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Pós-eleitoral (5)

por Pedro Correia, em 28.05.14

1. Domingo, falaram as urnas: Passos derrotado. Segunda, falaram os "analistas": houve empate. Terça, falaram as pulsões autofágicas no PS: Passos venceu. Razão tinha o outro: o mundo muda muito em 48 horas.

 

2. 32% será resultado "frouxo". Mas o que diremos dos escassos 14% obtidos pelo Partido Socialista francês, de François Hollande, outrora proclamado por Soares e tutti quanti como um dos faróis da esquerda europeia?

 

3. A um ano das legislativas, e após ter andado a carregar o piano desde 2011, ninguém imagina Seguro a ceder um milímetro a solistas de violino. Mesmo que venham ungidos do Vau e aspergidos de Nafarros. Óbvio ululante, como dizia Nelson Rodrigues.

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34 comentários

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De Sérgio de Almeida Correia a 28.05.2014 às 03:46

Qual piano, Pedro, qual piano, meu amigo?
O piano foi sempre sobre rodas, bastava ter sabido dirigi-lo sem meter "argoladas", sem ceder aos "afectos".
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De Pedro Correia a 28.05.2014 às 09:53

O piano é, desde logo, o modelo em profunda crise da social-democracia europeia, meu caro. Não esqueçamos a dimensão europeia deste voto. O PS de Hollande fica quase com metade da percentagem da FN. Milleband, o 'wonder boy' do trabalhismo pós-Blair, queda-se pelos 26%. O outrora poderoso PSOE afunda-se para o pior resultado de sempre, 26%, não capitalizando nada em dois anos de feroz oposição ao Governo conservador. Até o SPD alemão não ultrapassa uns exíguos 27%.
É certo que Ferro Rodrigues obteve 44% há dez anos. Mas os tempos eram outros, à esquerda e à direita. Alguém imagina um Marinho Pinto emergir então com a força que agora obteve? Alguém supunha que um grupo inorgânico como o Podemos, fenómeno emanado das redes sociais, surgisse como quarta força mais votada em Espanha e terceira em Madrid, como agora aconteceu? E em qualquer outro contexto Beppe Grillo chegaria a obter um quarto dos votos em Itália?
Somos muito sebastianistas: pensamos sempre que um homem faz a diferença. Mas neste caso não faz, Sérgio. O problema é mais grave e mais fundo: as duas principais famílias políticas europeias estão gravemente feridas, Estão talvez feridas de morte.
Já antes tinha sucedido, na década de 90, com os comunistas na sequência da desagregação do bloco Leste e com o essencial dos democratas-cristãos, após os escândalos de corrupção que afundaram o sistema político em Itália.
Estes tempos são maus. Mas talvez ainda venhamos a ter saudades deles.
Olhar para os 32% do PS contra a direita unida (PSD+CDS) e ver neles um sinal imperioso para fazer rolar cabeças no partido vencedor é passar ao lado do essencial. Além de injusto para Seguro: foi um dos socialistas que se aguentaram melhor em toda a Europa. Amarrado como estava ao memorando de entendimento (que não assinou), amarrado como está ao Tratado Orçamental (queres dois pianos de cauda mais pesados que estes?)
Duvido que qualquer outro no seu lugar fizesse melhor.
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De Sérgio de Almeida Correia a 29.05.2014 às 03:32

