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Reflexões europeístas (10)

por Pedro Correia, em 21.05.14

 

Na campanha em curso para a eleição de domingo, várias forças políticas defendem a saída, unilateral ou negociada, de Portugal do euro. Há mesmo um partido que apela ao regresso imediato ao escudo. As consequências? Depois logo se vê, confessa o cabeça-de-lista sem pruridos nem temores. Chegou a esta indigência o debate político entre nós.

E no entanto devo reconhecer a alguns economistas -- com destaque para João Ferreira do Amaral -- o mérito da coerência, do desassombro e da persistência ao pronunciarem-se contra a permanência portuguesa no euro.

É útil que este debate seja travado. Em todas as etapas da construção europeia, nas últimas três décadas, os decisores políticos colocaram sempre os portugueses perante factos consumados. Refiro-me, em especial, a Mário Soares, Cavaco Silva e António Guterres: nenhum pensou seriamente convocar um referendo sobre esta matéria, todos fizeram questão de colocar o País nos sucessivos "pelotões da frente". Ao contrário, por exemplo, do que fizeram os britânicos, que recusaram dissolver a libra no sistema monetário europeu e obedecer aos ditames do Banco Central Europeu.

 

Dito isto, e reiterando o mérito da discussão, considero absurda a tese que nos pretende reconduzir ao vetusto recanto "orgulhosamente só". Como se Portugal fosse a aldeia do Astérix. Mas sem a poção mágica.

Sem o euro, o impacto da crise dos últimos cinco anos tinha sido ainda mais duro - um facto que não é ignorado nas capitais do Velho Continente. O poder de atracção da UE ficou aliás bem patente no Verão passado: enquanto alguns profetizavam o pior para o destino europeu, a Croácia tornava-se o 28º estado membro da união, com adesão ao euro já prevista para 2017.

Vale a pena parar para pensar: quanto teríamos de pagar em escudos pelas dívidas que contraímos em euros?

Um hipotético regresso ao escudo, com a consequente desvalorização da moeda nacional, conduziria a falências em cadeia, à descapitalização das empresas, à fuga de capitais, ao aumento drástico da dívida pública, a uma inflação galopante, à quebra da coesão social, à radicalização abrupta da nossa vida política e a um empobrecimento dos portugueses em larga escala.

Não admira que o tal nostálgico do escudo tenha respondido com um "logo se vê" ao ser questionado sobre as consequências daquilo que defende...


Por mim, não tenho dúvidas: devemos continuar no euro - tal como farão os espanhóis, nossos principais parceiros comerciais. Mas de olhos bem abertos para este fenómeno imparável que é a globalização. Um fenómeno que nos forçará a reformar o Estado e a repensar as suas funções - não à escala nacional mas à escala continental.
A economia mundial, o livre comércio e a desregulamentação de muitas actividades outrora blindadas à luz dos parâmetros dos "estados nacionais", fazendo da Europa uma fortaleza inexpugnável, colocam-nos problemas novos todos os dias. Não adianta bradar contra eles: seria tão inútil como bradarmos contra a internet e a revolução operada no domínio das telecomunicações.

Além disso devemos pensar que a globalização tem sido uma onda libertadora para quatro quintos da Humanidade.
É a velha Europa que tem de adaptar-se. Não será o resto do mundo a adaptar-se à velha Europa.

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32 comentários

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De jj.amarante a 22.05.2014 às 00:00

Continuo a pensar que devemos continuar no Euro mas respeitando as regras dos estados de direito, designadamente a Constituição. Já comparar a decisão de abandonar o escudo, uma espécie de "senha de refeição" com a libra, moeda usada no maior império de sempre e que serviu em tempos de moeda de reserva internacional é um bocado desajustado. Compreende-se que o país com a maior praça financeira do mundo não queira prescindir da sua moeda.
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De Luís Lavoura a 22.05.2014 às 09:56

Compreende-se que o país com a maior praça financeira do mundo não queira prescindir da sua moeda.

