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Porquê referendos?

por João André, em 28.06.16

Sei que vou ser atacado pelas minhas linhas seguintes. Em parte pela minha opinião e em parte por não ter talento suficiente para a explicar. Seja como fora, aqui segue.

 

Muitas respostas houve ao Brexit. Uma delas foi uma rejeição de referendos semelhantes por parte dos principais partidos de governo pela Europa fora. Muitas justificações foram sendo dadas para isso - conveniência, falta de necessidade, oportunidade, assunto já "referendado" por eleições gerais, etc - mas a figura do referendo, em si mesma, nunca foi contestada.

 

Não é essa em si a função do meu post, mas posso questionar de certa forma o referendo, pelo menos enquanto instrumento da democracia. Há países como a Suíça onde o referendo está tão institucionalizado que é parte da rotina. Outros há onde é tão excepcional que é feito apenas para questões socialmente fracturantes (como em Portugal). Vale a pena no entanto perguntar qual o objectivo de referendos.

 

O referendo em si tem uma vantagem que é também um problema: pede uma resposta (habitualmente) binária - sim ou não - a uma pergunta que é quase certamente extremamente complexa. O voto da passada quinta-feira no Reino Unido não era um voto por permanecer na, ou sair da, União Europeia. Era um voto que decidia a liberdade de movimentos de pessoas e bens, decidia a contribuição ou não para um orçamento comunitário, decidia o destino de milhares de pequenos regulamentos desde embalagens de ovos às etiquetas em garrafas de água. Foi no entanto um momento em que o voto foi simplificado pelos proponentes dos dois lados. Ficar ou sair. Partilhar ou ser independente. Aceeitar fluxos migratórios ou rejeitar imigração. Ser europeu ou britânico.

 

Importa que a discussão tenha sido feita da forma mais básica possível e que do lado do Leave as opiniões dos especialistas tenha sido não só ignorada como completamente desdenhada. É um efeito curioso da acessibilidade da informação que as pessoas queiram cada vez menos da mesma. Os votantes Leave que hoje se arrependem do seu voto são aqueles que não quiseram ouvir opiniões e votaram com as suas entranhas (guts no original). Não estão sós nisso. Em Portugal ouvi muitos votantes contra o casamento homossexual ou aborto dizer que nada tinham contra as pessoas em si, mas não gostavam dos mesmos e por isso votavam contra. Era uma reacção visceral e pouco pensada e/ou informada.

 

Uma questão semelhante poderia ser levantada em relação a alguns dos principais progressos do passado. Teriam os homens votado a favor do voto feminino se chamados a pronunciar-se? Teríamos acabado com a escravatura (os países que o fizeram) se esta tivesse ido a referendo? Teriam os estados do sul aceite uma imposição referendária federal nos EUA para acabar com as leis Jim Crow?

 

Poucas pessoas conseguirão argumentar de forma minimamente convincente que a UE (ou os seus antecessores) não é responsável pelo mais longo período de paz na Europa. Teria esta organização saído sequer do papel se a CECA fosse a referendo em França? Teria o Tratado de Roma sido aceite? Creio que não: o ressentimento popular contra a Alemanha seria ainda demasiado forte para França ou Holanda aceitarem tais compromissos. Muitos outros exemplos poderiam ser dados ainda sem chegar a 1992.

 

Poderia mesmo perguntar-se se a resposta não seria um rotundo "Não!" no caso de a pergunta ser feita hoje, décadas depois dos benefícios desses tratados e alianças serem sentidos. Há um hábito de falar no "eleitorado" como se fosse um corpo orgânico, capaz de uma mente colectiva de onde os resultados chegam como mensagens. No entanto cada eleitor vota sozinho, na solidão da sua cabine e pode mudar o sentido de voto decidido desde há semanas com base numa pulsão do momento. Não serão muitos a fazê-lo, mas num voto apertado, podem ser suficientes.

 

Vale então a pena perguntar: queremos mesmo fazer perguntas tão decisivas sobre o sistema político ou sobre direitos sociais num referendo? Não será melhor entregar essas decisões aos nossos representates, os quais discutem os assuntos, auscultam (ou deveriam fazê-lo) os seus eleitores, trazem o debate de forma progressiva para a arena pública e evitam que argumentos simplistas contaminem a discussão? Em alternativa, se preferirmos o referendo, não seria melhor banalizar de tal forma o referendo que este se tornasse quase incontaminável? Se perguntarmos tudo, desde a cor das matrículas ao teor de sal nos pães, os eleitores acabarão por se tornar mais impermeáveis a argumentos populistas.

 

Gostaria que assim fosse, mas o exemplo suíço, com os seus votos contra a construção de minaretes (quando o país tinha apenas meia-dúzia) ou para limitar a liberdade de movimentos de cidadãos estrangeiros (directamente afectando as relações económicas com a UE) apontam para o quanto é fácil influenciar certos referendos usando simples argumentos que apelam aos medos dos eleitores. Não quero com isto dizer que esses medos não devem ser considerados, apenas que não devem dominar uma decisão como provavelmente o fizeram.

