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Reflexões europeístas (9)

por Pedro Correia, em 20.05.14
 
O apogeu do modelo social europeu alicerçou-se entre 1950 e 1980  em espectaculares taxas de crescimento económico e de produção industrial na Europa (na década de 60 o produto francês aumentou em média 5% por ano, enquanto em Portugal e Espanha crescia 6% e na Irlanda 4%, no mesmo período). E deveu-se também à contínua renovação de gerações face à elevada taxa de natalidade. E ao afluxo de matérias-primas baratas, oriundas dos mercados coloniais. E -- pormenor que convém não esquecer -- ocorreu antes do controlo do mercado internacional do petróleo pelas chamadas nações emergentes. E quando mais de dois mil milhões de pessoas -- residentes para além da cortina de ferro e da cortina de bambu ou nos países subdesenvolvidos -- permaneciam à margem do mercado globalizado do trabalho, incapazes portanto de concorrer com os trabalhadores deste lado do planeta.
Tudo isso acabou.
 
Vivemos hoje num mundo pós-colonial, caíram os diques no velho império comunista. A época é já outra.
O "progresso" não nos trouxe só a internet, a pílula do dia seguinte, a televisão por cabo e a easy jet. Trouxe a globalização também no domínio laboral: largas dezenas de países entraram nas últimas duas décadas em competição directa e acesa com a Europa, que deixou fatalmente de estar no centro do mundo.
Um modelo em crise numa Europa em crise? Certamente. Em meio século, o índice de fecundidade caiu quase para metade, de cerca de três filhos por casal em 1960 para 1,6 em 2013. Em 1980 havia no espaço europeu mais 36 milhões de crianças do que reformados, hoje existem mais seis milhões de reformados do que crianças. Com o número de contribuintes para a segurança social a cair e as despesas de saúde a aumentar num continente onde as pessoas com mais de 65 anos deverão ser 22,5% do total de habitantes já em 2025.
Não há sistema de segurança social que resista à implacável dureza desta demografia em declínio. Por algum motivo chamamos Velho Continente à Europa.

Eis-nos portanto num espaço crepuscular, onde cada vez menos cidadãos financiam o estado social, o que conduz fatalmente a uma escolha que é de natureza política mas não pode deixar de ser condicionada por parâmetros financeiros para além dos quadrantes ideológicos: haverá aumentos consecutivos da carga fiscal ou novos cortes nas prestações sociais?
O resto é quadratura do círculo. Ou cenários de alquimia.
Enquanto não descobrirmos petróleo temos de viver com as receitas que gerarmos. A menos que regressemos ao ciclo infernal da dívida & do défice que nos coloque de novo nas mãos dos prestamistas internacionais e nos reconduza a esta apagada e vil tristeza em que começamos por perder o respeito alheio e acabamos por perder também o respeito por nós próprios. Ficando assim à mercê do primeiro candidato a "homem providencial" que se apresentar em palco munido de impecáveis credenciais populistas. Sem um cavalo branco, como o do Sidónio. Mas a galope acelerado, ao ritmo a que a História dos nossos dias se processa.

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40 comentários

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De Luís Lavoura a 20.05.2014 às 18:19

o índice de fecundidade caiu quase para metade, de cerca de três filhos por casal em 1960 para 1,6 em 2013

E espanta que o índice de fecundidade seja tão elevado.

É que, em 1970 as fábricas na minha terra tinham creches onde as operárias deixavam os filhos enquanto trabalhavam. Hoje, uma trabalhadora que tenha um filho, não só não tem creche no emprego como, com grande probabilidade, será despedida aquando da próxima renovação do seu contrato de trabalho.
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De É só a gente saber a 20.05.2014 às 19:23

Em 1970 o número de mulheres que trabalhavam fora de casa era mínimo. É só a gente saber o que diz.
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De Luís Lavoura a 21.05.2014 às 09:23

Eu falei das fábricas da minha terra (na Bairrada). Em 1970 empregavam montes de mulheres. Lá se noutros sítios do país também trabalhavam mulheres, não sei.
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De Enfim... a 20.05.2014 às 20:06

Creches antes do 25 do A eram aos milhares. Eu disse milhares? Enganei-me, eram aos milhões.
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De da Maia a 20.05.2014 às 22:01

Nos anos 1970 houve um efectivo aumento de regalias sociais em muitas empresas.
O Luís Lavoura tem razão.

