Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Se eu votasse nas eleições holandesas

por João André, em 14.03.17

Vivo na Holanda, directa (registado como tal) ou indirectamente (registado noutro país mas tendo o domicílio familiar no país) desde Dezembro de 2003. Isto dá-me a possibilidade de conhecer o país um pouco mais que a generalidade dos portugueses e compreender aceitavelmente a sociedade do país. Não me arvoro em especialista. Há coisas nos holandeses que nunca entenderei. Há particularidades de que desgosto profundamente e, confesso, só não estou fora do país porque circunstâncias familiares têm conspirado para que isso não suceda.

 

Isto não quer dizer que a Holanda seja um país mau. Pelo contrário. É ordeiro, com baixos índices de criminalidade, ruas limpas, pessoas essencialmente educadas, muito pouca pobreza, bons sistemas sociais, etc. Se uma pessoa aceita os preceitos sociais (e o clima), o país é excelente para viver e será mesmo dos melhores possíveis. Só acontece que não se coaduna com a minha personalidade.

 

É por isso que nunca pedi a nacionalidade holandesa, apesar de ser capaz de preencher todos os requisitos para tal. Por isso e porque para o fazer teria que perder a nacionalidade portuguesa, algo que não contemplo em favor da holandesa. Se tivesse a nacionalidade, teria amanhã a possibilidade de votar nas eleições holandesas.

 

 

As eleições

Não farei nenhuma análise detalhada das eleições. Não vale a pena e há muitos meios melhores para o fazer, com análises independentes ou ao sabor de preferências político-ideológicas. O panorama político holandês é algo suis generis com o seu círculo único nacional e representação independente a permitir que os partidos elejam deputados com votações muito baixas. O actual panorama político está altamente fragmentado, com 28 partidos, o que no actual sentimento de revolta contra os partidos tradicionais garante que nenhum partido poderá governar sem uma larga coligação.

 

Até recentemente o partido que vinha a liderar as sondagens era o PVV (Partij Voor de Vrijheid, Partido da Liberdade) de Geert Wilders. Mais recentemente parece ter perdido a liderança nas sondagens para o VVD (Volkspartij voor Vrijheid en Democratie, Partido Popular para a Liberdade e Democracia), liderado pelo actual primeiro-ministro, Mark Rutte. As sondagens valem o que valem e hoje em dia isto ainda será mais verdade que no passado, mas o PVV tem uma história de desempenhos piores nas eleições que em sondagens. O seu declínio recente estará também muito ligado à recusa de Wilders em fazer campanha após indicações de riscos para a sua segurança (há já mais de uma década que vive sob protecção policial 24 horas por dia).

 

Isto no entanto poderá convir a Wilders. Ele sabe que nenhum partido estará interessado em governar com ele (ou sequer com o seu apoio). No passado o PVV deu apoio parlamentar a outro governo para o retirar quando lhe conviu. O PVV é um partido de protesto e estar ligado ao governo não lhe interessa, a não ser que possa fazê-lo sem necessidade de coligações.

 

Estas eleições estão marcadas essencialmente pelo assunto da emigração. Rutte escreveu recentemente uma carta aberta onde convidava os estrangeiros que não aceitassem os "valores holandeses" a saírem. Wilders tem vindo a radicalizar-se cada vez mais nos últimos anos e a simplificar ao máximo o seu pensamento (sic). O seu manifesto eleitoral tinha uma simples página, nenhum detalhe e apenas apresentava valores contrários à democracia e liberdade.

 

Falar destas eleições obriga a falar do PVV. E falando do PVV temos que falar de Wilders, uma vez que aquele não existe sem este. Wilders saiu do VVD quando se começou a radicalizar e fundou um partido que é uma fundação e tem apenas um membro: ele próprio. Os outros "membros" do PVV são apenas figuras de cera que levantam o braço quando Wilders ordena e provavelmente não terão opinião própria sem Wilders a sancionar. O próprio Wilders, que faz campanhas sob a égide de ser "diferente", é dos deputados com mais tempo de parlamento, não tendo tido qualquer existência fora da política. É um amontoado de ódio, populismo (no passado, além dos muçulmanos, insurgiu-se contra os polacos) e contradições.

 

O VVD para mim não é excepcionalmente melhor. Rutte tem derivado fortemente para a direita e para posições populistas, de que a carta é um exemplo. Num país que conseguiu conter uma crise crescente (apesar de beneficiar imensamente da política do BCE), tem baixo desemprego, está em crescimento e continua a inovar, Rutte não deveria estar a preocupar-se em ocupar o território de Wilders. Deveria antes explicar aquilo que está a correr bem e aquilo que está em causa votando na xenofobia do PVV. Só que os seus instintos, que também ficaram bem à vista com as suas atitudes perante a crise do Euro, não vão nesse sentido.

