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Saudades antecipadas de Obama

por Pedro Correia, em 30.03.16

 

Barack Obama não foi o santo milagreiro que alguns desejavam. Mas prepara-se para deixar um país melhor do que encontrou ao tomar posse, em Janeiro de 2009. Os Estados Unidos, embora longe da prosperidade de outrora, registam crescimento económico, o desemprego foi reduzido para metade, a inflação situa-se a níveis residuais e nunca tantos americanos beneficiaram de medidas de protecção social como no seu mandato.

No plano externo, o Presidente agiu com prudência no vespeiro do Médio Oriente, enfrentou com firmeza as tentativas de expansionismo russo e pôde anunciar ao mundo a captura de Bin Laden - cérebro dos atentados do 11 de Setembro e autoproclamado inimigo público nº 1 dos EUA. Já nesta recta final do mandato, obteve dois trunfos na frente externa, levando o Irão a admitir restrições ao programa nuclear e pondo fim a quase seis décadas de congelamento das relações diplomáticas com Cuba.

 

"Vim aqui enterrar os restos da Guerra Fria nas Américas. (...) Acredito que os cidadãos devem ser livres para falarem sem receios, para criticarem os governos e organizarem protestos de forma pacífica. Acredito que o Estado de Direito não inclui a detenção arbitrárias de pessoas por exercerem esses direitos. E, sim, acredito que os eleitores devem poder escolher os seus governos em eleições livres e democráticas. El futuro de Cuba tiene que estar en las manos del pueblo cubano", declarou Obama há uma semana no Grand Teatro de Havana, num discurso que foi transmitido em directo pelos meios de comunicação do país, ainda há pouco especializados em diabolizar os Estados Unidos.

Importante por este carácter inédito, na primeira viagem de um Presidente americano a solo cubano desde 1928, o discurso confirmou um Obama conciliador e diplomático, mas também firme nos princípios e suficientemente realista para perceber que a prioridade estratégica de Washington quanto ao continente americano é quebrar o eixo Havana-Caracas para isolar o insolvente regime chavista e proporcionar aos cubanos uma abertura idêntica à que Richard Nixon possibilitou na China maoísta em 1972. E ninguém parece ter percebido isso tão bem como Fidel Castro, como demonstram as farpas dedicadas pelo ex-ditador a Obama, que recusou vê-lo nesta visita.

 

O inquilino da Casa Branca - que viajou acompanhado de vários membros da sua administração, cerca de 40 parlamentares e uma larga comitiva de empresários - aposta forte na  "sedução da democracia" na ilha, situada a escassos 150 quilómetros da costa norte-americana. Semeia agora o que o seu sucessor em Washington colherá mais tarde. Honrando as melhores tradições da política externa do seu país, nomeadamente o que fizeram Nixon ao visitar Mao Tsé-tung em 1972, e Ronald Reagan na sua bem-sucedida deslocação ao Kremlin em 1988. Nada ficou como antes, tanto em Pequim como em Moscovo.

Venha quem vier depois dele, pressinto que não tardaremos a ter saudades de Obama. Do seu gesto inspirador, da sua palavra eloquente, da sua apaziguadora bonomia. Em suma: da sua decência, que parece um pouco fora de moda e muito deslocada no tempo.

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42 comentários

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De AntónioF a 30.03.2016 às 13:28

Caro Pedro,
gostei de ler este seu texto, contudo permita-me que, amigavelmente, me ria com a sua segunda frase: «Mas prepara-se para deixar um país melhor do que encontrou ao tomar posse, em Janeiro de 2009.» Esta frase é lapaliciana (permita-me a palavra) e aplicar-se-ia a qualquer um de sucedesse a Bush Filho!
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De Pedro Correia a 31.03.2016 às 23:12

Essas coisas nunca estão garantidas à partida, António. Há até um velho e sábio ditado que bem pode aplicar-se na política: "Atrás de mim virá quem de mim bom fará."
Neste caso, confirma-se agora, não foi o que sucedeu.
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De lucklucky a 01.04.2016 às 06:46

Bush filho foi muito menos mau Presidente - ou no grande esquema do caminho para a Democracia Totalitária - que Presidente que Obama.

Em tudo. Mas o jornalismo que é só o maior problema do Ocidente .

Os apoiantes do 25 de Abril mataram 1,5 milhão de pessoas?
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De Pedro Correia a 01.04.2016 às 12:46

Qual o corolário lógico do seu inovador conceito de "democracia totalitária"? O "totalitarismo democrático"?
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De lucklucky a 01.04.2016 às 20:43

O corolário é o Fascimo para onde todos caminhamos.
Quer os regimes Democráticos quer os regimes Comunistas.
O que destingue China Comunista da Itália de Mussolini?
A estrela vermelha e o fascio.

Na Democracia
Quanto mais leis, mais caminhos únicos e menos escolha.
Quanto mais democracia mais se vota caminhos únicos. Mais limitação da Liberdade.
O Voto é uma escolha de todos, se se vota sobre tudo então temos uma escolha de um caminho por oposição a outros, porque quem é derrotado não pode escolher outro caminho. Mais limitação da Liberdade.
Nota: nem todos os votos são para forçar escolhas únicas, mas a maioria são.

A Democracia está hoje a destruir a Republica. Os limites ao poder da própria Democracia. Uma Democracia sem limites ao seu poder e ao seu âmbito é uma Democracia Totalitária.

Você hoje até tem corporativismo racial e sexual no discurso político nos EUA e na Europa com apoio da maior parte da classe política-jornalista.
Alguém protestou a medida notoriamente fascista de as admnistrações das empresas cotadas terem X elementos de determinado sexo?
Ou nas listas dos partidos?