Pelo contrário: as grandes praças financeiras não funcionam com a moeda do país, mas sim com as moedas dominantes do mundo, quaisquer que elas sejam.

O Dubai é uma gande praça financeira, mas não creio que nela se trabalhe essencialmente com a moeda dos Emiratos.

Na City de Londres trabalha-se essencialmente com euros e dólares, não com libras.
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De da Maia a 22.05.2014 às 02:54

Que o regresso ao Escudo conduzia a tudo isso, já é conversa com 4 anos ou mais.

Agora vejamos a conduziu nestes 4 anos a permanência no Euro:
- Falências em larga escala - Confere!
- Aumento drástico da dívida pública - Confere!
- Inflação galopante - Não Confere. Equivale - Perda do poder de compra.
- Quebra da coesão social - Confere!
- Empobrecimento em larga escala - Confere!
- Radicalização da vida política - Não Confere!

Portanto, tirando a radicalização da vida política - vá-se lá saber porquê...
----- Tudo o que se antevia com o Escudo aconteceu sem ele.

E estes são factos divulgados após 4 anos sem o Escudo.
O que teria acontecido com o Escudo é apenas teoria infundada.

Ferreira do Amaral a defender o Escudo é tão bom quanto Alves dos Reis a defender o Banco de Portugal.

Quanto à Velha Europa... só se for velha de matreira.
Até parece que não foi propositada e coordenada a deslocalização das empresas ocidentais para outras paragens.
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De Pedro Correia a 23.05.2014 às 00:35

O euro é péssimo, caro da Maia? Sendo assim, é incompreensível o masoquismo dos povos europeus: quase todos aderiram ao euro, nenhum quis fazer marcha-atrás. Nem o Syriza, na Grécia, defende o adeus ao euro.
Em Portugal verifico que as forças políticas que querem romper com o euro - e dizem-no sem rodeios - são a CDU, o PNR, o MRPP, o MAS e o POUS.
Aguardei pelo veredicto das urnas e cá estarei a comentar a soma destes votos. O povo é quem mais ordena.
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De da Maia a 23.05.2014 às 22:51

Ora, meu caro, a soma dos votos confere sempre, com mortos e tudo... bom, umas vezes com mais unanimidade na homologação pela CNE do que noutras, n'est pas?
Paciência foi sempre a minha Santa de vota.
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De Pedro Correia a 24.05.2014 às 13:19

Sim, nunca houve tanto "morto" alegadamente disposto a votar como agora. É curioso como o número de registados nos cadernos eleitorais aumenta mesmo quando a população encolhe.
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De Um Dois Esquerdo Direito a 22.05.2014 às 08:20

Uma suposta saída ordenada do Euro faz-me sempre pensar numa ordenadíssima saída de um estádio onde houve tumultos ou desabou uma bancada ou então de uma discoteca em chamas.
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De Pedro Correia a 23.05.2014 às 00:35

Estratégia SQP: Salve-se Quem Puder.
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De Luís Lavoura a 22.05.2014 às 09:53

Um hipotético regresso ao escudo, com a consequente desvalorização da moeda nacional

Não vejo por que razão afirma, de forma tão perentória, que a moeda nacional se desvalorizaria.

De facto, a valorização de uma moeda depende em grande parte da balança comercial do país - que no caso português é excedentária - e da taxa de juro decretada pelo Banco Central. Se a taxa de juro fôr alta (leia-se: mais alta do que alhures), os capitais são atraídos para o país e a moeda valoriza-se.

