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Seis Dias que abalaram o Médio Oriente*

por João Pedro Pimenta, em 18.06.17

Passou agora meio século desde a Guerra dos Seis Dias, uma das operações mais retumbantes do século XX. Israel estava nas vésperas do seu vigésimo aniversário, uma curta existência caracterizada por duas guerras e a resistência a um cerco por parte dos (muito maiores) vizinhos árabes. Em fundo, a Guerra Fria, de que a região era um dos principais cenários, sobretudo desde 1956 e a Crise do Suez, após a qual a URSS se tinha voltado definitivamente para o Egipto, ao passo que os EUA continuavam a apoiar o estado judaico. O país liderado por Nasser consolidara o seu estatuto de potência regional, apesar do falhanço na constituição da República Árabe Unida com a Síria. E em 1967, precisamente por receio de um ataque israelita à Síria, o Egipto exigiu a retirada das tropas da ONU presentes no Sinai desde 1956, iniciando um bloqueio ao estreito de Tiran, que dá acesso ao golfo de Aqaba e é a única saída de Israel para o Mar Vermelho, e consequentemente o Índico. Um tal bloqueio, impedindo a livre circulação marítima de um estado, era uma declaração de guerra implícita.

 
Entre 5 e 10 de Junho de 1967, e em reacção ao cerco do Egipto e a crescentes hostilidades de outros estados árabes, Israel viu-se forçada a actuar mesmo sem a protecção de qualquer outro aliado. As forças armadas israelitas desencadearam um ataque aéreo fulminante e em massa sobre todas as bases áreas egípcias, arrasando por completo a aviação inimiga em apenas doze horas. O ataque era arriscado, porque deixou Israel sem qualquer protecção aérea, mas constituiu um rude golpe na moral (e no material) do Egipto e espantou o mundo pela audácia, rapidez e eficácia. De imediato, os blindados israelitas penetraram no Sinai, com auxílio da aviação (e sem o perigo de ataques da aniquilada aviação egípcia), cortaram o acesso a Gaza (onde tinham a oposição das forças palestinianas) e confinaram os carros de combate egípcios a terrenos de escassa mobilidade. Em dois dias, as forças árabes estavam dispersas, destruídas ou em fuga, ao passo que as israelitas atingiam o Canal de Suez e a extremidade do Sinai, tomando Sharm-el-Sheik e controlando o estreito de Tiran.

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A Norte, e depois de sangrentos combates, a infantaria de Israel tomou os montes Golan a uma Síria equipada com armamento soviético mas com deficiente treino e fragilizada pelas purgas entre os oficiais, como consequência dos vários golpes de estado.
A Jordânia, que se tinha colocado do lado dos aliados árabes confiando na força do Egipto, ensaiou alguns ataques de artilharia, o que levou à entrada das forças de Israel na Cisjordânia no dia 6, e à ocupação daquele território, incluindo a Cidade Velha de Jerusalém, o que implicou sangrentos combates rua a rua com os encarniçados resistentes, ainda que os lugares santos da cidade não tivessem sofrido danos. A ocupação do território de aquém-Jordão e sobretudo dos lugares santos de Jerusalém teve um simbolismo religioso e político extraordinários. Israel cumpria o velho sonho de se reapoderar da sua capital histórica, além de permitir aos judeus o acesso ao Muro das Lamentações, impedido pelas forças jordanas desde 1948.

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A breve guerra, que em seis dias aniquilara forças árabes muito superiores em número - formando um cerco que parecia inquebrável - e dera a Israel o controlo de um território maior que o originário, surpreendeu pela eficácia extrema, superior à da Blietzkrieg alemã. Moshe Dayan, ministro dos negócios estrangeiros, e Yitzhak Rabin, o chefe das forças armadas, ganharam um estatuto de líderes militares de excepção e são hoje considerados como dos melhores estrategas do século XX. Nasser, o popular presidente do Egipto, tinha sido tremendamente humilhado, ao contrário do que acontecera em 1956, e resignou ao cargo, mas daria meia volta depois de manifestações a seu favor. A Jordânia ficou na prática confinada à Transjordânia. Quanto aos territórios ocupados, e apesar da condenação da ONU (sobretudo dos estados árabes), continuariam na posse de Israel, que argumentou com as necessidades da sua própria protecção. Haveria ainda mais uma guerra, em 1973, até que a paz com o Egipto de Sadat, anos mais tarde, em Camp David, permitiria a devolução do Sinai. Quanto a Gaza, permaneceria ocupada até à retirada unilateral em 2005. Os Montes Golan e a Cisjordânia continuam na posse irredutível de Israel há 50 anos, sem alterações à vista. E os judeus, salvo alguns contratempos provocados pelos vizinhos palestinianos, continuam a poder rezar no Muro das Lamentações.
 