 

Após as eleições Rutte poderá ter que acabar a escolher entre o PVV ou o GroenLinks para governar. A forma como escolher poderá condicionar o futuro da Holanda, mas também o da Europa. Se optar, apesar do que disse no passado, por Wilders, poderá ter que pagar o preço com um referendo à UE. E isso poderia ter consequências imprevisíveis. A ver vamos, até porque ainda há muitos indecisos e há estimativas que apontam para 15% de eleitores só decidirem o voto no próprio dia.

 

O meu (não) voto

Dos partidos existentes penso que me aproximarei mais do D66, um partido liberal e de esquerda. O PvDA (os trabalhistas) e o GroenLinks (VerdeEsquerda, ecologistas) também estão perto das minhas posições. Foram estes 3 os partidos que me ficaram mais próximos quando segui o teste do StemWijzer, que ajuda os eleitores a decidirem o seu voto ao responderem a questões e comprarem as suas respostas com as dadas pelos partidos. Já no passado, quando fiz um teste semelhante para as eleições europeias, descobri que o partido em toda a Europa do qual as minhas posições mais se aproximavam era precisamente o D66.

 

Não é um partido que vá vencer. Tem posições pouco populistas e não necessariamente populares. Mas cumpre a sua função de uma certa consciência e isso, num sistema como o holandês, basta-me. E no panorama actual poderá acabar no governo através de uma coligação.

 

Nisto estou muitíssimo longe da opinião de Rentes de Carvalho (RC). Ele escolheu, como também cidadão holandês, votar no PVV. Pessoalmente não considero incoerente para um imigrante votar em Wilders. Pode-se ser contra a imigração ou, neste caso específico, contra a emigração de muçulmanos. É talvez estranho, é certo, mas perfeitamente possível. Estou no pólo oposto mas isso é diferente. Aquilo que me choca é como é possível alguém que quer exercer um voto de protesto escolhe alguém que dificilmente poderia se rmais establishment, como pode esperar oposição construtiva de quem não vai a debates nem aceita outros filiados, como é possível viver há tanto tempo no país e pensar que os cuidados de idosos, deficientes e pobres é insuficiente (ainda se pensasse nas mulheres...) e depois julgar que Wilders vai ligar um chavelho a tais coisas.

 

No passado tive uma ou outra divergência com Rentes de Carvalho. Tendo menos anos de Holanda não vejo razão para o desafiar, mas sempre ficou a impressão que as minhas experiências com holandeses é distinta. Hoje estou ainda mais convencido de tal. Não que faça diferença, afinal de contas, cada um não é mais que o somatório das suas experiências. Mas deixo aqui a minha perspectiva em contraponto. O meu voto, certamente, nunca iria para Wilders. O de Rentes de Carvalho, independentemente do que pense, irá contra o seu interesse pessoal e o do país que ele adoptou e o adoptou a ele. Só espero que não haja muitos holandeses a segui-lo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


37 comentários

Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 14.03.2017 às 20:47

Curioso ter sido a Holanda durante muito tempo o asilo politico dos estrangeiros que eram perseguidos nos seus países -sendo Bento Espinosa, um dos mais famosos.

Talvez, quem sabe, o declínio do "ocidente" resulte do declínio do ensino da história. A História tem a utilidade de nos ensinar que caminhos já foram testados e quais os que não resultaram/resultaram menos. E fechar fronteiras, perseguir "estrangeiros" nunca deu bons resultados.

Triste é ver "homens" iluminados (com conhecimento histórico e cultural) defenderem Wilders, como Ruben de Carvalho - é triste quando depositamos tanta esperança no Saber Cultural e vermos homens com Rentes caírem na mesma esparrela, uma e outra vez....mas também a História nos ensina que o fascismo é o regime favorito de muito artistas. A beleza estética do fascismo é sempre muito superior às linhas rectas das democracias.
Imagem de perfil

De João André a 14.03.2017 às 22:05

A Holanda tem uma história e uma fama muitas vezes mal contadas. Como é um país pequeno, é mais fácil manter a memória das coisas boas e esquecer as menos boas.

Uma delas é o salto que deu graças à perseguição aos judeus que existiu na Península Ibérica. Ao acolherem muitos deles (note-se que não eram legais na Holanda, mas eram "tolerados" desde que pagassem os seus impostos) acabaram por beneficiar do saber que traziam. E isso ajudou em muito à Era de Ouro holandesa.

Não gosto de deixar tais epítetos de "iluminados" (ainda menos com aspas) a seja quem for. Têm direito à sua opinião. E não a vejo como sendo necessariamante uma simpatia para com fascismos. Infelizmente demonstra algum laxismo com proto-fascistas como Wilders. E o laxismo é bem mais perigoso que a simpatia.
Sem imagem de perfil

De JSP a 14.03.2017 às 21:38

José Rentes de Carvalho, talvez pela idade e pelos vários "mundos" que viveu, apercebeu-se de um "pormenor", que a gente mais nova ,( e então a nós, acampados na ponta Oeste da Ibéria, protecção e condenação à vez...) forçosamente escapa : estamos, singela e lhanamente, em guerra - e o inimigo está portas adentro.
E a guerra não é , nunca foi e nunca será um assunto "asséptico".
Imagem de perfil

De João André a 14.03.2017 às 22:01

Não gosto de fazer comentários sobre idade no que respeita a opiniões. É meio caminho andado para os mais velhos defenderem o voto apenas para quem tenha pelo menos 50 e para os mais novos desprezarem opiniões de "velhos do Restelo".

