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Sessenta anos de paz e progresso

por Pedro Correia, em 25.03.17

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 Assinatura dos tratados de Roma, em 25 de Março de 1957

 

A Europa, como construção política, tem hoje má imprensa: é moda bater-lhe e são raros os seus defensores no espaço mediático. Mas, se pensarmos bem, nunca foi diferente: em 25 de Março de 1957, os tratados de Roma receberam mil manifestações de cepticismo e vinte mil profecias apocalípticas. À esquerda e à direita nunca faltaram detractores bem sonoros do projecto sonhado por Jean Monnet, Konrad Adenauer, Paul-Henri Spaak, Robert Schuman e Alcide de Gasperi. Acusaram-nos de tudo - de imperialistas a vende-pátrias.

E no entanto, por mais que a vozearia impeça a reflexão, o balanço só pode ser positivo. A Comunidade Económica Europeia nasceu ancorada no eixo franco-alemão para impedir o ressurgimento de novas guerras no Velho Continente. Em sete décadas, entre 1871 e 1945, três conflitos bélicos nasceram precisamente da histórica rivalidade entre alemães e franceses. A unidade europeia, sem trombetas utópicas nem hinos soberanistas, batalhou pela paz, precisamente contra a "inexorável marcha da história" que alguns anteviam pejada de novas guerras.

 

Faz hoje 60 anos, estadistas oriundos de seis nações - Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo - estabeleceram um pacto supranacional que ditou o maior período de paz, progresso e prosperidade num continente ferido por mais de um milénio de ferozes carnificinas, mortíferas epidemias e devastadoras fomes. Devemos isso àqueles prudentes homens vestidos de cinzento que não hesitaram em abdicar de parcelas da sacrossanta soberania nacional para selarem um destino visionário no espaço do planeta que os viu nascer.

Hoje a Europa é um gigante económico, financeiro, comercial e diplomático - invejado como nenhum outro. Está na vanguarda do desenvolvimento tecnológico e dos direitos civis. E não se limita a salvaguardar as expectativas de vida dos seus cidadãos: constitui uma referência permanente para os habitantes de outros continentes, que a procuram em fluxos crescentes e a reivindicam como fonte inspiradora. Fugindo das guerras, das epidemias e da fome que os nossos antepassados aqui conheceram nos séculos e nas décadas anteriores à celebração dos tratados de Roma.

 

Se os pais fundadores da CEE - hoje União Europeia - cá regressassem, ficariam certamente orgulhosos ao verem as ramificações concretas do seu projecto. A moeda única, a livre circulação de pessoas e bens, a justiça comunitária, programas de livre intercâmbio de estudantes, o reconhecimento dos direitos das minorias, o crescimento imparável do rendimento médio e o aumento da esperança de vida, entre muitas outras conquistas.

E no entanto, 60 anos depois, a construção europeia continua a ter má imprensa. Prosseguem as proclamações apocalípticas sobre o seu destino. Os seus detractores mediáticos à esquerda e à direita enrouquecem de tanto gritar contra a "oligarquia que esmaga a vontade dos povos" ou os "assassinos de nações soberanas" que vivem entrincheirados em Paris, Bruxelas ou Berlim.

Nada que não se visse ou ouvisse em 1957. Há coisas que nunca mudam.

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42 comentários

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De JS a 25.03.2017 às 12:12

Qualquer semelhança entre a hoje homenageada com 60 (!) anos, a dita União Europeia, e a progenitora CEE é, na melhor das hipóteses, uma liberdade poética.

E muitos de que tiveram a esperança de que a governança local fosse disciplinada pela centralizante UE, há muito que perderam as ilusões. Pelo contrário, como se viu e como se vê.
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De Pedro Correia a 25.03.2017 às 18:19

Sim, há poucas semelhanças.
Em 1957, era uma tímida aproximação entre seis países - com a Europa fracturada em duas metades, mergulhadas na Guerra Fria e com o receio permanente de um conflito nuclear. A pequena Europa era minúscula no contexto geopolítico, marcado por duas superpotências: Estados Unidos e União Soviética.
Em 2017 é uma comunidade de 27 países que constitui o maior bloco comercial do mundo, é o maior parceiro económico de 80 outros países e a maior fonte e destino de investimento à escala planetária - e todos sabemos que o comércio é um instrumento activo contra todas as guerras.
Hoje nenhum dos seus membros resolve conflitos à margem dos circuitos diplomáticos, cumprindo-se assim o principal desígnio dos pais fundadores, que tudo fizeram para não voltar a ver os seus países mergulhados nos horrores da guerra.
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De Einstürzende Neubauten a 25.03.2017 às 14:41

