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Presidenciais (24)

por Pedro Correia, em 08.01.16

                     Marcelo-Rebelo-de-Sousa-2-560x840[1].jpg images[1].jpg

 

Debate Marcelo Rebelo de Sousa-Maria de Belém

 

Na sua melhor prestação em debates nesta campanha, Maria de Belém Roseira incomodou seriamente Marcelo Rebelo de Sousa. Mas isto, paradoxalmente, acabou por ser útil ao ex-líder do PSD: uma corrida presidencial sem controvérsia é o maior convite a uma abstenção em larga escala. E todos os cálculos eleitorais do professor podem estar em causa se a abstenção disparar para índices muito superiores aos que constam das sondagens.

A ex-ministra da Saúde e da Igualdade surgiu em cena como algumas loiras imortalizadas nos filmes de Alfred Hitchcock: capazes de cravar um punhal com um doce sorriso nos lábios. Conduziu de imediato o debate para questões de carácter, questionando a "dualidade" do catedrático, capaz de "dizer uma coisa e logo a seguir outra coisa completamente diferente". A prova, na sua perspectiva, foi patente nos debates anteriores: Marcelo "esteve à esquerda de Marisa Matias, esteve à esquerda de Edgar Silva e esteve concordante com Paulo Morais, que acusa toda a gente de corrupção."

Chegou a desenterrar a expressão "lelé da cuca" com que o então jornalista do Expresso brindou no final da década de 70 o proprietário e director deste semanário. "Não se lembra do que chamou ao doutor Francisco Pinto Balsemão num governo a que pertencia juntamente com ele? Uma coisa que eu nunca diria a ninguém." Matéria tão antiga e desenquadrada da realidade que só pode interessar aos arqueólogos.

Rebelo de Sousa, que até aí se mostrara muito mais cordato do que no debate da véspera com Sampaio da Nóvoa, voltou a desembainhar a espada. E reconduziu o frente-a-frente ao plano político, fustigando a sua opositora com esta exclamação sonante: "A senhora doutora, que não consegue unir o partido dela, quer unir o País!"

Era uma questão chave. Mas Marcelo não parou aí. Confrontado por Maria de Belém com a fama de criador de factos políticos, devolveu-lhe o proveito: "Lança a candidatura no momento em que o líder do partido dela está a dar uma entrevista importantíssima na campanha das legislativas e diz que eu é que crio factos políticos?!"

A política estava de volta ao debate. Virando a vantagem para o militante nº 3 do PSD, em quem Passos Coelho estaria a pensar quando no último congresso do partido se insurgia contra os "cataventos" da opinião. O facto é que acabou por recomendar o voto em Marcelo. Enquanto Costa não deu o menor indício de recomendar o voto na antiga ministra que já foi presidente do PS.

 

Vencedor: Marcelo Rebelo de Sousa

...............................................................

 

Frases do debate:

 

Belém - «Marcelo Rebelo de Sousa é o meu principal adversário.»

Marcelo - «O meu adversário são os problemas dos portugueses.»

Belém - «Intriguista eu nunca fui. E se perguntar aos portugueses quem é o campeão nessa matéria, eu não sou a campeã porque nunca usei a intriga.»

Marcelo - «A senhora tem andado a campanha toda a tentar à direita o que lhe falta à esquerda.»

...............................................................

 

O melhor:

- No final, perante questões concretas sobre um possível apoio a novas causas "fracturantes" na Assembleia da República, Marcelo manifestou concordância genérica enquanto Maria de Belém não hesitou: "Sou contra a eutanásia." Quatro palavras que bastaram para pescar votos no terreno político do adversário.

- Confrontado com acusações de instabilidade, o ex-presidente do PSD lembrou ter viabilizado três orçamentos do governo Guterres, evitando crises políticas e permitindo a Maria de Belém ser ministra até ao fim do prazo previsto para essa legislatura.

O pior:

- A ex-ministra da Saúde devia ter evitado suscitar o tema da difícil relação entre Marcelo e a liderança do PSD prevendo que o seu rival neste debate a questionaria de imediato sobre o apoio que António Costa e a grande maioria dos ministros do actual Executivo lhe negaram apesar de ter sido presidente do PS. O tiro fez ricochete.

- "A senhora doutora ouviu o debate de ontem, ou se não ouviu disseram-lhe, provavelmente disseram-lhe, depois deram-lhe umas notinhas e lá veio com as notinhas..." Era desnecessário este remoque de Marcelo, que pecou por arrogância.

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18 comentários

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De Anónimo a 09.01.2016 às 00:54

Marcelo vencedor quando tem piorado debate após debate. Lamento, o senhor até parece boa pessoa, mas para presidente não tem perfil.
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De Pedro Correia a 09.01.2016 às 14:24

"Piorado debate após debate" quer dizer o quê, anónimo? Está pior da sinusite?
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De Anónimo a 09.01.2016 às 15:02

O senhor tem sinusite? Não vá para a sinusite, vá ao conteúdo. Marcelo não diz nada, esquece-se do que disse ao longo dos anos, nos seus habituais comentários e gaba-se a si mesmo, o que lhe fica mal. É um senhor simpático que gosta de comentar e pouco mais. Mostra que vai ser mais uma figura de estilo e nada mais. Portugal merece mais que isto.
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De Pedro Correia a 09.01.2016 às 15:20