* Agradeço a inspiração à crónica da Antena 1 com o mesmo nome e sobre o mesmo assunto

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24 comentários

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De Einstürzende Neubauten a 18.06.2017 às 09:32

"Quanto aos territórios ocupados, e apesar da condenação da ONU (sobretudo dos estados árabes), continuariam na posse de Israel, que argumentou com as necessidades da sua própria protecção"

Lebensraum

"Quanto aos territórios ocupados, e apesar da condenação da ONU (sobretudo dos estados árabes)"

Israel suspende temporariamente relações com países que aprovaram resolução da ONU

Exemplos de países listados por Israel são Os países listados por Israel são Rússia, França, Espanha, Reino Unido, China, Japão, Egito, Uruguai, Angola, Ucrânia, Senegal e Nova Zelândia.

A resolução 2334, que declara ilegais as colônias em territórios palestinos ocupados, por violarem o direito internacional, recebeu todos os votos a favor –entre os quais o da Espanha, que presidia a sessão–, exceto o dos Estados Unidos

Como diversas organizações da sociedade civil israelense vêm denunciado, a ocupação não só se traduz na asfixia econômica e na humilhação dos palestinos, mas também degrada a própria democracia israelense e deixa ainda mais distante a solução para esse conflito. Por isso precisa parar

"Aqueles que estiverem contra nós serão derrotados porque pagarão um preço diplomático e econômico por suas ações contra Israel”. Invocando o espírito de Judas Macabeu, Netanyahu

Em El País

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De João Pedro Pimenta a 20.06.2017 às 00:52

Israel de 1967 era um país diferente de 2017. Naquela altura, era realmente um país cercado, acossado, e os Montes Golan são uma das poucas fronteiras naturais que tem num território permeável a invasões. Em 1967 havia defensores, não "Falcões".
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De JS a 18.06.2017 às 12:06

Bom texto em invejável, e pouco usual, tom informativo.

Na verdade quanto do politicamente correcto é pró- palestino primário, e anti-semitismo militante da auto-impoluta esquerda ??.

Se o minúsculo Israel tivesse sucumbido perante os seus vizinhos árabes haveria algum respeito pelos então massacrados??.
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De João Ferreira Dias a 18.06.2017 às 12:16

Serviço público na blogosfera.
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De Vento a 18.06.2017 às 13:08

Há pormenores que importam ser acrescentados a esta sua reflexão.

1 - O bloqueio ao estreito de Tiran ocorre como acção preventiva.

2 - Tal acção preventiva remete-nos para o facto de circularem informações, que apontam as secretas soviéticas como autoras das mesmas, de que Israel preparava um ataque em massa. Estas informações estavam correctas.

3 - A causa dessa acção preventiva, para isolar o porto de Aqaba, foi o ataque de Israel em 7 de Abril de 1967 a posições nos Golan. Foi esta provocação que galvanizou e inflamou o mundo Árabe e deu origem ao Pan-arabismo iniciado por Gamal Abdel Nasser.
Nasser também era uma incomodidade quer para franceses, que equipavam militarmente Israel, quer para ingleses que pretendiam uma presença perpétua no Suez. Pois foi este o pai da nacionalização bem sucedida do canal.

Se é certo que a operação israelita levada a efeito para destruir a aviação egípcia em terra determinou o sucesso desta primeira intentona, não menos certo é o facto de com a batalha do Yom Kibur tudo veio a reverter-se em matéria de equilíbrios militares.
Israel, com a vitória na batalha dos 6 dias, pela primeira vez teve em sua posse uma "arma" negocial: terras. Foi isto que ocorreu com a paz feita com Sadat, isto é, a troca de terra por Paz.

Desde 1973, com o emergir também da crise do petróleo, o médio oriente e o mundo não mais foram os mesmos.
A Israel só lhe resta uma alternativa futura: colaborar com o Estado palestiniano que necessariamente surgirá, e compreender que no Irão não poderá ocorrer a estratégia das subversivas fragmentações de países, com a conivência dos EUA, por um lado, e de países europeus, por outro, que têm sido levadas a efeito.
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De Vento a 19.06.2017 às 10:37

Onde está escrito Yom Kibur, por favor, leia-se Yom Kippur (o dia do perdão).
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De João Pedro Pimenta a 20.06.2017 às 01:19