Logo, não vejo por que motivos é que, automaticamente, a nova moeda portuguesa se desvalorizaria.
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De Pois Claro a 22.05.2014 às 11:55

Claro como vinho tinto que o Escudo se iria valoriuzar. Não tardaria nada que o Euro fosse comprado por uns 175 Escudos, senão menos.
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De Luís Lavoura a 22.05.2014 às 12:06

Repare que eu não digo que o escudo se valorizaria. Digo é que não é evidente que ele fosse necessariamente desvalorizar-se.
A (des)valorização dependeria em grande parte da política que o guardião da nova moeda (o Banco de Portugal) utilizasse. Se o BdP utilizasse uma política restritiva, mantendo juros relativamente elevados (o que não é difícil quando o juro mantido pelo Banco Central Europeu é próximo de zero) e não comprando obrigações do Estado (isto é, não produzindo mais escudos), então o escudo poderia de facto valorizar-se.
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De Pois Claro a 22.05.2014 às 13:58

O BP punha-se a imprimir notas de Escudo e ele a valorizar-se. Era melhor que descobrirem petróleo ao largo de Vilamoura.
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De tric a 22.05.2014 às 12:57

"Um hipotético regresso ao escudo, com a consequente desvalorização da moeda nacional, conduziria a falências em cadeia, à descapitalização das empresas, à fuga de capitais, ao aumento drástico da dívida pública, a uma inflação galopante, à quebra da coesão social, à radicalização abrupta da nossa vida política e a um empobrecimento dos portugueses em larga escala."
.
por momentos pensei que estava a falar do Euro...
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De Pedro Correia a 23.05.2014 às 00:38

Fuga de capitais? Inflação galopante? Radicalização da vida pública? Atenção às lentes: estão desfocadas.
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De Carlos a 22.05.2014 às 14:04

Será que a velha Europa tem de adaptar-se ou interessa que assim seja? Porque razão a velha Europa não impõe regras dentro da própria Europa? A quem interessa esta situação? Cabe à velha Europa também criar as suas regras, regras essas que já impôs, cá dentro, pois o que se fabrica tem de ser sob as regras impostas, mas em contrapartida entra tudo sem regras, onde a maioria desses produtos põem em causa a vida dos cidadãos e da natureza. Um dos grandes problemas desta Europa, não é a falta de trabalho? Então, chegou a hora, da Europa se impor, e dizer que todos os que saírem da mesma, para explorarem a mão de obra barata, de países onde se explora o cidadão que ao entrarem na velha Europa, terão de pagar um imposto elevadíssimo. Afinal a globalização o que tem feito é a exploração do ser humano e a degradação das sociedades em prol dos grandes grupos económicos e das grandes potências que o são pela exploração do homem. É isto que queremos? É criar seres humanos vazios de sentimentos, onde explorar o outro é normal? O jornalismo, tem aqui um bom tema para desenvolver e explorar se o quiser fazer como é lógico.........
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De Pedro Correia a 23.05.2014 às 00:41

A globalização tem tirado mais seres humanos da miséria do que todos os construtores de utopias. Pergunte ao chinês se há 20 anos vivia melhor. E ao angolano. E ao brasileiro. E ao mexicano. E ao indiano.
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De Carlos a 23.05.2014 às 01:43

O chinês corrupto vive melhor, os outros continuam escravos da corrupção. O angolano corrupto, vive no auge e o outro vive na miséria, tal como vivia antes, nada como ver ao vivo e eu já vi. Os indianos são o mesmo, é o hotel de luxo e mesmo ao lado reina a desgraça e a miséria, também vi e não quero ver mais, isto nas zonas turísticas porque nas outras é o caos. Os mexicanos com a máfia da droga e de órgãos é de bradar. A globalização podia tirar da miséria, se fosse feita de maneira a pensar no ser humano, mas está a ser tudo menos isso. A globalização podia ser óptima se a mentalidade de quem governa não fosse limitada unicamente aos seus interesses e aos dos grandes grupos económicos e a prova está bem à vista. Os média em vez de mostrarem ao mundo e desmascararem, não o fazem porque são o espelho da sociedade e por isso, também não ficam isentos de culpa porque em vez de informarem querem é vender, vender e vender..........
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De rmg a 23.05.2014 às 02:09


Carlos

De facto vê-se muito do que diz , eu também vi .

