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Pós-eleitoral (3)

por Pedro Correia, em 27.05.14

1. Primeira decisão pós-eleitoral do PCP: o anúncio da sexta moção de censura a este governo. Uma decisão que Passos Coelho agradece: fragilizado nas urnas domingo à noite, robustecido no Parlamento daqui a uns dias, graças à boleia comunista. Destinada sobretudo a obscurecer ainda mais o frágil triunfo do PS. Há coisas que nunca mudam na esquerda portuguesa.

 

2. Espantam-se alguns com a débil expressão eleitoral do Partido Socialista. Falta acrescentar que seria ainda mais estreita sem o oportuno empurrãozinho que lhe deu António Capucho. Nem quero imaginar o que seria de António José Seguro sem este apoio.

 

3. Ou muito me engano ou virão aí alterações à anacrónica lei eleitoral que concede todo o poder de composição e ordenamento das listas aos directórios partidários e nenhum aos cidadãos. Acossado, o chamado "arco da governação" vai tentar enfim aproximar eleitos de eleitores - embora o tiro, já tardio, possa sair-lhe pela culatra.

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18 comentários

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De cristof a 27.05.2014 às 11:40

sem duvida que aos cidadãos comuns (os que nãopertencem a uma elite urbana mais informada e com prioridades menos primarias-emprego ensino dos filhos, saude) vão apoiar quem lhes traga uma esperança de acabar com a fantuchada que tem movido os governos de há uns anos a esta parte, com as soluçoes continuadas de ir aumentando os impostos até limites extremos.
pena que a sociedade civil para alem das manifestações abaixo a troka nada mais produza de relevante e eficente.
será que há mesmo genetica culpada nisto de ser inefiente- muito criativo mas ineficiente até as lagrimas.
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De Pedro Correia a 28.05.2014 às 00:45

E no entanto, por essa Europa fora muito mais próspera que o nosso recanto, grassa o mesmo descontentamento, senão mesmo maior.
Dá que pensar.
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De Luís Lavoura a 27.05.2014 às 12:04

De que forma é que o Pedro Correia sugere que se implemente o ponto 3? É que eu não vejo nenhuma forma prática de o fazer.
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De da Maia a 27.05.2014 às 13:21

Pois, eu também não.
Só se pretender ligar o eleito ao círculo eleitoral... isso é excelente para o bipartidarismo, como se viu durante décadas em França e na Inglaterra. Agora, na França também devem estar a pensar mudar a lei eleitoral, mas por outras razões!
A lógica do "two flavours, the same taste" pode agora dar amargos de boca.

Porém, "eleito ligado ao círculo eleitoral" seria o funeral do CDS, BE e até PCP. Como tocaria no PCP, duvido que tentem.

Afinal, se ainda não tiraram quase 1 milhão de mortos dos cadernos eleitorais, alguém espera que se pretendam mudanças?

Relativamente a este assunto, e não sei se viu a minha resposta sobre 2011, ficam aqui as declarações de voto sobre a eleição de Cavaco, e que são ilustrativas do "funcionamento exemplar" da CNE:

------- Jorge Migueis abstém-se:
Abstive-me por entender que a publicação de resultados errados (com já detectadas incorrecções nos distritos de Setúbal e Viseu) não abona em favor da CNE, que não é uma repartição notarial do TC e tem o dever de analisar os resultados e não somente publicá-los acriticamente.


------- João Almeida vota contra:
Votei contra por entender que o respeito que me merecem os eleitores e o regime democrático sobrelevam os ademanes da forma:
(...)
É também seguro que ninguém protestou pelos 160 mil eleitores desaparecidos nos resultados finais no distrito de Setúbal e uns 50 mil a mais em Viseu;
(...)
Em consciência não posso aprovar um mapa contendo resultados que sei, de ciência certa, não corresponderem sequer aos que os eleitores que conseguiram votar conformaram com o seu voto.


------- José Victor Cavaco vota contra:
Votei contra o Mapa Oficial dos resultados da eleição do Presidente da República por este apresentar irregularidades a meu entender inaceitáveis uma vez que estão omissos na contabilidade final cerca de 120 mil eleitores e cerca de 60 mil votos do distrito de Setúbal e, por outro lado, no Distrito de Viseu são contabilizados mais 40 mil eleitores e mais cerca de 20 mil votos. Estes números são suficientemente anómalos para não serem ignorados.


------- Carla Freire e Manuel Machado votam favoravelmente.
------ o Presidente, Fernando Costa Soares, desempata, assim:
Embora reconheça a pertinência das considerações das declarações de voto acerca dos erros e incorrecções detectados nos resultados eleitorais dos distritos de Setúbal e Viseu, uso o meu voto de qualidade com os seguintes fundamentos:
(...)
Ora, como nenhuma das disposições atrás citadas faculta à Comissão o direito de alterar aquela acta, é consequente que o mapa por nós elaborado tem de se limitar a transmitir os resultados do apuramento apurados na instância devida.
(...)
Por outro lado e finalmente, o meu voto de qualidade — agora numa perspectiva pragmática, mas nem por isso despicienda - teve também em consideração que a não elaboração do mapa e respectiva publicação atempada podia prejudicar a data da tomada de posse do candidato eleito, com todas as consequências negativas daí decorrentes.


---------------

A minha homenagem singular vai para os que tiveram a lucidez de colocar aquelas declarações de voto, e para quem me deu a conhecer o assunto:
- Pedro Correia... que eu saiba, o único jornalista que se deu ao incómodo de a divulgar num blog.