É verdade que foram os soviéticos que deram informações de uma possível invasão de Israel à Síria, e que já tinha havido ataques aos Golan. Mas eram sobretudo de retaliação contra as incursões de guerrilheiros palestinianos e os tiros que eram disparados sobre território de Israel por posições sírias, precisamente auxiliadas por instrutores soviéticos. Mas aparentemente não haveria qualquer plano de invasão, pelo que as informações prestadas ao Egipto foram empoladas.
Quanto ao pan-arabismo de Nasser, já tinha tido início antes, nos anos 50. A nacionalização do Suez era um dado adquirido, e o desfecho da guerra de 1956 tinha servido tanto a Israel como ao Egipto. Por isso é que houve a tentativa falhada ao fim de pouco tempo de uma confederação com a Síria e o Yemen. A estrela de Nasser só começou a empalidecer precisamente em 1967. E se no Yon Kippur Israel ia perdendo a vantagem, a verdade é que nos trinta anos seguintes a situação no território desanuviou-se visivelmente. Como escrevi em cima, quem dirigia Israel em 1967 era bem diferente de quem dirige em 2017.
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De Vento a 20.06.2017 às 11:13

Hoje existem elementos que provam que Israel estava a preparar o assalto, e levou-o a efeito.
A questão também tinha que ver com o desvio das águas do Jordão, que são de importância capital para todos nessa região.
O ensaio sobre o Pan-arabismo já tinha existido antes. Mas a acção israelita nos Golan galvanizou as forças contrárias.
Que fique claro que o ataque preventivo não surge com Israel. Foi Israel que deu oportunidade a que preventivamente se isolasse o porto de Aqaba.

No contexto internacional, os franceses eram inimigos de Nasser, pois este apoiava a revolta na Argélia e os ingleses também tinham os seus interesses.
A nacionalização do Suez só foi um dado adquirido com Nasser. Antes só estava no papel e seria dilatada no tempo. Havia acordo mas não havia conforto.

Nasser pretendeu resignar, pois a aviação egípcia destruída no solo por Israel permitiu o avanço das tropas no Sinai. Aliás, foi isto mesmo que Israel devolveu a Sadat no Yom Kippur.

Sim, hoje Israel também tem líderes muito fracos. Desde há muito deviam ter compreendido que o movimento de resistência na palestina jamais seria derrotado militarmente. Arafat provou-o.
Israel através da chantagem emocional em torno do holocausto e da shoa procurou capitalizar apoios em torno de políticas agressivas desde o início da formação do Estado. Foram eles inicialmente os agressores.
Sendo eles um estado falido só podem ser um joguete nas mãos de outros. É a América que sustenta Israel, em especial com o apoio que vão recebendo dos evangélicos. E isto não vai durar muito mais.
A situação nunca se desanuviou. As tácticas é que foram mudando. Esquece-se da operação Entebe. Esquece-se da operação em Munique. Esquece o Líbano.

Israel perdeu a força moral, e agora também perdeu a vantagem militar. O facto de ser uma potência regional nuclear não lhe dá vantagem alguma. O dia em que tentar usar esse armamento será varrido do mapa.
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De João Pedro Pimenta a 20.06.2017 às 15:17

Não sei que "elementos" probatórios são esses, mas não tenho qualquer indicação disso. O que havia era escaramuças fronteiriças, muitas vezes iniciadas por guerrilheiros palestinianos fomentados pelo Líbano.
Quanto a "ser varrido do mapa", há quase 70 anos que muitos o sustentam e falharam. Não era possível Israel resistir e resistiu. O Egipto demorou 30 anos a perceber isso e a usar outra abordagem, e Sadat pagou com a vida, tal como Rabin pagou com a dele (já agora, o Egipto recebe um apoio económico dos EUA tão grande como o de Israel, e não são bem os evangélicos que apoiam o estado judaico; estão aliás divididos quanto a isso, e o que não faltam são progressistas americanos que dão todo o apoio). E se falamos da resistência palestiniana inquebrável, o mesmo podemos dizer de Israel. Aliás, foi exactamente por isso as operações que nomeou tiveram lugar. Nenhuma delas resultou de uma acção em que os israelitas tivessem tido a iniciativa, mas antes de respostas musculadas a acções de grupos palestinianos - acções terroristas, entenda-se, muitas vezes patrocinadas por outros estados, como a Líbia.
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De Vento a 20.06.2017 às 16:55

Aprendi desde do colo de minha mãe sobre a saga dos judeus, bem como o que sucedeu desde a criação desse estado.
Parte da comunidade judaica está consciente da preparação desse ataque, e reconhece a ofensiva.
"O primeiro passo para o desencadear da guerra deu-se em 7 de Abril de 1967 quando Israel lançou um ataque contra posições da artilharia inimiga e bases de resistência e Montes Golã."