Mas diga-me uma coisa : também viu há 20 anos atrás e portanto está a comparar?
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De Carlos a 23.05.2014 às 12:38

Que se saiba, há vinte anos, não havia globalização logo, não pode haver comparações. Talvez haja alguma diferença, é que a corrupção há 20 anos não era tão evidente. A globalização foi bem pensada, mas o homem na sua ganância consegue destruir o que de bom se constrói. É inadmissível que em pleno século XXI se continue a escravizar e a explorar o ser o humano descaradamente, sem dó nem piedade. Está aqui, um bom tema, a que os média se podiam dedicar a fundo.
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De rmg a 23.05.2014 às 18:22


Carlos

Não pode haver comparações porque não havia globalização ?
Essa é boa !
Claro que pode haver comparações porque é exactamente por efeito quase exclusivo da globalização que as coisas mudaram .

E eu que vivi e trabalhei no Japão no princípio dos anos 80 não posso dizer que naquela altura era terrível a distância porque os telefones e o correio eram manhosos e agora é mais fácil pois há télémóveis e internet e o raio que o parta porque também não há comparação ?

Se juntar a globalização com o brutal aumento da população mundial nos últimos 20 anos é capaz de chegar a conclusões curiosas sobre a melhoria de vida de mais populações do que julga (e se para aí estiver virado , claro) .

Quanto à sua frase sobre ser "inadmissível que em pleno século XXI se continue a escravizar e a explorar o ser humano descaradamente, sem dó nem piedade" tem todo o meu apoio .

Mas já agora diga-me lá , aqui que ninguém nos ouve , quantas coisas "made in China" , "made in India" e "made onde se explora seres humanos" tem o meu caro em casa ?



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De Carlos a 23.05.2014 às 22:46

As comunicações e essas coisas de que faz alusão, devem-se à evolução da tecnologia e não à globalização. Quanto à sua pergunta é aí que está o busílis da questão e que acaba por me dar razão. Com tudo feito nesses países, qualquer dia já nada é feito na velha Europa e assim sendo, como vamos ficar a nível de trabalho por cá? É que neste momento, até as marcas de luxo mandam fazer os seus produtos nesses países para terem lucros brutais à custa da exploração humana. Dou-lhe um simples exemplo: o senhor Amâncio Ortega, dono do grupo INDITEX, seria o homem mais rico de Espanha se mandasse fazer os seus produtos em Espanha? Não, não era porque teria de pagar o justo pelo trabalho do outro e a Espanha estaria noutro patamar das suas contas. Por este andar, os grandes grupos económicos vão-se deslocando, cada vez mais e nós por cá, continuaremos a mendigar por trabalho que pelo andar da carruagem também entraremos na lista desses países de mão de obra barata. Por isso reforço a globalização foi bem pensada, mas o homem na sua ganância, consegue destruir o que de bom se constrói....
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De rmg a 24.05.2014 às 14:49


Carlos

Agradeço a sua resposta .

Não , não lhe dou razão .
A globalização só foi possível por causa da evolução da tecnologia e a evolução da tecnologia só tem avançado tão depressa devido à globalização .
Desculpar-me-à , conversa de engenheiro de 1970 ...

E não respondeu à minha questão sobre as coisas feitas por "escravos" que tem em casa , como todos temos , só que nem todos temos o pouco bom senso de andar a escrever determinadas coisas a defender os direitos desses "escravos" enquanto beneficiamos largamente do trabalho escravo deles .

Tudo o que a grande maioria de nós tem em casa e fabricado nessas "paragens" também se faz na Europa , tudo .

Só que com o mesmo dinheiro o Carlos ou eu compramos uma coisa estupenda "made in China" enquanto só compraria uma coisa medíocre "made in UE" , o resto é conversa (refiro-me a objectos de alta tecnologia e não a facas de cozinha).

E se quiser comprar uma coisa equivalente feita na UE (porque tem bons princípios e não quer explorar desgraçados miseráveis) custa-lhe tanto que depois não vai poder comprar outras coisas que também gostaria de ter .
Portanto compra chinês ou indiano , claro , temos sempre desculpas para nós próprios .