Quanto ao comentador avulso... Creche e Aparece!
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De Eu é mais creches a 20.05.2014 às 18:19

E que andará a fazer o tal GT nomeado pelo governo para estudar estes assuntos? Na verdade, as causas estão identificadas, o diagnóstico feito e conhecidos os (pobres) remedeios aplicáveis na Europa dos nossos dias, a não ser que consigam reinventar a roda.
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De Pedro Correia a 20.05.2014 às 23:42

O GT tem vindo a debruçar-se sobre a questão. Mas debruça-se pouco. Para não cair.
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De Luís Lavoura a 20.05.2014 às 18:20

(Já agora, em demografia não há casais. Há mulheres, que são quem determina a capacidade reprodutiva de uma sociedade. Por isso, é "filhos por mulher", não "filhos por casal".)
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De Carlos Duarte a 20.05.2014 às 23:05

Caro Luís Lavoura, não seja preconceituoso que a ILGA vai atrás de si ;)
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De Luís Lavoura a 21.05.2014 às 09:29

Não há preconceito nenhum, Carlos Duarte. É um facto. Quer numa sociedade haja 2 homens por mulher, quer haja duas mulheres por homem, isso é irrelevante para a capacidade reprodutiva dessa sociedade, dado que a fecundidade das mulheres não depende do número de homens que estejam disponíveis para as fecundar.
Além disso, o "casal" não é uma caraterística de todas as sociedades. Na África muçulmana, por exemplo, é normal um homem mais rico ter 3 ou 4 mulheres enquanto que homens mais pobres não têm nenhuma. Falar de "filhos por casal" num tal contexto social é disparatado. O que interessa é o número de filhos (aliás, de filhas) por mulher. Mais explicitamente, o que interessa é que cada mulher consiga ter uma filha que atinja a idade reprodutora.
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De Carlos Duarte a 21.05.2014 às 10:13

Caro Luís Lavoura, p.f. ligue o interruptor do sentido de humor. Estava a brincar consigo (e a "pegar" com a noção politicamente correcta que os conceitos de pai e mãe estão ultrapassados)
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De S.C. a 20.05.2014 às 18:21

Em relação aos sistemas económicos, muito se tem falado ao longo dos tempos do «capitalismo» ou do «comunismo», pena que se fale pouco duma alternativa a estes dois - o sistema «cooperativista». Embora sabendo que nenhuma alternativa é perfeita, seria bom que houvesse mais debate nos meios de comunicação, sobre outras alternativas no plano politico/económico, e entre elas o ««cooperativismo» democrata centrista».
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 20.05.2014 às 20:26

Depende do "cooperativismo". Pode ser cooperativismo tipo Adega Cooperativa de Borba, então é bom cooperativismo. Mas se for cooperativismo tipo UCP 1º de Maio do camarada Zé Luís que Deus tem, já ponho muitas dúvidas.
Ou deste tipo:

http://www.youtube.com/watch?v=l7qs_nfLMSc
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De jj.amarante a 20.05.2014 às 18:40

Toda esta análise é um conjunto de figuras de retórica sem grande substância. Os enormes aumentos de produtividade das últimas décadas, cujos ganhos foram concentrados numa parcela ínfima de decisores que têm feito enormes disparates na gestão desses valores, dão para assegurar uma velhice condigna à população. O que é que o Pedro Correia propõe? Que se exterminem as pessoas com mais de 60 anos? Ou deveríamos limitar aos 50? Com excepção dos ricos, claro está.
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De Pedro Correia a 20.05.2014 às 23:51

Lamento não poder produzir mais do que "um conjunto de figuras de retórica sem grande substância", caro JJ Amarante.
Mas estou a tentar redimir-me.
Já hoje fiz uma pausa para acompanhar a campanha eleitoral em curso para o Parlamento Europeu. E deixei-me dessas figuras de retórica.
Aprendi coisas com muita substância, como as que passarei a transcrever:
«Não estou nada obcecado com o PS.» (P. Rangel)
«Eu estou obcecado com o PS.» (Nuno Melo)
«De Pé!» (Bloco de Esquerda)
«Vamos sair do euro» (MRPP)
«É tempo de sair da NATO» (PNR)
«Contra o vírus socialista» (Rangel)
«A direita é o vírus do despesismo e do empobrecimento.» (Marisa Matias, BE)
«Não vamos transformar isto numa discussão entre vírus e bactérias.» (F. Assis, PS)

