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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 28.01.14

«Os putativos estadistas de esquerda, dentro e fora do PS, terão de responder ao enigma da tragédia nacional, que a esfinge da austeridade nos coloca: "dentro da zona euro, como está, sucumbiremos de agonia; fora da zona euro, implodiremos com estertor. Como sair daqui?" São as respostas concretas que alimentam uma liderança. A pose não chega. Seguro ainda não convence. E os outros? Alguém conhece as respostas de Costa, Louçã, Carvalho da Silva, entre outros, ao enigma de que depende o futuro de Portugal? O País pede à esquerda rigor, e não telegenia. Realismo, e não propaganda. O melhor será que os velhos e novos campeões da esquerda se concentrem na decifração do enigma, em vez de aumentarem ainda mais a autofagia nas suas hostes.»

Viriato Soromenho-Marques, no Diário de Notícias

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20 comentários

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De Carlos Duarte a 28.01.2014 às 10:39

Caro Pedro Correia,

Pois. Mas parece-me que a estratégia ainda continua a ser esperar que o poder caía de podre. Pode (eventualmente) servir os interesses do PS e de José António Seguro, mas não serve e será muito mau para o País.
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De Pedro Correia a 28.01.2014 às 11:25

A esquerda portuguesa enfrenta desde os tempos revolucionários um dilema nunca até hoje solucionado: só converge na oposição, mostrando-se incapaz de convergir para alternativas de governo.
Por sectarismo ou miopia, continua a ser muito mais aquilo que separa os partidos de esquerda do que aquilo que os une. Como aliás se tem visto em questões de menor dimensão política como a impossibilidade revelada nas recentes eleições autárquicas de candidaturas 'unitárias' ou nas quase quatro décadas de poder jardinista na Madeira sem a formação de uma frente de oposição comum.
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De Carlos Duarte a 28.01.2014 às 11:41

Caro Pedro Correia,

Mesmo na oposição, as opiniões coincidem na oposição e não tanto na alternativa.

A Esquerda sofre muito de um complexo de superioridade ideológica, em que cada "facção" considera-se como detentora da verdade absoluta (ou científica, para os mais Marxistas). Ora, nesses casos, em que a ideologia se aproxima da religiosidade, torna-se muito díficil o consenso se este implica cedências. Ninguém quer abdicar uma iota das suas ideias e, como consequência, o entendimento é impossível.

Cabe (ou caberia) ao PS ser, dentro da esquerda e porque é ainda um partido de "centro", assumir algum pragamatismo nas suas posições. Infelizmente, por um conjunto de circunstâncias sobejamente conhecidas, tal é muito díficil hoje, o que acaba por deixar o futuro do País num local incómodo e poder mesmo, em última análise, "devolver" o poder ao PSD e CDS nas próximas legislativas.
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De lucklucky a 28.01.2014 às 18:42

Não me parece.
Quais são as discussões ideológicas entre o Bloco, o Livre, o 3D e o PCP? Nenhumas, são tudo jogos de narcisos e narcisas.
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De Miguel R a 28.01.2014 às 13:51

Ou seja muita ideologia e pouco compromisso. Falta de espírito democrático?
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De Pedro Correia a 28.01.2014 às 17:53

O absolutismo impera. O que até se nota nas designações dos partidos. BLOCO de Esquerda, como se uma entidade imune a dissensões (o contrário do que se tem visto). LIVRE (como se os outros partidos o não fossem). Etc, etc.
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De jo a 28.01.2014 às 10:41

Diz-se isto como se a direita tivesse alguma solução para a crise.
A solução apresentada era empobrecer a sociedade que daí viria a redenção.
Não veio, e agora?
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De Pedro Correia a 28.01.2014 às 11:26

Fica a sua questão, à consideração do professor Soromenho-Marques.
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De lucklucky a 28.01.2014 às 12:11

Os problemas da Esquerda* são o seu narcisismo e o seu populismo.

Isso claro impede-a de enfrentar a realidade de que sempre fugiu.
Enfrentar que o Regime do 25 de Abril viveu sempre de maneira insustentável.

- Dívida de 15% para mais de 120%
- Receitas das privatizações
- Impostos a subir
- Subsídios Europeus a partir de 1986

Isto foi "grátis" durante 40 anos. Corrompeu o país ao ponto de as pessoas se habituarem a um nível de esforço para um nível de riqueza totalmente desadequado.
40 anos de regime que acabou. Finito, Kaput, não volta mais. E como castigo dos deuses temos agora a demografia.

Viriato Soromenho-Marques não é diferente daqueles que agora critica. Também ele se dedica ao populismo. Agora fala e "rigor" e "realismo" . "Rigor" não é mais que esta austeridade falsa que temos hoje. Austeridade só começa quando deixarmos de viver de mais dívida.

"A solução apresentada era empobrecer a sociedade que daí viria a redenção.
Não veio, e agora?"

Então você tem a arrogância que o dinheiro emprestado pelos outros era seu...
Se se pede emprestado e depois não se produz nem para pagar o emprestado -quanto mais enriquecer - espera o quê? Empobrecimento é o resultado.

Não é surpreendente a sua reacção. O Populismo e o Socialismo - perdoe-se a quase redundância- são a cultura do Regime vindo de 25 de Abril.