Seria uma medida perfeitamente compatível numa Câmara Corporativa de um regime Fascista do Sec.XXI.
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De Pedro Correia a 01.04.2016 às 23:29

Democracia e totalitarismo, para si, são sinónimos? E só no 1º de Abril ou também nos restantes dias do ano?
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De ali kath a 30.03.2016 às 16:43

tal como cá
em 10 tristes anos
a dívida externa duplicou
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De Pedro Correia a 31.03.2016 às 23:13

São casos incomparáveis.
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De Octávio dos Santos a 30.03.2016 às 17:43

Tão (e mal?) habituado que estou a fazer minhas as suas palavras, Pedro (quanto ao «(des)acordo ortográfico» e não só), mais espantado e decepcionado fico com este seu texto. Aliás, se mo mostrassem sem indicação do autor nunca acreditaria que havia sido escrito por si, de tal maneira lhe falta a lucidez que lhe reconheço. Nada nele corresponde à verdade; pelo contrário, e como demonstro há mais de sete anos em blog próprio, Barack Obama deixa(rá) os EUA e o Mundo piores do que os encontrou. Por arrogância, cobardia, incompetência, inexperiência, extremismo ideológico. «Apaziguadora bonomia»? Sim... para inimigos e ditadores estrangeiros, não para aliados e opositores domésticos. «Decência»? Não a tem quem é a favor do «late term abortion» e considera o (inexistente) «aquecimento global» uma ameaça mais grave do que o terrorismo islâmico. «Saudades»? «Tantas» vou ter que, provavelmente, darei uma festa no dia em que ele sair da Casa Branca, mesmo que seja substituído («vade retro, Satanás»!) por outro democrata.
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De Pedro Correia a 31.03.2016 às 23:22

Caro Octávio: não consigo raciocinar - ou escrever - sobre política com base em ódios ou animosidades viscerais. Sou absolutamente incapaz disso.
Neste caso comparo os EUA de 2009 com o país actual. E verifico que no mundo ocidental são uma ilha de prosperidade - o que basta para constituir um sinal de esperança. Tímida prosperidade, é certo, mas tomáramos nós aqui na Europa termos a dinâmica de crescimento deles aliada à baixíssima taxa de desemprego lá existente. Ninguém pode retirar mérito à administração Obama na gestão da economia.
Dizer que o actual inquilino da Casa Branca cortejou ditadores estrangeiros é ignorar décadas de política externa norte-americana.
Roosevelt reuniu-se em três cimeiras com Estaline - e é difícil conceber pior interlocutor para o chamado líder do mundo livre.
Nixon visitou Mao e Brejnev. Na altura recebeu críticas muito mais duras do que aquelas agora escutadas por Obama nesta deslocação a Cuba, onde aliás viajou acompanhado por diversos dirigentes do Partido Republicano. A política de alianças internacionais é de geometria variável, como aliás os casos da Síria e do Irão bem demonstram no mundo contemporâneo.
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De Octávio dos Santos a 01.04.2016 às 20:39

O Pedro não consegue «raciocinar - ou escrever - sobre política com base em ódios ou animosidades viscerais», é «absolutamente incapaz disso». Eu também: raciocino e escrevo com base em factos. E, no que se refere a Barack Obama e à sua presidência, repito que observo, registo e comento... factos (afirmações, atitudes, comportamentos, acções, decisões) há mais de sete anos.

Não só se pode como se deve «retirar mérito à administração Obama na gestão da economia.» Se esta melhorou (pouco) tal aconteceu apesar dele, e não por causa dele. Sobre o desemprego, existem muitos norte-americanos - segundo os últimos dados, mais de 93 milhões (!) - que desistiram de procurar trabalho. Além de que o intervencionismo estatizante da actual administração causa estagnação e mesmo retrocesso nos EUA: na saúde, o «ObamaCare», autêntica (tentativa de) nacionalização do sector da prestação de cuidados médicos, tem causado o aumento dos preços dos seguros, afastado utentes dos seus médicos e diminuído a liberdade de escolha, enquanto as empresas diminuem as horas de trabalho e até despedem para reduzir as despesas de saúde dos seus funcionários; no ambiente, a EPA, apenas para «demonstrar liderança» (a sua directora admitiu-o recentemente), está empenhada em destruir as indústrias assentes na utilização de carvão e em sustentar (artificialmente) as ditas «energias renováveis», despendendo milhões em projectos que depois não revelam eficiência... ou entram em falência.

Quanto à política externa, as épocas e os protagonistas não são propriamente comparáveis. Franklin Roosevelt encontrou-se com Josef Stalin... porque havia que derrotar Adolf Hitler. E Richard Nixon e Ronald Reagan visitaram a China e a União Soviética em contextos de «arrefecimento internacional». Moscovo, com Brejnev, aceitara reduzir o número de armas nucleares, e, com Gorbatchov, iniciara mesmo, com a «Perestroika», um processo de incipiente democratização. Pelo contrário, agora, Barack Obama nada de concreto, nenhuma melhoria efectiva, consegue de Cuba e do Irão, tendo inclusivamente facultado aos «ai-as-tolas» 150 biliões de dólares em fundos «descongelados» que o próprio John Kerry admitiu que serão canalizados, em parte, para apoiar terroristas! Mais: nenhumas dúvidas existem de que Roosevelt, Nixon e Reagan - aliás, todos os presidentes até 2008 - eram anticomunistas. Porém, com BHO não há essa certeza; não só por ter sido educado por esquerdistas, marxistas, comunistas; também por, há dias na Argentina, ter dito a uma audiência de jovens que, entre o capitalismo e o comunismo, escolhessem o que funcionasse (choose from what works»)! Digamos que não é (não era) suposto, mais de 25 anos depois da queda do Muro de Berlim, o suposto «líder do Mundo livre» dizer isto.
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De Pedro Correia a 01.04.2016 às 23:28

