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Pope don't preach

por Teresa Ribeiro, em 07.06.14

Coerente com a divisa "crescei e multiplicai-vos" o Papa puxou as orelhas aos crentes que optam por ter cães  e gatos em vez de filhos, acusando-os de comodismo. Percebo-o, está no seu papel. Mas se há ditame cristão injusto é esse que aponta a reprodução como um dever. Da multiplicação sem critério à procriação controlada deu-se um passo civilizacional gigante, pois optar por não ter filhos quando não se sente esse apelo ou fazer questão de os desejar em vez de simplesmente tê-los reflecte um apreço infinitamente maior pela vida humana.

Planeamento familiar à parte, essa modernice que tanto incomoda a Igreja, há ainda que levar em conta os efeitos da economia na vida dos casais em idade fértil. Eu sei que Francisco foi lesto a denunciar a "economia que mata", mas cedendo à tão católica nostalgia dos tempos em que as pessoas se multiplicavam como animais, esqueceu-se que muitos dos casais que optam por cães e gatos podem só estar a adiar os bebés que planeiam ter, não por comodismo mas porque não os querem criar sem condições. Alguém os pode criticar por isso?

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23 comentários

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De Rui Herbon a 07.06.2014 às 19:19

Com tantas crianças condenadas à fome e em muitos casos a uma morte precoce nos países pobres, talvez um apelo à adopção fizesse muito mais sentido.
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De Teresa Ribeiro a 08.06.2014 às 00:38

Seria com certeza uma boa ideia.
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De Carraça a 07.06.2014 às 19:21

Bem, a quem não tem condições para ter bebés, ter cães ou gatos não irá ajudar grandemente, acho eu.
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De Jaculina a 07.06.2014 às 20:46

Se acham que o caminho é a reprodução desenfreada, os padres devem dar o exemplo. Ou a moralidade só se aplica aos outros?
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De lucklucky a 07.06.2014 às 21:32

"Alguém os pode criticar por isso?"

Pode, especialmente quando se fala em "condições" como desculpa.
Por essa ordem de ideias todas as Mães e País foram inconscientes ao terem filhos desde Adão e Eva até ao Sec: XX...
Só os ricos deveriam ter filhos nesse século.
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De Teresa Ribeiro a 08.06.2014 às 00:21

Já ouvi esse argumento não por acaso a gente que teve condições para tratar bem da descendência. É que com o mal dos outros podem bem, não é?
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De Maria Dulce Fernandes a 07.06.2014 às 21:38

É bem mais fácil ter um gato em casa do que um filho. Come, dorme, pede festinhas e lambe-se. Pode ficar sozinho todo o dia e só se manifesta ruidosamente quando anda à caça ou tem fome. Para além de que um pacote de biscoitos e um saco de areia são bem mais baratos do que um pacote de fraldas e uma lata de leite
Um animal de estimação nunca substituirá a alegria de parir um filho, mas ajuda a suportar a solidão a quem precisa de companhia e não nos dá preocupações quanto ao seu futuro profissional ou pessoal.
Na presente conjuntura em que sobreviver é uma aventura, será que o Papa Francisco, se fosse largado numa ilha deserta e tivesse que subsistir com o que pudesse arranjar com os parcos meios ao seu alcance, quereria ter por companheiro um gato ou um recém nascido ?
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De Teresa Ribeiro a 08.06.2014 às 00:23

Nem mais, Maria Dulce.
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De atento a 07.06.2014 às 22:19

Filhos, raramente é a hora ideal, fica ao critério de cada um ...
Com a quantidade de animais abandonados, também não me parece que seja uma boa ideia para " dama de companhia " !
No entanto, relembro que Todos têm um animalzinho de estimação, maior ou mais pequeno, que faz companhia e nem dá assim tanta despesa!!!
pois... é esse computador que está à sua frente.
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De Teresa Ribeiro a 08.06.2014 às 00:33

Ao contrário do que acontece em relação aos filhos e até aos animais, para se ter um computador em casa não faltam incentivos. Até porque não tê-lo já nem se equaciona.
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De Maria Helena a 07.06.2014 às 22:34

Tive 2 filhos e um Cão, cão que teve a vantagem de não ter período (imenso) de adolescência. Experiência a repetir, a do Cão...
Maria Helena
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De Helena Sacadura Cabral a 08.06.2014 às 00:45

Teresa
Eu não tenho espírito franciscano. Por isso os únicos animais com os quais coabitei foram os que os meus filhos me impuseram num passado longínquo.
Sou católica mas tenho conflitos com a Igreja, Tantos quantos os que os filhos têm com os pais.
Julgo que abordaste um tema muito importante - o da maternidade consciente - que precisa de ser amplamente discutido e sobre o qual ainda impendem preconceitos que têm de ser vencidos. Não por causa dos animais ou de quaisquer egoismos pessoais. Mas porque ser pai ou ser mãe é uma escolha para a vida com consequências sobre terceiros. Enquanto fazer sexo é uma necessidade biológica ou um direito ao prazer que implica apenas dois.
Os novos padres - pena que sejam tão poucos - já olham para estes temas de modo muito mais tolerante. E o Papa sabe bem que os homens não são santos e que os santos pecaram muito porque eram homens.
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De Teresa Ribeiro a 08.06.2014 às 19:07

Pois é, Helena. O cristianismo, que nos ensina a respeitar e valorizar a vida como nenhuma outra religião, tem que resolver este paradoxo. Fomentar a reprodução sem critério não é a melhor via para a evolução humana.
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De António Barreto* a 08.06.2014 às 00:47

Mas que grande confusão para aí vai! Nada disso! Reveja tudo de novo; está a escapar-lhe algo fundamental.
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De Teresa Ribeiro a 08.06.2014 às 18:43

Podia ser mais específico?
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De tric a 08.06.2014 às 03:42

o Papa "olhou" para a natalidade na Europa e deve se ter assustado...
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De Teresa Ribeiro a 08.06.2014 às 18:42

E tem razões para se assustar e também para bater neste modelo politico-financeiro que impede as pessoas de viver com um mínimo de desafogo para poder pensar em ter filhos, em vez de bater nos jovens casais que adoptam gatos e cães.

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