Aqui: http://www.eitan.com.br/Guerra%20dos%20Seis%20Dias.pdf

https://www.youtube.com/watch?v=0WKfgdqSjHI

https://www.youtube.com/watch?v=7BT_M1mS05U

https://www.youtube.com/watch?v=cjd_JGGxRTo

https://www.youtube.com/watch?v=eV0aHbBWKWg

https://www.youtube.com/watch?v=qAc0W57Tkvg

Meu caro, romancear é fácil. Israel é um estado que dá muito jeito a várias industrias, em particular as militares. O desmantelamento de outros países compensa a ajuda para este canalizadas. Israel presentemente não é um estado, é uma organização offshore.
Têm direito a existir como estado? Têm, de forma decente.
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De João Pedro Pimenta a 21.06.2017 às 20:45

O texto que apresentou aqui em pouco contraria o que escrevi, excepto o facto de dizerem que as informações enviadas pela URSS à Síria estavam correctas, coisa que não tem ponto de sustentabilidade nem nada que o comprove. A única coisa certa é que Israel realizou operações na Síria para destruir focos de instabilidade e de ataque ao seu território. E que eu saiba, quem ameaçava de desaparecimento e já tinha procedido a invasões era a Síria, não Israel. Mas tem razão, romancear é fácil.

Quanto à "organização off-shore" e às obrigações enquanto estado, aplica-se da mesmíssima forma a muitos outros, a começar pelos vizinhos. Como a Síria, cujo regime, mesmo sem ser por razões de auto-defesa anda a matar os seus concidadãos há anos. E o regime militar do Egipto? E Erdogan e as suas prisões em massa e o tratamento devido aos curdos? E a Rússia, anexando a Crimeia e ocupando terras ucranianas por interpostas milícias? Em alguns desses estados há mais democracia do que em Israel? As suas acções são em muitos pontos criticáveis, como na questão dos colonatos, mas não é por isso que tem menos direito à existência do que os outros.
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De Vento a 22.06.2017 às 10:54

O meu caro contrapõe a minha afirmação, aceitando-a, sobre Israel ser uma organização offshore, que na realidade é, para mal de seus habitantes quer no presente quer no futuro, afirmando que outros também o são.
Meu caro a diferença resulta no seguinte:
Israel é uma organização offshore por opção. E alguns desses (Síria e Egipto), fruto do desmantelamento de seus regimes, com a conivência da offshore israelita, por razões também geopolíticas, são obrigados a depender de políticas externas.
Recordo-lhe que a Síria e o Egipto possuíam um território legitimo e um estado legitimo, Israel possui um território tomado e um estado disfarçado.
Recordo também que a irmandade islâmica ganhou as eleições no Egipto. E a actual política do Egipto, juntamente com a de seus parceiros, não passa de uma fuga para a frente. Você entende que a "democracia" só é legitima em Israel.
Você pretende desviar o tema para legitimar o que não é legitimo.
Já lhe respondi que Israel tem direito a existir como estado, mas de forma decente. Como a indecência surgiu logo no início, com a conivência de potências externas, é normal que seja difícil travá-la. Mas não é impossível.

Por último, as secretas soviéticas, tal como as actuais secretas russas, nunca confirmam nem desmentem informações. É regra deles. O que confirma a certeza dessas informações foi o ataque israelita a 6 de Abril de 1967 que levou a que preventivamente fosse encerrado o estreito de Tiran para isolar o porto de Aqaba.
Foi Israel o agressor, assim como foram eles que desencadearam acções terroristas antes da declaração do estado de Israel e logo após. Associar estas barbaridades ao que aconteceu ao povo judeu com o holocausto e a tentativa da shoa é pura chantagem emocional para encobrir acções perversas.

Por último, no Yom Kippur foi possível negociar com o Egipto porque os soviéticos, após o envio de ajuda militar por parte dos EUA, disseram que tomariam posições no terreno. Perante a possibilidade de uma guerra entre soviéticos e americanos optou-se por abrandar os ânimos.

O seu romance seria legítimo se tivesse como base o conjunto e não a parte. Parece-se antes com propaganda sionista.
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De João Pedro Pimenta a 22.06.2017 às 18:38

Eu nunca disse que Israel era uma organização off-shore. Isso são palavras suas. Assim como as suas contradições; ora diz que Israel é um estado ilegítimo, ora diz que é legal. Porque é que a Síria, uma mera construção artificial do pós-I Guerra e uma amálgama de povos, será legal? E o Egipto, já agora, que resultou do estado dos mamelucos e das lutas entre turcos e ingleses? Onde é que eu disse que a vitória da Irmandade Islâmica era ilegítima? Não me diga que foram os israelitas que puseram Sisi no poder?

E diga-me lá, vem afirmar que se preparava uma invasão de Israel com base nas informações soviéticas para depois dizer que não tem qualquer prova disso, excepto umas escaramuças anteriores (que em nada se assemelharam a uma invasão), para logo a seguir insinuar que invoquei o Holocausto como "chantagem perversa"? Mas onde é que eu me referi ao Holocausto? Em lugar de me atribuir palavras que não teclei nem que "romanceei", talvez fosse melhor consultar novas fontes e não vir com suposições ideológicas. E mais intelectualmente honesto.