Sinto-me muito mais iluminado.
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De jo a 20.05.2014 às 19:00

Se nem conseguimos pôr a trabalhar os trabalhadores novos que existem, como é que, havendo mais gente, o problema se resolvia?
O problema neste momento não é a falta de ativos disponíveis para trabalhar. Essa conversa sobre demografia é falsa. Pode vir a acontecer daqui a uns anos, mas estão a dizer que a SS está a falir neste momento.
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De Pedro Correia a 21.05.2014 às 01:09

Jo, a Europa não enfrenta apenas problemas financeiros nem o espectro da estagnação económica: enfrenta hoje também um sério problema demográfico. Que deve ser encarado de frente.
Durante alguns anos este problema foi disfarçado com o afluxo de imigrantes dos países do terceiro mundo. Mas já não há disfarces possíveis: hoje não existe um só país da Europa com uma taxa de fertilidade suficiente para a natural renovação de gerações (2,1 filhos por mulher).
A estrutura da população deixou de ser piramidal. Ao contrário do que sucedeu nos últimos séculos.
Isto ameaça a sobrevivência do sistema público de pensões, baseado na solidariedade intergeracional. Prejudicando seriamente as gerações futuras.
O problema agrava-se quando ocorre em cenários de estagnação económica - portanto incapazes de gerar riqueza - e de aumento de alto risco das dívidas públicas.
Existem alternativas? Sim.
Mas passarão sempre por soluções impopulares, como o aumento da idade da reforma (que poderia ficar indexada ao aumento da esperança de vida) ou o congelamento parcial das pensões.
Não por acaso, 22 países europeus já fizeram alterações aos respectivos quadros legais nesta matéria desde 2008. Sem solucionarem, no entanto, a questão de fundo.
http://economia.elpais.com/economia/2013/10/05/actualidad/1381000550_760139.html
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De da Maia a 20.05.2014 às 21:26

Estou de acordo com o jj amarante, e de alguma maneira fui respondendo nos outros comentários.

Por isso, contra as estórias talvez fique bem uma historieta.

A Horta do Sr. Kalashnikov.
Era uma vez uma horta com 10 trabalhadores, um engenheiro, e o dono, o Sr. Kalashnikov com a família.
O engenheiro foi automatizando a horta, de forma a diminuir o trabalho dos empregados. A certa altura produzia mais do que antes, e podia haver folga para os trabalhadores.
Porém, o Sr. Kalashnikov não gostava de ver aquela gente a fazer o mesmo do que ele - ou seja, nada... tinham mais tempo para o apanhar distraído e tirar-lhe aquilo que lhe dava poder... pois, não era o superior conhecimento, era mesmo a Kalashnikov.

Então começou a exigir mais produção, em nome do celeiro, a que chamava Estado Social, que os protegeria de más colheitas, para a velhice, etc.
Os empregados foram na conversa.

Conseguiam ainda produzir mais, mas o celeiro do Estado Social estava sempre vazio, porque a essência do problema era outra.
Uma vez duvidaram do Sr. Kalashnikov e perceberam o que era o Contrato Social redigido com uma Kalashnikov.

Enterrados os empregados, a horta ainda produzia sozinha, mas começaram a avariar umas peças. O engenheiro não era tão bom quanto parecia!
Ao fim de algum tempo já era a família do Sr. Kalashnikov a substituir os empregados, sem automação nenhuma.

Passado mais algum tempo, já ninguém vivia na horta do Sr. Kalashnikov.
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De Pedro Correia a 21.05.2014 às 00:20

A história é boa, da Maia, mas julgo ser dos tempos anteriores à formação da União Europeia. Nos tempos que correm, não há horta que escape à "normalização" decretada pela sacrossanta Comissão bruxelense que rege os destinos de todos nós. A directiva europeia que regula o tamanho, formato e condições de cultivo do repolho, por exemplo, tem 5090 palavras.
Louvados burocratas que se ocupam com tanta e tão copiosa sapiência legislativa do reino animal e vegetal.
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De da Maia a 21.05.2014 às 02:03

Pois, coloquei-a no formato soviete, mas há muitas variantes da mesma história.