O problema que eu estou a ver no que me diz é que ninguém parece querer perceber que de facto cada vez mais largas camadas das populações desses países vivem melhor e que isso não podia deixar de ser feito à custa de cada vez mais largas camadas das populações da Europa e dos EUA viverem pior , pois deixaram de usufruír de "vantagens competitivas" (!) que os períodos coloniais e neo-coloniais lhes trouxeram durante séculos .
Andamos todos muito esquecidos (ou a fazer-nos esquecidos ...) de que a Europa cresceu em grande parte à custa da exploração dessa gente toda , só que agora o feitiço virou-se .

Desculpar-me-à mas a conversa dos grandes grupos económicos se deslocarem é uma grande verdade mas é curta pois os consumidores todos também se deslocaram com a desculpa de que "tudo é feito lá" .
Mas não é verdade que "tudo seja feito lá" , quem também está a dar cabo da indústria europeia é o consumismo desenfreado destes "fidalgos falidos" em que nos estamos a tornar .

Ninguém está muito preocupado com as condições de trabalho locais do chinês ou do indiano , aqui na Europa ou nos EUA , pois se nem com as do vizinho do lado se está ( ainda que nos EUA alguma preocupação haja nem que seja porque os chineses têm uma percentagem muito grande da dívida pública deles e agora resolveram amortizá-la - vem aí outro estoiro ...).

Está tudo é preocupado com a sua própria vidinha a andar para trás porque éramos uns fidalgos e agora estamos falidos e os "países emergentes" não mostram respeito nenhum pelas nossas glórias passadas , parece impossível !

Portanto a globalização tem dado bons resultados mas não para a Europa .

A Europa deixou-se envelhecer e , como é hábito dos idosos (há excepções , poucas) , deixou-se acomodar numa de "isto agora vai ser sempre a subir ou pelo menos a não descer" .

Como se isso não bastasse tanto a China como a Índia (só para lhe dar dois exemplos) têm uma cultura milenar que não fica nada a dever à nossa e , ainda por cima , um enorme orgulho nela (ao contrário de nós europeus , o Pedro Correia bem tem insistido que está na altura de mudar isso tudo).

Quanto ao patamar das contas espanholas por causa das deslocalizações não lhe sei dizer pois as contas não são assim tão simples , fariam mais mas venderiam muito menos .
Se não fôsse assim como é , está por provar que a empresa do referido senhor tivesse ido mais longe que uma qualquer fábrica de confecções bem gerida .

Agradeço o debate .
Uma boa tarde para si

PS - Permito-me aconselhar os textos de Sérgio de Almeida Correia aqui no DO sobre a China e que amigos e conhecidos meus que lá estiveram recentemente corroboram .

E permito-me enviar este sugestivo link :

http://en.wikipedia.org/wiki/File:China_india_gdp.jpg

Em países de 1364 milhões e de 1236 milhões de habitantes é capaz de ser difícil sustentar que há um milhão que vive bem à custa dos outros 1300 .
Isso não impede que existam fortes desigualdades , como é óbvio , muito mais evidentes ainda na Índia (o passado recente da China ajuda a compreender porquê) .
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De rmg a 24.05.2014 às 17:37


Em tempo , mais umas coisas sobre a China .
Peço desculpa de serem em inglês mas a informação é mais completa .
De ver a evolução do PIB per capita logo no 1º quadro , nas colunas mais à direita.