Octávio: o que diria hoje você se visse um presidente americano a deslocar-se ao encontro de um Estaline? Sim, porque o tirano nem se deu ao incómodo de se afastar de solo russo, num dos casos, e no outro o mais longe que se deslocou foi a Teerão, forçando o debilitado inquilino da Casa Branca atravessar um oceano e dois continentes. Truman fez o mesmo, no Verão de 1945: foi a Potsdam, na zona alemã tornada território conquistado pelos soviéticos.
Mais tarde Nixon foi ainda mais longe, viajando ao coração da China comunista rompendo a tradicional aliança com Taipé, no auge da criminosa Revolução Cultura, prestando uma espécie de vassalagem ao tirano Mao. O que não escreveria você sobre tal facto se estivéssemos em 1972? O que não diria sobre a cimeira Nixon-Brejnev de 1974 - escassos anos antes de os soviéticos apontarem novas ogivas nucleares ao coração da Europa, fazendo tábua rasa dos acordos de Helsínquia?
"As épocas e os protagonistas não são comparáveis", anota. Certo. Mas os interesses são permanentes e as alianças variam em função dos interesses e submetem-se a eles. O terrorismo de matriz islâmica funciona para o mundo actual como o nazismo funcionava para os EUA em 1943-45: neste aspecto, o 11 de Setembro traçou uma fronteira sem retorno, funcionando como Pearl Harbor do século XXI.
Obama sente a necessidade de encontrar novos aliados nesta luta sem quartel. Para o efeito tem que enterrar o penúltimo resquício da Guerra Fria (Cuba), faltando agora apenas uma solução estável na península coreana. E percebe que vai sendo tempo de reactivar o diálogo com os xiitas, corporizados no Irão, porque o terror sunita constitui de momento um inimigo comum ao qual é necessário romper a jugular.
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De Octávio dos Santos a 03.04.2016 às 15:30

O que diria hoje eu se visse um presidente americano a deslocar-se ao encontro de um Estaline? Ou de um Mao (e a Revolução Cultural, em 1972, já terminara ou estava a cessar)? Reitero o que disse no meu comentário anterior: dependeria da confiança que esse presidente inspirasse. Roosevelt, Nixon, Reagan, e até Bill Clinton, inspiravam. Apesar das suas falhas em algumas (e diferentes) matérias, ninguém duvidava de que acreditavam na supremacia do capitalismo sobre o comunismo, e lutavam efectiva, contínua e consistentemente nesse sentido. Barack Obama não.

Sem dúvida que há que enterrar os últimos resquícios da Guerra Fria. O problema é que esses... resquícios não querem ser enterrados. Cuba e Coreia do Norte não só não melhora(ra)m como estão cada vez mais arrogantes, agressivos. O Pedro soube, leu, (d)o artigo (supostamente) escrito por Fidel Castro depois da visita de Obama? Nenhuma abertura promete(u), tal como não são sinais de desanuviamento as constantes ameaças apocalípticas feitas pelo mais novo dos Kim. Ambos não respeitam, não receiam, o actual presidente dos EUA... e também por o terem visto a fazer vénias, a curvar-se, perante o rei da Arábia e o imperador do Japão.

Concordo que há uma equivalência entre o nazismo e o terrorismo de matriz islâmica - que, aliás, não é só de agora, porque muitos muçulmanos, incluindo o seu então líder «espiritual» máximo, eram apoiantes declarados de Hitler. Porém, é uma ingenuidade falar-se apenas do «terror sunita» quando existe um «terror xiita» pelo menos tão perigoso e preocupante quanto aquele. No Irão também se executam «blasfemos» e homossexuais. O regime de Teerão, além de ser ele próprio uma organização terrorista, apoia terroristas no estrangeiro há quase 40 anos. E, agora, com a «generosa» contribuição da actual administração norte-americana, esse apoio vai aumentar.
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De Pedro Correia a 04.04.2016 às 18:23

Octávio, a história precisa de tempo para sedimentar-se. Roosevelt e Truman, por exemplo, beneficiam hoje de uma distância temporal para serem avaliados com a justiça que só o distanciamento permite.
Mas você certamente não ignora que foram ambos alvos das mais duras críticas enquanto exerceram funções. A corrente isolacionista, muito forte nos EUA, lançou os insultos mais desprimorosos a Roosevelt, acusando-o de envolver o país no conflito mundial. E só Pearl Harbor silenciou essas críticas.
Truman, por sua vez, foi acusado de ser um dos mais impreparados presidentes de sempre - incluindo por gente do Partido Democrata. Foi reeleito à tangente e impiedosamente ridicularizado por cartunistas e colunistas até ao último dia na Casa Branca. Chamaram-lhe de tudo, incluindo "criminoso de guerra" por ter mandado arrasar Hiroxima e Nagasáqui.