O Pedro refere o caso em que o Sr. Kalashnikov é um alias de Comichão Europeia.
Nessa vertente o nabo da engenharia convence os outros que o patrão só quer a busca do repolho perfeito.
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De Pedro Correia a 21.05.2014 às 11:05

Os nabos medram à proporção inversa dos tomates, meu caro. Não há repolho que lhes valha, por mais 'normalizados' que estejam.
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De Carlos Duarte a 20.05.2014 às 23:26

Caro Pedro Correia,

Pegando nas intervenções anteriores dos Sr.s "jj.amarante" e "da Maia", a questão do Estado Social está intimamente ligada à questão de que Sociedade nós temos.

Quando Keynes, há 84 anos, publicou o ensaio "Economic Possibilities for our Grandchildren", apontava para uma redução do horário de trabalho conforme aumentasse a riqueza. Isto porque considerava que a satisfação (comforto) material das pessoas tinha um limite superior - que era constante - e, atingido esse limite, as pessoas trocariam trabalho por lazer (em que o conceito de lazer não era propriamente ficar sentado no sofá a ver a bola - mas essa é outra discussão).

O que Keynes NÃO previu foi que numa sociedade definida pelo consumo e altamente individualista, não existe o tal limite superior. Ganhe-se o que se ganhe, as pessoas conseguem sempre arranjar onde gastar - logo têm de trabalhar o mesmo (ou mais). E que, a partir de um certo ponto os gastos deixam de ser moralmente justificáveis, porque ocorrem em prejuízo de terceiros (a teoria que o negócio não é um jogo de soma nula é verdadeira - o que esquece é que mesmo não sendo a soma nula, as parcelas entre muitos dos "jogadores" não são de todo proporcionais).

O Estado Social tenta, de certa maneira, corrigir isso, ao assegurar alguma equidade sob a forma de uma "qualidade de vida mínima", onde se inclui a reforma. Mas apesar da progressividade do mesmo, sofre os efeitos da desagregação social inerente ao nosso modelo de Sociedade: quem ganha mais contribui mais, mas contribui o suficiente? E o problema não é o de "taxar os ricos" - o problema é o de fazer socialmente fazer sentir aos mais abastados que o são porque a Sociedade lhes deu as oportunidades e segurança para o serem, e, por conseguinte, eles têm uma dívida maior para com a Sociedade do que alguém que sempre viveu com o salário mínimo. Não sendo Rawlsiano, a noção de "véu da ignorância" é (ou deveria ser) importante na consciencialização das pessoas que a sua Fortuna nesta vida não depende, na sua maior parte, das mesmas - não escolhemos de quem nascemos, onde nascemos, onde crescemos nem as oportunidades que nos são concedidas.

There, but for the grace of God, go I.
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De Pedro Correia a 21.05.2014 às 00:00

Mencionar números é chato, Carlos. Mas é inevitável falar deles. Porque não há milagres. Na primeira década do século XXI a despesa pública portuguesa quase duplicou, passando de 49 mil milhões para 88 mil milhões - essencialmente, salários e prestações sociais. Nesse mesmo período a economia cresceu apenas cerca de 0,5% ao ano.
Ninguém pode distribuir aquilo que não produz.
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De da Maia a 21.05.2014 às 03:03

Eu também tinha ido por essa convicção, Carlos.
Porém não é só o problema da insaciabilidade da populaça, é o problema de conter a sua ameaça. O Mayday é que preocupou as elites...

As duas coisas estão ligadas, mas era fácil fazer um sistema de rendimento mínimo garantido. Ou seja, alimentação, habitação, educação, saúde, sempre asseguradas... isso não precisa de nenhuma moeda, precisa só de ser implementado.
Não é fácil, é facílimo.
Não é dar dinheiro, é prestar serviços. Isso não precisa de moeda.

Qualquer estado independente deveria ter alimentação e saúde no plano de defesa.
Quando não tem, é um estado sequestrado pelo mercado externo.
A maioria das conquistas que se davam não era por batalhas, era por cerco.
Cercava-se uma cidade e esperava-se que os habitantes se rendessem.
Financeiramente, com os mercados, cerca-se a economia.

