se dizem feministas e a verdade é que estão a misturar tudo, talvez até, e atrevo-me a ir um pouco mais longe, a destruir o verdadeiro conceito do feminismo; ser feminista é lutar pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, não cabe, na minha opinião, fundamentalismos exacerbados, intolerâncias absurdas e fomentar o ódio pelos homens, isso é tudo menos feminismo.

Ao contrário da Teresa, acredito, piamente, que existam mulheres que nunca foram assediadas ou nunca foram alvo de piropos. A razão não é colocarem-se acima das outras num gesto de altivez ou arrogância, só quem não conhece os homens e os motivos que levam os homens a escolher olhar para esta e não para aquela mulher, dizer algo a esta e não àquela mulher, é que talvez vá por aí, mas quem sou eu...

Pano encharcado gera mais panos encharcados, é violência, não se quer
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De Teresa Ribeiro a 14.01.2018 às 10:53

Maria,
Infelizmente não percebeu nada. Esforcei-me por ser clara, mas sei o quanto é difícil ser entendida por quem à partida não quer perceber. E para alguém que se mostra tão sensível à agressividade de uma expressão que usei sem visar concretamente ninguém, essa sua insidiosa forma de insinuar que tenho problemas de autoestima não combina.
Já aqui escrevi sobre o discurso politicamente correcto que para aí circula sobre as alegrias do envelhecimento. Não há maquilhagem nem ginásio que evitem a transformação do corpo e do rosto em função das quebras hormonais e quando esses sinais se instalam é natural que se sinta pena. Dizer o contrário é que não me parece nada natural. Mas envelhecimento, Maria, não é só aparência. É dores nas costas pela manhã, o colesterol que começa a subir, enfim é o corpo, naturalmente, a dar inevitáveis sinais de degradação. É a vida, sinal que continuamos vivos, o que é bom. Mas honestamente não se pode gostar disto, a menos que se entre em negação e isso, não sei se alguma vez lhe ocorreu, pode ser uma forma pouco saudável de encarar o envelhecimento.
Feminismo e ódio aos homens é uma associação que até consigo entender se estabelecida por alguns homens (felizmente muitos não assumem essa atitude beligerante), mas por uma mulher? Oh Maria! Pense nos direitos que essas heroínas conquistaram para si e como é injusto estar agora repimpada nesses direitos a criticar quem vem a público exigir mais. Porque o que temos é muito, se comparado com gerações anteriores, mas pouco se comparado com o sexo oposto.
Escreva 20 vezes: "feminismo não é ódio aos homens, mas ódio ao machismo". Se não sabe fazer a distinção entre homens e machismo, tem um problema.
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De maria a 14.01.2018 às 12:38

Pela resposta da Teresa, acredito que existe aqui, nitidamente, um 'conflito' de gerações, vivências diferentes, formas de estar na vida diferentes, formas de olhar a vida diferentes, não é de todo mau, é apenas diferente.

Não tenho problema algum, acredite. E acredite também que percebi o texto, apenas não concordo com ele, tão pouco com o título que, se formos analisar revela bastante, e, quando não concordamos com algo é um direito que nos assiste, dizê-lo, ou neste caso, escrever. O engraçado nisto é que apesar de tudo gosto de ler pessoas com ideias e posturas diferentes da minha e, não me passaria pela cabeça pensar em 'panos encharcados'. É uma expressão bem sei, mas é uma expressão numa onda um pouco intolerante.

(também escrevo com o meu perfil, não escrevo em formato anónimo, talvez também queira dizer algo sobre pessoas, não sei...)

Tenha um bom domingo, prometo não voltar a incomodar.
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De Anónimo a 14.01.2018 às 18:48

Eu pertenço a esse grupo de mulheres que, não tendo sido há 80 anos assediada, devo levar com um pano encharcado na cara...
Mas também não aprecio uma plateia de mulheres vestidas de negro em sinal de protesto e mostrando, gostosamente, em piruetas, o corpo que pretendem defender.
Há uma imensa confusão em toda esta celeuma e felizmente que a Maria acredita que há mulheres a quem não aconteceram assédios.
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De Helena Sacadura Cabral a 14.01.2018 às 18:52

Este comentário é meu, Helena Sacadura Cabral. Mas o sapo não simpatiza comigo e de vez em quando atira-me para os anónimos...
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De Anónimo a 14.01.2018 às 18:50

Eu pertenço a esse grupo de mulheres que, não tendo sido há 80 anos assediada, devo levar com um pano encharcado na cara...
Mas também não aprecio uma plateia de mulheres vestidas de negro em sinal de protesto e mostrando, gostosamente, em piruetas, o corpo que pretendem defender.
Há uma imensa confusão em toda esta celeuma e felizmente que a Maria acredita que há mulheres a quem não aconteceram assédios.
HSC
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De Anónimo a 13.01.2018 às 14:12

Exma Senhora
D. Maria Dulce Fernandes, concordo em absoluto com a conclusão do seu comentário.
António Cabral
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De Manuela Alves a 13.01.2018 às 14:36

"relações sexuais consentidas com violação" Hoje praticamente relações sexuais consentidas é um conceito muito ténue. So são consentidas se eu não declarar o contrário. Depende do meu arbítrio. O homem nunca tem a certeza de que foram consentidas. Por isso concordo com o anónimo acima.
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De Manuela Alves a 13.01.2018 às 16:22

Referia-me ao anónimo das 13:23.
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De Zé Mendes a 13.01.2018 às 15:56

"Sei dizer exactamente com que idade fui assediada pela primeira vez na rua. Tinha dez anos." Eu também sei dizer a idade (foi com menos de dez anos) com que fui assediado pela primeira vez e não foi na rua, foi em casa por uma empregada doméstica (criada, como nesse tempo se dizia). Adorei apesar de não saber bem o que estava a fazer e ainda hoje recordo com saudade e gosto essa experiência. Nunca pensei que tivesse havido mal nisso, só há poucos anos percebi que se fosse hoje seria crime e ela iria para a cadeia. Coitada! O mundo e os conceitos mudam.
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De Zé Mendes a 13.01.2018 às 15:59

Reli o que diz e dei especial atenção à sua frase "mimetizando o discurso mais machista". Fiquei a pensar nisto e no meu comentário anterior. Será que serei machista? Ou, simplesmente, macho? Não sei responder.
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De Teresa Ribeiro a 14.01.2018 às 11:04

Não se preocupe. Há muito machos que como o Zé Mendes não conseguem fazer a destrinça, os mesmos que tal como o Zé Mendes, consideram que sexo (consentido, não consentido) é algo que as mulheres deveriam sempre acolher como uma dádiva.

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