A crise do socialismo democrático é um facto, como é a da direita civilizada tradicional. A obrigação de um líder é saber contornar os sinais negativos e incutir esperança, coisa que AJS não consegue.
Alguns dos resultados lá fora (e com o mal dos vizinhos posso eu bem) explicam-se pelo crescimento de forças anti-sistema, designadamente à direita, coisa que em Portugal não se verificou, ou com o crescimento de sentimentos anti-UE, o que por Portugal também não se verifica. See stes fenómenos tivessem dimensão em Portugal, ops partidos tradicionais já teriam colapsado.
Depois, se com uma abstenção tão grande Seguro só consegue 31,5, como poderá ele descolar desse número em legislativas?
Também não me esqueço que o resultado das autárquicas ficou muito aquém do que seria possível devido aos erros graves de estratégia que cometeu (basta pensar no entendimento pré-eleitoral e apoio que negou a Rui Moreira, da desastrada e inexplicável escolha que fez em Cascais ou o que aconteceu em Faro, onde depois de tudo o que se passou com Macário Correia conseguiu perder as eleições, numa altura em que o PSD até Loulé perdeu).
As duas famílias políticas europeias estão feridas porque não têm tido lideranças à altura e têm estado "enroladas" em esquemas aparelhísticos que protegem as mediocridades.
Injusto não é AJS sair. Injusto é não ter líderes políticos com dimensão, com craveira intelectual e política, que sejam capazes de fazer escolhas claras, de terem um discurso coerente e consistente, em vez de navegarem à vista de costa, manietados pelas cumplicidades criadas no aparelho, com arranjos de ocasião que lhes permitam continuar à tona ou lhes garantam lugares em futuras listas.
Houve uma altura em que ainda pensei que seria possível AJS fazer alguma coisa. Mas depois do que aconteceu em Braga, com a feitura das listas para os órgãos nacionais, fiquei logo esclarecido sobre o que se seguiria. Os resultados entram pelos olhos.
Quanto a AC vou esperar para ver, mas que é de outra estirpe, disso não tenho dúvidas.
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De Pedro Correia a 29.05.2014 às 08:45

Meu caro Sérgio: com os males dos outros podemos nós bem, sim. Mas o mal europeu é já o nosso mal também. Não adianta iludir-nos, olhando para a árvore viçosa enquanto a floresta está a arder.
O problema central, no PS como no PSD, não é hoje de personalidades. Esse era um problema que correspondia a uma fase diferente, já ultrapassada.
Há hoje uma crise profunda do sistema representativo na Europa. Uma crise que afecta os dois principais blocos políticos que construíram a Europa unida: o centro-esquerda e o centro-direita. Tal como na primeira metade do século XX, voltamos a ver as forças extremistas, eurófobas, a capitalizar o descontentamento popular invocando a seu favor o pior da natureza humana para fins políticos. Refiro-me aos egoísmos nacionais.
O que está hoje em voga não é ser moderado: é ser extremista. Uns tornam-se "radicais" porque sim, outros porque têm mesmo um projecto político incorporado, à esquerda e à direita.
Na Grécia o bipartidarismo tradicional vale hoje 30%. Em Espanha, não ultrapassa 48%. Chega aos 46% no Reino Unido. Em França nunca esteve tão baixo, rondando os 35%.
E em Portugal? Atinge os 48%, em linha com a tendência europeia, embora numa expressão ainda não tão dramática.
É certo que as eleições para o Parlamento Europeu potenciam como nenhumas outras o voto de protesto: uma grande parte do eleitorado que ficou em casa é moderado, não tenho qualquer dúvida. Resta ver se é resgatável para a democracia. Porque a trincheira hoje na Europa, como foi durante décadas no passado, volta a ser a da democracia contra as forças centrífugas que a desvalorizam a todo o passo invocando a falta de "carisma" dos dirigentes políticos. Sabemos bem onde nos conduziu esta pulsão carismática, mas persistimos em ignorar as lições da História.
Indo ao concreto. Concebo mal que 36 horas depois de uma vitória eleitoral (a segunda em oito meses) o político que triunfou seja contestado nas próprias fileiras apenas porque o achismo dos tudólogos com lugar cativo na TV entendem que outro é mais fadado para tais lides. Sobretudo num contexto em que a família política a que todos pertencem naufragou praticamente à escala continental.
Mais décima menos décima, ninguém teria feito melhor. Claro que é sempre mais fácil, num país de treinadores de bancada, imaginar que o paraíso mora ao lado. A galinha da vizinha é sempre melhor que a minha. Sugiro-te, a propósito, que ouças uma excelente entrevista que o Francisco Assis deu ontem à RTP, muito bem conduzida pelo Vítor Gonçalves: o essencial fica dito nesta entrevista, de que tenciono falar aqui mais demoradamente.
Também Assis - cuja 'sagesse' ninguém contesta - entende que a crise não é do PS: é do modelo socialista à escala europeia. E que a crise que vivemos é mais funda do que parece: é uma crise da democracia representativa. E que, no essencial, não se trata de nenhum problema de "liderança" que uma brisa messiânica possa resolver.
Outros poderão estar nos lugares dos actuais. Mas os problemas de fundo permanecem. E nunca como agora tivemos tanto a noção de como somos dependentes de terceiros para manter o estilo de vida a que nos habituámos - no plano político, económico, social e cultural. "Não quero que a democracia volte a ser um parêntesis na história de Espanha", disse o ex-primeiro-ministro espanhol Adolfo Suárez nas semanas dramáticas que antecederam o golpe de Estado de Tejero Molina que conduziu ao sequestro do Parlamento. Palavras que foram lapidares e são hoje ali recordadas com frequência.
Não queremos que a democracia volte a ser um parêntesis na história de Portugal - e da Europa. Olhemos para a floresta.