Já quanto aos seus vídeos, não tenho tempo nem paciência para ver tudo, mas pelas amostras veja lá quantos são de fundamentalistas islâmicos que não hesitam em pôr coisas como "Islam Will Win" e outras preciosidades. Sim, há aí ampla matéria anti-semita. Aliás, se me acusa de "sionista" (coisa que não sou mas que não considero de modo algum um insulto), tenho toda a legitimidade de o considerar como tal, sobretudo depois de considerar que Israel é sempre o agressor, mesmo perante forças que declaradamente o queriam extinguir. Olhe que em 1948 nem o KGB, pelos vistos uma inspiração para si, dizia isso.
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De Vento a 22.06.2017 às 21:40

Sim, a palavra offshore é minha. Mas você insinua essa mesma aceitação apontando outros nessa mesma adjectivação.
Não há contradição: uma coisa é eu afirmar que Israel tem direito a existir enquanto estado, mas não é legitimo o estado de Israel. Porque tem por base território tomado desde do inicio da proclamação. Como tal, funcionando em regime offshore, a sua condição não beneficia nem a comunidade local/regional, incluindo os próprios cidadãos, nem a comunidade internacional.

Nunca a Síria nem o Egipto se viram em situações de confronto por causa de território ocupado a outrem. As outrora civilizações do vale do Nilo, cuja parte sul do Egipto é hoje composta pelo Sudão, Eritreia, Somália e Etiópia, não reivindicam espaço eventualmente tomado. No Império Novo o Egipto não só consolida sua civilização como também consolida suas fronteiras. Recordo que o Sinai faz parte do Egipto a partir deste período. Não preciso dizer-lhe que, não obstante as diferentes invasões, o Egipto possui uma coesão cultural, territorial e científica, mesmo com outros povos habitando seu território. E a organização do Egipto actual jamais foi contestada por outros povos.

Síria: foi estabelecida logo após a I Guerra Mundial sob mandato francês. Possui uma história riquíssima e a sua capital é das mais antigas cidades habitadas do mundo. Era conhecida pelo Levante. Após a independência, em 1945, manteve várias culturas e religiões: sunitas, cristãos, yazidis, alauitas, drusos e mandeus. Nenhum destes grupos, apesar dos árabes sunitas serem a maioria, reivindicou ou tomou território.

A história dos hebreus, passantes, é uma história de constantes confrontos não só com os povos da região bem como entre si constituíram-se sangrentas represálias. É uma contínua história de ocupações e lutas por territórios, sem esquecer a conquista de Jericó, após a travessia pelo deserto, situada na Palestina dando lugar a um período conturbado de 200 anos conhecido na Bíblia por JUÍZES, que terminou posteriormente com o cisma das 10 tribos do norte que se separaram da de Juda e Benjamin.
O rei Salomão, que estabelece uma aliança com o Egipto e com Tiro, e por isto mesmo, foi o único capaz de trazer alguma paz e prosperidade à região por estes habitadas. Mas em regra era um povo com líderes preconceituosos, gananciosos por terras e por se considerarem um povo de eleição estavam em constantes antagonismos com os demais.
A formação do proclamado estado de Israel vem em sequência à tradição.

Você também não entendeu que essa situação que denomina de "escaramuças" foi o que desencadeou a acção preventiva por parte de Nasser e corroborou as informações que circulavam. E você diz que o ataque israelita é que foi preventivo. É mentira.
Mostrei-lhe a sequência dos acontecimentos, e você pretende enredar-se em conjecturas para desviar a atenção do essencial, que era tema de seu romance.
Você não se referiu ao Holocausto, fui eu que o referi por ser parte da propaganda sionista para legitimar o que é ilegítimo. Procurei distinguir as situações e alertar para a falsa chantagem emocional.

Vejo que fica um bocado confuso quando lhe demonstram que os seus pergaminhos estão mal romanceados, e vê propaganda anti-semita onde ela não existe. Refira onde encontrou tal propaganda nos vídeos que anexei. Link um desses vídeos e mostre-nos em que minuto se encontra.
Mas suponhamos que viu em algum sitio algo em que se afirma que o Islão vencerá. Que tem de propaganda anti-semita essa afirmação? Por essa lógica, também poderia ser anti-cristã ou anti-árabe.
Se eu afirmar que, por fim, Jesus vencerá. Vê aqui alguma propaganda anti-semita? Se vê, então, que seja propaganda anti-semita.
Eu disse que o seu texto parece-se com propaganda sionista. Se você o é, pouco me importa. Importa antes referir que a construção desse texto assenta numa mentira.
Uma coisa é admitir-se o equívoco, outra coisa é fanaticamente afirmar de "escaramuça" uma agressão que desencadeou todo um processo. E que ninguém nega. Honestidade intelectual tem de ser você a revelar. Mas admito que ainda necessite de tempo para que esteja na posse de conhecimentos para poder formular uma opinião intelectualmente honesta nesta matéria, e também que seja capaz de interpretar o que se escreve.
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De João Pedro Pimenta a 23.06.2017 às 20:01

Já vi que gosta de jogar aos sofismas- Olhe para este: "Você também não entendeu que essa situação que denomina de "escaramuças" foi o que desencadeou a acção preventiva por parte de Nasser e corroborou as informações que circulavam. E você diz que o ataque israelita é que foi preventivo. É mentira."