*Da Direita também. Só fazem é Socialismo em menor grau que a Esquerda
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De jo a 29.01.2014 às 13:11

Essa é a perspetiva de bancário.
Olhe que o bem estar e o sucesso de uma sociedade não se medem só pelo tamanho da dívida.
Também pode comparar índices de alfabetização, mortalidade infantil, número de mortos em guerras, liberdade de expressão, número de presos políticos e outras coisas.
Já agora qual foi o país capitalista que diminuiu a dívida pública neste período?
A presente crise foi iniciada pela falência de bancos. Apesar de não esta não ter sido a única razão da crise, a defesa da liberdade completa do capital como solução da crise é um pouco ridícula, tal como a ideia que são as instituições financeiras que sabem determinar o rumo certo para o mundo. Elas nem a si mesmas se sabem governar sem o dinheiro dos contribuintes!!!
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De lucklucky a 29.01.2014 às 16:54

"Essa é a perspetiva de bancário.
Olhe que o bem estar e o sucesso de uma sociedade não se medem só pelo tamanho da dívida."

Que contradição. O bancário quer emprestar mais e mais. Sem isso não tem bom negócio.
Porque é que julga que os Bancos estavam muito confortáveis com o juros baixíssimos do FED, BCE, BoE, BoJ ?
A expansão de crédito foi um maná para dupla Governos Bancos.
Porque é que julga que os Bancos foram todos atrás apoiando o crescimento das dívidas dos países. Porque é que os Bancos estavam muito contenctes com os défices dos países, porque é que os Bancos protestam contra a "austeridade"?

Sem a impressão de dinheiro do crédito não há crescimento e lucros dos bancos.
Sem programas publicos de gastos não há negócios com o Estado.
O tipo de investimento mais seguro para os Bancos é o Estado.
Um empresa vai a falência frquentemente. O Estado vai à falência raramente.
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De ratazana a 28.01.2014 às 12:21

O Jerónimo amigo do Un que mandou matar a família toda do tio ou o Maduro, por exemplo, estão cheios de soluços quero dizer soluções.
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De Pedro Correia a 28.01.2014 às 23:09

Lá diz o ditado norte-coreano: Kim o seu inimigo poupa, às mãos lhe morre.
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De BaixaMar a 28.01.2014 às 12:15

É perguntar ao Marinho Pinto, que Sua Excelência sabe.
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De Pedro Correia a 29.01.2014 às 22:52

Indagarei junto de Sua Insolência.
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De MaréAlta a 28.01.2014 às 12:17

Curioso que ele não refira o Tozé, o camarada Jerónimo, o doutor Semedo, a neta Catarina, o deputado europeu que está Livre...
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De PreiaMar a 28.01.2014 às 13:25

Bem... o Seguro refere, mas diz apenas que "não convence", não se sabendo bem se alguma vez respondeu ou se as "repostas" que deu foram inconvincentes...
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De am a 28.01.2014 às 17:09

O problema das esquerdas é que não sabem, não querem e odeiam governar em regimes democráticos parlamentares... Por cá, estão no Parlamento a fazerem um frete! Nota-se!
...
Só um pequeníssimo pormenor: Temos um partido (?) chamado os Verdes que, em legislaturas completas, não abre o bico para falar de ambiente! Digam quantas vezes aqueles "abortos da Natureza" falaram dela!
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De Pedro Correia a 28.01.2014 às 17:21

É um partido-proveta. Acolhido, com carácter vitalício, numa barriga de aluguer.
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De Vento a 29.01.2014 às 13:14

Viriato Soromenho Marques em seu texto vai bem mais longe que o universo da esquerda.
Mas há um enigma que eu permito-me decifrar e incluir, como uma espécie de adenda, no texto de Soromenho, que muito aprecio:
Este enigma resulta do facto de uma direita caduca, imatura, irresponsável, tradicionalmente tradicionalista na vivência à sombra de um estado que "subsidia" os "empeendedores", resgata bancos fabricando a miséria dos contribuintes, alavanca todos os outros com a venda de títulos de dívida que são comprados com "subsídios" do BCE e que por sua vez são caução para essa mesma instituição, que injecta dinheiro nas empresas com a liberalização do fandango da miséria e afirma estar a dinamizar a economia, vende património que é garantia de uma nação pensando ser detentora desses mesmos bens, negoceia contratos que acabam em swaps que se transformam em sopapos para os cidadãos, fomenta parcerias que são suportadas pela miséria daqueles que nunca se tornam parceiros e, para que não se fique por aqui, bebem de fontes venenosas que dizem "democratizar a economia" . Mas mais ainda, confundem a legitimação do voto popular com o legitimar de políticas criminosas.
E, não suficiente, depois de se terem entalado e entalado tudo e todos fazem apelos mesquinhos para que os tirem de um buraco que eles mesmo cavaram, a bem de uma nação que esqueceram.
O futuro de Portugal deixou de ser enigma, porque esta direita só pensa em Portugal quando não tem mais nada para destruir.
A esquerda, e em particular José Seguro, se quer pensar Portugal tem de esquecer a direita.
Se na miséria estamos da miséria saíremos, mas sem a direita que desde de Sócrates e continuando no seu púpilo Passos Coelho, com a ajuda de um "irrevogável" apoio de um não sei quê, tanto têm trabalhado em prol da sua própria vaidade e estupidez.
Por tudo isto permito-me recordar a Viriato Soromenho-Marques o mito de Sísifo; o enigma foi escrito, descrito e pensado há séculos. Não há nada de novo debaixo do sol. É das cinzas que Fénix renasce, mas não pode renascer com seus carrascos!

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