Sobre a Europa recomendo o último programa Principio da Incerteza, RTP3, com Jaime Nogueira Pinto, como convidado
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De Pedro Correia a 25.03.2017 às 18:19

Importa-se de especificar porquê?
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De isa a 25.03.2017 às 15:10

"Sessenta anos de paz e progresso"

Se não falarmos das guerras na Síria, Somália, Iêmen, Iraque, Paquistão... onde já morreu mais gente que nas Guerras Mundiais, para não falar da vontade de embirrar com a Rússia, Irão, Coreia do Norte ou os conflitos que começam a "fervilhar" no Mar da China Meridional, para ver se conseguem uma 3ª Guerra Mundial porque, para o tal 1%, a Guerra sempre foi o seu negócio e será, sempre, o seu grande negócio mas, enquanto as bombas não caírem no alpendre e forem os filhos dos outros que morrem, não passa tudo de escaramuças para quem não entenda que isto de paz e sossego nunca foi o objectivo final, especialmente quando já se sabe como eles subsidiam os dois lados das guerras.
Porque pensa que isto de entrarem sem triagem na Europa, milhões de representantes de uma cultura que não quer integração, vai acabar por ajudar quem, nessa "paz e prosperidade"?
Mais vale a franqueza, para uns, não interessa a Verdade, apenas os seus interesses pessoais e, enquanto os problemas forem dos outros, podemos viver na ilusão até ao último segundo, até que o alpendre nos caia em cima.
Espero que no seu caso, seja apenas por ignorância mas, hoje em dia, com toda a informação à disposição de todos, a lavagem cerebral só pode ser dada a quem a queira aceitar, quanto às razões de não a procurarem, isso, cada um saberá melhor que ninguém.

E quanto ao "Progresso", especialmente na parte do emprego, onde se ouvem os maiores disparates, o melhor é avisar porque é outra coisa que eles querem mas, o caminho é, novamente, para benefício dos mesmos:
https://www.youtube.com/watch?v=aitZFUpSVDE
Robots Will Do these 8 Jobs by 2020 !!!!!! 2017

Este, até fala na "futura riqueza", resta saber para quem:
https://www.youtube.com/watch?v=OYdppajD8sw
Dr. David Hanson & Sophia, Mastercard's Ajay Banga, Bank of America's Brian Moynihan Open #FIF2017
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De Pedro Correia a 25.03.2017 às 18:27

É muito fácil mobilizar as massas ululantes contra o projecto europeu. Foi isso que fizeram os editorialistas do 'Sun' e do 'Daily Mail' no Verão passado, em sucessivas edições manchadas de eurofobia cavalgando a onda que desembocou no Brexit.
Agitou-se o papão "estrangeiro", espremeu-se até à náusea o ódio a "Bruxelas", invocou-se sem pudor a mais delirante demagogia xenófoba.
Muitos estão hoje amargamente arrependidos de terem votado como votaram em Inglaterra (não em Londres, que votou maioritariamente contra o Brexit) ou de não terem ido às urnas, de algum modo influenciados pela retórica anti-UE do senhor Farage, que mantém o bem remunerado assento no Parlamento Europeu.
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De isa a 25.03.2017 às 22:45

Não sei onde foi buscar essa dos "muitos estarem amargamente arrependidos" e quanto ao Sr. Farage ele próprio disse que os que não queriam sair seria, precisamente, por não quererem perder os ordenados ou futuros cargos que acumulariam com as chorudas reformas.
Quanto à retórica do Sr Farage ou de outros, quantas horas perdeu a ouvir discursos no Parlamento Europeu? Porque isto de repetir o que os outros dizem, não é exactamente a mesma coisa como ouvir diretamente da fonte e, eu, muito antes do Brexit, já tinha perdido muitas horas a ouvir o que por lá se falava, talvez o mesmo tempo que muitos gastam a ouvir horas e horas de comentários de futebol. Há gostos para tudo mas, há coisas demasiado importantes para não serem ouvidas directamente.