Um abraço amigo.
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De Maurício Barra a 28.05.2014 às 07:35

O tema da semana estava a ser a fragilidade do resultado vitorioso de Seguro. Os incomodados do PS reagiram rapidamente: é preciso substituir o homem, porque não garante a vitória em 2015. Não garante a maioria absoluta.
António Costa era a aposta. Pressionaram-no.
António Costa cedeu. Não às pressões da esquerda do PS, porque sabe que a realidade que terá de enfrentar é diferente da agenda deles, mas à sua própria percepção de que este é o timing político exacto para o fazer. É o seu momento decisivo.

Mas o que todos estão a esquecer-se é, se este momento é o momento decisivo para António Costa, também o será para Passos Coelho.
Porque se o resultado de Seguro foi mau vencendo, o resultado do PSD foi uma desgraça perdendo. Já para não falar da autêntica miséria em que o CDS se transformou.
Se Passos muito dificilmente ganharia a um Seguro fraco , muito menos ganhará a um António Costa forte.

O PSD, se não quiser entregar de bandeja uma maioria absoluta ao PS, terá de ter eleger novo líder que tenha a capacidade de lutar ombro a ombro com Costa. Um candidato que atraia novamente os sociais-democratas perdidos desde as autárquicas, que a inqualificável comissão política de Passos afastou, sociais-democratas perdidos desde as eleições autárquicas e que assim permaneceram nestas eleições europeias. E o único eleitorado capaz de novamente transformar o PSD num partido acima dos 35%. Eleitorado que António Costa tentará encantar e de que necessita para a sua estratégia de obter uma maioria absoluta.
Se António Costa for líder do PS, o candidato mais forte do PSD é, obviamente, Rui Rio. O único social-democrata com capacidade pessoal e autoridade política suficiente para congregar todas as famílias do PSD. Para isso é preciso que Rui Rio finalmente se decida, também ele, a descer do Porto até Lisboa para o seu momento decisivo.

Pode ser que os próximos tempos sejam de bons augúrios.
Em vez de passarmos mais um ano e meio neste estado comatoso e indefinido, pode ser que tenhamos novamente dois líderes políticos de grande qualidade que nos indiquem caminhos com futuro, sem a insuficiência intelectual que temos sofrido desde 2008 com Sócrates e Passos Coelho, dois jotas sem a qualidade necessária para serem os estadistas de que Portugal precisou. E precisa.
Les Jeux Sont Faits ?
Vamos a ver, como dizia o cego.
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De Pedro Correia a 28.05.2014 às 10:31

Caro Maurício: tenho escrito com frequência sobre o problema da avaliação das consequências em política. Os políticos excessivamente prudentes, que aguardam sempre pelas circunstâncias exactas para avançar, talvez nunca avancem. Porque esgotam o essencial da sua energia mental em cenários, que por definição são sempre desfavoráveis: as condições perfeitas quase nunca existem em política.
Esse é o problema, à esquerda e à direita, de quem falha o momento de entrada em cena. É um problema de consequências irreparáveis. Acontece na política como no teatro.
Sou defensor do cumprimento dos mandatos - e da avaliação severa desse (in)cumprimento pelos eleitores. Todos recordamos como exemplos negativos a fuga de Guterres e a deserção de Barroso, por exemplo. Não queiramos que esses exemplos se multipliquem e deixem de ser excepção para se tornarem regra.
Aí sim, a política em Portugal mudaria. Mas para pior.

(Gosto de vê-lo por cá. Um abraço.)
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De Luís Menezes Leitão a 28.05.2014 às 07:58

O problema é puramente político. Qualquer militante do PS já percebeu que Seguro não vai lá, por muito que tenha andado a carregar pianos. Precisamente por isso é que é tão acarinhado pelos partidos da maioria que mesmo na derrota o vêem como o seu melhor seguro.