 

Quem defende o referendo fá-lo de forma sincera argumentando, com bastante lógica, que será a forma mais pura de democracia. Infelizmente, quando a resposta é para aceitar ou rejeitar, deixam de existir zonas intermédias. A política é a arte do possível, não uma ciência exacta. Uma mudança política ou social é um acto eminentemente político, mesmo que tomado pela população em geral. Como tal não deve ser tomada usando linhas vermelhas e fronteiras inamovíveis. É no entanto este o território dos referendos.

 

Pode sempre argumentar-se que o resultado de um referendo pode sempre ser colocado em causa por outro, mas para tal entramos novamente no território da política, da arte do possível. O referendo deixa de ser um instrumento de democracia, por falho que seja, para ser um instrumento de manipulação por parte dos políticos. Um referendo é então repetido as vezes que forem necessárias até se obter o resultado desejado. Na melhor das hipóteses torna-se uma consulta, onde os resultados levam a uma mudança na pergunta ou nas condições oferecidas. Na pior torna-se uma farsa.

 

O referendo britânico de quinta-feira não era vinculativo, mas David Cameron, o primeiro-ministro demissionário disse desde o início que o aceitaria, independentemente do resultado. Há no entanto já quem defenda que, na ausência de uma constituição que consolide o resultado, uma eleição geral que desse a vitória a um partido eleito numa plataforma clara de permanência na UE seria o suficiente para anular o resultado.

 

Pessoalmente não gosto da figura de referendos enquanto instrumentos vinculativos. Poderão ser usados como consultas populares, mas mesmo nesse caso seria difícil a um governo (ou parlamento) seguir em direcção oposta à do resultado de tal consulta. Prefiro claramente uma evolução lenta, onde após cada pequena alteração o sentimento público seja auscultado e potenciais passos seguintes acelerados ou atrasados. A maior parte dos grandes avanços políticos e sociais foram resultado de tais acções e raramente de verdadeiras revoluções. Mesmo o principal avanço político moderno, na forma do governo dos EUA, foi proposto por um grupo de homens sem qualquer vontade de pedir a opinião da população que seria afectada pelas suas decisões.

 

Claro que cada povo deve ter liberdade de seguir o caminho que entender, mesmo que isso implique um retrocesso (cada pessoa que veja um retrocesso como entenda). Só que um referendo tem frequentemente o efeito de dar um peso extra a uma decisão. Esta fica escrita em pedra mais facilmente num referendo, o resultado do qual não pode ser facilmente alterado, do que numa eleição geral, onde os representantes por vezes acabam por tomar decisões em direcções opostas àquelas das plataformas em que foram eleitos.

 

Escrevi que não pretendo contestar em si o instrumento do referendo, antes questionar o seu objectivo. Torna-se claro que o considero pouco útil, mas o meu post não é um apelo à sua rejeição, antes a que ele seja por outros questionado de forma real, mesmo que cheguem à conclusão oposta à minha. Haverá quem me acuse de propôr elitismo e não querer ouvir a população (já sei o que alguns me acusarão de ser...) mas não é essa a minha intenção. Existem mecanismos de auscultação das opiniões dos eleitores. Chamam-se eleições e temos diversas à escolha. Se queremos mais democracia, talvez devêssemos reformar o sistema político. Pedir referendos, a meu ver, não é entregar decisões aos eleitores: é um lavar de mãos dos políticos e permitir que os "argumentos" mais estridentes ganhem peso. A solução não é uma democracia binária. É uma democracia melhor.

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37 comentários

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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 14:31

«Há no entanto já quem defenda que, na ausência de uma constituição que consolide o resultado, uma eleição geral que desse a vitória a um partido eleito numa plataforma clara de permanência na UE seria o suficiente para anular o resultado.»

João, pior que a proliferação de referendos é haver governos que brincam aos referendos, convocando-os para logo a seguir fazerem de conta que nunca existiram.
Foi que fez Tsipras na Grécia em 2015. Algo totalmente inaceitável.

O governo britânico convocou este referendo, terá agora que digerir os resultados. Impedir a sua validação formal com recurso a expedientes processuais seria um disparate muito maior do que tê-lo convocado. Não existem gestos políticos sem consequências.

Recordo aliás que foi isso mesmo que sucedeu com os três referendos nacionais até hoje realizados em Portugal: dois em 1998, um em 2007. Em nenhum deles se cumpriu uma regra essencial para terem validade jurídica formal: houve participação eleitoral inferior a 50% dos eleitores inscritos. Mas ninguém sequer imaginou que não se devessem extrair conclusões imediatas desses escrutínios, que foram politicamente validados. E muito bem.
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De João André a 28.06.2016 às 14:51

Completamente de acordo Pedro. Por isso escrevo que o referendo se pode tornar uma farsa.

O problema do caso inglês. Não se definiu convenientemente o objectivo do referendo (é consultivo mas era ceite como vinculativo num país sem uma constituição a ancorar - ou prender - as figuras intitucionais) e agora temos as partes que votaram em sentido oposto (como a Escócia e a Irlanda do Norte) a discutirem se podem ficar de fora da decisão, se a podem vetar, se isso invalida a sua ligação ao RU, etc. Temos então a discussão de como reverter o resultado, etc. Também temos o problema de as consequências do voto não terem sido bem explicadas (e isso não é culpa apenas do campo do "Leave") o que leva agora a todas estas histórias de pessoas arrependidas.