Quanto a papões, ódios e demagogias xenófobas, certamente não ouviu o povo inglês, desde o pescador ao pequeno empresário porque, quem via na rua a contestar o contrário, certas reportagens, nas notícias "tradicionais", não mostravam tudo até ao fim, para não verem aqueles de uma geração mais jovem, a quem já fizeram lavagem cerebral, meninos e meninas que nunca fizeram nada na vida senão ter tudo de mão beijada, dizerem que, o futuro era deles e os mais velhos nem deveriam ter votado porque, praticamente, já estavam com os pés para a cova.
Por vezes, pior do que a mentira é aquilo que não dizem ou mostram mas, neste caso, só quem ouviu pode acreditar mas, se eu voltar a encontrar o vídeo dessas entrevistas de rua, a esses descontentes, passo por aqui e dou-lhe o link.

No entretanto, deixo-lhe outro, um discurso de Marine Le Pen no Parlamento Europeu e se quiser até lhe podia deixar a conferência de imprensa dada por Trump e Merkel na sua visita aos EUA mas, certamente, prefere que lhe dêem os resumos, portanto só deixo o primeiro porque, nem que seja só para ver as caras de Merkel e do Hollande, vale a pena

https://www.youtube.com/watch?v=ieKYwTFUV5Q
Marine Le Pen savages Merkel, to her face in EU Parliament
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De isa a 26.03.2017 às 09:57

Com a imprensa diária, antes de ler qualquer artigo, especialmente de quem não conheço, pego no nome do "jornalista" que escreve o artigo e procuro onde trabalhou antes, com quem trabalhou, quais as suas ligações políticas e, se conseguir, até quero saber a Corporação que lhe paga o ordenado.
Depois de algumas horas de pesquisa, confesso que não fiquei interessada em ler o artigo que me recomendou porque, para notícias "tradicionais" há iguais em português, basta acender a TV
Mas, pelo menos, foram umas horas de pesquisa, muito interessantes
Sou muito picuinhas em relação à minha "alimentação cerebral", tomara eu ser tão exigente com o outro tipo de comida porque, por causa de Fukushima e outras poluições, sei que devia ter o mesmo cuidado mas, aqui, é muito mais complicado porque, nos tempos que correm, do pouco que vou sabendo, das sementes aos químicos, a única solução segura, seria conseguir viver sem comer nada

Basta ver como funciona a ASAE, só depois de se saber que os portugueses andaram a comer "boa" carne brasileira é que passou a inspecionar a carne porque, no entretanto, vai embirrando com colheres de pau ou mais preocupados com a caça à multa porque, depois de 6 anos de contaminação radioactiva marinha ou através das chuvas, não os vejo minimamente preocupados com comida contaminada com Radiação Nuclear, provavelmente, isso só acontecerá SE rebentar alguma bronca e termos andado, anos a fio, a matar a nossa saúde.
Bem programado para a ignorância, o povinho estará mais interessado, em notícias sobre o Hálux de um qualquer jogador de futebol
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De Pedro Correia a 26.03.2017 às 10:17

Bom domingo também para si.
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De isa a 25.03.2017 às 16:58

"Qualquer verdade passa por três estágios: Primeiro, é ridicularizada. Segundo, é violentamente combatida. Terceiro, é aceita como óbvia e evidente."
Arthur Schopenhauer
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De Pedro Correia a 25.03.2017 às 18:21

Certo. Mais certo ainda neste contexto.
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De Cristina Torrão a 26.03.2017 às 12:16

Certamente que há coisas a corrigir e a melhorar. Nunca devemos baixar os braços, os políticos precisam, de vez em quando, de uma valente puxão de orelhas. Mas no essencial estou de acordo consigo, Pedro. As pessoas têm tendência a olhar mais para os defeitos, em vez de tomarem consciência de como são privilegiadas por terem nascido onde nasceram. Basta pensar nos milhões que arriscam a sua vida para alcançarem a Europa. Porque será?
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De Pedro Correia a 26.03.2017 às 17:28

É típico de quem está do lado de cá falar de barriga cheia, Cristina. Enquanto quem está do lado de lá tudo faz para aqui chegar.