Fico-me pelo valor das opniões em si. E, por muito que possa respeitar as opções de Rentes de Carvalho, as razões que apresenta no post linkado para justificar o seu voto são, no mínimo, contraditórias.

Quanto à sua opinião sobre a guerra, discordo dela. Mesmo que concordasse, no entanto, nunca daria o papel de comandante a alguém como Wilders, que se recebesse a opinião seria exactamente como os seus "adversários".
Sem imagem de perfil

De isa a 15.03.2017 às 09:55

"Não gosto de fazer comentários sobre idade no que respeita a opiniões"

Concordo plenamente com esta sua afirmação mas, ao contrário, não me fico "pelo valor das opniões em si", ouço-as a todas e depois tento cruzá-las com factos para poder formar a minha própria opinião. Factos e, quantos mais melhor, para tentar perceber os micro-cosmos mas, sempre, "inside the Big Picture".

Quando chega o tempo de eleições, um dos maiores problemas na UE tem sido, não os refugiados como, por exemplo, as famílias Sírias cristãs mas, tentar perceber esta preferência em aceitar, sem regras nem qualquer triagem, maioritariamente, não famílias mas, homens jovens, solteiros e seguidores do islão, cuja cultura nada tem a ver com a cultura europeia e com as nossas liberdades individuais ou qualquer outro tipo de Liberdade, especialmente a dos Outros que será a fronteira que, cada indivíduo, nunca deveria pisar e, isso sim, é o mínimo para conseguirmos viver num Mundo melhor. Caos só o aproveita quem quiser controlar Tudo e Todos, podendo ser facilmente manipulado para cairmos sempre nas mãos dos chico-espertos, sejam eles a elite do 1% que imprime dinheiro do ar ou outros com a mesma sede de Poder, um vira o disco e toca o mesmo para os 99% que, na sua ignorância, nunca sabem bem o que querem mas, só o que não querem e reagem, apenas, a estímulos externos como ratos na gaiola.

Se tudo estivesse a correr bem, nem sequer me questionaria sobre a finalidade e objectivo deste estranho, multiculturalismo forçado que tem criado, já há muito tempo, as "no go zones" que se têm espalhado pela Europa como cogumelos porque, por muito que os europeus queiram essa integração, está mais do que provado que a maioria daqueles que têm vindo e continuam a vir para a Europa, não querem essa integração.

Portanto, vejo as eleições na Europa como, uns que já estão a experimentar certas dificuldades (muitas) e, começam a estar à beira de não aguentar mais, enquanto outros se dividem porque, uns estarão a tomar mais atenção ao que se passa na Europa no seu todo enquanto, outros, andam como que a viver numa fantasia baseada, apenas, em opiniões alheias (os que se sentem muito bem no seu papel de seguidores e paus mandados).
Podem rotular quem quiserem segundo essas opiniões mas, levo muito a sério quem me dê factos baseados na História, especialmente, quando começamos a descobrir que ela nos foi muito mal contada.

Se os factos me forem dados por alguém com um PhD (dos antigos, não como os mais recentes, onde muitos passaram a ser "oferecidos") e se for doutorado em Física e Matemática, duas matérias que, comprovadamente, são mais adequadas a mentes racionais do que emocionais, aqui, começo mesmo a prestar muita atenção porque, apesar de ser mulher, definitivamente, sou mais racional do que emocional e, nem digo que isso seja melhor ou pior, é apenas um facto que demorei muito tempo a reconhecer em mim mas, a vida é isso mesmo, tentar descobrir quem realmente somos, neste curto espaço de tempo que cá andamos.

Portanto, se eu votasse nas eleições holandesas, francesas, alemãs... provavelmente, saberia que muita gente vai votar com aquilo que sempre teve tendência a contribuir para a destruição da Humanidade, ignorância em vez de conhecimento.
E, como diz ser alguém que, pelo menos, ouve todas as opiniões, talvez aprecie, como eu, mais do que opiniões, alguns factos (com números, não baseados num qualquer histerismo emocional) e, factos esses, tirados precisamente de fontes e livros do islão e, como, não estamos protegidos dessas consequências, mais a mais, quando ainda não me esqueci que, com os nossos impostos, querem construir uma Mesquita em Lisboa, mais informação tenho procurado sobre o assunto e que não se resume a estes 44 minutos que, muitos, nunca vão ter paciência de ver até ao fim e preferem repetir o que ouvem para lhes sobrar mais tempo para ouvir, horas a fio, comentários sobre futebol. Há gostos para tudo mas, há certos gostos que, definitivamente, contribuem "quase" deliberadamente para "secar cérebros"

https://www.youtube.com/watch?v=t_Qpy0mXg8Y
Why We Are Afraid, A 1400 Year Secret, by Dr Bill Warner
Sem imagem de perfil