As críticas de Fidel Castro a Obama, como refiro no meu texto, são afinal um elogio implícito ao Presidente norte-americano. Fidel é, ele sim, um decrépito símbolo ainda vivo da Guerra Fria e teima em perceber que o mundo mudou - e Cuba também.
Poucos serão tão críticos em relação ao sistema político cubano como eu: tenho muitos textos publicados no DELITO que o comprovam. Mas sou incapaz de compará-lo com o regime totalitário da Coreia do Norte, imensamente pior. Obama - com a mediação do Papa Francisco - operou mudanças em Cuba que só daqui a algum tempo terão efeitos visíveis.
Na península coreana - última fronteira da Guerra Fria - a situação é muito mais complexa. E permanece imutável, no essencial, desde há 70 anos. Aí, sim, o papel de Obama foi residual. Mas nada diferente do que aconteceu com os antecessores, pelo menos desde Eisenhower. A solução do problema coreano depende tanto ou mais da China do que dos EUA. E não parece vislumbrar-se num futuro próximo.
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De Octávio dos Santos a 06.04.2016 às 14:09

O Pedro - tal como muitas outras pessoas - é «incapaz de compará-lo (o regime cubano) com o regime totalitário da Coreia do Norte, imensamente pior.» Sem dúvida. Porém... Cuba e Coreia do Norte mantêm relações - diplomáticas, culturais, económicas e militares (incluindo tráfico de armas... há três anos um navio norte-coreano carregando armamento cubano foi arrestado no Panamá) - muito próximas há mais de 50 anos. Aliás, Teerão tem em Havana outros dos seus maiores amigos. Um autêntico (outro) «eixo do mal» que a fraqueza, a incompetência e o relativismo ideológico de Barack Obama e dos «democratas» norte-americanos mais não têm feito do que reforçar.
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De Pedro Correia a 06.04.2016 às 23:43

Caro Octávio, esperemos pelo próximo ciclo político para avaliar inteiramente o que ainda não se esgotou. O tempo é o melhor juiz, como creio já ter dado alguns exemplos. Mesmo em Portugal consideramos hoje quase exemplares gerações políticas que no seu tempo foram depreciadas das mais diversas formas, à esquerda e à direita. A primeira geração de políticos pós-25 de Abril, por exemplo: nem uma só crítica sobre nenhum deles deixou de ser feita. E no entanto hoje quase todos entoam hossanas à "galeria de estadistas" que nesses anos se forjou.
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De Octávio dos Santos a 08.04.2016 às 12:57

Caro Pedro, eu não preciso de esperar pelo próximo ciclo político (norte-americano) para avaliar (quase) definitivamente a presidência de Barack Obama. A menos que aconteça um milagre de autênticas características mágicas, avassaladoras, a apreciação será sempre negativa.

E desde 2007-2008 que eu sei que tipo de pessoa ele é: educado, inspirado, por Frank Marshall Davis, comunista; na juventude (ele admite-o) procurava rodear-se de marxistas - aliás, os seus registos universitários (incluindo trabalhos, teses, que escreveu) continuam selados, o que só aumenta as suspeitas de que proporcionariam revelações desagradáveis; já na idade adulta, e em Chicago, tornou-se próximo de fanáticos (Jeremiah Wright, seu pastor durante 20 anos, que o casou, conhecido por gritar «God damn America!»), terroristas (Bill Ayers e Bernardine Dohrn, casal em cuja casa iniciou a sua carreira política), corruptos (Rod Blagojevich, actualmente preso) e mafiosos (Tony Rezko, que lhe arranjou uma casa em condições favoráveis). Entrado na Casa Branca, mostrou-se pior do que Richard Nixon: ameaças a jornalistas e a «whistleblowers», escutas telefónicas e processos em tribunal; assédio, perseguição e sabotagem a/de opositores políticos (republicanos, conservadores) através, principalmente, do serviço de IRS; libertação (perdão) constante de criminosos, tanto nacionais (traficantes de droga) como estrangeiros (jihadistas); instrumentalização de todo o aparelho do Estado, do governo federal, na prossecução de causas «fracturantes» e «politicamente correctas», em especial a «agenda LGBT» e as «alterações climáticas».

Não, nem é necessário considerar a sua (desastrosa) diplomacia, feita de fraqueza, «linhas vermelhas» transpostas sem consequências, negligência e até desrespeito por aliados, e transigência com inimigos, para se poder afirmar, com certeza, que estes oito anos constituem uma catástrofe para os EUA e para o Mundo. «Saudades»? Nenhumas!

Quanto a Portugal, não me incluo naqueles que hoje consideram «quase exemplares» e que «entoam hossanas» as/às gerações de políticos/galeria de «estadistas» que se sucederam após o 25 de Abril, praticamente todos de esquerda. Elaboraram e aprovaram uma constituição que não precisou de esperar pelo seu 40º aniversário (que se «celebra» este ano) para se tornar obsoleta, quase «digna» do ex-COMECON, ofensiva e anti-democrática com o seu «abrir caminho para uma sociedade socialista» e a (obrigação de manter a) «forma republicana de governo», de tal modo ideológica, programática e restritiva que tem condicionado, impedido, o verdadeiro desenvolvimento. Levaram o país à falência mais do que uma vez. Implementaram o «(des)acordo ortográfico»... É por isto e muito mais que eu sou monárquico e a favor de uma mudança de regime; do actual, da III República, muito pouco(s) se aproveita(ria)(m).
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De Pedro Correia a 08.04.2016 às 23:25

Creio que as nossas posições de momento ficaram já bem claras, Octávio. E pressinto que é um tema que haveremos de debater mais vezes ao longo deste ano eleitoral nos Estados Unidos. Pretextos não faltarão, tenho a certeza.
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De lucklucky a 30.03.2016 às 18:57

Obama o primeiro presidente Anti-Americano.