Deste lado, precisamente, nunca faltou quem tentasse denegrir o projecto europeu desde o primeiro dia. Os que hoje gritam contra a UE são netos dos primeiros.

Entretanto, enquanto gritam, não vejo um só deles rejeitar tudo quanto de bom a UE lhes propicia.
A propósito: o PIB 'per capita' da UE, avaliado em 29 mil euros, quase duplicou nas duas últimas décadas. Apesar de todas as crises.
Na eurozona, é ainda maior: 31 mil euros.

Não admira que cada vez mais gente procure a UE. Pelo contrário, não vejo ninguém a querer sair.
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De Alexandre Policarpo a 26.03.2017 às 15:48

A CEE nasceu com seis países e foi pensada para albergar as outras democracias ocidentais e enventualmente as três ditaduras então existentes na Europa Ocidental, Portugal, Espanha e Grécia, quando caíssem de podres como veio a acontecer. No caso português desde o principio dos anos 60 que existiam acordos de relações comerciais privilegiadas com a CEE, mesmo tendo aderido à EFTA.
Quando aconteceu o colapso da URSS e a consequente queda do Muro de Berlim, que nem os mais optimistas acreditavam ser possivel, e após a integração da ex DDR na RFA, recriando a Alemanha que hoje existe, não era possivel deixar de fora os países que sendo europeus, estiveram dezenas de anos atrás da Cortina de Ferro, tendo todos eles economias e niveis de desenvolvimento muito precários .
Ou seja: quando a CEE fez alargamentos primeiro de seis para nove e depois para doze, os que entraram tinham todos niveis de desenvolvimento social e economico similar aos que já lá estavam, não pesando muito na distribuição do bolo que são os Fundos Comunitários. Depois entraram a Grécia primeiro e depois Portugal e a Espanha que sendo mais "pobres" digamos assim, ainda eram facilmente assimilaveis, sem grandes sobressaltos para as economias que mais contribuíam para o orçamento comunitário.
Os verdadeiros problemas começaram quando a UE, sucessora da CEE, passou de 15 para 28 países, ao mesmo tempo que 18 desses países aderiram ao Marco alemão, que se chama agora Euro, sem que as economias de muitos deles, como é o caso de Portugal, estivessem preparados para tal; simultaneamente acontecia a maior revolução social e económica que o mundo já conheceu: a Globalização.
Portanto, e apesar de esta associação de países que os governantes europeus do pós 2ª Guerra Mundial tiveram arte e engenho para construir, ter contribuído para o maior periodo de paz e de desenvolvimento que a Europa já conheceu, os acontecimentos atrás descritos deixaram a Europa perante os seus maiores desafios desde 1945: como passar num mundo globalizado de uma comunidade economica e social de 300 milhões para quase 600 milhões de pessoas, proporcionando a todas elas, ou à maioria delas, niveis de vida a que todos os europeus acham que têm direito? provávelmente nem os grandes politicos que construiram a Europa unida nos anos 50 e 60 saberiam encontrar as respostas aos desafios que temos pela frente.
No que me diz respeito e porque vejo sempre o copo meio cheio, nem que seja de vinho verde, acho que num futuro mais próximo do que imaginamos vai ser cada um por si. O bem-bom em que temos vivido tem os dias contados.

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De Pedro Correia a 26.03.2017 às 17:41

Portugal foi precisamente um dos países que mais beneficiaram com as políticas distributivas proporcionadas pela integração europeia, nomeadamente ao nível dos fundos estruturais e do Fundo de Coesão. Ao contrário do que apregoa uma certa vulgata política, sempre pronta a acolher o discurso antieuropeu em nome da defesa da "soberania nacional" ou do "verdadeiro socialismo contra a oligarquia capitalista".
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De Alexandre Policarpo a 26.03.2017 às 18:18

Tem razão, desde o final dos anos 80 Portugal já recebeu perto de 200 mil milhões de euros de fundos vindos da Europa. A maneira como esses fundos foram aproveitados já é outra questão. Mas podemos imaginar como é que os portugueses viveriam sem esses fundos e o impacto que eles tiveram na economia portuguesa.
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De Pedro Correia a 26.03.2017 às 19:26