O grande problema actual não é económico, é de segurança e sanidade.
É que a populaça não dê em preguiçosa, alucinada, ou vândala.
Para isso, para estar entretida, tem que ter medo do desemprego... o que é melhor do que ter medo da guerra, convenhamos.

Controla-se a população com medos e doces... da tirania policial, passamos para a tirania financeira. Do medo do polícia, passámos ao medo do patrão.

O problema é ainda que Estados armados e economicamente independentes estão fora de controlo financeiro imperial... e são esses nacionalismos que são combatidos com todo o vigor pelo império, em nome da paz - paz meio podre, neste caso.

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De Carlos Duarte a 21.05.2014 às 08:25

Caro Pedro Correia,

Mas eu concordo consigo que é preciso fazer algo em relação à situação actual. O meu ponto - que peço desculpa pela falta de clareza - era outro: não é admíssivel assacar as culpas (só) aos actuais reformados quando a culpa é generalizada e radica muito num modelo de Sociedade que, na minha opinião, dá um excessivo valor ao indíviduo como agente autónomo em vez de valorizar o indíviduo como agente comunitário (por outras palavras, nós somos e valemos pelo que interagimos com os outros e não pelo que achamos - em auto-avaliação - que valemos).

Sendo mais prático e olhando para a situação actual, é necessário por um lado respeitar os encargos já assumidos (nada de alterações rectroactivas) e, por outro, mudar radicalmente os futuros. Em termos das reformas (e parece-me que o seu post se foca muito nisso), isto implica pagar as reformas que já foram atribuídas sem cortes mas mudar JÁ as regras de cálculo, aplicáveis à parcela 2014 em diante das reformas futuras, para as futuras.
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De Pedro Correia a 21.05.2014 às 11:07

Estamos de acordo no essencial, Carlos.
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De rmg a 21.05.2014 às 00:22


As caixas de comentários estão cheias de "velhos" de idade ou de pensamento que não percebem que o mundo que já aí está não tem nada a ver com o mundo onde eles ainda estão .

Mas desde que me dei conta que muita gente da minha idade (a meio caminho dos 65 para os 70) me responde invariàvelmente "quero lá saber , eu já não vou estar cá !" , fiquei mais esclarecido .

E então quando é gente que não tem filhos nem netos fica mesmo tudo dito ...


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De Pedro Correia a 21.05.2014 às 01:14

Meu caro: era tudo mais fácil quando 600 milhões de habitantes (nós, os do lado de cá, habitantes do chamado mundo desenvolvido) viviam resguardados da concorrência dos restantes quase três mil milhões (os outros, que viviam nos países subdesenvolvidos e estão agora a beneficiar dos efeitos da globalização). Quando a boa velha Europa era uma ilha de prosperidade num mundo de pobreza.
Tudo mudou. E de que maneira. Com a China a preparar-se para se tornar já este ano a primeira potência económica do planeta.
Não há redoma que nos valha. Por isso defendo que a nossa resposta à globalização tem de ser no quadro da UE. Com mais (e melhor) Europa, não com menos Europa.
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De William Wallace a 22.05.2014 às 01:28

Eu não tenho filhos felizmente mas não concordo consigo !

A reacção e acção das pessoas (o não querer saber) decorre do individualismo e competitividade (bacoca) e falta de instrução em valores como solidariedade, honra, lealdade e liberdade enquanto noção que o meu espaço acaba onde começa o do próximo.

Uma sociedade formatada ao longo de várias gerações em que o que interessa é ser melhor / maior que o próximo independentemente dos meios usados não pode acabar bem e temo que se esteja a caminhar há muito nessa trajectória em Portugal onde até os mais velhos educados noutros valores já assimilaram esse modo de vida e o pior é que quem não é assim ainda é olhado de lado e ostracizado por querer rumar contra a maré.

Pelo menos é isto que sinto em cada momento pelos factos que observo e vou sabendo.

Fico-me por aqui ~.............................
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De Pedro Correia a 22.05.2014 às 10:26

Já reparou na contradição em que cai?

Frase inicial: «Eu não tenho filhos felizmente.»
Logo a seguir: «A reacção e acção das pessoas (o não querer saber) decorre do individualismo e competitividade (bacoca) e falta de instrução em valores como solidariedade, honra, lealdade e liberdade enquanto noção que o meu espaço acaba onde começa o do próximo.»