Obama sendo uma mistura de marxista com racialista e necessitando de proteger as coutadas eleitorais desenhadado partido democrata baseados na raça deixou o país muito mais dividido por linhas étnicas.
Como bom marxista a formação de grupos vitímas é essencial à deconstrução da sociedade. E como tal teve a ajuda inestimável do jornalismo americano para o objectivo, além de continuar o apartheid em universidades e instituições.

Com Obama até uma nova étnia os jornalistas americanos inventaram, o Hispânico-Branco quando descobriram com surpresa alguém chamado Zimmerman podia ser hispânico. Não foi o que esperavam logo tiveram de ajustar a narrativa.

Mas pior que o racialismo marxista foi a continuada destruição da Republica feita por Obama com inúmeras ordens executivas e o crescente regulação violência das forças de segurança e organisações federais contra americanos - onde a culpa não é só de Obama.
Dentro disto o uso de Instituições do Governo federal que se querem independentes como EPA- e IRS contra adversários políticos e a espionagem de outras instituições federais contra adversários políticos abriu uma fenda que vai destruir a América.
Fosse Republicano e teríamos o "establishment" jornalista a falar de impeachment.

Obama reforçou o managerial state e o poder do burocrata - um exemplo entre muitos que a loucura do Obamacare - Algo que nós copiamos cá com o nascimento de organismos do Estado com poder de "Autoridade".
E a irritação dos Americanos subiu expoencialmente com Obama.

Internacionalmente esteve-se nas tintas, pois o seu inimigo é a América.
Deixou as coisas correr, apoiou moderadamente a Irmandade Muçulmana para derrubar o Governo Egipcio, ficando paralisado quando as coisas correram mal.
As linhas vermelhas de uso de armas químicas por Assad foram derrubadas e claro nenhuma censura mediática.
Ao Estado Islâmico que Obama dizia que era uma "junior varsity" nas vésperas de conquistar vasto território, dizia nas vésperas que o EI estava contido quando atacaram a França, dizia nas vésperas que não havia perigo quando o EI atacou a America. Imagine-se se um só destas asneiras tivesse sido Bush o que não aconteceria nos jornais.

Em Cuba foi o reconhecimento e legitimação do regime Comunista em linha com muito dos amigos de Obama.
"Those are interesting intellectual arguments, but I think for your generation, you should be practical and just choose from what works. You don’t have to worry about whether it really fits into socialist theory or capitalist theory. You should just decide what works," he added. "And I said this to President Castro in Cuba."
É bom lembrar que o Marxismo vai dar mais depressa ao Fascismo que ao Comunismo.

O mesmo ao Irão quando os estudantes e milhares de pessoas protestavam o regime, Obama recusou-se sequer por palavras a apoiar os Estudantes.
O lógica marxista é todos representaram a sua raça, grupo exceptos aqueles que se quer destruir, aí a "resistência" é bem vinda. Nos outros não podem sequer existir "dissidentes". Por isso Obama não os recebe.

Na China - e claro mais uma vez censurado pelos jornalistas - não podendo aqui fazer frente ao Congresso, Departamento de Estado e ao Pentágono teve de autorizar acções de Freedom of Navigation em relação aos avanços Chineses na construção e ocupação de ilhas -e consequente pretensão Chinesa a mais águas territoriais.

A percepção que as pessoas têm de Obama só é possível com a censura continua dos orgão de comunicação social. Para se perceber em parte o que os Americanos pensam de Obama basta ver o que aconteceu ao Partido Democrata nestes 8 anos. A quantidade de Governos Estaduais, Deputados Estaduais, Senadores e Congressistas que perdeu.


PS: Obama não tem paciência para Europeus, mas já existiram vários desses Presidentes.
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De Pedro Correia a 31.03.2016 às 23:26

A sua obsessão em distribuir rótulos e etiquetas, lançando-lhes os correspondentes anátemas, parece-me inversamente proporcional à sua incapacidade para argumentar. O que inquina à partida qualquer debate. Falta-lhe em capacidade analítica o que lhe vai sobrando de vocação para a taxidermia.
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De lucklucky a 01.04.2016 às 06:54

Estão muitos factos nos meus textos, você é que não os quer discutir por qualquer motivo, é incomodo.

Você escreve sobre as ordens excutivas de Obama?
Você escreve sobre o uso do IRS politicamente?
Isto são só alguns exemplos.
Podemos ainda ir ao comportamente do Departamento de Justiça.
Podemos ir à retirada dos soldados americanos do Iraque.

Não não escreve.
Como você e todos os delitos não escrevem por exemplo sobre carruagens de comboio segregadas por sexos na Alemanha.

Não escrevem porque não vai de acordo com os "rótulos e etiquetas" que aplicam a tudo.
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De Pedro Correia a 01.04.2016 às 12:52

Não ando a distribuir etiquetas: essa é a prática de quem padece de preguiça mental e só alinha no pronto-a-pensar.
Essa alusão a "carruagens de comboio segregadas por sexos na Alemanha" nada tem a ver com Obama. Eis um exemplo típico de salada russa discursiva: atira-se tudo para a panela - factos, semifactos e mentiras. Mexe-se tudo e serve-se "prêt-à-penser".
Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.
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De António Cabral a 30.03.2016 às 19:42

Permita salientar do seu post a questão - DECÊNCIA - aspecto que sempre transparece da maioria dos seus textos. No meu modesto blogue, igualmente aponto constantemente a questão decência. Decência, um bem escasso no mundo contemporâneo, infelizmente. Como se continua, também, a verificar em Portugal. Cumprimentos. António Cabral.
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De Pedro Correia a 31.03.2016 às 23:28