É verdade, Alexandre. Esse é um aspecto que raras vezes vem à baila nos debates sobre integração europeia: a solidariedade da UE em relação a Portugal. Já recebemos mais dinheiro proveniente dos fundos europeus do que o total do nosso PIB anual.
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De Luís Lavoura a 26.03.2017 às 16:44

O Pedro atribui à Europa (=UE) coisas que com toda a probabilidade teriam existido mesmo sem ela. O fim das epidemias ficou a dever-se, não à Europa, mas sim à descoberta dos antibióticos, que começaram a ser comercializados no fim da guerra. O fim das fomes teve sobretudo a ver com a invenção, em 1914, do processo Haber-Bosch, que permitiu o começo do fabrico em massa e barato de adubos azotados. O progresso económico geral teve muito a ver com a descoberta e exploração de amplas fontes de petróleo barato, e registou-se também em países que optaram por não fazer parte da UE (como a Suíça ou a Suécia).
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De Pedro Correia a 26.03.2017 às 17:20

A União Europeia é um instrumento de paz. A guerra é inimiga do progresso. A guerra traz sempre um rasto de destruição, miséria, desnutrição, fome e doenças de todo o tipo. É outra forma de matar.
Nos oitenta anos anteriores à CEE-UE, Alemanha e França defrontaram-se em três guerras que fizeram incendiar quase toda a Europa.
Imagine-se o que seria se estas sete décadas de paz e progresso e prosperidade na CEE tivessem sido marcadas por novas guerras.

A Suíça e a Suécia não são chamadas para aqui pois são tradicionalmente países neutrais e não se envolveram nas duas guerras mundiais.
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De João Campos a 26.03.2017 às 22:11

A Suécia faz parte da União Europeia. A Noruega é que não faz parte; manteve-se neutra na Primeira Guerra Mundial, mas não na Segunda (não teve grande escolha, foi invadida pela Alemanha).
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De Pedro Correia a 26.03.2017 às 22:36

A Noruega esteve quase a fazer parte da CEE. Mas rejeitou a adesão por referendo, salvo erro em 1973.
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De João Campos a 27.03.2017 às 20:56

1972. E fizeram outro, em 1994, com o mesmo resultado. E hoje em dia já nem se fala no assunto, pelos vistos.

(e pediram adesão juntamente com o Reino Unido e a Irlanda em 1962, na altura chumbada... pela França)
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De Pedro Correia a 27.03.2017 às 21:16

A França vetou duas vezes a entrada do Reino Unido na CEE, em 1963 e 1967. Na primeira vez quando havia em Londres um governo conservador (de Macmillan), na segunda quando havia um governo trabalhista (de Wilson).
A construção europeia, no essencial, fez-se não apenas sem os ingleses mas de algum modo contra eles.
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De JS a 26.03.2017 às 19:21

Caro Pedro Correia. E já indagou o que aconteceu aos famosos Fundos Eurpeus ?
E já agora: o fito de uma guerra é controlar outrem. Percebe ?. Não foram necessários canhões nem canhoneiras.
Acha-se cidadão de primeira nesta sua U.E.?.





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De Pedro Correia a 26.03.2017 às 20:03

Devemos perguntar a nós próprios o que fizemos aos duzentos mil milhões de fundos europeus. Era o que faltava apontarmos o dedo acusador a quem nos remeteu essa verba astronómica - de tal maneira que ultrapassa claramente toda a riqueza que nós, portugueses, conseguimos produzir durante um ano inteiro.
Sim, meu caro, sinto-me cidadão europeu de pleno direito. Ou você acha que eram preferíveis os tempos em que vivíamos "orgulhosamente sós"?
Quem renega estes tempos de plena cidadania europeia ou fala do que não sabe ou padece de graves problemas de memória.
Como se fosse preferível voltarmos aos tempos em que para irmos a Vigo ou Badajoz tínhamos que fazer fila nas fronteiras e mostrar os passaportes. Tempos quase sem vias de comunicação que nos conduzissem ao resto da Europa (as vias rápidas Lisboa-Porto e Lisboa-Algarve só foram concluídas vários anos após a nossa adesão à CEE). Tempos em que pagávamos direitos alfandegários. Tempos em que perdíamos dinheiro com os constantes câmbios de moeda nacional por moedas estrangeiras. Tempos em que só os ricos podiam viajar de avião. Tempos em que estudar em universidades estrangeiras era uma utopia só ao alcance de uns poucos. Tempos em que o Programa Erasmus, por exemplo, já permitiu a 9 milhões de jovens europeus estudar ou adquirir experiência profissional fora do seu país de origem.
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De Luís Lavoura a 27.03.2017 às 10:15

Como se fosse preferível voltarmos aos tempos em que para irmos a Vigo ou Badajoz tínhamos que fazer fila nas fronteiras e mostrar os passaportes.