Concordo contigo: o referendo, goste-se ou não dele, existiu e têm que se retirar consequências política do seu resultado. Infelizmente parece ter havido pouca gente a fazê-lo.
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De Miguel Madeira a 28.06.2016 às 15:29

"Teriam os homens votado a favor do voto feminino se chamados a pronunciar-se? Teríamos acabado com a escravatura (os países que o fizeram) se esta tivesse ido a referendo? Teriam os estados do sul aceite uma imposição referendária federal nos EUA para acabar com as leis Jim Crow?"

Na Suiça, o voto feminino foi aprovado por referendo (alguém pode dizer que é só um caso, mas a verdade é que também não há muitos exemplos de países em que essa questão foi a referendo; ao que sei, no único país em que a questão foi referendada, o voto acabou por ser "sim").

Nos estados norte-americanos de Maryland e do Kansas, a abolição da escravatura foi aprovada por um referendo.

A respeito das leis Jim Crow, recordo que as assembleias legislativas dos estados do Sul também não aceitaram acabar com elas (e tiverem que ser obrigadas a tal pelo governo federal), portanto isso não é uma questão de referendo versus democracia representativa, mas sim de autonomia local versus centralização.
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De João André a 28.06.2016 às 15:47

Fico feliz pela minha ignorância nos casos que referiu. Demonstram que houve casos em que o referendo seguiu a linha correcta. Não invalida o essencial do meu post (a questão sobre o referendo em si) mas enriquece sobremaneira a discussão.
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De Anónimo a 28.06.2016 às 18:30

"Demonstram que houve casos em que o referendo seguiu a linha correcta". E qual é a linha correcta? A aprovada pelo referendo ou a definida por alguns inteligentes? Esta é a grande questão.
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De João André a 29.06.2016 às 10:12

OK, leve lá a bicicleta. Emendo a mão: correcta na minha opinião. Está melhor assim? Preciso de adicionar "na minha opinião" a cada linha de texto? Quer desenhos?
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De jj.amarante a 28.06.2016 às 15:44

Estou muito de acordo com o seu texto designadamente com a frase final:
«
Pedir referendos, a meu ver, não é entregar decisões aos eleitores: é um lavar de mãos dos políticos e permitir que os "argumentos" mais estridentes ganhem peso. A solução não é uma democracia binária. É uma democracia melhor.
»

Escrevi coisas parecidas, se bem que muito menos, aqui: http://imagenscomtexto.blogspot.pt/2016/06/referendo-no-reino-unido.html
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De João André a 28.06.2016 às 15:47

Vou ler, obrigado.
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De da Maia a 28.06.2016 às 16:25

Para os que acham que a decisão do Brexit se deveu a uma deficiente informação, acho que se deveriam informar melhor. Ou talvez apenas informar... afinal, o papaguear o que é passado nas novelas das 20h00, chamadas "telejornais", dificilmente pode ser considerado informação.

Deixo um excelente vídeo de propaganda, mas que toca no que todos sabemos... ou deveríamos saber:

https://www.youtube.com/watch?v=UTMxfAkxfQ0

É extremamente interessante o conceito democrático dos representantes, especialmente quando vimos as promessas eleitorais nos últimos 15 anos invertidas alegremente. Os casos de Durão Barroso, Sócrates e Passos Coelho, parece que não serviram de nada. Hollande e Tsipras também não.
Afinal, diz o povo "ignorante" que "burro velho não aprende línguas".

Os partidos tradicionais ingleses esmagariam qualquer iniciativa de Brexit, tal como o fazem PSD e PS em Portugal, que sempre recusaram qualquer referendo. No entanto, a soma dos votos de ambos é suposto legitimar a opção.
Para os mais teimosos, este referendo inglês mostra que não é assim. Mas para os casos clínicos, nunca mostrará nada.
Se a União Europeia fosse a UEFA, o jogo Inglaterra-Islândia seria repetido até anular o Brexit do Euro 2016. Que raio, os islandeses não sabem o lugar ridículo que ocupam no ranking da UEFA?
É este tipo de raciocínio de negação, digno de psiquiatria, que abunda nas mentalidades "democráticas".
Os supostos "informados citadinos" funcionam como autênticos cachorrinhos de Pavlov, reagindo ao estímulo que o telejornal da noite anterior incutiu nas suas cabecinhas.
Há os bons e os maus, e tudo se passa com num filme de cowboys, de fácil digestão mental.

E é claro, quem é iluminado, pelo consenso do que é bom, nem admite ouvir que o bom pode ser mau. Achar que dificilmente Trump poderá ser pior que G. W. Bush? Em que telejornal foi isso discutido? O tipo está parvo!
Dos cafés da manhã, seja numa reunião de trolhas ou de universitários, o Senhor Consenso está aí para saber o que é bom e o que é mau, e quem não percebe isso é parvo.

E como o Consensualista chama a quem expõe argumentos óbvios?
- Populista!
Populista, porque o anormal não percebe que o óbvio é complexo. E todos os papagaios repetem no café o que ouviram nas telenovelas das 20h00... uma maravilha!