Pessoalmente faço uma avaliação negativa de António Costa como governante, especialmente em face do que faz na Câmara. Mas é evidente que tem melhor imagem política do que Seguro, que parece uma versão pior de Passos Coelho, e não se mostra capaz de mobilizar os eleitores. Por isso, se fosse militante do PS não hesitaria um segundo em substituir Seguro por Costa. E depois disso era o PSD que deveria substituir Passos Coelho. Porque se Passos Coelho tem estes resultados com Seguro, imagine-se o que terá com Costa.
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De Pedro Correia a 28.05.2014 às 10:08

Caro Luís: nos cenários contrafactuais é sempre possível arranjarmos excelentes alternativas. Em comparação com quem está, quem não está parece sempre melhor. Porque só erra quem está: quem não está limita-se a capitalizar os erros dos outros.
Mas o erro maior, em política, é dar um passo atrás ou para o lado quando as circunstâncias exigem que se vá em frente.
Costa teve duas oportunidades para avançar. Uma em 2011, no rescaldo da pesada derrota socialista nas legislativas. Outra em 2013, antes do início do prolongado ciclo eleitoral em que já estamos (e que já resultou em duas vitórias do PS nos últimos oito meses). Não avançou.
Tem uma legitimidade reforçada, sim - mas no perímetro de Lisboa. Conquistar o partido primeiro e depois o País, num cenário de grave crise do sistema representativo e da social-democracia europeia à escala continental (espreita o meu diálogo com o Sérgio, um pouco mais acima), é bem diferente. Sabendo - como sabemos - que o PS está ancorado ao Tratado Orçamental e às metas marcro-económicas nele contidas, o que reduz drasticamente o cardápio de opções políticas internas.
Para já o efeito conseguido foi este: uma pesada derrota eleitoral do centro-direita transforma-se em 48 horas numa quase-guerra civil no centro-esquerda que pode vir a deixar graves marcas no PS.
Se este não é um cenário de sonho para quem perdeu o escrutínio de domingo então não faço a menor ideia qual será...
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De Luís Menezes Leitão a 28.05.2014 às 10:21

Caro Pedro: O cenário só será de sonho se Costa perder. Se ganhar, vai ser um verdadeiro pesadelo para a maioria. Porque eu sempre ouvi dizer que o objectivo eleitoral da maioria era perder por 3 a 4%, em ordem a segurar Seguro na liderança. O objectivo foi conseguido, embora com valores de ambos os partidos muito mais baixos do que o esperado, mas parece-me que os cálculos vão sair furados.
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De Pedro Correia a 28.05.2014 às 10:42

Meu caro, acabo de ouvir na TV um comentador dizer o seguinte: «Parece óbvio que o António Costa, se encabeçar a lista do PS, terá bastante mais votos do que António José Seguro. Tenho poucas dúvidas de que, se isto fosse feito por voto popular, as pessoas votariam em António Costa.»
Puro achismo.
Parece-me óbvio, a mim, que em democracia há regras para cumprir. Os partidos elegem os líderes não "por voto popular" (que, por absurdo, seria sempre extensivo aos inimigos desses partidos) mas de acordo com as regras que livremente aprovaram nos órgãos internos.
Costa teria obtido mais do que os 32% de Seguro? Talvez. Mas onde é que isso sucedeu na família social-democrata e trabalhista europeia (exceptuando o caso italiano) nestes 28 países que foram a votos?
Em tese maquiavélica, talvez a manutenção da liderança de Seguro fosse o segundo melhor cenário para a actual maioria. Mas o melhor, não tenho a menor dúvida, é o clima de guerra civil em que o PS mergulhou 36 horas após ter conseguido a segunda vitória eleitoral em oito meses.
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De Zundapp a 28.05.2014 às 08:12

E ainda não foram perguntar ao Capach... ao Capucho se prefere Seguro ou Costa?
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De l.rodrigues a 28.05.2014 às 09:46

A questão não era se ele carregava o piano, mas sim para onde o levava e que música queria tocar. O caminho parecia ser uma certa marcha de Chopin.
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De Pedro Correia a 28.05.2014 às 10:20

Se uma percentagem de 32% lhe soa aos acordes da Marcha Fúnebre, caro L.Rodrigues, o que não diria você se fosse socialista francês e visse o seu partido quedar-se com 14% e ser derrotado pela Frente Nacional, com 25%? Ou se fosse dinamarquês e visse o xenófobo Partido do Povo triunfar com 26%? Ou se fosse britânico e acordasse na segunda-feira com uma vitória clara do UKIP, defensor da 'Inglaterra só para os ingleses'?
A banda sonora mais adequada é antes o 'Bolero' de Ravel.
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De l.rodrigues a 28.05.2014 às 13:33