De A. Vieira a 15.03.2017 às 13:49

Excelente comentário.
Sem imagem de perfil

De Carlos Faria a 14.03.2017 às 22:28

Confesso que fiquei um pouco em choque ao ler a opção de voto de Rentes de Carvalho no seu blogue pessoal, sim quem leu a sua obra crítica e pessimista sobre o modo de ser de Portugal tendo como centro de discussão o 25 de Abril, poderia estar preparado para que a ideia de protesto levasse indiretamente ao elogio de ideias que vão contra determinados valores que penso ele mesmo defender, mas choca-me sempre que alguém se "refugie" nos Países Baixos e que os critique no seu livro com os holandeses depois proteste ao lado daquilo que de pior parece existir nalguns holandeses
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 15.03.2017 às 10:28

Há que ter em conta que RC tem 87 anos de idade. Temos que lhe dar o desconto devido pela idade.
Sem imagem de perfil

De Costa a 15.03.2017 às 13:04

Lavoura, sempre paternalista e pronto a desconsiderar taxativamente (mesmo quando se esforça em - desajeitadas - tiradas de aparente respeito e diplomacia) quem e o que se não conforme com as suas certezas.

Oitenta e sete anos, então. Para si, é de crer, significando (sendo bondoso) uma qualquer pré-senilidade merecedora de um sorriso condescendente, uma terna palmadinha nas costas e um pedido geral de paciência ("coitadinho"...).

Ou, talvez, oitenta e sete anos que já viram muito, já assistiram à ascensão e queda de suficiente número de pessoas e soluções salvadoras, de certezas absolutas. Já não nutrem ilusões e muito menos se acham na obrigação de provar o que seja a quem seja. Muito menos a si (e é preciso dar-lhe, a si, algum desconto, Lavoura, isso sem dúvida).

A si, a nós.

Costa

Ps.: talvez queira ler a entrevista por correio electrónico - curiosa fórmula - a Rentes de Carvalho, hoje publicada na Observador. Pelo que o entrevistado responde e pela orientação do entrevistador. Assaz parecida com a sua, diria eu.
Sem imagem de perfil

De A.Vieira a 15.03.2017 às 13:48

E qual o valor do "desconto" que se deve dar a si, Sr.Luís Lavoura ?.....
Imagem de perfil

De João André a 15.03.2017 às 14:17

Como comentei acima: não me interessa a idade. Meço simplesmente as opiniões. Se é incoerente por idade, má disposiçã, crença pessoal, indigestão, derrota do Feyenoord ou outra coisa qualquer, isso não me interessa.
Imagem de perfil

De João André a 15.03.2017 às 14:15

Como com todos os países e culturas, há elementos que se criticam e elementos de que se gosta. Tentei explicar isso mesmo: há coisas nos holandeses que me enervam, mas há muitos pontos positivos. Rentes de Carvalho pode pensar dessa mesma maneira.

Aquilo que me parece estranho é que ele tenha um voto que vai contra aquilo que ele próprio parece defender. Há diversas vias para o voto de protesto que não passariam por um populista falso e antidemocrata como Wilders, mas enfim, A escolha é dele (obviamente não minha).
Sem imagem de perfil

De Carlos Faria a 15.03.2017 às 14:52

Parece que estamos em pleno acordo do que estranhamos.
Sem imagem de perfil

De Vento a 15.03.2017 às 00:11

Vivemos no mundo um momento histórico único. As expectativas que Portugal viveu durante séculos vive agora a Europa e uma parte do resto do mundo. Refiro-me, naturalmente, ao Sebastianismo.
Comparativamente, Portugal foi dominado por elites medíocres que cimentaram a mediocridade da nação - este ciclo começará a inverter-se a partir de agora, não por causa dos novos mas porque todos se conscientizaram que foram parceiros nessa tarefa -, ao invés a Europa teve elites fortes e soube construir países fortes. Porém, essas elites são também oportunistas. É a oportunidade que as transforma.
A grande transformação que se observou na Europa surgiu com a denominada "morte de Deus", não porque Este tivesse morrido. A construção sucessiva de sarcófagos para albergar os sinais de Sua existência transformaram esta Europa e parte do mundo, em particular o Ocidental, num lar de moribundos que buscam a razão de sua existência em forças que as não possuem.
O que é capaz de congregar o Homem não são homens ou mulheres, mas a união forte de um ideal que tenha como fim o próprio Homem.
Aqui chegados, a Europa vive uma crise existencial em que a sua sobrevivência é determinada pela comparação com outros, negando esses outros, que, por sua vez, se congregam em torno de um ideal que lhes permite aceitarem-se como vivos num reino de mortos.