Não temos que o fazer devido a termos aderido ao acordo de Schengen. Mas esse acordo não tem a ver com a União Europeia: há países que não são da UE mas fazem parte de Schengen (Suíça, Noruega, Islândia) e outros que são da UE mas não fazem parte de Schengen (Reino Unido).

Portanto, mesmo que não fôssemos da UE poderíamos hoje ir a Badajoz sem parar na fronteira.
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De Pedro Correia a 27.03.2017 às 10:29

Schengen é consequência da UE.
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De Luís Lavoura a 27.03.2017 às 10:18

As viagens de avião baratas nada têm a ver com a União Europeia. O programa Erasmus também está acessível fora da União.
Quanto aos constantes câmbios de moeda, consta que há quem queira mantê-los - o goveno polaco está a fazer todo o esforço para não cumprir as regras que fariam o pais entrar automaticamente na Zona Euro.
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De Pedro Correia a 27.03.2017 às 10:31

As viagens de avião baratas têm tudo a ver com a UE e com a filosofia de livre mobilidade dos cidadãos europeus e do livre empreendedorismo vigente no espaço comunitário. Uma Europa sem fronteiras exige transportes mais rápidos, mais baratos, mais frequentes.
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De Alexandre Policarpo a 27.03.2017 às 13:38

Se Portugal estivesse fora do Euro e da UE, os portugueses passariam a ter rendimentos e niveis de vida que tinham no principio dos anos 60 do século passado. Isto é tão evidente, que é espantoso como pessoas que se acham muito inteligentes, não consigam perceber porquê.
A Croácia, a Roménia e a Bulgária fazem parte da UE mas não foram aceites no Espaço Schengen. A Islândia, a Noruega e a Suiça não pertencem à UE, fazem parte do Espaço Schengen por razões óbvias.
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De Luís Lavoura a 27.03.2017 às 16:05

Se Portugal estivesse fora do Euro e da UE, os portugueses passariam a ter rendimentos e niveis de vida que tinham no principio dos anos 60 do século passado.

Isto para mim não é totalmente evidente. Países como a Noruega e a Suíça e a Islândia estão fora da União, e não parece que se dêem mal com isso. É claro que têm que obedecer às regras da União para poderem ter comércio com ela.

Portugal antes de 1986 também estava fora da União mas prosperou enormemente, pelo menos até 1973, devido à possibilidade de comerciar livremente com ela.
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De T a 27.03.2017 às 16:53

Nesses países o clima mata, sabem-se organizar e conviver saudavelmente em sociedade de forma a sobreviverem todos e obviamente prosperar, aqui somos egoístas, invejosos e perigosos uns para com os outros, detestamos sucesso alheio, odiamos aprender com quem sabe, detestamos dar a mão à palmatória.

Nunca na vida estaríamos perto do nível e das condições de hoje se estivéssemos fora da CEE/UE. Muita da nossa normalidade, da legislação, do olhar vigilante - porque cá ninguém se sabe se deixa governa - que vem de lá e não de cá de dentro. O ambiente? O dinheirinho bom para acabar com as barracas? Toda a infra-estrutura rodoviária? As condições do trabalho? A luta contra a corrupção? Quer mesmo lembrar-se como éramos no principio dos 80s? Isto era uma selva. Só para enumerar alguns dos exemplos que se calhar deve estar esquecido.
Veja a Roménia pós ditadura e antes de entrar na UE e vai olhar para o que seria Portugal.
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De Pedro Correia a 27.03.2017 às 17:07

Esses cromos gostariam que Portugal fosse uma Bulguémia (cruzamento de Bugária com Roménia) ou uma Romária (cruzamento de Roménia com Bulgária).
Ou, no máximo, uma Transilvânia. Com o castelo de Guimarães transplantado para os Cárpatos.
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De Luís Lavoura a 27.03.2017 às 17:20