É porquê? Porque um site brasileiro diz que eram verdade? Mais acima disse que "Hoje existem elementos que provam que Israel estava a preparar o assalto, e levou-o a efeito". Que elementos são esses que "hoje" se sabe e antes não sabiam? Aparentemente, " as secretas soviéticas, tal como as actuais secretas russas, nunca confirmam nem desmentem informações (...) O que confirma a certeza dessas informações foi o ataque israelita a 6 de Abril de 1967". Na sua opinião, as informações estavam correctas embora sem qualquer confirmação e os "dados que se sabem hoje" é o tal ataque, que ou permaneceu em segredo ou então há aí sérias falhas na sua fundamentação. Mas eu é que estou a "romancear" ou tenho de "reconhecer o meu equívoco".

Os países vizinhos: a Síria, tal como o Líbano e o Iraque, são uma amálgama de povos em estados criados artificialmente ao sabor dos administradores coloniais da época. E a prova de que o são e que as suas populações não são assim tão pacíficas é que o primeiro, apesar de tudo o que tinha mais condições, esteve envolvido numa terrível guerra civil e passa por momentos latentes de instabilidade; o Iraque oprimiu os xiitas e os curdos e agora afastou os sunitas, e a Síria basta olhar para o que se passa. Estes dois últimos aguentaram-se com lideranças brutais e opressoras, o único cimento de um nacionalismo artificial.
E se formos às condições sine qua non que aqui expõe, que vão quase À Antiguidade, então o Egipto também está controlado por árabes invasores. Aliás, podemos recuar umas décadas para encontrar uma Alexandria em que metade da população era cristã (de várias de denominações, é certo). Os judeus, por exemplo, não estão lá porquê?

E aproveitando esta frase, vá ver mais vídeos do autor do primeiro que aqui pôs e diga-me coisas. O segundo é essencialmente uma das várias visões religiosas que se opõe ao sionismo e que está longe de ser a predominante - até porque o sionismo é essencialmente secular. Depois, temos um "documentário" da BBC com o encantador título "Israel começou todas as guerras". Uma mentira desavergonhada, se me permite, e acho que aí não se pode negar o tom panfletário da coisa. E outros ainda com teorias do "controlo do governo americano pelos judeus". Só falta mesmo o filme do Judeu Suss ou a "conspiração judaico-maçónica. Enfim...
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De Vento a 24.06.2017 às 00:16

Não meu caro, agora é que vamos dançar o tango. Estava à sua espera. Se abro o jogo de início teria mais dificuldade em provar que você ignora a matéria. Não foi porque o site brasileiro o disse. É porque tenho mais informação que você. Vamos lá então a registos históricos, por exemplo "War is Boring":

"According to the Israelis, the April 1967 air battle followed a long series of Syrian provocations. But years later, Moshe Dayan — the Israeli defense minister at the time — explained that at least 80 percent of the clashes between Israel and Syria in the 1960s were actually provoked by Israel, bowing to pressure from settlers hoping to occupy the Golan.

More recently, Israeli scholars have revealed the extent of Israeli preparations for war, making it clear that what were ostensibly Israeli reactions to Syrian attacks were, in fact, pre-planned operations.

In other words, it was Israel’s intention all along to invade and occupy the Golan. Thus Israel bears much of the responsibility for instigating the Six Day War. “In June 1967, we again had a choice,” said Menachem Begin, Israeli prime minister from 1977 t0 1983. “We must be honest to ourselves. We decided to attack.”

Ver aqui:
http://warisboring.com/no-israel-wasnt-fighting-for-its-existence-in-1967/

Ver aqui a partir do minuto 7:56, dito e citado por Norman Finkelstein:
https://www.youtube.com/watch?v=Pjq5YC5JzEw

Nota: Veja também a afirmação do historiador israelita Ami Gluska neste mesmo vídeo a partir do minuto 9:58. Eu cito: "The Soviet Assessment from mid-may 1967 that Israel was about to strike at Syria was correct and well founded".


Vamos agora às afirmações de Rabin:
"Yitzhak Rabin, who would later become Prime Minister, told Le Monde the year following the ’67 war, “I do not think Nasser wanted war. The two divisions which he sent to the Sinai, on May 14, would not have been sufficient to start an offensive against Israel. He knew it and we knew it.”

e de Menachem Begin:
"Israeli Prime Minister Menachem Begin acknowledged in a speech in 1982 that its war on Egypt in 1956 was a war of “choice” and that, “In June 1967 we again had a choice. The Egyptian army concentrations in the Sinai approaches do not prove that Nasser was really about to attack us. We must be honest with ourselves. We decided to attack him.”