A banda sonora não era para o partido, era para o País.
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De Pedro Correia a 28.05.2014 às 15:51

Admito que sim. Mas nesse caso mais para França (ou Dinamarca, ou Grécia, ou Reino Unido) do que para Portugal. Com todos os defeitos do nosso sistema político, ainda não temos por cá forças extremistas, xenófobas, eurófobas, revisionistas do holocausto, neonazis. Estas devem preferir 'A Cavalgada das Valquírias'.
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De Luís Lavoura a 28.05.2014 às 09:47

a carregar o piano desde 2011

O Pedro Correia pode-me explicar o que significa esta expressão, "carregar o piano"?

Eu só ouvi coisa parecida ("carregador de pianos") em contexto futeboleiro mas nunca entendi o que significa.
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De Pedro Correia a 28.05.2014 às 10:21

Sim, é uma expressão importada do futebol. Tal como 'neste momento do campeonato' ou 'prognósticos só no fim do jogo', que passaram para o vocabulário comum.
Falo disso mais acima.
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De Luís Lavoura a 28.05.2014 às 09:51

faço uma avaliação negativa de António Costa como governante, especialmente em face do que faz na Câmara</i>

Não faz grande coisa, mas faz melhor que todos os antecessores.

Foi o primeiro a identificar o problema da calçada "portuguesa" nos passeios de Lisboa e a propôr, finalmente, resolvê-lo.

Foi o primeiro a resolver o vergonhoso problema do Marquês de Pombal, onde uma praça tão grande não tinha um pedaço de verde e onde um peão não podia atravessar a avenida da Liberdade de um lado para o outro semd escer aos subterâneos do metro.
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De Luís Menezes Leitão a 28.05.2014 às 10:18

Destruir a calçada portuguesa é uma barbaridade. Já alguém escreveu que vamos ficar a dever a Marinho Pinto ter salvo a calçada portuguesa.

Quanto a ter resolvido o problema do Marquês de Pombal, deve estar a brincar. Criou uma rotunda interior onde não se consegue circular, porque os carros ficam bloqueados com a circulação da rotunda exterior e vice-versa.

Tudo obras inúteis só para dar trabalho ao pessoal da construção, e que custaram milhões aos cofre municipais. Quanto ao verde, é totalmente dispensável numa rotunda que se destina à circulação automóvel. Se António Costa gosta de paisagens verdes, que vá gerir um município da Beira Interior e deixe Lisboa em paz. Não me lembro que em Paris o maire se tenha lembrado de pôr verde na Place Charles de Gaulle.
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De Luís Lavoura a 28.05.2014 às 10:30

A minha perspetiva é totalmente oposta à sua. Deve ser porque ando por Lisboa quase exclusivamente a pé, enquanto você anda, creio, quase exclusivamente de carro.
Destruir a calçada dita "portuguesa" é essencial para a segurança dos peões. Ela é brutalmente escorragadia, sobretudo, mas não exclusivamente, quando está molhada no inverno e quando se anda de sandálias no verão. Já dei muitoas quedas devido a calçada escorregadia e só por sorte ainda nenhuma delas me causou danos graves.
O marquês de Pombal esá muito melhor assim, para os peões que é o que interessa. Se os automobilistas têm dificuldade em circular lá, que vão para outro lado ou deixem o carro em casa.
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De da Maia a 28.05.2014 às 10:54

À sua perspetiva começa por faltar um "c" de perspectiva.
A calçada portuguesa tem tentado provocar-lhe o tombo necessário que lhe permita encontrar o "c" que lhe falta na cabeça. Até lá é natural que confunda um carregador de pianos com um carregador de laptop.
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De Luís Menezes Leitão a 28.05.2014 às 11:35

Julguei que uma rotunda de trânsito servisse para os carros circularem. Mas afinal na suas perspectiva é para os peões andarem a pé. Nessa lógica os carros se calhar devem circular é nos passeios, já que as vias de circulação automóvel passaram a ser para peões.
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De Luís Lavoura a 28.05.2014 às 11:48

Claro que as rotundas servem para os carros circularem. Mas, não devem ter um número excessivo de faixas, caso contrário os carros circulam nelas com excessiva facilidade, o que tende a fazer com que o número de carros que para elas vai aumente desmesuradamente e com que se criem estrangulamentos mais adiante.