Muito lhe agradeço a amável referência que aqui me faz, caro António.
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De ariam a 30.03.2016 às 22:55

Nem sei como lhe dizer isto mas, está completamente enganado quanto à situação americana. Quanto, a todos os números manipulados, sinceramente, não acredite neles. Só para ter uma ideia, nos EUA, quem trabalhar, nem que seja duas horas por semana, por lei, não constará nos números do desemprego. Nestes casos, o emprego precário tornou-se uma autêntica praga. Filhos que estão a voltar para casa dos pais porque não ganham o suficiente para ter casa própria.
Financeiramente, o Mundo está um caos e, se realmente, as pessoas estivessem informadas, tenho a impressão que entravam todas em pânico.
Isto de recuperações económicas e pensar que algum país esteja bem... é quase como acreditar no Pai Natal...
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De Pedro Correia a 31.03.2016 às 23:32

Ao contrário de si, eu consulto dados estatísticos e confio neles.
Os dados estatísticos indicam-me que entre 2010 e 2015 a taxa de desemprego baixou de 10% para 5%. Indicam-me também que há 72 meses consecutivos vem-se registando aumento da criação de empregos nos EUA. De maneira geral, as famílias americanas dispõem hoje de mais poder de compra do que tinham há seis anos.
Poucos países da Europa, muito poucos, podem gabar-se de algo semelhante em idêntico período.
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De Miguel Ribeiro a 31.03.2016 às 09:16

Em primeiro lugar dar os parabéns ao Pedro pela análise que fez, que me parece clara e correcta.

Em segundo lugar a questão dos números, sejam eles divida, desemprego o que seja. Pensemos na questão do terrorismo, desde os atentados de 11/9/2001 houve na Europa cerca de 500 mortos em atentados terroristas, em acidente rodoviários perto de 600 000 no mesmo período. Mortos totais cerca de 75 000 000. Ou seja por cada morto em atentado morreram mais de 150 000 pessoas na Europa por outras causas. Os números são o que são, não se conseguem esconder.

Voltando à questão dos números no contextos dos comentários ao post do Pedro, pensar que nos EUA os números são manipulados é pura idiotice, pensar que na maior democracia do mundo o presidente pode manipular quer a sociedade cientifica quer a sociedade civil é idiotice. Nos EUA é impossível uma mentira prevalecer. Obama não tem grandes números para apresentar, excepção feita ao desemprego (na Europa quem trabalha 2h por dia não conta como desempregado) mas algum politico tem no mesmo período? Não é correcto comparar por exemplo o crescimento no tempo de Clinton com o crescimento no tempo de Obama, porque tudo mudou, nada é comparável.
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De lucklucky a 31.03.2016 às 19:57

"pensar que na maior democracia do mundo o presidente pode manipular quer a sociedade cientifica quer a sociedade civil é idiotice. Nos EUA é impossível uma mentira prevalecer. "

As bolhas especulativas acontecem porquê, insuficiente e/ou errónea informação e/ou preconceito do mercado.

O voto em Obama foi o quê? uma posta claramente especulativa baseada no que os jornalistas queriam. Foi levado em ombros por uma clique política-jornalista.
Diga-se que Hillary também só o é candidata por ser "famosa" e o mesmo para Trump, só está onde está por ser "famoso".


Mas ainda há: "Lies damn lies and statistics"

Basta consultar as variações ao longo do tempo nos concelhos sobre a alimentação por organismo federais. Que isto da América ser "neo liberal" tem muito que se lhe diga.
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Quanto aos comentários sobre a alucinação burocrática chamada Obamacare, nem é preciso mais do que ler as palavras da Hillary sobre o desastre. E é só uma parte dele.



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De Miguel Ribeiro a 31.03.2016 às 20:51

As bolhas especulativas e os especuladoras fazem parte do mercado, já haviam antes do Obama e continuaram a haver, dão liquidez ao mercado. Claro que quem é apanhado nas regras do mercado culpa o mercado, mas ele não tem culpa.
Há sempre candidatos mais apreciado pelos media o Marcelo é um bom exemplo disso, felizmente nos EUA e em Portugal a imprensa pode livremente dar a sua opinião. Pensar que é ela que faz a vitória nas eleições parece-me um exagero e requer prova.

Pensar que o Obamacare não implicava um aumento de despesa era não saber fazer contas. Mas se reparar nos últimos dois anos podemos dizer que o orçamento americano está equilibrado, ou seja ficou provado que é possível todos viverem um pouco melhor com um aumento de impostos, que até a avaliar pelos grandes magnatas americanos podia ser maior, significativamente maior diria eu. Mas neste caso é mesmo uma questão de ideologia. Eu sou a favor dum estado com preocupação social. Sem abusos mas com preocupação.
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De Pedro Correia a 31.03.2016 às 23:39

Como sublinha um pouco mais acima, Miguel, "não é correcto comparar por exemplo o crescimento no tempo de Clinton com o crescimento no tempo de Obama, porque tudo mudou, nada é comparável."
Este mundo globalizado do século XXI tem cada vez menos a ver com a década de 90. E muito menos ainda pode ser comparado com as chamadas três décadas "gloriosas" do pós-guerra, em que havia taxas de crescimento anual médio de 5% e situações generalizadas de pleno emprego. Com custos energéticos baixíssimos, taxas de fertilidade muito elevadas que permitiam sustentar fortes estados-providência e a manutenção de diversos mercados coloniais que forneciam matérias-primas baratas a troco de dispendiosos bens de fabrico industrial.
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De Miguel Ribeiro a 01.04.2016 às 09:05