http://en.wikipedia.org/wiki/Historical_GDP_of_the_People's_Republic_of_China
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De Carlos a 24.05.2014 às 19:23

rmg, respondo-lhe dizendo-lhe que nem eu, nem os meus, entramos em lojas chinesas. Quanto a ter produtos made in China, tenho de dizer-lhe que os tenho, tal como lhe dizia, qualquer dia nada é feito na Europa. Na UE, devia fazer-se o que fazem os brasileiros, em que se quisermos exportar para lá, temos de pagar um imposto altíssimo, tão alto que não compensa exportar, digo-lhe com experiência de causa. Eles fazem-no, para protegerem os seus produtos e era assim que a UE deveria fazer. O problema, é que os grandes grupos económicos mandam nos políticos e os políticos, também não se importam porque mais tarde, também eles vão usufruir e depois dá nisto. Uma vez que UE não tem trabalho e não podemos continuar assim porque não é viável porque razão não se impõem regras? Empresa que sair fora da UE, os seus produtos ao entrarem teriam de pagar um imposto altíssimo e talvez aí veriam se compensava saírem ou não. Eu disse-lhe que os corruptos nesses países, cada vez estão melhor e os pobres dos trabalhadores cada vez são mais explorados. O problema é que se explora o pobre para beneficiar os grandes grupos económicos e os ricos que cada vez estão mais ricos e assim não podemos continuar. A história ensinou-nos que ciclicamente há chatice e provavelmente, tudo isto, um dia vai acabar muito mal, quando não sei, mas mais tarde ou mais cedo vai haver problemas. A Europa precisa de dar trabalho e tem de impor as regras aos produtos que entram, tal como as impõe cá dentro. Nós, temos regras para os produtos que produzimos e se falharmos as regras sofremos as consequências e os outros entram sem regras e muitos deles com tintas e produtos prejudiciais à saúde e não se trava nada? No mínimo, se não estão conforme as regras impostas na UE não deviam entrar. Repare num pormenor, vamos para a China, vendemos bens essenciais à China, fazemos negócios, onde reina o partido comunista há anos e quando se fala no PCP aqui, são maus, não queremos nada com eles. Isto é normal? Não, não é, há aqui alguma coisa que não bate certo. Não tem nada que agradecer o debate, é do diálogo e do debate de ideias que muitas das vezes começamos a ver as coisas doutra maneira que até aí não víamos.
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De rmg a 25.05.2014 às 01:04


Carlos

Mais uma vez obrigado pela sua atenção .

Eu também não entro em lojas chinesas , nada daquilo presta .
Mas não era das lojas chinesas que eu falava , como percebeu , era dos computadores , televisores , leitores de DVD , aparelhagens hi-fi , télémóveis , toda a parafernália sem a qual ninguém parece ser feliz se não conseguir ter o modelo mais recente .
E isso tudo é de alta qualidade e o meu caro vá pela casa fora a espreitar por trás ou por baixo deles (comece pelo computador onde escreve) e verá que se não foi na China não ficou lá longe .

Eu sei disso dos brasileiros : um filho meu esteve lá imigrado durante uns bons tempos e um outro filho meu tem trabalhado lá por períodos nos últimos anos.
Como já são quarentões e pais de família (portanto já sabem algo da vida) não andaram por lá só a ver no que as modas davam .
O Brasil funciona por "impulsos" e as coisas já começaram a mudar muito porque o crescimento parou e o governo até diz porquê : crise mundial e endividamento das famílias (nada que me espante , eu ía sabendo pelos rapazes).

Uma coisa é proteger os próprios produtos e outra é não ter produção própria suficiente de alguns produtos e nesse caso o Brasil não é muito especial no sentido de que aquilo que não querem proteger internamente também não taxam astronómicamente nas importações .

Concordo consigo que a legislação europeia devia ser mais restritiva na fase da importação mas concordará comigo que , tal como as coisas estão , a população europeia estaria muito pouco disponível para aceitar limitações ao seu próprio consumismo doentio e não se espera que todos os políticos da Europa se ponham de acordo para serem corridos pelos eleitores / consumidores porque estes já não podem comprar tantos brinquedos ...

As pessoas habituaram-se mal e agora não há como voltar atrás , ninguém o compreenderia .
E não digo isto como fatalidade pois também não se reconstrói a indústria que desapareceu com passes de mágica nem boas intenções .
Não se devia ter deixado ? Não sei , talvez não , talvez sim .
Raciocínios desses são anacrónicos , um pouco como os "prognósticos só depois do jogo" do outro e eu não funciono com "ses" (pois falta provar tudo!)
Na altura parecia bom para quase toda a gente , disso lembro-me bem ...