Se a Alemanha, França e Inglaterra falam em nome da UE, há algo de errado? Claro que não, só quem não percebe a vantagem de uma Europa unida sob o desígnio universal dos iluminados é que pode achar que se passa algo de estranho.
Os anjinhos falam em conjunto, logo não estão a preparar uma guerra entre si. Sujeitemo-nos a esta linda pax bruxelensis.
Ufa... que a CEE é que evitou guerras na Europa! Como se sabe, os EUA e URSS contavam pouco na política mundial, nesses tempos idos. Ou será que EUA e URSS pertenciam à UE?

Em suma, caro João André, já não escrevia aqui há muito tempo, dada uma pequena censura ocorrida no ano passado, mas achei por bem dar-lhe conta de uma opinião contrária, como aliás antevia.

Cumprimentos,
da Maia
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De da Maia a 28.06.2016 às 17:13

Queria escrever: Alemanha, França e Itália
dada a reunião:

http://www.huffingtonpost.fr/2016/06/28/video-blague-renzi-merkel-hollande_n_10709886.html

Portanto, cada vez mais se assume uma UE em que os restantes 24 estados são Colónias, cuja importância é menor do que Colónia, cidade que pelo menos vota na eleição do Chanceler do Sacro Império Germânico.
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De João André a 28.06.2016 às 17:22

Antes de mais caro da Maia, não me recordo (pode ser idade) de fazer censura a algum comentário seu. Tenho como princípio eliminar apenas comentários que sejam ofensivos. Os seus discordam frequentemente das minhas opiniões (como este) e são frequentemente bastante fortes, mas não me recordo de terem sido ofensivos. É possível q ue tenha escrito algum comentário que eu considerei ofensivo ou, em alternativa, cometi um erro e eliminei algo que não queria. Só há um comentador cujos comentários elimino hoje sistematicamente e não é o seu caso.

O meu post é motivado pelo referendo britânico mas não se dirige especificamente a ele. Discordo profundamente da saída do RU da UE, a qual penso ser má para o país e para a UE (e o mundo, por arrasto), mas não é por isso que escrevi o post.

Não vejo os telejornais portugueses e raramente leio os jornais. Leio imprensa de outros países, à esquerda e à direita e, tirando os tablóides, fui lendo aquilo que se ia escrevendo em Inglaterra sobre o assunto. Sou efectivamente da opinião que a campanha do leave não informou correctamente os eleitores sobre a sua opinião e escondeu muitos dados (quando não mentiu descaradamente). Muitos eleitores votaram na opção populista sem terem a mínima ideia do que estavam a fazer. Terão sido suficientes para mudar o resultado? Não sei, mas pessoalmente (e isto é apenas "achismo") penso que sim.

Claro que os EUA tiveram importância na paz europeia e a Guerra Fria fez muito por uma paz no mundo (pelo medo da doutrina MAD). Mas a diferença entre a Europa e o resto do mundo viu-se nos conlitos na Ásia e em África, onde não existia uma "cola" como a UE e os países estavam mais dispostos a combater entre si (ou dentro de si mesmos). O único caso que escapou na Europa foi a ex-Jugoslávia (que não fazia parte da UE nem tinha expectativas à época de o fazer). É difícil de argumentar que a UE não terá sido fundamental nisto. Países com interesses comuns têm menos propensão a lutar entre si.

De resto, aquilo que escreve não nega nem por uma vírgula aquilo que eu escrevi. Apenas sublinha ainda mais a necessidade de uma democracia melhor. Isso não passa necessariamente por referendos.
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De da Maia a 28.06.2016 às 19:24

Caro João André,
actualmente há uma imprensa internacional, que partilha as mesmas linhas editoriais, e dá relevo aos mesmos assuntos internacionais, com pequenas variantes.
Por isso, não é um problema português.
É apenas uma hegemonia na condução da opinião global, ocidentalizada.
Certamente que no referendo inglês houve quem votasse mais ou menos informadamente, quer num sentido, quer noutro... mas eu não me fiaria na pretensa diversidade da imprensa internacional.
Tal como no tempo da velha senhora, também tinha o DN, tinha o Século, a Capital, o Diário de Lisboa, o Jornal de Notícias, etc... e não era por isso que tinha diferentes correntes de opinião plasmadas.
Quem se quisesse entreter, poderia achar que uma notícia de engarrafamento em Coimbra significava uma manifestação de estudantes, mas para isso ou arriscava ser dado como maluquinho, ou tinha que saber os códigos de serviço da oposição clandestina, e calar-se.

Eu não estou em necessário desacordo consigo, mas se lermos o que ambos escrevemos, veremos facilmente onde concordamos e onde discordamos. Apresentados os pontos de vista, umas razões não anulam, nem se sobrepõem obrigatoriamente às outras.

Quanto ao pequeno episódio de censura que referi, não é muito relevante, e não foi da sua parte.

Aconselho vivamente visionar o vídeo que mencionei.

Cumprimentos,
da Maia
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De João André a 29.06.2016 às 10:20

Entrando por esse caminho podemos questionar tudo e mais alguma coisa. A própria História é vista sob o prisma das diferentes correntes. Umas baseadas em factos, outras na interpretação, outras gostam da contrafactualidade, e ainda temos as várias questões do algo-centricas )germanocentricas, anglocentricas, lusocentricas, etc).

