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Postais de Lisboa (2)

por Pedro Correia, em 28.03.17

«Queremos uma cidade de fachadas limpas e de miolo destruído? Queremos uma cidade cheia de restaurantes de péssima qualidade (basta exemplificar com quase todos os da Baixa) e lojas de souvenirs de mau gosto? Queremos uma cidade com constantes eventos no centro, precisamente a zona da cidade que menos precisa deles? Queremos uma cidade cheia de apartamentos para alugar a turistas, atirando os lisboetas para as periferias? Queremos uma cidade a abarrotar de turistas low-cost que se alimentam em supermercados e vão comendo pelas ruas (sujando-as)? Queremos que a cidade se transforme numa gigantesca Disneylândia cheia de lixo no chão?»

Tiago Guilherme, na revista Evasões (17 de Março)

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17 comentários

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De Luís Lavoura a 28.03.2017 às 11:35

restaurantes de péssima qualidade

Vivemos num regime de liberdade económica (e ainda bem). As pessoas têm a liberdade de ter um restaurante, seja de que qualidade for, seja onde for. Ninguém tem nada que ir dificultar a existência de um restaurante lá por ele ter má qualidade ou estar mal localizado.

uma cidade cheia de apartamentos para alugar a turistas, atirando os lisboetas para as periferias

Não faltam apartamentos vagos em Lisboa, que poderiam ser arrendados a lisboetas. Infelizmente parece ser difícil convencer os proprietários a colocá-los no mercado. Esse facto não é certamente razão para ir impedir outros proprietários de arrendarem os seus apartamentos a turistas.

uma cidade a abarrotar de turistas low-cost que se alimentam em supermercados e vão comendo pelas ruas (sujando-as)

As pessoas são livres de comer na rua. Os turistas low-cost são em geral cidadãos da União Europeia, que têm todo o direito de vir a Lisboa e não podem ser proibidos disso (é ilegal proibir o movimento de pessoas dentro da União). Quem mais suja as ruas até são portugueses que não são turistas.
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De V. a 28.03.2017 às 17:45

As pessoas têm a liberdade de ter um restaurante, seja de que qualidade for, seja onde for. Ninguém tem nada que ir dificultar a existência de um restaurante lá por ele ter má qualidade ou estar mal localizado.

Isto é "Lavoura" do melhor, neo-liberal e tudo.
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De Luís Lavoura a 28.03.2017 às 11:40

Os apartamentos que atualmente são alugados a turistas são, na sua imensa maioria, apartamentos que, antes disso, estavam vazios, ou seja, não estavam a ser alugados. O que acontece é que, na opinião dos proprietários desses apartamentos, não era suficientemente compensador alugá-los a lisboetas, mas é compensador alugá-los a turistas. Aparentemente há qualquer coisa nos lisboetas que dissuade os proprietários de apartamentos de lhes alugar. O preço que os lsboetas são capazes de pagar não compensa, na opinião dos proprietários, os riscos - de não conseguir despejar o inquilino, de o inquilino danificar o apartamento, etc.
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 12:04

Foi por isso que os senhorios atrasaram obras que deveriam ser feitas (infiltrações, agravadas pelo Inverno), atrasaram a reparação/inspeção de elevadores que deveriam ser feitas, para que os velhos de lá saíssem, pelas escadas e molhados, em nome do mercado.
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De Justiniano a 28.03.2017 às 12:26

Caro Halber Mensch, já ouviu falar em criaturas ahistóricas? Aterrou agora em Portugal!? Hibernou nos últimos 50 anos!? Nasceu ontem?
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De Luís Lavoura a 28.03.2017 às 14:52

Há uma diferença radical entre um inquilino que tem o direito legal de permanecer indefinidamente no apartamento arrendado, e outro que tem um contrato com termo.

O inquilino perpétuo trata em geral bem do apartamento (porque tenciona lá ficar a viver até à morte). O inquilino com contrato a termo trata por vezes mal do apartamento, quando não mesmo o danifica propositadamente (por raiva ao senhorio).

Conversamente, o senhorio de um inquilino perpétuo deixa degradar o apartamento, para ver se consegue expulsar o inquilino. O senhorio com contrato a termo, pelo contrário, tenta preservar o apartamento no melhor estado possível.
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 17:29

Tá bem tá...vá falar com o meu sogro!! Até lhe chovia por cima da cama. E os elevadores, adeus...já com a renda atualizada - 600 mocas/mês....mas o inglês paga isso por semana....

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De Justiniano a 28.03.2017 às 17:40

...mas o inglês paga isso por semana....
A chover em cima da cama!?
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 19:50

Não. Mas saiu o velho e entraram os pedreiros.
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De Maria a 29.03.2017 às 18:57

Só o facto do Sr. Einstu ... Neubate... apelidar de " o velho " ao seu sogro já me dá náuseas.
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De Luís Lavoura a 28.03.2017 às 18:00

O problema não é o valor da renda, o problema é o contrato de arrendamento ter ou não ter termo. Os senhorios não querem ter contratos sem termo e fazem tudo o possível para expulsar os inquilinos que os tenham.
Pague o seu avô 600 euros ou pague 100, o senhorio fará tudo o possível para o pôr fora, porque o que o senhorio quer é ter um inquilino com um contrato com termo certo.
O que é perfeitamente compreensível, aliás.
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 19:52

Claro que é compreensível. Até se pode matar o velho, se o serviço for bem feito. Um alivio para o senhorio e para a Caixa de Aposentações.
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 11:58

Queremos uma cidade limpa de impedimentos ao consumo- Lojas- Luzes - Acção!

Instead of teaching business and industry the edication system is teaching kids to fight against the very economic system that keeps them alive and free.

https://www.youtube.com/watch?v=LyO8piZhrp0
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De Luís Lavoura a 28.03.2017 às 14:56

uma cidade cheia de restaurantes de péssima qualidade (basta exemplificar com quase todos os da Baixa)

Esta queixa recorda-me a falecida Maria José Nogueira Pinto, que em tempos também fez um plano que tinha por objetivo erradicar as "lojas de chineses", e outras similares, da Baixa de Lisboa. Felizmente esse plano foi muito apropriadamente denunciado como racista e xenófobo e foi deitado para o cesto dos papéis.
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 17:30

De xenofobia os chinas percebem bem...império do meio, ou celeste, ou ...
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De V. a 28.03.2017 às 19:27

A citação tem os tropos todos do discursozinho marxista aldeão lisboa pequenina e pacatinha como os domingos dos anos 80. Quem é que define o bom-gosto das lojas de souvenirs? O Tiago Guilherme? A Catarina Martins? Os alunos da FCSH? O Presidente da Câmara? O zé que fazia falta que quer todos os toldos brancos em louvor de Alá ou o raio que o parta? Deixem as coisas acontecer. Façam como o Daniel Oliveira que diz mal mas ao menos já tem uma casa de hóspedes e agora é empresário e tudo. A questão das rendas é outro problema, porque tem que ver com a intromissão do Estado na Economia e o mau planeamento urbano e o infinito oportunismo de políticos sem vocação autárquica. A culpa não é do turismo —que é o que é— e é o que ainda vai salvando muita gente. Senão tínhamos o quê? Mais função pública, cooperativas soviéticas? Onde é que os pançudos da função pública vão buscar dinheiro para ordenados e reformas senão ao comércio e turismo? Tenham mas é juízo e tirem a pata de cima. Deixem andar. Não mexam!
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De lucklucky a 29.03.2017 às 16:39

Um Progressista, ou por outras palavras um Fascista. Vamos construir uma Littoria?

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