Não ter filhos «felizmente» não pode ser interpretado como «individualismo» fomentado por «competitividade bacoca» e até mesmo em falta de valores como "solidariedade» para não abdicar da noção de que «o meu espaço acaba onde começa o do próximo»?
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De William Wallace a 22.05.2014 às 20:34

Caro Pedro Correia a interpretação literal será essa possivelmente mas não é contradição nenhuma pois caso os tivesse acha você que continuaria impávido e sereno perante tudo o que sei, o que se diz e o que se faz ?

Fico-me por aqui pois meia palavra basta para bons entendedores.
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De rmg a 22.05.2014 às 17:20


William Wallace

Evito cuidadosamente entrar em diálogo consigo pois , das vezes que o fiz , a coisa não correu bem e eu gosto de conversar na procura de pontos comuns mas já não estou virado para discutir sem objectivo concreto - não me lembro quais foram os motivos mas lembro-me dos resultados finais pouco brilhantes ainda que nos tenhamos despedido em bons termos .

De resto é das pessoas que leio sempre , independentemente de concordar muito, assim-assim ou pouco no geral .

Mas desta vez abro uma excepção porque tenho que lhe responder , este é um caso típico do que lhe digo antes .

Acho assim que na sua ânsia de dizer o que pensa entrou por um caminho estranho pois diz que não concorda comigo (com exclamação e tudo) e avança com argumentos a suportar o seu pensamento com os quais , digo-lhe muito sinceramente , eu concordo totalmente , tem V. toda a razão .

Ficamos assim na situação engraçada de V. indicar de forma veemente argumentos para me contradizer que , não só eu nunca pus em causa , como ainda concordo com eles .

Porque o que eu disse é que as caixas de comentários estão cheias de gente que , como muito bem lembrou David Foster Wallace , pensam "por defeito" significando isto que estão formatadas para uma determinada maneira de ver o mundo e a vida que vem de longe (e também pelas razões que V. indica) e não querem perceber que se hoje não forem feitas "escolhas" - as tais que o pensamento "por defeito" inibe de fazer porque é sempre mais cómodo - não vão ter dentro de 15 a 20 anos a vida que têm hoje e de que tanto se queixam .

O mundo mudou tanto e vai mudar tanto nos próximos 10 anos que esta mentalidade de "fidalgo falido" que cada vez mais enforma o Velho Continente só pode acabar muito mal , pois todos os emergentes (no bom sentido) deste mundo se estão cada vez mais borrifando para nós (como se vai vendo todos os dias).

E depois acrescentei algo que podia muito bem ser uma pequena conclusão antecipada do que V. disse de forma mais extensa .

E claro , falei nos filhos e netos (que tenho , vários , felizmente) pois faz-me confusão que outros que os têm vivam no "venha a mim" permanente e se estejam cagando para eles num calmo "depois de mim , o caos" .

Ficamos assim nesta situação caricata de V. não concordar nada comigo e eu não só concordar consigo como achar que ajudou a explicar o que eu queria dizer .

Agora afirmar que "felizmente" não tem filhos a encabeçar o que depois diz é , de facto , um contrasenso pegado e me faz pensar que algo não bate certo , ou o "felizmente" foi infeliz ou o resto todo é mais panfletário do que sentido (mas continuo a concordar ...).

Bastava dizer que não tinha filhos ainda que , como lhe tentei agora explicar, não viesse a propósito de nada : ninguém tinha nada a ver com isso .
Mas assim lá terá que ficar a minha conversa , tal como a sua , por aqui , isto só podia correr mal a seguir .

Uma boa tarde para si

PS - Não se melindre , mas essa do "em Portugal" nem parece seu , que raio de mania auto-flagelatória que considera sempre que nos outros países só existem entes virtuosos quando o mundo todo só tem gente assim .

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De William Wallace a 22.05.2014 às 20:52

Como disse ao Pedro Correia a interpretação literal da minha afirmação inicial seria de facto essa, mas não é .

Eu apesar de não ter filhos preocupo-me com o próximo e percebo a sua incapacidade em ultrapassar as adversidades para as quais foi arrastado sem perceber o porquê e quando lhe martelam a cabeça o dia todo com frases feitas que o impedem de pensar por si.