Eu leio meios de informação de vários tipos e evito os que são estridentes. A certa altura, no entanto, como distinguir entre uma "hegemonia na opinião global" ou simples conclusão lógica dos factos? Não digo que seja necessariamente o caso do Brexit, mas se eu disser (num caso puramente hipotético) que a Ablakávia invade o território da Coranónia que pertence actualmente aos Vovistão, tenho boas razões para afirmar que isso levará a guerra ou pelo menos a consequências graves financeiras, especialmente se a Coranónia for rica em gás natural. Isso não é uma "hegemonia de opinião".

Tenho que arranjar tempo para o vídeo, mas asseguro que o irei ver.

Cumprimentos.
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De Pedro Correia a 29.06.2016 às 13:10

Intrometo-me no vosso diálogo a propósito da questão da "hegemonia" informativa levantada pelo caro leitor daMaia, cujo regresso às nossas caixas de comentários saúdo.
Creio ter deixado aqui suficientemente demonstrado o pluralismo da imprensa britânica na campanha do referendo do Brexit:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/os-votos-da-imprensa-britanica-8556187

Aliás, se a balança informativa prevaleceu para algum dos pratos foi certamente para o Brexit, apoiado com insistência e estridência pelos tabloides com maior circulação - o 'Sun' e o 'Daily Mail'. Que no próprio dia da votação apelaram em berraria gráfica ao voto pela saída.
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De da Maia a 29.06.2016 às 16:50

Obrigado pelo cumprimento, caro Pedro, que retribuo.
Como sempre me manifestei aqui como eurocéptico, e águas passadas não movem moinhos, vim aqui moer mais um pouco de farinha, daquela farinha que não está conforme umas centenas de leis da UE para o seu fabrico e consumo.

Eu não disse que não tinha havido pluralidade na votação britânica, e se não tivesse havido uma comunicação social favorável, certamente que o Brexit dificilmente teria ganho, porque controlar a opinião é uma forma de controlar a população, como todos sabemos.

O que disse, e talvez me tenha explicado mal, é que fora do Reino Unido, foram sistematicamente simplificados os argumentos do Brexit, e por isso sugeri o vídeo que me parece bastante pertinente. Num aspecto de pluralidade que as pessoas de bem prezam - ouvir os argumentos dos diversos lados, e discutir livremente sobre eles, creio que será instrutivo dar a conhecer o vídeo, até porque para entender a decisão britânica, convém perceber a argumentação na sua maior amplitude, e não no aspecto simplificado, ligado à xenofobia e emprego, que foi a linha editorial seguida em Portugal.

E é com essa amplitude de entendimento que reconheço que o Pedro está carregado de razão quando assinala a diferença de atitude de Cameron e de Tsipras, face ao cumprimento da vontade expressa nos referendos. Não porque isso me agrade, mas simplesmente porque é um facto. Já penso que é extrapolar nas nuvens, associar o Brexit à queda do Podemos, mas isso é uma liberdade de opinião. Como diria sabiamente o João Pinto do FCP, prognósticos só depois dos resultados... e é devido a isso que há muitos consagrados analistas do passado, muito falhos nas antevisões futuras. Mas, como qualquer Maya sabe, desde que a retórica flua sem hesitação, todos sabem que errar é humano, e poucos sabem que persistir no erro é diabólico.

Cumprimentos,
da Maia
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De da Maia a 29.06.2016 às 16:15

Caro João André,
o meu principal propósito era mesmo o de sugerir o vídeo, que é aliás demasiado liberal para o meu gosto, mas que acerta em cheio ao invocar que a verborreia legislativa de Bruxelas se destinou a proteger grandes multinacionais, e a atacar as pequenas ou novas iniciativas comerciais, não instaladas.
Ou seja, permite ver uma série de argumentos que têm estado fora da discussão pública, que prefere reduzir tudo a simples argumentos de xenofobia, na habitual argumentação populista do centrão, que não se chama populismo, porque está no poder... e então passa a chamar-se "partido popular"!
O vídeo não usa uma única vez o argumento da imigração, nem precisa...

Quanto ao Vovistão (LOL), basta ver como Macau e Hong Kong foram devolvidas aos chineses, sem qualquer drama. Em sentido contrário, poderia argumentar que o IRA e a ETA só estiveram activos durante o período da CEE.
É inútiil encontrar múltiplos argumentos, e sugerir relações.
O Pedro Correia acabou de sugerir uma relação entre o Brexit e a descida do Podemos... sim, podemos, podemos fazer a associação mais lunática que quisermos. Pelas regras da implicação, assumindo que a tese é verdadeira, não interessa a validade da hipótese. Assim, sendo verdade que o Podemos desceu, podemos até dizer que a Islândia vir a ser vencedora do Euro 2016 implicou a descida do Podemos. Isso é igualmente válido com a Islândia ou mesmo com qualquer um dos outros já eliminados... inclusive a Espanha.
Por isso, análises a posteriori, são botas que calçam em qualquer pé, e não servem para nada.
O que interessa mesmo é ver no que deram as análises a priori, e aí vemos que todas as previsões de boa harmonia europeia no quadro da integração deram num chorrilho de sucessivas falsidades. Mas como quem profere falsidades não se evapora, e até tende a ser recompensado pelo engano em que conduz todos, estamos nisto.