Não me parece que nos leve a parte alguma escamotear o facto de os pobres de largas zonas do planeta estarem cada vez menos pobres , tal como não me parece que o facto dos ricos estarem mais ricos afecte esse raciocínio , são situações independentes para mim (admito que para outras pessoas não) pois eu não me ralo que alguém tenha um carro XPTO desde que uma grande maioria dos que andavam a pé ou de bicicleta possam agora ter um carro normal , só os invejosos é que preferem que todos tenham o mesmo carro .

Quanto ao seu raciocínio final relativo à atitude para com a China e o PCP .
Começo por lhe dizer que nasci , cresci , vivi e trabalhei no meio de comunistas até aos meus 36 anos , alguns deles amigos de casa de meus Pais no "antigamente" .
Ao longo da vida seguinte e por razões várias lidei muito com gente do PCP e ainda me dou com muitos deles .

Tenho-lhes respeito em termos estritamente profissionais onde íncluo a capacidade de trabalho , o pragmatismo nas soluções negociais que não envolvam discussão pública susceptível de demagogias e o cumprimento dos acordos mesmo verbais .


A China será a maior potência económica mundial provávelmente já para o ano e de comunista só tem o nome e algumas práticas talvez incompreensíveis para nós mas justificáveis se nos lembrarmos que um erro inferior a 1% no censo de população deles é equivalente à população portuguesa toda (de resto vivi uns tempos no Japão há muito tempo , "sinto" o oriente de outro modo).
Toda a gente no mundo quer fazer negócios com a China e se possível "da China" , não só é combóio que não podemos perder como já estamos a ír um pouco atrasados para o apanhar.

Mas o PCP teve que se manter em posições muito ortodoxas para sobreviver no meio da hecatombe que sofreram os seus congéneres europeus e perante um eleitorado fiel que vem de longe e passa gerações .
Nisso é muito semelhante à Igreja Católica , até na sua organização primitiva .
Mas se até a Igreja está a mudar ...

Mais uma vez obrigado e uma boa noite para si
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De David Israel a 22.05.2014 às 16:16

Por mais catastrofistas que sejam as previsões acerca do que se passaria se Portugal saísse do euro, elas não conseguem ultrapassar a actual realidade económico-social dentro do euro.

E Portugal não voltaria ao "orgulhosamente só" apenas pelo facto de ter moeda própria: não me consta que Reino Unido, Suécia, Dinamarca, Noruega e Suíça estejam orgulhosamente sós.

Finalmente, se tivessemos moeda própria nunca poderíamos termo-nos endividado do modo que nos endividámos, devido às taxas de juro mais altas que teriam sido aplicadas às obrigações do tesouro português.

Desde a criação do euro que a economia portuguesa estagnou, e tal não é mera coincidência.
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De Pedro Correia a 23.05.2014 às 00:46

Seria lindo ver o Portugal do escudo a estabelecer trocas comerciais com a Espanha do euro. E a pagar em escudos as dívidas contraídas em euros. E a ver as taxas de juro disparar, sem a almofada do Banco Central Europeu. E a ver a inflação a subir cada vez mais alto como o balão da cantiga, quase a rivalizar a da próspera Venezuela do Maduro que fala com passarinhos. E ver as poupanças dos portugueses depositadas na banca estrangeira. E o investimento estrangeiro a passar ao largo.
Enfim, o Portugal pré-CEE em todo o seu esplendor. Não é preciso fazer nenhuma experiência laboratorial: já passámos por ela há 30 anos.
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De rmg a 23.05.2014 às 02:48


Já estou como no anúncio : "eu sou do tempo ..." das inflações de quase 30% ao ano - e já tinha família para alimentar e vestir .