Importa saber que a identidade é uma característica que se determina não pela comparação com o que é diferente mas pela genuinidade. Neste sentido, esta identidade é como os diferentes folclores: não são bons nem maus, nem melhores nem piores, são genuínos. É isto que falta à Europa e a uma boa parte do mundo. Estas partes, em regra, são constituídas por cidadãos que entendem como genuíno a si mesmos e não ao todo; é a crise do individualismo e do desconhecimento do que é a individualidade.
Tal como no passado, só pela desgraça perpetrada pelo Homem será possível retornar à importância do indivíduo num colectivo, ou pela Graça desse Deus que os mortos dizem ter morrido.
Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 15.03.2017 às 13:42

"Vivemos no mundo um momento histórico único"

A história repete-se ou não?
Rui Ramos

http://observador.pt/opiniao/a-historia-repete-se-ou-nao/
Sem imagem de perfil

De Vento a 15.03.2017 às 15:25

O momento único na história é aquele que diz respeito às gentes desse tempo. Consequentemente, este é o nosso momento.
Estamos de acordo nos princípios e nas causas. No entanto, a história que RR refere, e que anexa, tem que ver com a memória. Acontece que muitos não a têm. Esta história é a da natureza humana. Diz respeito ao pecado original, diz respeito também à marca que Caim transportou. O mito não é somente um estilo literário, é usado para a reprodução fiel de nossos instintos e como radiografia da natureza que assumimos.
Por curiosidade, Caim, que é a transliteração de Qayin, significa Lança. Não se estranhe, portanto, que esta, a lança, seja a herança de muitos. É esta a marca de Caim.
Lameque também tira a vida de seu ascendente Caim.
Esta herança pode ser rejeitada contrariando as profecias:
"E disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zilá, ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai o meu dito: porque eu matei um varão, por me ferir, e um jovem, por me pisar. Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque, setenta vezes sete". (Gênesis 4:23-24).

O Caminho, Verdade e Vida, que Jesus se atribui, é a marca do futuro, dessa Vida Eterna, sempre presente, que se conquista com o Reino que devemos edificar.
A "morte de Deus" é a desconstrução de nossa verdadeira identidade. O cristianismo não é um mero conceito: é o caminho que se faz em busca da arca da aliança que contém a Verdade. A busca desta Verdade também é feita por caminhos desconhecidos. O Pão vivo que desceu dos Céus não está aí somente para nos alimentar. Desceu para que possamos Subir. Saiu de nossa vista para que O procurássemos no nosso íntimo.
E sim, se nos deixamos morrer Deus também morrerá em nós.
Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 15.03.2017 às 17:22

Se alargar a janela temporal todas as épocas são iguais, em espirito/força motriz - poder - luta pelo poder - manutenção do poder - gajas - filhos
Sem imagem de perfil

De Vento a 15.03.2017 às 20:51

Não é só a luta pelo poder que deve estar equacionada, mas também a luta contra o sentimento de posse, poder.
Num outro aspecto, não me atenho somente ao fenómeno, isto é, às rupturas que se geram, mas essencialmente às causas desse fenómeno. Antes mesmo de se contrariar o fenómeno é necessário prevenir e combater o que o origina. E sabemos que as causas destes fenómenos estão nas mãos de uns quantos, daqueles que beneficiam disto. A população só berra pelo pão.
Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 15.03.2017 às 21:59

"A população só berra pelo pão."

O pão é apenas para disfarçar. O que eles querem é bolo.

"mas também a luta contra o sentimento de posse, poder"

Não ter, pode ser também... aliás, é a maior forma de poder. Não desejar é ser-se livre. E por isso perigosíssimo.
Sem imagem de perfil

De Vento a 16.03.2017 às 15:47

Tem razão na sua afirmação. O grande poder é não o desejar e tampouco idolatrá-lo. E isto é perigosíssimo.
Num mundo em que se mede o valor pela posse, há sempre quem se incomode por não lhe ser atribuída importância. Isto chateia mesmo.

Sim, quere-se bolo e bôlas. Quantos mais enchidos colocarem nas bôlas mais satisfeitos ficamos.
https://pt.petitchef.com/receitas/outro/bola-de-carne-fid-1124029

:-)
Sem imagem de perfil

De V. a 15.03.2017 às 00:16

Quase toda a gente cai no erro (na superstição jornalística) de julgar que ter uma nacionalidade confere traços de carácter ou corresponde a uma psicologia colectiva.. Rentes de Carvalho, como todos os estrangeirados, retornados e os do formato que os que discretamente (no caso dele) têm vergonha das suas origens assumirão no futuro, cai nesse erro facilmente. Vejo que J. André é mais cauteloso e poderá ser um tema de meditação interessante ver-se no estrangeiro e não se deixar cair nessas habituais ciladas ao pensamento. Uma coisa que Rentes de Carvalho diz e que é interessante é que a nossa forma de pensar é limitada pelo vocabulário e daí que as pessoas que se fecham numa linguagem prática e quotidiana tendam a recorrer a chavões. Mas os chavões das nacionalidades não são muito diferentes das limitações que provêm da falta de vocabulário.
Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 15.03.2017 às 13:46