Mais: "The current Israeli Ambassador to the U.S., Michael B. Oren, acknowledged in his book “Six Days of War“, widely regarded as the definitive account of the war, that “By all reports Israel received from the Americans, and according to its own intelligence, Nasser had no interest in bloodshed”.

Ver a entrevista a Michael B. Oren, aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=VosVRTGWSBk

Mas também aqui:
https://www.foreignpolicyjournal.com/2010/07/04/israels-attack-on-egypt-in-june-67-was-not-preemptive/
Veja também aqui, no web site da CIA, a análise por estes feita à guerra dos 6 dias:
https://www.cia.gov/library/center-for-the-study-of-intelligence/csi-publications/csi-studies/studies/vol49no1/html_files/arab_israeli_war_1.html

Tive o gosto de lhe oferecer a leitura feita por pessoas israelitas, quer académicos quer citações de políticos e militares de então. E estou disponível, também com muito gosto, para revelar-lhe que não entende nada do assunto e que debita frases no ar que não colam em segmento algum. Lamento não poder enviar-lhe os livros, mas pode adquiri-los.
Deixei também o nome dos livros e dos historiadores israelitas. As imagens possuem maior capacidade de levar as mensagens, por isso uso os vídeos.

O resto é a continuação do seu romance para desviar as atenções do essencial. Mas podemos ir lá mais à frente.
Agora estou empenhado em revelar-lhe informações que o tornem mais versado no contexto. E continuarei a ir devagar.
Espero por si.
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De João Pedro Pimenta a 27.06.2017 às 00:01

Meu caro, não duvido que tenha boa bibliografia sobre o assunto. Mas, para além de me ter dito coisas que não colavam e eram mesmo contraditórias, ficou-se por aí. Não percebo porque é que se deixou enredar em frases em nexo em lugar de apresentar outros argumentos.

Quanto ao que me deixa, saiba, desde já, que não me limitei a ver meia dúzia de coisas tiradas da net para resumir os Seis Dias, e como sabe, resumir é sempre mais complicado que explanar. Só que a minha bibliografia é mais francófona (a colecção Marabout continua a ser muita boa, ainda que certos pontos já estejam datados, mas há mais). Por isso, lamento desapontá-lo, mas esse "não entende nada do assunto" e as "frases no ar" não pegam". Até porque já o estudo há uns bons anos, e daí ter lembrado a efeméride.

Os israelitas pretendiam talvez ocupar os Golan (e daí os ataques em Abril de 67)? Possível. Aliás, escrevi no texto que "em 1967, precisamente por receio de um ataque israelita à Síria, o Egipto exigiu a retirada das tropas da ONU presentes no Sinai desde 1956, iniciando um bloqueio ao estreito de Tiran..." Admito perfeitamente isso, até porque os Golan, como também escrevi, eram uma zona de onde frequentemente partiam expedições de fedayin palestinianos, bombardeamentos esporádicos a kibutzin próximos e, obviamente, uma zona tampão por causa da ortografia elevada em territórios baixos. Só que não pretendia invadir nem o Sinai nem sequer a Cisjordânia (embora essa fosse a intenção de alguns). No texto que deixou refere que os soviéticos não pretendiam uma guerra e que o seu relatório não implicava isso. Mas permitiu que os egípcios bloqueassem Tiran e que conseguissem a retirada das tropas da ONU do Sinai, o que implicitamente era uma ameaça séria. Rabin fala das forças egípcias em determinado dia, mas a invasão dá-se precisamente para evitar um ataque futuro, antes que o Egipto aumentasse o seu poder de fogo na região. E o mesmo se diga de Begin. Ou seja, Israel faz um ataque em massa e preventivo para evitar acções futuras. Ou acha que as exigências de saída da ONU do Sinai eram assim tão pacíficas (quando o natural para quem tanto preza a paz seria querer que elas ficassem)? Basta ver os discursos egípcios logo em Maio, em que afirmavam estarem prontos para a guerra e que seria a destruição de Israel. Já tinha acontecido em 1948, lembra-se (obviamente excluo 1956, em que aí sim, houve o auxílio israelita À intervenção anglo-francesa)? E não esquecer do auxílio aos guerrilheiros de Gaza, que não poucas vezes também faziam as suas incursões em território israelita. Pode ver algumas declarações aqui, por exemplo (http://www.sixdaywar.co.uk/crucial_quotes.htm).