Seja como fôr acho sempre alguma graça aos raciocínios dos "ses" retroactivos , com "ses" estava eu de papo para o ar no Havai a esta hora .

Mas há uma questão prática para a qual tenho tido poucas respostas .
Como é que o cidadão ou a cidadã que estão sentados ao computador "Made in China" , com um olho no televisor "Made in China" e atentos ao toque do télémóvel "Made in China" enquanto o jantar aquece no micro-ondas "Made in China" e o carro leva na oficina da esquina uma peçazita "Made in China" mais barata que na marca - tudo coisas que só tem nessa quantidade e nessa qualidade porque vive "encostado" ao euro - enquanto se insurge na blogosfera contra a exploração dos pobres chineses em que ele participa alegre e activamente , como é que esse cidadão se habitua novamente a só trocar aquelas coisas daqui a uns bons anos e algumas delas nem sequer poder usar ou porque não tem dinheiro para as peças mais mixurucas que passaram a "custar" um batatal de massa ao novo câmbio do dia ou , mais provável ainda , porque passado um ano já saíu outro modelo ?

É que eu também já vi esse filme , o de só se poder importar muita coisa (em especial equipamentos básicos para a indústria e mesmo automóveis) depois do dinheiro ou da respectiva garantia de pagamento estarem lá fora na conta do vendedor .

Mas na altura não tinha uma horta jeitosa e um pomar simpático algures no interior do país e agora tenho , vou continuar a comer qualquer coisa .
Assim e como conselho para a malta das cidades : toca a arranjar umas hortas e uns pomares na varanda ou nos parapeitos das janelas .

De resto estou preparado para "saírmos" do euro , é hipótese que sempre pus ainda que não me agrade .
Apenas duvido que as pessoas a quem a ideia pelos vistos tanto agrada estejam de facto preparadas ...
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De JS a 22.05.2014 às 16:49

O poder Político está, e sempre esteve, dependente do poder Financeiro.

E esse poder, de facto, Financeiro, sabe como não se expor ás ... "opiniões" públicas. Sempre, ao longo da história. Solavancos só epidérmicos e passageiros. Perguntem aos fantasmas de Alexandre o Grande, ao do "divino" César Augusto ou ao de Napoleão. De permeio Átila o Huno, Gengis Khan , ou Imperador Bokassa ou ainda o mais recentemente, e por aqui o tão bajulado, M. Khadafi que acabou num cano de esgoto.

Posto isto, nem Passos, nem Merckel , muito menos Barroso ou herdeiro, nem Obama , nem Putim ... têm o poder que aparentam (e gostariam de?) ter para liderar o que quer que seja. Com ou sem votos, mais ou menos democráticos, ou populares, a suportá-los. Apenas complacentes -ou não- "ego trips ".

Nações, Portugais , Uniões "Europeias", EUA ... são já obviamente reminiscências para licenciaturas em História.

Esperar algum acontecimento sério poder político, além do fácil e sedutor discurso, qualquer que ele seja ... é melhor sentarem-se. Apenas uma inconsequente luta de garnizés pelo poleiro mais alto naquele galinheiro.

Quanto a votos, europeus ou nacionais, ..." just , don't make me laugh ".
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De Pedro Correia a 23.05.2014 às 00:50

O mundo hoje está perigoso. No tempo do Gengis Khan vivíamos melhor.
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De Carlos a 23.05.2014 às 13:28

Estamos a comparar-nos com um louco!... É que loucos, houve muitos e é quando os políticos, não mostram soluções e se vendem que aparecem os loucos e os radicais. Veja o pequenino texto de Francisco Prieto e perante tal, é de nos perguntarmos para onde caminhamos. A China, a China que boa para fazer negócios e onde reina o comunismo e aqui, quando se fala do PCP, são os papões nem pensar, temos de ter cuidado. Afinal em que ficamos?
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De Pedro Correia a 24.05.2014 às 13:17

Sim, eu li o texto da Francisca Prieto. É de facto muito bom.

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