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Sede Vacante

por Diogo Noivo, em 27.06.17

ConstancaUrbanodeSousa2017.jpg

 

Nunca um incêndio cobrou tantas vidas em Portugal. Trata-se de um dos incêndios mais mortíferos à escala mundial desde o ano 1900. Este facto é suficiente para justificar a demissão da titular da pasta da Administração Interna. A ocorrer, a demissão não será uma assumpção de responsabilidades políticas, mas sim uma mostra de decoro, de respeito institucional e de salvaguarda da autoridade do Estado.
A demissão da Ministra Constança Urbano de Sousa torna-se ainda mais premente se tivermos em conta os antecedentes. No ano passado, enquanto o país ardia, a Ministra da Administração Interna andou em parte incerta até aparecer a debutar numa festa organizada por uma revista cor-de-rosa. Como escrevi na altura, não estava em causa o legítimo direito a férias. Estava sim em causa a responsabilidade institucional inerente às funções de Ministro da Administração Interna, responsabilidade essa que Constança Urbano de Sousa manifestamente não entendeu. Depois de aparecer em público tarde e mal, a Ministra espraiou-se em declarações tão populistas como toscas, típicas de quem pretende usar os piores sentimentos que a raiva e o desespero suscitam nas vítimas de um incêndio para isentar-se de explicações.
Mandava a prudência e esperava-se da capacidade de aprendizagem da Ministra que as coisas corressem melhor este ano. Ilusões. Com o fogo a consumir floresta e a ceifar vidas, a primeira despesa política do Governo foi feita pelo Secretário de Estado da Administração Interna que, mais tarde, aquando da chegada do Presidente da República ao local, foi literalmente empurrado para fora do alcance das objectivas por uma Ministra preocupadíssima com a sua visibilidade. Tal como no ano passado, Constança Urbano de Sousa aparece em público tarde e mal. E tal como no ano passado, este ano a Ministra foi fértil em declarações que mais não são do que uma tentativa de se furtar a responsabilidades. O essencial das declarações já aqui foi comentado pelo Pedro Correia. Falta apenas referir o óbvio em relação a estas palavras: Senhora Ministra, dar a cara não é incompatível com a sua demissão. Como se tudo isto não bastasse, os problemas no terreno foram evidentes para quem conheça minimamente a área da Administração Interna. O avião que caiu sem cair e os militares da GNR sem informação são dois de vários episódios a expor graves problemas de coordenação de informação no terreno.
Constança Urbano de Sousa começou o seu mandato ávida de protagonismo, sobretudo em assuntos relacionados com terrorismo (matéria sobre a qual tem poucas competências) e com Serviços de Informações (matéria que não lhe compete de todo). Já no que respeita a combate a incêndios, um dossier que sim tutela, a Ministra mostra severa e reiterada incompetência institucional. A sua demissão não será movida pela assumpção de responsabilidades políticas. Será movida por inimputabilidade.
A Ministra perdeu toda a autoridade por culpa própria, em parte devido à incapacidade de compreender que debutar e governar não são sinónimos. Por isso, mesmo que continue agarrada ao lugar, o Ministério da Administração Interna encontra-se em estado de sede vacante.

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5 comentários

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De Luís Lavoura a 27.06.2017 às 10:34

um dos incêndios mais mortíferos à escala mundial desde o ano 1900. Este facto é suficiente para justificar a demissão

Tem graça, poucos dias antes tinha havido em Londres um incêndio bem mais mortífero (na torre Grenfell) e, que eu saiba (posso estar mal informado), ninguém se demitiu por causa dele.
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De Nuno a 27.06.2017 às 11:59

O WTC também foi mortífero, e não se demitiram políticos por ter acontecido.

Não é a dimensão da catástrofe que leva à demissão, é a forma como a ministra respondeu a esta catástrofe (bem como à anterior).

Os serviços que a ministra tutela falharam nesta catástrofe. A ministra em vez de assumir a responsabilidade por esse falhanço, lamentar o sucedido e assegurar que essas falhas seriam investigadas, passou o tempo a queixar-se da meteorologia, da inevitabilidade de tudo, e do difícil que esta situação era para ela.

Demorou mais de uma semana a pedir um inquérito aos seus serviços. Isto depois de ser desautorizada por um PM que veio directamente pedir esclarecimentos públicos aos serviços da pasta que tutela. Sede vacante, de facto.

Se houvesse razoabilidade, a ministra saia, empurrada ou pelo seu próprio pé. Mas razoabilidade é coisa que não existe, nem da parte da ministra, nem do PM, nem do PR.

PS: entretanto, jornalistas e oposição, tão necessários para fiscalizar o regime, andam entretidos a dar tiros nos pés. Deprimente este país.
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De Pedro Correia a 27.06.2017 às 13:40

Como de costume.
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De Costa a 27.06.2017 às 15:12

Mal informado, como de costume. Ou apenas, perdida a vergonha, repetindo muitas vezes uma coisa, até que se torne verdade. Porque são muito, muitos mais os portugueses que seguem os Lavouras do que aqueles que têm o hábito de frequentar a BBC ou outras fontes não inquinadas pelo jacobinismo reinante.

E os Lavouras sabem disso. Não temem muito, receio.

Costa

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