Portugal merece aquilo que os eleitores escolherem no dia 24.
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De Anónimo a 10.01.2016 às 01:03

Infelizmente os portugueses são muito pouco politizados, tão pouco que provavelmente vão votar, num senhor que era pago para aos domingos, durante anos e anos, comentar tudo e mais alguma coisa. Tinha uma figura simpática, dizia umas coisas e aconselhava uma tonelada de livros e nada mais que isto. Os portugueses esquecem-se e também não sabem que um Presidente tem de ser muito mais que isto. Senhor Pedro Correia os portugueses até podem votar nele, não pelo que é politicamente, mas pelo que andou a dizer nas televisões. Quando concorreu à câmara atirou-se ao Tejo, agora anda de táxi. Haja paciência...
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De Pedro Correia a 12.01.2016 às 10:54

Haja paciência para aqueles que quando ganham os candidatos das suas cores acham que o povo decidiu bem mas quando ganham os candidatos que detestam consideram afinal que o povo anda "despolitizado".
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De JgMenos a 09.01.2016 às 02:07

Mudei de canal quando o cretino do jornalista vem com a novela do Hospital de S.José.
Já é mau um tal naipe de candidatos, mas com este jornalismo de novela isto fica intragável!
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De Pedro Correia a 09.01.2016 às 14:22

É um jornalista competente. Não há a menor dúvida quanto a isso.
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De Anónimo a 09.01.2016 às 10:35

A ex ministra devia falar sobre a construção da casa dela num terreno comprado por um valor mínimo sem viabilidade de construção e após a compra vê-se a casa que ela construiu num local onde o PDM ao que consta foi alterado
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De Pedro Correia a 09.01.2016 às 14:22

Acusações anónimas, não comprovadas, valem o que valem. Nada.
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De Anônima a 09.01.2016 às 12:33

Minha Sincera Tristeza.

A declaração do candidato à presidência Sr. Dr. Profº Marcelo Rebelo de Sousa ontem, 08/01/16, na Sic TV, foi um tanto quanto infeliz. Como mãe de uma Criança portadora de Hiperatividade não só não concordo com a síndrome patologia da hiperatividade.
Não é nenhum doente mental, tão pouco um pobre louco. Está mais para um patologia de excesso de inteligência que a falta da mesma.
O Prezado Sr. Dr. Profº Marcelo Rebelo de Sousa errou na sua colocação. Uma criança hiperativa é assim por excesso de conectividade aumentando a atividade cerebral. Ou seja, não pára de pensar, não consegue parar, sentar ou dormir. Com amor paciência, além de compreensão e apoio familiar e tratamento um portador da síndrome patologia de hiperativa pode e tem uma vida normal é muito mais bem sucedida que a média dos demais. Prova disso temos Einsten, Michael Felps, Michael Jordan, Bill Clinton, Oscar Niemeyer, Alexandre Grahm Bell, Beethoven, Salvador Dali, O gênio dos gênios Leonardo Da Vinci, Cher, Walt Disney, Kirki Douglas, Thomas Edson, Galileu, Dustin Holfman, etc... A lista é gigantesca.
Então, é uma honra ser considerado um hiperativo, pois são assim por serem geniais demais para nós seres medíocres entenderem. Não culpo o candidato em pensar assim, pois antes ser mãe de um pensei assim também. Só espero que vejam todos, tanto a Srª Drª Cândida Maria de Belém que usou a hiperatividade como a lepra era usada para diferenciar os indesejáveis ou os inimigos dos demais lá nos tempos de Cristo, como o Sr Dr Profº Marcelo Rebelo de Sousa, que nos deixa triste em se sentir mal disposto ao ser comparado com um hiperativo. Bom se ambos fossem hiperativos, teríamos alguém genial para a presidência da República Portuguesa.
Não discriminem Não é bom.
Desejo à ambos sorte nas campanhas.
Forte abraço.

Apenas uma Mãe
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De Pedro Correia a 09.01.2016 às 14:25

Estimo as melhoras.
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De BELIAL a 09.01.2016 às 13:01

Estes debates ping pong. com golpes, bocas, insinuações, flashbacks, crispação postiça - são mui atontanados.

Constrangedores.
Confrangedores.

Por eles, abstinha-me de votar.
Apesar deles, também, talvez.

Não aprecio luta de galarozes.
E menos ainda, se "pintar" garnizé feminista e filauciosa.
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De Pedro Correia a 09.01.2016 às 14:20

Ah, saudosos tempos em que não havia debates políticos - só "conversas em família".
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De Anónimo a 09.01.2016 às 13:59

Há alturas em que a gente preferia não ter razão antes do tempo...
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De Pedro Correia a 09.01.2016 às 14:20

O primeiro passo para ter razão antes do tempo é não ocultar a identidade.
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De João a 09.01.2016 às 15:16

Por acaso o A, o V, a Alegria, o João, o Tino ou o Bonifácio que amanhã deixam de o ser, para serem outros, dizem-lhe alguma coisa? Penso que não.Porque se melindra tanto com o anónimo? Não se preocupe com os nomes, apelidos ou lá o que sejam, preocupe-se com os comentários que esses, é que valem, venham donde vierem. No fim de contas são todos anónimos, maquilhados num nome que pode ser real ou não.
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De Pedro Correia a 09.01.2016 às 15:19

Já havia um eléctrico chamado Desejo. Agora há um anónimo chamado João.

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