Cumprimentos,
da Maia
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De Pedro Correia a 01.07.2016 às 17:22

Caro daMaia, será uma "associação lunática".
Mas considero-me bem acompanhado nessa associação.

Foi nessa mesma direcção - influência do Brexit nas legislativas espanholas - que apontou o editorial do 'El País' de segunda-feira, dia 27:
«Asumimos que el presidente verá este resultado como una reivindicación personal. Su estrategia de polarizar la campaña, con ayuda de Podemos —involuntariamente, también del referéndum británico— ha sido eficaz.»
http://elpais.com/elpais/2016/06/26/opinion/1466973088_547394.html
O nº 2 do Podemos, Juan Carlos Monedero, apontou também nessa direcção:
«Las personas mayores, con el miedo acrecentado con la salida del Reino Unido de la Unión Europea, han vuelto a colgar en su salón el bordado que dice “más vale lo malo conocido que lo bueno por conocer.»
http://www.comiendotierra.es/2016/06/27/a-la-primera-no-va-la-vencida/
E ainda o cabeça de lista do Unidos Podemos em Córdovoa, Manuel Monereo, figura histórica do comunismo andaluz:
«Monereo encuentra la explicación a estos resultados en que el votante moderado, influenciado por el Brexit, decidió no confiar en Unidos Podemos. «'Creo que el asunto británico ha terminado por levantar el voto moderado del país'.»
http://www.abc.es/elecciones/elecciones-generales/abci-elecciones-2016-monereo-unidos-podemos-matrimonio-mas-conveniencia-amor-201606280211_noticia.html

Os outros, só génios, eram imensos.
Nós, os lunáticos, também somos bastantes.
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De da Maia a 02.07.2016 às 10:28

Caro Pedro,
conheço esta piada desde criança:

Um cientista da passarada grita às aves:
- "Voa pássaro!".
E, na sua análise objectiva, conclui:
- "Aves sem asas não me ouvem".

Só recentemente percebi que se aplica muito bem aos que clamam aos pássaros:
- "Non pasarán!"
Que se deve traduzir:
- "Não Passarão!"

Ora, quando o Passarão é eleito, escrevem sistematicamente:
- "Não conseguimos passar a nossa mensagem".

Exemplos:

«La culpa, por tanto, es de los votantes que se acojonaron o que no hicieron lo que tenían que hacer. No han entendido nuestro mensaje; o, en la línea de aquella feliz afirmación de Rosa Díez, este electorado no se merece alguien como nosotros.»

www.infolibre.es/noticias/opinion/2016/07/01/dos_muertos_muy_vivos_una_derrota_inesperada_51988_1023.html

“Half of our voters didn’t know what Labour’s position was,”
said MP Angela Eagle, as she resigned from the shadow cabinet.
“Labour can’t be led by someone who can’t get that simple message across.”

www.moneyinternational.com/news/brexit-leadership-deals-no-one-signed/

Cumprimentos
da Maia
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De Luís Lavoura a 28.06.2016 às 16:31

Não será melhor entregar essas decisões aos nossos representantes?<\i>

O problema é que os representantes se mostram incapazes de decidir certos problemas. E sabem que são incapazes. Por isso decidem auscultar o povo.

Foi o que aconteceu em Portugal com o aborto. Os representantes tiveram consciência de que não eram capazes de representar adequadamente o povo. Os partidos fraturaram-se e houve a consciência de que a maioria dos representantes podia não corresponder à maioria do povo. Por isso se decidiu referendar a questão.

O mesmo aconteceu agora no Reino Unido. A maioria dos deputados é a favor da permanência, mas houve a consciência de que isso poderia não corresponder à maioria do povo. E os próprios partidos estavam fraturados. Pelo que se decidiu, e bem, fazer diretamente a pergunta ao povo.
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De João André a 29.06.2016 às 10:25

Cameron decidiu chamar o referendo numa jogada política mal pensada e depois mal organizada. Há já muito que os governos britânicos brincam com a ideia (Blair fê-lo o tempo todo que foi primeiro ministro).

Não tneho nada de especial contra a ideia de fazer a pergunta, especialmente quando, ao contrário do caso português (por exemplo) os partidos estão de facto fracturados em relação à questão (em Portugal temos três partidos claramente a favor de estar na UE).

O problema é que a questão é binária: sim ou não, sem ligar a consequências. Isso não é uma decisão, é um desabafo. O sim não dizia os moldes (os eleitores poderiam preferir mais integração ou menos integração mas permanecendo) e o não não oferecia alternativas (quebrar todos os laços e entrar na linha do "orgulhosamente sós", ficar como Noruega e Suíça?, aceitar o espaço único europeu e rejeitar Schengen? ao contrário?). Nada disto foi acautelado. Por isso não gosto do referendo, mesmo nos moldes britânicos.
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De Luís Lavoura a 29.06.2016 às 11:09

O problema é que a questão é binária: sim ou não, sem ligar a consequências.