O facto de estar em causa o funcionamento da democracia, e o assunto ter sido varrido para debaixo do tapete, até pelos derrotados (inclusive Fernando Nobre, o irrequieto José Manuel Coelho... e claro o bastião democrata - PCP), esse facto diz alguma coisa?

Sei lá, diz que há 3 ou 4 pessoas que mereceram o meu crédito.
São poucos? - Parece que sim!
Mas enquanto houver coragem para estes actos, mostra que nem tudo está perdido.
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De Pedro Correia a 28.05.2014 às 00:44

Muito lhe agradeço a oportuna citação, caro daMaia.
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De da Maia a 27.05.2014 às 12:15

Creio que já não é novidade que o PCP tem sido o braço armado do regime.
A máxima suavidade com que faz uma oposição feroz, é quase uma abstenção violenta. A forma como neutraliza ânimos mais figadais nas manifestações da CGTP, a forma como conhece e esquece os podres do regime, tem dado muito jeito.
Afinal se Salazar quis vetar a candidatura de Humberto Delgado, achou muito bem a candidatura do homem do PCP.

Quando na campanha se começou a elogiar apenas a conquista do 3º deputado, acho que o PCP deixou bem claro qual é a sua posição no panorama político nacional.
Nunca pretendeu ser alternativa, pretende apenas criar a ideia de alternativa.
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De Pedro Correia a 28.05.2014 às 00:43

Perspectiva original e sem dúvida polémica. Mas estimulante para o debate político, sem dúvida.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 27.05.2014 às 13:02

Para aproximar os eleitos dos eleitores basta que se criem os círculos uninominais, e um grande círculo nacional para as sobras. Aí, quem tem unhas é que toca guitarra, e os vendedores de bacalhau a pataco terão vida mais dificil, e os eleitores passam a conhecer muito bem a cara de quem elegem, porque deixa de se esconder no meio de uma lista. E só se deixam enganar uma vez.
Quanto ao resto, quem tem apoiantes como António Capucho não precisa de adversários. Como é que dizia o outro? Roma não paga a traidores, não é?
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De Pedro Correia a 28.05.2014 às 00:42

»Para aproximar os eleitos dos eleitores basta que se criem os círculos uninominais, e um grande círculo nacional para as sobras.»
Também defendo isso, Alexandre. E em breve voltarei ao tema.
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De Meu Querido MPT a 27.05.2014 às 13:12

Como é bom o MPT!


http://www.noticiasgrandelisboa.com/2013/06/09/mpt-junta-se-ao-psd-e-cds-pp-na-candidatura-de-pedro-pinto-a-sintra/
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De (faltou isto) a 27.05.2014 às 13:37

O cavalheiro do MPT que ali está acaba de ser eleito para o PE.

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De Miguel R a 27.05.2014 às 14:09

Eu não sei qual é a novidade, o MPT é um partido de centro-direita, ambientalista, mas conservador. Daquilo que eu conheço da realidade portuguesa, enquadra-se perfeitamente. Mas a questão, para já, não é o MPT, é Marinho e Pinto.
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De Meu querido MPT a 27.05.2014 às 14:42

Que eu saiba, para votar no ex basto era PRECISO VOTAR NO MPT. Foi o que li no boletim de voto.

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De Miguel R a 28.05.2014 às 00:48

É verdade, mas creio que as pessoas não ligaram muito a isso. Confesso que não conheço ninguém que tenha votado nele, pelo menos com o meu conhecimento. Quando disse para já é porque no imediato é ele quem pode capitalizar esses votos, no futuro com um bom trabalho do MPT, o partido pode sair beneficiado. Mas sobre isso pouco sabemos. E como disse é possível que uma boa parte do 7,2% até se identifique com as ideias do MPT, isto se este as souber transmitir. Por isso, para os votantes até pode ser «bom» (sic), penso por exemplo em Trás-os-Montes onde o MPT foi terceiro. Mas, pronto, isto já são muitos filmes, era preciso uma personagem forte para o MPT singrar, excepção à CDU, tendo sido assim na vida política portuguesa.
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De Luís Lavoura a 27.05.2014 às 14:58

ambientalista, mas conservador

Não deveria haver "mas" nesta frase. Um ambientalista é, em princípio, um conservador, na medida em que pretende conservar o planeta, conservar a natureza e os seus processos, incólumes. Nada há de contraditório entre ser-se ambientalista e ser-se conservador, bem pelo contrário.
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De Mais verdade será isto? a 27.05.2014 às 15:10

O que quem apregoa mais verdade na política fez é infinitamente menos limpo e honesto que o que Rui Tavares (em quem não votei) fez. Não se foi aninhar num partido já existente (fundado pelo monárquico Ribeiro Telles, onde muitos outros monárquicos se filiaram), capaz de todas e quaisquer alianças nas últimas autárquicas, por exemplo, além de ter tido candidatos eleitos à AR amigalhaços de Santana Lopes, um dos maiores cromos na democracia a que temos direito.
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De p~ a 27.05.2014 às 18:56

A Comichão nacional do BÉ, do LIVRA-TE, do
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De Miguel R a 28.05.2014 às 00:57

Eu também acho que não, o «mas» é pelo conceito de ambientalista ser habitualmente tido como de esquerda. A nossa sociedade tem coisas destas. Há um conjunto de pressupostos que só a esquerda tem direito a professar. É como se fosse anti-natural (coisa mais disparatada).

E lá está eu ajo em função do meu meio.

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