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Presidenciais (22)

por Pedro Correia, em 07.01.16

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Debate Henrique Neto-Paulo de Morais

Não basta ser candidato presidencial: é preciso parecê-lo. Ora Paulo de Morais nunca esteve tão longe de parecer um candidato presidencial do que no confronto da noite passada, na SIC Notícias, com Henrique Neto. Um debate onde as diferenças foram mais de estilo do que de substância. Ambos revelaram sintonia em diversas matérias - da oposição firme ao acordo ortográfico à crítica frontal à permanência da Guiné Equatorial como Estado-membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Mas Morais fez duas declarações que o dissociam claramente do cadeirão presidencial. A primeira visou o antecessor de Passos Coelho no cargo de primeiro-ministro: "Não tenho dúvida nenhuma de que José Sócrates é uma das caras da corrupção em Portugal." Sabendo-se que o antigo chefe do Governo está a contas com a justiça e que compete apenas a esta investigar, no âmbito dos seus poderes soberanos, não faz o menor sentido que um candidato presidencial se pronuncie desta forma sobre o tema.

A segunda foi aparentemente ditada por um irreprimível impulso demagógico: "Se eu for eleito há duas viagens que vou fazer muito rapidamente: uma a Angola, outra ao Brasil. Para explicar quer ao Presidente de Angola quer à Presidente do Brasil que Lisboa vai deixar de ser a máquina de lavar a corrupção destes três países." O candidato parece esquecer-se, desde logo, que só viajaria a Brasília e Luanda se recebesse convite prévio dos seus homólogos.

Num e noutro caso, Neto proferiu declarações sensatas. Sobre Sócrates disse que compete à justiça pronunciar-se. Sobre as visitas presidenciais, elegeria Washington: "Eu faria o contrário. Começaria pelos Estados Unidos. Porque é a maior economia mundial. É de lá que vem a inovação, é de lá que vêm as ideias." 

Se a frontalidade é um atributo, a ponderação é uma virtude. E por vezes, entre tanta afirmação empolgada para encher títulos de jornal, sabe bem escutar frases que parecem derivar apenas do mais elementar senso comum.

 

Vencedor: Henrique Neto

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Frases do debate:

Neto - «Nenhum português bem informado e atento tem dúvidas de que a corrupção é um caso sério em Portugal.»

Morais  - «Alguns casos de corrupção em Portugal são feitos tão às claras que para procurar provas basta ir ao Diário da República

Neto  - «A nossa justiça não tem capacidade para investigar a corrupção.»

Morais - «A justiça não é verdadeiramente independente tal como exige a Constituição.»

 

...............................................................

 

O melhor:

- O ex-vice-presidente da Câmara Municipal do Porto proporá, se chegar ao Palácio de Belém, um referendo sobre o acordo ortográfico. E adianta desde já a sua opinião sobre a matéria: "Sou claramente contra."

- "É um escândalo que a Guiné Equatorial esteja na CPLP", diz Henrique Neto. Quem fala assim não é gago.

O pior:

- Paulo de Morais elegeu Manuel de Arriaga como seu modelo de Presidente. Esqueceu-se que Arriaga não completou o mandato, o País viveu em convulsão permanente naqueles anos e o seu magistério presidencial abriu caminho à breve ditadura do general Pimenta de Castro.

- Se perder a eleição, Neto faz-se desde já convidado para comentador na SIC Notícias: "Espero que vocês me convidem algumas vezes a vir aqui, como faziam antes." Deve ser isto a que alguns chamam empreendedorismo...

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10 comentários

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De Luís Lavoura a 08.01.2016 às 10:06

Começaria pelos Estados Unidos. Porque é a maior economia mundial. É de lá que vem a inovação, é de lá que vêm as ideias.

Os Estados Unidos são a maior economia mundial e inovam muito, mas não investem em Portugal. Por isso, têm menor importância para Portugal do que, por exemplo, a Alemanha.
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De Pedro Correia a 08.01.2016 às 16:57

Se o critério for esse, o melhor é mesmo começar por Espanha. Nosso principal parceiro comercial.
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De Luís Lavoura a 08.01.2016 às 17:27

Certo. De acordo. Espanha, principal parceiro comercial, ou Alemanha, principal fonte de investimentos e de poder na União Europeia.
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De Luís Lavoura a 08.01.2016 às 11:28

O Pedro Correia, que tanto sabe sobre os Presidentes da 1ª República, diga-me por favor qual deles foi o que morreu no exílio na Guarda (em La Guardia), na Galiza.

Recentemente passei por lá e vi numa casa uma placa comemorativa de ter sido lá que viveu e morreu um ex-presidente da 1ª República no exílio. Mas não me recordo do nome.
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De Pedro Correia a 08.01.2016 às 16:58

O único Presidente português que morreu no exílio foi Manuel Teixeira Gomes. Em Bougie (então Argélia francesa) em 1941,
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De Luís Lavoura a 08.01.2016 às 17:32

Obrigado pela resposta. Então reformulo a pergunta: quem foi o presidente português que viveu exilado na Guarda (Galiza)?
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De Pedro Correia a 08.01.2016 às 17:42

Só pode ter sido Bernardino Machado (1915-17; 1925-26), exilado na sequência do 28 de Maio - primeiro em Espanha, depois em França.
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De José7 a 08.01.2016 às 12:13

Pois foi justamente pela clareza na opinião sobre o Sócrates, Angola, Brasil e tudo o resto, que entendo que o Paulo Morais ganhou o debate. É mais do que tempo, de em Portugal termos políticos com posições cristalinas sobre qualquer um daqueles temas, e outros tantos em que o Paulo Morais não se furta a dar respostas. Já estou absolutamente farto de hipocrisias, mentiras e respostas redondas e carecas, com que todos os políticos me tentam vigarizar.
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De Pedro Correia a 08.01.2016 às 17:05

A "clareza" não pode ser critério absoluto de avaliação dos candidatos. O bom senso, a ponderação, o sentido de Estado, o respeito pela esfera autónoma dos órgãos judiciais e pela soberania dos países com os quais temos relações fraternas são critérios a valorar também.

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