Sim, mas em eleições as questões também são binárias: PS ou PSD, por exemplo, sem olhar a consequências. As pessoas votam num partido ou noutro e depois deixam os deputados resolver os detalhes. Num referendo é a mesma coisa, vota-se sim ou não e depois os deputados que resolvam os detalhes. Não é assim tão dramaticamente diferente.
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De Jhonny M. a 28.06.2016 às 17:10

«Não será melhor entregar essas decisões aos nossos representates, os quais discutem os assuntos, auscultam (ou deveriam fazê-lo) os seus eleitores, trazem o debate de forma progressiva para a arena pública e evitam que argumentos simplistas contaminem a discussão?»

Esta será de facto a premissa de uma Democracia Representativa (Semi) Direta. Contudo, para que tal acontecesse, seria necessário que os representantes fosses eleitos pelos cidadãos de um modo mais independente dos Partidos, sendo que a sua principal lealdade seria para com os seus eleitores. Tal não acontece no nosso modelo atual.
E não me digam que as listas dos Partidos que vão a eleições se aproximam desta ideia, porque tal não me parece de todo verídico. Do mesmo modo que repudio a orientação de voto nos grupos parlamentares, onde a lealdade aos eleitores é trocada pela lealdade ao líder do Partido.
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De João André a 29.06.2016 às 10:26

Aí está. Melhor democracia. Pessoalmente considero que o melhor sistema (pelo menos no papel) é o americano. Poderá ser melhorado e modernizado, mas funciona num bom princípio, oferecendo mais proximidade e criando os checks and balances necessários.
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De Jhonny M. a 29.06.2016 às 11:11

Ao ler os restantes comentários, das duas uma: ou eu não entendi parte do seu texto ou alguns entenderam apenas o que quiseram.
Creio que temos quase a mesma opinião em relação aos referendos. "Quase", porque há referendos e depois há referendos. E interpretei o seu «não gosto da figura de referendos» neste sentido:
Se o referendo for uma arma política dos partidos - em que cada um apresenta apenas os argumentos que são vantajosos para a sua "ideologia" e atacar constantemente com recurso a demagogias e enganos os argumentos contrários - e a sua formulação for ambígua, então claro que não podemos gostar deste instrumento.
No entanto, se o referendo for alvo de uma campanha de informação imparcial - na qual tudo é explicado com vantagens, desvantagens e consequências - e possuir uma formulação absoluta e concreta, então não há como "não gostar". Mas é aqui que surge a grande questão: Haverá realmente maneira de assegurar que aqueles que são consultados estão deveras informados e isentos de pressões partidárias e orgulhos partidários (à semelhança do que assistimos nos mais fervorosos adeptos de futebol)?
Lembro-me, por exemplo, de quando se falava na "Interrupção Voluntária da Gravidez", cujo referendo estava formulado em algo como «"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas 10 primeiras semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"». Na "aldeia" onde morava (arredores de Gaia), algumas pessoas (malta jovem incluída) com quem falava diziam ser contra, unicamente porque o padre tinha dito na missa que admitir que a mulher pudesse abortar era um pecado grave, um homicídio, um atentado à vontade de Deus. Quando na freguesia se promoveram debates sobre o assunto, as pessoas começaram a ouvir falar nos casos de aborto na sequência de uma violação, por exemplo, a sua opinião quase mudou - e só "quase mudou" porque sendo católicos, não podiam deixar de ser contra o aborto. É verdade, que alguns acabaram por se informar melhor, mas outros continuavam a dizer que o Sr. Padre disse que Não!

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De Anónimo a 28.06.2016 às 18:46

É significativo e preocupante que os que põem reservas aos referendos sejam os mesmos que defendem esta Europa e o regime que a sustenta.
Pelo menos implicitamente defendem uma casta transcendente, de que provavelmente querem fazer parte, que nasceu ou foi preparada para decidir em nome de todos os outros, com os resultados historicamente conhecidos, mesmo quando já existem todos os meios de esclarecimento e de expressão.
E vêm com argumentos relacionados com a possível manipulação das emoções, como se tal fosse um exclusivo referendário.
Ou então apontam a natureza redutora da consulta popular (tudo o que é ou pode ser genuinamente popular, os tais apelidam de demagógico, populista, plebiscitário - atente-se na etimologia deste último adjetivo...), uma vez que alegadamente se limitaria ao sim ou ao não.
Apliquemos este último argumento ao caso em causa: a terceira via só poderia ser qualquer coisa do género - continuar a reflexão/negociação.
Indefinidamente... se possível.
Para que nada mudasse.
Mas haverá coisa mais imobilista e reacionária?!...

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De João André a 29.06.2016 às 10:28

A UE existe graças a esses processos. De 1946 até agora, em 70 anos, a UE mudou drasticamente o seu panorama político. Chama a isso imobilista?
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De V. a 28.06.2016 às 19:33

Em Portugal um referendo pode ser definido como: a consulta popular que a elite do funcionalismo público dominada pelo PS e pela Maçonaria autorizam quando sabem que vão ganhar.
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De Miguel Madeira a 28.06.2016 às 22:52

Bem, o PS (e provavelmente a maçonaria - ramo GOL) perdeu 2/3 dos referendos feitos em Portugal nas últimas décadas.
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De João André a 29.06.2016 às 10:28

Ganhar? O comentário abaixo já o diz: quem chamou alguns dos referendos perdeu-os.
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De V. a 29.06.2016 às 13:22

Perdeu-os? isso é o que parece.

