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Síntese de uma derrota anunciada

por Diogo Noivo, em 21.11.17

Sobre a candidatura do Porto à Agência Europeia do Medicamento, Rui Moreira disse que o importante era “o Porto demonstrar que faz parte de um núcleo restrito de cidades capazes”. Vaidade, portanto.

O Governo, em vez de fazer o possível para garantir a vitória, cedeu ao umbiguismo de bairro. O percurso da coisa foi bem traçado pelo Pedro Correia através de títulos de notícias que, vistas como um todo, são uma espécie de anatomia de uma derrota auto-infligida.

O que era evidente para muitos foi sempre negado. Principalmente a partir do Porto. Na Invicta, Ricardo Valente, vereador no município, fez o papel de Muhammed Saeed al-Sahaf: “Porto tem melhores condições que a cidade de Lisboa”; o Porto tem “condições únicas”; “estamos muito bem posicionados”. Como escreveu o Luís Menezes Leitão, a Agência Europeia do Medicamento está numa capital europeia e o seu novo destino será também uma capital europeia. Vale o que vale, mas Lisboa era o destino preferido pelos funcionários desta agência.

Para que não se pense que isto são contas de política interna, de opositores do Governo, leia-se o artigo que o Politico dedica ao assunto.

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17 comentários

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De Anónimo a 21.11.2017 às 12:11

Não me sinto em condições de saber se a candidatura foi ou não bem conduzida.
Mas, quando reparo noutras candidaturas que ficaram pelo caminho, interrogo-me:
- o que levará esta gente toda, e tão insistente, a pensar que tínhamos a obrigação de ganhar este concurso?!...
João de Brito
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De Diogo Noivo a 21.11.2017 às 13:38

Não está em causa a "obrigação" de vencer, mas sim a obrigação de conduzir o processo de forma a aumentar as possibilidades de vitória. Os ziguezagues, a retirada de uma candidatura para apresentar outra sem explicar qual o interesse/vantagem, o palco dado a vaidades locais não me parecem uma forma adequada de conduzir este assunto (ou qualquer outro).
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De João Marques a 21.11.2017 às 12:17

Derrota? Ganhamos! Até sinto o fervor nortenho da vitória!

Um "honroso sétimo lugar" na final destes 400 metros barreiras.

Rui Moreira deverá sentir-se orgulhoso, não por ter perdido a AEM mas por ter facilitado a derrota de Lisboa com a conivência dos imbecis que nos desgovernam.

Venha a regionalização. Os caciques já cá estão, e o governo central eclipsa-se sempre que alguém levanta a voz.

É o ethos de gerações inteiras de políticos portugueses: "de vitória em vitória até à derrota final". Não são assim tão diferentes do sindicalismo de fragrância "Rosa-PCP", tão na moda este outono.
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De Diogo Noivo a 21.11.2017 às 13:44

Talvez isso explique o porquê de a derrota ser entendida como um meio para aumentar o perfil internacional da cidade do Porto e do país.
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De Anónimo a 21.11.2017 às 12:54

Mouro
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De Diogo Noivo a 21.11.2017 às 13:38

Allah-u-akbar.
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De João André a 21.11.2017 às 13:13

Não faço ideia se o Porto seria uma boa opção ou não nem se seria melhor ou pior que Lisboa. Sei que Milão empatou com Amesterdão (a escolha final foi por sorteio) e que não é capital. Esse argumento, pelo menos, não colhe.

Ainda assim não percebo o problema. Nenhuma cidade portuguesa foi escolhida. Se viesse mudar a cidade escolhida seria compreensível o esforço, mas há tanta coisa que Portugal (e Porto, e Lisboa) têm que melhorar que não compreendo a obsessão com estes "prémios"...
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De Diogo Noivo a 21.11.2017 às 13:42

O problema, João, está em se ter retirado a candidatura inicial para a substituir por outra sem nunca esclarecer em que medida esse passo defendia o interesse nacional ou fortalecia as hipóteses de Portugal nesta corrida. O problema está também na navegação à vista e errática que presidiu à condução de todo o processo. O problema está, como refere o Politico, na subordinação de interesses nacionais à política paroquiana.
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De Luís Lavoura a 21.11.2017 às 14:44

a subordinação de interesses nacionais à política paroquiana

Mas não há nem nunca houve nenhum interesse nacional em jogo, porque sempre foi evidente que Portugal não tinha quaisquer hipóteses!!!

Nem Lisboa nem Funchal nem o Porto nem Braga tinham quaisquer hipóteses de acolher a sede de uma agência tão importante, tão central, tão objeto de lobbying, como a do Medicamento. Isso é claro à partida para quem quer que tenha dois olhos na cara.

Portanto, Portugal competiu por competir, não com o objetivo - irrealizável - de ganhar, mas com o fim - concretizado - de mobilizar a sua diplomacia com o objetivo de dar a conhecer as vantagens e méritos de uma importante cidade do país.
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De Diogo Noivo a 21.11.2017 às 15:38

Certo. Para a próxima apresentamos a candidatura de Rabo de Peixe ou de Vila Verde de Ficalho.
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De Luís Lavoura a 21.11.2017 às 15:48

Eu escrevi "dar a conhecer as vantagens e méritos de uma importante cidade do país". Não, evidentemente, de Rabo de Peixe nem Vila Verde de Ficalho. Tinha que se concorrer com uma cidade que tenha efetivamente vantagens e méritos relevantes, não para ser sede da Agência do Medicamento, mas para atrair os estrangeiros para muitas outras coisas (conferências, turismo, etc).
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De Anónimo a 21.11.2017 às 13:39

Realmente....AMESTERDÃO ou MILÃO são capitais!!!! Que pobreza de ressabiados lisboetas e outros. Mediocres satisfeitos com uma derrota.[:
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De Diogo Noivo a 21.11.2017 às 13:51

Amesterdão é a capital da Holanda - julgo até que assim está definido na Constituição daquele país -, embora as instituições políticas estejam sediadas em Haia. Percebi por onde ia o seu (pobre e mediocre) comentário, mas olhe que é um tiro no pé.
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De Pedro Correia a 21.11.2017 às 14:09

"Homem pequeno, cão grande." Sempre ouvi a minha avó dizer este antigo provérbio popular, de que muito gosto.
Aplicado às caixas de comentários, este provérbio pode ser actualizado assim: Quanto mais anónimo, mais pontos de exclamação.
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De Luís Lavoura a 21.11.2017 às 14:38

Lisboa era o destino preferido pelos funcionários desta agência

O que raio interessa isso? Não são os trabalhadores da agência quem deve decidir onde esta fique situada. A agência deve ficar onde seja melhor para o desempenho do seu serviço, não onde os trabalhadores queiram.

É claro que qualquer indivíduo prefere viver ao sol de Lisboa do que na bruma de Amesterdão. Mas há muitos mais negócios em Amesterdão do que em Lisboa.
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De FKosta a 22.11.2017 às 10:52

No fundo, no fundo o que o argumentador deste post diz é que o importante e o fundamental é meter tudo no cú de lisboa. Afinal é assim que este país centralista e colonialista funciona. Sacar impostos em barda aos parolos da província e fazer inchar a putrefacta capital. Que se "coza" o país.
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De Diogo Noivo a 22.11.2017 às 10:59

No fundo, no fundo não é nada disso. Como, aliás, é fácil de entender. Mas espero que se sinta mais aliviado.

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