"Quase toda a gente cai no erro (na superstição jornalística) de julgar que ter uma nacionalidade confere traços de carácter ou corresponde a uma psicologia colectiva.. "

Plenamente de acordo (isso de psicologia nacional foi inventado por regimes fascistas)

"Uma coisa que Rentes de Carvalho diz e que é interessante é que a nossa forma de pensar é limitada pelo vocabulário e daí que as pessoas que se fecham numa linguagem prática e quotidiana tendam a recorrer a chavões. Mas os chavões das nacionalidades não são muito diferentes das limitações que provêm da falta de vocabulário."

Discordo. Veja-se o vocabulário dos ingleses. Simples mas não impeditivo de ter sido a Grã Bretanha líder em variadas temáticas.
Pode-se pensar também por imagens, por associações. Chegar à verdade por intuição/sentimento e não por vocábulos.



Sem imagem de perfil

De V. a 15.03.2017 às 14:44

"Veja-se o vocabulário dos ingleses. Simples mas não impeditivo de ter sido a Grã Bretanha líder em variadas temáticas."

Alto lá, caro amigo... O Inglês coloquial é simples e recorre bastante a frases feitas (que delicadamente se chamam expressões idiomáticas) mas o inglês da imprensa, mais escolar ou académico é quase tão vasto e refinado como as línguas do Sul da Europa. Aliás, 75% do vocabulário Inglês vem do Latim e daí alguma sofisticação que nós Portugueses até aparentamos ter quando falamos Inglês — porque tendencialmente vamos utilizar um vocabulário mais clássico.

Penso eu de que.

(Mas sim concordo consigo que há um algum exagero na tese de Rentes de C. Mas a ideia da limitação do que podemos observar com os instrumentos disponíveis é uma ideia recorrente (se não uma realidade) nas ciências exactas, aliás tópico de um dos teoremas de base da Física. Creio que a fazer a ponte para o saber em geral, mesmo que exagero, não é completamente descabido).
Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 15.03.2017 às 18:18

"Mas a ideia da limitação do que podemos observar com os instrumentos disponíveis é uma ideia recorrente (se não uma realidade) nas ciências exactas, aliás tópico de um dos teoremas de base da Física"

Daí a matemática. Uma ciência é tanto mais cientifica quanto mais se conseguir expressar em formulas numéricas.

Da ideia da irrealidade da realidade, provem esse maldito relativismo que eu e o V tanto repudiamos - tudo é permitido, pois não existe verdade, apenas a aparência. Maldito Duchamp



Imagem de perfil

De João André a 15.03.2017 às 14:28

Há aspectos que me parecem ser relativamente comuns nas pessoas de cada nacionalidade. Não são únicos, mas por vezes são mais dominantes que nas de outras nacionalidades. Os holandeses, mesmo com toda a heterogeneidade que possuem, têm certamente traços comuns que permitem certas generalizações. O mesmo com portugueses, alemães, etc. Uma dessas (para os holandeses) é que, cultural e socialmente, são essencialmente calvinistas, mesmo quando religiosamente não o são. O tema é demasiado longo para o comentário, mas deixo apenas essa observação pessoal.

Agora é um facto que muitos dos traços que identificamos com os holandeses (liberalismo, tolerância, etc) são até relativamente recentes como características da população. Trata-se de um país pequeno que viveu durante a maior parte da sua história subjugado por outros impérios. Isso ajudou em certos aspectos a condensar certos traços de mentalidade que promovem insularidade. Isso será uma das razões para a ascensão de Wilders ou, antes dele, de Fortuyn.

A relação entre pensamento e linguagem tem sido muito explorada, inclusivamente na capacidade de bilingues em serem mais flexíveis no pensamento. Contudo nunca reflecti a fundo sobre o assunto.
Sem imagem de perfil

De V. a 15.03.2017 às 14:53

"Uma dessas (para os holandeses) é que, cultural e socialmente, são essencialmente calvinistas, mesmo quando religiosamente não o são."

Sim, disso não tenho dúvida alguma. E Max Weber também não! A nossa grande diferença (enquanto cultura onde germinou o catolicismo) é a facilidade com que a ética pessoal e individual se dilui nos objectivos e no grupo. E no mesmo grau, mais distantes ainda da ética protestante, estão culturas (dispenso-me de mencionar uma muito em particular) onde a patranha e a mentira circunstancial para um fim são inteiramente legítimas. Creio que será isso será ainda mais evidente para os holandeses ou o seu ethos quotidiano.
Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 15.03.2017 às 18:23

Isso do Weber é treta. O capitalismo surgiu no Norte de Itália/Veneza quando ainda não existia o calvinismo. E então os judeus? E o confucionismo...essa da ética protestante é mais uma armadilha retórica dos "huguenotes". Balelas
Grande parte do sul da Alemanha é católica (Baviera)

A região de Munique tem importantes indústrias mecânicas-automobilísticas (BMW, Audi, MAN SE, Knorr-Bremse), no sector dos armamentos (EADS, Krauss-Maffei), da tecnologia informática (Infineon, Microsoft), da prensa e televisão (Premiere, Kabel Deutschland, Burda Verlag). Em Munique está o quartel-general da Siemens.