Eu como ser pensante e informado recuso-me a participar nos logros diários de que somos alvo e o facto de dizer que felizmente não tenho filhos resulta do facto de que se os tivesse já teria de ter feito algo mais do que até agora senti necessidade e capacidade para fazer, no entanto até isso está a desvanecer-se pois o que verifico também cada vez mais é uma total falta de solidariedade entre os elementos da sociedade, uns por acção, outros por omissão mas a grande maioria por falta de informação.

Se o individualismo primário sempre foi cultivado na nossa sociedade ele agora atingiu o seu auge no modo soft pois ninguém é responsável por nada, a culpa é sempre de alguém que não nós próprios.
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De rmg a 22.05.2014 às 22:51


William Wallace

“ … e percebo a sua incapacidade em ultrapassar as adversidades para as quais foi arrastado sem perceber o porquê e quando lhe martelam a cabeça o dia todo com frases feitas que o impedem de pensar por si” .

Isto é comigo ?

Você percebeu o que eu escrevi ?

Você percebe alguma vez o que os outros escrevem ou só quer debitar as suas teorias para impressionar pacóvios ?

Você conhece-me de algum lado e sabe o que é que eu fiz e agora faço da e na minha vida nas 18 horas isentas de televisão que tenho todos os dias livres ?

Eu queixei-me de alguma coisa , ainda por cima quando sempre deixei aqui no DO bem claro que aos 68 anos não tenho problemas financeiros nem sentimentais que me tirem o sono ?

Você sabe alguma coisa da vida dos meus filhos , todos com mais de 40 anos e umas vidas de luta ("aqui" , lá fora quando o "aqui" lhes falhou e novamente "aqui" agora) de fazer inveja aos inúteis que vêm dizer banalidades com ar pomposo para as caixas de comentários da blogosfera ?

Está assim tão cheio de prosápia que classifica os outros como vagamente - senão certamente – uns pobres diabos que não sabem sequer pensar por si , ao mesmo tempo que se auto-define de forma assaz modesta e discreta “como ser pensante e informado” mas que não mexe uma palha porque não tem filhos , continuando assim por provar quantas mexeria se os tivesse ?

“… a culpa é sempre de alguém que não nós próprios”.

Isto é consigo !

Finalmente escreveu algo a olhar para o espelho .

Um resto de vida bom para si , pelo menos melhor do que a que (pelos vistos) tem agora





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De Anónimo a 23.05.2014 às 03:15

Caro RMG a citação que faz não é dirigida a si, obviamente falo no geral de quem se sente encurralado e desprotegido por quem supostamente o não deveria encurralar ou desproteger.

O que faço no dia-a-dia para inverter a situação é pouco, muito pouco em relação ao que seria necessário todos fazerem mas faço-o.

Quanto ao facto de ser informado e pensante não sugere que os outros o não sejam agora que existe muita lavagem ao cérebro dos Portugueses existe e muita dela (senão a maior parte) feita pelos políticos que nesta campanha eleitoral conseguiram não apresentar um ideia sequer acerca do que vão fazer caso sejam eleitos para melhorem as condições de vida dos cidadão Europeus ou se tudo se manterá estagnado a caminho do podre e aí sim muitos terão que se preocupar a sério.

Se existe defeito que tenho é assumir o que faço e o que penso e infelizmente o tempo tem-me dado razão em relação aos erros que apontei a mim ou aos outros e se reconheço os meus erros ou faltas também não tenho problema nenhum em identificar os culpados do estado comatoso a que a sociedade Portuguesa chegou em que o medo do que quer que seja é mais forte que a Verdade, a Rectidão e a Solidariedade.
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De rmg a 23.05.2014 às 17:17


Caro Senhor

Agradeço a sua cordata resposta .

Terá no entanto que ter mais cuidado com o que escreve e como o escreve pois quando se está "no calor de uma troca de opiniões" que não é presencial e portanto onde não é possível esclarecer logo as coisas , fácilmente se criam situações de difícil entendimento mútuo (o que me parece ter sido o caso).
Decerto já se terá dado conta , ao reler o que escreveu , que aquilo que ali está e tal como está é "dirigido" ao seu interlocutor do momento (neste caso eu) .
Admito assim que fôsse texto que tivesse escrito e não o tenha adaptado ao incluí-lo no comentário .

Como nunca me senti encurralado ou desprotegido na vida sem que no momento seguinte me começasse a "desencurralar" e a "proteger" não vejo nem nunca vi o mundo e a vida como local onde "alguém" em abstracto ou em concreto tivesse que tomar conta de mim ou resolver os meus problemas .