Nenhum deles teve participação suficiente para os tornar vinculativos mas foram oportunos politicamente. E como não foram vinculativos podem repeti-los, tal com um dia repetirão o da Regionalização (ou nem se darão ao trabalho de o repetir porque entretanto o que o pessoal já está por tudo e tudo o que mexe é a função pública: o resto já morreu.)
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De jorge a 28.06.2016 às 20:13

Pelo artigo, conclui-se que o referendo é bom se confirmar as nossas expectativas, caso contrário é uma idiotice.
Como em Portugal nada é do interesse do cidadão, as principais questões são tratadas e impostas nos gabinetes.
Gostava de ter sido consultado sobre a adesão á CEE, e posterior entrada na zona Euro.
Mas os sábios e elites é que sabem tudo.
Mas a culpa é do RU e obviamente da Merkel.
O descrédito da nossa classe politica e dos partidos é mais que evidente, mas os iluminados assobiam para o lado.
Depois admiram-se com a resposta dos povos.
Hipócrisia, não



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De Anónimo a 28.06.2016 às 23:23

"conclui-se que o referendo é bom se confirmar as nossas expectativas, caso contrário é uma idiotice."
Claro que é assim, mas talvez fosse melhor escrever "conclui-se que o referendo é bom para mim se confirmar as minhas expectativas, caso contrário é uma idiotice."
Ora o "mim" está na vez de muitas e variadas pessoas. Portanto o que acontece é que um referendo é bom para muitos "mins" e idiotice para muitos "mins".
É isto que sempre acontece. Donde se conclui que o post relata uma banalidade e nada acrescenta ao que é evidente.
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De João André a 29.06.2016 às 10:31

Não. O post está escrito exactamente como que queria. Eu distingo "referendos" de "resultado de referendos". Eu posso ficar satisfeito com o resultado de referendos e continuar a não gostar deles.

Se não compreende meta explicador.
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De João André a 29.06.2016 às 10:29

Culpa do RU e da Merkel? Estando os dois em lados opostos, você dá uma bela cambalhota argumentativa.
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De Anónimo a 29.06.2016 às 04:58

Pessoalmente gosto de referendos e da responsabilidade que me conferem, até porque me permitem conhecer a mim próprio no momento que decido priorizar uns argumentos e rejeitar outros.

Na minha perspetiva, o modelo político atual devia modernizar-se. Uma plataforma tecnológica, oficializada pela Assembleia da República, onde os eleitores pudessem infrequentemente votar em questões não banais, viria a aproximar a decisão política da real vontade da sociedade. Não estou a falar de um fórum onde os eleitores expressam opiniões, estou antes a sugerir um espaço onde os partidos apontavam os principais argumentos (a favor e contra) e os eleitores se expressavam através de votação.
Sublinho o 'viria a aproximar' pois acho que essa votação deveria ocupar lugar no debate, nesse contexto inacessível que é a Assembleia da República.


Na Assembleia da República só votam partidos políticos - deputados que não estejam alinhados com o seu partido, depressa deixam de o ser - e a minha decisão de votar em partido X, Y ou Z (ou qualquer outro) não significa que aceito toda a sua linha orientadora.


Relativamente ao "Brexit": de todos, a Inglaterra é o país com melhores condições para sair (tem moeda própria, tem uma economia estável e não inflacionada, e tem gosto nas suas peculiaridades). Sou europeísta e gostei da decisão. Acho que os países envolvidos no projeto europeu se devem comprometer totalmente (abdicando da própria moeda e abrindo as fronteiras a novos costumes) ou manter-se fora e não tomar um lugar à mesa das decisões europeias. Gosto da Inglaterra e estou convicto que se quiserem voltar atrás não será por causa da sua economia nem da Europa mas sim por causa do colapso do Reino (des)Unido - Escócia / País de Gales / Irlanda do Norte / Inglaterra.
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De João André a 29.06.2016 às 10:34

Antes de mais obrigado pela sua opinião: é educada, pensada e não me acusa de "interesses pessoais".

Não estamos assim tão longe em temros de opiniões. O seu segundo parágrafo até vai na direcção daquilo que eu escrevo: precisamos de melhor (talvez eu devesse ter escrito "mais moderna") democracia. O referndo ajuda a pensar nos temas, sem dúvida, mas continuo a ter dificuldades com a natureza binária das questões. Gosto da sua proposta, no entanto: os temas em votação na assembleia têm muitas mais nuances que simples perguntas sim/não e tal sistema ajudaria a decidir. É quase o que existe na Suíça, onde os cidadãos são chamados a decidir temas bastante banais.
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De João André a 29.06.2016 às 10:37

Já agora: gostaria imenso de tal sistema, desde que o voto dos cidadãos sobre os diplomas não fossem vinculativos mas consultivos. Ajudaria os deputados a compreender a aceitação (ou não) de cada opção. Isto seria ainda melhor se, como escreve, os deputados fossem responsabilizáveis individualmente (ou pelo menos em grupos pequenos) perante os eleitores. Assim, como diz correctamente, temos apenas blocos de deputados a votar sob disciplina partidária. Os votos nas assembleias de clubes (os sócios mais velhos têm 20 e 10 votos) vão dar quase ao mesmo...

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