Sim Pedro, mas apesar disso tudo que refere o PIB em regra é positivo, a sustentabilidade do chamado estado social é um problema que nos deve fazer pensar, nomeadamente se o mesmo deve ser para todos e quase gratuito. Sempre me fez um bocado confusão falarmos de natalidade quando em Portugal paga menos em propinas um estudante no ensino superior que um bebe no colégio. Podíamos começar por aqui. Também penso que não estão esgotadas as formas de capitalizar o estado social. Bem sei que os impostos já são muito altos, ser empresário em Portugal é um caso de filantropia ou de ladroagem na fuga aos impostos, a minha empresa tem 6 anos é a 5ª com mais lucros no País segundo o relatório do BdP na sua área de negócio, estranho não é? Mas é isto que acontece em Portugal. Todos nós conhecemos várias pessoas que pura e simplesmente não pagam impostos e não se cansam de aparecer. A questão por exemplo do sorteio do carro para quem pede factura pode parecer um bocado parola mas o que é certo é que aumentou a receita diminuindo a fuga aos impostos. Muitas outras formas haverá certamente de melhorarmos.
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De Pedro Correia a 01.04.2016 às 23:12

Miguel: agradeço-lhe o contributo que aqui trouxe para reflectirmos melhor sobre esta questão do estado social, que se presta a muita demagogia política e lamentavelmente gera poucos debates sérios.
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De lucklucky a 01.04.2016 às 07:42

Não me expliquei bem. O meu ponto é que as bolhas acontecem por uma falha de informação, a falha é em muitos casos natural: não há possibilidades de saber que tecnologia xyz vai funcionar ou se vai ser ultrapassada, ou quando o vai ser. E os limites de alguma coisa só se sabem criando um bolha.
Mas a escala, dimensão e duração da bolha está muitas vezes ligada a actos politicos/culturais - muitas vezes excesso de certeza na interpretação dos números.
Mas no caso da bolha imobiliária nos EUA e na Europa nunca teria acontecido com a dimensão que teve se a inflação imobiliária tivesse bem presente nas estatísticas. Mas todos ganhavam, por isso ninguém a quiz rebentar.

"Pensar que o Obamacare não implicava um aumento de despesa era não saber fazer contas."
Não percebo a referência porque não falei sobre isso. Falei num sistema bizantino como está na moda nos EUA em tudo o que fazem e será uma das razões para o seu falhanço se não mudarem, baseado em mentiras de Obama - "pode manter o seu médico" - que falhou.
Se o Obamacare obriga as pessoas a pagar muito mais é bem provável que até diminua os gastos.

"Mas se reparar nos últimos dois anos podemos dizer que o orçamento americano está equilibrado. "

A dívida americana não tem parado de aumentar apesar de um record de quantitative easing a insuflar as bolsas.
Nesta altura os EUA deveriam estar com um superavite gigante.
Se de repente todos dissermos ou acreditarmos que as nossas casas valem o dobro o PIB dá um grande salto - ou não dá uma grande queda que é mais o caso. Mas aquilo que cresce artificialmente tem tendência cair com estrondo.


"Mas neste caso é mesmo uma questão de ideologia. Eu sou a favor dum estado com preocupação social. Sem abusos mas com preocupação."

Ou seja é a favor de violência para obrigar as pessoas a fazerem parte do que não querem. O que implica que pouco tolera a diferença. Um fundamentalista político.
Que no Ocidente veio substituir a religião.


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De Miguel Ribeiro a 01.04.2016 às 10:43

Bolhas por falha de informação? Ou falha de informação é ignorância?
Nos mercados falha de informação não existe, quem não se considera informado deve deixa-los. Assim não ganha mas também não perde, o resultado é nulo.
As bolhas sejam elas quais forem existem sempre e em todo o mundo veja o Japão, o Nikkei há 30 anos valia o dobro. Casos destes acontecem em todo o mundo e não dependem nem do Obama, nem do gato por lebre no tempo do Cavaco. São uma condição de todos os mercados que como sabe tem uma grande componente psicológica, por isso é que de tempos a tempos vê taxistas e donas de casa a falar por exemplo de bolsa.

A parte do sistema americano ser bizantino não percebi, menos ainda que os americanos paguem mais e que isso por si diminua os gastos.

Que país se pode gabar de não aumentar a divida? Quantitative easing a insuflar as bolsas? Ou para evitar a deflação? Sabe que isto não pode ser uma questão de ideologia. Como explica que se é para insuflar as bolsas o volume negociado nas mesmas não aumenta?

Eu não quero violentar ninguém, até acho que quem não tem preocupação social não deve pagar, mas também em caso algum receber. Matematicamente isto é possível desde que depois não haja o choradinho tão português de quem nunca pagou a querer receber.
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De lucklucky a 01.04.2016 às 21:04

Julga que sabe tudo para tomar as suas decisões? Para começar você é incapaz de prever o futuro.
A informação é sempre imperfeita porque nunca podemos saber tudo sobre tudo o que pode influenciar e muitas coisas só o futuro nos pode dizer.

Uma tecnologia xyz é notícia nos jornais e você vai investir. Mas um míudo numa garagem que não tem acesso aos media tem uma ideia melhor funda uma empresa e dois anos depois manda o investimento abaixo... E isto só uma pequena parte da sociedade.
Por isso é que existem palavras e frases para risco, seguros, diversificação e velhinha portuguesa não pôr todos os ovos no mesmo cesto...