Deixem o Crucificado em paz

Na Baviera meridional se situam outra vez a Audi (cuja sede principal é em Ingolstadt), a Media-Saturn-Holding e o chamado triângulo da química.
No norte o centro economicamente mais importante é Nuremberga. Adidas e Puma, famosas marcas de roupas para desporto, provêm desta área.
Sem imagem de perfil

De Costa a 15.03.2017 às 00:36

Uma pergunta que pouquíssimas vezes vejo formulada é aquela pela qual, e sem um prévio elenco de precisões cautelares e distanciadoras de quem se ocupe do tema, se procure, mais do que questionar o bom senso, a lucidez, os pergaminhos democratas, a simples inteligência mais elementar, perceber porque votam como votam, ou se antevê venham a votar, tantos milhões de pessoas.

Serão todos irremediavelmente estúpidos (muito que seja passatempo consagrado ridicularizar "os americanos") e fascistas os milhões que votaram em Trump? O mesmo se pergunte quanto ao que pode acontecer em França. Ou, claro, na Holanda e outras paragens. Até, em analogia não muito forçada, o recente resultado no Reino-Unido.

O que leva tanta e tanta gente a aceitar, mesmo que como "protesto", essas opções, claramente de corte, de "murro na mesa" mesmo que a todo o custo, com custos enormes, potencialmente esmurrando multidões sem culpa?

Um subitamente renascido e razoavelmente generalizado fascínio pela estética fascista, já por aqui mencionada, e a sua ideia - como a da estética comunista, conviria não ignorar, partilhando tronco genealógico - de um Homem Novo? Mas por onde anda um pujante movimento intelectualmente organizado de proselitismo fascista, descendo até às bases (por cá, até, constitucionalmente proibido)?

O desespero perante a política tradicional e o seu cortejo, por estes anos tão exuberante, imutável e largamente impune de ruína, de corrupção, de nepotismo, de clientelismo, de casta, de ascensão à fortuna de gente a quem se não confiaria, fora dela, uma qualquer banalíssima responsabilidade?

Uma urgência de defesa perante uma comunidade que cresce robustamente e se guia por uma "estética" que nada tem a ver com a que moldou a (ainda) maioria europeia ou ocidental, que nada tem a ver com ela e se lhe opõe objectivamente, que manifesta largamente bem pouca apetência por um mínimo de integração, que usa empenhadamente das liberdades e dos direitos cívicos próprios das terras a que chegou para proclamar a missão sagrada de nelas fazer imperar valores em absoluto incompatíveis com tais liberdades e direitos?

Em que difere então a intolerável radicalidade (de "direita", evidentemente...) de um político holandês, da ameaça de um clérigo muçulmano que afirma o futuro islâmico das Ilhas Britânicas ou a reconquista do Al-Andaluz (sem que se ouça e veja uma minimamente proporcional rejeição pública por parte da sua própria gente)? Porque arrepia, num tremendo frémito de indignação, a primeira as supostamente boas consciências e a segunda não lhes produz o menor tremor, ou é mesmo aceite por conta de não sei que nunca expiada culpa ocidental ou cristã (por isso ou já nem se sabe por que dogma).

Costa

Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 15.03.2017 às 13:47

Sim. A estupidez é o bem melhor distribuído. O mais democrático
Sem imagem de perfil

De Costa a 15.03.2017 às 17:21

Valham-nos então os Neubautens deste mundo, a quem caberá a incompreendida missão de guiar paciente e paternalmente as legiões de cretinos sempre ingratos que ousam chamar-se cidadãos e reclamar o que por tal condição lhes é legítimo.

Você até tem alguma razão: a estupidez é entre o povo coisa, parece, de distribuição universal e copiosa. Então por cá... É-o entre o povo e é descaradamente fomentada e explorada quanto mais o poder (veja-se o nosso actual) é desprovido do menor pudor, da mais remota réstia de honestidade.

Ora seguindo o seu raciocínio até às suas naturais e derradeiras consequências, acabe-se então com a democracia. Desde logo poupa-se ao povo o esforço sempre aborrecido de se educar e instruir, e isenta-se o poder, expressamente e sem hipocrisias, da maçadora obrigação de aparentar o respeito por valores tido como civilizacionais. E organize-se a sociedade de forma cristalinamente simples: uns obedecem ou levam pancada e sabem que sempre será assim; outros ordenam e dão pancada, como e quando querem, e sabem que sempre o poderão fazer.