Uma Romária talvez não, mas se tivéssemos o Romário na seleção, isso até seria bom.
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De Pedro Correia a 27.03.2017 às 17:44

Não me parece mal. Mas depois teríamos um Aeroporto Romário, sabe-se lá onde.
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De Luís Lavoura a 27.03.2017 às 17:19

Não sabemos como a História poderia ter sido se Portugal não tivesse entrado e não estivesse hoje na CEE. Só podemos especular.
Um facto concreto e indesmentível é que Portugal cresceu ao seu melhor ritmo entre 1960 e 1973, quando não estava na CEE. Continuou a crescer fortemente depois de 1980, passados os choques petrolíferos e a instabilidade causada pela revolução.
Outro facto que a História revela é que a decisão de Mário Soares de entrar na CEE foi tomada contra o parecer da grande maior parte dos economistas portugueses. Portugal entrou na CEE por motivos políticos, não económicos.
É claro que se não tivéssemos entrado na CEE haveria hoje menos auto-estradas em Portugal. Lá se isso seria muito mau, é uma questão que se pode debater.
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De Pedro Correia a 27.03.2017 às 17:51

1. Portugal cresceu a esse ritmo imparável entre 1960 e 1973 porque tinha um império colonial, acesso permanente a matérias-primas muito baratas e um mercado de quase 25 milhões de pessoas, decorrente desse mesmo império.
A menos que você pretenda restaurar as fronteiras coloniais desse Portugal "do Minho a Timor", não pode evidentemente concorrer com essas estatísticas, logo perturbadas pelo aumento do preço do petróleo nos mercados internacionais, no Outono de 1973.

2. Se fosse pela opinião dos economistas, nunca a CEE teria visto a luz do dia. A diferença entre um estadista e um político medíocre é que este escuda-se sempre nas reticências alheias para evitar tomar decisões. O primeiro decide - e não receia as consequências das suas decisões, sabendo como sabe que a pior decisão é não haver decisão alguma.
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De Pedro Correia a 27.03.2017 às 17:03

A Islândia é um ilha com 300 mil habitantes.
A Suíça é um paraíso bancário.
A Noruega é um dos principais exportadores mundiais de petróleo.

Tem tudo a ver com Portugal...
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De Alexandre Policarpo a 27.03.2017 às 17:45

A Islândia tem menos habitantes que o Alentejo; a Noruega é o maior produtor de petróleo da Europa e tem guardado num fundo soberano metade do dinheiro que o petroleo lhe rende, e a Suiça é a Suiça.
Portugal e apesar da ditadura, conseguiu excelentes crescimentos económicos desde a segunda metade dos anos 50 até 1974, porque tinha as ex colónias como clientes certos e exclusivos, apesar do condicionamento industrial conseguiu criar um parque industrial com alguma importância, e partiu de uma base de desenvolvimento muito baixa. Também beneficiou da emigração de milhões de pessoas da provincia para as grandes cidades do litoral e para o estrangeiro, à procura de melhores condições de vida. Tenho idade suficiente para me recordar dos grandes desempregos sazonais dos trabalhadores rurais aqui no Alentejo e as dificuldades que tinham para sustentar as respectivas familias.
O PREC destruíu as grandes empresas e no principio dos anos 80 quando chegou o FMI pela 2ª vez em cinco anos, existiam 450 mil trabalhadores com os salários em atraso e outros tantos desempregados, uma inflação de 30% e o investimento era praticamente inexistente. Se não fosse a adesão à CEE em 1986 e a chegada dos fundos europeus, se calhar hoje, pelo menos os que cá tivessem ficado, andàvamos todos de alpercatas.
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De Pedro Correia a 27.03.2017 às 17:05

Sem a União Europeia, de facto, Portugal não seria hoje muito diferente de uma Bulgária ou uma Roménia.
Espantosamente, no espaço mediático não falta gente a defender que caminhemos nesse sentido.
São quase sempre filhos daqueles que há 40 anos defendiam que Portugal fosse a Albânia da Europa Ocidental.
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De Pedro Correia a 27.03.2017 às 21:34

E alguns deles tudo fizeram para que isso acontecesse. Felizmente para todos nós, não conseguiram.

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