Por isso se não tenho hoje problemas financeiros ou sentimentais é porque , sempre que foi preciso mudar de vida o fiz , casei-me , divorciei-me , empreguei-me , despedi-me , trabalhei longe , trabalhei perto - e 2 dos meus filhos também já têm este cardápio todo porque cresceram nele e sabem que é cortando com passados e "mexendo-nos" que cada um de nós constrói futuros .

Sem perder um minuto com lamentos vários , os problemas começam a resolver-se no preciso momento em que surgem .
De resto um dos meus lemas é "se não fôsse eu , o que seria de mim ?" .

Não sei o que os políticos dizem ou disseram nem me interessa .
Não vejo televisão há mais de 20 anos (zero , excepto a selecção) , não leio jornais em papel e mesmo na internet (onde "leio" todos os dias durante 3 horas os jornais portugueses , espanhóis , franceses , ingleses , americanos , brasileiros) limito-me a muitos artigos de opinião de comentadores que aprecio e a passar rápidamente por cima de títulos que a maior parte das vezes nada me acrescentam e só me irritam .

Mas em contrapartida ando todos os dias 4 horas na rua desde que me reformei , conheço muita gente aí por toda a cidade e uso sempre transportes públicos : aprende-se muito !
Uma das coisas que se aprende é que as pessoas perdem mais tempo a falar aos outros dos seus problemas do que aquele que usam a tentar saír deles .

E ai de quem lhes queira dar sugestões ou indicar caminhos , não é isso que a maioria quer de nós mas só que os aturemos e concordemos com eles que são bestiais mas toda a gente lhes quer mal , do chefe à vizinha do lado passando pelo homem do talho .

Não me parece que seja defeito assumir o que se faz ou o que se pensa , acho mesmo que isso é uma grande virtude desde que não mintamos a nós próprios , o que é muito vulgar ...

Mas isso do tempo nos dar razão no que pensámos ou previmos não é nada que me entusiasme nem sequer me interesse , não me resolve nada de nada e acaba a ser uma espécie de "prazer intelectual solitário" .
Se há coisa que eu odeio é dizer "eu tinha razão" - quer dizer que a merda já está toda aí e vai sobrar para mim ...

E apontar culpados é interessante mas redutor , a cada dez anos esquecemos uns culpados e substituímos por outros não menos nem mais culpados .
Talvez só tenha uma "utilidade real" (com aspas pois para mim não o é) que é a de nos convencermos que não somos todos culpados , cada um à sua escala .

Uma boa tarde para si

Sem imagem de perfil

De rmg a 22.05.2014 às 23:27


Caro Pedro Correia

Reconheço que adoptei no diálogo com o comentador “William Wallace” um estilo que está longe de ser aquele que eu preferiria .
Mas acho que já conhece de mim o suficiente para saber que determinado tipo de “lições” que me querem dar com ar de benevolência intelectual me “animam” mais que o desejável .

É que aquela minha vida toda a ver “tantos filmes” de que já terá uma ideia provoca em mim reacções “epidérmicas” perante teorias que me cheira logo (talvez injustamente por vezes) a conversa de quem nunca fez nada de particularmente útil pelos outros e se tenta redimir escrevendo coisas “politicamente correctas” .

Quem fez coisas não tem teorias : as suas práticas respondem por si e perante as únicas pessoas que interessam , as que as viveram .

Sendo este um espaço de liberdade , como o tenho visto frisar bastas vezes , sei que o debate é totalmente aberto .

Mas sinto-me um pouco desconfortável , apesar de tudo …

Um abraço
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.05.2014 às 00:06

Meu caro: este é um espaço de liberdade onde qualquer de nós é igualmente livre de se exceder um pouco. Já me aconteceu a mim, como pode acontecer a qualquer um, e por acaso alguns dos leitores com quem hoje 'dialogo' melhor (virtualmente falando) são precisamente alguns daqueles com quem já tive fortes despiques verbais (por escrito) nestas caixas de comentários.
De qualquer modo, esse rebate que agora deixa só abona a seu favor. Revelando uma pessoa naturalmente cordata, dialogante e bem formada.

Um forte abraço, por tudo - e também por isso.

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