Perfeito, simples, de funcionamento escorreito e sem a chatice - tomando como mero exemplo o caso em apreço - de haver gente a votar em holandeses "de extrema direita" e ainda por cima com o desplante inadmissível de o afirmar. Coisas, uma e outra, a que parece ser imperativo de higiene elementar pôr fim (mas entendo, do que escreve, que, por exemplo, os fanáticos do Islão permanecerão livres de nos querer converter a todo o custo, e impor os seus costumes, na nossa terra).

Quererá você, já agora - e com igual e lapidar poder de síntese -, iluminar-nos quanto às que sejam as ditaduras aceitáveis (melhor, urgentemente desejáveis). Já sabemos que fascistas, não.

Costa
Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 15.03.2017 às 22:04

Qualquer mentira é válida desde que seja mais bela que a verdade. Eu consigo acreditar em tudo, desde que para isso me disponha. Sobretudo se a mentira for acompanha da música e tochas acesas....

Belo, belo, belo.....não a maneira como se vive, mas sim pelo que se morre....

https://www.youtube.com/watch?v=y1Dif-c-guY
Sem imagem de perfil

De Costa a 16.03.2017 às 00:08

Homem, para quem tem a palavra "fascista" na ponta da língua (dos dedos, enfim), para depreciar os outros, você vive - parece viver - num mundo muito peculiar. E pensava eu que o meu serão estava a ser algo pesado, entre o The Dictators, de Richard Overy, e a internet, a pretexto de Von Paulus...

Costa
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 15.03.2017 às 09:35

nunca pedi a nacionalidade holandesa porque para o fazer teria que perder a nacionalidade portuguesa

Como assim?! A Holanda não aceita dupla nacionalidade?
Imagem de perfil

De João André a 15.03.2017 às 09:47

Caro Luís,

A Holanda aceita a dupla nacionalidade mas apenas em alguns casos. Não sei qual foi o de Rentes de Carvalho.

De forma simples: quem ao nascer tiver direito a dupla nacionalidade (holandesa e de outro país) pode mantê-la. Quem adquirir a nacionalidade holandesa por residir no país há 5 anos, tem de renunciar à sua original (a não ser que haja força maior para não o poder fazer). Se for pedida por casamento (ou semelhante) com um cidadão holandês, não é necessário renunciar.

Um holandês que peça outra nacionalidade também perde a holandesa.

Resumindo: o caso básico é o de não permitir dupla nacionalidade por naturalização. Há excepções a isto mas são específicas. No caso de dupla nacionalidade ao nascer, então essa é permitida.
Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 15.03.2017 às 13:49

É também necessário provar que somos holandeses de gema atá à 4ºgeração, para pedir a nacionalidade neenderlandesa?
Imagem de perfil

De João André a 15.03.2017 às 14:29

Nem por isso. Um dos pais holandeses basta, embora haja um conjunto de casos em que pode ser necessário provar alguma coisa.

Não gosto da lei da nacionalidade holandesa. Nunca percebi porque razão se deve obrigar uma pessoa a deixar cair a outra nacionalidade quando pede uma nova. Um papel não muda aquilo que se sente.
Sem imagem de perfil

De a coisa ruim 805 a 15.03.2017 às 14:45

Quero apenas lembrar, a propósito de Rentes de Carvalho que, segundo me foi contado quando eu estudava Holandês, em tempos que já lá vão há muito, teve uma postura muito pouco simpática ao achar que havia dois tipos de holandesas, "aquelas com quem já dormiste e aquelas com quem vais dormir" e que todos os holandeses (homens) era uns "slapenlullen" ("c****** adormecidos", frouxos, "cornudos"(?), não sei bem qual o sentido pejorativo da expressão). Tal valeu, obviamente, ao senhor ter de pedir publicamente desculpas. Além disso, José Rentes de Carvalho, enquanto judeu ou descendente, possivelmente (note-se), poderá, por razões "históricas", culturais, etc, não ter a melhor opinião acerca dos muçulmanos. E há muitos muçulmanos que nos dão razões de sobra para os detestar. A ESSES, não a todos, pois tudo isto não passa de um mau hábito que todos temos de generalizar tudo. Dizemos "os holandeses são", "os portugueses são", "os muçulmanos são", "os turcos são".... somos é tão populistas e pouco cuidadosos nas nossas opiniões, quando assim as formulamos como o é Wilders, que quanto a mim tem menos de holandês do que eu próprio, que só lá vivi dois anos e que, apesar disso me senti em casa como nunca noutro local. Mas a Holanda que encontro hoje, quando lá vou, não é já a que conheci em 1992, aquela em que vivi, nos anos 90. E infelizmente mudou para pior, e perdeu muito do que tinha de verdadeiramente holandês e de bom; de simpatia, de entreajuda, de cooperação, de respeito, de altruísmo. Possivelmente, estas são algumas das razões que vão levar muitos holandeses a embarcarem, enganados, na "cantiga de Wilders".

Comentar post





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D