É um princípio básico da gestão de tráfego rodoviário: quanto mais se facilita o tráfego mais ele tende a aumentar, pelo que a estratégia correta não é facilitá-lo cada vez mais. Pelo contrário, deve-se criar-lhe algumas dificuldades. Se não se fizer isso, em breve tem-se uma situação tipo Los Angeles: cada vez mais carros com cada vez mais bichas e cada vez mais poluição, em que nem quem tem carro anda nem, muito menos, quem não o tem.
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De da Maia a 28.05.2014 às 10:39

Pois, os dois únicos pontos que aponta como positivos, são um gozo.
Só comparável a pedir explicações sobre "carregadores de pianos"...
É que nem sequer consegue ter piada, é só triste mesmo.

O principal problema do Marquês é ser a estátua de um reconhecido facínora e personagem medíocre, cuja destruição em Portugal terá sido pior que a dos Filipes, mas que foi muito útil a toda estrangeirada maçónica.
Enquanto não for fundido o bronze dessa e da estátua de D. José no Terreiro do Paço, estaremos fundidos pela pedreirada.
E falando em pedreiros, calceteiros, que não se vêm ao espelho de avental, se há coisa minimamente interessante é a calçada portuguesa. Os brasileiros "amam" o seu calçadão, bem como todos os turistas.
Se o Luís começou agora a usar saltos altos, habitue-se, e não deixe que essa vaidade estrague o chão que pisa.
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De JPT a 28.05.2014 às 10:48

O Sr. Lavoura deve andar é de helicóptero. De certeza nunca tentou atravessar o outrora sossegado troço de alcatgrão entre a paragem dos autocarros que descem a Joaquim Ant.º de Aguiar e a estação de metro do Marquês. Se o fizesse quase todos os dias, como eu, entre camionetas e carrinhas de turismo e táxis, estacionados à porta do hotel Fénix, 6 carreiras da Carris e os desgraçados automobilistas que demoraram meia-hora para chegar ali vindos do Saldanha (ou mais, vindos de cima)... E chamar justicialista ao Pinto é injusto quando o Costa é que pôs um polícia em cada esquina (ou teria posto, se as rotundas tivessem esquinas). Só para assegurar que algum ser humano consegue atravessar o anel exterior, tem de ter meia dúzia de polícias municipais no Marquês. Some-se a estes as duas dúzia espalhadas nas laterais da Avenida para pôr ordem no manicómio dos sentidos de trânsito e percebe-se porque é que diminiu à caça à multa (prova que mesmo a mais demagógica incompetência pode, por vezes, ser positiva para os cidadãos).
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De Nuno Barros a 28.05.2014 às 11:45

Carregar o piano é sem duvida carregar o nome de José Socrates e que não é só um piano é uma orquestra. e na altura que eu saiba todos quiseram fugir exceto o Assis e o Seguro. a logica é o poder pelo poder.
não ha uma reflexão sobre a abstenção, uma palavra do Cavaco sobre as eleiçoes, uma palavra sobre pessoas sem passado politico que ganham tachos na Europa, a fragmentação europeia, enfim
Eu votei e segunda no local de trabalho tinha sido o unico entre 24 pessoas... terei de sentir mal ou vergonha...
Estamos todos doentes.
Parabens pelo Blog!
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De Pedro Correia a 28.05.2014 às 16:01

Obrigado pelas suas palavras, Nuno. Espero que continue a aparecer por cá.
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De Anónimo a 28.05.2014 às 14:25

Enfim... Os laranjinhas estão mesmo aflitos com a hipótese dos rosinhas terem finalmente um líder. Pouco importando o que melhor serve o país, recorrem os laranjinhas aos argumentos mais absurdos tal como as regras e a ética em política, provávelmente os rosinhas não fariam diferente, ou o cheiro nauseabundo da mediocridade reinante.
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De Pedro Correia a 28.05.2014 às 16:02

Pela sua lógica infiro:
a) que os 'rosinhas' estão há três anos sem líder
b) que a câmara de Lisboa se arrisca a ficar três anos sem líder
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De da Maia a 28.05.2014 às 23:47


The leader, the leader...
https://www.youtube.com/watch?v=53_bP3LsbaM

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