O Obamacare é para obrigar os Americanos a pagar mais do seu próprio bolso para os que supostamente não têm. Logo não é suposto aumentar os gastos do Estado. Foi isso que referi.

A Bizantinice são os milhares de regras, excepções que os americanos hoje em dia têm de cumprir para fazerem alguma coisa e manterem essa coisa a funcionar. Muito da riqueza que a America tem hoje depende de uma cultura de fazer que está a desaparecer.

Não tenho discordâncias com o ultimo parágrafo. Se há objecção de consciência para não participar numa guerra da comunidade deve também existir para não participar de outras coisas dessa comunidade.
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De Miguel Ribeiro a 01.04.2016 às 23:54

Não, não sei tudo, mas quando falho não arranjo desculpas na falta da informação. Muito menos acho que a falta de informação é causada pelo Obama ou qualquer outra pessoa para me prejudicar.

Não leve a mal mas isso é conversa de "gestor" de balcão bancário. Eu prefiro a técnica de quando a empresa é notícia vendo. Corro menos riscos.

Está enganado ou eu percebi mal, o Obamacare implica mesmo mais despesa do estado já que a subsidiação aos que até então não tinham seguro foi feita através do aumento de impostos e do aumento dos seguros de saúde estatais para quem mais pode pagar. Acresce a isso também a penalização às empresas que não fazem seguro aos empregados.

Os EUA são a maior economia do mundo, acha que devem copiar outra com menos sucesso? O mais lógico não seria nós que temos uma economia mais pequena copia-los?

Em resumo não percebo muito bem a sua argumentação.

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De João André a 31.03.2016 às 12:31

Não ouvi o discurso nem o li inteiramente (o link apenas transcreve as partes em inglês). Obama disse mesmo restar? Pode ser que eu simplesmente não conheça a palavra (não conheço todas em português, quanto mais em espanhol), mas parece-me que alguém apenas passou o inglês to rest para um espanhol restar. Será que não quereria dizer quedar?

Gosto que passes tanto tempo na questão cubana, que poderá vir a ser o maior legado de Obama (o acordo com o Irão tem potencial, mas só o tempo o dirá, basta amanhã um Amahdinejad para deitar tudo abaixo).

Na minha opinião faltou a referência ao Obamacare, que não é perfeito mas que, mesmo sabendo que os EUA nunca quererão um sistema de saúde como ne Europa, permite criar condições para melhores cuidados a nível nacional.

Só gostaria de apontar alguns aspectos:
- na Síria Obama envergonhou os EUA com a história da linha vermelha. Nem vale a pena explicar.
- a captura de Bin Laden foi no seu mandato, mas é difícil não pensar que tenha sido um processo levado a cabo pelas diferentes agências americanas sem que a administração (Bush ou Obama) tivesse muita influência. E se a tivesse, talvez até fosse para o lado de Bush, que teria colocado em prática algumas mudanças administrativas (fora o abominável waterboarding) que permitiram a colaboração entre as diferentes agências (mas isto é especulação minha).
- muita da recuperação económica é devida ao Banco Federal. As políticas importam, mas as medidas do Fed foram a pedra basilar.
- Gunatánamo está ainda aberta como prisão...

Na primeira eleição, seu eu fosse americano, teria votado Clinton nas primárias, não Obama (que está mais à esquerda mas que eu via como excessivamente soft). Talvez a partir do próximo ano se possa descobrir se essa opção teria sido melhor, mas Obama foi de facto melhor que aquilo que eu esperaria.
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De Pedro Correia a 31.03.2016 às 23:08

Houve uma gralha minha na transcrição, que já corrigi. Tinha um 'r' a mais.
A frase em espanhol é:
«El futuro de Cuba tiene que estar en las manos del pueblo cubano.»
É um discurso notável, que ficará na galeria dos grandes discursos presidenciais, a par do memorável discurso que proferiu na Universidade do Cairo, em 2009, e pode ser lembrado aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=B_889oBKkNU
A melhor prova de que Obama tocou no ponto certo, na alocução bilingue em Havana surgiu na resposta pronta do 'Granma', o jornal oficial da ditadura castrista (e quase único no país):
http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=5&ved=0ahUKEwjFw9bp9uvLAhUB1RQKHQkkAEwQFggoMAQ&url=http%3A%2F%2Fwww.granma.cu%2Fobama-en-cuba%2F2016-03-23%2Fel-futuro-de-cuba-ya-esta-en-manos-de-los-cubanos-23-03-2016-00-03-11&usg=AFQjCNFwnoJr0EefuHh6oQzJAHbv0ORPkw&bvm=bv.118443451,d.bGs
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De Bandeira a 01.04.2016 às 12:19

Gostei, Pedro. Abraço
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De Pedro Correia a 01.04.2016 às 12:45

Abraço, meu bom amigo.
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De lucklucky a 01.04.2016 às 21:07

Video oficial da Casa Branca

https://www.youtube.com/watch?v=m4Q_dbP4BbU

Casa Branca censura o audio da frase de Hollande onde existe a expressão: Islamic Terrorism


"But we're also well aware that the roots of terrorism, Islamist
terrorism, is in Syria and in Iraq. We therefore have to act both in
Syria and in Iraq, and this is what we're doing within the framework of
the coalition. "

This is the portion of audio censored from this video starting @4:40 taken from the White House transcript found at https://www.whitehouse.gov/the-press-office/2016/03/31/remarks-president-obama-and-president-hollande-france-after-bilateral as of 4/1/2016
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De Pedro Correia a 04.04.2016 às 18:23

Você tornou-se adepto de Hollande? É novidade para mim.

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