E já agora, as informações prestadas pelos soviéticos também consideravam que Israel não se ficaria pelos Golan e que pretendia ocupar Damasco. E repetiu no termo da guerra, ameaçando com uma intervenção própria. Se Moscovo não pretendia a guerra, é crível que pretendesse ainda mais a divisão dos campos por razões estratégicas (veja aqui o pretexto e um certo bluff que se criou: https://www.theguardian.com/world/2000/jun/10/israel1).
Já agora, repare que até a reportagem dos 50 anos da guerra na Al-Jazeera duvida dos relatórios soviéticos (https://www.theguardian.com/world/2000/jun/10/israel1).

Acho que ficou claro que Israel não é assim tão terrível agressor como quer fazer crer. Ou pelo menos não é sempre. A não ser que considere que a "destruição do estado sionista" é legítima e aí já não sei que lhe diga.
E se quer continuar a discutir faça o favor de na próxima vez deixar esse tom pesporrento, de considerar que os outros "não entendem nada" só porque não vão aos mesmos canais de Youtube.
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De João Pedro Pimenta a 21.06.2017 às 20:51

Ah, mais uma coisa: para quem fala em "romancear", a catrefada de vídeos puramente anti-semitas e teóricos da conspiração é digna de um Dan Brown de terceira. E noto que alguns deles são pura propaganda islamita. Imensamente didácticos.
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De Vento a 22.06.2017 às 10:10

Bem, o seu problema é mesmo romancear. E à falta de argumento, em tom de remate, não podia faltar o anti-semitismo. Dá sempre jeito. Mas não me intimida, porque mantenho integralmente o que reproduzi e também afirmo o que anexei.
Diga em qual dos vídeos encontra essa reacção anti-semita. Na informação da agência judaica no Brasil?
No vídeo onde também participam académicos hebreus sobre a forma como se constituiu o estado de Israel e se dá conta da atitude dos ingleses?
No vídeo onde judeus expõem sua opinião distinguindo o sionismo do judaísmo?
No documentário da BBC?
No vídeo sobre o financiamento do estado de Israel?
No vídeo sobre a posição das diferentes famílias judaicas nas mais diversas dimensões da governação americana.
O meu caro mostrou ao que vem e comprova que apliquei bem o termo romance.
Mas vou também à outra sua resposta.
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De jo a 18.06.2017 às 15:44

"Quanto a Gaza, permaneceria ocupada até à retirada unilateral em 2005".

Dizer que Gaza não está ocupada quando não controla as próprias fronteiras é um eufemismo.

Nunca compreendi o estatuto dos territórios palestinianos.
Não são um estado independente, não podem ter exército nem controlar as próprias fronteiras.
Também não são parte de Israel, que não considera os seus habitantes cidadãos.
São o quê? A reserva de caça do exército israelita?

O que é curioso é que Israel se vende como um país democrático. Isto embora grande parte da população que controla de facto não ter direitos.
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De João Pedro Pimenta a 20.06.2017 às 01:28

É um território com autonomia, dividido em dois (cada um com um governo diferente) reconhecido por alguns como estado, com estatuto de observador na ONU. Resumindo, é isto. A Faixa de Gaza é um problema particularmente complicado, quer por ser dominada por um movimento que quer extinguir Israel, quer pela enorme densidade populacional, quer ainda por estar cercada pelos israelitas, e quando lhes convém, pelos egípcios. Mas não está ocupada, ou melhor, está pelo Hamas, que expulsou a Fatah e assumiu o controlo total de Gaza. Quanto a Israel, não vejo problema nenhum em ser considerada uma democracia, já que até partidos árabes têm representação parlamentar.
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De Luís Lavoura a 19.06.2017 às 10:41

Um tal bloqueio, impedindo a livre circulação marítima de um estado, era uma declaração de guerra implícita.

O autor do post subscreve acriticamente a posição de Israel.

Ainda agora a Arábia Saudita bloqueou o Qatar. Isso foi uma declaração de guerra implícita? Não me parece.

Tem havido montes de bloqueios por este mundo fora, que não são interpretados como declarações de guerra.

Israel viu-se forçada a actuar

Mais uma vez, o autor do post subscreve acriticamente a posição de Israel. Uma forma neutral de pôr a coisa seria "Israel decidiu atuar".
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De João Pedro Pimenta a 20.06.2017 às 01:35

Se quiser digo de outra maneira: era uma declaração de guerra implícita porque a intenção confessada era mesma a de "estrangular Israel". E a comparação com o bloqueio ao Qatar não faz o menor sentido. Que eu saiba, o Qatar não ficou com as suas via marítimas cortadas. Ninguém pode obrigar a Arábia Saudita a reabrir as fronteiras terrestres. E ainda é cedo para se avaliar se haverá ou não um "casus belli".
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De Luís Lavoura a 20.06.2017 às 09:15

Israel jamais ficaria estrangulado ou com as fronteiras marítimas cortadas, porque tinha acesso ao Mediterrâneo. Certamente Eilat é um porto importante, mas Haifa é-o muitíssimo mais.

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